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Maravilhas

Quando eu fui para o Egito, segui direto para Alexandria, ou seja, não vi pirâmides ou aquilo que as pessoas entendem por “Egito”. Estava no Mediterrâneo, numa cidade onde cafés com clima europeu são o maior atrativo para o dia a dia, não cruzava com atrativos turísticos todos os dias. Depois de uns dias, acabou aquela coisa de surpresa pelo que é o Egito, e de tanto eles falarem que as pirâmides era algo “normal”,  acabei achando que era normal, da altura de um prédio sei lá.

Só sei que depois de uns 20 dias de Egito, quando finalmente fui pro Cairo, finalmente marcados de ir nas pirâmides (aliás, dias inesquecíveis com Melly – outra brasileira – ehehehe). Estávamos naquele trânsito caótico, muita gente atravessando a rua, prédios, etc, que nem estava mais me preparando para o grande momento. Eis que, num relance, de repente vejo a forma triangular despontando atrás de uma construção. Que?? Ãhn??  Me subiu um arrepio pelos braços, os olhos molharam, era algo muito mais gigantesco do que eu podia imaginar, descomunal, fora da realidade humanda. Não, não tinha um tamanho de um prédio que eu conhecia, era muito maior, mais largo, incrível.

E eis, que anos depois desse arrepio, estou numa viagem de trabalho em Foz do Iguaçu, no Brasil, e só no último dia dou uma escapada para conhecer as tais cataratas do iguaçu. Eu, como boa brasileira, já vi dezenas de cachoeiras na vida, nadei em muitas, caí em outras (sim, eu já caí sem querer num rio e quase que vou abaixo num precipício ahaha), ou seja, ver água caindo é o que não falta na minha vida. Confesso que por ignorância, nunca tinha lido muito sobre essas cataratas, e acho que foi bom. Cheguei no parque de ônibus, despretensiosa. Admirei a organização do lugar, vi muitos estrangeiros, mais do que já tinha visto em outro lugar do Brasil. Ok, deve ser realmente atraente o lugar. Peguei o ônibus do parque para as trilhas, mais uns 10 quilômetros no meio da mata, refrescante.

Desci no último ponto, que daria para o mirante das cataratas. Esperei uns minutos para o grupo de pessoas sair na frente e poder entrar no caminho sozinha, eu gosto desses momentos de paz. Desci uns 100, 150 metros, não sei ao certo, e já ouvia um barulho muito forte de água. Pelo caminho que serpenteava numa descida, cheguei até à primeira visão. Não deu outra, foi só bater o olho, e a surpresa, a maravilha, ali. E foi aquela mesma sensação de arrepio, que só tinha visto com as pirâmides. Coisas tão diferentes, mas que despertam a mesma sensação, por serem impossíveis de serem reproduzidas. E Iguaçu com certeza foi a natureza mais fantástica e linda que vi na minha vida, não estou exagerando. Vá um dia, me sinto envergonhada como brasileira de não saber disso antes.

As fotos não dão a dimensão do lugar, mas fica o registro (e sim, você se molha toda ao andar por lá ehehe). Entre aqui e participe da votação para eleger as cataratas como uma das 7 maravilhas da natureza: http://www.votecataratas.com/

 

 

 

Radicalismo não faz bem

Vou começar o post com uma historinha engraçada que vivi hoje. Estava num evento sobre um tema polêmico do nosso país hoje em dia, a reforma do Código Florestal Brasileiro, com políticos responsáveis pela aprovação do projeto no congresso e no senado. Pois bem, havia uma programação de palestras e espaço par debates ao fim.

Estava eu sentadinha ali na terceira fileira, bem no meio, para ter visão de tudo. E duas moças sentaram-se uma de cada lado meu. Elas destoavam um pouco do perfil do público em geral, estavam de jeans meio rasgado, sapatilhas e meias coloridas, bolsas que pareciam ser feitas de material reciclado. Pensei: é a turma do “meio ambiente”. Sem problemas.

Palestra 1, polêmica, forte, ok. Percebi que as duas não aplaudiram ao final. Palestra 2, palestrante mais moderado, conciliador. Também não aplaudiram. Palestra 3, bomba atômica, era a vez da senadora Kátia Abreu fazer sua exposição, e em menos de dez minutos ela falou algo do tipo: “sou contra a criação de reservas legais, porque….” Não deu tempo dela explicar seu ponto de vista.

A menina à minha direita levantou, e aos berros começou a gritar: “Como vocês conseguem dormir de noite, sabendo que vão acabar com as florestas, como vocês aprovam o uso de agrotóxicos…” bla bla bla, começou uma gritaria de todos os lados, ela simplesmente não parou de gritar, como se gritar no meio de uma palestra fosse mudar a visão de quem estava ali. O presidente da mesa pediu para ela se sentar, pois ainda não estavam aberto os debates, mas ela não quis saber, e gritava muito, ao ponto de eu franzir a testa e abaixar a cara de “vergonha alheia” (sabem essa sensação?). Pois bem, ela simplesmente quis invadir a apresentação, que eu sinceramente queria ouvir, pois me interessa saber o que o senado está pensando, não esta ambientalista (mesmo com seus motivos), e o protesto dela ali não fazia muito sentido. Ficou pior ainda quando seguranças foram chamados para retirá-la do ambiente.  Foi desagradável. E eu ali bem no front…

Pois bem, não passou nem cinco minutos da retomada da palestra, um homem atrás de mim fez a mesmíssima coisa. Começou a protestar, gritando, falando um monte de coisa sem sentido naquele momento. Seguranças de novo, baderna – esse gritou até mesmo de fora da sala.

Pois bem, terminada a palestra – finalmente! – foi aberto o debate. E mais ambientalistas apareceram, com seus argumentos e questionamentos. Ninguém foi retirado da sala, e eles puderam expor seu ponto de vista e serem ouvidos. Quem saiu ganhando? Os que gritaram, ou os que questionaram depois com respeito e no momento adequado?

Bom, eu sou uma pessoa moderada, já fui radical em algumas coisas, mas aprendi muito com a vida que não adianta você achar que está 100% certa e que os outros tem de concordar comigo nem que eu precise gritar. Eu sou contra qualquer tipo de radicalismo, seja na religião, no patriotismo, na política, no futebol ou em qualquer coisa. Quando você está cego por alguma razão, acaba por deixa de escutar o outro lado, e aceitar que alguém pode ser diferente de você.

E não, isso não significa que eu não tenha minha opinião ou não possa debatê-la, tem horas que o sangue ferve e você quer falar o que pensa de qualquer maneira, mas não significa que se o outro quiser falar comigo e se explicar melhor, eu vou deixar de ouvir.

Para mim, porém, o radicalismo se mostra de várias formas. Pode não ser no meio de um evento como vi hoje, mas numa manifestação contínua sobre algo que se conhece pouco, sem ouvir o outro lado, sempre munido de muito ódio e revolta. Sinceramente, eu fiquei com medo daquelas ambientalistas do meu lado, me senti vulnerável ao ódio delas, não que eu em parte não pudesse concordar com seus argumentos, mas sua violência com as palavras me agrediram. E não precisa ser ao vivo para se sentir isso. Como já disse no meu último post, tenho visto muitas coisas agressivas pela internet contra egípcios, muçulmanos, que exalam esse mesmo tipo de sentimento. Me sinto triste, impotente, parece que contra esse ódio visceral, não há argumentos que bastem, e me sinto meio perdida nesse mundo… será que há espaço para moderação, aceitação da opinião dos outros, da religião do outro, sem ataques ou acessos de raiva? Não estou dizendo que sou perfeita, já tive meus radicalismos, alguns muito bem expostos neste blog, mas refleti e tento melhorar um pouco, hoje aprendi que sou cheia de defeitos demais para tentar impor o que penso para os outros e me machuco quando vejo outros fazendo isso.

*

Musta sempre fala que eu tenho que aprender a usar o botão “delete” na minha vida, tirando tudo que me faz mal da minha cabeça, sem perder tempo com quem só traz coisa ruim para minha vida. Mas quem disse que consigo? Se eu fosse tão desprendida assim, esse blog não existiria.

 

Cuidar de você mesmo

Este blog é cheio de fases. Tem fases que só falo de Egito, outra só de egípcios. Algumas quero falar de política, religião e em outras, o que tenho vontade é de escrever só sobre mim mesma, meus desafios pessoais. Mas fico com medo de tornar isso aqui um diário, para mim um blog é muito mais do que falar de si mesmo, mas tratar de assuntos universais. Mas tem época que é impossível, me desculpem quem odeia posts muitos personalistas, mas minha mente anda focada em mim estas semanas e anda sendo difícil postar sobre outras coisas que talvez gerassem mais debates interessantes ou forçassem uma reflexão maior.

Bom, dadas as explicações, vou dizer uma coisa que descobri no alto dos meus 27 anos: a gente precisa aprender a cuidar da gente e dedicar tempo para isso. Já passei muito tempo preocupada com coisas que não me ajudavam a ser uma pessoa melhor, tanto do lado físico quanto psicológico.  E não que eu estivesse errada, mas tem horas que o foco de nossa vida sai de nós mesmos e acabamos entrando num ritmo que nem sempre é o ideal. Vivemos pelos horários dos outros, pensando no que os outros querem, ao invés das nossas necessidades também.

Tem fase que é legal ficar cozinhando, preparando jantar especial, engordando, comendo sem culpa, sem pensar na saúde. Mas a vida cobra mais tarde, e eu tive que parar de fazer coisas que eu gosto para pensar mais em mim apenas. Então foi aí que entrei num regime no final do ano passado, reeducação alimentar mesmo, perdi 5.5kg até janeiro. Aí descansei um pouco, porque não sou de ferro e ninguém muda do dia pra noite, voltei em abril, perdi mais 3 kg. E na quinta passada, dei o passo mais importante dos meus últimos 5 anos, voltei a fazer exercícios.

Isso exige uma readaptção grande da vida. Deixar meus horários que gastava antes com outras coisas, para me dedicar apenas a mim e ao meu corpo. É meio estranho no começo, pareço que estou largando coisas, porém sempre que começo algo, mergulho de cabeça, e na ginásitca não seria diferente, então tenho que fazer pelo menos duas horas de exercícios por dia. Então não tem mais janta em casa, um lanche rápido é suficiente. Estou chegando em média 2 horas mais tarde, porém dormido a noite inteira, e num horário mais decente. Parece que estou enfurrajada, porém começando a adquirir bons hábitos. Agora eu tomo café da manhã com fruta e pão integral, não croissant da padaria. Parece que estou deixando outras coisas de lado, como ficar mais tempo em casa, estar mais junto do marido e dos meus bichinhos, porém é algo que vou ter que me adaptar, para ser uma pessoa mais saudável e disciplinada. Eu relaxei demais nos últimos anos, e isso não é nada bom. Então agora é correr atrás do prejuízo, não pela forma física, mas pela saúde mesmo, poder agachar no chão para buscar algo embaixo da cama sem que o joelho grite de dor, ou subir a pequena ladeira do lado da minha casa sem ficar com o coração saindo pela boca. Deixar de ter preguiça pra vida.

Sempre ouvi aquele ditado de que o homem é cabeça, alma e corpo.  Os dois primeiros estavam em ordem, mas não poderia ser feliz sem cuidar bem do terceiro, que é um bem precioso que ganhamos de Deus.

Ah, e pra começar bem a semana, fiz uma hora de boxe hoje.  Sim, boxe, com direito a luvas e saco pra treinar. Bati muitooooooooo para desestressar, recomendo :-)

 

 

Viver o presente ou pensar no futuro?

Estou numa fase de mais reflexão e meio nervosa (ou seria só TPM?). Acho que chega uma época do ano em que todo mundo fica meio mais ou menos, sem conseguir entender o que se passa dentro da sua própria cabeça. Um pouco de estresse, necessidade de relaxar ou apenas fase da vida?

Só sei que hoje em dia, parece que quanto mais tempo temos e mais ocupados somos, mais sentimos a necessidade de fazer mais coisas ainda. Eu percebo que estou num ritmo alucinado já faz umas duas semanas, só consigo dormir por volta das 1h30 da manhã, mesmo acordando 7hs no dia seguinte. E pior, mesmo quando vou para cama, não dá para relaxar, parece que estou perdendo tempo sem fazer nada, sempre dou uma ligadinha no celular para ler mais algumas notícias na internet ou nem que seja para jogar angry birds. Às vezes pego um livro para ler, mesmo já tendo escutado que este hábito de levar coisas para cama é totalmente errado, tem horas que não consigo relaxar.

Mesmo durante o dia, parece que tenho que fazer mil coisas ao mesmo tempo para ser produtiva, senão o dia não foi válido, e ainda surgem pequenos pepinos que me tiram completamente do sério por atrapalharem minha rotina. Por exemplo, esta semana preciso ir no correio, e estou extremamente estressada por conta disso, pois me revolta o fato de que as lojas só abrem das 9hs até às 17 hs. Para mim, todos os serviços úteis, deveriam ficar abertos até 22hs, afinal quem trabalha ou tem coisa pra fazer, vai quando? Ou seja, estou com a tal correspondência na bolsa faz diasssssss e não consigo postar. Até porque, mesmo indo para o trabalho tem uma agência, mas quem disse que tem vaga para estacionar? E em São Paulo é assim, para parar você gasta um dinheirão, pelo menos uns R$5. Outra coisa do tipo que me estressa são os bancos, funcionar das 10hs às 16hs, tá de brincadeira né?

E falei tudo isso para tocar em outro ponto. Na nossa vida normal, estamos acostumados e somos treinados a sempre pensar no futuro. Cosias do tipo: faça uma poupança, que no futuro você tenha segurança. Perca peso, pois um dia você vai engravidar. Não come batata frita agora, pois daqui três horas você vai ter dor de estômago. Não compre aquele celular parcelado, pois daqui seis meses você vai reclamar de ainda estar pagando esta conta. Não gaste o dinheiro saindo agora e se divertindo, guarde pro futuro. Financie um apartamento em 30 anos, isso é melhor que pagar seu aluguel.

Então, mas no meio de tudo isso, onde fica o desejo daquele momento? A vontade de fazer algo sem pensar muito, de aproveitar sua vida, de levar em conta a qualidade de vida? Às vezes me pego agora com apenas 27 anos, pensando em coisas daqui 10 anos. E acho isso tão chato. Odeio ficar planejando demais, se eu fosse assim, não teria jamais ido para o Egito, largado emprego e vivido “a história” da minha vida. E estou numa fase igual da pré-Egito, precisando de algo radical (não, isso não significa me mudar pro Afeganistão ou algo do tipo), mas apenas me desprender dessa pressão social para você sempre fazer o esperado e o planejado. Eu sempre odiei isso, porque tenho andado tanto tempo presa a estas regrinhas invisíveis do nosso mundo?

Um pouco cansada…

Acho que vai chegando final de ano, e o gás de todo mundo vai se esvaindo… a gente se engana nas festas de final de ano, achando que por trocar de calendário, estamos automaticamente descansadas e prontas para mais 12 meses de labuta…

Bom, pra mim até que faz sentido, sempre acabo tirando uma folguinha nessa época (os feriados ajudam) e janeiro é praticamente um mês morto e com poucas grandes coisas na minha área. Como trabalho escrevendo e  colhendo notícias, é justamente agora nos últimos três meses do ano, quando o gás tá lá no fim, que tudo acontece, tudo está bombando, as melhores pautas surgem, os melhores eventos, e por aí vai.

Bom, isso justifica um pouco minha ausência daqui e esse post meio sem sentido. Sei que ninguém visita o egitoebrasil esperando essas baboseiras, mas sim coisas culturais, histórias engraçadinhas, dicas interessantes. O problema é que a vida é feita por 1% dessas coisas diferentes, e 99% do tempo estamos trabalhando, no trânsito, arrumando casa, levando uma vida normal e que nos momentos livres, tenho que ficar com o maridão às vezes sem fazer nada, só descansando mesmo, e isso não traz nada fenomenal para contar aqui ehehe

Então, desculpa o sumiço, mas essa época do ano é sempre terrívelllllll. Eu até tenho muitas coisas pra contar, mas estou sem cérebro mesmo para vir colocar aqui.  Tenho notado que alguns blogs estão assim também, com pouca atualizações, então não devo ser a única nessa fase!

Pra completar minha sexta-feira dessa semana trash (sim, pra mim semana com feriado é péssimo, pois eu trabalho de todo jeito e o pior, acabo só tendo 3 dias pra falar com minhas fontes, pois de segunda e terça ninguém atende), recebo um email agradável falando que meu aluguel e condomínio vão subir… AHHHH, alguém me salva hoje, please?

Chá de sumiço – volto aos poucos

Depois de uma semana fora, a gente volta com coisas acumuladas e o maridão bravo e se sentindo abandonado :-D

Então o blog vai voltar ao ritmo normal aos poucos.

***

Vivi muitas coisas bonitas, apesar do foco ter sido só trabalho. (As fotos não são minhas, os créditos estão no link de cada imagem, pois fiz o favor de passar a semana sem máquina).

No Espírito Santo, vi uma praia de pescadores, de areia marrom. Manguinhos:

No sul da Bahia, visitei um projeto social muito lindo, com crianças felizes, cheias de esperança. É bom sair da realidade de SP e ver o que se passa no Brasil de verdade. Site do Golfinho:

Depois peguei um teco teco:

(Tá bom, o meu não pousou assim, mas eu realmente não curto mto esse modelo de avião – sim, eu tava de Pantanal – , minhas leitoras aeronautas que me digam se isso é seguro ou não)

E vi um vendaval que quase destruiu Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Eu nunca vi tantas árvores caídas na minha vida:

Mas fui compensada pelas maravilhas que o homem pode fazer junto da natureza numa economia sustentável:

Na sexta ainda viajei mais umas horinhas pelo interior de SP, e fechei o sábado comendo bem (essa é a única foto que tirei com minha máquina mesmo ehehe e não, não era um bife de elefante, era de vaca mesmo – sorry amigos vegetarianos) :

E ainda aconteceu muita coisa… conheci uma pessoa especial, que veio de fora do Brasil. Um dia tiro um tempo pra contar sobre ela e como sempre podemos aprender com quem menos imaginamos e à primeira vista parece tão diferente de nós.

#beijomiliga

Pena de morte – direitos humanos onde?

Lembram da polêmica em torno da iraniana Sakineh, que seria condenada a morte por adultério (segundo a mídia ocidental) ou por assassinato (segundo o Irã)?

Então, os EUA, grandes críticos dessa atitude e um dos que armaram o circo internacional em torno do caso, estão fazendo isso AQUI hoje. O presidente do Irã, Ahmedinejad, ironicamente e esperto que é, pediu apelo internacional para que a americana não fosse morta.

Como nosso mundo é doido, não?

ps. eu não defendo a pena de morte. Mas sou a favor de leis severas e bem aplicadas, o que infelizmente no Brasil não temos e me entristece muito.

ps2. Eu não sou contra os EUA também, só quis explicar o contraste da situação.

Em uma segunda-feira

Dobrei a esquina e de longe avistei as luzes vermelhas piscando e ofuscando ainda mais minha visão, naquele início de noite chuvosa.  Havia um. Não, dois carros de polícia. Pessoas se apinhavam na frente do prédio e outras olhavam de suas janelas a movimentação. Alguns vizinhos saíram para a rua e ficaram conversando em frente às suas casas. Nunca vi aquela movimentação por ali.

A chuva começou a apertar, como um sinal da tristeza que rondava o lugar. A cortina da minha sala é clara, não foi o suficiente para esconder o tremular das luzes vermelhas. De vez em quando espiava para ver se havia alguma outra movimentação. E aí apareceu um carro do IML. Infelizmente coisa boa é que não era.

O prédio da frente é lindo. Com sacadas enormes, todo envidraçado. Dali só entram e saem carros bonitos, grandes, de vidros escuros. É um mundo paralelo ao meu, mas o qual observo curiosa desde que me mudei. No sábado às vezes fazem festas no salão que fica no primeiro pavimento, ouço as conversas altas, a música. Mas às 22hs sempre tudo silencia. Se paga caro, mas regras rígidas de condomínio são seguidas. Ali também já vi uma limosine gigantesca estacionada, era para uma festa de criança e um passeio no carrão fazia parte das atividades da comemoração.

Eles têm muitos seguranças, alguns ficam dentro da guarita e outro sempre está na calçada, pronto para verificar todo carro que chega. É só o segurança que pode abrir o portão automático da garagem. E para entrar lá dentro, são dois portões: um só abre quando o outro se fecha. Os seguranças da rua acabam virando nossos companheiros, pois eu abro a janela e sempre vejo algum. Ao passarmos, sempre cumprimentam de forma simpática, e cuidam da gente, mesmo eu não ajudando em nada no salário deles. Sempre me alertam para parar em certos pontos da rua, onde eles podem ver. E me avisam se algo estranho aconteceu no meu carro. Uma vez um me chamou para avisar que minha bateria do carro tinha acabado, pois ele viu que deixei a luz acesa e agora ela estava apagada. Outra vez, eles salvaram meu gato que caiu da janela e jogaram ele de volta para dentro.

Já vi anúncios daqueles apartamentos. São lindos, centenas de metros quadrados inimagináveis para alguém como eu.  Costumo brincar quando alguém por acaso está chegando na minha rua, que moro num lugar muito simples, aí aponto para o prédio bonito e falo que é lá. “Mas você tá bem de vida, hein?”, sempre falam. Aí desminto a brincadeira e falo que não é ali que moro, mas em alguns anos, quem sabe? Afinal sonhar é de graça.

Mas as luzes vermelhas continuavam rodando. Mostafa perguntou como a gente ia dormir com aquela sensação estranha de que algo errado tinha acontecido. Teria sido um crime? Nossa rua passou a ser tão insegura? Sem conter a curiosidade, saímos e fomos falar com um dos seguranças.

- O que aconteceu?

- Uma moça de 20 anos pulou do vigésimo andar. Ela tinha depressão, falaram.

Não tive outra reação, a não ser falar um lugar-comum:

- Uns com tanto, e tão infelizes!

***

Depressão, pelo que eu saiba, é doença e precisa ser tratada com cuidado. Mas acho que mais do que remédio e terapia, boa parte da cura dela está dentro de nós mesmos e na forma com que encaramos a vida. Todos nós temos motivos suficientes para ficarmos tristes, toda vida é feita de altos e baixos. Mas o que vale é como conseguimos superar tudo isso e seguir em frente.

Eu sempre brinco que dinheiro não traz felicidade, mas ajuda. Essa moça que caiu da sua rica casa, no entanto, é exemplo de que na vida realmente o que importa são nossos sentimentos e o que temos dentro do nosso coração. Que felicidade verdadeira é muito mais difícil de ser conquistada do que um belo apartamento.

E agradeço a Deus, por ser imensamente feliz mesmo em um mundo pouco propício para isso…

2009 vai se acabando…

Mais um ano se aproxima do fim. Não tem como chegar em dezembro, ver o ano novo e não parar para pensar no que fizemos de bom, se aquele ano valeu a pena ou não. Eu já tive anos bons e ruins, anos misturados, anos que eu perdi à toa por causa de bobagens minha. E se cheguei a alguma conclusão em 2009 foi a de que vida é curta demais para se perder tempo com coisas passageiras.

Em alguns momentos é claro que bate aquela agonia por não saber como resolver determinado problema, mas aprendi a viver com menos peso no ombro e a dar valor ao que realmente importa, como meu amor, minha família, amigos e meu bichos. Coisas que não são mensuráveis em reais ou dólares, mas que representam o tesouro de uma vida.

Conheci gente rica e pobre, alguns felizes outros não. Descobri que aquela lei de que dinheiro não traz felicidade é bem verdade – mas que com uns trocados no bolso as coisas fica bem mais fácil, claro! :d  E eu fui ficando mais feliz a cada dia que passava, sem necessiariamente ter grandes feitos em 2009. Não fiz nada de anormal, não fui promovida, não ganhei prêmios, não viajei muito e nem fiquei mais rica. Se a gente só tomasse nosso sucesso por estas conquistas de trabalho e materais, 2009 seria um ano perdido para mim, então.

Mas é agora no fim dele que percebo que nunca fui tão feliz na minha vida, como as coisas parecem estar perfeitamente engrenadas, como o mundo faz sentido. Aprendi a não viver do passado, muito menos de ficar na expectativa do futuro, de coisas que não possuo ainda. Sonho com o palpável, não perco noites pensando que alguma sorte grande vai me cair do céu.

Aprendi a encontrar tudo o que preciso dentro da minha casinha pequena, sem precisar do mundo lá fora. Não me falta espaço, não preciso respirar, nem dar uma volta para arejar idéias. Encontrei a paz comigo mesmo e em meu lar e isso em si já é uma das maiores vitórias da minha vida. Por isso, 2009 passou placidamente, calmo e perfeito. Foi um ano fantástico.

 

Uma história – parte 2

…O chão era liso, e mesmo tomando cuidado, às vezes quase caía só no trajeto de chegar à minha mesa. O pé pulsava de dor todos os dias, e não desinchava. Claro que não iria, eu não deveria estar pulando pra lá e pra cá. Depois de uns dias, alguém achou que eu já estava boa e me pautaram para reportagens externas. E Marina foi, de muletas, para entrevistas coletivas. Todo mundo olhando e me perguntavam como deixavam eu sair assim. Mas eu fui e ia me adaptando às situações, agora entendo como as pessoas que possuem alguma deficiência física sofrem muitas vezes com o descaso. Não é nada fácil.

No trabalho, agora além de mostrar que eu estava ali para fazer um bom serviço, tinha de me desdobrar mais ainda para provar que, mesmo não andando, eu era capaz de suprir as necessidades deles. E os dias foram passando, e meu pé não melhorava. Dormia com dor e às vezes acordava chorando. Meus nervos estavam à flor da pele e algumas horas me batia um desespero agudo.
Mostafa me apoiava e acalmava, em casa fazia tudo para mim. Eu sofria por não poder levá-lo para conhecer a cidade e sair de casa um pouco. Ele estava num país estranho, com uma esposa que não anda e necessita de atenção sempre que está em casa. E agüentamos juntos.
O tempo foi passando e eu precisa ainda cuidar da papelada do Mostafa, pois um dos documentos dele iria vencer. Peguei o carro do meu pai que era automático e dava para dirigir mesmo com o pé estourado. Fomos na Polícia Federal e eu não precisei pegar fila nenhuma. Eis que, na hora de ir embora, cai o maior temporal do mundo. Eu já me sentia sem forças, o tempo foi passando e eu estava muito atrasada para o trabalho. Resolvemos que iríamos tentar sair assim mesmo, Mostafa correria na frente para abrir a porta enquanto eu vinha de muletas. Ele foi e eu fui com minha dificuldade, somada ao chão molhado e as gotas enormes me molhando. Tentei ir mais rápido e o pior acontece. Caio no chão, de novo, em cima do pé machucado. Fico chorando na chuva e Mostafa volta correndo para me levantar.
Quando finalmente chego ao carro, estou encharcada e sem condições de ir para o trabalho desta forma. Resolvi que iria tirar folga, esperando que não sofresse uma retaliação por isso. E fiquei em casa pensando que o pior poderia acontecer, e talvez depois de tudo meu pé não fosse se curar e eu teria de sofrer uma cirurgia.
Depois de um tempo, resolvi encarar o fato com mais humor, e saía até para shoppings, fazer compras. Mostafa buscava a cadeira de rodas e ia me levando para todo canto. As pessoas me olhavam com dó, é muito estranha a sensação de ser diferente. Quando algum lugar fornecia carrinhos motorizados, apostava corrida com o Mostafa e direto esbarrava nas prateleiras. Ele me chamava de criança e eu esquecia dos problemas.

Eu sobrevivi. Depois de dois meses, o médico autorizou meu pé a tocar no chão. E assim que voltei a andar pisando no chão, mas ainda de muletas, recebi uma outra proposta de emprego. Então deixei o jornal, dia 15 de dezembro, exaurida mas com a sensação de dever cumprido. Foi só em fevereiro de 2008, 4 meses depois da queda, que consegui me livrar da imobilização no pé e voltar a usar sapato no pé esquerdo.
E assim a vida se encaminha, aos trancos e barrancos. Nem tudo são rosas e hoje sei que ninguém é sempre completamente feliz, porque a vida nos coloca desafios a todos os instantes. Felicidade não é para mim sorrir o tempo todo, mas é contada com as atitudes positivas que tomamos diante destas barreiras. Por causa do trabalho no jornal, levei mais de quatro meses para para pode andar normalmente. Se eu tivesse ficado em casa em repouso, talvez não tivesse as seqüelas que tive. Até hoje meu pé dói e ainda possuo um edema que nem com as chatíssimas seções de fisioterapia consegui curar. Mas agora já consigo rir desta história, o nosso turbulento começo no Brasil.

***

ps. olhem para seus pés e agradeçam todos os dias a Deus por tê-los saudáveis, pois o meu nunca mais será. É muito ruim percebermos como nosso corpo é perfeito e como qualquer coisinha simples pode tirar muito da nossa harmonia física. Ahh, e ajudem pessoas de muletas!!! ehehehe

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