Arquivos do Blog
Quebra cabeça
Mãe e uma palavra muito pequeno para seu sentido, este que vai muito além “daquela que dá a vida”. São apenas três letras para descrever uma das relações mais primitivas que nós, como ser humanos, temos. O amor de mãe, na forma humana, ganha mil facetas, eu sei, porém toda mãe começa igual, seja ela mulher, gata, peixe, pata ou lagarta. A “mãe” nasce quando sua cria vem ao mundo, e quando se torna o dever dela cuidar para que a continuação da espécie seja garantida. A mãe, na ciência, nada mais é que um escudo, com um único dever muito claro, ensinar a gente a comer, a andar sozinho e crescer, até que seja a nossa vez de continuar este ciclo.
Porém, quando se trata de gente como nós, a mãe ganha uma proporção que extrapola o instinto selvagem. Tanto que nós, como bebês e crianças, não sobrevivemos sozinhos. Enquanto um gatinho leva dois dias para estar andando, um bebê vai um ano. Enquanto um cãozinho em questão de seis meses nem se lembra mais de quem o pariu e pode até procriar, nós precisamos de uns bons 20 anos para nos tornarmos adultos de verdade, capazes de vivermos por conta. Pode nem ser a mãe que cuida de você, mas é um parente, uma instituição ou até o governo que é seu tutor, se você é menor de idade.
E nossa mãe não só nos ensinar a comer, nos vestir e caminhar sem apoios. A nossa mãe (que pode não ser de sangue, mas aquele que cuida de você, mesmo que seja um ‘pãe’, pai que tem de ser mãe, ou vó, tia, vizinha, etc) é fundamental para nossa formação de caráter. É na voz daquela mulher (agora já personificando este texto em minha mãe) que te dá bronca, que te guia, que te fala o que é certo, justamente para quando você estiver em seu momento de rebeldia, fazer tudo o contrário.
E eu tive sorte de ter muitas e muitas mães perto de mim a vida toda. Minha mãe, que com sua alegria e fé, sempre me deu o exemplo maior de amor sem barreiras. Minha mãe sempre colocou a palavra família à frente de tudo, até de suas opiniões ou impressões. Foi minha mãe que, quando quis partir, disse para mim que o livre arbítrio era a maior prova do amor de Deus para conosco, e por isso ela me dava essa mesma liberdade para caminhar. E justamente hoje li no Facebook de uma amiga a frase: “a boa mãe é aquela que se torna desnecessária com o tempo”, e foi isso que minha mãe sempre tentou fazer, nos tornar filhos independentes e com vida própria, sem precisar de carência ou controle, pois ela sabe que quem ama, sempre estará perto.
E também temos as avós, as bisavós, que transferem parte de seu amor para os que vem depois, com a alegria de ver a família crescendo. E cada uma, com seu jeito, foi moldando meu caráter, meus gostos, o que eu gostaria de ser. Sempre tive exemplos tão maravilhosos ao meu lado, que às vezes me bate uma culpa quando faço errado ou tão diferente do que me ensinaram.
E aí, na minha vida tenho um mosaico de mães tão colorido e vasto, que fica fácil ser feliz.
Já tive ‘mãe’ que é altiva, séria, me ensinou que em certos tempos, não poderei rir, mas que racionalizar iria me salvar de muitos problemas.
Mãe que é atlética, jovial, que olha para frente a todo momento e não dá espaço para a dor. Me fez pensar que cada minuto deve ser aproveitado sem medos.
Mãe que agarra, que beija, que quer saber cada detalhe do seu dia, do que comeu e com quem falou. Mostrando que o carinho e o calor humano também são importantes, que não posso ser fria diante da vida, ou tudo perde a graça.
Mãe que não vê, mãe que não tem voz para falar. Apontando que não são as coisas materiais ou palpáveis que devem me guiar nesta vida.
Mãe que faz piada, ri toda hora e até na hora de partir contagia qualquer um com bom humor e inocência. Explicou que a felicidade está na forma em que a gente encara a vida.
Mãe que está perto ou está longe, que envolve a gente de cuidado seja mostrando um caminho ou apenas orando… mães que me inspiraram a um dia também querer ser mãe, a ser mais uma peça desse quebra cabeça lindo que cada um monta em sua vida.
Meu herói
Vou republicar um post hoje de 16, out, 2009. Sei que é chato repetir, mas pode ser que muita gente não tenha visto esse post antes. E hoje quero publicá-lo em homenagem ao aniversário do meu pai querido.
***
Quando eu era pequena eu já andava mais rápido do que aquele homem bigodudo. Ele pegava na minha mão para caminhar, mas meus pequenos passos eram mais velozes. Eu via meninos brincando de bola com seus pais e nem pensava que aquilo podia ser legal. Afinal, quem estava comigo me pegava nos braços e me levantava acima de sua cabeça com uma força incrível. Eu às vezes achava que ele era o Superman disfarçado.
Ele dirigia carro e me levava para escola, dava bronca e umas palmadas quando precisava. Saía todo dia para trabalhar cedinho e assistia a Fórmula 1 de domingo. Mas sempre o achei o melhor do mundo, o mais inteligente de todos. Ele sabia resolver qualquer exercício meu de matemática em dois segundos, e não tinha paciência para explicar depois, pois tudo era muito óbvio e fácil para ele.
Uma vez ele foi trabalhar longe de casa. Foi na crise de 92, onde tudo na nossa cidade ficou desolado e a empresa que ele trabalhava faliu. Mesmo assim eu nunca o vi com medo. Mas eu nem sabia que aquele ainda era um Brasil diferente, onde as leis não funcionavam tão bem como hoje. Apesar de graduado e experiente, o fato dele ter uma perna diferente da normal não o ajudava a ter um novo emprego.
Eu só fiquei sabendo de tudo muito mais tarde, pois ele sempre seguiu em frente e eu, criança inocente, nunca notei tensão em seu olhar. Ele batalhou e logo já éramos nós todos nos mudando para cidade grande. Ele continuou na lida dele e passou de novo no vestibular da USP. Era engenheiro, virou advogado também.
Até mesmo quando ele caiu naquele passeio e ficou um ano de cadeira de rodas, eu nunca o vi estremecido. Ele nem podia ir mais para seu quarto, pois ninguém conseguia carregá-lo para cima. E quem disse que ele mudou? Continuou com os braços fortes e as mãos mais gigantes que conheço. Para mim, sempre foi um homem fora do comum e acima da média.
E ele nunca descansou, nunca parou. As únicas coisas diferentes nele para o resto das pessoas é que ele não pode correr ou pular, nem ficar de pé muito tempo. E toda vez que ele pega um avião, precisa mostrar as pernocas sustentadas por metais para o policial.
Ele já foi até para os Estados Unidos sozinho. Já desceu 18 andares de escada só no braço, porque a energia elétrica tinha acabado. Mesmo podendo, nunca gostou de furar fila. Nunca quis se sentir no direito de ser privilegiado, afinal, ele sempre teve força para agir como todo o resto das pessoas.
Já está casado por quase 30 anos, botou três filhos na faculdade e abriu uma empresa. E nem por isso parou. Com suas muletas, está agora caminhando nos corredores de algum prédio no centro da cidade, onde começou essa semana em um novo emprego, que batalhou muito para conseguir. Mesmo com a cota para pessoas como ele, conquistou a nova vaga na mesma lista das pessoas sem necessidades especiais. Quem o vê de fora, pode até achar que a vida dele é sofrida por ser deficiente físico. Quem o conhece de perto, vê que quem é fisicamente perfeito muitas vezes faz muito menos e reclama muito mais do que ele. Para mim, sempre um herói dourado e motivo de orgulho: meu pai.
*post para comemorar meu niver, agradecendo a quem me pôs no mundo! Já falei da minha mamãe aqui.
Amando no silêncio
Ele provavelmente não vai gostar deste post. Reclama de abraço, de beijo, não responde se perguntamos sobre alguma possível namorada. Fecha a cara ao menor sinal de contato físico, não sabe sorrir em nenhuma fotografia, precisa sempre erguer as sobrancelhas grossas ou fazer alguma careta, como se fosse proibido ser bonito.
É a minha cara, minha versão masculina. E somos parecidos não só por fora, mas crescemos aprendendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas músicas, andando sobre o mesmo skate. Já fui sua heroína e também seu maior exemplo de desgosto. Nunca falou que gosta de mim, mas sei que sempre se lembra de vários momentos comigo.
Ele não está acostumado a receber elogios. Cresceu achando que suas vitórias não são importantes e por isso, às vezes, acha que não precisa se esforçar ao máximo, pois ninguém vai notar. Não é de vibrar, nem de sonhar, tem os pés firmes no chão, feitos blocos de concreto. Não posso dizer que isso é só uma capa, uma máscara, pois ele é transparente, claro e direto sempre.
Já passou despercebido, mas também foi muito aplaudido e virou um astro – pelo menos para mim. Já cantei com ele, viajamos soltos pelo mundo, já fui sua responsável, e também a que o ensina a fazer justamente o que não deve. Não sei quase nada da sua vida particular, apesar de termos vivido mais de duas décadas lado a lado.
Do meu quarto, ouvia sua respiração. Ouvia sua música, as ligações que recebia. Nunca nos cobramos nada, mas já trocamos agressividades e palavras vãs, como é típico de pessoas na nossa situação. Já vimos juntos campos de girassóis, cumes de montanhas nevadas, cachoeiras perdidas. Já passamos uma noite procurando onde dormir, desatolamos um carro, fumamos um cigarro.
Já fomos melhores amigos, e às vezes indiferentes conhecidos. Pouco sei do que faz na verdade, se já amou alguma menina, o que realmente quer da vida. Mas tenho orgulho de tudo que vivemos, da pessoa que é. Admiro suas conquistas, sua felicidade quieta e comedida. Porém penso que isso seja só um de seus lados, que eu não conheça muito mais, como um iceberg, só vi uma pequena parte do que tem a mostrar. E é isso que fazem as pessoas fantásticas, não precisam forçar ou pular na sua frente. Com muito pouco, já se gosta, se quer estar perto, mesmo que seja em silêncio.
Nunca disse te amo para ele, nem nunca vou ouvir isso da boca dele. Mas quem disse que é preciso usar palavras?
Cuidar de você mesmo
Este blog é cheio de fases. Tem fases que só falo de Egito, outra só de egípcios. Algumas quero falar de política, religião e em outras, o que tenho vontade é de escrever só sobre mim mesma, meus desafios pessoais. Mas fico com medo de tornar isso aqui um diário, para mim um blog é muito mais do que falar de si mesmo, mas tratar de assuntos universais. Mas tem época que é impossível, me desculpem quem odeia posts muitos personalistas, mas minha mente anda focada em mim estas semanas e anda sendo difícil postar sobre outras coisas que talvez gerassem mais debates interessantes ou forçassem uma reflexão maior.
Bom, dadas as explicações, vou dizer uma coisa que descobri no alto dos meus 27 anos: a gente precisa aprender a cuidar da gente e dedicar tempo para isso. Já passei muito tempo preocupada com coisas que não me ajudavam a ser uma pessoa melhor, tanto do lado físico quanto psicológico. E não que eu estivesse errada, mas tem horas que o foco de nossa vida sai de nós mesmos e acabamos entrando num ritmo que nem sempre é o ideal. Vivemos pelos horários dos outros, pensando no que os outros querem, ao invés das nossas necessidades também.
Tem fase que é legal ficar cozinhando, preparando jantar especial, engordando, comendo sem culpa, sem pensar na saúde. Mas a vida cobra mais tarde, e eu tive que parar de fazer coisas que eu gosto para pensar mais em mim apenas. Então foi aí que entrei num regime no final do ano passado, reeducação alimentar mesmo, perdi 5.5kg até janeiro. Aí descansei um pouco, porque não sou de ferro e ninguém muda do dia pra noite, voltei em abril, perdi mais 3 kg. E na quinta passada, dei o passo mais importante dos meus últimos 5 anos, voltei a fazer exercícios.
Isso exige uma readaptção grande da vida. Deixar meus horários que gastava antes com outras coisas, para me dedicar apenas a mim e ao meu corpo. É meio estranho no começo, pareço que estou largando coisas, porém sempre que começo algo, mergulho de cabeça, e na ginásitca não seria diferente, então tenho que fazer pelo menos duas horas de exercícios por dia. Então não tem mais janta em casa, um lanche rápido é suficiente. Estou chegando em média 2 horas mais tarde, porém dormido a noite inteira, e num horário mais decente. Parece que estou enfurrajada, porém começando a adquirir bons hábitos. Agora eu tomo café da manhã com fruta e pão integral, não croissant da padaria. Parece que estou deixando outras coisas de lado, como ficar mais tempo em casa, estar mais junto do marido e dos meus bichinhos, porém é algo que vou ter que me adaptar, para ser uma pessoa mais saudável e disciplinada. Eu relaxei demais nos últimos anos, e isso não é nada bom. Então agora é correr atrás do prejuízo, não pela forma física, mas pela saúde mesmo, poder agachar no chão para buscar algo embaixo da cama sem que o joelho grite de dor, ou subir a pequena ladeira do lado da minha casa sem ficar com o coração saindo pela boca. Deixar de ter preguiça pra vida.
Sempre ouvi aquele ditado de que o homem é cabeça, alma e corpo. Os dois primeiros estavam em ordem, mas não poderia ser feliz sem cuidar bem do terceiro, que é um bem precioso que ganhamos de Deus.
Ah, e pra começar bem a semana, fiz uma hora de boxe hoje. Sim, boxe, com direito a luvas e saco pra treinar. Bati muitooooooooo para desestressar, recomendo
Uma mãe guerreira
Continuando nossa discussão do post sobre mulher trabalho x casa, uma discussão eterna, lembrei deste outro post que minha mãe fez no blog dela. Gosto sempre de ouvir histórias, e essa é uma que presencio até hoje, então vou compartilhar:
Mães especiais
Esta semana recebi este vídeo que coloco no final do texto, sobre uma mãe muito dedicada e passei o resto do dia pensando nas mães maravilhosas que conheço.
Claro que não poderia deixar de pensar em minha mãe, mas hoje peço desculpas a ela e escreverei sobre outra mãe: A mãe do meu marido. Isto mesmo, da minha sogra.
Confesso que jamais seria uma mãe como ela. Não teria sua força e determinação.
No início de meu relacionamento com Luiz, achava ela uma mulher muito dura, até o dia, há muitos anos atrás, que ela disse a mim que eu era culpada por Luiz estar tão mimado….comecei a refletir…
Bem, Luiz Fernando teve paralisia infantil aos 6 meses de vida e ficou internado no Hospital das Clínicas 40 dias em isolamento. Era o primeiro filho da escadinha de três, porque 10 meses depois da doença e internação, Dona Eulalia deu a luz a sua segunda filha e mais 2 anos nasceu o terceiro filho.
Fico imaginando há 53 anos atrás as condições nada fáceis para se criar e educar um filho deficiente físico.
Dona Eulalia veio de Santa Catarina ainda adolescente para São Paulo junto com sua mãe de família alemã.. Era babá e sua mãe trabalhava em casa de família. Conheceu meu sogro num baile e se casaram. Meu sogro era de família mineira, mistura de italianos com espanhóis (onde fui me meter né?).
Mas sr Miguel era representante de laboratório e vendia remédios. Tinham uma vida bastante simples: Ela costurava as roupas que usavam, fazia todo trabalho doméstico e cuidava de seus filhos.
Mas voltando ao assunto inicial: Dona Eulalia foi guerreira na educação do Luiz. Uma mulher praticamente sem estudos, mas com caráter, com inteligência e visão de futuro. Enquanto muitas mães enchiam seus filhos de mimos e os protegia da vida, ela os ensinava a caminhar sozinhos. Não descansava nunca. Como também sou mãe de três, eu sei que isto não é uma tarefa fácil. Ensinar a andar com as próprias pernas exige disponibilidade, disciplina, segurança e muito amor .
Lali e Miguel logo descobriram a AACD que na época era na Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Como Miguel tinha que trabalhar, Lali pegava o ônibus e levava Luiz para o acompanhamento e tratamento médico. Conta que o Luiz gritava na ônibus, mas ela não desistia. Uma vez me disse que quando ele aprendeu a amarrar as botas, que na época parecia aqueles conturnos do exercito, era um verdadeiro treinamento, pois cada dia ele tinha que vestir mais rápido. Cronometrado mesmo.
Quando foi para escola, iam a pé e ele tinha que carregar a própria mochila. Aos amigos que ofereciam ajuda, era um muito obrigado imperativo. Ninguém ousava oferecer ajuda novamente. E quando caia era a mesma coisa. Ninguém podia ajudá-lo. Ele se levantava sozinho. Ela dizia que ele deveria estar preparado para qualquer eventualidade quando estivesse sozinho, afinal, a gente nunca sabe o que pode acontecer, não é mesmo?
Olhando assim, vemos realmente uma mulher dura. Mas na verdade é uma mulher que muito amou. Era muito mais fácil para ela fazer por ele, claro! Seria até mais rápido… bem mais rápido. Mas sua força amorosa, seu coração valente, fez dela mais que uma mulher, fez uma mãe que, ao aceitar o projeto de Deus em sua vida, construiu uma família de valor e um filho que é um homem firme, determinado, que não desiste nunca e que dá testemunho todos os dias e a todos, de superação e de comprometimento.
Agradeço a Deus e a esta mulher e mãe, que não tem vídeo dos tempos da dificuldades, por ter nos presenteado com este homem de fé que é o Luiz Fernando.
Obrigada Dona Eulalia!
Uma semana de sonhos
Eu sempre adorei viajar, conhecer novas culturas e lugares… aliás, acho que poucas pessoas não gostam, né? Mas nem sempre é muito fácil poder ir para um lugar diferente, às vezes a vida demanda algumas coisas imediatas e as prioridades mudam, sonhos às vezes ficam descansando do lado e deixamos para depois.
Mas eis que alguns pequenos milagres da vida sempre me acontecem. Eu me considero uma pessoa sortuda em diversos aspectos da vida, no amor, no trabalho, na família. E quem diria, sou boa também de promoções e concursos… E foi isso que me levou para longe semana passada: pro México.
Faz muitos anos que participo de concursos daqueles de frases, sabe? Tipo responda a tal pergunta e a mais criativa ganha. Já ganhei muitas vezes, mas coisas simples, como shows (já fui até conhecer artista gringo no camarim por conta disso), cosméticos e entradas para eventos de lazer. Desta vez, respondi uma promoção da TVA sobre o Filme Perdido para Cachorro (que é mega fofo e divertido) e ganhei uma viagem para Cancun. Nem preciso dizer que foi MARAVILHOSO, né? Pude levar ainda dois acompanhantes, então fomos eu, madrecita e Mostafito (o nome mexicano dele agora).
Agora me restam as saudades do mar azul, do hotel com tudo à vontade e camareira pra arrumar minha bagunça todo dia, as risadas do nosso portuñol, os momentos juntos em família
Ah, e claro, o nachos com chili e queijo fundido, comi DEMAISSSS!
Sou titia agora!
Gente, meu primeiro sobrinho nasceuuuuuuuu!!! Pena que ele é do lado egípcio e tá longe de mim, mas olha que fofura!! Será que agora me animo? eheheh
Q Allah abençõe esta família que acaba de nascer!!! O nome dele é Yehia, que é João em árabe… eu que ajudei a escolher ehheeh titia babona
O que é ser noiva?
antes de tudo: Blog abandonado, eu sei!! Mas se vcs soubessem o tanto de coisa que tenho feito, teve dia essa semana que só dormi 3 hs…. então por isso não estou tendo a calma necessária e idéias para o blog todo dia, como gosto de fazer! Desculpa a todos, espero que logo o ritmo volte ao normal…
***
Este post não é para falar sobre casamento no Brasil ou no Egito… é para compartilhar um sentimento muito comum com quem está se preparando para um relacionamento sério , para se casar.
Como já disse outras vezes, minha irmã vai casar e o grande dia está chegando. Ao contrário de mim, que fui para o Egito sem mal dar satisfação e compartilhar preparativos, minha irmã está fazendo tudo como manda o figurino, com direito a entrega de convites, chá de panelas, lista de presentes, igreja, vestido branco, festa, etc… é muita coisa!!
Mas mesmo meu casamento tendo sido tão diferente do dela, assim como outras pessoas podem ter outras formas de se “juntar”, acho que em alguns momentos compartilhamos as mesmas coisas. Deixar o lar, o que conhecemos, é um passo grande na vida de qualquer um.
Eu quando fui para o Egito tentei não pensar muito nas coisas, pois estava trocando tudo o que eu tinha por algo que eu nem havia visto ao vivo ainda. Não sabia direito como seria minha nova casa, meus novos hábitos, morar com outra pessoa que não meus pais e meus irmão. Tentei fingir que nada estava acontecendo para evitar ficar pensando e analisando, pois é difícil a gente imaginar que estamos felizes e tristes ao mesmo tempo, por deixar algo que amamos em troca de outra coisa que também amamos.
Essa coisa de ser noiva é complexa, contraditória. O ser humano nunca se sente confortável com mudanças e é normal que dê um medo na hora de mudar tudo o que conhecemos. Mas minha irmã no blog dela, conseguiu descrever muito bem o que é tudo isso que estou falando. E deixo o texto para compartilhar com vocês:
“Desde que comecei a entrega dos convites e fiz minha prova do vestido, comecei a ficar com um frio na barriga diferente. É um misto de felicidade extrema, medo, preocupação e coração partido… O casamento, assim como qualquer nova etapa de nossas vidas, significa ruptura e escolha… E para escolher uma coisa necessariamente tenho que abrir mão de outras… E é neste abrir mão que residem o medo e um pouquinho de coração partido. Eu não falo em tristeza, porque não é isso, mas o lançar-se ao desconhecido traz certa insegurança.
Bom, falando mais concretamente, ultimamente tenho pensado na minha saída de casa. Não na construção de um novo lar, mas na despedida do lar em que vivi toda a minha vida até agora. A despedida é sempre um pouquinho dolorosa… É difícil pensar que não vou mais estar ali em casa na janta, nas conversas intermináveis na cozinha, que meus pais não vão mais me buscar à noite na pós, que, enfim, a rotina da minha casa vai continuar acontecendo, mas que eu não vou ser mais presença nela.
Quero dizer, mais uma vez, que não há tristeza nisso, digamos que o que sinto é um estranhamento… Um ciúme talvez, daqueles que se sente quando se quer ter tudo ao mesmo tempo.
Por outro lado, este sentimento de perda se encontra com o de felicidade extrema. Estou muito feliz e ansiosa por começar uma nova fase, onde descobertas serão feitas e alegrias encontradas no dia a dia da convivência. Tenho a certeza tão absoluta de que serei tão feliz na nova rotina da minha casa!
Enfim, este frio na barriga está aumentando… Aliás tudo tem se intensificado: o amor, o sorriso, o medo, a alegria, a ansiedade, o choro e o riso… Acho que isso é ser noiva!”
Formar família
* Hoje vou deixar aqui um post feito pela minha irmã no blog dela. É engraçado como muitas vezes já vi reclamações aqui sobre falta de amor e comprometimento dos brasileiros, mas eu tenho bons exemplos em casa, com meus pais e minha irmã agora, de que não é bem assim. Claro que muitos não querem um casamento de verdade, mas isso não é exclusividade de homem brasileiro ou de qualquer país. Entre egípcios e muçulmanos também muitos não querem esse amor e paixão, ou algo que realmente seja uma troca diária de conhecimento e cumplicidade. Muitos só querem um casamento de fachada, o que não deixa de ser diferente de um homem brasileiro que simplesmente assume que foge de compromisso. Por isso acho o exemplo dela legal, e resolvi postar para vocês hoje. Espero que gostem! Ah, eles se casam em fevereiro do ano que vem, e semana passada comemoraram 9 (isso mesmo, NOVE) anos de namoro!*
Hoje eu estava refletindo um pouco sobre o casamento e fiquei pensando no quanto o mundo vai mudando com o passar do tempo e, junto com ele, as pessoas vão mudando. Digo pessoas em um sentido bem amplo mesmo, de humanidade.
Eu não tenho uma visão melancólica da vida. Claro que tenho saudades da minha infância e do que já passou, mas não penso que gostaria de voltar no tempo ou coisa assim. Talvez eu seja um pouco otimista demais, mas sempre penso que amanhã o dia será melhor do que hoje, mesmo que isso às vezes pareça impossível quando o dia que vivemos parece o melhor de nossas vidas. Enfim, acho que estamos o tempo todo crescendo, aprendendo e evoluindo. E assim acho que o mundo caminha também. Vamos aprendendo com os erros do passado para construirmos, no presente, um futuro melhor.
Mas o que tudo isso tem a ver com o casamento? É que eu tenho notado que o casamento não tem sido visto mais com tanta importância pela sociedade. As pessoas acham que o casamento é apenas uma festa, mas que não há obrigação nenhuma de dar certo. Eu não penso assim… Na verdade, acho que é um tema bastante complicado, pois não dá pra saber os limites de cada um e o que se passa na vida intíma de um casal. Então acho que não sou contra a separação, porque não posso julgar o sofrimento de cada casal, de cada pessoa e até onde era possível suportar e superar. O que eu não gosto é dessa banalização do casamento… Das pessoas que acham que o casamento é apenas um ‘ritual de passagem’ e não percebem que é um compromisso assumido para o outro.
Para mim, o casamento é justamente isso: compromisso. É o acordo entre duas pessoas de que vão dar o máximo de si para fazer o outro feliz. E vão ter uma família. E vão cuidar dessa família. Eu realmente penso que a base para uma sociedade mais justa e feliz é esta. Não que não existam outras maneiras de cidadãos bons serem formados (se pensasse isso estaria sendo injusta com pessoas que não tiveram a oportunidade de crescerem em uma “família padrão”), mas ter uma base familiar sólida, de valores e respeito com certeza contribui muito para a caminhada da sociedade rumo a um mundo mais feliz e justo.
O que eu espero, indo de encontro a uma frase que escutei esta semana no show do Paralamas do Sucesso, é que eu e o Jaime possamos formar uma família que preparem pessoas melhores para o mundo, para que os nossos filhos possam ser agentes de mudança da sociedade e que sejam sempre ferramenta de amor e paz. E isso só será possível através do nosso compromisso e do respeito que teremos um para com o outro.
Eugenia
Meu herói
Quando eu era pequena eu já andava mais rápido do que aquele homem bigodudo. Ele pegava na minha mão para caminhar, mas meus pequenos passos eram mais velozes. Eu via meninos brincando de bola com seus pais e nem pensava que aquilo podia ser legal. Afinal, quem estava comigo me pegava nos braços e me levantava acima de sua cabeça com uma força incrível. Eu às vezes achava que ele era o Superman disfarçado.
Ele dirigia carro e me levava para escola, dava bronca e umas palmadas quando precisava. Saía todo dia para trabalhar cedinho e assistia a Fórmula 1 de domingo. Mas sempre o achei o melhor do mundo, o mais inteligente de todos. Ele sabia resolver qualquer exercício meu de matemática em dois segundos, e não tinha paciência para explicar depois, pois tudo era muito óbvio e fácil para ele.
Uma vez ele foi trabalhar longe de casa. Foi na crise de 92, onde tudo na nossa cidade ficou desolado e a empresa que ele trabalhava faliu. Mesmo assim eu nunca o vi com medo. Mas eu nem sabia que aquele ainda era um Brasil diferente, onde as leis não funcionavam tão bem como hoje. Apesar de graduado e experiente, o fato dele ter uma perna diferente da normal não o ajudava a ter um novo emprego.
Eu só fiquei sabendo de tudo muito mais tarde, pois ele sempre seguiu em frente e eu, criança inocente, nunca notei tensão em seu olhar. Ele batalhou e logo já éramos nós todos nos mudando para cidade grande. Ele continuou na lida dele e passou de novo no vestibular da USP. Era engenheiro, virou advogado também.
Até mesmo quando ele caiu naquele passeio e ficou um ano de cadeira de rodas, eu nunca o vi estremecido. Ele nem podia ir mais para seu quarto, pois ninguém conseguia carregá-lo para cima. E quem disse que ele mudou? Continuou com os braços fortes e as mãos mais gigantes que conheço. Para mim, sempre foi um homem fora do comum e acima da média.
E ele nunca descansou, nunca parou. As únicas coisas diferentes nele para o resto das pessoas é que ele não pode correr ou pular, nem ficar de pé muito tempo. E toda vez que ele pega um avião, precisa mostrar as pernocas sustentadas por metais para o policial.
Ele já foi até para os Estados Unidos sozinho. Já desceu 18 andares de escada só no braço, porque a energia elétrica tinha acabado. Mesmo podendo, nunca gostou de furar fila. Nunca quis se sentir no direito de ser privilegiado, afinal, ele sempre teve força para agir como todo o resto das pessoas.
Já está casado por quase 30 anos, botou três filhos na faculdade e abriu uma empresa. E nem por isso parou. Com suas muletas, está agora caminhando nos corredores de algum prédio no centro da cidade, onde começou essa semana em um novo emprego, que batalhou muito para conseguir. Mesmo com a cota para pessoas como ele, conquistou a nova vaga na mesma lista das pessoas sem necessidades especiais. Quem o vê de fora, pode até achar que a vida dele é sofrida por ser deficiente físico. Quem o conhece de perto, vê que quem é fisicamente perfeito muitas vezes faz muito menos e reclama muito mais do que ele. Para mim, sempre um herói dourado e motivo de orgulho: meu pai.
*post para comemorar meu niver, agradecendo a quem me pôs no mundo! Já falei da minha mamãe aqui.









