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Uma mente simplista
Confesso que devo ser uma pessoa de mente muito simples, sem grandes conexões ou opiniões. Pra mim, tudo no mundo é mais fácil do que ele é apresentado nas notícias, nos blogs, nas discussões de facebook. Para mim, se a pessoa quer ser punk, gospel ou munaqaba, tanto faz. Ela está feliz? Está suprindo suas necessidades sendo assim? Então, parabéns, que ótimo, seja feliz, eu não tenho nada a ver com suas escolhas.
A minha visão de mundo é muito natural, cada um tem seus gostos e suas crenças, e não sou eu que vou mudar a opinião de ninguém. Aliás, o mundo é tão divertido quando conhecemos pessoas diferentes, que pensam outras coisas, que nos fazem pensar ou refletir, às vezes até mudar.
Viver sem preconceitos ou ideias formadas não é fácil. Claro que às vezes me pego fazendo algum julgamento, tentando entender ou comparar alguém que é diferente de mim com o que penso. Geralmente chego no vazio, pois impor o que se pensa para o outro nada mais é do que correr em círculos sem fim. Agora, o que mais me surpreende, é quando as pessoas tentam impor o que acham certo em relação à fé para os outros. Uma coisa é eu achar que tal pessoa deveria usar roupa rosa, ao invés de branca, porque fica bem nela. Outra coisa é eu dizer que ela tem que seguir a MINHA regilião – onde também se inclui modo de vida – só porque acho que é melhor.
E esse debate, é necessário em todos os lados. Hoje, me deparei com uma pessoa escrevendo isso no facebook (sobre aquela blogueira egípcia que tirou uma foto nua, pra quem vale esse post também):
” Fala pra ela vir pro Brasil, aqui muie pelada da revista e não pedrada! Esses muçulmanos são loucos, mata a mulheres se colocar o olho pra fora da burca, e anda de mão dada com macho na rua! Aff! Maricones loucos!”
O que dizer para alguém que tem coragem de ser ignorante em público? Que tem coragem de ser racista, julgar um povo inteiro os “muçulmanos”? Imagine se você trocasse a palavra muçulmano por “preto”, daria até cadeia né? Aliás, eu acho que isso é também racismo, não sei como a lei interpreta isso, mas acho vergonhoso alguém em pleno século 21, que mora no país “da liberdade”, ter coragem de se expressar assim em público.
O que nos leva a achar que sabemos exatamente como um povo vive? E a pensarmos que em tudo somos superiores? Por que uma questão de crença e fé, precisa ser ofendida? E como disse, isso é uma conversa em diversas correntes. Por que, no Egito, precisavam criar polêmica se a menina tirou roupa? Por que, no Egito, namorados não podem se abraçar nas ruas? Por que, no Egito, as mulheres não podem se vestir como queiram? Sei lá, para mim é uma questão tão simples, cada um faz o que quer. Se na minha crença, eu acho que me cobrir é o correto, ótimo, agora sair desse pressuposto para já sair de casa e agredir alguém porque não segue o que eu quero, é o cúmulo do egocentrismo, certo?
Então, porque vivemos em países, sociedades (seja no Brasil, no Egito) que estimulam esse egocentrismo, em que existe só um modelo correto? No fim, todos os países e sociedades são imperfeitos, e esse post todo é uma grande perca de tempo, pois quem deveria ler, se um dia refletir sobre isso aqui, vai continuar achando sua ignorância algo superior que este meu simplismo romântico.
Radicalismo não faz bem
Vou começar o post com uma historinha engraçada que vivi hoje. Estava num evento sobre um tema polêmico do nosso país hoje em dia, a reforma do Código Florestal Brasileiro, com políticos responsáveis pela aprovação do projeto no congresso e no senado. Pois bem, havia uma programação de palestras e espaço par debates ao fim.
Estava eu sentadinha ali na terceira fileira, bem no meio, para ter visão de tudo. E duas moças sentaram-se uma de cada lado meu. Elas destoavam um pouco do perfil do público em geral, estavam de jeans meio rasgado, sapatilhas e meias coloridas, bolsas que pareciam ser feitas de material reciclado. Pensei: é a turma do “meio ambiente”. Sem problemas.
Palestra 1, polêmica, forte, ok. Percebi que as duas não aplaudiram ao final. Palestra 2, palestrante mais moderado, conciliador. Também não aplaudiram. Palestra 3, bomba atômica, era a vez da senadora Kátia Abreu fazer sua exposição, e em menos de dez minutos ela falou algo do tipo: “sou contra a criação de reservas legais, porque….” Não deu tempo dela explicar seu ponto de vista.
A menina à minha direita levantou, e aos berros começou a gritar: “Como vocês conseguem dormir de noite, sabendo que vão acabar com as florestas, como vocês aprovam o uso de agrotóxicos…” bla bla bla, começou uma gritaria de todos os lados, ela simplesmente não parou de gritar, como se gritar no meio de uma palestra fosse mudar a visão de quem estava ali. O presidente da mesa pediu para ela se sentar, pois ainda não estavam aberto os debates, mas ela não quis saber, e gritava muito, ao ponto de eu franzir a testa e abaixar a cara de “vergonha alheia” (sabem essa sensação?). Pois bem, ela simplesmente quis invadir a apresentação, que eu sinceramente queria ouvir, pois me interessa saber o que o senado está pensando, não esta ambientalista (mesmo com seus motivos), e o protesto dela ali não fazia muito sentido. Ficou pior ainda quando seguranças foram chamados para retirá-la do ambiente. Foi desagradável. E eu ali bem no front…
Pois bem, não passou nem cinco minutos da retomada da palestra, um homem atrás de mim fez a mesmíssima coisa. Começou a protestar, gritando, falando um monte de coisa sem sentido naquele momento. Seguranças de novo, baderna – esse gritou até mesmo de fora da sala.
Pois bem, terminada a palestra – finalmente! – foi aberto o debate. E mais ambientalistas apareceram, com seus argumentos e questionamentos. Ninguém foi retirado da sala, e eles puderam expor seu ponto de vista e serem ouvidos. Quem saiu ganhando? Os que gritaram, ou os que questionaram depois com respeito e no momento adequado?
Bom, eu sou uma pessoa moderada, já fui radical em algumas coisas, mas aprendi muito com a vida que não adianta você achar que está 100% certa e que os outros tem de concordar comigo nem que eu precise gritar. Eu sou contra qualquer tipo de radicalismo, seja na religião, no patriotismo, na política, no futebol ou em qualquer coisa. Quando você está cego por alguma razão, acaba por deixa de escutar o outro lado, e aceitar que alguém pode ser diferente de você.
E não, isso não significa que eu não tenha minha opinião ou não possa debatê-la, tem horas que o sangue ferve e você quer falar o que pensa de qualquer maneira, mas não significa que se o outro quiser falar comigo e se explicar melhor, eu vou deixar de ouvir.
Para mim, porém, o radicalismo se mostra de várias formas. Pode não ser no meio de um evento como vi hoje, mas numa manifestação contínua sobre algo que se conhece pouco, sem ouvir o outro lado, sempre munido de muito ódio e revolta. Sinceramente, eu fiquei com medo daquelas ambientalistas do meu lado, me senti vulnerável ao ódio delas, não que eu em parte não pudesse concordar com seus argumentos, mas sua violência com as palavras me agrediram. E não precisa ser ao vivo para se sentir isso. Como já disse no meu último post, tenho visto muitas coisas agressivas pela internet contra egípcios, muçulmanos, que exalam esse mesmo tipo de sentimento. Me sinto triste, impotente, parece que contra esse ódio visceral, não há argumentos que bastem, e me sinto meio perdida nesse mundo… será que há espaço para moderação, aceitação da opinião dos outros, da religião do outro, sem ataques ou acessos de raiva? Não estou dizendo que sou perfeita, já tive meus radicalismos, alguns muito bem expostos neste blog, mas refleti e tento melhorar um pouco, hoje aprendi que sou cheia de defeitos demais para tentar impor o que penso para os outros e me machuco quando vejo outros fazendo isso.
*
Musta sempre fala que eu tenho que aprender a usar o botão “delete” na minha vida, tirando tudo que me faz mal da minha cabeça, sem perder tempo com quem só traz coisa ruim para minha vida. Mas quem disse que consigo? Se eu fosse tão desprendida assim, esse blog não existiria.
O dilema de Higienópolis
Hoje eu passei o dia com dois temas na cabeça, ideias que foram e voltaram. São assuntos completamente diferentes, que valeriam um post cada. Como não sei por qual me decidir, vou escrever apenas este.
Post: O dilema de Higienópolis
Saiu no noticiário: “Moradores do bairro de Higienópolis protestam contra metrô na região”. Uma senhora infeliz do bairro deu uma entrevista dizendo que o transporte público traria “gente diferenciada” ao bairro, quer dizer, aumentaria a circulação de pobres no local. Suficiente para virar hashtag no Twitter o dia todo e gerar os mais variados debates.
Primeiro, eu levaria em consideração o poder público. Como se vendem rápido para a minoria endinheirada. Ponto.
Segundo, o planejamento público também odeia pobre, pois ao invés de fazer metro que vai lá pros confins da zona leste, prioriza mais estações nos bairros onde as estações já existem ou estão próximas. Claro, ter mais estações seria ótimo para o local, mas não é preciso muito para ver que o metrô, melhor transporte público que temos, também é priorizado nem sempre nas áreas mais necessárias. Ponto.
Terceiro, depois disso o debate ganhou o twitter, fóruns de sites e comentários de notícias, com aquele mesmo preconceito brasileiro que já vi em outras vezes contra os muçulmanos, nordestinos, negros, etc. No Twitter, desta vez o povo pegou pesado com os judeus. Para quem é de fora e não conhece, Higienópolis é um bairro nobre de São Paulo, que concentra uma grande comunidade judaica, talvez a maior do país. Lá é bem comum ver judeus com suas roupas típicas e kipás, por exemplo. Pronto, já foi o suficiente para muita gente juntar preconceito, com judeu, com esnobismo, com segregação. Engraçado que como eu moro a menos de 1 quilômetro do bairro, parte do meu cotidiano passo lá. Vou na padaria (melhor do Brasil, chamada Benjamin Abraão), meu dentista é lá, uma das minhas churrascarias preferidas é por lá e Mostafa tem alguns alunos de árabe por lá. Peraí, eu não sou nobre nem judia, muito pelo contrário, circulo por lá em meu carrinho velho financiado, e nunca senti nenhuma hostilidiade ou gente me tratando com esnobação. Até minha sogra andou lá de abaya preta e hijab, e não vi nem um olharzinho enviezado sequer.
Estou falando tudo isso, porque tem algo que desde pequenininha minha mãe me ensinou, e quanto mais experiência eu ganho na vida, mais rode o mundo, mais eu vejo que isso é verdade: preconceito e julgamentos generalizados não nos trazem verdade alguma. Eu sei lá quem assinou essa petição para tirar o metrô de lá, mas tenho certeza que foi uma minoria bem minoria de Higienópolis, porém poderosa, mas nem por isso precisamos chegar a extremos neste debate.
Eu sou uma pessoa moderada, pode não parecer. Mas eu sempre gosto de ver todos os lados. Às vezes tenho uma opinião inflamada, e logo depois me recolho para refletir melhor. E para algumas pessoas é difícil entender como vai meu raciocínio. Outro dia, só porque mencionei coisas boas dos EUA num post, vieram me perguntar porque raios eu defendia o país. Eu não defendo o país, defendo pontos positivos, critico os negativos.
A mesma coisa com qualquer povo, seja palestino ou israelense. Se eu quisesse a polêmica pura e fria, escreveria aqui a minha teoria para o fim do conflito na Palestina. Mas ela não agradaria nem um nem outro, pois sou uma conciliadora, e conciliações não combinam com a atual política mundial. Então eu prefiro fazer um copo de chá Lypton, vindo direto do Egito, sentar no meu sofazinho e dar risadas tristes lendo Joe Sacco. Eu não queria soar pseudo-intelectualóide, mas este mundo me cansa tem horas.
Da ingenuidade
Eu acho que ninguém me conhece.
Não sabem quando meu sorriso na verdade é um choro sofrido,
Nem vêem a desilusão que em mim às vezes cresce.
Sinto que pareço falsa sem ao menos nunca ter mentido,
E que para muitos fui embora sem na verdade nunca ter ido.
Nunca fui rodeada por vários amigos.
Mas também nunca estive sozinha neste mundo.
Sou incopetente ao ponto de não arranjar nem pelo menos um inimigo.
Mas a verdade é que tenho este meu medo bem lá bem no fundo,
de que alguém perceba este meu lado mal amado e moribundo.
Mas boba eu nunca fui em nenhum momento,
E posso até não falar, não demonstrar,
Mas sempre reconheço o verdadeiro sentimento.
De tolice nunca recebi minha parte neste planeta e nem irei ganhar,
pois meu pensamento rápido e ácido, sei que nada irá jamais domar .
É, eu acho que ninguém me conhece.
Problemas e dúvidas
Todos os serem humanos tem suas privações, seus momentos de desassossego. É como uma chuva fria que cai no rosto, um adeus doído de alguém querido, uma noite mal dormida com pesadelos assombrosos, uma tarde monótona de domingo. É um tempo de pensar no que se quer, como fazer. Traçar planos que fervilham na cabeça, procurar respostas mesmo sem ter as perguntas certas para fazer.
E mesmo que tudo pareça bem, mesmo que tudo seja bom de verdade, é difícil escapar desses momentos onde tudo parece ir contra nós mesmos, onde o desânimo começa pequeno, vai se aconchegando e, em poucos minutos, parece a única coisa que existe em nossas vidas.
Mas eu sou boba, todos nós somos bobos. Não precisava de nada disso. É só ajeitar a vida com as possibilidades que se tem na mão, com o que se pode fazer. Focar no presente, ao invés de só enxergar o que está longe.
Uma hora passa, apenas o que me incomoda é o período de indefinições, de grandes decisões. Basta chegar a uma conclusão que tudo isso se esvai pelo ralo e volto a ser quem eu sempre fui.
O quinto aniversário
Segundo o Musta, este é meu quinto aniversário que comemoramos juntos. Insisti que eram quatro, já que em presença física foi só a partir de 2007. Mas ele fala que o de 2006, quando ainda éramos quase que estranhos conversando pela internet – mas já com planos malucos de casamento – também entra na conta.
Lembro que no aniversário de 2006 eu estava naquele mar de perdição, era ramadan, eu descobria tantas coisa ao mesmo tempo. Em pleno aniversário de 23 anos, uma adulta completa já, com direito a diploma de formada, trabalho e responsabilidades, eu descobria que, na verdade, eu não sabia quem eu era e se havia me tornado a mulher que sempre imaginei que seria. E até mesmo quem me conhecia desde bebê, como meus pais, também se confrontavam com essa dura verdade: quem seria Marina, o que estaria acontecendo com ela?
Oscilava meus momentos de humor ácido, força de expressão e tagarelice, com dias cada vez mais quietos e escondidos na frente de um computador, ou trabalhando mais de 20 horas por dia. Chegava a sair 2 horas da manhã de um pescoção (*gíria de redação para o fechamento do jornal da sexta), coisa que nunca tinha feito. Trabalhava duro, mas depois ficava lá, sem vontade de ir para casa. Só no computador, pensando, buscando coisas.
O sono, sempre profundo e que de domingo ia até depois do meio, tornou se ralo e chato. Teve uma noite, lembro até hoje, que parei de conversar com Mostafa 5 horas da manhã. Dormi até às 6h30 e já estava disposta para a aula de ginástica e depois trabalho. Virei zumbi em nome desta mudança, com certeza eu não estava normal e hoje reconheço isso mais do que nunca.
As pessoas próximas sabiam que algo de muito estranho acontecia comigo, mas eu não conseguia dizer o que era, nem elas podiam ter ideia. Achava melhor esconder ao máximo meus planos do que correr o risco de me expor e dar tudo errado depois. Mas minha mãe sempre soube de tudo, como sempre, mesmo sem falar, ela sabia que algo muito difícil estava por vir.
Ah, as perguntas sobre o que havia comigo… levaria dias e anos de estudos interior e psicanálise para descobrir porque, aos 23 anos, deixei muito do que eu era para trás em busca de algo totalmente novo. Talvez já fosse esperado que um dia isso aconteceria, desde os tempos em que eu era nova minha mãe, principalmente, sabia que eu era propensa a loucuras sem fundamento.
Mas hoje nós duas sabemos que não se trata de doença mental ou propriamente de loucura. É a lagarta que um dia sai do casulo, o espírito aventureiro que desperta um dia sem rumo, o amadurecimento que chega sem ser notado. É o jovem que, pouco a pouco, tem de deixar desejos e colocar em prática o que sonha para ser feliz. Algumas pessoas se contentam com o certo, provável, conhecido. Eu não, sempre gostei das alturas, de cair de braços abertos para o mundo, de subir em muros e entrar em passagens proibidas. E, mais cedo ou mais tarde, naquele aniversário de 23 anos, o traço mais difícil da minha personalidade pedia para ser libertado.
E foi…
Mas o que aconteceu comigo naquele aniversário de 2006, o primeiro com o Musta, tinha uma explicação. E eu hoje entendo bem tudo que se passou. Acredito que parte de vocês também. Muitas das que me lêem, já viveram isso. É uma inquietação, misturada com sonhos, paixão, amor e fé, junto a uma boa dose de coragem para mudar. Porque mudanças nunca são fáceis. O ser humano, naturalmente, está confortável com o que é, se sente melhor com a estabilidade e sem surpresas. Para mudar, é preciso dor, é preciso ser radical, é preciso partir para uma batalha sem anestesia. Fazer o que fiz não me torna melhor ou pior do que ninguém, simplesmente porque faz parte do que eu sou, do que eu precisava para ser completa. Sem minha história com Musta, eu nunca seria quem eu sempre quis ser.
E toda aquela mudança, apesar de parecer tão radical, na verdade não transformou quem eu sou. Partes de Marina pareciam em mutação, algumas adormeceram por certos meses, mas toda a experiência que vivi a partir destes 23 anos só serviram para reafirmar quem eu sou e o que busco na minha vida.
Agora, cinco anos depois, vejo que continuo a mesma pessoa daqueles cinco anos atrás. Com certa bagagem para não repetir as besteiras, mas com o mesmo humor e otimismo que sempre carreguei.
E aquela frase “ninguém muda por ninguém” continua sendo a mais pura verdade. Apesar dos quilômetros que viajei – seja física ou espiritualmente – Marina é a mesmíssima de 2006. Hoje minha mãe sabe, apesar do susto daquele ano, que ninguém fez lavagem cerebral em mim ou que passava por algum transtorno emocional. Foi só mesmo o mosquitinho da inquietude da alma que me picou. E eu tratei de ir atrás da cura.
Estou de greve…
Para mau humor, preconceitos, assuntos polêmicos e coisas que coloquem a gente pra baixo.
Meu post anterior foi apenas de agradecimento e desejar feliz Eid, mas alguns leitores insistem em achar que eu sempre colocar a mão no vespeiro e transformam tudo o que falo em ato político e discussão pesarosa. Depois sempre aparecem as grosserias, os xingamentos.
Mas sabe de uma coisa? Eu simplesmente não preciso disso, minha vida tem coisas boas demais para eu agradecer a Deus e festejar, então estou de greve dessas coisas chatas que às vezes ocupam mais meu tempo do que deveriam. Sinto muito se para alguns é difícil ver alguém feliz com suas escolhas, com sua vida, com sua religião, mesmo que seja diferente de você, e ficar simplesmente quieto. O blog continua aberto, claro, ao bom e ao ruim, ao favor e o contra, mas só não vou perder meu tempo com certas coisas, se é que me entendem.
E aos leitores que estão aqui para trazer só coisas boas, meu muito obrigada de sempre.
Divagações noturnas…
**ATENÇÃO: a tag ‘filosofia de botequim’ tá marcada neste post, então só prossiga se você está com paciência pra balelas**
Sei que estou decepcionando. Depois de comemorar a visita de vocês de sempre, sumi por vários longos dias.
A vida anda tão corrida que não tenho tempo de pensar em nada útil, só quero chegar em casa, curtir o maridão, os gatinhos e ficar em paz. Não que o blog não me traga paz, mas depois de 8 horas na frente do computador, passo longe disso aqui!!! E na verdade, quanto mais corridos os dias, mais coisas fazemos, mais coisas vivemos, e sobra pouco tempo pra refletir sobre esse turbilhão de vida.
Vou aproveitar esse post para recordar um pouco do que fiz este mês. Engraçado, quando paro por um segundo, parece que não fiz nada, que estou vagando a dias, pois minha memória está em branco. É o excesso de coisas, de vida. Peraí, parando alguns segundos, respirando fundo, a memória volta a tona.
É, mudei de emprego, conheci pessoas muitos legais, vi um bebê nascer que é a coisa mais linda que já vi. Fui para o Mato Grosso do Sul, vi uma águia. Andei de bimotor e morri de medo, conheci uma pessoa que tem uma cabana sem luz elétrica, visitei duas academias e até agora não fiz matrícula em nenhuma, fiz dieta 3 dias e comi demais no resto. Me perdi numa favela, ganhei R$ 30 da nota fiscal paulista, comecei a fazer aula de espanhol. Aprendi a fazer nhoque, comprei um casaco, encontrei a ganhadora da promoção do meu blog (éééée, não dei golpe não, finalmente entreguei os presentes dela).
E porque estou falando tudo isso? Eu sei lá, acho blog muitas vezes um exercício de curiosidade sobre a vida dos outros e na minha vida acontecem tantas coisas que às vezes preciso apenas escrever o que fiz para não esquecer depois. Acho que tento aprender com vocês mais sobre mim mesma, a entender esta minha necessidade de interagir, enxergo aqui meus pequenos defeitos. Não, vocês não estão sabendo deles, porque eu não os escrevo, mas todas as vezes que começo a escrever algo são as coisas ruins, pesadas, segredos íntimos e verdades que só eu sei, que me vêem a cabeça. Às vezes até escrevo um pouco, depois apago, e fico assim num exercício de selecionar o que posso expor e o que será só meu.
Queria esquecer que atrás desta minha tela existem não sei quantos olhinhos atentos. Se eu fosse anônima, quem sabe? Mas fiz a burrice de me indentificar desde o começo, e continuo com a burrice de falar do meu blog para toda nova pessoa que conheço, e minha vida assim fica nessa mistura do virtual com real para sempre.
Mas falei de tudo isso e esqueci de contar que este mês algumas pessoas conversando comigo me fizeram chegar a conclusão de que milagres existem. Eu já tinha ouvido falar muito nessa palavra, principalmente quando eu ia na missa e falavam das histórias de Jesus, da água que virou vinho, etc, do morto virar vivo, esse tipo de milagre que a gente acha que acontece com estrelinhas brilhando em volta.
Mas já aconteceu algum milagre na sua vida? Eu nunca tinha parado pra pensar, mas nessa conversa alguém falou que na minha tinham já acontecido vários. Aí lembrei da viagem que ganhei, por exemplo, com tudo pago para três pessoas de uma tv a cabo, que pagava fazia nem um ano… me mandaram um email pedindo os dados, mandaram os vouchers, as datas e… nada mais! Simplesmente fomos, mas ninguém da referida empresa nunca entrou em contato para pedir alguma foto, fazer alguma publicidade e tal, nem mesmo publicar meu nome como vencedora no site. Parece algo do além, que caiu do céu se você parar para pensar. E quando eu digo que a viagem foi coisa de MILAGRE, to falando sério, vocês não tem noção do lugar que fiquei o tratamento, a gente até brincava se não era uma pegadinha e ia vir a conta depois, que íamos ter que ficar anos em Cancun lavando prato pra poder voltar eheheh
Aí agora, enquanto escrevo, tem um ser aqui do meu lado ouvindo Amr Diab… aí paro para pensar, como ele veio parar aqui, e lembro que em quatro meses larguei de família a emprego bom, e fui lá pra conchichina encontrar alguém que, por um acaso do acaso, me chamou no skype??? E porque, por um acaso tão grande, justo ele clicou no meu nome ali e mandou uma mensagem? E aliás, como é que na busca dele, justamente, meu nome foi aparecer? E o que fez o dedo dele se mover e clicar justo ali? E porque, naquele momento que eu estava online, ele também estava e tudo isso aconteceu? É muita coincidência para ser apenas “coincidência”…
É, sei lá, esse post já virou viagem demais, mas essa é graça da vida, ter horas para só pensar nela e divagar, cair nas nossas próprias loucuras e rir delas. E, acima de tudo, ser feliz mesmo sem entender nada deste grande segredo que é viver.
O mal da vida moderna
Vou compartilhar com vocês algumas das minhas neuras… eu quase sempre estou procurando coisas novas para fazer, ocupar meu tempo. Ficar sem fazer nada, mesmo dormir até de tarde de domingo, não é comigo.
Antes (pode perguntar para minha mãe) eu era a rainha de acordar super tarde quando podia, pra lá do meio dia. Agora, não sei se pelo ritmo da vida, pode dar 9hs da manhã que já estou rolando na cama pensando em algo pra fazer em pleno domingo. E fico me ocupando com tarefas, com coisas nada a ver as vezes, se me encontro em estado de tédio (isso pode ser depois de trabalhar depois de 10 horas) eu fico vendo sites freneticamente, lendo notícias, chegando todos os blogs e revendo as vezes o mesmo site mil vezes até ter alguma nova atualização para eu ler.
Sou meio frenética na internet, checo twitter umas mil vezes por dia, facebook outras dezenas, meu e-mail é a cada 10 segundos. Não consigo desconectar, as únicas coisas que não dedico tanto tempo é msn e orkut. O msn porque me impede de fazer mil coisas ao mesmo tempo, se estou conversando com alguém sei que a pessoa acha ruim se eu sumo na conversa ou demoro pra responder, então me sinto meio presa, não posso ir lá fazer café, ver TV e pesquisar em sites aos mesmo tempo. Quando várias pessoas então começam a conversar o mesmo tempo, fico ali presa e me dá um certo pânico (coisa de louca). Já o Orkut acho velho, antiquado e bom pra fofocas apenas, tem muito lixo lá dentro, principalmente nas comunidades, onde rola muito abrobrinha e é impossível tentar controlar algo, senão parece ditadura (experiência de quem já teve e já participou de muitas comus no passado).
Bom, mas tirando essas duas ferramentas, sou uma frenética virtual e na vida real também. Sou capaz de alugar 5 filmes e querer ver todo num dia, fazer janta, lavar roupa e ainda ter tempo de ser motorista do habibi, pegando e levando ele pro metrô todo santo dia. Com tanta coisa pra fazer, nos cinco minutos em que penso qual será minha nova tarefa, fico meio deprê, com tédio e achando que tá tudo muito parado.
Hoje mesmo a chuva me deu tédio e de ficar em casa – mesmo sabendo que em casa eu ia ficar muito triste por não ter o que fazer – e mesmo tendo mil coisas pra fazer no trampo, em casa (está de pernas pro ar desde que voltei do feriado) e algumas traduções que eu tenho que terminar de noite pra um trabalho, consigo achar que a vida está parada!
Aí, eu falo com minha sogrita egípcia, e pergunto sobre uma pessoa que conheço de lá, mulher, não trabalha, não estuda, não cuida da casa dela porque está de férias na mãe, e pergunto porque ela não tem aparecido online para gente conversar: “Porque ela está muito ocupada!”…. E porque eu que faço mil coisas, sempre arrumo tempo para mais coisas, nunca me sinto o suficiente ocupada?
Alguém mais sofre deste mal? Querer um dia mais longo, só pra ter mais coisas ainda pra fazer?
De volta à vida normal
Tem alguém aí? ehee espero que sim, pois voltei hoje as minhas atividades normais, inclusive bloguísticas…
Tirar férias é sempre bom, ficar sem horário pra nada, sair em São Paulo em plena terça-feira de tarde e descobrir que tem mais um monte de desocupados no shopping, ficar até de madrugada zapeano na TV sem medo de ter que acordar cedo no dia seguinte… acordar ao meio dia, pular o café da manhã e almoçar às 17hs…
Quando a gente volta, porém, cai tudo por terra e vemos que não passou de uma ilusão, que ser milionário deve ser muito bom mesmo e que a gente só trabalha todo santo dia esperando esses míseros 30 dias (ou 20, se vc pensa na grana e ainda vende 10 dias de seu descanso) em que não fazemos nada e gastamos sem pensar. Tirar férias é como ser rico de brincadeirinha, mas quando voltamos pro escritório, o sentimento é sempre esse:
Mas eu sempre gosto de começo de ano. Bem ou mal, faz a gente refletir no quer de diferente, no que vamos mudar e traçar novas metas. Quem nunca começou dieta em janeiro? Afinal, é quando nossos ânimos se renovam, colocamos uma pedra em tudo de ruim que fizemos antes e temos chance de recomeçar. Eu ainda não descobri como ter este tipo de energia em outra época do ano, por isso aproveito este janeiro para fazer minha lista de ambições para 2010 e as estratégias que preciso seguir.
E finalizo com um poema de Drummond:
“Receita de Ano-Novo”:
“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem que merecê-lo, tem que fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre”.



