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Sábado de coisas fofas

Decoração do chá de cozinha da minha irmã, não tá uma coisa fofa?

ps. uma das madrinhas dela que fez tudo! E os pregadores rosa fui euzinha ehhhe aceito encomendas :-p

O que é ser noiva?

antes de tudo: Blog abandonado, eu sei!! Mas se vcs soubessem o tanto de coisa que tenho feito, teve dia essa semana que só dormi 3 hs…. então por isso não estou tendo a calma necessária e idéias para o blog todo dia, como gosto de fazer! Desculpa a todos, espero que logo o ritmo volte ao normal…

***

Este post não é para falar sobre casamento no Brasil ou no Egito… é para compartilhar um sentimento muito comum com quem está se preparando para um relacionamento sério , para se casar.

Como já disse outras vezes, minha irmã vai casar e o grande dia está chegando. Ao contrário de mim, que fui para o Egito sem mal dar satisfação e compartilhar preparativos, minha irmã está fazendo tudo como manda o figurino, com direito a entrega de convites, chá de panelas, lista de presentes, igreja, vestido branco, festa, etc… é muita coisa!!

Mas mesmo meu casamento tendo sido tão diferente do dela, assim como outras pessoas podem ter outras formas de se “juntar”, acho que em alguns momentos compartilhamos as mesmas coisas. Deixar o lar, o que conhecemos, é um passo grande na vida de qualquer um.

Eu quando fui para o Egito tentei não pensar muito nas coisas, pois estava trocando tudo o que eu tinha por algo que eu nem havia visto ao vivo ainda. Não sabia direito como seria minha nova casa, meus novos hábitos, morar com outra pessoa que não meus pais e meus irmão. Tentei fingir que nada estava acontecendo para evitar ficar pensando e analisando, pois é difícil a gente imaginar que estamos felizes e tristes ao mesmo tempo, por deixar algo que amamos em troca de outra coisa que também amamos.

Essa coisa de ser noiva é complexa, contraditória. O ser humano nunca se sente confortável com mudanças e é normal que dê um medo na hora de mudar tudo o que conhecemos. Mas minha irmã no blog dela, conseguiu descrever muito bem o que é tudo isso que estou falando. E deixo o texto para compartilhar com vocês:

“Desde que comecei a entrega dos convites e fiz minha prova do vestido, comecei a ficar com um frio na barriga diferente. É um misto de felicidade extrema, medo, preocupação e coração partido… O casamento, assim como qualquer nova etapa de nossas vidas, significa ruptura e escolha… E para escolher uma coisa necessariamente tenho que abrir mão de outras… E é neste abrir mão que residem o medo e um pouquinho de coração partido. Eu não falo em tristeza, porque não é isso, mas o lançar-se ao desconhecido traz certa insegurança.

Bom, falando mais concretamente, ultimamente tenho pensado na minha saída de casa. Não na construção de um novo lar, mas na despedida do lar em que vivi toda a minha vida até agora. A despedida é sempre um pouquinho dolorosa… É difícil pensar que não vou mais estar ali em casa na janta, nas conversas intermináveis na cozinha, que meus pais não vão mais me buscar à noite na pós, que, enfim, a rotina da minha casa vai continuar acontecendo, mas que eu não vou ser mais presença nela.
Quero dizer, mais uma vez, que não há tristeza nisso, digamos que o que sinto é um estranhamento… Um ciúme talvez, daqueles que se sente quando se quer ter tudo ao mesmo tempo.

Por outro lado, este sentimento de perda se encontra com o de felicidade extrema. Estou muito feliz e ansiosa por começar uma nova fase, onde descobertas serão feitas e alegrias encontradas no dia a dia da convivência. Tenho a certeza tão absoluta de que serei tão feliz na nova rotina da minha casa!

Enfim, este frio na barriga está aumentando… Aliás tudo tem se intensificado: o amor, o sorriso, o medo, a alegria, a ansiedade, o choro e o riso… Acho que isso é ser noiva!”

Minha mãe

Já que minha mãe deu o ar de sua graça hoje no blog, vou falar dela.

Minha mãe foi muito forte quando eu decidi ir para o Egito. É normal que qualquer mãe pirasse e ‘rodasse a baiana’ (nossa que expressão antiga), fizesse aquela pressão psicológica brava.

Eu já previa o pior, e acabei escondendo o máximo que pude dela todos os meus futuros passos. Mas mãe conhece a gente. Ela me via no computador por horas a fio, o estilo de vida no Egito me escapava pela boca e acabava comentando coisas sem querer. Ela já sabia, apesar de toda minha tentativa de guardar tudo para mim.

Chegamos a brigar feio, ouvi várias vezes que era muito egoísta. Tudo era difícil naquele tempo. Afinal, a relação de uma mãe com a filha é muito forte. Foi ela quem me acompanhou em tudo, sempre me incentivou a dar o melhor de mim, a crescer independente e com valores.

Minha mãe só começou a trabalhar depois que eu já era adulta. Ela esperou os três filhos estarem soltos no mundo para se dedicar somente a seus projetos. Desde que eu nasci, ela viveu inteiramente para nos educar e fazer felizes.

Era ela que nos levava no clube Espéria todos os dias e ficava lá olhando a gente fazer aula de natação, judô ou o que fosse. Filmava nossas danças nas festinhas da escola, fazia decoração no aniversário e, depois de mais velhos, comprou até luzes para fazermos nosso próprio ‘bailinho’ em casa quando éramos adolescentes.

Minha mãe estava sempre lá, me levando para escola todos os dias de carro, fazendo o almoço e janta. Cuidando das nossas roupas e apartando nossas brigas. Teve uma paciência que eu, ainda sem filhos, já sei que não vou ter.

Ou seja, ao chegar num momento de partir para uma outra direção, foi difícil esconder o jogo de minha mãe. Não por medo da reação dela, mas por saber que, de qualquer forma, eu estaria sendo um pouco egoísta, pois querendo ou não, eu iria seguir o que meu coração mandava. E nesta coisa de amor, só a gente mesmo entende o que sente.

Claro que minha mãe sonhou em me casar na igreja, em fazer tudo como ela planejou. Afinal, ela dedicou sua vida toda para estar próximo e são estes momentos, como a formatura na faculdade e o casamento, que dão para os pais a sensação de dever cumprido. Eu tive a formatura, mas no casamento pulei todas as etapas tradicionais. Mudei para outra religião e tudo foi assustador demais para quem via de fora. Sei que muitos acharam que era ‘fogo de palha’, uma loucura momentânea da qual depois iria me arrepender.

Mas minha mãe me conhecia. E sabia que não havia nada que pudesse me impedir. Eu não falei da minha partida, deixei tudo para a última hora. Mas ela já sabia, tinha visto em cima da minha bolsa já um papel com o dia da minha passagem. Ela diz que encontrou tudo bem aberto em cima do sofá, que eu devo ter inconscientemente deixado ali justamente para que ela visse (tá certo que ela usa esta desculpa toda vez que dá uma espionada nos filhos, que  se a gente deixou à vista era porque queríamos ser investigados). Eu não lembro disso, só sei que ela já sabia de tudo antes de eu abrir a boca.

Minha mãe sofreu calada, mas manteve a calma na minha frente. Não era fácil ver uma filha deixando tudo para trás em busca de algo que ela não conhecia. Eu não sei daria esta liberdade para uma filha. Mas ela não só deixou eu partir, como me aconchegou nos braços com um sorriso, mesmo chorando por dentro. Eu fui para o Egito achando que ela e todos em casa estavam lidando com aquilo numa boa. Mas hoje sei que ninguém pronunciou uma palavra durante horas. Minha irmã conta que nunca uma viagem para Santos demorou tanto para passar depois da minha partida (era ano novo), e que o silêncio dentro do carro era arrasador.

Uma semana antes de eu viajar, minha mãe ainda me levou no médico para fazer vários exames e ter certeza de que eu ia bem para lá. Comprou roupas e coisas para eu levar. Apesar de não aprovar, fez o que podia para que eu fosse então da maneira mais confortável possível. Ela me deu a maior liberdade que alguém poderia ter me dado na vida. Deu o direito de eu decidir a minha vida sozinha.

E hoje ela sabe que deu tudo certo, e está feliz com a gente. Nos reunimos todos sempre, e aos poucos as diferenças foram desaparecendo. Ela não deixa comida com porco perto da gente, nem aceita que falem mal ou tratem isso que eu fiz como uma loucura. Se alguém diz para ela “nossa, eu não deixaria nunca minha filha fazer isso”, ela chama esta pessoa de ignorante (não na frente da pessoa, claro eheheh). E sempre faz questão de lembrar que deu para mim o maior bem que alguém pode ter, a liberdade.

Só esta faltando agora eu convencê-la a ir conhecer o Egito comigo, mas este trauma ainda vai levar um tempo para eu tirar.

Protegido: Minha festa de casamento no Egito

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