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Pq precisamos brigar?

O Itaú estreou uma campanha nova na TV. A propagando mostra um menino judeu e um palestino vestindo a camisa da selação brasileira. O judeu chuta a bola sem querer em mercadorias do árabe, que devolve a bola.

A mensagem é bonita, achei de muito bom gosto. Mas a comunidade judaica já está preparando medidas judiciais dizendo que é anti-semita. Agora, me diga, porque não podemos nos imaginar todos amigos? Pq de preconceituosa a propagando não tem nada….

Criação de estados islâmicos

Vou tentar fazer um post rápido, mas denso sobre uma das questões mais interessante desse nosso mundo quando o assunto envolve muçulmanos e seus respectivos países de origem. Como muitos já ouviram falar, existem diversas nações ou repúblicas que se auto-denominam “islâmicas”, caso do Irã e da Arábia Saudita.

Em tese, isso significa que o determinado país pratica as leis da sharia, a lei islâmica. Mas vamos parar por aí. Quem já não ouviu falar de abusos de poder nestes países, perseguição à minorias e erros em condenação? Eu sei, em todos os países existem corruptos, juízes falhos e burocracia. Porém, quando se coloca a religião como reguladora disso tudo, fica complicado. E as pessoas não-muçulmanas não são condencentes ao examinar cada pessoa em si e seus erros humanos, mas rapidamente associam o credo a tais atos, o que na verdade é completamente falho.

Minha intenção não é aqui criticar a intenção do estado islâmico, mas sim a forma com que ele vem sendo divulgado e difundido, contribuindo mais ainda para a criação de esteriótipos do muçulmanos, estes sim que se tornam um minoria assustadora para quem não conhece a religião e seus fundamentos. As notícias falam por si, como proibição de burka na França e protestos na Suíça contra minaretes nas mesquitas. O problema é que, muçulmanos sem compreender o que de fato ocorre no nosso mundo globalizado, incendeiam mentes de jovens seja no ocidente como no oriente, com idéias de terrorismo, jihad armada e coisas que, de islâmicas, nada possuem. E aí pronto, o preconceito está lançado às massas.

Foto de encontro entre judeus com muçulmana, nos EUA. Diálogo entre credos pode ser mais fácil no futuro?Fonte: http://www.moishehouse.org

Acho que todos que tem um credo, como já disse em posts anteriores, sonham com uma sociedade com os mesmos preceitos de amor, misericórdia e respeito prescritos por seu credo, e eu como muçulmana não sou diferente. Porém, o mundo de hoje permitiria tal estado secular? Hoje é difícil se definir a religião de um estado, no Brasil são dezenas de credos, nos EUA mais um monte, até no Egito onde a população costumava ser 90% muçulmana, hopje já existem templos evangélicos no estilo dos brasileiro em busca de fiéis. Israel, que se denomina sionista, também não tem conseguido conter a onda migratória, principalmente de africanos. Ou seja, como criar um estado laico, onde existem tantas divergências de fé e em um mundo onde o pluralismo nacional só tende a aumentar?

Um artigo que li hoje me fez refletir tantas coisas que resolvi compartilhar com vocês. Mais uma vez, está postado no excelente Daily News Egypt.

O trecho que mais me tocou foi uma das frases de Mohamed Talbi, um escritor e intelectual tunisiano.  Ele clama que as sociedades muçulamnas abandonem o paradigma da criação de um estado islâmico, e ao invés disso, que lutem por uma Ummah global, uma comunidade gloval que compartilhe os mesmos valores de liberdade e justiça.  Para ele, o Islã tem entre seus conceitos as diferenças com unicidade, chamado de pluralismo. “Eu sou um átomo muçulmano com uma mólecula humana. Minha ummah é a humanidade, e eu não faço nenhuma distinção entre confissões, opiniões, cores ou raças, todos os que pertecem a raça humana são meus irmãos e irmãs.”

Bom, vale a pena ler o artigo completo abaixo no original ou na tradução paraguaia do Google aqui. E discutam, por favor, suas opiniões!

SEEK ISLAMIC SPIRIT, NOT STATE, SAY MUSLIM SCHOLARS

CASABLANCA: The Islamic state is a controversial issue in the West, as recent news confirms. Last October, an imam was killed and six men arrested by the FBI in Detroit for allegedly conspiring to establish an Islamic state in the United States. In the United Kingdom, government officials worry that extremist groups like Hizb-ut-Tahrir have infiltrated Muslim schools to propagate their vision of an Islamic state.

Public opinion in the West reflects the fear that radical Muslims are trying to impose their values on the rest of the world. But the nebulous term “Islamic state” is not merely a concern for the anxious Western world, it is actually a point of discord and contention within the Muslim world itself.

For many Muslim theologians, the Islamic state actually represents an obstacle to Islamic ethics and values. In Iran, pre-eminent scholar Abdulkarim Soroush, also a former political figure, emphasizes how difficult it is to sustain civil, political and religious rights in the current Islamic Republic of Iran. Even the new wing of the Muslim Brotherhood in Egypt believes that an Islamic state is not feasible in today’s world.

Increasingly, Muslim scholars across the world are calling for alternative systems that can foster an Islamic vision of society and simultaneously accommodate our increasingly pluralistic societies. They believe that pluralism and the universal democratization of human rights are at the heart of the Quran. There are diverse opinions about the nature, shape and purpose of an Islamic state, ranging from the conservative to the very progressive. However, Islamic states as we know them today have largely failed in creating political systems that respect such ideas.

As a result, Mohamed Talbi, a Tunisian writer and intellectual, calls on Muslim societies to abandon the Islamic state paradigm and instead strive for a global ummah, a global community that shares the core values of freedom and justice. To him, Islam is embodied in the concept of “differences within unity”, namely pluralism. He writes, “I am a Muslim atom within a human molecule. My ummah is humanity, and I do not make any distinction between confessions, opinions, color or race; all human beings are my brothers and sisters.” This time of globalization represents to him a rare opportunity to work towards this ideal.

Farid Esack is another Muslim scholar, from South Africa, who argues against an Islamic state in today’s world: if Islam’s message is to fight for oppressed communities, then Islamic states as we currently know them are anything but Islamic. He came to this conclusion as a result of his personal experiences — first, as a student in Pakistan when he witnessed the persecution of poor and marginalized non-Muslim communities and, later, as an activist in South Africa, when he experienced solidarity with people from all faiths against apartheid. A close ally of former South African president Nelson Mandela, Esack also proposes a different form of Islamic influence embodied in a global ummah that does not simply tolerate differences but also unites humankind beyond race and religion for a specific purpose: justice.

Esack believes that the ummah cannot be defined by kinship but by acts of faith: the real ummah is a united inter-religious struggle against oppression in all its forms.

Abdullahi Na’im, a Sudanese Muslim intellectual who had to flee Khartoum for following the open religious doctrine of Mahmoud Taha, a Sudanese theologian and political figure who advocated political and liberal religious reform, is convinced that an Islamic state is doomed to failure and that secularism–rooted in freedom of religion, ethics and morality, and rights and duties — is by far the best system for Muslims throughout the world. This form of secularism would have to be inclusive of different worldviews and could only be built through the dialogue and exchange of a global civil society.

The importance of the ummah over the Islamic state demonstrates a shift from the state — the political apparatus — to individuals and communities who become active agents responsible for implementing Islamic ideals in their pluralistic societies. This interesting proposition, rooted in an Islamic worldview, could be a more fluid and suitable framework for our globalized world.

Wrtitten by Isabelle Dana (isabelle.dana@gmail.com) is a professional in communications and media with a focus on Africa, the Middle East and Islamic studies. This article is part of a series on Islamic law and non-Muslim minorities written for the Common Ground News Service (CGNews).

Tempo de Natal – Quem é Jesus para os muçulmanos?

Quando você se lembra de Deus?

Quando a dor bate no peito ou quando o sol nasce brilhando?

Eu penso em Deus quando acordo e vejo que estou segura,

quando viro para o lado e vejo meu gato levando as orelhas com meu movimento,

quando movo meus braços e percebo que minhas mãos estão presas às dele.

Eu vejo Deus nas coisas mais simples, como o vento batendo em meu rosto,

na fumaça que sai da chaleira, no sorriso da minha mãe.

E Deus não cansa de mostrar sua presença, seja no bom alimento que tenho todos os dias ou no conforto de minha casa.

Mas Deus ainda faz mais. Ele se mostra no amor que recebo e no sentimento que guardo aqui dentro.

Deus dá mais do que eu talvez mereça, Deus nunca se esquece de mim.

Deus me dá o que preciso, mesmo quando não faço tudo direito ou quando não sou a melhor das pessoas.

Deus está comigo, mesmo quando estou triste ou não alcanço algo que desejo. Posso esmorecer, cair, mas é ele quem me levanta todas as vezes para se algo melhor do que antes.

Deus é confiança, é esperança, é vontade de viver.

Deus não tem forma, nem crença, nem raça. Deus é para todos, mesmo para os que não o querem.

Deus é o princípio de tudo, é absoluto. Jamais gerou ou foi gerado, e nada a ele é comparável.

***

Como é Natal, celebrado pelos cristãos como nascimento de Jesus, gostaria de compartilhar com vocês a história de Jesus sob o aspecto do Islã. Não vou discutir a informação nem comentá-la, apesar extrair uma parte do Alcorão para conhecimento de quem se interessar:

Mariam

19ª SURATA

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

  1. Caf, Ha, Yá, Ain, Sad.
  2. Eis o relato da misericórdia de teu Senhor para com o Seu servo, Zacarias.
  3. Ao invocar, intimamente,seu Senhor,
  4. Dizendo: Ó Senhor meu, os meus ossos estão debilitados, o meu cabelo embranqueceu; mas nunca fui desventurado em minhas súplicas a Ti, ó Senhor meu!
  5. Em verdade, temo pelo que farão os meus parentes, depois da minha morte, visto que minha mulher é estéril. Agracia-me, de tua parte, com um sucessor!
  6. Que represente a mim e à família de Jacó; e faze, ó meu Senhor, com que esse seja complacente!
  7. Ó Zacarias, alvissaramos-te o nascimento de uma criança, cujo nome será Yahia (João). Nunca denominamos, assim, ninguém antes dele.
  8. Disse (Zacarias): Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, uma vez que minha mulher é estéril e eu cheguei à senilidade?
  9. Respondeu-lhe: Assim será! Disse teu Senhor: Isso Me é fácil, visto que te criei antes mesmo de nada seres.
  10. Suplicou: Ó Senhor meu, faze-me um sinal!Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não poderás falar com ninguém durante três noites.
  11. Saiu do templo e, dirigindo-se ao seu povo, indicou-lhes, por sinais, que glorificassem Deus, de manhã e à tarde.
  12. (Foi dito): Ó Yahia, observa fervorosamente o Livro! E o agraciamos, na infância, com a sabedoria,
  13. assim como com as Nossas clemência e pureza, e foi devoto,
  14. e piedoso para com seus pais, e jamais foi arrogante ou rebelde.
  15. A paz esteve com ele desde o dia em que nasceu, no dia em que morreu e estará no dia em que foi ressuscitado.
  16. E menciona Maria, no Livro, a qual se separou de sua família, indo para um local que dava para o leste.
  17. E colocou uma cortina para ocultar-se dela (da família), e lhe enviamos o Nosso Espírito, que lhe apareceu personificado, como um homem perfeito.
  18. Disse-lhe ela: Guardo-me de ti no Clemente, se é que temes a Deus.
  19. Explicou-lhe: Sou tão-somente o mensageiro do teu Senhor, para agraciar-te com um filho imaculado.
  20. Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou e jamais deixei de ser casta?
  21. Disse-lhe: Assim será, porque teu Senhor disse: Isso Me é fácil! E faremos disso um sinal para os homens, e será uma prova de Nossa misericórdia. E foi uma ordem inexorável.
  22. E quando concebeu, retirou-se, com um rebento a um lugar afastado.
  23. As dores do parto a constrangeram a refugiar-se junto a uma tamareira. Disse: Oxalá eu tivesse morrido antes disto, ficando completamente esquecida.
  24. Porém, chamou-a uma voz, junto a ela: Não te atormentes, porque teu Senhor fez correr um riacho a teus pés!
  25. E sacode o tronco da tamareira, de onde cairão sobre ti tâmaras madura e frescas.
  26. Come, pois, bebe e consola-te; e se vires algum humano, faze-o saber que fizeste um voto de jejum ao Clemente, e que hoje não poderás falar com pessoa alguma.
  27. Regressou ao seu povo levando-o (o filho) nos braços. E lhes disseram: Ó Maria, eis que fizeste algo extraordinário!
  28. Ó irmão de Aarão,teu pai jamais foi um homem do mal, nem tua mãe uma (mulher) sem castidade!
  29. Então ela lhes indicou que interrogassem o menino. Disseram: Como falaremos a uma criança que ainda está no berço?
  30. Ele lhes disse: Sou o servo de Deus, o Qual me concedeu o Livro e me designou como profeta.
  31. Fez-me abençoado, onde quer que eu esteja, e me encomendou a oração e (a paga do) zakat enquanto eu viver.
  32. E me fez piedoso para com a minha mãe, não permitindo que eu seja arrogante ou rebelde.
  33. A paz está comigo, desde o dia em que nasci; estará comigo no dia em que eu morrer, bem como no dia em que eu for ressuscitado.
  34. Este é Jesus, filho de Maria; é a pura verdade, da qual duvidam.
  35. É inadmissível que Deus tenha tido um filho. Glorificado seja! quando decide uma coisa, basta-lhe dizer: Seja!, e é.
  36. E Deus é o meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois! Esta é a senda reta.

E na versão original com legendas em inglês, acho um relato emocionante:

Masha Allah (jóia típica de países islâmicos)

Sabe aquela história que as árabes adoram ouro? Bom, é verdade! As egípcias, que são as que conheço mais de perto, por motivos óbvios, vivem exibindo seus presentes, geralmente recebidos quando ficam noivas. A maioria até mesmo estipula um valor de ouro a ser dado como dote, que o noivo precisar presenteá-la durante a festa de noivado (leia mais sobre isso aqui e aqui).

Mas o post de hoje é sobre o formato das jóias de muitas muçulmanas. No Brasil não é comum vermos as moças com uma cruz de ouro, que representa sua fé? Pois então, no Egito é muito comum o “masha Allah”, geralmente a palavra Allah – que significa Deus, em árabe – estilizada ou gravada no ouro. Vi muitas noivas ganhando colares com placas enormes e o nome de Deus escrito.

Usar ouro é bem comum no Egito, seja na rua e até mesmo no transporte público. O país é bem seguro e mesmo em grandes cidades, são muito raros os carros de roubos. Latrocínio então, acho que desde que estou envolvida nesse mundo, nunca ouvi que tenha acontecido por lá. É bacana estar num lugar onde a gente pode ter coisas bonitas e andar sem medo.

Os homens não usam ouro, pois no Islã este metal é apenas para mulheres. No entanto, é comum que bebês de ambos os sexos sejam ornamentados com presentes de ouro e “masha Allah’s” pequenos, às vezes presos em correntes ou alfinetes. As avós adoram comprar este tipo de coisa, é uma tradição. Neste site aqui e neste aqui eles vendem algumas destas jóias, só para ter uma idéia de formas e estilos.

Eu tenho um masha Allah, mas ao contrário das egípcias queria algo o mais leve e discreto possível, ainda mais para andar em São Paulo.  E minha sogra trouxe do Egito para mim, com as letras em estilo moderno:

Esse é meu masha allah, que ganhei da sogra neste ramadan :-)

ps. Quem tem interesse neste tipo de jóia pode falar com a Tete, pois ela faz encomendas para o Brasil. Além disso, o ouro no Egito costuma ser mais barato!

Intolerância pra quê?

Estou começando a ficar cansada desses ataques… o que eu escrevo é para desmistificar as coisas, explicar, dividir conhecimento. E cada vez mais me aparece gente com sede de aniquilação, como se a religião de alguém fosse motivo suficiente pra querer matar ou odiar.

Sei lá, lendo este tipo de coisa, só posso pensar que nós humanos não conseguimos evoluir em nada nessas centenas de anos que existimos e me dá certa angústia ao perceber que o final da ignorância está longe de acabar. Estamos fadados  a nos extinguir sem nos darmos bem?

Só posso terminar esse domingo com uma frase melancólica que meu colega twitteiro @claudimartins me enviou outro dia:

Não há religião que vença a burrice!

Hajj

Vejam esta imagem fantástica de hoje publicada no UOL sobre o HAJJ. Para entender mais clique nela que você seguirá direto para uma animação muito bacana que explica todos os passos da peregrinação a Makkah.

Feliz Eid!!


Devemos defender uma causa de que forma? (Islã x política)

Por mais que a gente tente separar religião de política, quando se trata de muçulmanos tudo ganha outra cara. Já cansei de espernear quando mostram alguma notícia de um muçulmano cometendo um crime e colocam quase que sublinhado o fato de que ele seguia a religião. Como sabemos, não fazem isso com outras religiões, tipo se o cara é cristão e mata 10, que se dane. Se era muçulmano, é terrorista e mata por Allah e, por consequência, todos os muçulmanos do mundo devem ver isso como normal. Certo? Às vezes. (Pensou que eu ia falar que tava errado, né? :-d )

Vou explicar melhor. Eu sempre fico defendendo em mil fóruns os muçulmanos, quando fazem piadas chamando a gente de terroristas, extremistas, etc. Ou sempre usam aqueles exemplos de mulher de burca, homem que  bate em mulher, que a gente não bebe nada alcóolico e, por essas e outras, não faz nada de interessante na vida. Eu vou lá e bato na tecla que muçulmano não é Talebã, que eles não são exemplos perfeito de sharia e nenhuma nação do mundo pratica uma verdadeira ideologia islâmica. Fico lá me exaltando, explicando mil coisas, como as mulheres são sim valorizadas no Alcorão, como eu muçulmana me sinto mil vezes mais confortável e feliz sendo muçulmana do que antes.

Todo mundo que segue uma fé sonha, mesmo que escondido, que mais pessoas tenham a mesma visão de mundo e compartilhem as mesmas idéias. Um cristão quer mais cristãos, um espírita quer que mais gente acredite em Kardek e um muçulmano, por sua vez, acredita de coração que o Islã é o caminho da verdade e espera que mais pessoas se convertam e compartilhem sua fé. Até aí, isso é natural do ser humano, desde que não haja imposição ou algo à força, é um desejo. Mas isso não nos dá o direito de julgar ou maltratar quem segue outra crença. Ou de falar como se os outros fossem ignorantes e achar que sua missão é trazer alguém pra sua religião (hello cristãos que vivem vindo aqui me avisando que Jesus vai me mandar pro inferno pq o reneguei).

Acho que a expansão de cada credo parte da sua real fé e prática daquilo, não de algo que precisa ser gritado por aí. Eu creio no Islã e na sua moral, por isso acredito que qualquer pessoa que realmente conheça a religião e veja bons exemplos na nossa comunidade, vai se encantar por ela também. Assim deve pensar um católico, por exemplo. Como eu disse, cada um enxerga do seu ângulo o que é o certo.

Pois bem, voltando ao assunto original deste post, os muçulmanos, na minha opinião, são um dos povos mais perseguidos da atualidade. Sim, não estamos em campos de concentração, mas reflita bem sobre as notícias que você lê, os artigos, as guerras travadas nos últimos anos e a forma como são explorados do ponto de vista cultural. São sempre tratados como ignorantes, como se as mulheres não tivessem desejos ou vontade de se educar, como se colocar um véu fosse atestado de burrice. Nunca vi alguém falando daquele chapéu que os judeus usam aqui em higienópolis, ou mesmo das saias longas e blusas comportadas de suas esposas. Quando se trata de muçulmanos, muito do noticiário tende para uma acusação de atraso e falta de visão de mundo.

Não importa se você nasceu no Afeganistão, no Egito ou é convertida como eu. São todos farinha do mesmo saco, aceitam as mesmas coisas “horrendas” de morte por Allah e abusos contra crianças e inocentes (disseminados por best sellers do Khaled Khosseini e literatura barata como Sultana). Existe uma ignorância acerca dos conceitos tremenda e um preconceito latente em tudo relacionado a nós. Se um judeu não como porco, ai que lindo segue a tradição. Se um muçulmano não come, que costume idiota, como são bobos né? Fazem mil reportagens sobre o Natal, histórias de personagens desta época e consumo. Já vi muitas matérias na Globo sobre os feriados judaicos, onde visitam famílias aqui e mostram seus costumes. Não vi nada parecido sobre o ramadã islâmico, apesar de nossa comunidade ser mais ou menos do tamanho da judaica. Se alguém viu me corrija, por favor.

Tudo bem que o Brasil não é um país islâmico, mas vocês viram ou não viram várias fotos em grandes sites essa semana sobre o Hajj? A legenda deveria ser um monte de interrogação. Porque mostram a foto, mas não fazem idéia de nada do que representa isso e sempre usam algum outro pretexto para citar o ocorrido (o atual é a gripe suína). O Hajj só está no jornal brasileiro porque as pessoas daqui estão com medo desse bilhão de pessoas e do que eles fazem. Mas não há nada explicando, se aprofundando.

Aí agora, quando vêm o presidente do Irã, novamente começam com aquela corda toda de que ele nega o holocausto, que o regime ISLÂMICOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO (preciso frisar mais?) do país dele é totalitarista, tira a liberdade e tudo mais que vocês já ouviram. E o que os muçulmanos brasileiros fazem? Apóiam o Irã. Sim, acham que ele pode defender Palestina, que por ser um lugar onde toda mulher usa hijab é melhor do que o resto do ocidente. Que se dane que seja uma ditadura, que pessoas morram, que a sharia seja mal aplicada. Mas se é muçulmano, defendem como se fosse certo e se ofendem quando falam mal. Não vou ser hipócrita, acho ridículo os protestos de judeus contra a vinda dele aqui e a repecurssão dada a isso na mídia, fora as análises políticas erradas sobre o fato. O cara nega que exista gay no país dele, enquanto basta uma procurada no Youtube que vcs vão achar vários documentários sobre travestis lá ( O Irã dá/obriga operações de mudança de sexo gratuita para os gays. Ou seja, cortam os órgãos e mudam os documentos dessas pessoas, então deixam de ser homens e viram mulheres no papel). Se ele nega o holocausto, é mais uma furada de um ditador que não sabe fazer discurso. Claro e simples.

Mas tão ridículo quanto as polêmcias de Ahmedinejad, foi a atuação de nossa mídia na guerra de Israel no começo desse ano. Ninguém ficou bravinho quando Israel jogou bomba de fósforo nos palestinos e ninguém falou nada aqui. Afinal, muçulmano e pobre ainda por cima, tem que morrer mesmo, devem pensar.

Mas falhamos ao acreditar que defender um cara desses, só porque  é muçulmano, é válido devido aos revezes que vivemos tendo no campo político e cultural. Muçulmanos que defendem o Hamas, o Hezbollah e coisas do tipo, ou pior, que acham que a mídia só distorce o Talebã e que, na verdade, eles são uns anjos que salvaram o Afeganistão. Eu acho que uma pessoa com o mínimo de conhecimento entente que o Afeganistão foi anexado pela URSS e foi sim o Talebã – patrocinado pelo tio Sam – que conseguiu libertar o país novamente, com uma ideologia baseada em bons princípios religiosos mas que se perderem no meio do dinheiro e disputas políticas. Assim como no Irã, a revolução islâmica foi instaurada como busca pela liberdade e encontro com o verdadeiro Deus, após uma ditadura. Mas como diz o ditado, o inferno está cheio de boas intenções. Os humanos, sejam eles muçulmanos ou de qualquer povo, não são perfeitos e abusam do poder, manipulam e falam em nome de Deus para encher os bolsos.

Nós como muçulmanos fora deste eixo, não entendemos exatamente as necessidades de cada povo e os porquês da aceitação por certos ditadores. Mas não podemos nos calar e simplesmente apoiar certos regimes somente porque eles seguem a mesma religião. E enquanto não mudarmos nossa postura religiosa e de comunicação, mais preconceitos iremos enfrentar a cada dia.  Não é porque alguém é palestino que ele tem o direito de atirar uma bomba numa escola judaica. Eu, como muçulmana, sou incapaz de defender tal ato baseada no Alcorão. Quem o faz, sinto muito, mas está sendo tão distorsivo como um inquisidor da Idade Média.

Precisamos limpar nossos conceitos e nossos argumentos. Já está claro que defender nossos direitos baseados na intolerância de outros não dá certo. Existem mesquitas sendo construídas em diversos países do ocidente, aqui no Brasil mesmo. Mas sabemos o que aconteceria se um cristão decidisse abrir um templo num país islâmico. O que nos dá o direito de matarmos um missionário lá, mas depois gritarmos porque fomos humilhados por aqui? Como podemos nos achar no direito de usar o véu, de termos nossas mesquitas, se ao recebermos um estrangeiro, o tratamos como inferior ou algo a ser aniquilado de nossa vista? O mundo está mais globalizado do que nunca, e se não soubermos lidar com esse fato, nossa voz como povo e seguidores de uma fé, será cada vez mais fraca.

P/ quem quer conhecer um pouco mais do Islã

O blog também tem agenda! ehehe

Gente, para quem tem interesse em conhecer um pouco da religião islâmica, o que os muçulmanos pensam, como são e como agem, duas oportunidades boas, uma em SP e outra no Ceará:

 

Eu também falo da menina da Uniban

Sei que pedi várias sugestões no post anterior e vou tentar atendê-las o mais rápido possível. Mas tem coisas que vão acontecendo no dia a dia e martelam na nossa cabeça, e sempre que paro aqui para escrever algo, são elas que despontam logo no meu pensamento.

Semana passada foi uma semana bem ruim, acho que é normal ficar de baixo astral e toda vez que estou de TPM é normal isso acontecer comigo. Os fatos que antes era chatos mas eu deixava passar batido, quando estou assim sensível viram o maior problema que fica martelando na minha mente. Mais uma vez passo a me preocupar com coisas que nem são da minha alçada, e outros problemas que me atingem diretamente ganham uma proporção ainda maior.

Uma dessas coisas que me encheu o saco semana passada foi essa história da menina da Uniban. Eu não vou julgar a roupa dela, a atitude nem nada. Não a conheço, não sei se ela fez algo provocativo, sei de muita mulher que gosta mesmo de causar e abaixa o nível quando pode, e a atitude dos colegas só mostrou que o ambiente daquele faculdade deve ser o mais deploráve possível. Até porque, me poupem, duvido que aqueles rapazes sejam a favor de moral ou qualquer coisa. Não estou entrando no meu discurso ideológico e religioso do que acho certo, pois minha religião só diz direito a mim e não posso obrigar outros e nem julgá-los pelas crenças que eu tenho.

Mas o que me incomoda em tudo isso? O fato de que os brasileiros, tão afeitos à liberdade, não sabem usá-la com cuidado e dignidade. Pedem uma revolução do vestinho cor de rosa, e misturam coisas que não tem nada a ver com isso, como comportamentos islâmicos. Quantas piadinhas sem graça não vi comparando a Uniban com talebã, falando de burca e Irã, além de outras coisas a mais envolvendo o islamismo com essa história?

Sei que os talebãs dão motivos suficientes para todo mundo fazer piadas com eles e os muçulmanos ajudam isso ainda ao dizer que eles lutam por Deus e que ninguém sabe o que acontece no Afeganistão de verdade. Uma coisa é defender o Islã e a criação de nações islâmicas, outras é tapar o sol com a peneira só pra não dar motivo de falarem mal da religião. Mas para mim, uma coisa não tem relação com a outra, temos sim que punir e condenar os muçulmanos que agem errado em nome da fé, para que o preconceito contra nós diminua e a religião se expanda de forma verdadeira. Eu nunca serei capaz de defender que mulheres não estudem, que todos devem se vestir de certa forma mesmo contra a vontade ou que casamentos forçados são naturais. Muitas decisões devem ser de fé e coração de cada um, não por imposição.

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Outra coisa que me chateia é algo meio corriqueiro para todos: o mundo corporativo. Sei que quem espera um mundo ideal morre de ideologia e pobre, mas não custa querermos que o ambiente de trabalho e nossas relações corporativas sejam um pouco mais claras e sinceras para todo mundo sair ganhando?

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Eu tinha escrito esse post antes e guardei, porque agora sempre que estou chateada com algo seguro e leio quando não estiver mais assim para ver se quero mesmo falar tudo que pensei. E pronto, passou. Apaguei metade do post e só deixei as coisas mais ligh ahahahaha Minha TPM passou já, ufaaa….

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E vamos as coisas boas da semana: comi sushi sábado e me esbaldei no salmão, mesmo assim emagreci essa semana :-D

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Continuo na minha dieta, não estou falando dela porque quanto mais eu falo, menos eu faço. Então agora estou indo tranquila, num ritmo que meu corpo e cabeça aceitam.

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É bom comemorar porque só falta quase um mês para eu tirar uns dias de férias de novo, e desta vez com meu maridão :D que vai ter as primeiras férias dele no Brasil! Alguém tem sugestão de lugar BBB – bom, bonito e barato – perto de SP?

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Mostafa anda ocupado todas as noites com as aulas e achei uma coisa inútil (mas legal) para passar meu tempo quando não estou ocupada. É algo que já tive antes, de criança mesmo, confesso, cheguei a ficar viciada uma vez e parei: Neopets. Agora só entro para ver os joguinhos e de noite, nada de exagero ehehe :d Melhor que a fazenda do Facebook!!! Se alguém tiver me procura lá, meu nome é tito_balooza (em homenagem ao meu gato) Se você não tem conta e quer fazer, usa esse link aqui para se inscrever, que assim eu ganho pontos também! ahaha (ops, já estou ficando viciada nos pontos de novo rolleyes ) Já aviso que não é muito fácil de entender, mas é tipo um tamagoshi mil vezes melhorado, você cria um pet, mas tem um mundo para explorar, rolam uns desafios, coisa de nerd, geek mesmo :-p

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Mostafa anda cometendo umas gafes engraçadas no português. Ele tinha parado com isso, mas volta e meia ele vem com umas:

- Eu te ligo aqui da pouco.

- Ah, quero ir no cabeleireiro. Vou rasgar minha cabeça.

:D

Das coisas que o Islã é perfeito

Muita gente me pergunta porque me converti, como foi e como consegui mudar tantas coisas e tantos hábitos. Primeiro, porque se converter tem que vir do coração e de fé, não pode ser por uma pessoa. Se você tem um noivo/marido muçulmano e pensa em mudar de religião, pergunte primeiro a si mesma: ” Se ele me deixar, eu vou continuar seguindo o Islam?”

Tem gente que envia e-mails para mim dizendo que A-D-O-R-A o Islam e quer ser muçulmana, mas na hora que conversa comigo e falo das coisas básicas, como se abdicar de muitas coisas do mundo ocidental, muda de assunto. Eu não estou aqui para julgar ninguém e muito menos ficar pregando a religião, mas se você me pergunta, eu terei de ser sincera.

Umas das coisas mais difíceis para quem leva uma vida de brasileira é:

- parar de consumir bebida alcóolica

- parar de consumir carne de porco

- não frequentar lugares como baladas e bares  (sim, sua vida social vai mudar bastante)

- não namorar (se tem um namorado, prepare o casamento, fale de coisas do cotidiano e da vida para se conhecerem, mas nada de outras ‘coisitchas’ íntimas, se é que me entendem)

- mudar suas roupas. Não precisa começar com abaya e hijab, faça as coisas lentamente se para você é difícil. Mas comece eliminando peças que mostrem suas pernas e curvas do corpo, além de decotes ou blusas de alça. Depois você pode passar em qualquer loja da Hering e fazer um estoque de blusas de algodão de manga comprida. Bote por baixo de batas de manga curta ou vestidos, use sempre calça ou saia comprida. Assim você vai mudando aos poucos e se acostumando.

Tudo isso que eu falei acima faz parte do Islã, mas não basta apenas fazer isso para se dizer muçulmana. Aí é que vem a mudança de atitudes, a vontade de estudar e aprender, a gana por fazer orações e aprender a Sunnah. O Islam é um código de vida e você tem de estar disposto a mergulhar nesse mundo por completo. Não adianta pegar uma parte que acha bonito e seguir, e deletar o resto mais complicado. Mesmo se você não consegue ser perfeita – ninguém é – tenha consciência do que está errado e peça a Deus para melhorar. Talvez você não vai poder usar hijab todos os dias, como eu, mas tenha consciência de que é uma obrigação que você está deixando de lado.

Bom, estou falando de tudo isso porque diariamente vejo coisas que antes não enxergava. Até mesmo no aprendizado do Islã em alguns momentos você questiona, “mas será que precisa de tudo isso?”. E um dia a resposta vem. “Sim, precisa disso tudo sim!”. Toda vez que eu tinha alguma dúvida e a explicação não entrava na minha cabeça, meu marido dizia. “Estude mais, aceite e siga. Um dia você vai entender, com certeza, as razões.” E isso sempre aconteceu.

Uma das coisas mais claras pra mim é a bebida alcóolica. Tá, tem gente que sabe tomar uma taça de vinho e um copo de caipirinha e parar. Mas a maioria não sabe não. E quem disse que a próxima vez não será você que não saberá seus limites? O humano é fraco e “se sabota” o tempo todo.

Ontem minha mãe voltava de viagem de Minas. Cidade pequena em que sempre passei as férias desde pequena. Clima bucólico, montanhas verdes de paisagem, pouco investimento social. Ou seja, juventudo entediada e que só sabe se divertir com festas em casa regadas a muito – mas muito mesmo – álcool. Não sei quantos dos amiguinhos do passado, hoje adultos, já se envolveram em acidentes de trânsito. Como a cidade é pequena, eles correm com os carros na estrada do lado e pelas fazendas a mil. Direto alguém bate. No telefone com minha mãe, ela contou que domingo  mais um morreu, no trevo da cidade. 31 anos. E quantas vezes não vi jovens como ele, dizendo que não “tinha nada não” beber tanto e dirigir?

E os outros jovens de lá, que não sabem sentar no banco da praça e conversar. Não, tem sempre que ter muita bebida, música no porta mala do carro no último volume e papo sobre “ficantes”. Tantas pessoas boas e educadas que conheço, perdidas nesse ciclo de vida, sonhando com as festas de carnaval e os rodeios. Acham aquilo o máximo. Com minha idade, não sabem ser felizes sem sair pulando de roupas curtas e ficando bêbadas todo final de semana.

O Islam é assim, corta o mal pela raíz. Tudo que faz mal ao homem não é permitido, pois ninguém sabe até onde vai seu controle e quando pode cometer um deslize. Isso não signifca que você não vai mais errar, como já disse ninguém é perfeito, porém estará consciente do que seus atos podem lhe causar de mal, pois o Islam ensina tudo isso e tudo o que é melhor para sua vida, desde a forma de orar, como se alimentar, como dormir, como receber visitas, etc.

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O post ficou meio triste no fim, eu sei, mas tem tanta coisa que vejo no mundo atual e, como muçulmana, é difícil ficar calada. Tanta coisa parece tão óbvia, está tão à vista de todos! Tem dia que fico assim, com a voz entalada na gargante, com vontade de sair dizendo a todos que descobri o caminho certo e tenho milhares de exemplos…

Mas depois paro e descubro que isso é totalmente pessoal e intransferível. Cada um tem sua fé, seu momento de descoberta e seu modo de ver Deus.

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