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Masha Allah (jóia típica de países islâmicos)
Sabe aquela história que as árabes adoram ouro? Bom, é verdade! As egípcias, que são as que conheço mais de perto, por motivos óbvios, vivem exibindo seus presentes, geralmente recebidos quando ficam noivas. A maioria até mesmo estipula um valor de ouro a ser dado como dote, que o noivo precisar presenteá-la durante a festa de noivado (leia mais sobre isso aqui e aqui).
Mas o post de hoje é sobre o formato das jóias de muitas muçulmanas. No Brasil não é comum vermos as moças com uma cruz de ouro, que representa sua fé? Pois então, no Egito é muito comum o “masha Allah”, geralmente a palavra Allah – que significa Deus, em árabe – estilizada ou gravada no ouro. Vi muitas noivas ganhando colares com placas enormes e o nome de Deus escrito.
Usar ouro é bem comum no Egito, seja na rua e até mesmo no transporte público. O país é bem seguro e mesmo em grandes cidades, são muito raros os carros de roubos. Latrocínio então, acho que desde que estou envolvida nesse mundo, nunca ouvi que tenha acontecido por lá. É bacana estar num lugar onde a gente pode ter coisas bonitas e andar sem medo.
Os homens não usam ouro, pois no Islã este metal é apenas para mulheres. No entanto, é comum que bebês de ambos os sexos sejam ornamentados com presentes de ouro e “masha Allah’s” pequenos, às vezes presos em correntes ou alfinetes. As avós adoram comprar este tipo de coisa, é uma tradição. Neste site aqui e neste aqui eles vendem algumas destas jóias, só para ter uma idéia de formas e estilos.
Eu tenho um masha Allah, mas ao contrário das egípcias queria algo o mais leve e discreto possível, ainda mais para andar em São Paulo. E minha sogra trouxe do Egito para mim, com as letras em estilo moderno:
ps. Quem tem interesse neste tipo de jóia pode falar com a Tete, pois ela faz encomendas para o Brasil. Além disso, o ouro no Egito costuma ser mais barato!
6 comments dezembro 9, 2009
Mama egípcia no Brasil
Saímos correndo de casa às 15h30. Tudo bem que a chegada do vôo estava marcada para um hora depois e em plena segunda de tarde o trânsito não ia estar muito ruim. Dito e feito: chegamos cedo, meia hora depois.
Eu não tinha comido nada o dia inteiro, como ia sair antes do trabalho nem fiz horário de almoço. Como tinha tempo no aeroporto, olhei a cafeteria e pensei em comer algo. Mas estava com o estômago ruim, ansiosa, decidi não comer nada e correr para as janelas de onde dá para ver os aviões. Subi correndo as escadas e Mostafa falou que eu estava pior que criança. Na janela, a primeira coisa que eu vi foi aquela cauda gigantesca de um Air France. Impossível não lembrar do acidente e daquelas fotos do leme quebrado sendo içado para um navio.
- Habiby, será que isso é um mau sinal? – Falei.
Mostafa riu, falou pela milésima vez no dia que eu era uma louca mesmo. Além disso destampei a falar e comentar cada movimento que eu via. Olhei para o Mostafa e ele estava rindo de novo de mim. Passou cinco minutos e eu não vi nenhum avião descendo ou partindo. Cansei. Mostafa quis descer para olhar os painéis.
E olhamos, o horário de chegada estava previsto para 16h28. Deu 16h30 e nada de aparecer “pouso” no letreiro. Depois de uns 10 minutos, que neste dia pareciam 30, finalmente a bolinha vermelha acendeu. Ela já estava em solo brasileiro.
Corremos para a área de desembarque, como se a mama egípcia fosse capaz de saltar do avisão e fazer uma maratona em 2 minutos para sair. Minha mãe chegou e se juntou a nós na hora certa. Encostamos na barra de metal e ficamos ali esperando a portinha abrir. Era o único vôo internacional saindo daquele portão na hora, por isso não tinha erro. Qualquer pessoa que saísse já era do vôo dela. Um monte de gente começou a se aglomerar ali, com plaquinhas do tipo Mr. Van de Gun, Mr. Sim van Von… Minha mãe com sua presença de espírito já viu o Mostafa nervoso e tratou de fazer ele rir. Saiu um loiro da porta.
- Olha lá o mister Van Mostafa.- falou.
E saíram vários “mister Van” nos próximos minutos. E nada de mama egípcia. Eu olhava para Mostafa e ele já começava a ficar impaciente. Passaram-se 30 minutos e nada. Falei pra ele ter calma, porque até pegar as malas, passar na imigração e tal demora mesmo.
As aeromoças loiras de roupa azul clara sairam. Pessoas e mais pessos saem. Famílias se encontram aos gritinhos. Até um cachorro na frente esperava o dono chegar dentro de um carrinho de carregar malas. E a porta automática abria e fechava. Nada da mama sair.
Depois de uns 40 minutos e muitas pessoas já terem saído, Mostafa começou a ficar nervoso. “Será que ela dormiu em Amsterdan e perdeu a conexão?” Nessas horas a gente pensa nas possibilidades mais absurdas. Afinal, são dois anos sem ver a mãe, chegar no momento de um reecontro é uma sensação estranha e confusa de nervosismo e alegria.
E o tempo passa. Começam a sair pessoas de um outro vôo que havia chegado depois. Minha mãe já notando o clima foi atrás de uma plaquinha escrita “Mister Van alguma coisa” e perguntou se esperava alguém do mesmo vôo. E era. Então sabíamos que ainda tinha gente do mesmo vôo dela lá dentro.
Eu já tinha mudado de lugar mil vezes, enquanto Mostafa ficou estático no mesmo o tempo todo, olhando fixo para a porta. Olhei o relógio, já passava de 17h30. Perdi a noção do tempo e já pensava em como eu ia entrar naquela sala pra ver por onde ela estava perdida. Falei pro Mostafa que com certeza ela estava lá dentro esperando a gente, porque no aeroporto de Alexandria quando a pessoa sai já é para a rua, e ela não devia ter entendido.
Passou-se um tempinho. E vejo um pessoinha saindo finalmente com um véu preto e cinza.
- É ela!!!!
E corremos para o esperado abraço, depois de dois longos anos.
- So long trip!!!!!! – Foi a primeira coisa que ela falou.
***
- Mama, porque você demorou tanto tempo? – perguntamos.
- Porque eu estava perdida lá dentro! Aí um moço do Quênia me pegou pelo braço, me mostrou onde eu pegava a bagagem e me falou que era ali fora que vocês iam me esperar.
No carro, já fomos perguntando as primeiras impressões do Brasil. De presente, ganhamos um mega trânsito na marginal em plena 6 da tarde. Levamos mais de uma hora para chegar em casa.
Também perguntamos da viagem, e ela contou que sentou-se ao lado de dois meninos brasileiros que não falavam nada de inglês e ficavam com o fone de ouvido no último volume, atrapalhando o sono dela
. Mas que, em compensação, as aeromoças todas paparicaram ela.
- Porque a senhora está indo para São Paulo? – uma chegou a perguntar, e ela contou toda a história. Aí toda hora levavam mimos para ela, como castanhas, sorvete e bebidas. Ela A–M-O-U a cia aérea, disse que nunca voou tão bem. Para quem quiser saber para uma futura viagem, é a KLM.
Não deu para ela ver ainda muita coisa do Brasil, a única coisa que ela comentou é que os carros no Brasil são novos. E que o trânsito não tem buzinas, mas muitas motos. Em casa, ela achou o chuveiro elétrico, e não a gás como em todas as casas do Egito, muito prático. Comeu pizza quatro queijos e adorou. Mostrei para ela a novela Caminho das Índias e falei que todo mundo ia achar que ela era da Índia, porque agora é tudo “are baba” aqui e as pessoas não entendem muito de geografia.
Abriu a mala e tirou toneladas de coisas gostosas para nós, tâmaras, damascos, mil temperos, falafel, lenços coloridos. Para mim, um presente especial. Ganhei um “Masha Allah” maravilhoso, depois explico o que é e coloco fotos.
Minha mãe arranhou um inglês e já começaram a conversar.
Fui dormir depois de comer konefa fresquinha e ouvindo árabe, Mostafa e mama ficaram conversando até altas horas. São dois anos de papo para botar em dia.
ps. nada de fotos. Já estava uma pilha depois de uma hora de espera e nem lembrei mais de nada….
13 comments agosto 18, 2009
Mulher em casa X trabalho
Mas ao mesmo tempo, nas classes baixas, elas não tem mais como pensar assim. Vc por ir para qualquer loja, empresas, verá as meninas trabalhando e lutando pelo pão de cada dia. O mundo está, neste ponto, muito pior do que no passado. Acabaram-se os empregos estáveis em que vc ia subindo aos poucos e, com 30 anos, um homem podia manter a casa sozinho cheio de filhos. Hj as coisas estão apertadas, está difícil para um marido sozinho bancar tantas contas e, para manter um padrão de vida mais alto, a mulher também precisa ter renda. Isso no mundo todo, não é algo específico do Brasil ou Egito.
Só que o maior problema, é que os homens ainda não acordaram para esta realidade e muitas maridos ainda querem ser servidos, mesmo a mulher também estando na rua trabalhando 8 horas por dia. Ele não entende que assim como ele chega cansado, a esposa também está e não queria ter que ir pro fogão fazer janta. Mas isso vai mudar com o tempo, vejo cada vez mais mulheres mega estressadas e que brigam muito com os maridos. Com certeza os filhos homens desta geração já crescerão com outra imagem de mundo.
Mas eu também acordo às vezes querendo ser uma bela de uma Amélia, só fazer comidinha, limpar a casa e ficar vendo TV de tarde… ehehe mas essa vida também cansa, eu já fui educada de outra forma e mesmo trabalhando tem dias que sinto que poderia estar fazendo coisas mais úteis ou “mudando o mundo”, literalmente. Quando tem feriado muito prolongado, já não me sinto bem de só ficar em casa sem fazer nada. Aí vai de cada um, o que temos é que buscar o equilíbrio que cada um acha melhor para si. Eu não aguento ficar 10 horas no trabalho, mas também não sei ficar só em casa cuidando das coisas. E quando eu tiver meus filhos? Só Deus sabe como minha dinâmica vai mudar, talvez eu passe a querer só ficar em casa, ou não.
11 comments julho 7, 2009
Tirando o véu do armário
Neven Samir tem 23 anos, está no último ano da faculdade de farmácia e, como qualquer outra garota da sua idade, usa jeans, tênis, e gosta de roupas de marcas globais famosas, como Nike. Ela ri muito, é daquelas jovens curiosas, que gosta de saber das últimas fofocas e, claro, também está a procura de seu grande amor. É uma garota normal, porém, se andasse pelas ruas do Brasil, todos os olhares se voltariam para ela. Tudo isso por causa de um simples acessório, que nunca sai de sua cabeça: o véu.
Neven é uma egípcia muçulmana e, conforme a lei islâmica prega, só deixa à vista seu rosto e suas mãos. Não que isso seja um problema para ela. Ela e suas colegas acreditam que o “hijab”, palavra árabe que denomina o véu que cobre os cabelos e pescoço, é sim um sinal de libertação. “É algo que a faz a mulher ser respeitada não pelo que aparenta, mas pelas suas atitudes”, explica Neven.
Nas imagens que chegam aos noticiários, pouquíssimas vezes estas mulheres cobertas têm alguma voz. Não só porque os homens dominam o cenário político, mas porque poucas delas gostam de se mostrar. Neven, por exemplo, ainda ressalta que uma mulher para ser apreciada, tem de ser discreta. “É bom não sorrir muito ou falar muito em público. Uma mulher que é bondosa e silenciosa sempre agrada mais.” Além disso, ela diz que andar coberta é sinal de que é uma boa pessoa. “Uma mulher que mostra o corpo não é boa, pois não se resguarda para seu marido e sua família.”
Mas quando o assunto é condição da mulher no Islã, vários aspectos são controversos. Apesar da religião pregar o respeito com a companheira do sexo feminino, alguns pontos culturais também estão presentes. Algumas mulheres ainda se cobrem mais do que a própria religião instrui, que é deixar apenas as mãos e os rostos descobertos. Algumas chegam a deixar apenas os olhos à mostra, ou em países como o Afeganistão, nem mesmo isso, utilizando-se da burka, tecido grosso que encobre todo o corpo.
A questão que poucos no ocidente entendem, é que boa parte das mulheres muçulmanas não se incomodam com o adereço. Mas sim se orgulham dele, e se cobrem com prazer. Para elas, além de uma propagação silenciosa da religião, é sinal de que se preservam e devem ser admiradas. Por isso mesmo, quando conto para algumas amigas muçulmanas que estou partindo para o Egito, sempre me vêm com a mesma pergunta: “Você vai usar hijab aqui?” Digo que sim, e a resposta é uníssona: “Você realmente é uma boa garota, será muito bom tê-la como amiga.”
Sabemos, porém, que assim como em muitas comunidades em outros lugares do mundo, não é fácil para a mulher conquistar seus direitos. Isso faz parte de uma tradição paternalista presente na maioria das culturas, assim como nos povos árabes, os mais conhecidos por terem aderido à religião muçulmana. No mundo muçulmano não é diferente: em muitos casos, as mulheres são colocadas em segundo plano, e seus direitos tolhidos.
Países como a Arábia Saudita, por exemplo, despendem milhões de dólares a cada ano para enviar seus melhores alunos para estudarem em universidade de outros países, incluindo-se nisso mulheres. Porém, nesta mesma nação, é negado a elas o simples direito de dirigir. Omar Bawhab, jovem farmacêutico de apenas 22 anos e morador de Meca, na Arábia Saudita, acredita que o país caminha para uma igualdade maior no futuro, mas suas palavras mostram o quão diverso é este mundo do que encontramos na América. “É uma estupidez este tipo de proibição e não tem nada a ver com o Islã, mas sim com uma perspectiva cultural daqui.”
Já Sami Ali, de 36 anos, que vive em Judá, acredita que é dever dos homens proteger as mulheres, e não deixar que elas corram perigos como, por mais incrível que isto possa parecer aos olhos ocidentais, dirigir: “É meu dever como marido levar minha esposa onde ela precisar, preciso cuidar dela a todo momento, e deixá-la dirigir não seria bom da minha parte, pois não estaria a protegendo.”
(fiz este em dezembro de 2006, mas achei legal compartilhar com quem ainda tem muitas dúvidas sobre o Islã)
5 comments agosto 26, 2008



