Arquivos do Blog
Recesso de final de ano :-)
Quero deixar mensagem aqui pra agradecer todo mundo que participou e fez desse blog uma parte muito legal da minha vida neste ano!
Hoje para mim é o último dia útil do ano pois a partir de amanhã estou de férias e provavelmente vai ser um pouquinho difícil postar! Dia 7 de janeiro os posts voltam com regularidade normal, enquanto isso, para quem mora no Brasil e celebra as festas de final de ano, fiquem bem juntinhos das famílias e aproveitem estes momentos de união, pois eles são únicos!
E que 2010 venha cheio de coisas boas pra todos!
No superstar
I aint no superstar,
I’m just like you were
There’s no spotlights shining on me.
I aint no superstar,
I’m just like you are
Don’t need no diamonds or anything
I do my own things
***
Final de ano
Já escrevi uns dois posts e não tive coragem de publicá-los ahahaha Então por isso o blog anda tão desatualizado.
Minha mente já está em branco neste final de ano… tem muita coisa pra acontecer, mas nada definido. Dá sensação de que só em janeiro as coisas se resolvem, poderemos planejar tudo melhor e finalmente saber como caminhar no próximo ano.
Engraçado, toda virada de ano é a mesma coisa. Podiam cortar estas duas semanas e meia que faltam e pular direto pro início do ano! Quer dizer, eu podia estar de férias já, assim nem ia sentir que faltam duas semanas
Eu gosto de virada de ano, apesar de que do lado religioso/muçulmano esta data não significa nada de especial, quando estamos em um país do ocidente ela tem todo um valor. Afinal, orçamentos estão sendo fechados agora no final do mês, novos projetos só em janeiro, contratos só em 2010! Ou seja, fica tudo suspenso, como se uma nova etapa realmente terminasse. E não tem como escapar desse sentimento de final de alguma coisa. De avaliação: o ano foi bom, fiz tudo que prometi a mim mesma, o que eu conquistei ou perdi?
Continuo com os mesmos planos de dezembro de 2008, alguns sonhos diferentes, novas perspectivas. Eu sou um ser em constante mutação e quem me conhece de perto sabe que um dia posso ser a pessoa mais ácida e brava do mundo, já no outro desencanei de tudo e relaxei. Acho que em 2009 aprendi a viver mais pra mim mesma e minha família. Talvez tenha guardado algumas mágoas, mas tentei esquecer tudo e sinto que estou de alma lavada. E isso é bom!
Vou fazer uma coisa meio babaca, mas já que isso aqui é quase meu diário, vamos lá. Eu vivo esquecendo das coisas e detalhes, minha memória é muito ruim mesmo. Então pra não esquecer esse ano estranho que foi 2009, deixo aqui minha retrospectiva:
- Janeiro – fiquei revoltada com a guerra em Israel e as bombas de fósforo jogadas em civis palestinos. Fui para Minas e vi a queima de fogos de virada de ano mais miada do mundo: 20 minutos de show, detalhe que era uma bomba de barulho a cada 5 minutos ahahaha
Fui para o Paraná e andei num teleférico com vão maior que o do Rio de Janeiro! Conheci cidades encantadoras, vi a maior fábrica de papel do Brasil com meus próprios olhos e me encantei no meio da floresta de pinus. Achei que ia morrer na volta, muita turbulência e pousar em Congonhas é sempre uma emoção.
- Fevereiro – A crise financeira tava feia e tudo de projeto legal que eu tinha pra visitar foi meio que cancelado. Mês meio deprê do lado profissional.
- Março – Mostafa finalmente teve seu processo julgado e virou residente permanente do Brasil! Estou olhando na minha agenda e tem uma marcação “Tito 9h30″… sei lá, será que tinha marcado o que pra meu gato??
- Abril – Três grandes projetos de site em que trabalhei ganharam força… período bacana, de muito aprendizado! Adotei minha segunda gatinha, a Nina gamila, que virou irmãzinha do Tito balooza.
- Maio -Tirei minha primeira semana de férias depois de anos. Mama masry decidiu de vez de vir para o Brasil passar o ramadan. Começamos a procurar informações sobre vistos, passagens, etc.
- Junho – esqueci já
- Julho – não lembro de nada específico… eheeh na minha agenda tá anotado que no 14 vieram trocar em casa meu colchão, que estava na garantia e deu problema
ah, lembrei, Mostafa fez um curso intensivo, além do trabalho e aulas particulares, e quase pirou o cabeção. Foi parar no hospital umas três vezes e eu não sabia mais o que fazer pra curar a enxaqueca dele!
- Agosto – Mama masry chegou! Ganhei muitos presentes, comi muitas besteirinhas importadas do Egito e finalmente pudemos conversar de forma decente, sem microfone falhando do skype. Mostafa finalmente ficou bom de saúde novamente, graças a Deus! ( várias idas ao médico, raio-x e tomografia depois, descobrimos que o problema eram os dois dentes do ciso… )
- Setembro - Ramadan bacana! Fui na mesquita várias vezes durante a semana com a sogrinha! Fiz uma prova difícil de Cambridge e passei com nota boa. Viajamos pra lugares bacanas, vivi um período de muita paz nas outras duas semanas de férias que tirei. Meu irmão começou a trabalhar na mesma empresa que eu como temporário e foi muito legal ter convívio diário com ele de novo!
- Outubro – Foi meu aniversário e minha sogra foi embora. Foi bem difícil a despedida de todos, mas ficamos com a sensação de termos passado por quase um sonho, tantos passeios, lugares, descobertas!
No final do mês já tive que sair de casa de novo e fiquei fora uma semana num evento.
- Novembro – Nossa, isso foi mês passado e já esqueci.
- Dezembro – Muitos almoços de final de ano, todo mundo celebrando que 2009 finalmente acabou e que a crise econômica fique por aqui mesmo. Estou com projeto de um novo blog mais profissional e estudando programação, HTML e CSS… também parei pra pensar que não fiquei doente nenhuma vezinha sequer esse ano, nem resfriado tive! Tô forte e vamo em frente! Vou sair de férias dia 23 de novo! Melhor forma para terminar o ano…
E com vcs, como foi a retrospectiva?
Tristeza tem prazo de validade
A nossa vida nem sempre é tão fácil quanto queremos. Por vezes enxergamos possibilidades e tentamos ir atrás delas, mas nem sempre temos uma resposta positiva. Acredito que o importante é tentar.
Pode ser que uma porta se feche para você, mas existem diversas outras abertas esperando uma atitude sua. A porta mais atraente e aparentemente fácil de ser conquistada, às vezes, é a mais difícil de ser aberta. Não porque você não seja competente ou não esteja apto, apenas porque por ser fácil demais e te oferecer demais, muitos a tentam ao mesmo tempo. E não há espaço para todos, a maioria fica de fora.
Acho que existem muitas formas de se chegar ao mesmo fim. Alguns precisam de mais esforço para alcançar o que outros obtém na pura sorte. E se você não conseguiu algo baseado no acaso, reflita nas outras possibilidades e vá atrás se realmente quiser aquilo. Ou você só desejava algo por ser fácil? A vida não é assim e nada cai do céu. Ou seja, mãos à obra, levante a cabeça e deixe a preguiça de lado: batalhe pelo seu sonho, pois mesmo se não o concretizá-lo ao fim, com certeza terás ganho muito mais no seu caminho do que se estivesse parada esperando sentada pelo que tanto quer!
É normal que uma batalha perdida te deixe triste. Derrame umas lágrimas, fique com vontade de esmurrar alguém. Mas não tenha vergonha de não ter sido desta vez, solte seus sentimentos e durma. Quando acordar, esqueça de tudo aquilo e parta para próxima. Eu não deixo a tristeza andar comigo por mais de 24 horas e assim tenho sobrevivido muito bem durante 26 anos. Nas minhas memórias guardo só vitórias – não porque elas são o resultado da maioria das minhas tentativas, mas porque uma das maiores perdas de tempo do ser humano é a lamentação. E só tenho essa vida na Terra, sou um relógio que pode parar a qualquer segundo. Pode ser amanhã ou daqui alguns anos, mas sei que meu tempo é finito. E não quero desperdiçá-lo com as coisas ruins que, inevitavelmente, passam por nossas vidas.
Bom final de semana!!!

Eu por exemplo gosto de lembrar do Tito assim, quietinho e bonitinho numa foto como essa... não que ele me morde, rouba comida, joga areia suja no chão e mia no meu ouvido às 7hs da manhã
Não gosto de futebol mesmo…
Ontem o Egito perdeu o último jogo das eliminatórias contra a Argélia… Faz dias que não se fala em outra coisa por lá, o povo fica que nem doido na rua, nervoso. Quando a seleção da Argelia foi para o Cairo semana passada disseram até que o ônibus foi atacado por pedras, jogadores se machuram, bla bla bla. Se é verdade ou não, que importa? Também ouvi falar que iam pagar não sei qtos milhões se os jogares vencessem, dinheiro do governo e da iniciativa privada egípcia. Bom, tem escola no Egito que não tem água corrente e não consegue conter a gripe suína pq as crianças não tem nem onde lavar a mão, e o governo se preocupando com a Copa.
Ontem quando o Egito perdeu também deu quebra quebra, momentos dignos de nossa torcida aqui também, que quebram sejam ganhando ou perdendo (lembra quando os são paulinos detonaram a av. Paulista depois de vencerem um campeonato?). Mas a pergunta é: futebol vale tanta coisa assim, tanto ódio, amor, paixão?
Sei lá, eu acho que os atletas são exemplos de superação em muitas coisas. Sei que em muitos esportes o cara começa desde pequeno, treina horas a fio todos os dias, vive respirando aquilo e buscando a melhor técnica possível. Pode ser que alguns jogadores de futebol sejam assim também. Mas o que vejo muitas vezes é pura sorte de ser achado por um olheiro, desejo apenas por dinheiro e fama, e nada de exemplo de superação (com exceções, claro). O exemplo não é nada bonito, mas crianças pobres e excluídas tem como maior sonho não ser médico, professor, engenheiro. Vai na favela, o que elas querem? Ser jogador de futebol. Tá bom, e o que país e a sociedade ganha com isso? Sei lá, pra mim nada.
Não sou contra o lazer, as peladas de final de semana, camepeonatos bem organizados e justos. Mas o que vejo não só no Brasil, mas no mundo todo, é um bando de corruptos, troca de poder, grana preta rolando por cima do gramado e por baixo dos panos. E o povo se matando pra assitir, pra torcer… ai, que perca de tempo! Tá, deve ser porque sou mulher e não curto mesmo, sei lá, mas eu adoro assistir outros esportes. Porque será que o futebol em nada me atrai? Pensando bem, lembro bem de quando ia ver meu irmão nos campeonatos dele de futebol no clube e torcia feito louca. O problema não está no futebol, mas da forma que vejo ele sendo praticado profissionalmente.
Não me joguem pedras, mas já foi o tempo que eu me empolgava e torcia pela selação na Copa. Tô me lixando se ganham ou percam – com uma leve preferência para que percam. Não acho que torcer para nosso futebol seja sinal de patriotismo ou amor ao meu país. Tenho problemas muito mais sérios para pensar sobre a nossa sociedade que uma porcaria de jogo com 11 marmanjos correndo atrás de uma bola.
A mesma coisa pro time do Egito. Vi no Facebook os amigos todos com bandeirinhas do Egito, falando Yala Masr, bla bla bla Masr. Meu, nunca vi ninguém falando mal do Mubarak ou do pão subsidiado deles naquelas mensagens. Aí num jogo besta de futebol de repente todo mundo vira mega patriota?? Mesmo coisa no Brasil, pintam as ruas, gritam nas janelas.
Bom, eu devo ser uma chata mesmo. Deixa o povo ser feliz mesmo, viva o futebol, ópio do povo!
Blackout e o fim do mundo
Tínhamos acabado de chegar da locadora com vários filmes para assistir. Confortáveis no sofá, gatinhos no colo e um copo de Coca geladinha na mão. Nem chegamos a terminar de ver os trailers, a luz piscou algumas vezes e Musta correu pra tirar tudo da tomada.
Sorte que mês passado já tinha acabado a luz uma vez e eu tinha um estoque novinho de velas no armário. Acendemos umas quatro. Os gatos burros ficaram insistindo em querer cheirar a chama. Tento tirar, mas não dá, é uma distração e a Nina enfia o nariz no fogo. Só ouço um “shishshshs”, os bigodes dela se enrolam como num passe de mágica, tudo queimado.
Olhando pela janela vejo que o apagão era grande. Já imaginei um blackout mesmo, pois quando é regional geralmente se apagam apenas algumas áreas da cidade. Peguei o celular para ligar para minha mãe que mora do outro lado da cidade. Celular sem sinal. “Ai, será que é tão falado fim do mundo?”. Comecei já a divagar. O que eu teria de fazer se a luz nunca mais voltasse e a gente não tivesse mais telefone? Nossa, eu ia ter de ir a pé vários quilômetros até a Zona Norte para ver minha mãe. Ué, mas falei de falta de luz, não de gasolina… Ah, mas aí como o posto de gasolina ia funcionar? Será que funciona sem luz? Ix, e como vou tirar o dinheiro do banco? Será que banco dá dinheiro se não tem sistema de computador?
Falei pro Mostafa que sem luz no mundo a gente estava ferrado, porque nossas profissões não iam ser de muita valia. Não íamos precisar tanto de inglês porque ninguém ia ficar viajando ou falando pela internet com gente de fora. Eu, como jornalista, ia ter que procurar algum lugar com máquina de escrever para trabalhar. Mas será que iam ter máquinas de escrever suficientes no mundo para essa nova realidade?
Fiquei pensando. E agora, como vou saber se o que está acontecendo é o fim do mundo? Não tem TV, não tenho radinho de pilha e minha internet está fora do ar. Lembrei do MP3 de camelô que eu tenho. Aquilo tinha rádio, lembro. Achei o negócio, roubei uma pilha do controle remoto e coloquei o fone. Algumas rádios no ar falam que falta luz em quatro estados.
Em Brasília tem luz. Ah, no resto do mundo também tem luz. Então tá, acabaram-se então minhas teorias sobre o que fazer num mundo sem luz, tudo isso é incopetência mesmo do nosso governo. O ministro falou na rádio que o apagão pode ter sido ocasionado por “situações meteorológicas”. Ráááá, conta outra tio, um país desse, entre as 10 maiores economias do mundo, fica sem luz por causa de chuva? Só te perdoava se fosse um furacão.
E foi lá em Itaipu. Ih, não é lá que já falaram que o Bin Laden se escondeu? Do jeito que a coisa anda, daqui a pouco já vai ser culpa de muçulmano o apagão também. Terrorismo, protesto contra a presença de Madonna no Brasil, que além de ser meio judia vive de roupas curtas por aí. Jesus, acende a luz!
Enquanto eu divagava, Mostafa fazia um chazinho de maçã. Ele estava bravo que eu fiquei ouvindo a rádio e larguei ele sozinho. “Desliga isso, Marina!!!”. Tá bom, pronto. “Mas e aí, o que a gente faz agora?”, perguntei, perdida. “Ué, vamos conversar!!”, respondeu, como se eu tivesse esquecido de algo óbvio.
E aí esqueci a falta da luz, o fim do mundo, a Madonna e o Talebã. Ficamos batendo papo até altas horas, conversando sobre coisas nada a ver e o tempo passou. Quando nos tocamos, já era super tarde e eu precisava dormir. Afinal, nesse ponto já estava agindo como uma cidadã cética normal, com a certeza de que a luz voltaria antes do amanhecer e eu não ia ter desculpa nenhuma para faltar no trabalho.
Dito e feito. Às duas e pouco da manhã, as luzes se acendem, a TV liga sozinha e Tito solta miados de susto. Levanto, apago tudo e volto para meu confortável travesseiro.
Pensando sobre religião
É engraçado como a procura por nossos antepassados é instigante. Sejam os cientistas, loucos por teorias da evolução; filósofos, para os quais a existência começou com a alma e a razão; ou religiosos, que nos fazem nascer do barro. Eu, reles mortal, patinava em tudo isso em busca de razões. E à medida que mais me procuro, menos sei de mim mesma.
*
Existiu um tempo em que eu não entendia a religião, os credos e porque deveria confiar no que os homens me falam. Esperei ver um milagre na minha frente, fui em retiros e achava que ia ver Jesus passeando em alguma nuvem. Pedia alguma prova, mas depois ficava com medo de algum santo me aparecer de noite e me dar um susto. Falava para Deus então que eu não queria ver nada não, muito obrigada.
Aprendi sobre a ciência, li de cabo a rabo um livro sobre os dinossauros. Pensava em como o mundo poderia ter tido tudo aquilo, como espécies desaparecem. Ouço falar no fim do mundo, no aquecimento global, na volta de um profeta. Queria saber onde está Deus, fazia as perguntas básicas da filosofia: de onde vim, para onde irei?
Mas depois de viver perdida neste mundo, encontrei alguém que me tirou a poeira dos olhos e libertou meu coração. Algo inexplicável nos uniu mais do fisicamente. O que inquietava meu coração simplesmente sumiu. Aprendi novas coisas, um olhar diferente sobre Deus e vi lógica no mundo. Não, não virei criacionista. Muito pelo contrário, com a fé renovada vi muito mais sentido nas explicações da ciência, entendi a mágica dos buracos negros, a magnitude dos instintos animais e a ordem suave e constante da natureza. Se existe algo que nos deu origem, uma evolução da espécie, nada disso poderia acontecer sem um ponto inicial. É Deus que iniciou nosso processo de existência, sem Deus, mesmo com a evolução e mil Darwins dando ordens, nunca chegaríamos ao que somos hoje. Existe algo além do que podemos explicar dando sentido a todas as mudanças e a evolução não pode ser apenas do acaso. Ou por acaso nos tornamos humanos? Por um simples capricho da sorte estamos aqui, temos sentimentos e pensamos? Impossível. Não sei como os ateus sobrevivem a estas questões tão simples.
Vejo na ciência e religião complementariedades, não disparidades.
Um sorriso me escapa a cada vez que descubro mais coisas do nosso mundo e do universo. Já ouvi falar de massa negra tapando buracos no universo, da física que nos mantém grudados ao chão. E vejo coisas tão simples e grandiosas ao mesmo tempo, uma gota d’água evaporando na frigideira, uma brisa tocando meus cabelos. A cada mistério, em cada nova pergunta, só consigo enxergar a existência de Deus.
*
Minha fé não veio apenas na forma. Ser muçulmana não significa apenas vestir certas roupas, rezar com a testa no chão ou dizer Salam Aleikom. Ter fé é sentir, estudar, buscar conhecimento que vai além de normas e regras a serem seguidas. Não me adianta de nada decorar mil hadiths ou dizer que sigo a sunnah, ir até Mekkah e chorar em frente à Kabbah se faço tudo sem entender que, acima de tudo, as provas de que Deus é grande – Allahu Akbar – estão no meu dia a dia e em qualquer lugar. E para exergar isso não existem métodos ou regras, é algo que nasce dentro da alma.
Não, não estou renegando nada, nem dizendo o que é ou deixa de ser obrigatório. Mas acredito que só vou deixar de ler notícias com menos preconceitos e piadas em relação a nós quando os próprios irmãos muçulmanos deixarem de pensar apenas na forma, nos julgamentos que fazem e nas desculpam que vivem criando para cometer abusos, e passarem a se focar no mais importante, em Deus.
(e o pior é pensar que o que escrevi hoje, para alguns muçulmanos será de ofensa grave.)
Estresse por excesso de comprometimento
Passei esses dias longe de casa, longe do blog. E acabo sempre por refletir muito sobre minha vida, sobre o que fiz e no que posso ser uma pessoa melhor. Perdi muito tempo me frustrando com as pessoas, sem notar que boa parte das minhas mágoas são causadas por mim mesma e que nunca é tarde para mudar. Mas calma, esse não é mais um dos meus post de reclamação ou “mimimis”, como dizem hoje em dia. É sobre auto-conhecimento.
Tive uma ótima conversa com minha chefe num almoço durante a semana e ela é sempre sensível e excelente para analisar personalidades. Na hora que eu comecei a me abrir um pouco, ela falou claramente que via que eu estava “estressada por excesso de comprometimento”. Em outras palavras, disse que eu estava me comprometendo com coisas demais, que não eram da minha alçada, me preocupava e lutava por coisas que não são da minha responsabilidade. Por causa disso, muitas vezes me botava a frente de problemas que nem eram meus, penso que tenho solução para tudo e que poderia ajudar.
Mas nem sempre as pessoas precisam de uma resposta. Elas só querem falar, desabafar e eu não preciso sempre ter uma solução na manga, tentar dizer o que penso ou faria. É preciso dar o outro a chance de experimentar, de viver também. Os erros fazem parte da vida de cada um e não sou eu que vou salvar uma pessoa ao tentar ficar pulando na frente dizendo “faça isso”, “não faça aquilo”. Muito menos vou me dedicar a solucionar coisas de gente que mal conheço, que se abrem um pouco e eu já escancaro meu leque de ações e opiniões. Calma lá, Marina, respire e deixe os outros respirarem.
Vejo que errei muito ao falar com pessoas que me pediram ajuda sobre seus relacionamentos com egípcios e afins. Sempre falei o que pensava e o que faria e insistia naquilo quando achava que a mulher estava cega. Mas cheguei a conclusão que cada um passa na vida o que precisa, cada pessoa só aceita um problema para si porque quer. O blog tem tanta informação clara sobre como é o casamento e como saber se o cara é verdadeiro. Porque eu vou ter que ir lá, cutucar o ombro da moça e dizer “eii, você não leu isso e aquilo, não tá vendo que está sendo enganada?”.
Muita gente quer ser enganada, quer viver de sonhos, de ilusão e se eu mexer nesse tipo de coisa, a culpa sempre vai vir para mim depois. Se tento mostrar os problemas e abro os olhos de alguém é porque sou chata e terminei a relação dos sonhos deles. Se eu fico na minha e falo bem, que o risco vale a pena e a menina vai pro Egito e quebra a cara, a culpa também é minha depois, pois ela diz que não a alertei e a fiz ir para o Egito. Então é complicado, não sei ser uma pessoa que fica em cima do muro, por isso decidi simplesmente não falar mais nada sobre relacionamentos. Afinal, todo mundo tem direito de aprender, de errar, de tentar ser feliz. As informações estão dispostas não só nesse blog, mas em muitos outros lugares, nas mesquitas e livros. Quem procura acha.
Mas não é só nisso que sempre fiquei falando e me comprometendo em ajudar demais, como se fosse minha responsabilidade. Já passei horas com gente que só me pedia ajuda com documentos, tradução, como fazer visto e blablablá e achava que estava salvando o mundo. Aí a menina sugava o que precisava, simplesmente dava “tchau e benção” e nunca aparecia para falar mais nada, ou contar como estão as coisas, criar algum laço de amizade. Outro dia, até emprego para um cara que mal conheço tentei arrumar, nem e-mail de agradecimento da esposa recebi. Não sei se eu que fico esperando demais, algum reconhecimento. Mas eu não sou tão altruísta assim ao ponto de fazer as coisas sem esperar no mínimo gratidão em troca. Como disse outro dia, acho que minha cota de sorte nos relacionamentos virtuais deve ter estourado com o Mostafa.
Quem me conhece pessoalmente sabe que se me empolgo com um tema, viro uma matraca. Eu sou assim em tudo, destampo a falar o que penso e sinto e como diz aquele bom ditado, “em boca fechada não entra mosquito”. E quanto menos a gente fala, menos chance de falar bobagem tem. Como meu nível de blablablá é extremamente elevado, devo falar muito babaquice por aí.
Mas eu estou conseguindo mudar. Já larguei coisas que me faziam querer comentar, argumentar e expor a “verdade”. Que era minha verdade, não necessariamente o que os outros queriam ou precisavam escutar. Estou tentando viver mais na minha, em paz comigo e mais preocupada com o que realmente importa para minha vida.
***
Só para terminar, acho que o exercício de pensar sobre si mesmo vale para todo mundo. Sempre temos algo que podemos ser melhores, como fazermos coisas boas para as pessoas sem nos machucarmos e machucá-las. Isso é um exercício diário e eterno, acredito. E para quem pensa que seu jeito é assim e pronto, quem quiser que aceite, lembre-se que todos vivemos conectados nesse mundo, a ação de um influencia na vida do outro, não dá para pensar de forma isolada somente no que é bom para nós. Devemos ser mais agradecidos a quem tenta nos fazer um bem, mais fraternos com quem precisa de algo, mais responsáveis com nossas atitudes. É o que tenho tentado fazer.
Boa semana pós-feriado!!!


