Posts Taggedjornalismo

A mídia brasileira ainda não se abriu para o Islã

Sei que é difícil dar um passo além. Sair do lugar comum e explorar fatos que vão além do que “achamos” certo e bonito, ou do que o resto do mundo vive falando. Mas peraí? New York tem seus correspodentes fora do eixo Israel-Palestina. A CNN bota a Amanpour dentro de vilas mostrando o outro lado. Porque então, no Brasil, é tão difícil para nossa mídia deixar a mesquinharia de lado, e partir para uma cobertura mais completa da política e sociedades islâmicas?

Se querem debater, botar noticiazinha, que façam então direito, ou deixem de se meter onde lhes falta conhecimento. Sim, este post é um desabafo, cansei de ouvir e ler asneira, sem um contraponto. Dos blogs do Estadão, o do Chacra ainda namora o outro lado e por ser de origem árabe (porém cristã), explora um pouco mais a vida também dos muçulmanos, mas sempre em cima do muro. Mas o resto, claramente e assumidos judeus, não se cansam de continuar com a política pró-Israel, incluindo chacotas e ironias contra o mundo islâmico, a exemplo de um tal de Guterman.

Na Folha, apesar de adorar o trabalho de Malbergier como jornalista econômico, já vi artigos dele que deliberadamente jogam como Israel sendo o salvador da região, e o resto…. bom, o resto é resto, na visão sionista, deve ir direto para lata do lixo.

E não, eu não defendo homens bombas nem a política de Hamaz, Hezbollah e Taleban. Acho tudo uma babaquice sem fim, seja como muçulmana ou ser humano. Minha pergunta é? Porque a mídia brasileira trata um tema tão importante somente por um lado da moeda? Porque não existem, então, muçulmanos assumidos fazendo reportagens e ganhando espaço na mídia também para mostrar o outro lado, se judeus assim podem? Sei que existe um domínio de famílias judaicas na mídia brasileira, mas até mesmo nos EUA, onde eles têm muito mais poder, existe mais cuidado nesse tipo de noticiário e cobertura.

E brasileiro, infelizmente, não gosta de pesquisar muito. Por isso recebo todos os dias comentários babacas, retardados e ignorantes aqui no meu blog, porque quem DEVERIA informar, não informa. E eles sugam das fontes nacionais apenas, ficando com a opção da ignorância.

Então, já que estou numa encruzilhada, continuo aqui com meu bloguinho tentando acabar com alguns preconceitos, desmistificando um pouco do mundo muçulmano pra vcs. E já recebi vários e-mail de agradecimento, de gente que disse que parou de ter MEDO do Islã depois que passou por aqui. Isso é minha grande recompensa.

11 comments fevereiro 18, 2010

Ser jornalista

Fugindo do assunto do blog, mais uma vez.

Já faz uns dias que não é mais obrigatório o diploma de jornalista para se exercer a profissão. Eu sou diplomada, com orgulho, e acredito que o mercado vai sempre preferir quem tem uma formação sólida.
Tem muita gente que acha que sabe escrever, mas não é bem assim. Nem mesmo um diploma basta. Resumi abaixo algumas das coisas que eu penso sobre a profissão, num texto que fiz quando ainda estava na faculdade e continua atual, ao meu ver.

Jornalista
Temos que ver um mundo de coisas, mas suprimir a essência da essência. O espaço no papel é sempre pequeno. Nunca temos centímetros ou toques suficientes, nem mesmo para vivermos como queríamos. As histórias são grandes demais, caras demais para o custo do papel.

Mas o jornalista não é cientista, em muitos casos não consegue apenas descrever uma cena, pois tudo que digita na tela do computador é fruto de um ângulo seu particular, de uma ou outra fonte consultada. A realidade não está ali fielmente retratada.


Por isso mesmo, é possível se dizer que a lida diária do jornalista faz parte também de uma poética. Aristóteles foi um dos que, há tantos séculos atrás, colocou lado a lado a diferença entre a episteme, ou seja, a ciência obtida por meio da observação, e a poética, que permite criar sensações hipotéticas, viver algo além e alargar horizontes. O jornalista tenta transitar por esses dois caminhos, ao alegar a objetividade, imparcialidade e o lide careta, com as principais informações cuspidas de uma só vez.


Mas quem é jornalista bem sabe: o fechamento chega, a página roda. No dia seguinte, sabem nosso nome. No outro, eles já se perderam no papel amassado, pisoteado pelo movimento incessante do tempo que passou e transformou tudo o que escrevemos em lixo. Só nós mesmos, com nosso orgulho enganador, guardamos tantas histórias em pastas amassadas. Só nós relemos com gosto o que passou, lembramos com carinho o que vimos.


Neste sentimento está a prova de que o que vimos não foi simples empirismo. Passou por uma transformação interna e da habilidade e criatividade do jornalista é que foi criado. Para contar uma boa história, não basta a enumeração de fatos importantes, mas sim um jornalista com capacidade de transformar o seco, o visto e passado em algo humano, atraente e vivo aos olhos dos leitores.

Isso é poética e exige paciência e treino, não apenas talento, como mostra Joseph Mitchell também em sua obra. O que há de maravilhoso em um pica-pau que, horas a fio, picota a madeira? Não é o fato em si, cotidiano e vazio, mas o calor que a retratação desta cena ganha ao ser escrita minuciosamente, lapidada e cuidadosamente exposta ao leitor por alguém.

Ou seja, uma cena pode ocorrer em mil vezes de maneira igual, assim como a queda do dólar, a alta do juros, a seca do nordeste. O episódio se torna único, porém, quando passa pelas mãos de um artesão da palavra e ganha sentido, personalidade e uma carga de sentido dada por um jornalista, romancista ou poeta.


De volta às redações, as teclas não param um minuto. Nem as risadas e conversas paralelas. Estamos num celeiro de criação, não numa zona industrial. O clima é informal e o talento não se mede pelas roupas ou discrição. Os mais aplaudidos são pessoas normais, como eu o você, não há segredo escondido. Não existe perfeição – uma vírgula pode muito bem faltar no texto daquele famoso – e o trabalho em equipe, lendo e relendo o que todos fizemos, transforma o impresso em algo melhor acabado.


E a vida está lá fora, sorridente e mudando o destino a cada segundo, continuando a trilhar seu caminho, exigindo uma paixão árdua daqueles que trabalham com ela. E não é fácil ser feliz sempre, ter as melhores palavras na ponta da língua ou o olhar necessário pra vislumbrar alguma novidade. Por isso tudo é que, talvez, a profissão seja apenas um constante querer ver, ouvir e sentir. Se nos tiram isso, perdemos a razão de existir.

5 comments julho 6, 2009

Jornalista, em qualquer lugar.

Sou jornalista, por isso sou chata. Gosto de perguntar, de entender e costumo não acreditar em nada, a não ser que mostrem as fontes. Nessa categoria se incluem qualquer comentário que você faça, e-mail com corrente e notícias estranhas.

Atualmente escrevo sobre o setor de papel e celulose, e minha paixão sempre foi economia. Mostafa se acostumou com meio jeito explosivo e ácido, e me apoiou até mesmo em empreitadas um tanto quanto perigosas.  Estávamos diante do plebiscito que faria com que o governo egípcio tivesse mais poderes sobre a população já sofrida daquele país. Não podia deixar aquilo passar, mesmo não estando mais ligada a nenhum meio de comunicação. Eis a reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 28/03/2007:

Mubarak triunfa em eleição suspeita /Egito
Data:
28/03/2007

Plebiscito aprova emendas constitucionais em meio
a denúncias de fraude e resignação da população

ALEXANDRIA, EGITO – “Com eleição ou não, vai ser do jeito que o presidente quer. Isso é o Egito”, afirmou ontem ao Estado um engenheiro, de 28 anos, que vive no Cairo, referindo-se ao resultado do plebiscito que aprovou 34 emendas à Constituição egípcia. As medidas, de acordo com a oposição, visam a reforçar o poder do presidente egípcio, Hosni Mubarak, restringir as garantias individuais, ampliar a proscrição dos partidos islâmicos e limitar a ação dos opositores do regime.
Segundo os números oficiais, as medidas impulsionadas pelo governo foram aprovadas por 75,9% dos eleitores. O comparecimento ficou em 27,1%. Essas cifras são contestadas. Para a oposição e organizações observadoras estrangeiras, menos de 10% dos eleitores compareceram às urnas.
“Não conheço ninguém que tenha ido votar”, diz o engenheiro. “Então, como é possível que haja um comparecimento de quase 30%.” Mas ele se resigna: “É muito normal que resultados de eleições no Egito sejam alterados.”
Um dos responsáveis por uma zona eleitoral de Alexandria, relatou que passou toda a manhã de segunda-feira sem ter o que fazer, pois poucas pessoas tinham aparecido para votar. “Por volta das 13 horas, policiais começaram a trazer em ônibus grupos de presidiários, funcionários públicos e eleitores recolhidos nas ruas”, disse.
“Davam às pessoas à cédula com o ‘sim’ assinalado, elas só tinham de ir ao colégio para assinar”, declarou outro estudante.
O plebiscito pedia que a população votasse a favor ou contra medidas como a eliminação de partidos com base religiosa, permissão para escutas telefônicas sem mandado judicial e a autorização para que homens que andem em grupo sejam abordados pela polícia e até presos, sem que tenham cometido nenhum delito.
As zonas eleitorais do país estavam preparadas para receber 36 milhões de eleitores registrados na segunda-feira, mas o movimento era pequeno nos locais de votação. As ruas estavam tranqüilas e o policiamento ostensivo não teve muito trabalho, já que também eram poucos os que se dispunham a protestar.
A série de emendas aprovada pelo Parlamento egípcio, de acordo com a ONG Anistia Internacional, se traduz na maior erosão dos direitos humanos nos últimos 26 anos no país”. “Como as pessoas votariam em favor da perda da própria liberdade? Alguém acha que 73% das pessoas aceitam que a policia possa entrar em nossas casas a qualquer hora sem permissão da Justiça?”, questiona um estudante de 21 anos. Para ele, que também não votou por prever a vitória do sim, “o pior é que falam na televisão que tudo isso é um avanço da democracia”.

PROPOSTAS POLÊMICAS
Artigo 5 – Proíbe a criação de qualquer partido político com estrutura ou base religiosa.
Artigo 62 – Permite eleições parlamentares em sistema misto, por lista partidária e distritos. A medida, na prática, impede que candidatos da proscrita Irmandade Muçulmana se inscrevam como independentes.
Artigo 88 – Nomeia uma comissão para a supervisão de eleições. Críticos duvidam que a comissão seja formada por independentes.
Artigo 179 – Permite a suspensão de direitos civis constitucionais em investigações de terrorismo, abrindo o caminho para que prisões, revistas e escutas telefônicas sejam feitas sem a necessidade de um mandado. A oposição teme abusos.

***

ps. Mostafa está super curioso para ver nossas eleições deste ano aqui no Brasil. É a primeira vez que ele está vendo campanhas eleitorais. Ele nunca votou  na condição de cidadão egípcio, mas acha que os políticos daqui não são tão diferentes da ditadura que existe por lá. E não é que tem razão?

1 comment agosto 13, 2008


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Conversão para o islamismo - por amor ao habiby ou por fé?:

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Eu namoro um egípcio, e agora? :
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Costumes do casamento egípcios, por uma egípcia:
http://egitoebrasil.com/2009/06/05/a-familia-no-casamento-egipcio/

Quero saber mais sobre o Islã (leia todos estes posts):
http://egitoebrasil.com/tag/isla/

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