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Seja feliz com sua fé
Tem um assunto que hoje em dia evito entrar em discussão, pois sei que não me faz bem. Mas como o papo apareceu em no blog da Barbara, acho que vale a pena ressaltar alguns pontos.
Alguém pertencer a determinada religião não a faz de exemplo a ser seguido. Por conta disso, acho que não dá para ficar colocando o dedo na fé dos outros, nem querendo mostrar sempre, e a todo momento, o que pode ser certo ou errado. Mas entre os muçulmanos, isso é uma coisa um pouco complicada e não quero fazer um post de crítica aos irmãos, apenas relatar alguns fatos.
A maioria acha que é haram, ou seja pecado, ficar quieto e não avisar um irmão se ele está cometendo um erro. Até aí concordo, se vejo uma pessoa, por exemplo, que quer se converter mas tem fotos de biquini, eu sempre pergunto se ela realmente se sente pronta mudar, se ela acha que vai se adaptar, por aí vai. Agora se ela já é muçulmana, tem marido muçulmano, sabe o que é a religião e não tá há poucos meses nisso, quem sou eu pra ir lá e falar para ela “vc sabia que biquini é proibido, vc não deveria usar isso nem mostrar como muçulmana”? Lógico que não, né minha gente, porque ela está cansada de saber, e se erra, está consciente disso.
O problema é que muitas pessoas tem distorcido um pouco os ensinamentos, e essa coisa de ter de “falar o certo”, “ajudar o outro a ir para o caminho”, acabou-se tornando entre os muçulmanos motivo de muita fofoca e dedos apontados o tempo inteiro um para os outros. Ajudar o outro é uma arte, não é apenas sair falando. E se caso uma muçulmana fez algo errado publicamente, como numa rede social, você pode comentar ou até mesmo ir contra, porém com muita delicadeza e amor, pois o verdadeiro muçulmano não age para humilhar ou tentar se mostrar o correto ou o mais certo para os outros, ele faz isso para Deus. Por isso, às vezes uma mensagem privada, com carinho, ou mesmo um recado público, porém doce, faz muito mais efeito que simplesmente chegar mostrando como você é perfeita e o outro está errando e pecando. E não tente usar apenas hadiths para justificar seu ponto, pois hoje em dia muita gente usa isso de forma errada, pegando hadiths fracos e fora do contexto para justificar qualquer coisa.
Eu conheço muçulmanas extremamente rígidas, que seguem muito os preceitos, e que jamais me perguntaram, por exemplo, porque não uso hijab. Tanto braisleiras quanto egípcias. Eu já usei hijab, por mais de 9 meses, então obviamente elas imaginam que eu tenha algum motivo para não usá-lo, e como eu sei muito bem o que é, sua obrigatoriedade, tenho marido muslim, morei em país islâmico, inclusive sou casada nas leis muçulmanas, será que eu preciso de alguma muçulmana vindo aqui me perguntar porque eu não uso hijab, ou porque não me esforço? Acho que não, sejamos sensatas.
Uma coisa é quem está aprendendo a religião e me faz perguntas óbvias, do tipo quando eu como, como eu rezo, pois eu dou a liberdade das pessoas falarem comigo e serem sinceras, pois muitas tem medo de falar na mesquita, por exemplo, tudo que lhes vêm a cabeça. Mas elas vêem o quão imperfeita eu sou, e não minto nem preciso, pois sempre falo o que é certo, mas caso eu faça errado, eu sempre deixo claro: “eu estou fazendo errado, mas o certo é tal…”.
Sei que para muitas pessoas a conversão é um acontecimento. Quase como um nascimento de um filho, quando a mãe só passa a falar de bebês e fraldas, algumas muçulmanas também se sentem tão felizes que passam só a falar daquilo e respirar o Islam. Então acontece de pessoas que precisam anunciar cada livro que lêem, cada oração que vão fazer, precisam botar foto delas rezando, como se fosse prova de algo, alguma justificativa. Eu já passei dessa fase (não que tivesse feito alguma destas coisas), mas não preciso disso para me sentir bem em uma comunidade islâmica, pois sei que minha relação com Deus é particular e só ele precisa saber das coisas boas que eu faço. Teria muito para me mostrar e dizer como sou boa, mas não faço, nem preciso disso, pois minha consciência é muito tranquila, e por mais que de vez em quando alguém possa aparecer por aqui e dizer que estou falhando, o quanto sou ruim, prefiro me calar e sorrir com meu coração, pois é Deus quem me conhece e o que faço.
E este post, apesar de parecer apenas crítico, é mais um alerta a todas as pessoas, de todas as religiões, pois isso acontece em todos os credos. A humildade, o amor a Deus e a misericórdia são invisíveis, porém são sentidas profundamente por quem é tocado por estes sentimentos. Pense nisso e será mais feliz, sem precisar da aprovação dos outros ou de um grupo.
Vamos aprender sobre o outro?
Acredito que o primeiro passo para a compreensão do outro, o respeito mútuo e a vivência em paz se baseia no conhecimento. E não é apenas querer conhecer para criticar, para fazer proselitismo barato ou achar argumentos para dizer que você é melhor, seu Deus é superior e porque o resto do mundo deveria ter sua fé.
Para mim, conhecimento é puramente algo científico, saber o que pensam, porque e como, sem ficar perguntando o porquê, trocar acusações ou ser desrespeitoso. Acho tão bonito entender como outros seres humanos pensam, isso só agrega na minha vida e fortalece minhas próprias crenças.
Então, olhem que legal esse resumão das 3 grandes vertentes monoteístas, você sabia de tudo isso? Eu não
| Topic | Christianity | Islam | Judaism |
| Origin of the Name | From the Greek:christos, ‘Anointed’ – referring to Jesus Christ. | Derived from an Arabic word for ‘submission’. Also related to the Arabic word salaam, ‘peace’. | From the Hebrew:Yehudim, ‘Judah’. |
| Founder | Jesus Christ (c. 4 B.C. – 30 A.D.) |
Mohammed (570 – 632 A.D.) |
Abraham (First Patriarch, born c. 1800 B.C.) |
| Divisions | Three main groups:Orthodox, Protestantand Roman Catholic. |
Two main groups: Sunni and Shia (The division occured due to a dispute as to the legitimate successor of the prophet Mohammed). There is also a mystical/ascetic movement in Islam known as Sufi. | Several divisions, including Hasidic, Conservative and Reform Judaism. Ethnic groupings include Ashkenazi (The majority) and Sephardi Jews. |
| Followers (2006 Estimate) |
2,100 | 1,300 | 14,000 |
| Nature of God | One God, who exists in three distinct persons (The Trinity): Father, Son and Holy Spirit (Matthew 28:19). | One God (Arabic:Allah), who is not a trinity. The Islamic view of God is called strict Monotheism (Quran 112:1). | One God (known in English as ‘Yahweh’ or ‘Jehovah’) – “…Hear Israel, the Lord is our God, the Lord is one.” (Deuteronomy 6:4). |
| Holy Book(s) | The Bible (from the Greek:Biblos, ‘books’), given by God to man. The Bible writers were inspired by God in their writings. Thus Christians refer to the Bible as the Word of God (2 Timothy 3:16). | The Quran or Koran (Arabic: ‘recitation’), revealed to the prophet Mohammed over a period of about 20 years. The Quran is the final revelation given by Allah to mankind. | The Hebrew Tanakh, similar to the Christian Old Testament, comprised of the Torah (Hebrew: ‘Law’), Nevi’im (‘Prophets’) and Ketuvim (‘Writings’). |
| Jesus Christ | The second person of the Trinity: “…true God from true God” (Nicene Creed), and born of the Virgin Mary. | A prophet, sent by Allah and born of the Virgin Mary, but not divine (Quran 5:17). | An ordinary Jew, not the Messiah nor a divine person. |
| Jesus Christ, The Mission of | To reconcile Man to God, through his death as a sacrifice for the sins of all mankind. | To proclaim the Injil, or gospel. This gospel has been corrupted over time by human additions and alterations. | As Judaism rejects the idea of Jesus asMessiah, his mission is of no relevance. |
| Jesus Christ, The Death of | “…For our sake he was crucified…he suffered death and was buried. On the third day he rose again…he ascended into heaven…”(Nicene Creed) | Jesus was not crucified (Quran 4:157), but was raised to Heaven by Allah (4:158). | Jesus was crucified for his claim to be divine. |
| Holy Spirit | The third person of the Trinity, truly divine: “….with the Father and the Son he is worshipped and glorified.” (Nicene Creed) | Identical with the Angel Gabriel, who appeared to the Prophet Mohammed giving him the Quranic text. | Not a distinct person, but a divine power which for example, was given to the Prophets. |
| Other Traditions | The writings of the early church fathers and ecumenical councils, including the Creeds. | The Hadith, a collection of traditions/sayings of the Prophet Mohammed. The Hadith functions as a supplement to the Quran, giving guidance to Muslims for daily living. | The Talmud, an oral tradition explaining and interpreting the Tanakh. It includes the Mishnah – a code of Jewish law. |
| Examples of Rituals | The Sacraments, including Baptism and Holy Communion(Eucharist). In Orthodoxy and Roman Catholicism, five more are added, viz: Confirmation (Chrismation), Marriage, Penance, Holy Orders and Anointing of the sick. Prayer is also an important part of the faith. |
Five important rituals (known as the pillars of Islam): 1. Shahadah – A profession of faith. 2. Salat – Prayer five times daily. 3. Zakat – alms giving. 4. Sawm – Fasting during the Holy month of Ramadan. 5. Hajj – Pilgrimage to the Holy city of Mecca. |
Rituals include the Circumcision of newly born Jewish males,Barmitzvah – a ceremony marking the ‘coming of age’ of Jewish Boys and observation of the Sabbath (Shabat). As in the other faiths, prayer is important. The Jewish prayer book is called thesiddur. |
| Sin | We inherit a sinful nature through our common ancestor Adam, who rebelled against God. Jesus Christ atoned for our sins through his death on the Cross (Romans 5:12-17). | There is no concept of original sin, nor vicarious atonement. All Humans are born sinless, but human weakness leads to sin. | Judaism rejects the doctrine of orginal sin. Atonement for sins commited is made through seeking forgiveness from God in prayer and repentance. In addition, the day of atonement (Yom Kippur) is set aside specially for this purpose. |
| Salvation | By grace through faith in Jesus Christ (Ephesians 2:8-9). | Achieved through good works, thus personal righteousness must outweigh personal sin (Quran 23:101-103). | Through good works, prayers and the grace of God. There is no parallel to the Christian view of substitutionary atonement. |
| Hell | A place of everlasting punishment for the unrighteous (Matthew 25:46). There is no crossover between Heaven and Hell. | A place of torment and fire (Quran 25:65, 104:6-7). In Islam, Hell is known as Jahannam. Jahannam has several levels and a person may not necessarily spend eternity there. | Tradtionally, there is the concept of Gehinnom or Gehenna – those who die in sin may suffer temporary punishment, but certain sins merit eternal punishment. However, Judaism’s ideas of the afterlife have varied widely among different groups and in different time periods. For the most part, Judaism doesn’t emphasize the afterlife. |
| Topic | Christianity | Islam | Judaism |
Princesas no deserto
Hoje a dica é muito importante… um blog forte, contundente, e que abre os olhos de quem tem um amor longe e não entende a dimensão que uma relação entre culturas tão diferentes pode ter.
E cada caso é um caso. Como sempre repito, ninguém pode se inspirar na minha história ou de outro casal conhecido, afinal, eu sou eu e não há ninguém igual a mim neste mundo, assim como meu marido é único, você é única.
Ou seja, cada casal é uma mistura nova, uma infinidade de opções e possibilidades. E refletir, pensar no que você quer para sua vida e seus sonhos, talvez seja um bom começo para decidir se topa se casar com alguém lá do outro lado do mundo ou não.
Então, apresento a vocês a história de uma mulher muito especial: Princesas no Deserto.
ps. Ela é uma brasileira, casada com um muçulmano e vive na Síria. Os comentários deste post estão fechados a partir de agora, quem quiser ajudá-la e conversar com ela, deve fazer isso de bom senso, pois ela está muito sensível e acredito que blogar é um ato de caridade também, compartilhar histórias e exemplos, então vamos pegar leve e quem não gostar, não precisa ler
Minha ingênua visão sobre Israel e Palestina
Aviso: este post pode ser um pouco polêmico.
Agora que aconteceu isso com a flotilha de ajuda humanitária, mais muçulmanos que estão nas minhas listas de contatos em redes sociais estão tratando Israel como o diabo na terra e o sionismo como o “novo nazismo”, como se a expressão em si não fosse absurda.
Primeiro, acho que comparar qualquer coisa com nazismo é forçar a barra ao extremo. São duas épocas diferentes, conceitos diferentes. Pelo que eu saiba, não existe campos de concentração de palestinos com tortura, câmaras de gás de extermínio amplo e trabalho escravo forçado em Israel. Aliás, é um dos países que dentro do belicoso oriente médio mais se desenvolveu – com ajuda dos EUA e outros grandões, claro, mas não dá para se negar que o país soube aproveitar bem os recursos que recebeu, ao contrário de outros árabes que tem muito petróleo e só agora estão investindo na população em geral.
Então, acho muito complicado julgar um povo como um todo, querer o extermínio de uma raça e religião como muitos tem pregado. Me dá até medo deste tipo de reação, pois é o mesmo tipo de coisa que condenamos em outros povos, como o patriotismo americano, o xenofobismo europeu. Dói ver muçulmanos agindo da mesma maneira, quando lhes é conveniente.
E não, não concordo com a forma que o estado de Israel foi formado e como eles pressionam o povo palestino e os impõe uma condição de vida sub-humana com bloqueios e ataques. Mas a história não é tão simples e fácil de ser contada. Para se ter idéia de quão complexa se tornou a questão, até mesmo um país árabe muçulmano como o Egito, que controla Gaza, fez bloqueio aos palestinos. Lembro que quando estava fazendo minha papelada no Egito, existiam sempre filas separadas para os palestinos, seja para visto ou outras coisas, pois o caso deles é muito delicado.
Eu posso ser muito ingênua e pacifista, mas acredito que a religião não sirva para nos separar dos outros, mas sim buscarmos a diplomacia e a serenidade para encontrarmos soluções que envolvam a menor perda de vidas possível. Pode até parecer impossível às vezes, mas temos grandes exemplos de pessoas que no nosso tempo agiram com paz e tiveram grandes conquistas, como Mahatma Ghandi, Madre Teresa e Nelson Mandela. Se estas pessoas não representam nada para você, pense então nos exemplos da sua religião. Eu tenho na minha mente vários, como Jesus e Mohammed.
Então, só me resta na minha existência insignificante e que em nada influi neste mundo, rezar para estar viva no dia em que seja encontrada uma solução pacífica e diplomática para Israel e Palestina. Que sejam dois estados, ou o “Palestiel = palestina+israel”, ou qualquer coisa boa para todas. E que eu não tenha que ouvir mais absurdos de tiozinhos do Irã, tipo holocausto não existe e vamos fazer uma bomba, já que Israel tem, ou que vale a pena ser homem bomba para defender meu direito, ou que fui escolhido para ter tal terra e por isso é meu direito matar até quem mesmo já vivia ali. Ou que D’us ou Allah, ou até mesmo Deus, são coisas diferentes…
Sou boba, né?
Pensando sobre religião
É engraçado como a procura por nossos antepassados é instigante. Sejam os cientistas, loucos por teorias da evolução; filósofos, para os quais a existência começou com a alma e a razão; ou religiosos, que nos fazem nascer do barro. Eu, reles mortal, patinava em tudo isso em busca de razões. E à medida que mais me procuro, menos sei de mim mesma.
*
Existiu um tempo em que eu não entendia a religião, os credos e porque deveria confiar no que os homens me falam. Esperei ver um milagre na minha frente, fui em retiros e achava que ia ver Jesus passeando em alguma nuvem. Pedia alguma prova, mas depois ficava com medo de algum santo me aparecer de noite e me dar um susto. Falava para Deus então que eu não queria ver nada não, muito obrigada.
Aprendi sobre a ciência, li de cabo a rabo um livro sobre os dinossauros. Pensava em como o mundo poderia ter tido tudo aquilo, como espécies desaparecem. Ouço falar no fim do mundo, no aquecimento global, na volta de um profeta. Queria saber onde está Deus, fazia as perguntas básicas da filosofia: de onde vim, para onde irei?
Mas depois de viver perdida neste mundo, encontrei alguém que me tirou a poeira dos olhos e libertou meu coração. Algo inexplicável nos uniu mais do fisicamente. O que inquietava meu coração simplesmente sumiu. Aprendi novas coisas, um olhar diferente sobre Deus e vi lógica no mundo. Não, não virei criacionista. Muito pelo contrário, com a fé renovada vi muito mais sentido nas explicações da ciência, entendi a mágica dos buracos negros, a magnitude dos instintos animais e a ordem suave e constante da natureza. Se existe algo que nos deu origem, uma evolução da espécie, nada disso poderia acontecer sem um ponto inicial. É Deus que iniciou nosso processo de existência, sem Deus, mesmo com a evolução e mil Darwins dando ordens, nunca chegaríamos ao que somos hoje. Existe algo além do que podemos explicar dando sentido a todas as mudanças e a evolução não pode ser apenas do acaso. Ou por acaso nos tornamos humanos? Por um simples capricho da sorte estamos aqui, temos sentimentos e pensamos? Impossível. Não sei como os ateus sobrevivem a estas questões tão simples.
Vejo na ciência e religião complementariedades, não disparidades.
Um sorriso me escapa a cada vez que descubro mais coisas do nosso mundo e do universo. Já ouvi falar de massa negra tapando buracos no universo, da física que nos mantém grudados ao chão. E vejo coisas tão simples e grandiosas ao mesmo tempo, uma gota d’água evaporando na frigideira, uma brisa tocando meus cabelos. A cada mistério, em cada nova pergunta, só consigo enxergar a existência de Deus.
*
Minha fé não veio apenas na forma. Ser muçulmana não significa apenas vestir certas roupas, rezar com a testa no chão ou dizer Salam Aleikom. Ter fé é sentir, estudar, buscar conhecimento que vai além de normas e regras a serem seguidas. Não me adianta de nada decorar mil hadiths ou dizer que sigo a sunnah, ir até Mekkah e chorar em frente à Kabbah se faço tudo sem entender que, acima de tudo, as provas de que Deus é grande – Allahu Akbar – estão no meu dia a dia e em qualquer lugar. E para exergar isso não existem métodos ou regras, é algo que nasce dentro da alma.
Não, não estou renegando nada, nem dizendo o que é ou deixa de ser obrigatório. Mas acredito que só vou deixar de ler notícias com menos preconceitos e piadas em relação a nós quando os próprios irmãos muçulmanos deixarem de pensar apenas na forma, nos julgamentos que fazem e nas desculpam que vivem criando para cometer abusos, e passarem a se focar no mais importante, em Deus.
(e o pior é pensar que o que escrevi hoje, para alguns muçulmanos será de ofensa grave.)
Significado de um gesto
E o Brasil ganhou, sofrido e por penalti, mas ganhou. O Egito jogou bonito, gostei e torci até pra ficar no 3 x 3, pois acho que eles não mereciam perder já que jogaram bem melhor que nossa seleção.
No final das contas, eu não estou nem aí para esse jogo nem para qualquer um outro. Se tem uma coisa que não move meu coração são esportes. Já fui de torcer na Copa do Mundo, mas na última confesso que nem fiz questão do Brasil se dar bem, achei o time muito marketing e pouca raça.
Mas estou falando de tudo isso para mostrar uma das comemorações do Egito. Vocês sabem porque eles fazem isso?

Crédito: uol
Eles estão agradecendo a Deus. É nesta posição prostrada que os muçulmanos se colocam na posição mais frágil e submissa possível na hora de falar com Deus. Na hora de orar, também esse gesto é repetido muitas vezes e, particularmente, acho muito bonito.
Já li em alguns lugares que era desta mesma forma que Jesus se portava na hora de orar também, interessante né?
ONU condena difamação religiosa
Foi aprovada ontem uma resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) que condena a difamação religiosa e passa a considerar o ato como uma violação aos direitos humanos. Com isso, eles também pedem que os governos de cada país adotem leis protegendo as religiões de ataques.
Leia um pouco mais sobre isso do noticiário publicado no Estadão hoje:
“O Brasil optou pela abstenção, às vésperas da cúpula entre países árabes e sul-americanos, que ocorre no início da semana que vem em Doha.
A resolução havia sido proposta pelos países islâmicos, que há dois anos trabalham pela aprovação de decisões na ONU para proteger a religião. Para os países ocidentais, as religiões não seriam cobertas por tratados internacionais de direitos humanos. Apenas o indivíduo teria esses benefícios.
Mesmo assim, a resolução ontem acabou sendo aprovada por 23 votos a favor e 11 contra, em um conselho formado por 47 países. O documento pede que governos em todo o mundo adotem leis protegendo as religiões contra críticas. A proposta foi apresentada pelo Paquistão, copatrocinada pela Venezuela. Entre os países que votaram a favor estavam africanos, islâmicos, Cuba e Venezuela.
A Europa votou contra a resolução, alegando que a medida poderia abrir espaço para censura, ferindo a liberdade de expressão e de imprensa. Há dois anos, protestos se proliferaram no mundo islâmico contra caricaturas divulgadas em um jornal dinamarquês, com imagens de Maomé. As caricaturas foram consideradas ofensivas pelos países islâmicos.
A diplomacia brasileira tem a mesma visão dos europeus, alegando que não são religiões que devem ser protegidas, mas indivíduos. O Brasil deixou claro que não votaria a favor da resolução sugerida pelos países do Oriente Médio. Mas o Itamaraty evitou votar contra a medida e hoje explicará sua posição. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à Doha para a cúpula com os países árabes. Argentina e Uruguai também se abstiveram. Chile e Canadá votaram contra.”
***
O direito a serem respeitados por suas crenças é uma luta que vem sendo travada pelos muçulmanos desde os ataques de 11 de setembro. Desde então, a religião tem sido associada a crimes, fanatismo e mortes em nome de Deus. Cansei de ver filmes falando disso, como ontem estava assistindo a um chamado “Rede de Mentiras” com o Leo DiCaprio, mostrando povo rezando e se explodindo. Não cheguei a terminar de ver se no fim mostrariam as forças políticas e econômicas por traz deste tipo de manipulação da religião. Não dá para aceitar, nem entender, uma pessoa em sã consciência se explodindo para ir para o Paraíso. É incoerente com os ensinamentos do Islã, que inclusive proíbe o suicídio.
Bom, mas voltando à resolução da ONU. Acho extremamente válido sim, ofensas à religião serem consideradas crimes contra a humanidade. As caricaturas de Maomé podem ser engraçadinhas para quem não entende a cultura islâmica e nosso horror por qualquer tipo de figuração ou interpetração de traços do profeta Mohammed.
Só acho que também, do modo que as leis e justiça são aplicadas no nosso mundo, é um pouco complicado blindar totalmente os líderes religiosos. Acho que as pessoas – sejam sheiks, rabinos, bispos, pastores, etc – podem ser sim criticados pela forma que apresentam certos dogmas, pois são seres humanos e podem cometer erros. As religiões e a liberdade de culto merecem ser respeitadas, mas não dá pra encobrir também erros por conta disso.
Acho muito polêmica esta resolução da ONU. Ao mesmo tempo que ela pode defender certos direitos, não pode ser usada para encobrir também falhas. Agora vamos ver como cada país vai aplicar esta resolução. Duvido que os ocidentais a sigam.
Michael Jackson é Mikaeel?
Lembra que outro dia falei das ‘lendas urbanas’ do Egito, que geralmente têm sempre a ver com algum famoso que se converteu ao Islã? Bom, parece que um destes boatos não é tão maluco assim, e chegou hoje até nossos jornais que o exótico Michael Jackson realmente teria se convertido ao Islã:
Michael Jackson se converteu ao islamismo, diz jornal
colaboração para a Folha Online
O cantor Michael Jackson, 50, se converteu ao islamismo e passou a se chamar Mikaeel, nome de um dos anjos de Alá, informou nesta sexta-feira o tablóide britânico “The Sun”. O popstar, que foi criado como Testemunha de Jeová, teria se convertido ao islã em uma cerimônia na casa de um amigo em Los Angeles.
De acordo com o “The Sun”, a cerimônia aconteceu quando Michael estava gravando um disco na casa de Steve Porcaro, tecladista que o ajudou na composição do álbum “Thriller”.
Ele se sentou no chão e vestiu uma pequeno chapéu enquanto um sacerdote celebrava a conversão. Michael depois jurou fidelidade ao Alcorão, conforme a relatou uma fonte ouvida pelo jornal.
Michael ainda teria rejeitado um nome alternativo que lhe foi sugerido, Mustafa, que significa “o escolhido”.
Cat Stevens
O cantor britânico Cat Stevens, 60, chamado de Yousef Islam depois de se converter à religião, também esteve na cerimônia ajudando Michael. Ele teria sido influenciado também pelo músico canadense David Wharnsby e pelo produtor Phillip Bubal, ambos convertidos ao islamismo.
A fonte ouvida pelo tablóide disse que Michael estava abatido e que os amigos conversaram com ele sobre suas crenças e como se tornaram pessoas melhores depois da conversão.
No ano passado, o irmão de Michael, Jermaine Friday, convertido em 1989, sugeriu que o cantor se converteria depois de ter se interessado pela religião.
“Quando eu voltei de Meca, eu trouxe uma porção de livros e ele me perguntou muitas coisas sobre minha religião e eu disse a ele que era algo pacífico e bonito”, afirmou Friday ao jornal “Daily Telegraph”.
Bahrein
Na semana que vem, o astro deve depor em Londres em um processo contra ele iniciado pelo xeque Abdullah bin Hamad al-Khalifa, o segundo filho do rei de Bahrein. O príncipe afirma que o cantor quebrou um contrato envolvendo a gravação de um CD e o lançamento de uma autobiografia.
Ele também afirma que Jackson lhe deve U$ 7 milhões (R$ 17 milhões) usados para pagar viagens, custos legais e outras despesas do cantor.
(o link está aqui. )
***
Bom, se ele se converteu mesmo, Alhamdo Lelah, porque no Islã acredita-se que, no momento da conversão, todos os nossos pecados feitos no passado foram apagados. Só espero que se isso aconteceu mesmo, seja de coração e não para denegrir mais ainda a imagem da religião.
E vocês, acham que isto é possível?
Homem muçulmano bate na mulher?
Outro dia este assunto foi abordado em um site sobre a India, onde a autora mostrou um vídeo sobre um casamento muçulmano lá em que o noivo dava um tapão na cara da esposa bem no meio da festa. A justificativa para a autora do blog é que no Islã é permitido ao marido “esbofetear a esposa”.
Um dos grandes problemas quando lidamos com religião – principalmente a dos outros – é a de fazer julgamentos baseados em algo que ouvimos falar ou uma tradução qualquer que tiramos da internet, sem observar nenhum contexto ou ler o que vem antes ou depois daquilo no livro. No Alcorão é a mesma coisa, assim como na Bíblia ou Torah, dependendo da frase que você tirar e jogar ao vento, pode ter um sentido totalmente diferente…
Bom, mas antes que surjam novas perguntas sobre isso, aqui está a parte no Alcorão que fala disso:
4:34 Os homens têm autoridade sobre as mulheres pelo que Allah preferiu alguns a outros (entenda-se a primazia do homem na sociedade mais propiciada pela força física e pelos encargos de que é investido, do que pelo grau de honra), e pelo que despendem de suas riquezas. Então, as íntegras são devotas, custódias da honra, na ausência dos maridos, pelo que Allah as custodiou. E àquelas de quem temeis a desobediência, exortai-as, pois, e abandonai-as no leito, e batei-lhes (bater suavemente, cuidando de não atingir-lhes a face nem as partes sensíveis). Então, se eles vos obedecem, não busqueis meio de oportuná-las. Por certo, Allah é Altíssimo, Grande.
4:35 E, se temeis a discórdia entre ambos, enviai-lhes um árbitro da família dele e um árbirto da família dela: se ambos desejam reconciliação, Allah estabelecerá a concórdia entre eles. Por certo Allah é Onisciente, Conhecedor.”
As frases entre parênteses são as explicações extra sobre o contexto presentes na tradução oficial do Alcorão para o português, antes que alguém já fale que o Alcorão diz que DEus prefere os homens – sendo que no contexto a preferência se diz na força física, não na honra – e que todo mundo pode espancar as esposas como quiser.
Bom, aqui está o resto da resposta que passei para a autora do blog, não sei se ela vai publicar, mas gostaria de dividir com vcs: “Acho que é complicado afirmar algo baseado em apenas um parágrafo do Alcorão, sem estar com uma tradução correta e sem analisar o contexto da sura como um todo. Como está neste trecho, dá pra para se ver que a palavra que vc usou “esbofetear” está totalmente fora do contexto… Existem outras partes que também falam dos direitos das mulheres e como devem ser tratadas bem, mas isso não dá IBOPE!!!
Bom, não vou ficar discutindo religião aqui… cada um sabe o que quer para sua vida, mas acho que falar de religião merece uma certa delicadeza.”
Se vocês quiserem, vou postar depois as suras que falam da forma como a mulher deve ser cuidada e tratada.
Mesquita no Egito
Os dias da semana no Egito são um pouco diferentes dos do Brasil. Isso porque o dia de oração dos muçulmanos é sexta-feira. Ou seja, enquanto aqui o pessoal para de trabalhar e – teoricamente – vai na missa aos domingos, lá as pessoas vão de sexta para a oração na mesquita. Para quem chega no Egito, o ritmo parece estranho no começo. Você pode chegar na quinta de tarde em um departamento público e não conseguir nada, mas ir perfeitamente no domingo cedo e ser bem atendida. Além disso, as grandes festas geralmente acontecem de quinta-feira de noite ou sexta, já que muitos também ficam com o sábado livre. Se sua família for cristã, no Egito, você provavelmente também ganha o domingo de folga, já que este é o dia do seu culto.
Sexta-feira no Egito era sempre um dia feliz para mim. Não tinha trabalho e podia curtir o que quiser. Logo cedo eu já acordava com a recitação do Alcorão, que mama assistia de Makkah (Arábia Saudita) ao vivo pela televisão. Eu sempre acordava atrasada e corria para me arrumar, enquanto mama me esperava. Perto do meio-dia, saíamos de casa correndo, as duas de abaya, para chegar até a mesquita de Sidy Gaber, que ficava a apenas um quarteirão de casa.
Nas mesquitas, as mulheres oram separadas dos homens, e existe uma sala especial para elas. Nesta mesquita, haviam dois ambientes para mulheres, uma espécie de mezanino que ficava acima da parte dos homens e outra sala anexa no térreo. Para entrar na mesquita, você deve tirar os sapatos, e existem prateleiras onde você pode deixá-los, mas eu e mama sempre levávamos uma sacola para facilitar as coisas.
Quando a gente chegava na mesquita, sempre já havia um grupo de mulheres conhecidas por lá, e mama me fazia dizer oi para todas, uma a uma, e todas queriam beijar e abraçar. Eu no começo não entendia nada, mas ficava lá na minha distribuindo sorrisos. Quando o sermão começava, todo mundo se concentrava e sentadas no chão ouviam, às vezes davam respostas juntas ou oravam algo, erguiam as mãos. Na mesquita do Brasil havia tradução simultânea, então eu não ficava perdida, mas ali eu confesso que às vezes balbuciava algo que nem sabia o que era só para seguir o que os outros faziam…. ehehee Depois de um tempo, claro, aprendi as orações e passei a entender o que acontecia, e também tinha aulas de religião em casa, o que me ajudou muito. Enquanto o sermão estava sendo falado, muitas também aproveitavam o tempo para orar sozinhas.
Quando terminava o sermão, o chamado da oração era feito e todas as mulheres, assim como os homens lá embaixo, se enfileram lado a lado para rezarem em conjunto. No final, também é recomendável que se ore duas rakat (conjunto de orações).
Terminada a oração, saíamos à procura de Mostafa, o que não era tão fácil pois as mesquitas estão sempre lotadas neste dia. Muitos homens até carregam seus próprios tapetes nas mãos, porque pode ser que não encontrem lugares dentro da mesquita para rezar.
Depois disso, era só pensar no que iríamos fazer de almoço ou sair para algum lugar, curtindo a folga da semana…





