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Questão de higiene
Uma das coisas que mais dá discussão entre brasileiros que conhecem o Egito e os egípcios é a tal da higiene. Não vou entrar nos meandros das questões de higiene pessoal, mas do que a gente vê num caso específico, como restaurantes.
Algumas coisas que eu vi no Egito até viraram “piada interna” para nós. Em Alexandria, perto da fortaleza de Qat Bait, tinha uma sorveteria super famosinha, com sorvetes super deliciosos que eu apelidei carinhosamente de “finger ice cream”. Escolhi um de Macadâmia, sabor não muito comum no Brasil, e o moço que servia, pegou o dinheiro, com a mesma mão, sem luvas nem nada, pegou a casquinha e serviu o sorvete de massa, moldando com o próprio dedão dele a forma da bola… ahahaah é, entendeu o porque do finger ice cream, né? Nojinho, mas eu já tava numa fase mais tranquila e comi mesmo assim ahahah E era realmente maravilhoso o tal sorvete.
Bom, fora isso, tinha o pão que as pessoas compravam nas padarias (que pareciam umas prisões com grades ahaha). Como as pessoas compravam direto saído do forno, não dava nem para carregar no braço. Então o que faziam? Simplesmente espamarravam pelo chão, pelos capôs dos carros, bancos de bicicletas. Sim, sem proteção nenhuma. Para essa comida, eu criei o apelo de “pão de areia”, porque eu jurava que quando comia sentia que tava mastigando um pouco de areia ahaha
Bom, teriam outros exemplos para compartilhar, mas na maior parte das vezes eu sinceramente não vi nada de absurdo no Egito em relação a higiene, mesmo dentro das casas, comi muita coisa boa e bem preparada. Tem lugares bons e super limpos, e lugares baratíssimos onde a higiene não é prioridade, assim como no Brasil.
Pois então, de volta ao Brasil, que a gente acha super exemplo de limpeza, eu enchia tanto a orelha do Musta que ele pensou que ia ver coisas de outro mundo aqui. Aí que com o tempo, a gente começou a ver exemplos de porquice iguais do Egito, e claro, não é maioria, mas tá no mesmo nível.
Fomos num restaurante italiano super conceituado na rua Pamplona, pedimos um antepasto de beringela super delicioso. Quando estou na terceira, quarta colherada, vejo algo se mexendo. Estava cheio de bichos, minhoquinhas, sei lá o que era, lá dentro mexendo. E antepasto é coisa assada gente, não era bichinho vindo da terra porque o produto tava fresco :-S
Depois, estávamos em Santos uma vez, e procuramos uma padaria para tomar café da manhã. Na porta, eles estavam vendendo aqueles frangos, feito nas máquinas. Quando estava saindo com meu carro (porque não vi isso antes), como eu estava estacionada num ponto que dava pra ver atrás do balcão do frango, vi o moço que preparava os assados simplesmente pegar um espeto pronto e colocar no chão! SIM, NO CHÃO!!! E depois de alguns segundos, pegou o mesmo espeto que tinha uns 5 frangos, e botou na mesa para começar a cortar para vender.
- Viu Marina, você fica falando mal do Egito, mas o Brasil é a mesma coisa!!!
- Ah, não sei não Musta, lá a coisa era bem descarada, aqueles pães no chão.
- Ué, mas aqui a gente acabou de ver o frango no chão.
- Tá, mas tem o finger o ice cream…
- A única diferença é que a gente faz na frente dos clientes, no Brasil eles fazem escondido. Os egípcios são mais sinceros e verdadeiros, ué!
- ahahahaha tá certo, Musta, essa vai pro blog.
ps. Em nove meses, eu tive uma infecção alimentar no Egito. No Brasil, já faz 4 anos que estou de volta, e já tive umas três. No final das contas, acho que estamos mesmo quites.
Egito – um lugar complicado de amar
Confesso que depois de alguns anos escrevendo no blog, minha vida já mudou tanto e tantas vezes, que nem sei mais qual foco dar a isso aqui. Já notaram que ando postando menos, às vezes fico um bom período sem dizer nada. Não que eu não tenha mil pensamentos ou idéias, simplesmente coloco barreiras demais para vir me expressar. Já passei da fase de dar a cara pra bater à toa, e principalmente procurar discussões por aí.
Mas, toda vez que penso que talvez nem volte mais a escrever, encontro absurdos na internet que me fazem cair para trás. Primeiro, os brasileiros já evoluíram muitoooo, mas ainda tem muita gente preconceituosa e prepotente, que se acha mais que o resto do mundo. Bom, aí que estou eu vagando pela internet, vendo notícias sobre o Egito, e sem querer, vejo alguns comentários sobre o Egito, que, hummmm, melhor nem comentar.
Gente, eu não estou aqui para defender o Egito até porque eu também não quis ficar morando lá, porém debochar e achar que minha cultura é superior, isso jamais. Eu já tive épocas de ver o Egito cor de rosa, defender coisas de lá quando nem era tão necessário assim, brigar com pessoas que gosto por pequenas discussões bobas à toa sobre o país (coisas que me arrependo até hoje), mas ultimamente tenho visto tamanha falta de desrespeito com o povo egípcio, que mais do que nunca continuo com meu blog, mesmo na bagunça que ele é, pois o que quero não é dizer que Brasil ou Egito é melhor, apenas tentar desmistificar um pouco esse lugar que também tem muitas coisas encantadoras.
Eu só acho que nenhum lugar na terra é perfeito, se aquela pessoa só fala mal, é porque ela mesmo deve ter algum problema interno que não sabe resolver e desconta tudo em outras coisas e pessoas que não tem nada a ver com sua amargura.
Tem um filme egípcio que fala tudo isso que eu digo de outra maneira, pena que está em árabe, mas se alguém arriscar, vale muito a pena, chama-se “Asad Elswed”. A história é de um egípcio que vive há 20 anos nos EUA, tem passaporte americano, mas decide retornar ao Egito e às suas raízes. Ele nem leva o passaporte americano dele, pois tem orgulho de sua origem, mas até então não tinha voltado ainda ao país. Bom, é uma comédia muito engraçada, acontece tudo que a gente ocidental acha engraçado e diferente no país. Aí vai uma lista:
- é ferrado pela polícia
- acham ele bizarro pq tem cabelo comprido
- sai sem camisa numa casa em que estão outras mulheres e quase apanha. Aliás, ele tenta cumprimentar com beijinho uma mulher casada ahauhau
- se ferra no trânsito
- é roubado pelo motorista de van que o pega no aeroporto e o engana até na conversão de libras para dólar
- apanha em um protesto contra americanos
- pega fila para fazer documentação e se ferra, até pagar propina
- come fisih e tem uma intoxicação alimentar
e por aí vai… mesmo assim, o filme dá um grande exemplo no final, do que é o Egito e suas pessoas, sua generosidade e amor que compartilham. Não preciso dizer que é do tipo de filme que você ri o tempo inteiro, mas se conhece o Egito pelo coração das pessoas, se debulha em lágrimas no final.
Vale a pena, aqui vai um clip sobre o filme que dá para ter idéia, mas não achei o filme mesmo com legenda em inglês.
Pra quem quiser tentar, aqui é o filme todo:
Tempo no Egito
Hoje eu vi um filme indicado pela Filipa, leitora aqui do blog, que se chama Cairo Time. A história me levou para lá longe, apesar da história não nada a ver com a minha, parece que o Egito desperta o mesmo tipo de sensação em muitas pessoas, existe um encantamento, algo de doce e puro, que não são todas as pessoas que conseguem ver ao estarem no Cairo. É difícil se desvencilhar das buzinas, dos olhares, da bagunça. Mas com pouco esforço, se conhece muito além disso.
Muitas pessoas são secas, amargas, e não conseguem enxergar o Egito com esta sua pureza e ar morno acolhedor. Destilam apenas preconceitos e superficialidade sobre o povo: ah são bagunceiros, ah são sujos, ah não sabem fazer as coisas direito. Esquecem que a vida é cheia de pontos de vista, que talvez o seu seja bom apenas para… humm, você mesmo. A mesma quantidade de coisas que os brasileiros se julgam superiores, o mesmo poderiam fazer os egípcios, com outros detalhes da vida.
Um brasileiro se acha organizado e limpo, porém coloca cachorros dentro de casa, o que para um egípcio seria o cúmulo de sujeira. Uma brasileira se diz limpa e asseada, porém usa papel higiênico ao invés de se lavar sempre após usar o toalete. E por aí vai, são milhares de exemplos, mas como sempre diz meu marido, é bom falar da limpeza porque brasileiro adora se vangloriar por isso ehehe.
Eu já fui muito de querer entrar no choque de culturas, fui bem estúpida no Egito algumas vezes, a ponto de me perder em desejos tolos. Porém jamais deixei de ver coisas maravilhosas, de andar nas ruas (olha, algumas bem mais limpas que outras de São Paulo, quem diria) e me encantar com doces dourados de konefa, de ser sempre recebida com sorrisos, de mesmo sendo uma estranha, virem me abraçar e dizer que sou como a lua, “zay el amar”.
O filme acabou por me mostrar um pouco disso, que o Egito é sim estranho aos nossos olhos, porém é preciso um coração bem grande para entendê-lo, e a partir de então jamais deixar de amar aquele lugar e suas pessoas. Pena que muitas pessoas que conhecem o Egito ficam presas a coisas muito pequenas para enxergar um palmo à sua frente. E, por outro lado, que bom que tem tantas pessoas que passam aqui todos os dias, e mesmo não tendo nunca ido até lá, sentem o mesmo que eu e milhões de outras pessoas: um grande amor pelo EGITO!
Presentinho
Muita gente me escreve perguntando da minha história. Parece meio óbvio para quem me conhece há algum tempo, mas a maioria dos posts do meu blog que falam da minha chegada aqui e coisas pessoais, hoje em dia estão com senhas, para me preservar. É, começo de blog a gente abre as porteiras, mas depois aprende que tem coisa que é melhor guardar.
Porém, como nessa última semana muitas pessoas em escreveram para ler um pouco da minha história, vou abrir dois posts. Presente por estarmos chegando a quase 350 mil visitas!
Meu primeiro post no blog, foi aberto: http://egitoebrasil.com/2008/08/13/indo-para-o-egito/
O post “Um ano de Brasil” também está aberto: http://egitoebrasil.com/2008/08/25/um-ano-de-brasil/
Quem já leu, espero que apreciem ler de novo, quem não viu, espero que gostem
A Líbia, o Egito, o mundo árabe
Continuamos acompanhando o que se passa no mundo árabe. Agora muita gente está preocupado com as consequências reais que isso pode ter para o resto do planeta. O barril de petróleo já está com um preço recorde e muitas indefinições continuam sem respostas.
E o Egito? Parece que a mídia deletou o que se passa por lá. Onde está Mubarak, como está a transição?
E a Tunísia? Coitados, país menor ainda, já foi para o ostracismo total.
Falar de política me cansa, mas sinto que não existe outra coisa que deveria pensar no momento, já que o que os jovens árabes fizeram foram sim um exemplo para o mundo, não posso ainda porém tudo ainda está muito indefinido.
***
Uma nota sobre a cobertura da mídia. É engraçado como os jornalistas seguem o mesmo ritmo de cobertura para qualquer coisa que fazem. Não conseguem variar muito o estilo de cobertura, e as redações que não bancam correspondentes por mais tempo na África, ficam com reportagens superficiais.
Quando aconteceu tudo aquilo no Egito, eu já esperava que alguns jornalistas iriam bater na porta do blog perguntando coisas. E foi assim:
Fase 1 (primeira semana) – Olá Marina, sou jornalista não sei de onde, preciso falar com brasileiros no Egito, me passa contatos?
Fase 2 (segunda semana) – Olá Marina, sou jornalista, quero falar com egípcios no Brasil, me dá uma entrevista?
Fase 3 – (terceira semana) – Correspondentes vão finalmente para o lugar dos conflitos. Fazem matérias dos protestos, dizem que estão com medo. Vão embora.
Fase 4 (no final, depois de umas 3 semanas começa) – Quando os jornalistas não tem mais para onde correr, vão fazer plantão no aeroporto para falar com quem está chegando das áreas de conflito. Aí saem matérias sem sentido algum, como essa aqui (eu ri).
O meu Egito – Alexandria
Quando olho para trás, vejo uma nuvem de poeira e dela vem a visão daquela janela. As portas que seguem até o teto, de um verde vivo, porém desgastado com o tempo, tremulam com o vento que vem do mar. Uma cadeira de plástico branco está na pequena sacada e eu caminho descalça pelos tapetes floridos da casa. Encosto os dedos no vidro que recobre a mesa de jantar e vejo o sol brilhando lá fora. Saio para respirar o ar fresco, para olhar o movimento da rua, para ver os prédios feios e sem pintura e o emaranhado de antenas parabólicas nos topos de todos os meus vizinhos.
Não vejo o mar, mas sinto o seu cheiro inebriante, misturado com meus sentimentos confusos. É assim que sempre me lembro do Egito, como uma paz familiar, a maciez dos tapetes que recobrem todas as casas e o sol sempre brilhando lá fora.
E fico a imaginar estes passos que eu antes sempre dava nos dias de verão em busca de um refresco naquela janela, e que hoje se os repetisse seriam passos para uma felicidade extrema. Foi nesta casa que descobri muitas coisas e mudei completamente meu ser, onde me casei e transformei minha forma de ser. Onde sonhei alto e conquistei.
Egito, meu amor eterno, mas do qual estou longe e sem nenhuma perspectiva de voltar. É saudade, é um amor platônico, daqueles que revolvem o estômago de dor, principalmente por termos a certeza de que nunca poderemos ter aquilo novamente. E, mesmo que tivéssemos, as coisas nunca seriam iguais como daquela primeira vez.
***
Costumava ficar sentada naquela cadeira verde estofada. Como a maioria dos móveis que vi no Egito, este conjunto tem bordas de madeira envernizada decoradas. Não havia escrivaninha para o computador, então adaptamos uma pequena mesa e esta enorme cadeira como local para sentar e entrar em contato com o mundo pela internet. Da janela deste quarto, conseguia ver a parte de trás dos prédios dos vizinhos, com roupas tremulando pelas janelas e vasos de flores secas pelo rigoroso calor do verão. Foi neste mesmo lugar que vi, pela primeira e única vez, um céu amarelo e pesado, como um grande sopro do sol que chega a terra. Para mim era um grande acontecimento, uma tempestade de areia, para os egípcios um ciclo que se repetia todos os anos. Minhas memórias são de lembranças fantásticas, de emoções à flor da pele, de visões pungentes de um mundo que eu jamais imaginei conhecer.
E neste mesmo quarto aonde minhas lembranças me carregam agora, é que por trás da sacada surgia um fio branco, vindo do apartamento abaixo, com a conexão de internet. E assim ligávamos esse mundo tão exótico ao resto do planeta, podia falar com quem eu tinha saudades, ler as notícias do mundo, me distrair e protestar. E é ali ainda hoje que minha sogra senta-se sorridente todos os dias após subir os cinco lances de escadas e, com o calor típico das mães egípcias, nos espera para dar um oi. E por esta rede, que hoje encontra-se calada, que trazemos o Egito, por segundos, para perto de nós.
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A saudade nao é apenas sentir falta de algo, mas ter certeza de que o amor está ali, com aquelas pessoas que agora estão distantes.
Que pátria não é onde nascemos, mas a terra em que encontramos nosso caminho.
O mundo é grande demais para ser vivido, nossos olhos pequenos para tanta coisa a ser vista e o coração fraco para absorver até mesmo uma ínfima parte de tudo que podemos tocar.
***
De uma verdade eu sei, que só quando a ti voltar, Alexandria, meu coração será completo novamente. Tenho pendências sérias com você, sabes bem. Fui embora batendo a porta, sem respeito e sem paixão. Com medo da opressão, da ditadura, não vi em ti muita opção.
Não me importei em deixar o ar fresco de seu mar, nem de parar de ver, todos os dias, os homens que sempre sorriam para mim ao ouvir meu árabe rasgado. Nem pensei que sentiria saudades, ou falta, de lutar por um taxi compartilhado, ou de comer falafel gorduroso pela manhã.
Nem pensei no seu povo, no seu acolhimento, ou em quanto fui feliz por ter a oportunidade de te conhecer. Saí correndo sem olhar para trás, mas hoje sei que entendes que não foi minha culpa.
O que me dói, neste momento, é pensar que talvez nunca mais te verei, pois se for para ser da mesma forma, talvez eu nunca retorne. É preciso mudar, crescer, nosso relacionamento tem de amadurecer, Alexandria.
Agradeça àquela mulher da venda, que me abraçava e não cobrava pelo chá. E fale para a outra, que me deu uma pulseira de prata só por me ver passar, que sua hospitalidade nunca foi esquecida. Não deixe de dar algo melhor aos meninos da venda, que se debatiam para me atender e vender meio quilo de konefa, só porque eu era brasileira. E pague em dobro ao cobrador do tram, que me fez repetir a shahada três vezes para provar que eu era muçulmana, e por isso me deixou sair de graça. E garanta muita fartura a Lubna, a Mona e Afef, pois quando estive aí, elas não se importaram em me servir mais do que merecia. Dê um emprego para o Sabaytas, uma esperança para o Said e todos os jovens que não sabem para onde ir. E, por último, dê um pouco de dignidade ao Bambi man, sim aquele que não sei o nome, apenas apelido, e que limpava as escadas apenas com um pano úmido, tremendo as pernas e sem forças para levantar o rosto quando passava. Que abria um sorriso sem dentes ao me entregar pão em uma sacola plástica, que recebia uma libra e só por isso prometia noites de oração por mim. Faça do povo egípcio que em ti habita, Alexandria, livre como os ventos que carregam suas embarcações e alegres como as cores do jardim de Montazah. Que ninguém mais precise te abandonar, como eu fiz, por medo de aí não ser feliz.
ya baladi
My country
hena s7aabi
Here are my friends
hena e7baabi
Here are my loved ones
hena 7abibi eli da2 baabi
Here is my lover that had knocked on my door
hena shamsi
Here is my sun
hena amari
Here is my moon
hena nilee w hena harami
Here is my Nile and here are my pyramids
hena abouya w hena omi
Here is my father and here is my mother
hena 3ardi w hena dammee
Here is my honor and here is my blood
hena beladi w hena egdady
Here is my country and here are my grandfathers
w hena haykounou a7fadee
And here is where my grandchildren shall be
hena maadeya w layaleya
Here is my past and here are my nights
w hena zekra kanet leya
And here is a memory that belongs to me
w salaam ya baladi salaaam
And good bye, my country good bye
rage3 leek mafihash kalaam
I will return to you without a doubt
w koli shou2 w ahlaam
Filled with passion and dreams
(ps. partes deste post são adaptadas de outros textos meus sobre o Egito.)
Don Juan da vida moderna – eles querem é seu dinheiro
Hoje passou uma reportagem do Domingo Espetacular (veja aqui o vídeo) sobre mulheres que se apaixonam e rapidamente se deixam ser enganadas por homens que figem serem perfeitos para simplesmente arrancar dinheiro ou viver numa boa. Imediamente, lembrei das dezenas de mulheres que já conheci por meio deste blog que viveram isso.
E não, não são mulheres sem estudos ou ingênuas. Muitas bem vividas, bonitas, com tudo para serem felizes, mas que por algum motivo se sentiam muito sós e a má sorte trouxe a elas um homem ruim pela internet. Vendo a reportagem, não enxergo o mesmo tipo de comportamento com todos os árabes, paquistaneses, turcos e indianos em geral que querem se dar bem em cima de uma mulher (tem gente de toda nacionalidade fazendo isso, mas quem chega no meu blog geralmente é porque está envolvida com uma dessas nacionalidades).
O que eu posso dizer é mais sobre os egípcios. Já conheci cara safado mesmo, de ter várias esposas e na cara dura mentir pra terceira, quarta estrangeira que estava chegando no Egito por meio de papinhos moles que eles jogam pela internet. Usam sites de jogos tipo RPG (nem sei os nomes, mas tem vários), redes socias (adoram Hi5, Facebook, Orkut são mais os indianos) e são sempre muitos fáceis de serem pegos na mentira. Mas a paixão, essa sim, é a maior armadilha, pois ela impede a mulher de ver um elefante dentro de um quarto de 4 metros quadrados. E não adianta você falar, explicar, tentar mostrar.
- “Ele é perfeito! Ele é o amor da minha vida! Imagina, falou em casamento logo que nos conhecemos!” – dizem. Quem sou eu para discutir?
O perfil geralmente é o mesmo, mulheres mais velhas, divorciadas, muitas vezes com histórias de relacionamentos bem sofridos no Brasil. Mas também existem as novinhas, com a vida toda pela frente e que também se deixam levar facilmente. Elas acreditam que só pelo fato do homem ter uma religião mais severa, como o Islam, falar coisas românticas (egípcio chora com Titanic, vcs acham que ele teria vergonha de dizer coisas bregas tipo “vc é a estrela do meu céu”, blá, blá, blá?), ser de outro país e dizer batendo no peito que como homem é dever dele dar tudo para a esposa (mentiraaaa), ele é diferente de um homem do Brasil? Não é não, por isso fiquem ligadas. Sinal de amor e respeito é igual em qualquer cultura, e safadeza também acontece na mesma proporção. Só que por ser diferente, para eles é mais fácil encantar. Fora que na internet, muito fácil inventar mais mentiras ainda.
Por isso, uma regra de ouro: nunca envie o primeiro dólar, o primeiro presente (aliás, nunca enviem presente nenhum, não passem na porta dos Correios ou Western Union, combinado?). É a porta de entrada para muita tristeza, infelizmente. As dicas são básicas. Mesmo que você pense em morar no Brasil, diga sempre que não tem dinheiro para passagem, que quer sair do Brasil e morar lá no país dele. Analise bem as reações e cada palavra. Jamais mencione coisas do tipo FGTS, imóveis ou carros. Mesmo que ele nem seja tão interesseiro assim, só de saber que você tem posses, vai ficar mais interessado pelo lado econômico do que quem é você de verdade. A regra de ouro na internet é que você pode omitir muita coisa, e se é ele quem pergunta sobre seus bens, olho aberto.
O casamento no Egito é feito na maioria das vezes por acordo, pensem nisso. As pessoas de lá não estão acostumadas a ficarem com alguém só porque amam ou têm paixão. Tudo é pensado e calculado: os gastos, quem paga a festa, quem paga a mobília e por aí vai. Uma egípcia não se casa sem saber o salário real do cara e o que ele pode oferecer de conforto a ela. O homem egípcio, por sua vez, casa geralmente preocupado mais com o acerto familiar e se a mulher é casta, obediente e será uma boa esposa. Imagina então, esse egípcio pobre, que já é difícil arrumar uma boa esposa baseado nas condições ditas antes, que encontra uma mulher atenciosa, cheia de carinho, que manda presentes, está sempre pronta para fazer tudo e, ainda por cima, vai lhe dar algum dinheiro e uma chance de melhorar de vida, algo que ele jamais conseguiria sozinho? Ele também se apaixona (não digo de mentira, mas em muitos casos é o modo mesmo deles de paixão, que está ligado a outras coisas que não temos aqui) e fala em casamento querendo mesmo. Só que a mulher não sabe que este desejo dele não é 100% por amor e sentimento com aqui, pois na cultura a condição financeira entra na conta. Ou seja, confusão armada, expectativa dela lá em cima e a chance de se frustrar muito grande.
Para ele, vale a pena ficar com uma mulher que não se encaixa no padrão do que ele gostaria, apenas pelo fato dela lhe oferecer uma chance de vida melhor. Em alguns casos, claro, isso por ser amor de verdade, eu graças a Deus conheço muitos casais felizes mesmo, só que o egípcio sempre fez o correto, como suprir a necessidade da casa, ser quem vai atrás das coisas, não o contrário.
Por isso, me assusta um pouco também quando alguém me pergunta como fazer para casar no Egito. Poxa, se nem o noivo vai atrás, melhor ir com calma antes, certo? Ou quem me manda perguntas pedindo minha opinião, se ele fala verdade ou mente: se você tem dúvidas, não case!
Bom, sei que o post ficou gigantesco e acabei fugindo um pouco do tema, pois no caso dos egípcios não acredito que estejam soltos por aí apenas golpistas baratos, como vimos na reportagem. No caso dos egípcios com brasileiras, é muito mais uma união do útil com o agradável, mas é claro, tem casos dos que namoram várias estrangeiras ao mesmo tempo, os Don Juans que são muito fáceis de serem pegos na mentira (só de jogar o nome deles no Google e em redes sociais o castelo de areia se desmancha, tá cheio de ”habibi” com foto de outras no Hi5, por exemplo).
Agora, como sempre que escrevo algo, fazendo certas críticas, recebo a incredulidade de volta: Mas e você, então teve é muita sorte de ter dado certo com o Musta?
Sorte, acho difícil. Todo risco pode ser bem calculado. Eu sabia muito bem como era a cultura egípcia, tive diversos cuidados (quando a mulher usa a cabeça junto do coração, o trabalho é mais fácil) e jamais fui inocente. Talvez posso dizer sorte (chamo isso de ação de Deus) pelo fato de justo o homem da minha vida ter aparecido do nada pela internet, mas o fato de ter ido a ter ele e ter dado certo não. Isso foi uma jogada com muita estratégia e atenção que fiz na minha vida. Para vocês terem ideia, mesmo com toda a certeza que tinha no meu coração, cheguei no Egito com passagem de volta comprada também. Ainda bem que pude jogá-la no lixo
ps. Tudo isso que falei vale o contrário também. Já vi mulher brasileira dando cada baile em egípcio, que vocês nem acreditariam… Por isso, esse post não é uma generalização, pois não acredito que raça, origem ou cor digam algo por alguém: isso é racismo.
Pagando micos no Egito
Estava com minhã irmã e minha mãe hoje e elas reclamaram do meu post de ontem, que só pego no pé do Musta e não conto meus podres ou meus micos no blog. Lógico que não, sou dona dele e escolho o que quero falar
ehehe
Mas brincadeiras a parte, eu realmente não lembro muito bem se paguei muitos micos no Egito. Eu era tão quietinha (auréola de anjo em mim agora
).
Consigo lembrar de alguns miquinhos com trocas de palavras, que são meio impublicáveis, pois lógico que a gente sempre confunde as coisas com as piores palavras, no lugar onde não deveríamos.
Acho que o maior mico mesmo e praticamente filho único, foi quando cheguei no Egito. Não lembro se já contei isso antes aqui, porque é meio vergonhoso mesmo ahaha
Naquela emoção, eu e Musta pela primeira vez, ele nervoso para caramba, tinha medo até de pegar na minha mão na frente do comboio que me buscou no aeroporto (é que foram algumas muitas pessoas com ele no aeroporto ehehe).
Lembro que estava muito cansada depois de voar até Amsterdan, fazer 11 horas de escala e depois voar mais 5 horas pro Egito. No caminho para Alexandria, eu estava bem zuretinha mesmo. Foi aí que o grande mico aconteceu. Paramos num café na estrada, para descansar um pouco e tomar algo bem quente. Era janeiro e o ar estava congelante. Foi só nesta hora que lembrei de ir no banheiro – estava desde Amsterdan sem ir.
Fui toda alegre para o banheiro do café, que era limpo. Depois de usar, olhei para um lado. Nada. Pro outro, nada. Caramba, cadê o papel higiênico desse lugar. Lembrei que já tinham falado que no Egito quase nenhum lugar tinha papel, e a espertona aqui tinha deixado a bolsa na pia. Olhei dentro do vaso, tinha o “monstrinho”. Eu já tinha lido também que no Egito era comum se limpar só com água, com um caninho nojento (vulgo “monstrinho”) que sai de dentro da privada e solta esguichos.
Pensei. Bom, estou aqui, sem papel, vou aprender na marra. Mas antes deixa eu ver como esse troço funciona. No meio da noite, no deserto, lugar ideal para ter ideias bizarras e curiosas, sra. Marina. tisc tisc
Abaixei e fui querer olhar de perto como era o esquema, e abri a torneira com tudo, sem me ligar no acontecimento.
Resultado: água na minha cara toda, no lenço, na blusa, etc. E água da privada, não era qualquer água.
Bom, óbvio que não falei pro Mostafa que eu fiquei toda molhada de água da privada. Falei que a torneira tava doida e abriu muito quando fui lavar a mão. ahahaha Passei um frio do cão até chegar em Alexandria, minha blusa realmente estava encharcada e coloquei o casaco por cima pra disfarçar, mas por baixo estava gelada.
Hoje ele sabe disso, e até agora não se conforma que eu não falei pra ele, pois poderia ter trocado de roupa. Mas que nojo, né??? Uma noiva com água de privada na cara? Não ia rolar
Pronto, contei meu mico mais nojento. Alguém tem um pior?
Sabores de Alexandria – comida egípcia
Mais um post sobre comida. Ontem Musta ficou conversando com a mãe e relembrando como fazer um prato típico de Alexandria: Keshk bel gamberi (traduzindo: keshk – sei lá qual a tradução na verdade ehehe – com camarão).
No começo, confeso que achei os ingredientes um pouco estranhos e quase fiquei com nojinho ahaha Coisa que aconteceu muito no Egito, mas só me serviu para demorar para experimentar as coisas boas. Eu sou meio chatinha para comer, e na verdade se fosse menos medrosa teria comido mais coisas gostosas que hoje não encontro no Brasil.
Mas bem, voltando ao jantar de hoje, Musta falou que ia fazer. Eu lembrei que nunca tinha visto isso no Egito.
- É porque lá você era cheia de nhé nhé nhé, então nem fazia essas coisas!! – ele respondeu.
Então, ele pegou mais ou menos 500 gramas de camarão médio, tirou a casca, cabeças e sujeirinhas. (tenho nojo de fazer isso, só compro se estiver limpo ahah mas como ele é de Alexandria, fez tudo rapidinho)
Aí ele pediu os ingredientes:
- 3 colheres de sopa de arroz
- molho de tomate
- 1 colher de farinha de trigo
- cebola
- alho
- cardamomo
- pimenta do reino (compramos sempre a inteira e moemos em casa)
- óleo
- hortelã seca
Confesso que achei isso uma mistureba sem tamanho e pensei, vai dar me@$%%. ops, não posso dizer o que pensei.
- Mas que coisa esquisita, não quero nem ver!! – disse e ele ficou bravo.
Passados uns minutos, pediu minha ajuda para fritar a hortelã seca no óleo (ãhn??)… reclamei e falei que aquilo era muito ruim. Musta ficou bravo de novo comigo e mandou eu fritar. OK.
Bom, só sei que ele mistura o resto dos ingredientes e vira uma espécie de pasta, e por cima joga essa hortelã frita. E depois se come com pão árabe.
Ficou assim:
Preciso dizer que comi tudo? ahaha Delíciaaaaaaa!!! Um sabor diferente, a hortelã ficou suave e o camarão, hummmm. Preciso aprender a ser menos preconceituosa com comida.
Essa é a mistura do Brasil com o Egito…
Calma, não é a música do tcham não…
O post é para comemorar uma coisa muito linda que acontece, mais cedo ou mais tarde, na vida de todo casal. Os filhos!! Não, ainda não chegou a minha vez, mas já tenho uma terceira amiga brasileira casada com egípcio que está gravidinhaaaaaaaa!!!!
Eba!! Já são três bebezinhos Brasil&Egito e com certeza existem muitos outros por aí, pra povoar nosso mundão com essa mistura tão boa que formamos
Ah, e sem esquecer o Kassem, da Barbrinha, que apesar dos pais brasileiros, foi fabricado no Egito, então contando com ele são quatro! ehehe Opa, tem o da Halima também, pais brasileirso mas nascido no Egitão, então conto cinco, vai ;-D
Acho que educar os filhos dentro da diversidade cultural que estes dois países proporcionam é muito bom. Aproveitar de cada lado do oceano o que há de melhor, a dedicação à família dos egípcios, a força de vontade dos brasileiros, e por aí vai. Eu enxergo tantas coisas boas no Brasil e no Egito, que ainda sonho com alguma máquina que me teletransporte para lá e para cá a todo momento… E esse bebês só são um reflexo disso tudo. Que venham com muito amor, alegria, carinho dos papais egipcios e das mamães brasileirinhas!!!
E parabéns pra duas amigas que fazem parte da minha vida e estão grávidas neste momento, de pais egipcios, que tenham muita saúde e seus bebês cheguem como uma benção para suas famílias!!





