Posts Taggedmuçulmanos

Os “foras” da mídia

Legenda da imagem no site do IG: Ativistas comemoram libertação no ônibus que os levou para a Jordânia (foto da AFP)

***

É complicado botar um jornalista dentro da uma redação para fazer legenda sobre algo que ele não tem a mínima noção, né? Para quem não sabe, levantar o dedo indicador assim é o mesmo que dizer “La ilaha illa Allah” – Creio somente em um Deus e adoro somente a Ele, a profissão de fé de todos os muçulmanos.

Ou seja, eles naõ estão fazendo a nº1 da 51 nem dançando marchinha de carnaval, não estão celebrando, mas dizendo sua profissão de fé.

****

Sobre o que aconteceu em Israel, não vou nem discutir, pois isso levaria mil posts e até eu ter tempo para isso já passou o calor do momento. Só posso comemorar que o Egito finalmente abriu a fronteira de Raffah, mas creio que isso será algo só temporário, pois não acho que o Hamas vai deixar isso quieto e se fizerem algo o Egito não vai apoiar.

Mas só pra deixar uma polêmica, minha opinião se eu fosse a dona do mundo: criaria dois estados, um de Israel e outro Palestino – com terras de Israel, não de vizinhos árabes. Enquanto um não aceitar a existência do outro, vai continuar a mesma briga lá. Às vezes nas relações internacionais, temos que defender o que não achamos justo, apenas na busca de um bem maior.

2 comments junho 2, 2010

Muçulmano não é bicho de sete cabeças

A gente acorda com cara amassada.

A gente escova os dentes.

A gente come o mesmo que você (tirando porco, claro).

A gente ama, sofre, ri e chora.

A gente não morde nem é chato, aliás, somos tão normais quanto qualquer pessoa.

Na maior parte dos casos, a gente passa despercebido em qualquer lugar, porque não tem nada que nos diferencie dos demais, a não ser que seja uma mulher que use o véu (o que não é meu caso).

A gente trabalha, estuda, vive e batalha.

****

Mesmo com tudo isso, o pessoal ainda sempre se assusta quando descobre que sou muçulmana. Quando falo que meu marido é do Egito, claro que isso vai envolver perguntas sobre cultura, e a gente acaba chegando no Islã.

E geralmente as pessoas me fazem uma pergunta pouco comum para quem é “normal”: Qual sua religião? E eu respondo sem problemas. Claro que dá um sustinho (será que se não fosse por minha história, eu não faria o mesmo?), mas acho que me conhecendo por uns dias todo mundo vê que sou do bem e não uma “talebã” :-D  ( Aliás, não custa repetir para quem está conhecendo o blog agora: Talebã não tem nada de islâmico).

ps. gente, não posso mais mexer no blog todo dia. Minha vida mudou pra valer agora, então vou tentar postar pelo menos uma vez por semana, mas não será com a frequência de antes! OBRIGADA A TODOS QUE ESTÃO SEMPRE POR AQUI!

15 comments maio 19, 2010

Correria danada

O blog tá meio parado desde semana passada… resultado de muitas coisas acontecendo na minha vida real, fora da internet hehehe
É engraçado como às vezes sinto que vivo num mundo paralelo aqui com vocês, ao mesmo tempo que tenho zilhões de coisas diferentes para fazer no meu dia a dia, desde fazer a janta, dar carinho pro meus gatos, passear com o marido ou escrever um texto técnico. Tem horas que dá pane no sistema e não consigo dar conta de tudo, então blog tá meio abandonadinho, mas não pensem que sumi de vez…

Para compensar, vou fazer inveja: falta só esta semana para minhas férias!!!!!!

Como aqui não tem nada de útil neste post, vejam algumas notícias bacanas sobre Egito que saiu na mídia estes dias:

Relação do Mercosul com o Egito pode aumentar – http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/04/14/egito-assinara-acordo-com-mercosul-ainda-este-ano-916334009.asp

ElBaradei continua causando no Egito, será que ele vai vencer a ditadura? – http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/04/02/el-baradei-desafia-autoridades-do-egito-com-discurso-publico-916241199.asp

Human Rights Watch, uma das ONGS mais importantes do mundo sobre os direitos humanos, lançou nota contra os países que pregam contra o uso do véu islâmico pelas muçulmanas – http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5g6MqXfsRA8bpxxdgWYpSk5JsBRMw

3 comments abril 26, 2010

Zelar pelos nossos sonhos

O post abaixo infelizmente teve de ser alterado e está com senha agora, provavelmente será excluído. Isso porque apesar dos comentários legais que recebi, algumas pessoas se aproveitaram dele para liberar preconceitos, ameaças e falar contra a honra da pessoa que contou sua história.

Acho que isso é um exemplo válido para entender como esse tipo de história gera os mais diversos sentimentos, nunca calmos e seremos como se fosse numa relação normal. Aos amigos, lembro bem, quando falei que conhecia alguém do Egito, me acostumei a cara de espanto e o olhar dizendo “como vc é babaca”. Fingia que não via, que não sentia o desprezo das pessoas.

Ao notar isso logo nas primeiras vezes que mencionei essa minha “loucura”, acabei por tentar esconder um pouco dos detalhes da minha história. Não dizia muito quando ia, como ia, detalhes básicos sobre ele e a família dele. Muita gente tem preconceito. ABSURDOS, gente que eu achava super inteligente, respeitável, veio com os maiores papos furados da minha vida. Era algo descarado, dito na cara e com frieza.

Eu fiquei bem magoada com alguns comentários, mas graças a Deus notei isso antes de que algum mal maior pudesse ser feito contra mim e acabei me protegendo, guardando meus sentimentos dentro de mim apenas. E acabou sendo mais fácil, pois não precisei dar mais mil explicações…

Então gente, este recado é pra quem pensa em fazer uma “loucura” destas, amar longe, viajar ou casar com alguém de outra cultura, principalmente se for muçulmano. Zele pelo seu amor, preserve-o, não se exponha para qualquer pessoa, tenha perto de si um círculo de pessoas com a mesma paixão por aventuras e corajosas, ou você vai ouvir muitas coisas ruins.

Acho que tudo na vida vem como uma lição, claro que muitos falam e dizem “que estão avisando para seu bem”, mas ninguém que vai casar com um brasileiro, por exemplo, ouve o tipo de barbaridade que eu ouvi. A pessoa ser ruim ou má, não depende da raça, religião nem cor, mas de caráter…. e a gente sabe dos inúmeros casamentos falidos no Brasil, homens violentos e machistas… porque só falar dos árabes? Por que não os conhecem verdadeiramente…

ps. Não estou dizendo para ninguém embarcar nesse tipo de relação sem pensar ou ser racional. Tem muito cara sacana sim pela internet e em tudo quanto é país. Mas quem tem amor de verdade, como já foi muito explicado neste blog como é o casamento no Egito (veja na coluna do lado alguns destes posts),  quem conhece bem a cultura corre menos riscos… e se não der certo, é a vida!! Casamentos dão errado e certo, isso faz parte da natureza humana, q de exata não tem nada!

18 comments abril 16, 2010

Protegido: Amor na Jordânia

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Digite sua senha para ver os comentários. abril 14, 2010

Mulher de niqab é poeta em programa de TV

Achei muito legal esta história que saiu na mídia brasileira aqui: http://televisao.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2010/04/09/poeta-ganha-us-14-milhao-em-reality-show-arabe.jhtm

Ela é uma saudita, muçulmana que usa niqab, aquela roupa petra que a cobre da cabeça aos pés, e participou de um concurso de poesias dos Emirados. Gosto destes exemplos pois as pessoas tendem a achar que não pode ser normal uma mulher ser toda coberta, que ela não pode ter uma vida feliz e com atitude e, quem sabe, até fazer arte como esta mulher.  O nome dela é Hissa Hilal.

E, para chocar mais, ela fez poesias justamente contra os radicais islâmicos!! E não, ela não tá usando essa roupa porque ela quer, mas por opção e por Deus, será que com esse tipo de notícia o mundo vai passar a entender melhor o que é a roupa da mulher muçulmana, que não tem nada a ver com radicalismo?

Em inglês, mais dados interessantes sobre  ela e sua poesia, que fez com que ela ganhasse admiradores em todo mundo islâmico e também algumas ameaças de morte de extremistas:

http://www.huffingtonpost.com/2010/03/22/hissa-hilal-saudi-woman-b_n_508778.html

http://news.yahoo.com/s/ap/20100322/ap_on_re_mi_ea/ml_gulf_poetry_of_protest

2 comments abril 12, 2010

Por que meu véu te agride tanto?

Eu ainda me surpreendo com a capacidade humanda de olhar apenas para seu umbigo e não entender o que vai além de sua própria vida. Recebi hoje o pedido de apoio para um protesto contra o uso do véu obrigatório no Irã, como algo para o Dia das Mulheres. Tá, eu entendo até que o Irã e alguns países islâmicos tem certa dificuldade de ver uma mulher ocidental e acharem aquilo demais. Assim como no Brasil, eles botam propagando com a Paris Hilton e acham abusivo (mesmo tendo propagando de lingerie bem pior da Riachuelo agora no ar). Mas, peraí?

Você sabe o que é o véu? Quantas mulheres estão oprimidas porque tem um pano na cabeça? E aqui, quantas são oprimidas por terem de ter um corpo sarado, ou pagar tratamento pra celulite? A opressão tem várias vertentes, várias cores e formas. Então, não me venha falar da opressão do outro, sem entender o mundo em que vive e sem antes consertar os próprios problemas da nossa sociedade.

Eu vejo todos os dias na TV notícias de crimes passionais – lembram da cabeleireira morta com 9 tiros na frente dos clientes mês passada? – e estupros de mulheres e meninas. Isso, sinto muito, é raro em países islâmicos. Sim, acontece também, afinal tem gente ruim em qualquer lugar, mas se lá acontece, os caras são presos e condenados a morte. Então, antes de querer vir dar lição de alguma moral (inexistente), vamos lutar por uma justiça mais rígida no Brasil, que as mulheres possam sim andar em paz por aqui e sem medo de serem estupradas ou assassinadas por seus companheiros.

Entedam a cultura alheia, a importância do véu para algumas sociedades, e não achem que decote é a salvação da mulher, porque está no BRASIL a maior prova de que não é. Então, foquem nos problemas, não nas polêmicas vazias que alguém falou na orelha de vocês.  E deixem o véu em paz, porque dói tanto ver uma mulher de véu, mesmo que ela esteja feliz, sorrindo e totalmente satisfeita com ela mesma? Por que eu não posso usar véu no Brasil?? Por que eu não pude andar com minha sogra em paz sem ouvir BABACAS falando are baba, ou mulher do Bin Laden e tal? É esse o exemplo de LIBERDADE brasileiro que vocês querem dar para o Irã?

Tem horas que o contrasenso é tão absurdo que não consigo me calar….

Algumas coisas pelas quais as brasileiras deveriam protestar (leia mais sobre mulher no Islã aqui):

A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil.

Segundo pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde) publicada em 2005, 23% das mulheres entrevistas na Grande São Paulo afirmam ter sido influenciadas pela violência contra a mulher, direta ou indiretamente, pelo menos uma vez durante suas vidas.

Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia (IVW, ligada ao governo da Holanda e à ONU), que pesquisou a violência doméstica com 138 mil mulheres, de 54 países, o Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica: 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas a este tipo de violência.

Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional.

De acordo com o Conselho da Europa (integrante do sistema europeu de proteção aos direitos humanos), a violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos de idade e mata mais do que câncer e acidentes de tráfego.

Nos Estados Unidos, as mulheres representaram 85% das vítimas de violência doméstica em 1999, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com a Linha de Atendimento Nacional de Violência Doméstica, quatro milhões de mulheres americanas experimentaram um ataque violento sério, de seus parceiros em um período médio de 12 meses. Na média, mais de três mulheres são assassinadas por seus maridos e namorados todos os dias, isto é, aproximadamente 5.500 mulheres são espancadas até a morte desde 11 de setembro.

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos.

A Anistia Internacional afirma que esses números representam apenas “a ponta do iceberg” já que a violência contra a mulher geralmente não é reportada, pois as vítimas se sentem envergonhadas ou sentem medo.

Fenômeno universal que atinge indistintamente mulheres de todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas.

Produz conseqüências emocionais devastadoras, muitas vezes irreparáveis, e impactos graves sobre a saúde sexual e reprodutiva da mulher.

Entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST. A cada 4 minutos, uma mulher é agredida em seu próprio lar por uma pessoa com quem mantém relação de afeto.

70% dos incidentes acontecem dentro de casa, sendo que o agressor é o próprio marido ou companheiro.

Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos.

Fonte: Violência contra a Mulher

E para terminar, deixo um mensagem:

What goes through your mind?
As you sit there looking at me
Well I can tell from your looks
That you think I’m so oppressed
But I don’t need for you to liberate me

My head is not bare
And you can’t see my covered hair
So you sit there and you stare
And you judge me with your glare
You’re sure I’m in despair
But are you not aware
Under this scarf that I wear
I have feelings, and I do care

CHORUS:
So don’t you see?
That I’m truly free
This piece of scarf on me
I wear so proudly
To preserve my dignity…

My modesty
My integrity
So don’t judge me
Open your eyes and see…
“Why can’t you just accept me?” she says
“Why can’t I just be me?” she says
Time and time again
You speak of democracy
Yet you rob me of my liberty
And all I want is equality
Why can’t you just let me be free?

For you I sing this song
My sister, may you always be strong
From you I’ve learnt so much
How you suffer so much
Yet you forgive those who laugh at you
You walk with no fear
Through the insults you hear
Your wish so sincere
That they’d understand you
But before you walk away
This time you turn and say:

But don’t you see?
That I’m truly free
This piece of scarf on me
I wear so proudly
To preserve my dignity
My modesty
My integrity
So let me be
She says with a smile
I’m the one who’s free

** Música de Sami Yusuf

28 comments março 5, 2010

A mídia brasileira ainda não se abriu para o Islã

Sei que é difícil dar um passo além. Sair do lugar comum e explorar fatos que vão além do que “achamos” certo e bonito, ou do que o resto do mundo vive falando. Mas peraí? New York tem seus correspodentes fora do eixo Israel-Palestina. A CNN bota a Amanpour dentro de vilas mostrando o outro lado. Porque então, no Brasil, é tão difícil para nossa mídia deixar a mesquinharia de lado, e partir para uma cobertura mais completa da política e sociedades islâmicas?

Se querem debater, botar noticiazinha, que façam então direito, ou deixem de se meter onde lhes falta conhecimento. Sim, este post é um desabafo, cansei de ouvir e ler asneira, sem um contraponto. Dos blogs do Estadão, o do Chacra ainda namora o outro lado e por ser de origem árabe (porém cristã), explora um pouco mais a vida também dos muçulmanos, mas sempre em cima do muro. Mas o resto, claramente e assumidos judeus, não se cansam de continuar com a política pró-Israel, incluindo chacotas e ironias contra o mundo islâmico, a exemplo de um tal de Guterman.

Na Folha, apesar de adorar o trabalho de Malbergier como jornalista econômico, já vi artigos dele que deliberadamente jogam como Israel sendo o salvador da região, e o resto…. bom, o resto é resto, na visão sionista, deve ir direto para lata do lixo.

E não, eu não defendo homens bombas nem a política de Hamaz, Hezbollah e Taleban. Acho tudo uma babaquice sem fim, seja como muçulmana ou ser humano. Minha pergunta é? Porque a mídia brasileira trata um tema tão importante somente por um lado da moeda? Porque não existem, então, muçulmanos assumidos fazendo reportagens e ganhando espaço na mídia também para mostrar o outro lado, se judeus assim podem? Sei que existe um domínio de famílias judaicas na mídia brasileira, mas até mesmo nos EUA, onde eles têm muito mais poder, existe mais cuidado nesse tipo de noticiário e cobertura.

E brasileiro, infelizmente, não gosta de pesquisar muito. Por isso recebo todos os dias comentários babacas, retardados e ignorantes aqui no meu blog, porque quem DEVERIA informar, não informa. E eles sugam das fontes nacionais apenas, ficando com a opção da ignorância.

Então, já que estou numa encruzilhada, continuo aqui com meu bloguinho tentando acabar com alguns preconceitos, desmistificando um pouco do mundo muçulmano pra vcs. E já recebi vários e-mail de agradecimento, de gente que disse que parou de ter MEDO do Islã depois que passou por aqui. Isso é minha grande recompensa.

11 comments fevereiro 18, 2010

Pq precisamos brigar?

O Itaú estreou uma campanha nova na TV. A propagando mostra um menino judeu e um palestino vestindo a camisa da selação brasileira. O judeu chuta a bola sem querer em mercadorias do árabe, que devolve a bola.

A mensagem é bonita, achei de muito bom gosto. Mas a comunidade judaica já está preparando medidas judiciais dizendo que é anti-semita. Agora, me diga, porque não podemos nos imaginar todos amigos? Pq de preconceituosa a propagando não tem nada….

9 comments janeiro 29, 2010

Criação de estados islâmicos

Vou tentar fazer um post rápido, mas denso sobre uma das questões mais interessante desse nosso mundo quando o assunto envolve muçulmanos e seus respectivos países de origem. Como muitos já ouviram falar, existem diversas nações ou repúblicas que se auto-denominam “islâmicas”, caso do Irã e da Arábia Saudita.

Em tese, isso significa que o determinado país pratica as leis da sharia, a lei islâmica. Mas vamos parar por aí. Quem já não ouviu falar de abusos de poder nestes países, perseguição à minorias e erros em condenação? Eu sei, em todos os países existem corruptos, juízes falhos e burocracia. Porém, quando se coloca a religião como reguladora disso tudo, fica complicado. E as pessoas não-muçulmanas não são condencentes ao examinar cada pessoa em si e seus erros humanos, mas rapidamente associam o credo a tais atos, o que na verdade é completamente falho.

Minha intenção não é aqui criticar a intenção do estado islâmico, mas sim a forma com que ele vem sendo divulgado e difundido, contribuindo mais ainda para a criação de esteriótipos do muçulmanos, estes sim que se tornam um minoria assustadora para quem não conhece a religião e seus fundamentos. As notícias falam por si, como proibição de burka na França e protestos na Suíça contra minaretes nas mesquitas. O problema é que, muçulmanos sem compreender o que de fato ocorre no nosso mundo globalizado, incendeiam mentes de jovens seja no ocidente como no oriente, com idéias de terrorismo, jihad armada e coisas que, de islâmicas, nada possuem. E aí pronto, o preconceito está lançado às massas.

Foto de encontro entre judeus com muçulmana, nos EUA. Diálogo entre credos pode ser mais fácil no futuro?Fonte: http://www.moishehouse.org

Acho que todos que tem um credo, como já disse em posts anteriores, sonham com uma sociedade com os mesmos preceitos de amor, misericórdia e respeito prescritos por seu credo, e eu como muçulmana não sou diferente. Porém, o mundo de hoje permitiria tal estado secular? Hoje é difícil se definir a religião de um estado, no Brasil são dezenas de credos, nos EUA mais um monte, até no Egito onde a população costumava ser 90% muçulmana, hopje já existem templos evangélicos no estilo dos brasileiro em busca de fiéis. Israel, que se denomina sionista, também não tem conseguido conter a onda migratória, principalmente de africanos. Ou seja, como criar um estado laico, onde existem tantas divergências de fé e em um mundo onde o pluralismo nacional só tende a aumentar?

Um artigo que li hoje me fez refletir tantas coisas que resolvi compartilhar com vocês. Mais uma vez, está postado no excelente Daily News Egypt.

O trecho que mais me tocou foi uma das frases de Mohamed Talbi, um escritor e intelectual tunisiano.  Ele clama que as sociedades muçulamnas abandonem o paradigma da criação de um estado islâmico, e ao invés disso, que lutem por uma Ummah global, uma comunidade gloval que compartilhe os mesmos valores de liberdade e justiça.  Para ele, o Islã tem entre seus conceitos as diferenças com unicidade, chamado de pluralismo. “Eu sou um átomo muçulmano com uma mólecula humana. Minha ummah é a humanidade, e eu não faço nenhuma distinção entre confissões, opiniões, cores ou raças, todos os que pertecem a raça humana são meus irmãos e irmãs.”

Bom, vale a pena ler o artigo completo abaixo no original ou na tradução paraguaia do Google aqui. E discutam, por favor, suas opiniões!

SEEK ISLAMIC SPIRIT, NOT STATE, SAY MUSLIM SCHOLARS

CASABLANCA: The Islamic state is a controversial issue in the West, as recent news confirms. Last October, an imam was killed and six men arrested by the FBI in Detroit for allegedly conspiring to establish an Islamic state in the United States. In the United Kingdom, government officials worry that extremist groups like Hizb-ut-Tahrir have infiltrated Muslim schools to propagate their vision of an Islamic state.

Public opinion in the West reflects the fear that radical Muslims are trying to impose their values on the rest of the world. But the nebulous term “Islamic state” is not merely a concern for the anxious Western world, it is actually a point of discord and contention within the Muslim world itself.

For many Muslim theologians, the Islamic state actually represents an obstacle to Islamic ethics and values. In Iran, pre-eminent scholar Abdulkarim Soroush, also a former political figure, emphasizes how difficult it is to sustain civil, political and religious rights in the current Islamic Republic of Iran. Even the new wing of the Muslim Brotherhood in Egypt believes that an Islamic state is not feasible in today’s world.

Increasingly, Muslim scholars across the world are calling for alternative systems that can foster an Islamic vision of society and simultaneously accommodate our increasingly pluralistic societies. They believe that pluralism and the universal democratization of human rights are at the heart of the Quran. There are diverse opinions about the nature, shape and purpose of an Islamic state, ranging from the conservative to the very progressive. However, Islamic states as we know them today have largely failed in creating political systems that respect such ideas.

As a result, Mohamed Talbi, a Tunisian writer and intellectual, calls on Muslim societies to abandon the Islamic state paradigm and instead strive for a global ummah, a global community that shares the core values of freedom and justice. To him, Islam is embodied in the concept of “differences within unity”, namely pluralism. He writes, “I am a Muslim atom within a human molecule. My ummah is humanity, and I do not make any distinction between confessions, opinions, color or race; all human beings are my brothers and sisters.” This time of globalization represents to him a rare opportunity to work towards this ideal.

Farid Esack is another Muslim scholar, from South Africa, who argues against an Islamic state in today’s world: if Islam’s message is to fight for oppressed communities, then Islamic states as we currently know them are anything but Islamic. He came to this conclusion as a result of his personal experiences — first, as a student in Pakistan when he witnessed the persecution of poor and marginalized non-Muslim communities and, later, as an activist in South Africa, when he experienced solidarity with people from all faiths against apartheid. A close ally of former South African president Nelson Mandela, Esack also proposes a different form of Islamic influence embodied in a global ummah that does not simply tolerate differences but also unites humankind beyond race and religion for a specific purpose: justice.

Esack believes that the ummah cannot be defined by kinship but by acts of faith: the real ummah is a united inter-religious struggle against oppression in all its forms.

Abdullahi Na’im, a Sudanese Muslim intellectual who had to flee Khartoum for following the open religious doctrine of Mahmoud Taha, a Sudanese theologian and political figure who advocated political and liberal religious reform, is convinced that an Islamic state is doomed to failure and that secularism–rooted in freedom of religion, ethics and morality, and rights and duties — is by far the best system for Muslims throughout the world. This form of secularism would have to be inclusive of different worldviews and could only be built through the dialogue and exchange of a global civil society.

The importance of the ummah over the Islamic state demonstrates a shift from the state — the political apparatus — to individuals and communities who become active agents responsible for implementing Islamic ideals in their pluralistic societies. This interesting proposition, rooted in an Islamic worldview, could be a more fluid and suitable framework for our globalized world.

Wrtitten by Isabelle Dana (isabelle.dana@gmail.com) is a professional in communications and media with a focus on Africa, the Middle East and Islamic studies. This article is part of a series on Islamic law and non-Muslim minorities written for the Common Ground News Service (CGNews).

6 comments janeiro 12, 2010

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Conversão para o islamismo - por amor ao habiby ou por fé?:

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Eu namoro um egípcio, e agora? :
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