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Notícias – manifestações no Egito
Agora de manhã não apareceu nada de novo ainda, provavelmente agora estão no horário do sermão de sexta, só depois que vamos ver o que realmente acontece.
Estão prendendo muita gente, líderes da irmandade muçulmana foram presos em suas casas logo de manhã. O governo começa a mostrar sinais de desespero e plantas notícias para botar medo em quem protestar, mas só de tarde sabaremos mesmo. A internet está instável no Cairo, Facebook bloqueado, alguns celulares não funcionam. Ou seja, para quem tem família no Egito, uma situação nada legal.
Agora algo tem me surpreendido: o mundo está calado, o ministro das relações exteriores do Brasil, Patriota, deu uma entrevista fraquíssima falando só que não pode ter violência. Sinceramente, como eles esperam resolver 30 anos de ditadura sem violência? Uma ditadura nada branda, que está matando o povo não só pelo viés político, mas de fome e tristeza.
Bom, quando tiver novidades volto.
Gringo é pra sempre gringo?
Respondendo à pergunta do título: eu acho que sim. Por mais que a pessoa se adapte, por mais que fale a língua, ande como os locais, faça as mesmas coisas que eles, existe sempre algo de diferente. E não é no sotaque, nos hábitos ou nas opiniões, mas dentro do coração mesmo.
Como esquecer o calor de sua cidade natal? Como apagar as lembranças de nossa infância, dos nossos pais juntos, aqueles almoços em família, ou mesmo quando estava todo mundo junto na sala vendo um programa de televisão?
O ser humano pode ser feito da mesma carne e osso que todos os outros de seu grupo, mas o que faz de nós tão singulares é o que temos dentro do peito, nossas memórias, nossos sentimentos, nossa alma cheia de sonhos e desejos. E nascer em um lugar e viver experiências nele, pode fazer toda a diferença nesse processo.
Por isso, por mais tempo que Musta esteja aqui, por mais que ele se pareça com um brasileiro, que fale a língua e até leia livros em português (ele está terminando o primeiro dele agora), no fundo de seu olhar vejo mil histórias diferentes da minha, pensamentos que voam longe do que eu conheço. De noite, quando ele coloca o fone de ouvido e fica ouvindo as notícias daquela parte do mundo, quando escuta repetidamente as músicas melosas de seus conterrâneos, não sinto que existe saudade nele, mas sim a continuação de algo que ele nunca deixará de ser. São memórias fundidas no presente, emoções que se fortalecem mesmo à distância. Mas é orgulho também, é alegria, é gostar de ser diferente e ter sempre uma argumentação infalível na ponta da língua quando não quer ser contrariado. Quantas vezes no meio de uma discussão ou em algo que ele não quer ceder, só responde assim:
- Eu sou egípcio!!!
E eu relevo, deixo para lá, afinal, casamento com pessoas de culturas tão diferentes só dá certo com muita compreensão, cabeça aberta e vontade de explorar o mundo, mesmo que não seja de avião, mas aquele que está dentro da cabecinha do seu marido.
***
ps. Sei que muita gente deve estar de férias e nem lendo mais o blog. Justo na época que estou menos pressionada e com vontade de postar, oras bolas! Historicamente dezembro e janeiro são os meses com menos visitas no blog, mas eu acabo sempre escrevendo bastante nesta época.
Causos da vida – (infância no Egito)
Eu gosto de criar histórias, e de ouvir. Às vezes de noite peço para o Musta contar coisas que ele aprontava quando era pequeno. E crio as imagens na minha cabeça, tudo isso me ajuda a escrever depois e a compor um livro em minha memória que um dia será escrito. Só 1% dele vem parar aqui no blog, eu guardo muita coisa arquivada para depois. E gosto de histórias de crianças, de aventura. Até por isso sempre fiz da minha vida uma busca pelo diferente, por isso sonho em conhecer o Peru e a Índia, e não Paris ou Berlim.
Eu almoço quase todo dia num restaurante indo-vegetariano, com toques mexicanos e apimentados. Ninguém no meu trabalho gosta muito, mas eu acabo indo sempre que posso, parece que meu dia fica mais completo de comer algo assim mais complexo, de ver os garçons com batas compridas, de olhar nas paredes e ver desenhos coloridos e uma música relaxante de fundo. Quando cozinho, tenho meus toques de canela e adocicados, um pouco de pimenta e cor. Para mim a comida, assim como a vida, tem de ter toques exóticos.
E no Egito ganhei muito do que queria, com o que vivi daria realmente para criar um filme bom, mesmo que seja só na minha cabeça. A experiência tão curta mas que me fez diferente, e até hoje vivo nas criações daquela época, misturada ao que sou hoje com meu marido. E ele sonha comigo, ri das minhas loucuras e não se importa de eu ser assim e me alimenta com suas histórias de infância, que para mim são fantásticas.
Pegando a bola (por Musta)
Meu pai tinha épocas que estava de muito mal humor. E não deixava que toda hora saíssemos para a rua sozinhos. Quando ele tinha um compromisso na rua e tinha que nos deixar sozinhos, nos trancava em casa, sempre com a ordem expressa:
- Não joguem bola dentro de casa, senão vão apanhar!!! – falava meu pai com a cara mais séria do mundo.
Ele trancava a porta, mas Ibrahim, o vizinho, pulava da sacada de seu apartamento, também no quinto andar, para nosso apartamento. Claro, com uma bola.
E ajeitávamos a posição do gol entre as pernas da mesa de centro, e o campo se abria em nossas mentes. Chutávamos forte, a torcida fictícia gritava gol!
E naquele dia, errei a mira da bola. Foi direto para a janela, que estava aberta, e meu irmão não conseguiu segurar. Ibrahim esperneou, mas a bola caiu lá embaixo. Corremos para a janela, e dava para ver que ela ricocheteou e estava na sacada do primeiro andar.
Ibrahim era muito gordo, meu irmão com cerca de 10 anos, muito grande. Tínhamos uma corda e olharam para mim, esguio e magrinho e tiveram a ideia.
- Mostafa, vamos te amarrar pela cintura e vamos descer você para pegar a bola. – falaram.
E me amarram bem forte, deram nós “profissionais”, como falaram. E eu, não sei como, fui descendo do quinto andar até o primeiro com a corda na cintura me apertando e machucando, segurando nas sacadas, frestas de janela e onde dava para ser, com o “equipamento de segurança” me protegendo.
Não consegui resgatar a bola, logo voltei, estava chorando de medo e dor.
Quando meu pai chegou, a vizinha do primeiro andar subiu com ele gritando e contando que o moleque dele estava se pendurando no prédio atrás de uma bola que caiu na casa dela.
E além de ficar sem a bola, apanhei doído aquele dia.
Comparações entre Egito e Brasil segundo a Newsweek
A revista americana Newsweek soltou um ranking muito interessante dos melhores países para se viver estes dias. O Brasil ficou na vergonhosa 48 posição (sim, porque com nosso nível econômico, acho esse número muito ruim) e o Egito, na 74 posição.
O ranking levou em conta saúde, educação, violência, economia e até liberdade política em consideração. Quem quiser ver o ranking completo e ir comparando entre os mais diversos países, é só entrar aqui. Ah, o primeiro lugar ficou com minha amada Finlânia
| Egito | Brasil | |
| Expectativa de vida | 60 anos | 64 anos |
| Taxa de alfabetização | 71.7% | 88.7% |
| Mortes violentas por crimes e drogas a cada 100 mil habitantes | 1.2 | 29.2 |
| Liberdade política (quanto mais alto o nº, pior) | 5.5 | 1.5 |
| Receita per capita | US$2.070 | US$8.070 |
| Desigualdade social (mais próximo de zero, melhor) | 32.1% | 55% |
| Desigualdade entre os sexos (quanto mais próximo de 1, melhor) | 0.586 | 0.669 |
Um dos dados que mais me chamou foi o da violência. Apesar do Egito ficar atrás do Brasil na maioria dos outros pontos, os números de mortes no Brasil é bem chocante.
E vocês, o que acharam?
Egito versus Brasil?
A gente muda com o tempo, geralmente para melhor pois aprendemos com os erros passados. Quando eu morei no Egito, acredito que ainda era muito imatura, não sabia bem o que queria e pesei a mão certas vezes no que falava sobre as coisas de lá, até porque não sabia muito bem ainda como lidar com tudo e como recuperar minha independência, que sempre prezei tanto. E não estou falando de independência financeira, pois isso sempre tive mesmo quando morei por lá, rapidinho tratei de arrumar um trabalho. Mas estou falando de independência da vida pessoal, de saber novamente os limites do que posso falar, como posso destilar meu humor ácido (quem me conhece sabe como posso ser o ‘cão’), como movimentar, como andar sozinha, como comprar pão.
Quando vamos para outro país de cultura tão diversa, a adaptação para alguns, como eu, pode demorar um pouco, pois eu saio do total controle da situação para um aprendizado diário, e isso me cansava o cérebro. Ficar pensando como agir, como falar, como atuar para não magoar os outros, pois desde o começo a primeira coisa que senti nos egípcios foi uma educação absurda um com os outros, tudo eles falam com meias palavras, sempre tudo está ótimo, lindo maravilhoso, sempre tratando as visitas com todo cuidado e esmero, e eu com meu jeito sincero de ser às vezes assustava. Quando alguém perguntava o que eu achava do Egito, eu no começo eu falava o que pensava, que era tudo muito bagunçado. Algumas pessoas ficavam magoadas, tentei maneirar, e sempre que falavam do Brasil eram curiosidades sobre futebol, como era a economia, coisas mais positivas, e eu sempre na defensiva.
Com o tempo fui aprendendo as diferenças, admirando as coisas muito boas de lá. Nunca vi pessoas tão acolhedoras como no Egito, seja na minha família de lá ou nas ruas, onde sempre que descobriam que eu era estrangeira era tratada como rainha, até mesmo no trem onde só pessoas mais simples circulavam em Alexandria. Não entendo pessoas que vivem no Egito e não conseguem ver tudo aquilo que vivi, pois não foi 1 dia ou 1 semana, mas nove meses de puro encanto com aquela cordialidade. Eu pegava trocado na vendinha do Mahmoud embaixo de casa para pegar o taxi, ganhava doces toda vez que ia comprar konefa em Cleopatra, às vezes não pagava o tram só por falar “la ilaha ila Allah”. O cobrador sempre descobria que eu não era de lá quando eu falava “fe faka wahda” (tem troco para 1?) e ficava admirado, já perguntava de onde eu era, porque era muçulmana, etc.
Ganhei muitos presentes todo o tempo que estava lá, seja dos meus alunos na escola, ou até mesmo das pessoas da minha rua que me viam passando todos os dias. Uma vizinha, que eu nunca vi e nem faço ideia de como seja o rosto dela, me mandou uma pulseira de prata uma vez. Diz ela que me achou bonita e que sabia que eu era uma pessoa do bem.
O Egito tem muitas belezas, nem tudo é sujo ou encardido. Ou mesmo nos lugares empoeirados, existem encantos escondidos que são impagáveis e difíceis infelizmente de se encontrar em São Paulo. Depois de um tempo no Egito, vi que eles tem conceitos diferentes no que diz a limpeza, cuidado com os filhos e beleza. No começo eu gostava de comparar – ah, mas no Brasil tal coisa é desta forma, no Egito é de outra. Aliás, até hoje faço isso, mas com as devidas proporções a cada lugar. Nunca fui nacionalista muito menos patriota ou orgulhosa de ser brasileira. Não acho que temos uma história bonita (tirando os índios que moravam aqui antes, mas pouco sabemos) do resto pouco presta ou teria algum orgulho. Acho o Brasil muito corrupto e culturalmente incerto, não temos uma moral nem valores cívicos muito fortes, até por isso a violência gerada pela falta de educação e moral familiar chegou aos níveis de hoje.
Mas nem por isso deixei de optar por viver no Brasil, onde hoje vivo muito bem e feliz, e não iria para outro lugar no momento. E por quê? Para minhas necessidades profissionais e ambições pessoais, o Brasil ainda é a melhor opção, fora que tem muitas coisas que sinto prazer aqui, como os serviços, comida e minha família. Musta também se adaptou muito bem aqui em diversos aspectos, mas continua achando absurdas outras tantas coisas. Afinal, tem povo mais contraditório que brasileiro? Eu acho que não, gostamos de falar uma coisa e fazer outra, de pregar superioridade quando na verdade somos o roto falando do rasgado. E por isso viver aqui é tão divertido também.
Musta tem memória muito melhor do que eu. Sempre quando vê algumas dessas contradições, me chama e fala. Logo na primeira semana, já contei isso no blog, fomos para Santos e nos convidaram para um “frango a passarinho”. Todo mundo meteu a mão no franguinho e estava comendo normal.
- Mas no Egito você era toda fresca e falava que era nojento botar mão na comida, aí chego aqui vcs me comem esse frango com a mão e vem me falar “mas é diferenteeee”? (é Musta, aprende que brasileiro fala muitooooo, mas na prática sempre tem suas falhas)
Aí ele escuta pessoas que foram para o Egito falando que as ruas era sujas e as pessoas não tomavam banho. Ele responde:
- Por acaso onde eu trabalho só vejo sujeira também, é perto do terminal de ônibus e vi muita coisa suja e nojenta no chão. Às vezes chego cedo, e na porta da escola temos que jogar balde de água, porque alguém até urinou na porta. Cadê a tal limpeza do Brasil que tanto falam? Achei que o Brasil todo era brilhando do jeito que falam mal do Egito. E quando vou no ônibus, tem muita gente com cheiro ruim e pés sujos, unhas pretas e um dia até um cara do meu lado ficava arrotando e ficou um cheiro podre saindo da boca dele. Os brasileiros não eram o povo mais limpo do mundo? (calma Musta, brasileiro fala muito mesmo, mas esquecem que somos todos humanos)
E lembrando do Egito, quando vejo certos comentários por aí, lembro de ver de tudo um pouco, exatamente como no Brasil, generalizar não dá. Aqui vejo coisas boas e ruins, pessoas bonitas e limpas, outras sujas e sem educação. Lembro de no trabalho só ter meninas bem vestidas, cheirosas e de unhas feitas. Sim, algumas exageravam no estilo delas, com mais brilhos do que estamos acostumados. Mas foi raro ver alguma com maquiagem muito fora do padrão ou do que às vezes vemos por aqui também. Na média, os egípcios que conheci faziam e tinham o mesmo estilo dos brasileiros, conheciam bem sobre moda, marcas e adaptavam suas roupas conforme podiam gastar. E como sou muçulmana, sempre achei as egípcias muito bem mais arrumadas, até porque não expõe o corpo de maneira inadequada, evitando cenas bizarras do cotidiano daqui, onde banhas pulam pra fora de calças cintura baixa.
Eram todas bonitas? Claro que não, assim como no Brasil também, varia muito dos lugares que você frequenta, com quem anda e também do nível de educação (não só dinheiro faz diferença, seja no Brasil ou lá, pois mal gosto não escolhe classe social). Acho que eu sempre frequentei lugares de mais nível intelectual, então nunca tive problemas com os egipcios em relação a algo do estilo visual deles me incomodar. A não ser a decoração interna, cheia de rococós, mas aqui no Brasil cada casa é de um jeito, tem uma moda aqui de pintar parede de cores extravagantes (laranja ou verde limão) com textura que é uma beleza e não faz meu gosto também. Fora os cachorros circulando e pulando nas mesas, nas pessoas, etc, e depois falam que os egípcios é que são sujos. Pra mim limpeza não é só a quantidade de banhos que se toma por dia nem o quanto se diz tomar (até porque a maioria das pessoas MENTE aqui nestes aspectos só pra se dizer mega limpa). Eu sou assumidamente bagunceira e odeio mania de limpeza. Não corro pra lavar louça nem fico ligando se tem pó não chão e tal, porque geralmente estou cansada demais pra ficar toda hora fazendo limpeza. Mas agora, pra alegria geral da galera que adora filar bóia em casa, mas vive dizendo que está uma bagunça, contratei uma faxineira (isso foi pra você, mãe
).
O que no Egito me cansou um pouco foi desse jeito “panos quentes” deles, de sempre falarem com tanta educação que se você faz alguma crítica, mesmo que gentilmente, alguns se sentem tristes. Tem muita gente assim no Brasil e eu entro dando voadora, mas aqui as pessoas entendem melhor. No Egito, até mesmo dependendo do tom da pergunta, eles acham que pode ser um ataque. Nem no Brasil personalidades como a minha é bem vista, imagina lá. Aqui também não tenho zilhões de amigos até porque é difícil me tolerar, confesso. Mas no Egito isso foi um pouco pior, pois aqui falo e dane-se, já no Egito como dependia do Mostafa e sentia necessidade de interagir com as pessoas, tinha que ficar me controlando.
Mas esse papo é muito longo… tudo partiu daquele post anterior em que algumas discussões apareceram e fui lembrando de coisas e preconceitos contra os egípcios que constantemente fui ouvindo ao longo do tempo. Acho que a experiência Egito & Brasil é única para cada pessoa, cada um pode ver outros países conforme os lugares que frequenta, as pessoas como estão. Pode até parecer fantasioso, mas o Egito que conheci era extremamente caloroso, respeitoso com outros outros credos, com mulheres bem arrumadas e homens trabalhadores, alguns buscando chance de ter sua própria renda logo cedo, como meu marido que desde os 18 trabalhava e aos 21 já era um homem casado. Outros estão partindo para outros países, muitos com contratos na Arábia Saudita em busca de um salário melhor. Fora as amizades que tive por meio da internet, não conheci nenhum egípicio do nosso meio de convívio que casou com estrangeira. E também não encontrei conformistas por lá que acham que depender dos pais é bom ou que a vida é só beber chá e sair de noite. Devo ter tido sorte, mas encontrei no Egito muitos espíritos guerreiros e gente que estudava e via o mundo, não tapava o sol com a peneira, mas nem por isso deixava de ter orgulho da sua história e do seu país.
Mas eu sou brasileira e tudo o que escrevi não é uma crítica para cá, até porque também amo o que sou e da personalidade que tenho, que dificilmente seria moldada em outro lugar, pois só no Brasil temos tanta contradição, diversão e sonhos misturados. Amo o Brasil, mas não me orgulho dele, são coisas diferentes. E amo o Egito e felizmente me orgulho de hoje ser metade de lá, pois aprendi valores muito importantes e que hoje posso replicar por aqui também com meu marido. É um sentimento todo misturado, só sou eu mesma pela criação que tive aqui e a liberdade que encontrei no Brasil, e depois de adulta pude escolher sozinha o que achei melhor para mim, ao mesmo tempo não me sinto brasileira em muitas coisas. Eu odeio música nacional, por exemplo, e pode ser desde os funks podres até Chico Buarque com suas letras mirabolantes, é um saco pra mim tudo.
Posso dizer que voltei transformada de lá. Não acho o Egito um bom lugar para se viver dentro das minhas perspectivas e do que quero para mim, mas é algo que sempre sentirei falta. Ao mesmo tempo, deixei de achar o Brasil superior só por “achar”. Hoje analiso as coisas com muito mais frieza e penso antes de ficar falando dos outros, pois vejo que as mesmas coisas ruins que vemos no Egito, encontramos de monte no Brasil. Assim como as boas, tem muita coisa aqui que me faz feliz, assim como lá. E não tenho dois países no meu coração, mas sim uma experiência de vida completa, que se formatou a partir do momento em que vivi lá e depois voltei. Alhamdo lellah, só tenho a agradecer a Deus por ter me dado tantas coisas felizes, seja lá ou cá, e ter podido escolher onde eu queria viver para ser feliz da minha maneira. Ah, e claro, ter o melhor marido do mundo (pra mim ele é, lógico, só tenho ele
), que ajuda muito nisso tudo.
Notícias de Egito e Brasil
Cof cof, deixa eu tirar a poeira daqui…. tem alguém nesse blog ainda?
Sei que avisei que minhas visitas seriam um pouco mais esporádicas, mas nem eu achei que seria tanto.
Estou dando uma passada rápida pra dar algumas notícias que tem a ver com o Egito esses dias. A mais interessante na relação entre Egito e Brasil é que os países assinaram um acordo de livre comércio, então os impostos de importação/exportação entre eles será reduzido ao longo de anos até serem zerados.
Será que isso significa que teremos molokheya no Brasil? heehehe (Deus me livre, isso é uma planta que eles fazem um caldo que eu não gosto no Egito)
Mas acho que quanto mais relações nossos países tiverem, melhor sempre. Quando morei no Egito comprava várias coisas do Brasil, como chocolate Garoto, carne (Egito é o segundo maior destino para a carne exportada do Brasil), frango da Sadia, pirex da Marinex e até talher da Tramontina já tinha na casa do Musta. A coisa mais engraçada que passei lá com produtos brasileiros foi um dia que estava procurando uma xícara dessas grandes para tomar café com leite, e comecei a ler umas frases “eu te amo”, “você é meu mundo” e levei uns cinco minutos pra me tocar que estavam em português. Na verdade só quando Mostafa falou que língua é essa, que eu me toquei que estava com canecas brasileiras em pleno Egito, e lá estava embaixo (made in Brazil).
E o mais engraçado foi o preço, só 5 LE, menos de 2 reais. E no Brasil, quando voltei, achei as mesmas xícaras na Arpege (loja de coisas pra casa) por 10 REAIS!!! Mistérios do comércio exterior….
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Outra notícia que vale a pena lembrar, é que semana que vem, provavelmente na quarta, começa o Ramadan no Egito e Brasil (os dois países sempre entram juntos). Isso significa um ritmo totalmente de vida diferente no Egito, empresas reduzem o horário de trabalho, supermercados ficam lotados de egípcias estressadas comprando toneladas de comida, as crianças ficam brincando nas ruas pro tempo passar mais rápido, a molecada sai depois de noite e fica a madrugada toda tomando chá e aproveitando esta época. Mas na verdade eu to falando tudo isso e nem sei, porque nunca passei o Ramadan lá ehehehe Só relatos do sr. Musta e amigas que dizem que de uma forma e de outra, o Ramadan é todo especial no Egito (para alguns estressantes, para outros uma benção). Se alguém quiser detalhes sobre a parte mais religiosa e tudo que se faz no Ramadã, recomendo o bom post da Mariam aqui.
Já no Brasil, meu ramadan é sempre louco, trabalhando normal e sem tempo de ficar fazendo comida boa todo dia, já me acostumei com o ritmo, só Musta que não… diz que passar no Egito, não tem igual. E é justo nesta época que ele mais sente saudades da terra dele…
Diário de Halima
Hoje estou aqui para divulgar outro blog muito legal que acabou de nascer e já está prendendo minha atenção:
Diário de Halima
Deixo que ela mesmo explique sobre o que se trata:
Sou um muculmana brasileira com muita historia pra contar. Vivi na capital mais antiga do mundo, Damasco/Siria e em uma das primeiras cidades do mundo Cairo/Egito, hoje vivo na maior cidade da America Latina, Sao Paulo/Brasil. Sou casada, tenho um filho e me considero uma pessoa muito realizada em varios sentidos, pois muita coisa de que idealizei em ser um dia hoje sou. Leia mais sobre o blog e divida comigo suas opinios, criticas e ate desabafos…
Ela já participou do meu blog também, num dos posts mais legais que já fiz e muito comentado: Uma brasileira de burka
Bom, dou a dica de começarem pelo primeiro post, pois logo depois ela já conta a chegada dela na Síria, que foi uma grande aventura e vale a pena seguir em ordem!
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ps. falta menos de um mês para o Ramadan, post sobre isso em breve…
Por que eu amo os egípcios?
Porque eles colocam a alma em tudo que fazem, há milênios…
Escute com os olhos fechados e você vai entender do que estou falando:
Relembrando o Egito
A relação com os lugares que a gente passa na vida vai mudando conforme o tempo passa. Em relação ao Egito, já fui do amor ao ódio, da saudade ao descaso. Varia, nossa vida vai acontecendo e a forma com que nos relacionamos com as coisas também pode amadurecer.
É muito diferente ir num lugar para turismo ou para viver, e se estamos em tal lugar para começar a vida, ou só pra curtir. E o mesmo que eu senti, meu marido também sente em relação ao Brasil. Tem horas que ele detesta isso aqui, outras está calmo e parece mais nativo que muitos brasileiros. Ele ainda se irrita com o fato dos brasileiros sempre apontarem defeitos nos outros lugares, mas não verem o montão de defeito que temos aqui também. (por ex., adoram falar que o Egito é sujo, mas ele vê sujeira o tempo todo em São Paulo!! eheheh)
Mas já estou fugindo do assunto, eu estava é a pensar no Egito. Temos tantas coisas e planos agora, que o Egito ficou lá pra trás nas nossas prioridades. Nem eu nem meu marido pensamos em ir lá nos próximos anos, nem mesmo a passeio, e não é por não adorar o lugar, mas simplesmente porque o mundo é muito grande pra ficar sempre indo no mesmo lugar se tivermos oportunidades!! É assim que pensamos, temos outras prioridades e sei que vai demorar muito ainda pra eu pisar no Egitão de novo.
E acho que até por ter ficado com a imagem do país como um sonho, lá atrás, e sem saber quando volto, você acaba criando uma imagem esfumaçada, as coisas que não gostava fui esquecendo, lembro só de coisas boas, até porque foi lá que conheci meu amor, nos casamos e tudo que existe de melhor na minha começou. Aliás, já falei pra vocês que meu marido é o que mais AMOOO neste mundo…
Bom, pra terminar este post doido, vou abrir minha caixa de memórias e postar umas fotos minha no Egito, espero que gostem, muitas algumas já devem ter visto.







