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Uma semana de sonhos
Eu sempre adorei viajar, conhecer novas culturas e lugares… aliás, acho que poucas pessoas não gostam, né? Mas nem sempre é muito fácil poder ir para um lugar diferente, às vezes a vida demanda algumas coisas imediatas e as prioridades mudam, sonhos às vezes ficam descansando do lado e deixamos para depois.
Mas eis que alguns pequenos milagres da vida sempre me acontecem. Eu me considero uma pessoa sortuda em diversos aspectos da vida, no amor, no trabalho, na família. E quem diria, sou boa também de promoções e concursos… E foi isso que me levou para longe semana passada: pro México.
Faz muitos anos que participo de concursos daqueles de frases, sabe? Tipo responda a tal pergunta e a mais criativa ganha. Já ganhei muitas vezes, mas coisas simples, como shows (já fui até conhecer artista gringo no camarim por conta disso), cosméticos e entradas para eventos de lazer. Desta vez, respondi uma promoção da TVA sobre o Filme Perdido para Cachorro (que é mega fofo e divertido) e ganhei uma viagem para Cancun. Nem preciso dizer que foi MARAVILHOSO, né? Pude levar ainda dois acompanhantes, então fomos eu, madrecita e Mostafito (o nome mexicano dele agora).
Agora me restam as saudades do mar azul, do hotel com tudo à vontade e camareira pra arrumar minha bagunça todo dia, as risadas do nosso portuñol, os momentos juntos em família
Ah, e claro, o nachos com chili e queijo fundido, comi DEMAISSSS!
9 comments maio 10, 2010
Sou titia agora!
Gente, meu primeiro sobrinho nasceuuuuuuuu!!! Pena que ele é do lado egípcio e tá longe de mim, mas olha que fofura!! Será que agora me animo? eheheh
Q Allah abençõe esta família que acaba de nascer!!! O nome dele é Yehia, que é João em árabe… eu que ajudei a escolher ehheeh titia babona
9 comments fevereiro 24, 2010
O que é ser noiva?
antes de tudo: Blog abandonado, eu sei!! Mas se vcs soubessem o tanto de coisa que tenho feito, teve dia essa semana que só dormi 3 hs…. então por isso não estou tendo a calma necessária e idéias para o blog todo dia, como gosto de fazer! Desculpa a todos, espero que logo o ritmo volte ao normal…
***
Este post não é para falar sobre casamento no Brasil ou no Egito… é para compartilhar um sentimento muito comum com quem está se preparando para um relacionamento sério , para se casar.
Como já disse outras vezes, minha irmã vai casar e o grande dia está chegando. Ao contrário de mim, que fui para o Egito sem mal dar satisfação e compartilhar preparativos, minha irmã está fazendo tudo como manda o figurino, com direito a entrega de convites, chá de panelas, lista de presentes, igreja, vestido branco, festa, etc… é muita coisa!!
Mas mesmo meu casamento tendo sido tão diferente do dela, assim como outras pessoas podem ter outras formas de se “juntar”, acho que em alguns momentos compartilhamos as mesmas coisas. Deixar o lar, o que conhecemos, é um passo grande na vida de qualquer um.
Eu quando fui para o Egito tentei não pensar muito nas coisas, pois estava trocando tudo o que eu tinha por algo que eu nem havia visto ao vivo ainda. Não sabia direito como seria minha nova casa, meus novos hábitos, morar com outra pessoa que não meus pais e meus irmão. Tentei fingir que nada estava acontecendo para evitar ficar pensando e analisando, pois é difícil a gente imaginar que estamos felizes e tristes ao mesmo tempo, por deixar algo que amamos em troca de outra coisa que também amamos.
Essa coisa de ser noiva é complexa, contraditória. O ser humano nunca se sente confortável com mudanças e é normal que dê um medo na hora de mudar tudo o que conhecemos. Mas minha irmã no blog dela, conseguiu descrever muito bem o que é tudo isso que estou falando. E deixo o texto para compartilhar com vocês:
“Desde que comecei a entrega dos convites e fiz minha prova do vestido, comecei a ficar com um frio na barriga diferente. É um misto de felicidade extrema, medo, preocupação e coração partido… O casamento, assim como qualquer nova etapa de nossas vidas, significa ruptura e escolha… E para escolher uma coisa necessariamente tenho que abrir mão de outras… E é neste abrir mão que residem o medo e um pouquinho de coração partido. Eu não falo em tristeza, porque não é isso, mas o lançar-se ao desconhecido traz certa insegurança.
Bom, falando mais concretamente, ultimamente tenho pensado na minha saída de casa. Não na construção de um novo lar, mas na despedida do lar em que vivi toda a minha vida até agora. A despedida é sempre um pouquinho dolorosa… É difícil pensar que não vou mais estar ali em casa na janta, nas conversas intermináveis na cozinha, que meus pais não vão mais me buscar à noite na pós, que, enfim, a rotina da minha casa vai continuar acontecendo, mas que eu não vou ser mais presença nela.
Quero dizer, mais uma vez, que não há tristeza nisso, digamos que o que sinto é um estranhamento… Um ciúme talvez, daqueles que se sente quando se quer ter tudo ao mesmo tempo.
Por outro lado, este sentimento de perda se encontra com o de felicidade extrema. Estou muito feliz e ansiosa por começar uma nova fase, onde descobertas serão feitas e alegrias encontradas no dia a dia da convivência. Tenho a certeza tão absoluta de que serei tão feliz na nova rotina da minha casa!
Enfim, este frio na barriga está aumentando… Aliás tudo tem se intensificado: o amor, o sorriso, o medo, a alegria, a ansiedade, o choro e o riso… Acho que isso é ser noiva!”
9 comments janeiro 29, 2010
Formar família
* Hoje vou deixar aqui um post feito pela minha irmã no blog dela. É engraçado como muitas vezes já vi reclamações aqui sobre falta de amor e comprometimento dos brasileiros, mas eu tenho bons exemplos em casa, com meus pais e minha irmã agora, de que não é bem assim. Claro que muitos não querem um casamento de verdade, mas isso não é exclusividade de homem brasileiro ou de qualquer país. Entre egípcios e muçulmanos também muitos não querem esse amor e paixão, ou algo que realmente seja uma troca diária de conhecimento e cumplicidade. Muitos só querem um casamento de fachada, o que não deixa de ser diferente de um homem brasileiro que simplesmente assume que foge de compromisso. Por isso acho o exemplo dela legal, e resolvi postar para vocês hoje. Espero que gostem! Ah, eles se casam em fevereiro do ano que vem, e semana passada comemoraram 9 (isso mesmo, NOVE) anos de namoro!*
Hoje eu estava refletindo um pouco sobre o casamento e fiquei pensando no quanto o mundo vai mudando com o passar do tempo e, junto com ele, as pessoas vão mudando. Digo pessoas em um sentido bem amplo mesmo, de humanidade.
Eu não tenho uma visão melancólica da vida. Claro que tenho saudades da minha infância e do que já passou, mas não penso que gostaria de voltar no tempo ou coisa assim. Talvez eu seja um pouco otimista demais, mas sempre penso que amanhã o dia será melhor do que hoje, mesmo que isso às vezes pareça impossível quando o dia que vivemos parece o melhor de nossas vidas. Enfim, acho que estamos o tempo todo crescendo, aprendendo e evoluindo. E assim acho que o mundo caminha também. Vamos aprendendo com os erros do passado para construirmos, no presente, um futuro melhor.
Mas o que tudo isso tem a ver com o casamento? É que eu tenho notado que o casamento não tem sido visto mais com tanta importância pela sociedade. As pessoas acham que o casamento é apenas uma festa, mas que não há obrigação nenhuma de dar certo. Eu não penso assim… Na verdade, acho que é um tema bastante complicado, pois não dá pra saber os limites de cada um e o que se passa na vida intíma de um casal. Então acho que não sou contra a separação, porque não posso julgar o sofrimento de cada casal, de cada pessoa e até onde era possível suportar e superar. O que eu não gosto é dessa banalização do casamento… Das pessoas que acham que o casamento é apenas um ‘ritual de passagem’ e não percebem que é um compromisso assumido para o outro.
Para mim, o casamento é justamente isso: compromisso. É o acordo entre duas pessoas de que vão dar o máximo de si para fazer o outro feliz. E vão ter uma família. E vão cuidar dessa família. Eu realmente penso que a base para uma sociedade mais justa e feliz é esta. Não que não existam outras maneiras de cidadãos bons serem formados (se pensasse isso estaria sendo injusta com pessoas que não tiveram a oportunidade de crescerem em uma “família padrão”), mas ter uma base familiar sólida, de valores e respeito com certeza contribui muito para a caminhada da sociedade rumo a um mundo mais feliz e justo.
O que eu espero, indo de encontro a uma frase que escutei esta semana no show do Paralamas do Sucesso, é que eu e o Jaime possamos formar uma família que preparem pessoas melhores para o mundo, para que os nossos filhos possam ser agentes de mudança da sociedade e que sejam sempre ferramenta de amor e paz. E isso só será possível através do nosso compromisso e do respeito que teremos um para com o outro.
Eugenia
5 comments dezembro 11, 2009
Meu herói
Quando eu era pequena eu já andava mais rápido do que aquele homem bigodudo. Ele pegava na minha mão para caminhar, mas meus pequenos passos eram mais velozes. Eu via meninos brincando de bola com seus pais e nem pensava que aquilo podia ser legal. Afinal, quem estava comigo me pegava nos braços e me levantava acima de sua cabeça com uma força incrível. Eu às vezes achava que ele era o Superman disfarçado.
Ele dirigia carro e me levava para escola, dava bronca e umas palmadas quando precisava. Saía todo dia para trabalhar cedinho e assistia a Fórmula 1 de domingo. Mas sempre o achei o melhor do mundo, o mais inteligente de todos. Ele sabia resolver qualquer exercício meu de matemática em dois segundos, e não tinha paciência para explicar depois, pois tudo era muito óbvio e fácil para ele.
Uma vez ele foi trabalhar longe de casa. Foi na crise de 92, onde tudo na nossa cidade ficou desolado e a empresa que ele trabalhava faliu. Mesmo assim eu nunca o vi com medo. Mas eu nem sabia que aquele ainda era um Brasil diferente, onde as leis não funcionavam tão bem como hoje. Apesar de graduado e experiente, o fato dele ter uma perna diferente da normal não o ajudava a ter um novo emprego.
Eu só fiquei sabendo de tudo muito mais tarde, pois ele sempre seguiu em frente e eu, criança inocente, nunca notei tensão em seu olhar. Ele batalhou e logo já éramos nós todos nos mudando para cidade grande. Ele continuou na lida dele e passou de novo no vestibular da USP. Era engenheiro, virou advogado também.
Até mesmo quando ele caiu naquele passeio e ficou um ano de cadeira de rodas, eu nunca o vi estremecido. Ele nem podia ir mais para seu quarto, pois ninguém conseguia carregá-lo para cima. E quem disse que ele mudou? Continuou com os braços fortes e as mãos mais gigantes que conheço. Para mim, sempre foi um homem fora do comum e acima da média.
E ele nunca descansou, nunca parou. As únicas coisas diferentes nele para o resto das pessoas é que ele não pode correr ou pular, nem ficar de pé muito tempo. E toda vez que ele pega um avião, precisa mostrar as pernocas sustentadas por metais para o policial.
Ele já foi até para os Estados Unidos sozinho. Já desceu 18 andares de escada só no braço, porque a energia elétrica tinha acabado. Mesmo podendo, nunca gostou de furar fila. Nunca quis se sentir no direito de ser privilegiado, afinal, ele sempre teve força para agir como todo o resto das pessoas.
Já está casado por quase 30 anos, botou três filhos na faculdade e abriu uma empresa. E nem por isso parou. Com suas muletas, está agora caminhando nos corredores de algum prédio no centro da cidade, onde começou essa semana em um novo emprego, que batalhou muito para conseguir. Mesmo com a cota para pessoas como ele, conquistou a nova vaga na mesma lista das pessoas sem necessidades especiais. Quem o vê de fora, pode até achar que a vida dele é sofrida por ser deficiente físico. Quem o conhece de perto, vê que quem é fisicamente perfeito muitas vezes faz muito menos e reclama muito mais do que ele. Para mim, sempre um herói dourado e motivo de orgulho: meu pai.
*post para comemorar meu niver, agradecendo a quem me pôs no mundo! Já falei da minha mamãe aqui.
17 comments outubro 16, 2009
Porque casar?
Aproveitando o último texto, gostaria de fazer um breve comentário sobre algo que fui ‘cozinhando’ dentro de mim durante estes dois anos de casamento.
Eu falo da minha história para todos, até no ônibus se deixar eu falo de Egito. Às vezes tenho que me controlar, ou fico parecendo aquelas pessoas pentelhas, que não sabem virar o disco. Mas não tem jeito. Sempre que me perguntam se sou casada ou algo do tipo, o Egito pula da minha boca, e aí aparecem mil perguntas, como pode, como foi, como é. Engraçado que algumas pessoas, no fim, tem ainda a coragem de me perguntar. “Mas você está feliz?”
Parece que é até proibido ser feliz, e escolher que quero sim casar, me dedicar a uma pessoa. Tudo isso porque a história é diferente, não aconteceu da forma “normal”. Outro dia, no trabalho falando com um pessoa altamente instruída e valorizada, sem querer entramos num assunto pessoal e o papo caiu no Egito. A pessoa me fala. “Mas que loucura isso, como uma mulher intelegiente e formada como você fez uma coisa dessas.” Eu nem sabia o que responder, fiquei com o queixo caído tamanha ignorância. Ele ainda quis dar o exemplo de uma parente, que foi para Itália casar e se deu mal. E daí, não tem gente que se dá mal no Brasil também, casando com o vizinho até? Mas odeio que me coloquem num saco de generalizações.
Quando eu falei que ia para o Egito, pedir demissão, parecia que eu tinha morrido. E que meus passos eram em direção para um caixão. Tudo era choro, melancolia, dor. Engraçado que ninguém parou para notar que eu não estava indo me drogar ou pular de um prédio, mas indo fazer uma coisa bonita, que é o casamento.
Hoje, confesso que muita coisa mudou. Principalmente dentro da minha família (digo meus pais e irmãos), finalmente as mágoas se foram e estamos mais unidos do que antes. Já fora deste pequeno círculo, poucos foram os sobreviventes ao bombardeio. Eu tenho mania de esquecer as ofensas, sou uma pessoa que se renova a cada dia e não consigo guardar raiva por mais que alguns meses. Num passe de mágica, simplesmente uma hora eu paro de ter raiva e deixo para lá. Mas tem gente que adora ressucitar preconceitos, grosserias e assim segue a vida, por isso não dá pra esquecer deste assunto ainda.
Espero que um dia as pessoas aceitem que eu sou plenamente feliz e que estou mais viva do que nunca! Que deixem a inveja e a vontade de falar mal de lado, e esqueçam que eu exista e vão encher o saco de outro!!!!!!
…pronto, falei
10 comments janeiro 28, 2009
Uma carta
Aprenda a jogar com a vida, fale menos e escute mais no trabalho, isso te dará muito mais poder. Não seja amiga de todos, não conte seus medos para qualquer um, pois a maioria das pessoas não vai te apoiar quando mais precisar. Mas saiba ser generosa e abrir novas oportunidades, porque amigos a gente cativa aos poucos, e só depois de passar momentos bons e ruins com eles é que sabemos se realmente os podemos colocar na nossa lista VIP. As pessoas também mudam com o tempo, passe a observar estas transformações, mas descarte o que não for mais compatível com seus objetivos. Pessoas que te deixam para baixo ou com atitudes que você discorda demais, talvez sirvam para ser apenas colegas mesmo, nada além disso.
Cultive sua relação com seu parceiro da melhor forma que puder. Saiba dar amor e compreender, ensine a ele como quer as coisas, não mande. O casamento pode ser a melhor coisa da sua vida se vocês dois souberem ceder e doar ao mesmo tempo, e a construção de uma nova família vai recarregar todas as suas baterias para viver mais 20, 40 anos. Não se prenda a coisas pequenas ou materiais, não fique triste se não der para ter ainda o móvel que você quer, ou o modelo de geladeira melhor do mercado. Estas coisas no fim são todas iguais, e com o tempo você vai ser que são apenas utensílios, não uma necessidade urgente. Ou seja, valorize o que você tem, não o que você não possui ainda.
Aproveite um dia que tiver algum dinheiro sobrando e vá conhecer algum país diferente, em especial se for algum que você acha que teria dificuldades de se adaptar. Vá ao Egito comigo e vou te mostrar como o ser humano pode ser feito da mesma carne e osso, mas pensar de forma tão diferente! Quando você reconhecer a grandeza humana e como a diversidade cultural é fantástica, terá ouro em suas mãos.
Ame a Deus e não tenha temores em sua vida, porque existe algo maior nos guiando. Nada acontece por acaso, tudo é um aprendizado e às vezes precisamos da dor para crescer. Não cometa o mesmo erro duas vezes, mas se o fizer, reconheça que está com algum problema sério, reflita e ore para finalmente aprender a lição. Se machucar alguém, peça desculpas, mas não espere nada de volta. O verdadeiro perdão quem dá é somente Deus e somente dele podemos esperar compaixão. Viva sua vida com intensidade, mas respeite os outros e a natureza e será sempre feliz, com a consciência tranqüila.
Ensine aos seus filhos a seguirem bem uma religião, não os deixe perdidos na mediocridade e falta de atitude. Dê o exemplo e seja firme nas suas atitudes, pense bem no que, dentro da sua igreja, é certo e errado e siga estritamente aquilo. As pessoas pararam de pensar na religião e os valores no Brasil se perderam por conta disso. Católico praticante não é aquele que vai à missa todo domingo, mas o que segue todos os mandamentos e se sente muito mal e envergonhado ao desrespeitar algum deles. Está fora de moda falar de Deus e quem segue uma fé é sempre chamado de radical. Pois seja radical, porque no amor de Deus só encontrará bons frutos e educará filhos para viver plenamente neste mundo.
Não peça muito favores, mas saiba oferecer ajuda quando souber que a pessoa precisa. Muitas vezes estender a mão espontaneamente é muito mais difícil do que simplesmente obedecer a um pedido. As pessoas que precisam realmente de algo geralmente sofrem sozinhas, mas quem é amigo sempre sabe das necessidades do outro.
Olhe para sua família e encontre coisas boas. Não perca tempo com gente chata e que a critica. Se importe apenas com o que seu marido e sua família pensam. O resto, no fundo, não se importa realmente. Mesmos os amigos mais próximos, um dia, podem te surpreender. Tenha suas opiniões e as siga, sem medo de ser diferente, porque nem tudo que é consenso é bom. Lembre-se que toda generalização é burra, e antes de julgar, reflita bem se tem o direito de fazer isso.
Por fim, que viva muitas coisas boas e crie memórias lindas por muitos anos. Lembre-se de seus irmãos e os valorize, pois boa parte do que somos aprendemos com aqueles que, desde que nascemos, convivemos e trocamos experiência. A vida adulta também nos ensina muitas coisas, mas a base está naquela fase em que éramos pequenos e a vida inteira estava pela frente. Nunca se distancie perdida nas suas necessidades e planos de vida, mas olhe ao redor e saiba entender as escolhas de cada um e ver como estas diferenças são bonitas.
***
esta carta mandei para uma pessoa muito especial, mas que se afastou de mim quando fui para o Egito. Ela também reúne alguns conselhos de vida que tento aplicar no meu dia a dia. Sei que está meio fora do tema do blog, mas gostaria de compartilhar!
7 comments janeiro 28, 2009
Protegido: Família egípcia (e um pouco da brasileira também)
Digite sua senha para ver os comentários. novembro 26, 2008
Minha família
Algumas vezes tomamos atitudes que exigem escolhas. E tudo na vida quando depende uma decisão muito grande, faz com que a gente ganhe coisas, mas também perca algumas. Alguma das coisas que mais sofri quando decidi me casar fora do Brasil foi ficar longe de meus pais. Sei o quanto eles gostariam de estar presentes neste momento também, mas não dá forma como o fiz. Não planejei nada com tempo, o que impediu qualquer oportunidade de que eles também compartilhassem este momento.
Foi um período muito difícil, de negação da parte deles, o que me impulsionou mais ainda a correr para o Egito sem pensar duas vezes e sem procurar envolvê-los mais nesta história. Não sei se foi o melhor modo, mas realmente era difícil esperar mais ou tentar convencer as pessoas daqui de que eu não estava louca. Causei muita dor e até hoje preciso pedir a Deus perdão sobre isso. No Islam, depois de Deus, em primeiro lugar está a mãe. Em segundo lugar a mãe e em terceiro a mãe também. Ou seja, nossa relação com quem nos deu a vida é sagrada, e eu muitas vezes não respeitei da forma que deveria.
Talvez na vida algumas coisas aconteçam desta forma ou não sabemos como lidar com as adversidades de uma forma mais diplomática e acabamos fazendo sofrer quem não deveria. Mesmo assim, na minha vertigem e corrida para lá em apenas quatro meses, mesmo estando contra, meus pais não me abandonaram. Minha mãe comprou um pequeno enxoval para mim, me fez ir ao médico fazer um check up antes de partir, se preocupou em ir comigo escolher roupas apropriadas para um país islâmico e mandou presentes até mesmo para minha sogra. E ela era contra, mas fez tudo em nome do amor materno, que é algo que nunca terá preço neste mundo. Ela sofria por dentro, sei disso, mas nunca me negou um sorriso.
E meus pais me levaram ao shopping no dia de minha partida, onde almoçamos juntos e comprei uma última blusa que precisava. Me levaram no aeroporto e lá encontramos ainda alguns outros parentes e amigos. Ninguém sabia o que vivia por dentro, para os outros tudo era surreal de mais. Ninguém chorou e eu parti sem olhar para trás, sem medo. Enquanto isso, eles foram embora para Santos, para a virada do ano novo mais triste que tiveram em suas vidas.
Até então, meu pai não tinha falado com Mostafa, pois se recusava a conversar com um “computador”, como ele dizia. Aconselhou-me a ir apenas nas minhas férias e não deixar tudo que já havia construído. Mas meus planos eram firmes demais, e a necessidade de ir embora maior que qualquer pressão.
Quando cheguei no Egito, meus pais conversaram comigo e viram o quanto tinha sido recebida bem por todos. Nas fotos e relatos que fazia, sentiram que eu tinha razão e não foi tudo tão louco assim. Foi do jeito “Marina” sim, mas não um desatino completo. Quando decidi voltar, foram os primeiros a acertar tudo que precisávamos e estavam lá no mesmo aeroporto para nos receber de volta juntos. Nos acolheram em casa não só como uma filha de volta, mas como dois filhos que retornaram para casa. E hoje Mostafa faz parte da família, é querido por todos e amado por me fazer tão feliz.
É claro que algumas pessoas ainda não entendem certas coisas, minha vovozinha, por exemplo, diz que está me esperando de braços abertos de volta para a igreja católica, assim como naquele história do filho desgarrado que torra a herança e depois pede perdão ao pai. Não torrei herança nenhuma, mas sei que assustei muitas pessoas que me amam. Já meu avô agora não sabe contar uma de suas histórias sem, no final, usar sempre seu chavão: “Mas no Egito, isso também é assim?”. Minha bisavó, que Mostafa pode conhecer apenas durante alguns meses, não entendia como que aquele ser do deserto tinha parado aqui e como que eu não a tinha levado para a festa do casamento. Já outras pessoas de minha família, pelo que sei das fofocas de sempre, não quiseram me dar presente de casamento quando mudamos para nossa própria casa, porque não foram convidadas para o casamento – mesmo sabendo que ninguém iria para o Egito de repente para meu casamento, ficam com este sentimento de mágoa já infundado agora. Não que eu estivesse esperando algo, mas me surpreendi ao saber deste tipo de pensamento de algumas pessoas, que para mim beira o absurdo.
A família não é aquela que escolhe como devemos viver ou tomar atitudes, mas que nos ama quando estamos felizes e no caminho certo. Se isto não basta para algumas pessoas, não é mais problema meu. O que importa é que, graças a Deus, meus pais estiveram comigo em todos os momentos, mesmo nos difíceis e dolorosos e no qual eu estava fora do convívio deles, mas souberam enxergar o poder deste amor que temos, nos respeitam muito hoje e torcem por nossa felicidade completa a todos os momentos!
Não sei que pais teriam as forças dos meus para vivenciar uma mudança tão radical sem criar ressentimentos e aceitar hoje de forma plena e feliz a forma como vivemos e levamos nosso casamento, sem nunca cobrar nada de nós ou falar de um passado dolorido para eles. Isto sim, é amor.
16 comments outubro 8, 2008









