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O Natal


Acho que já postei isso em outros Natais, mas não custa repetir. Isso é o que está escrito no Alcorão sobre o nascimento de Jesus:

E quando os anjos disseram: “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” Perguntou: “Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou?” Disse-lhe o anjo: “Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é.
Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): “Apresento-vos um sinal de vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis. (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (Alcorão 3:45-52)

Não somos, afinal, muito parecidos? A maior diferença é que muçulmanos não enxergam Jesus como filho de Deus, mas sim um profeta. E se notarem na parte que se fala da concepção, o milagre de seu nascimento é que Deus ordena o que quiser, até o nascimento de uma criança sem pai, mas para os muçulmanos isso não significa divindade.

Na minha família, Natal sempre foi símbolo de união familiar e alegria – além de boa comida ahaha (#gordinhafeelings).  Esse tipo de celebração existe em todas as religiões. No Islã, só existem dois feriados, os Eids, que celebram o fim do ramadã e o sacrifício de Abraão.

Existe uma pergunta que sempre passa pela cabeça dos muçulmanos que vivem no Brasil e vêm de famílias cristãs nessa época. É permitido celebrar o Natal com minha família?

Eu não posso dar uma resposta, mas sim as diversas correntes do islamismo. Algumas – que ultimamente estão mais fortes no  Brasil – são um pouco radicais neste ponto e dizem que é haram – pecado – você celebrar ou até mesmo responder a uma felicitação de “Feliz Natal”. Por conta disso, infelizmente, pipocaram na internet esses dias algumas grosserias, como imagens com árvores de Natal cobertas com um X vermelho bem grande com os dizerem: sou muçulmano, não celebro Natal e não me deseje Natal. Para mim, isso é um ato bem anti-islâmico, afinal nosso próprio profeta acolheu minorias religiosas e nunca obrigou a conversão de ninguém. O exemplo dele sempre foi de bondade e amor, eu não acho que insultar ou agredir a religião do outro seja necessário. Aliás, nem acho que o assunto Natal devesse despertar tanto rancor dos muçulmanos convertidos.

É muito simples se entender o limite do que devemos falar em público. Você gostaria, como muçulmano, de na época do seu Eid, ver seus amigos ou conhecidos cristãos, postando mensagens com um X num cordeiro, escrevendo: “Sou cristão, não celebro EID”? Você não se sentiria um pouco ofendido ou chateado? E me surpreendeu muito o tanto de gente que conheço que postou isso nos seus murais…

Então, acho que em tudo na vida, inclusive na religião, o que vale é o equilíbrio e a sensibilidade, pois estamos num mundo muito misturado hoje, nosso vizinhos aqui no Brasil não são muçulmanos, e se queremos ser respeitados e até mesmo divulgar nossa religião, isso exige cordialidade e respeito. Pois quem respeita, é respeitado. Claro que devemos impor limites às vezes, mas dá pra ser sim muçulmano num país cristão, e celebrarmos todos juntos, inclusive nosso feriados muçulmanos depois.

Eu apoio esta minha visão em Al Azhar, a central islâmica do Egito e onde fiz minha shahada – Alhamdo Lellah. Não são eles que bancam o ensino religioso no Braisl, então infelizmente temos visto muito mais opiniões fechadas vindo da Arábia Saudita, do que isso que deixo abaixo. É um livro que Al Azhar compilou para ajudar muçulmanos que vivem na Europa, mas se encaixa muito bem a nós aqui no Brasil também. O link está no final.

A question was asked about whether or not Muslims should
congratulate non- Muslims during the latter’s festivals (a‘ayad).
Fatwa in brief: It is illegal to congratulate non-Muslims during their religious
festivals. In so doing one shares in sin, and [their] corruption.
The Permanent Committee, 313/3

See Shaykh Sa‘id ‘Abd al-‘Azim, http://www.alsalafway.com
Response:
There is no harm in congratulating non-Muslims with whom you have a family
relationship, or that are neighbours of yours. Regarding their festivals,
however, do not participate in the rituals (tuqus) of Christians, or those in a
similar religious category [i.e. non-Muslims].
Commentary:
In two verses from the Holy Qur’an the nature of relationships between
Muslims and others are laid down (Q. 60:8-9). These verses apply directly to
the polytheists and idol-worshippers (mushrikin wa’l-wathaniyyin)
“Allah forbids you not, with regard to those who fight you not for (your) Faith
nor drive you out of your homes, from dealing kindly and justly with them: for
Allah loveth those who are just”.

“Allah only forbids you with regard to those who fight you for (your) Faith,
and drive you out of your homes, and support (others) in driving you out, from
turning to them (for friendship and protection). It is such as turn to them (in
these circumstances), that do wrong”.
These two verses distinguish between, on the one hand, the peaceful
(musalamin) and, on the other hand, the warriors (muharibin). Regarding the
peaceful [non-Muslims], the law recommends behaving justly with them, this,
in turn leads to charitable and kind dealings. On the other hand, the second
verse forbids loyalty to the warriors. This is because they have taken Muslims
as enemies, have fought with them and have driven them out of their homes.
The two Shaykhs [i.e. Bukhari and Muslim] report a hadith in which Asma’
(r.a.) the daughter of Abu Bakr, came to the Prophet (upon him be peace) and
said: “O Messenger of God, my mother has come to me, and she is a polytheist
(mushrika), and she wants to remain in contact with me, should I stay in touch
with her?” The Prophet (upon him be peace) replied, yes, stay in touch with
your mother. This hadith is agreed upon.
[We note that] This is the Prophet’s attitude towards a polytheist (mushrika);
however, Islam’s approach to the People of the Book [i.e. to Jews and
Christians] is known to be more lenient. Indeed, the Qur’an permits Muslims to
be the dinner companions of Jews and Christians, and [even] to marry them.
Obviously, in the latter case, an affectionate relationship is required. Further
[as mentioned already], motherhood privileges a woman in her role over her
children. The children [of a non-Muslim mother] will congratulate her on her
festival days, and behave well towards her. The generous Prophet (upon him be
peace) advises us “to treat people kindly” [lit: “with strong ethics”). He said
“treat people”, and not just Muslims with kindness.
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Hence, if someone congratulates a Muslim during one of their feast, we are to
respond to his greeting with a better, or at least an equal greeting. For God
Almighty says:

“When ye are greeted with a greeting, [you should] return [this] with a better,
or at least an equal greeting”. (Q. 4:86.)
Another motive to respond to the non-Muslim’s greeting is that, if Muslims

want to call them [the non-Muslims] to Islam – which is an obligation upon all
Muslims – one’s relationship with them should obviously be cordial. While in
Mecca, the Prophet (upon him be peace) was well-mannered, and polite to the
polytheists of the Quraysh. He behaved like this despite the fact that they
wished to hurt him, and were plotting against him and his Companions. Indeed,
he was so polite and decent with them that they trusted him with their valuables
(wada‘i’). So, there should be nothing to prevent a Muslim from congratulating
them verbally, or through letters that do not involve religious words or
symbols. [This should not be difficult as] The greetings used to congratulate on
such occasions do not normally pertain to religion; instead, they involve wellknown complimentary messages. Likewise, there is also nothing to prevent a Muslim from accepting a present from non-Muslims, and [even] rewarding
them for it. The Prophet (upon him be peace) accepted presents from nonMuslims. Hence, he accepted a gift from (among others) al-Muqawqas, the
greatest of the Copts in Egypt. Likewise, we may accept presents on the
condition that they are not forbidden by God, such as alcohol and pork.
Regarding days set aside for national and social festivals, such as Independence
Day, Children’s Day, Mother’s Day, and so on, a Muslim is free to
congratulate non-Muslims at these times. If he is a citizen in this country, he is
even free to participate in them, as long as he avoids the illegal acts that may
occur during these occasions.
Dr. Yassir ‘Abd al-‘Azim

Quem quiser o link deste livro: http://www.euro-islam.info/wp-content/uploads/pdfs/the_response.pdf

Mudança de hábito


Toda vez que nos forçamos a fazer algo novo e fora da nossa rotina, temos de nos sacrificar. Quando isso tem um simbolismo místico ou espiritual, às vezes é um pouco mais complicado, pois depende apenas da nossa força de vontade e crença naquilo. Assim é o ramadã para os muçulmanos.

Ficamos sem comer e beber durante o dia, e celebramos de noite com nossas famílias. Em um mundo tão focado no efêmero e nas coisas práticas, pode parecer estranho esta repentina instropecção que o ramadã nos causa. O jejum não é apenas de alimentos, mas também de atos, temos que tentar ser melhores, fazer caridade e nos focarmos nisso.

E para que ficar sem comer? Tem gente que não entende, vai falar que é besteira, que faz mal ficar sem comer. Sim, todas as revistas de moda falam que pra você ser saudável, tem que comer de três em três horas. Mas são essas mesmas revistas que toda hora mudam de opinião e receita, cada hora é um alimento que previne tal câncer, ou o outro que ajuda a emagrecer.

Mas, se alguém que lê o blog está querendo algo um pouco mais científico também sobre o ramadã, existem alguns estudos que mostram os benefícios de abster-se de comidas, como redução de colesterol. Aqui tem um texto sobre isso (mas confesso que não pesquisei na fonte original, tenho que ver depois se este estudo diz isso mesmo, porém vale por curiosidade): http://hypescience.com/estudo-constata-que-jejum-pode-fazer-bem-para-a-saude/

 

Mas o jejum do ramadã tem sido realizado a mais de mil anos, e os benefícios dele são bem nítidos para os milhões que os fazem todos os anos. Não estou falando só do bem estar físico, de você se sentir desintoxicado e, se não exagerar, até perder uns quilinhos.

O jejum é praticado em diversas religiões do mundo com um sentido maior, que é o espiritual. No islamismo, você deixa de comer para pensar nas pessoas que não têm alimentos e para valorizar tudo o que você possui na sua vida. É um sacrifício, em nome da conscientização. É colocar de uma forma prática sua devoção e agradecimento.

Para algumas pessoas é difícil começar, tem gente que não se sente bem. Porém quase é sempre é mais uma questão psicológica do que física. Se um dia fizer isso lembrando daquelas pessoas que não tem nada para comer, talvez entenda que ficar algumas horinhas esperando não é nada se comparado ao sofrimento deles. Pois quebramos nosso jejum com um banquete, e eles, às vezes, com a morte.

Porém, este post não é para ser deprê não, só quis mostrar um pouco mais do sentido de se jejuar, e porquê eu me sinto muito à vontade para fazê-lo e feliz por ser capaz.

diário do ramadã – dia 1

E começo meu primeiro dia assim. Agora são quase 11hs e comecei a sentir fome pela primeira vez, mas o que mais me incomoda é sono.

Sim, acordei 5 hs da manhã para fazer o ‘sohor’ (refeição antes do nascer do sol). Fiz como o vídeo que postei ontem mandou, tomei muita água, comi uma fruta e cereal rico em fibras, nada de exageros. Rezei o fajr (primeira oração do dia, coisa que nunca faço pois para mim é muito difícil levantar nesse horário, e por isso se tornou minha meta desta ramadã) e tentei dormir depois, mas não rolou… Fiquei de um lado para outro na cama até 7h30, tive vários sonhos porque meu sono estava leve, porém estava cansada ahaha não sei como vou aguentar interromper meu soninho todos os dias, é realmente difícil e admiro quem consiga!

E agora fico pensando em como não fazer isso quando chegar 5h45 (ri muito com esse vídeo, pois é o que maioria faz ehehe):

Alimentação no ramadan


Vi um vídeo interessante sobre a alimentação no ramadan, espero que gostem! Esta em português :-)

 

Horário do ramadã 2011


Pessoal, como sempre, venho aqui postar os horários do Ramadan para a cidade de São Paulo. É só entrar neste link aqui: http://www.religiaodedeus.net/Ramadan_1429.htm
Quem for de outra cidade, pode entrar neste site e fazer as buscas dos horários: http://www.islamicfinder.org/

Lembrando que jejuar não é apenas deixar de comer e beber, mas também de se policiar muito nas atitudes, não mentir, fazer o bem e a caridade.

RAMADAN KARIM!!!!

 

Seja feliz com sua fé


Tem um assunto que hoje em dia evito entrar em discussão, pois sei que não me faz bem. Mas como o papo apareceu em no blog da Barbara, acho que vale a pena ressaltar alguns pontos.

Alguém pertencer a determinada religião não a faz de exemplo a ser seguido. Por conta disso, acho que não dá para ficar colocando o dedo na fé dos outros, nem querendo mostrar sempre, e a todo momento, o que pode ser certo ou errado. Mas entre os muçulmanos, isso é uma coisa um pouco complicada e não quero fazer um post de crítica aos irmãos, apenas relatar alguns fatos.

A maioria acha que é haram, ou seja pecado, ficar quieto e não avisar um irmão se ele está cometendo um erro. Até aí concordo, se vejo uma pessoa, por exemplo, que quer se converter mas tem fotos de biquini, eu sempre pergunto se ela realmente se sente pronta mudar, se ela acha que vai se adaptar, por aí vai. Agora se ela já é muçulmana, tem marido muçulmano, sabe o que é a religião e não tá há poucos meses nisso, quem sou eu pra ir lá e falar para ela “vc sabia que biquini é proibido, vc não deveria usar isso nem mostrar como muçulmana”? Lógico que não, né minha gente, porque ela está cansada de saber, e se erra, está consciente disso.

O problema é que muitas pessoas tem distorcido um pouco os ensinamentos, e essa coisa de ter de “falar o certo”, “ajudar o outro a ir para o caminho”, acabou-se tornando entre os muçulmanos motivo de muita fofoca e dedos apontados o tempo inteiro um para os outros. Ajudar o outro é uma arte, não é apenas sair falando. E se caso uma muçulmana fez algo errado publicamente, como numa rede social, você pode comentar ou até mesmo ir contra, porém com muita delicadeza e amor, pois o verdadeiro muçulmano não age para humilhar ou tentar se mostrar o correto ou o mais certo para os outros, ele faz isso para Deus. Por isso, às vezes uma mensagem privada, com carinho, ou mesmo um recado público, porém doce, faz muito mais efeito que simplesmente chegar mostrando como você é perfeita e o outro está errando e pecando. E não tente usar apenas hadiths para justificar seu ponto, pois hoje em dia muita gente usa isso de forma errada, pegando hadiths fracos e fora do contexto para justificar qualquer coisa.

Eu conheço muçulmanas extremamente rígidas, que seguem muito os preceitos, e que jamais me perguntaram, por exemplo, porque não uso hijab. Tanto braisleiras quanto egípcias. Eu já usei hijab, por mais de 9 meses, então obviamente elas imaginam que eu tenha algum motivo para não usá-lo, e como eu sei muito bem o que é, sua obrigatoriedade, tenho marido muslim, morei em país islâmico, inclusive sou casada nas leis muçulmanas, será que eu preciso de alguma muçulmana vindo aqui me perguntar porque eu não uso hijab, ou porque não me esforço? Acho que não, sejamos sensatas.

Uma coisa é quem está aprendendo a religião e me faz perguntas óbvias, do tipo quando eu como, como eu rezo, pois eu dou a liberdade das pessoas falarem comigo e serem sinceras, pois muitas tem medo de falar na mesquita, por exemplo, tudo que lhes vêm a cabeça. Mas elas vêem o quão imperfeita eu sou, e não minto nem preciso, pois sempre falo o que é certo, mas caso eu faça errado, eu sempre deixo claro: “eu estou fazendo errado, mas o certo é tal…”.

Sei que para muitas pessoas a conversão é um acontecimento. Quase como um nascimento de um filho, quando a mãe só passa a falar de bebês e fraldas, algumas muçulmanas também se sentem tão felizes que passam só a falar daquilo e respirar o Islam. Então acontece de pessoas que precisam anunciar cada livro que lêem, cada oração que vão fazer, precisam botar foto delas rezando, como se fosse prova de algo, alguma justificativa. Eu já passei dessa fase (não que tivesse feito alguma destas coisas), mas não preciso disso para me sentir bem em uma comunidade islâmica, pois sei que minha relação com Deus é particular e só ele precisa saber das coisas boas que eu faço. Teria muito para me mostrar e dizer como sou boa, mas não faço, nem preciso disso, pois minha consciência é muito tranquila, e por mais que de vez em quando alguém possa aparecer por aqui e dizer que estou falhando, o quanto sou ruim, prefiro me calar e sorrir com meu coração, pois é Deus quem me conhece e o que faço.

E este post, apesar de parecer apenas crítico, é mais um alerta a todas as pessoas, de todas as religiões, pois isso acontece em todos os credos. A humildade, o amor a Deus e a misericórdia são invisíveis, porém são sentidas profundamente por quem é tocado por estes sentimentos. Pense nisso e será mais feliz, sem precisar da aprovação dos outros ou de um grupo.

Egito versus Brasil?


A gente muda com o tempo, geralmente para melhor pois aprendemos com os erros passados. Quando eu morei no Egito, acredito que ainda era muito imatura, não sabia bem o que queria e pesei a mão certas vezes no que falava sobre as coisas de lá, até porque não sabia muito bem ainda como lidar com tudo e como recuperar minha independência, que sempre prezei tanto. E não estou falando de independência financeira, pois isso sempre tive mesmo quando morei por lá, rapidinho tratei de arrumar um trabalho. Mas estou falando de independência da vida pessoal, de saber novamente os limites do que posso falar, como posso destilar meu humor ácido (quem me conhece sabe como posso ser o ‘cão’), como movimentar, como andar sozinha, como comprar pão.

Quando vamos para outro país de cultura tão diversa, a adaptação para alguns, como eu, pode demorar um pouco, pois eu saio do total controle da situação para um aprendizado diário, e isso me cansava o cérebro. Ficar pensando como agir, como falar, como atuar para não magoar os outros, pois desde o começo a primeira coisa que senti nos egípcios foi uma educação absurda um com os outros, tudo eles falam com meias palavras, sempre tudo está ótimo, lindo maravilhoso, sempre tratando as visitas com todo cuidado e esmero, e eu com meu jeito sincero de ser às vezes assustava. Quando alguém perguntava o que eu achava do Egito, eu no começo eu falava o que pensava, que era tudo muito bagunçado. Algumas pessoas ficavam magoadas, tentei maneirar, e sempre que falavam do Brasil eram curiosidades sobre futebol, como era a economia, coisas mais positivas, e eu sempre na defensiva.

Com o tempo fui aprendendo as diferenças, admirando as coisas muito boas de lá. Nunca vi pessoas tão acolhedoras como no Egito, seja na minha família de lá ou nas ruas, onde sempre que descobriam que eu era estrangeira era tratada como rainha, até mesmo no trem onde só pessoas mais simples circulavam em Alexandria. Não entendo pessoas que vivem no Egito e não conseguem ver tudo aquilo que vivi, pois não foi 1 dia ou 1 semana, mas nove meses de puro encanto com aquela cordialidade. Eu pegava trocado na vendinha do Mahmoud embaixo de casa para pegar o taxi, ganhava doces toda vez que ia comprar konefa em Cleopatra, às vezes não pagava o tram só por falar “la ilaha ila Allah”. O cobrador sempre descobria que eu não era de lá quando eu falava “fe faka wahda” (tem troco para 1?) e ficava admirado, já perguntava de onde eu era, porque era muçulmana, etc.

Ganhei muitos presentes todo o tempo que estava lá, seja dos meus alunos na escola, ou até mesmo das pessoas da minha rua que me viam passando todos os dias. Uma vizinha, que eu nunca vi e nem faço ideia de como seja o rosto dela, me mandou uma pulseira de prata uma vez. Diz ela que me achou bonita e que sabia que eu era uma pessoa do bem.

O Egito tem muitas belezas, nem tudo é sujo ou encardido. Ou mesmo nos lugares empoeirados, existem encantos escondidos que são impagáveis e difíceis infelizmente de se encontrar em São Paulo. Depois de um tempo no Egito, vi que eles tem conceitos diferentes no que diz a limpeza, cuidado com os filhos e beleza. No começo eu gostava de comparar – ah, mas no Brasil tal coisa é desta forma, no Egito é de outra. Aliás, até hoje faço isso, mas com as devidas proporções a cada lugar. Nunca fui nacionalista muito menos patriota ou orgulhosa de ser brasileira. Não acho que temos uma história bonita (tirando os índios que moravam aqui antes, mas pouco sabemos) do resto pouco presta ou teria algum orgulho. Acho o Brasil muito corrupto e culturalmente incerto, não temos uma moral nem valores cívicos muito fortes, até por isso a violência gerada pela falta de educação e moral familiar chegou aos níveis de hoje.

Mas nem por isso deixei de optar por viver no Brasil, onde hoje vivo muito bem e feliz, e não iria para outro lugar no momento. E por quê? Para minhas necessidades profissionais e ambições pessoais, o Brasil ainda é a melhor opção, fora que tem muitas coisas que sinto prazer aqui, como os serviços, comida e minha família. Musta também se adaptou muito bem aqui em diversos aspectos, mas continua achando absurdas outras tantas coisas. Afinal, tem povo mais contraditório que brasileiro? Eu acho que não, gostamos de falar uma coisa e fazer outra, de pregar superioridade quando na verdade somos o roto falando do rasgado. E por isso viver aqui é tão divertido também.

Musta tem memória muito melhor do que eu. Sempre quando vê algumas dessas contradições, me chama e fala. Logo na primeira semana, já contei isso no blog, fomos para Santos e nos convidaram para um “frango a passarinho”. Todo mundo meteu a mão no franguinho e estava comendo normal.

- Mas no Egito você era toda fresca e falava que era nojento botar mão na comida, aí chego aqui vcs me comem esse frango com a mão e vem me falar “mas é diferenteeee”? (é Musta, aprende que brasileiro fala muitooooo, mas na prática sempre tem suas falhas)

Aí ele escuta pessoas que foram para o Egito falando que as ruas era sujas e as pessoas não tomavam banho. Ele responde:

- Por acaso onde eu trabalho só vejo sujeira também, é perto do terminal de ônibus e vi muita coisa suja e nojenta no chão. Às vezes chego cedo, e na porta da escola temos que jogar balde de água, porque alguém até urinou na porta. Cadê a tal limpeza do Brasil que tanto falam? Achei que o Brasil todo era brilhando do jeito que falam mal do Egito. E quando vou no ônibus, tem muita gente com cheiro ruim e pés sujos, unhas pretas e um dia até um cara do meu lado ficava arrotando e ficou um cheiro podre saindo da boca dele. Os brasileiros não eram o povo mais limpo do mundo? (calma Musta, brasileiro fala muito mesmo, mas esquecem que somos todos humanos)

E lembrando do Egito, quando vejo certos comentários por aí, lembro de ver de tudo um pouco, exatamente como no Brasil, generalizar não dá. Aqui vejo coisas boas e ruins, pessoas bonitas e limpas, outras sujas e sem educação. Lembro de no trabalho só ter meninas bem vestidas, cheirosas e de unhas feitas. Sim, algumas exageravam no estilo delas, com mais brilhos do que estamos acostumados. Mas foi raro ver alguma com maquiagem muito fora do padrão ou do que às vezes vemos por aqui também. Na média, os egípcios que conheci faziam e tinham o mesmo estilo dos brasileiros, conheciam bem sobre moda, marcas e adaptavam suas roupas conforme podiam gastar. E como sou muçulmana, sempre achei as egípcias muito bem mais arrumadas, até porque não expõe o corpo de maneira inadequada, evitando cenas bizarras do cotidiano daqui, onde banhas pulam pra fora de calças cintura baixa.

Eram todas bonitas? Claro que não, assim como no Brasil também, varia muito dos lugares que você frequenta, com quem anda e também do nível de educação (não só dinheiro faz diferença, seja no Brasil ou lá, pois mal gosto não escolhe classe social). Acho que eu sempre frequentei lugares de mais nível intelectual, então nunca tive problemas com os egipcios em relação a algo do estilo visual deles me incomodar. A não ser a decoração interna, cheia de rococós, mas aqui no Brasil cada casa é de um jeito, tem uma moda aqui de pintar parede de cores extravagantes (laranja ou verde limão) com textura que é uma beleza e não faz meu gosto também. Fora os cachorros circulando e pulando nas mesas, nas pessoas, etc, e depois falam que os egípcios é que são sujos. Pra mim limpeza não é só a quantidade de banhos que se toma por dia nem o quanto se diz tomar (até porque a maioria das pessoas MENTE aqui nestes aspectos só pra se dizer mega limpa). Eu sou assumidamente bagunceira e odeio mania de limpeza. Não corro pra lavar louça nem fico ligando se tem pó não chão e tal, porque geralmente estou cansada demais pra ficar toda hora fazendo limpeza. Mas agora, pra alegria geral da galera que adora filar bóia em casa, mas vive dizendo que está uma bagunça, contratei uma faxineira (isso foi pra você, mãe :-D).

O que no Egito me cansou um pouco foi desse jeito “panos quentes” deles, de sempre falarem com tanta educação que se você faz alguma crítica, mesmo que gentilmente, alguns se sentem tristes. Tem muita gente assim no Brasil e eu entro dando voadora, mas aqui as pessoas entendem melhor. No Egito, até mesmo dependendo do tom da pergunta, eles acham que pode ser um ataque. Nem no Brasil personalidades como a minha é bem vista, imagina lá. Aqui também não tenho zilhões de amigos até porque é difícil me tolerar, confesso. Mas no Egito isso foi um pouco pior, pois aqui falo e dane-se, já no Egito como dependia do Mostafa e sentia necessidade de interagir com as pessoas, tinha que ficar me controlando.

Mas esse papo é muito longo… tudo partiu daquele post anterior em que algumas discussões apareceram e fui lembrando de coisas e preconceitos contra os egípcios que constantemente fui ouvindo ao longo do tempo. Acho que a experiência Egito & Brasil é única para cada pessoa, cada um pode ver outros países conforme os lugares que frequenta, as pessoas como estão. Pode até parecer fantasioso, mas o Egito que conheci era extremamente caloroso, respeitoso com outros outros credos, com mulheres bem arrumadas e homens trabalhadores, alguns buscando chance de ter sua própria renda logo cedo, como meu marido que desde os 18 trabalhava e aos 21 já era um homem casado. Outros estão partindo para outros países, muitos com contratos na Arábia Saudita em busca de um salário melhor. Fora as amizades que tive por meio da internet, não conheci nenhum egípicio do nosso meio de convívio que casou com estrangeira. E também não encontrei conformistas por lá que acham que depender dos pais é bom ou que a vida é só beber chá e sair de noite. Devo ter tido sorte, mas encontrei no Egito muitos espíritos guerreiros e gente que estudava e via o mundo, não tapava o sol com a peneira, mas nem por isso deixava de ter orgulho da sua história e do seu país.

Mas eu sou brasileira e tudo o que escrevi não é uma crítica para cá, até porque também amo o que sou e da personalidade que tenho, que dificilmente seria moldada em outro lugar, pois só no Brasil temos tanta contradição, diversão e sonhos misturados. Amo o Brasil, mas não me orgulho dele, são coisas diferentes. E amo o Egito e felizmente me orgulho de hoje ser metade de lá, pois aprendi valores muito importantes e que hoje posso replicar por aqui também com meu marido. É um sentimento todo misturado, só sou eu mesma pela criação que tive aqui e a liberdade que encontrei no Brasil, e depois de adulta pude escolher sozinha o que achei melhor para mim, ao mesmo tempo não me sinto brasileira em muitas coisas. Eu odeio música nacional, por exemplo, e pode ser desde os funks podres até Chico Buarque com suas letras mirabolantes, é um saco pra mim tudo.

Posso dizer que voltei transformada de lá. Não acho o Egito um bom lugar para se viver dentro das minhas perspectivas e do que quero para mim, mas é algo que sempre sentirei falta. Ao mesmo tempo, deixei de achar o Brasil superior só por “achar”. Hoje analiso as coisas com muito mais frieza e penso antes de ficar falando dos outros, pois vejo que as mesmas coisas ruins que vemos no Egito, encontramos de monte no Brasil. Assim como as boas, tem muita coisa aqui que me faz feliz, assim como lá. E não tenho dois países no meu coração, mas sim uma experiência de vida completa, que se formatou a partir do momento em que vivi lá e depois voltei. Alhamdo lellah, só tenho a agradecer a Deus por ter me dado tantas coisas felizes, seja lá ou cá, e ter podido escolher onde eu queria viver para ser feliz da minha maneira. Ah, e claro, ter o melhor marido do mundo (pra mim ele é, lógico, só tenho ele :-D ), que ajuda muito nisso tudo.

Filmes para refletir sobre Islã, muçulmanos, Oriente Médio, pérsia, etc…


Lista de filmes para pensar e conhecer mais o Oriente Médio/ Islã / muçulmanos:

Neste Mundo - é um filme da BBC fantástico com personagens reais que tentam ir sem pegar avião do Afeganistão até Londres. É lindo, triste, e mostra uma realidade que ninguém imagina sobre o que os imigrantes fazem para chegar num país com mais condições de vida. Na história, passam pelo Irã, Turquia e Grécia.

Lemon Tree - história comovemente de uma palestina que se vê vizinha do ministro de segurança de Israel. Ela tem uma plantação de limão que atrapalha a vista dos seguranças do ministro, então eles decidem destruir todas as árvores (que serviram de sustento dela e da família por gerações). A história até aí parece um dramalhão, mas é quando começa o principal: ela começa a lutar na justiça para impedir que tenha sua posse invadida e não teme até esgotar todas suas possibildiades de recurso. Fique com a caixa de lenços ao lado, você vai precisar.

Em busca do paraíso - como aqui já falaram. Fime iraniano clássico com criancinhas pobres e sofridas. É lindo de morrer, mas é cinema cabeça, se você gosta de ação melhor nem começar. Neste o irmão perde os sapatos da irmã e eles armam uma confusão para dividir o único par de sapatos que tem.

Filhos do paraíso – mais um clássico iraniano. Um menino é cego e vai para escola, onde aprende a se desenvolver, mas nunca esquece sua familia e amigos no interior.

Rede de mentiras – blockbuster com Leo de Cáprio. Roteiro muito bem escrito e ação pra se divertir a tarde toda, com tiros e políticas. No começo achei que ia ficar naquela concepção besta de muçulmano terrorista, mas a medida que a história vai passando a história muda de lado. Ainda mostra que é possível sim, para um ocidental, se apaixonar e optar pelo modo de vida islâmico (de uma maneira sutil, mas mostra).

Persepolis – é desenho animado, mas de animado não tem nada. Filme mega deprê, mais um que me deixou meio com pé atrás em relação a muitas coisas sobre o Irã e fez eu entender menos ainda aquele povo. Apesar do clima liberal do filme, mostra bem que os valores ocidentais tem sérios problemas.

O Suspeito - filme que mostra um egipcio com cidadania americana acusado injustamente de terrorismo. É preso e levado para fora do país. História verdadeira já que é de amplo conhecimento que os EUA praticam crimes de guerra fora de suas fronteiras, com a conivência de árabes também. Peca um pouco por não mostrar direito o que leva um jovem a ser manipulado a ponto de se explodir com uma bomba. Como eu sempre digo, ‘it is all about money and politics’.

A banda - filme cabeça, mas que para mim foi meio sofrido. Filme israelense que mostra uma banda militar de Alexandria (bem decadenteeee) que iria se apresentar num festival árabe em Israel. Só que ninguém os espera no aeroporto e eles não sabem como chegar na tal cidade. Bem deprimente ver os tiozinhos fazendo de tudo pra chegar num festival em que os caras não estão nem aí para eles… eheeh

O visitante ( The visitor) - Não lembro se é esse o título em português certo. Só sei que é um filme maravilhoso que conta a história de um professor americano carrancudo que volta para seu apê de NY e descobre dois imigrantes muçulmanos morando em sua casa. Um é da síria e a mulher da Etiópia (se não me engano). Ele apesar de ser todo grosso, acaba ficando com dó dos dois e os recebe em casa, cria uma conexão especial com eles. Vale a pena para ver o que acontece até o final.

Onde encontrei todos estes filmes acima em DVD? Aqui. Mas claro, existem métodos alternativos como o youtube.

Para conhecer um pouco mais de nuances da vida egípcia (estes não encontrei em DVD aqui):

O edifício Yacobian - mostra toda a rede de classes sociais misturadas num mesmo prédio, preconceitos e a realidade velada de certa parte da sociedade egípcia. É um filme sem medos de expor o que os egípcios escondem até sobre tortura, como alcoolismo, drogras, terrorismo e até mesmo homossexualismo (tem cenas que eu não sei como passaram no cinemas de lá, ou se editaram…).

aw´aat faragh ou “Spare times” ou melhor, اوقات فراغ  - Desculpem, mas vi esse filme no Egito em árabe ainda. Não me perguntem como, mas deu pra entender tudo, você encontra no Youtube, mas ainda não achei uma versão com legendas. É um filme bem atípico para o Egito, mostra uma turma de jovens de diversas classes, de alta até baixa, e os desafios que eles sofrem para se tornar adultos no Egito. Desde não poderem escolher o curso que querem na faculdade, falta de oportunidades profissionais, das meninas pressionadas pelos rapazes por algo a mais e depois dispensadas, álcool e falta de perspectivas. O clima do filme, apesar de tudo, não é pesado e termina de forma poética.

Quem tem mais dicas para adicionar na lista? Quem já viu e gostou, ou odiou?

Direção de Makkah


Os muçulmanos quando oram, precisam estar virados para a direção de Makkah, que fica na Arábia Saudita. Para quem não tem uma bússola ou se enrola com ela (como eu), nada melhor que o site http://www.qiblalocator.com/. Basta colocar seu endereço e bairro, e pronto! Ele te diz exatamente onde está Makkah e baseado nas ruas ao seu redor você se encontra!

E porque os muçulmanos se viram para este local? A história completa você pode ler aqui, e o fato mais importante é que além de ser uma orientação do profeta Mohammed, é lá que está guardada um pedra na qual o profeta Ibrahim (Abraão) subiu pra construir a Kaaba. A Kaaba é aquela construção em forma de cubo, coberta por um tecido preto e com o Alcorão escrito em dourado.

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A Kaaba e pessoas orando em volta (estas fotos foram feitas pelos meus cunhados)

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Um amigo e o irmão do Mostafa :-)

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Minha cunhada, para mostrar que as mulheres andam normalmente por lá também, mas acompanhadas

Violência contra a mulher


Hoje é dia de post copiado. Mas este vale a pena. Quem não conhece o blog Mulher no Islam, está convidado novamente a entrar lá. E porque falar desse assunto? Assim como a Sheiloca eu também tenho meus acessos de raiva e quero sair pro mundo falando umas verdades às vezes, no meu caso quando falam da religião muçulmana baseado em exemplos nada corretos. É como querer julgar os evangélicos pelos bispos que roubam, ou os católicos pelos padres que foram incriminados por pedofilia,  não é muito justo, certo? Aliás, ótima coisa também é ler esse post aqui da Elaine. Ou seja, para fim de conversa, acho que cada um deveria ser feliz com o que tem, e se for o caso, converse com quem for próximo sobre seu credo e exponha seu ponto de vista, assim é mais elegante.

*****

Violência contra a mulher (post em http://mulhernoislam.blogspot.com/)

Um dos assuntos que a mídia, e as pessoas preconceituosas também, adoram debater é “a violência contra a mulher no mundo Islâmico”. Vamos com calma. Acaso essas pessoas que alegam que os muçulmanos são violentos com suas esposas, não assistem á TV? Liguem, assistam. Todos os dias há um novo caso de violência contra a mulher no Brasil. São espancamentos, queimaduras, estupros, mortes, esquartejamentos. O Brasil é um país de maioria cristã, logo, eu posso supor que os cristãos são extremamente violentos!

Pessoal, violência contra a mulher é um problema mundial! Homens violentos não se encaixam em nenhuma religião ou categoria cultural. A realidade é de que uma dentre três mulheres no mundo todo já foi violentada, coagida a fazer sexo ou abusada de alguma forma durante sua vida. A violência contra a mulher transcende religião, riqueza, classe, cor de pele e cultura. Infelizmente a mídia, associa qualquer crime praticado por um muçulmano, como sendo ensinado pelo Islam. Exemplos:

História 1 – No Egito

“Vejam aquele rapaz matou a esposa, lógico, ele é muçulmano! São todos terroristas. Coitada das mulheres muçulmanas.”

História 2 – No Brasil

“Vejam aquele homem, matou a esposa á facadas. É um doido mesmo.”

É isso que acontece. Se ele é um cristão, um judeu, um ateu, nós não sabemos. Ninguém menciona a religião dele (se ele tiver), só se lembram de dizer que ele é um doido. Que injustiça.

Dias atrás, estava assistindo TV. Um rapaz resolveu assaltar uma loja nos EUA. Quando ele chegou lá, o dono da loja, muçulmano, o ameaçou com uma arma. O ladrão se ajoelhou no chão, pedindo clemência, dizendo que tinha família para cuidar e começou a chorar. Sabe o que o dono da loja, muçulmano, fez? Ele simplesmente, ofereceu pão ao ladrão e ainda deu uns trocados em dólares para o rapaz, e o deixou ir. Alguém mencionou que ele era muçulmano? Obviamente que não.

Enfim, o post de hoje é para ilustrar o que eu disse no começo: pessoas de má índole trascendem povos, culturas e religiões. Vamos analisar alguns dados e pensar duas vezes antes de dizer que os muçulmanos são violentos:

A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil.

Segundo pesquisa da OMS (Organização Mundial de Saúde) publicada em 2005, 23% das mulheres entrevistas na Grande São Paulo afirmam ter sido influenciadas pela violência contra a mulher, direta ou indiretamente, pelo menos uma vez durante suas vidas.

Segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia (IVW, ligada ao governo da Holanda e à ONU), que pesquisou a violência doméstica com 138 mil mulheres, de 54 países, o Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica: 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas a este tipo de violência.

Pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante sua vida, de acordo com estimativa da Anistia Internacional.

De acordo com o Conselho da Europa (integrante do sistema europeu de proteção aos direitos humanos), a violência doméstica é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 a 44 anos de idade e mata mais do que câncer e acidentes de tráfego.

Nos Estados Unidos, as mulheres representaram 85% das vítimas de violência doméstica em 1999, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com a Linha de Atendimento Nacional de Violência Doméstica, quatro milhões de mulheres americanas experimentaram um ataque violento sério, de seus parceiros em um período médio de 12 meses. Na média, mais de três mulheres são assassinadas por seus maridos e namorados todos os dias, isto é, aproximadamente 5.500 mulheres são espancadas até a morte desde 11 de setembro.

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos.

A Anistia Internacional afirma que esses números representam apenas “a ponta do iceberg” já que a violência contra a mulher geralmente não é reportada, pois as vítimas se sentem envergonhadas ou sentem medo.

Fenômeno universal que atinge indistintamente mulheres de todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas.

Produz conseqüências emocionais devastadoras, muitas vezes irreparáveis, e impactos graves sobre a saúde sexual e reprodutiva da mulher.

Entre 25% e 50% das sobreviventes são infectadas por DST. A cada 4 minutos, uma mulher é agredida em seu próprio lar por uma pessoa com quem mantém relação de afeto.

70% dos incidentes acontecem dentro de casa, sendo que o agressor é o próprio marido ou companheiro.

Mais de 40% das violências resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos, tapas, chutes, amarramentos, queimaduras, espancamentos e estrangulamentos.

Fonte: Violência contra a Mulher

Reflitam.

Desafios do ramadã no Brasil


Como todos já sabem, estamos no mês do Ramadã, o mais importante para os muçulmanos. Esse já é o quarto ano que eu faço jejum durante estes trinta dias. A vantagem é que já perdi dois quilos – não sei como, porque morro de comer a noite, e não estou maneirando em nada ehehehe. A desvantagem é que fazer jejum no Brasil é muito difícil!!

Primeiro porque eu já passei da fase de alardear que estou de jejum. Então fico de boa na minha sem comer, nem beber, e evito ficar dando explicações principalmente no trabalho. Não gosto de ninguém comentando minha vida, então quanto mais quieta, melhor, certo?

Mas tem coisas que você precisa de jogo de cintura. Justo nesta semana tive dois eventos em hotéis maravilhosos de SP na hora do almoço. E aquele cheiro de pão de queijo na mesa ao lado? E os sucos fresquinhos servidos a toda hora? Marina diz não, recusa e fica só de olho. Hoje de novo, barriga roncando na hora do almoço e serviram um brunch cheio de comidinhas cheirosas.

Eu fico surpresa comigo mesmo por aguentar tudo isso sem tentação, enquanto quando é para fazer dieta, eu escapo logo!! Sei que nos países muçulmanos ninguém nem bebe em público para não desagradar, mas acho que deveria ser uma coisa normal para quem jejua. Quem fica de boca fechada, não pode exigir que os outros fiquem também! eheheh E jejum forte é aquele em que vc é tentado toda hora mas não cai, não é? :-) ehehe melhor pensar assim pra seguir em frente :-) Todo dia também estou preparando almoço para o meu irmão, que vem filar a bóia em casa. Fico lá nas panelas só olhando, sem comer. E consigo!

Ai to com fome, falta ainda 3 horas pra eu comer. Tchau!

ps. Mas dia difícil para jejuar foi mesmo o que vivi ano passado. Se você não leu, olha aqui.

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