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Terrorismo sem fronteiras
Toda vez que eu vejo algo sobre bomba, ataques a civis inocentes, simplesmente sinto vergonha de fazer parte da raça humana. Eu confesso que, mesmo sendo muçulmana, na hora liguei o que aconteceu hoje na Noruega com extremismo islâmico. Afinal, eles são mestres em fazerem esse tipo de idiotice, que só serve para mistificar ainda mais a religião, que não tem nada a ver com mortes de inocentes.
Pois bem, só que fiquei lendo as notícias e me sentindo muito triste. E aí aparece outra surpresa: um franco atirador, também na Noruega, sai disparando contra todos num acampamento de jovens ligados à política. Foi preso, é norueguês. Caramba, que mundo é esse, gente?
A Noruega é um país exemplo de democracia, lá você é livre pra qualquer coisa, existe igualdade social, teoricamente o mundo é perfeito. Fiquei sabendo que até a declaração de imposto de renda de modo mundo fica exposta na internet, ou seja, cada vizinho sabe o que o outro ganha. Então, o que levaria a esta barbaridade?
Eu não sei, só sei que quando começo a achar que entendo um pouco a humanidade, ela vem e prega uma peça dessa.
Até as últimas notícias, agora de noite, nada foi ligado com terrorismo internacional. Segundo as investigações preliminares da polícia, a questão é de política interna mesmo. Parem o mundo que vou descer, ok?
Egípcios no Brasil se preocupam – Mostafa deu entrevistas
Com os acontecimentos, Mostafa deu ontem duas entrevistas que foram publicadas hoje. Ele, como todos os egípcios, está muito preocupado e torcendo para que coisas boas aconteçam para todos no Egito. Aproveito para agradecer a mídia, que está divulgando muita coisa e mostrando o conflito.
Vejam e compartilhem:
Egípcio em SP fica sem contato
com primos e se preocupa
Egípcios no Brasil comemoram onda de protestos contra Mubarak
A mídia brasileira ainda não se abriu para o Islã
Sei que é difícil dar um passo além. Sair do lugar comum e explorar fatos que vão além do que “achamos” certo e bonito, ou do que o resto do mundo vive falando. Mas peraí? New York tem seus correspodentes fora do eixo Israel-Palestina. A CNN bota a Amanpour dentro de vilas mostrando o outro lado. Porque então, no Brasil, é tão difícil para nossa mídia deixar a mesquinharia de lado, e partir para uma cobertura mais completa da política e sociedades islâmicas?
Se querem debater, botar noticiazinha, que façam então direito, ou deixem de se meter onde lhes falta conhecimento. Sim, este post é um desabafo, cansei de ouvir e ler asneira, sem um contraponto. Dos blogs do Estadão, o do Chacra ainda namora o outro lado e por ser de origem árabe (porém cristã), explora um pouco mais a vida também dos muçulmanos, mas sempre em cima do muro. Mas o resto, claramente e assumidos judeus, não se cansam de continuar com a política pró-Israel, incluindo chacotas e ironias contra o mundo islâmico, a exemplo de um tal de Guterman.
Na Folha, apesar de adorar o trabalho de Malbergier como jornalista econômico, já vi artigos dele que deliberadamente jogam como Israel sendo o salvador da região, e o resto…. bom, o resto é resto, na visão sionista, deve ir direto para lata do lixo.
E não, eu não defendo homens bombas nem a política de Hamaz, Hezbollah e Taleban. Acho tudo uma babaquice sem fim, seja como muçulmana ou ser humano. Minha pergunta é? Porque a mídia brasileira trata um tema tão importante somente por um lado da moeda? Porque não existem, então, muçulmanos assumidos fazendo reportagens e ganhando espaço na mídia também para mostrar o outro lado, se judeus assim podem? Sei que existe um domínio de famílias judaicas na mídia brasileira, mas até mesmo nos EUA, onde eles têm muito mais poder, existe mais cuidado nesse tipo de noticiário e cobertura.
E brasileiro, infelizmente, não gosta de pesquisar muito. Por isso recebo todos os dias comentários babacas, retardados e ignorantes aqui no meu blog, porque quem DEVERIA informar, não informa. E eles sugam das fontes nacionais apenas, ficando com a opção da ignorância.
Então, já que estou numa encruzilhada, continuo aqui com meu bloguinho tentando acabar com alguns preconceitos, desmistificando um pouco do mundo muçulmano pra vcs. E já recebi vários e-mail de agradecimento, de gente que disse que parou de ter MEDO do Islã depois que passou por aqui. Isso é minha grande recompensa.
Ser jornalista
Fugindo do assunto do blog, mais uma vez.
Já faz uns dias que não é mais obrigatório o diploma de jornalista para se exercer a profissão. Eu sou diplomada, com orgulho, e acredito que o mercado vai sempre preferir quem tem uma formação sólida.
Tem muita gente que acha que sabe escrever, mas não é bem assim. Nem mesmo um diploma basta. Resumi abaixo algumas das coisas que eu penso sobre a profissão, num texto que fiz quando ainda estava na faculdade e continua atual, ao meu ver.
Jornalista
Temos que ver um mundo de coisas, mas suprimir a essência da essência. O espaço no papel é sempre pequeno. Nunca temos centímetros ou toques suficientes, nem mesmo para vivermos como queríamos. As histórias são grandes demais, caras demais para o custo do papel.
Mas o jornalista não é cientista, em muitos casos não consegue apenas descrever uma cena, pois tudo que digita na tela do computador é fruto de um ângulo seu particular, de uma ou outra fonte consultada. A realidade não está ali fielmente retratada.
Por isso mesmo, é possível se dizer que a lida diária do jornalista faz parte também de uma poética. Aristóteles foi um dos que, há tantos séculos atrás, colocou lado a lado a diferença entre a episteme, ou seja, a ciência obtida por meio da observação, e a poética, que permite criar sensações hipotéticas, viver algo além e alargar horizontes. O jornalista tenta transitar por esses dois caminhos, ao alegar a objetividade, imparcialidade e o lide careta, com as principais informações cuspidas de uma só vez.
Mas quem é jornalista bem sabe: o fechamento chega, a página roda. No dia seguinte, sabem nosso nome. No outro, eles já se perderam no papel amassado, pisoteado pelo movimento incessante do tempo que passou e transformou tudo o que escrevemos em lixo. Só nós mesmos, com nosso orgulho enganador, guardamos tantas histórias em pastas amassadas. Só nós relemos com gosto o que passou, lembramos com carinho o que vimos.
Neste sentimento está a prova de que o que vimos não foi simples empirismo. Passou por uma transformação interna e da habilidade e criatividade do jornalista é que foi criado. Para contar uma boa história, não basta a enumeração de fatos importantes, mas sim um jornalista com capacidade de transformar o seco, o visto e passado em algo humano, atraente e vivo aos olhos dos leitores.
Isso é poética e exige paciência e treino, não apenas talento, como mostra Joseph Mitchell também em sua obra. O que há de maravilhoso em um pica-pau que, horas a fio, picota a madeira? Não é o fato em si, cotidiano e vazio, mas o calor que a retratação desta cena ganha ao ser escrita minuciosamente, lapidada e cuidadosamente exposta ao leitor por alguém.
Ou seja, uma cena pode ocorrer em mil vezes de maneira igual, assim como a queda do dólar, a alta do juros, a seca do nordeste. O episódio se torna único, porém, quando passa pelas mãos de um artesão da palavra e ganha sentido, personalidade e uma carga de sentido dada por um jornalista, romancista ou poeta.
De volta às redações, as teclas não param um minuto. Nem as risadas e conversas paralelas. Estamos num celeiro de criação, não numa zona industrial. O clima é informal e o talento não se mede pelas roupas ou discrição. Os mais aplaudidos são pessoas normais, como eu o você, não há segredo escondido. Não existe perfeição – uma vírgula pode muito bem faltar no texto daquele famoso – e o trabalho em equipe, lendo e relendo o que todos fizemos, transforma o impresso em algo melhor acabado.
E a vida está lá fora, sorridente e mudando o destino a cada segundo, continuando a trilhar seu caminho, exigindo uma paixão árdua daqueles que trabalham com ela. E não é fácil ser feliz sempre, ter as melhores palavras na ponta da língua ou o olhar necessário pra vislumbrar alguma novidade. Por isso tudo é que, talvez, a profissão seja apenas um constante querer ver, ouvir e sentir. Se nos tiram isso, perdemos a razão de existir.



