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Sobre vistos para estrangeiro, carta convite, etc.

Sem dúvida nenhuma, uma das buscas mais feitas nesse blog e motivo para centenas – isso mesmo CENTENAS – de mensagens para mim  é como trazer meu namorado/marido/amigo egípcio/marroquino/paquistanês/indiano para o Brasil. Vou tentar fazer um post que finalmente supre algumas dessas respostas, espero eu, e que poderá ser completado por quem tiver mais dados nos comentários.

Vou fazer tudo passo a passo, alguns podem parecer óbvios, mas não duvidem que já recebi todo tipo de pergunta, então vou bem devagarinho:

1 – Ele precisa de um passaporte. Sim, parece óbvio, mas tem gente que nem isso sabe o que é direito. E muitos egípcios, que não tem costume de viajar para fora, nem pensam que para ter esse documento precisam estar a par com o serviço militar, tudo certinho.

2- Visto. Para entrar no Brasil, egípcios (paquistaneses e indianos também) precisam de vistos. Os marroquinos não precisam de visto (até a data de hoje, sempre chequem se as informações estão atualizadas nas fontes oficiais do governo, embaixadas, etc).

3- Visite o site da embaixada onde vc vai pedir o visto. Vou me basear a partir de agora pelo que sei dos egípcios. Dá uma olhada no que pedem para conceder o visto. Pense assim: o que você precisaria para tirar um visto para os EUA? É basicamente o mesmo pra ele, vai ter que provar que tem renda pra ser turista internacional, uma carta do trabalho, comprovante de saldo em conta, etc.

4 – Carta convite. É uma carta que você faz em cartório, custa uns R$200 dizendo que se responsabiliza por aquela pessoa, incluindo se ela precisar de hospital, você é que vai pagar a conta pro SUS. Então é algo pra ser muito bem pensado. A carta convite não garante visto, se o cara não apresentar comprovante de renda, trabalho, etc, você vai jogar seu dinheiro fora. E vão te ligar pra saber por que você está convidando a pessoa. Se disser que é pra casar e você nunca nem foi no Egito conhecê-lo, é muito provável que neguem o visto.

5- Ter as passagens de ida e volta, ou pelo menos as reservas.

6 – Preencher este formulário online: https://scedv.serpro.gov.br/frscedv/index.jsp

7- Ir na embaixada no novo endereço: 2005C Corniche El Nil
Nile City towers, North Tower, 18º andar
Ramlet Beaulac – Cairo – Egito

8 – Quando for atendido, ser gentil e sério, nada de ficar nervoso como se tivesse fazendo algo errado.

9 – Torcer pra dar certo!!

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E se você quer casar no Egito?

Eu casei já faz mais de 5 anos, então muita coisa mudou. Eu realmente não sei mais como é o processo, respondo isso para as pessoas, algumas se ofendem por não querer ajudar, mas gente, vocês estão falando de casamento no país deles, eu casei faz tempooooooooooo!! E fora que, é seu habibi que deve ir atrás e te falar tudo que você precisa, sempre checar direitinho lá porque toda hora as coisas mudam no Egito. Quando eu casei, levei papéis traduzidos pro árabe do Brasil, uma certidão de solteira e minha certidão de nascimento, super simples. Agora, é um trabalhão, até exame médico pedem. Eu aconselho a ler o post da Vanessa aqui (http://daytripperbr.blogspot.com.br/2012/04/casamento-no-egito-step-by-step.html ) mas como já disse, lembrando que tudo precisa ser bem checado por seu habiby, daqui uns meses o passo a passo dela também pode estar velho, então ao invés de mandar mil mensagens pra ela pedindo ajuda, façam os habibizinhos lá se mexerem ehehe

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Eu quero me casar no Brasil. Novamente, volto ao dilema, que já fiz esse processo há cinco anos. Quando voltei para o BRasil, transcrevi meu casamento no cartório da Sé, precisei do meu casamento assinado na embaixada do BRasil no Cairo, traduzido juramentado para o português e duas testemunhas.

Assinei ainda dois papéis lá afirmando que não queria mudar meu nome e que não queria declarar o regime de bens. No Egito o casamento não vem com regime de bens e eu teria que ter algo da embaixada do Egito para comprovar, como daria muito trabalho, ficou em branco mesmo.

Agora se vocês vão se casar aqui mesmo, melhor ligar no cartório da sua cidade e se informar sobre tudo, eu realmente não sei :(

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E para ele ficar aqui comigo?

O visto de turista é só de 3 meses, renováveis por mais 3. Para ele tirar CPF, carteira de trabalho, abrir conta em banco, tudo normal, ele precisa do RNE, ou seja, Registro Nacional de Estrangeiro. Isso você tira na polícia federal.

Você tem que ir pessoalmente – não adianta ligar – para pegar a lista de documentos exigidos. Isso varia de lugar pra lugar, por isso não adianta perguntar para alguém, você tem que ir lá ver. Geralmente pedem antecedentes criminais – a não ser que você seja amigo do governo e ganhe asilo mesmo sendo um criminoso internacional, como já vimos aqui – , o comprovante do casamento, endereço, etc. E fazem uma visita surpresa na sua casa, pra ver se são casados mesmo. Nosso processo levou míseros 2 anos – DOISSSSS – para terminar. Espero que tenham mais sorte que eu ahahah

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Acho que tratei basicamente de tudo, espero que ajude!!! Dúvidas, extras, dicas, é só comentar abaixo :-)

Eu não sabia

Eu pensava que amar outra seria como trair o meu primeiro amor. Eu estava acostumado a colocar barreiras entre nós e evitar estes sentimetnos naturais que eu estava tendo por ela, eu tentava enxergar apenas os pontos negativos e evitava aproveitar suas ótimas qualidades. Eu nunca pude resistir à sua comida maravilhosa, eu não entendia seus filhos e suas piadas, seu humor, não estava entendendo o que era esta emoção por ela que nascia dentro de mim.

Nas vezes em que estive longe dela, eu percebi que realmente sentia sua falta. Como sempre, eu queria me prevenir deste sentimento e não queria entender o porquê dele.  Nela eu tive meus melhores dias, eu conheci as pessoas mais puras e eu pude sentir a verdadeira liberdade. Nela eu realmente cresci, eu aprendi o que é a vida e como verdadeiramente aproveitar todos os momentos da minha existência.

Nela eu encontrei milhões e milhões dividindo este mesmo sentimento comigo, que eu não sou o único diferente. Nela, não tem problema você ser diferente.  Nela sou sempre bem vindo, não sou só mais um árabe que sofre racismo. Para eles eu até pode ser o  homem bomba, mas é somente uma brincadeira, não falam sério. No seu aeroporto eu fui tão bem tratado como suas crianças, nos seus hospitais cuidaram de mim como se eu fosse um deles. Nela eu fui bem recebido sempre, nela eu vivi, vivo, viverei e irei morrer.

Obrigada, Brasil, por tudo, obrigado por me fazer sentir em casa, pra ser sincero, eu não estou me “sentindo” em casa, eu sei que “estou” em casa. E não poderei nunca dizer que você é minha segunda casa, você é a minha única casa.

*Post escrito hoje pelo meu marido, egípcio, 26, 4 anos de Brasil.

Novo site – Embaixada do Brasil no Cairo – Egito

Pessoal,

como vocês notaram estou sem postar faz tempo. Ando bem cansadinha e confesso que apesar de ter algumas ideias para posts legais, anda me faltando coragem de vir aqui.

Por isso, só estou dando uma passada rápida com uma informação muito útil para quem vai ao Egito ou quer informações de vistos para egípcios no Brasil. O site da embaixada do Brasil no Cairo mudou e está mais elegante, com informações mais claras sobre alguns processos. Você têm que se guiar pelo menu à esquerda e percebam que novas abas se abrem, conforme o assunto pedido. A versão em árabe ainda não está disponível, mas em inglês vocês encontram a questão do visto para estrangeiros visitarem o Brasil.

Note que nos requisitos pedidos, não consta nada de carta convite. Como já respondi anteriormente para algumas pessoas, a carta convite não é necessária, na verdade acredito que a embaixada peça isso justamente para ver se a pessoa está vindo aqui só para se casar e isso pode dificultar o processo. Se a pessoa tem perfil de turista, ela consegue o visto sem problema algum (obs. perfil de turista é alguém que demonstre capacidade financeira para arcar com uma viagem internacional para fazer turismo).

Alguns links:

Requisitos para o visto de egípcios: http://cairo.itamaraty.gov.br/en-us/visas.xml

Informações de contatos, horários e telefones da embaixada: http://cairo.itamaraty.gov.br/pt-br/a_embaixada.xml

Informações sobre documentações na embaixada: http://cairo.itamaraty.gov.br/en-us/other_services.xml

Espero que isso ajude quem precise deste tipo de informação!

Em breve volto com posts…

Salam!

O que aprendi com ele

A mudançada para o Egito foi claramente mais atrativa em termos de histórias, aventuras e aprendizados facilmente aplicados à vida real. Parece aquele tipo de história que se lê em livros, que se vê em filmes e se imagina durante sonhos ‘nonsense’.

Quando eu fui para o Egito, passei pelo “batismo” de fogo da realidade, aprendi a comer coisas diferentes, vi cores e sons exóticos bem à minha frente. Aprendi na prática, no dia a dia, o que era mudar e ser mudada, o que é realmente ampliar horizontes e viver o mundo como ele é, não só como o idealizamos.

Por fim, o Egito marcou em minha vida e do Mostafa uma série de aprendizados bem práticos, daquele estilo que vemos em manuais de viagens, que envolvem atitudes e costumes. Aprendemos juntos esta coisa de casamento multicultural, com todos os chiliques possíveis que eu poderia dar, com toda a compreensão do mundo que ele poderia oferecer.

Agora, algo que quase nunca falo ou comento, pois é uma parte muito mais densa e difícil de ser mensurada em palavras, foi a fase em que viemos para o Brasil. Só hoje temos a dimensão de quanto o primeiro ano aqui foi extremamente nebuloso e conturbado.

Sinto que, para mim, foi uma retomada das coisas que eu já fazia antes, voltar ao jornalismo, a poder me expressar acidamente e falar de política, discutir economia e não receber olhares atravessados do tipo “que diabos essa menina está falando?”. No Egito, sendo sincera, tive que deletar em parte meu lado mais intelectual, pois a não ser com meu marido, ninguém se interessa pelas conversas de mulheres além do que elas falam sobre o tempo que pretendem engravidar, sobre casamento ou das roupas que estão comprando.

No Egito, tive que aprender a me calar, e isso para meu crescimento pessoal foi muito bom, porém não é algo ao qual eu sobreviveria a minha vida toda. De qualquer forma, retomar minha vida anterior no Brasil era praticamente impossível. Não porque eu não fosse me deparar com os mesmos empregos, o mesmo estilo de vida, mas porque eu já estava tão mudada por dentro, que não sabia mais vivenciar as coisas do mesmo jeito. Depois de nove meses no Egito, você só quer mais e mais, e ter de voltar ao “arroz com feijão” não é algo tão atraente quanto conhecer novas coisas e experimentar no dia a dia outro mundo.

Mas, enquanto eu vivia a experiência de desacelerar em termos culturais, focar de novo na minha carreira e em me sentir parte do “jogo empresarial” mais uma vez, Mostafa passava por uma fase mais complicada. E difícil de explicar. Ele se viu em meio a uma cultura muito mais voltada para o lado prático das coisas, onde receber alguém é com um almoço e olhe lá. Nada de gente pendurada em você, querendo saber cada passo seu.

Ele deve ter se sentido desamparado, muitas vezes me disse que os brasileiros eram muito frios. Isso mesmo, o povo que se diz dos mais hospitaleiros do mundo, é frio perante o olhar egípcio.

Ao mesmo tempo, ele se via sozinho, com uma esposa em ritmo de trabalho frenético, pois não fiquei nem duas semanas parada no Brasil, tendo de lidar ainda com questões burocráticas das mais entendiantes possíveis, como seu visto de permanência, e além de tudo, num lugar onde poucas pessoas se comunicam em inglês, onde andar na cidade mesmo com GPS é bem difícil, imagina sem entender placas ou ter visitado antes o lugar,  onde existe violência, onde a religião não está tão presente e as pessoas se tocam nas ruas, onde não há nada conhecido ou certo, pois tudo é novo e passa numa velocidade de um raio. E junte a isso, a conscientização de que, aos 22 anos, você é um homem casado, que tem de deixar urgentemente o sentimento de juventude de lado, se desapegar para se tornar o homem da casa, em um lugar onde não conhece nada.

Pois bem, é um tarefa árdua, difícil e complexa. A adaptação no Brasil, mais do que cultural, foi emocional,  e como eu disse, é este tipo de aventura que as palavras não conseguem explicar, pois são muitas conversas, debates e discussões envolvidas.

Mas, apesar das engrenagens parecerem enferrujadas, do tempo se arrastar como em um pesadelo, ele fez o que era possível. Jamais me segurou e pediu para eu ir devagar. Mergulhou em livros e sonhos, e com esse aprendizado difícil por meio de um amadurecimento repentino e radical, longe do aconchego egípcio, onde tudo parece possível e fácil de lidar, ele foi se transformando no homem que é hoje. Completando 26 anos amanhã, o Mostafa que conheço hoje é uma pessoa bem diferente da qual eu conversava na internet ou com a qual vivi um conto de fada no Egito. Nem parece que se passaram apenas 4 anos, pois as mudanças neste pequeno período de tempo com certeza foram maiores do que as que iremos viver nas nossas próximas muitas décadas.

Hoje ele é uma pessoa com personalidade fortíssima, inteligente, esforçado e sem medo de fazer apenas o que acha certo e o que tem vontade de fazer. Esqueça qualquer esteriótipo ao analisar Mostafa. Ele não é um egípcio comum, nem um brasileiro comum. Não adianata você querer dizer a ele o que é certo, pois se não há paixão, ele simplesmente ignora e não faz.

Deixou de lado a formalidade egípcia, sem esquecer do carisma de sua terra. Juntou seus valores familiares ao bom senso, não julga ninguém, mas ai de você se falar mal de alguma cultura ou se julgar superior ou mais moderno só pelo local em que nasceu. Ele terá mil respostas para te deixar no chão. Inclusive ele vive me deixando esmigalhada quando venho com meus papos chatos de “no Egito é assim, no Brasil é assado”. Ele acha tudo isso uma baboseira. “Viva sua vida, não se importe com regras ou comparações que não te levam a nada”, sempre filosofa.

Ele conheceu pessoas tão diferentes dele, que com elas se tornou uma pessoa ampla. Digo ampla no sentido de poder se dar bem com qualquer um, pode ser um analfabeto ou um grande empresário. Mostafa nunca acusa, nunca entra numa discussão. Quase sempre ele concorda com você, apenas para te “deixar feliz”‘, como ele diz,  e “eu não perder tempo discutindo algo que ele não vai concordar e eu vou continuar achando que é de outra maneira”. Por isso, fora alguns assuntos mais gerais, algumas coisas você jamais o verá falando de forma enérgica, como religião ou cultura. Se você falar qualquer coisa do Egito sobre “segregação de mulheres”, ele virá com mil exemplos sobre como os brasileiros também são segregadores, apontando no final que não está dizendo que um ou outro lugar é melhor, apenas mostrando que humanos são humanos, não importa onde. Tudo isso com a voz mais calma do mundo, o rosto sereno e sem te deixar com um pingo de raiva. Ele sabe dialogar, qualidade rara e que quase nunca encontro nas pessoas (eu, aliás, sou péssima nisso).

Por fim, posso dizer que no Brasil ele se transformou em um homem sério e ao mesmo tempo terno, totalmente focado em seus objetivos e na sua família. Ele é enclausurado, você jamais o verá em rodas de árabes ou circulando com amigos por aí, pois ele não precisa da aprovação de ninguém para ter auto-estima, nem de grupos para se sentir acolhido. Ele é o tipo de pessoa que encontra a felicidade nas coisas mais simples da vida, como um almoço de domingo em família, na brincadeira com seus gatos de estimação, num passeio ao shopping com a esposa.

E assim hoje ele comemora mais um ano de vida. E quem ganha o maior presente sou eu, por poder estar ao seu lado todos estes dias.

Lista de livros de português para estrangeiros (do Musta)

Outro dia falei das leituras do Musta para aprender português, e alguém me pediu indicações de livros. Existem diversos métodos para estrangeiros, alguns são mais difíceis de seguir sozinho, outros eles se viram. O Musta na verdade teve que se virar com todos, porque eu odeio ensinar, então acho que são muito bons, pois ele escreve também muito bem.

Aqui está o que ele já usou ou usa:

-  How to say anything in Portuguese? – Como dizer tudo em português

- Falando lendo escrevendo Português – Um curso para estrangeiros

- Dicionário Árabe – Português (Bazar Editorial)

-Português – Via Brasil – Um curso avançado para estrangeiros

Dicas pro estrangeiro se soltar na língua:

- manda ele comprar coisas na padaria. Mesmo que ele diga que não vá conseguir, grite até ele criar coragem. Padarias sempre rendem grandes aprendizados ehehe

-Deixe ele ver programas idiotas ou novelas. Tem coisas tão bizarras na nossa TV que ele vai acabar ficando curioso pra entender e vai melhorar no idioma.

- Não deixe ele ficar na internet o dia todo ouvindo música/filme árabe nem ficar falando com amigos no skype todo santo dia. Tem que falar com brasileiros, fazer amigos aqui também e ter uma vida normal.

- Segure para não rir de todo erro que ele comete.

- Chame atenção dele toda vez que trocar um P por B. Mas toda mesmo, não deixe passar, ensine direitinho a diferença que ele nunca mais fará isso.

- Ensine ele a ser fanho e ridículo para falar certo palavras como pão, mãe, mão.

- Faça ele fazer os pedidos no restaurante.

- Deixe ele pegar condução sozinho. Ele vai se perder muitaaaas vezes, mas sempre acha o caminho de volta :-)

Dividir a vida pode ser para sempre

Casamento. Palavrinha mágica que mesmo nos dias de hoje, - quando juntar não é mais problema, onde namorar é fácil e ficar junto pode ser apenas por uma noite - ainda nos remete a sentimentos bons e de tranquilidade. Inclusive saiu uma pesquisa semana passada, dizendo que os casais de papel passado se sentem mais felizes, pela estabilidade que a situação proporciona.

Pois bem, casar hoje continua a mesma coisa que nossos pais e avós faziam anos atrás. Muitas mulheres ainda aguardam este dia como um dos mais importantes da sua vida, planejam festa, vestido branco, pensam na decoração da casa, começam a calcular em quanto tempo querem ter filhos e por aí vai. Mas passada a animação pelo acontecimento, o charme de ser a noiva, o centro das atenções, quantos casais não começam a se despedaçar e entrar uma rotina enfadonha mal saídos da lua de mel?

Eu felizmente não conheço muita gente divorciada, minha família direta (pais e avós) sempre viveram juntos e com eles aprendi uma das lições mais importantes (seja eles pondo em prática ou brigando absurdos pela falta deste conhecimento): casamento tem de ser vivido no dia a dia. Para mim, isso signfica que não importa quanto tempo estejamos juntos, quantas coisas boas ou ruins passamos, o que vale é aquele dia, a dedicação que temos um ao outro sempre, não importa se é domingo ou uma segunda-feira cansativa depois de hora de trabalho e trânsito. Temos que lembrar de receber quem amamos com um sorriso, aprender a curtir momentos felizes a dois, mesmo que seja cozinhando macarrão com ovo.

Semana passada eu completei 4 anos de casadas (para quem não viu meu marcado ali do lado do blog) e nem parei para pensar muito na ocasião. Fizemos basicamente o que sempre fizemos, saímos para lugares que gostamos, pegamos um cineminha, ficamos em casa com nossas coisas que gostamos. No dia seguinte, por incrível que pareça, fizemos o que? A mesma coisa (tirando o cinema, porque não tinha mais nada de bom pra ver)… ehehe Para nós não é preciso um dia ou uma data pra ganhar tal presente ou fazer tal coisa especial para celebrar. Pois ter essa cumplicidade no dia a dia, a alegria de estar junto no cotidiano, é o que faz a vida valer a pena. Você não deve viver para colecionar alguns momentos felizes e passar o resto do tempo planejando algo especial só para ter o que fazer em algum dia específico. O casamento para dar certo, na minha opinião, tem que ser construído todos os dias, todas as horas e momentos juntos, senão ele se torna um fardo pesado demais. Pois ninguém quer se cansar do outro ou chegar ao ponto de cansar de ver aquela pessoa ao seu lado.

Em algumas situações, os casais passam ainda a guardar em uma lista imaginária tudo que fizeram pelo outro, e vice versa, e esse tipo de pensamento surge sempre nos momentos de discussão, quando um joga na cara do outro o que se sacrificou e a briga tende a tomar proporções perigosas. No meu caso, que me casei com uma pessoa de outro país, jogar esse tipo de coisa na cara do outro é o pior caminho, pois ambos ganharam e perderam muito em suas vidas, ambos mudaram demais e cederam também, e não dá pra colocar numa balança quem fez mais. Jamais posso comparar minha ida ao Egito por nove meses, com esses três anos que ele está por aqui. Quem perdeu mais, quem ganhou mais? Difícil, pois as experiências são coisas imensuráveis, assim como a dor de ver a mãe dele longe, ou quando eu estava lá, de ter deixado minha carreira de lado por um tempo. É tudo muito pessoal, incalculável. Mas não nos perdemos jamais neste tipo de discussão, pois elas só levam ao mesmo lugar: a falta de amor. Pelo contrário, só buscamos somar estas experiências de vidas tão ricas que tivemos, e por isso acredito que somos serenos até hoje.

E sim, a vida não é perfeito, há muito o que se fazer e lutar. Mas nada disso é grande o suficiente para nos abalar ou estremecer a união que criamos. E, do alto da minha “grandíssima” experiência de casada, aconselho a todos que estão para se casar, ou estão juntos e brigando, a parar para pensar um pouco nisto que escrevi, pois é algo que me traz muita felicidade e gostaria de compartilhar com vocês. :-)

Estudando português

Mostafa resolveu botar a cara de novo no português (ele fala e escreve muito bem, mas diz ele que quer ser igual nativo), comprou dois livros de “português avançado para estrangeiros”.  E claro, com isso situações cômicas aparecem.

Primeiro que toda hora ele quer conjugar os verbos irregulares. Eu trago, você traz? E quando do nada ele vem com uma pergunta: “eu lhe trago” ou “eu te trago”, qual a diferença? Sei lá Musta, não quero pensar nisso agora!! Ele diz agora que só me pergunta coisas urgentes, porque se depender da minha ajuda até hoje ele não falava nada de português (verdade, odeio ensinar).

Aí hoje ele está lendo um diálogo no livro, e tem uma história de um casal e um desenho do lado de um cara pulando a janela com a seguinte legenda: “ihh, o marido chegou mais cedo.”  Ele pergunta: isso é coisa que se ensine para estrangeiro, mulher traindo o marido no Brasil? ahaha

E depois de uns minutos mais lendo e estudando, ele começa a falar baixinho:

“um dois, feijão com arroz,

três, quatro, feijão no prato…”

Estouro em gargalhada e ele: “que foi? não posso estudar em paz não?”

É cada coisa que ensinam para estes gringos…

O engraçado disso tudo é que, apesar dos mais de três anos dele aqui, ainda tem horas que vejo ele como um perfeito gringo. Os micos são raros agora, mas ainda acontecem de vez em quando.

Hoje fazemos aniversário de Brasil – três anos por aqui

Há exatos 3 anos estávamos deixando o Egito, num furacão de ideias e emoções. Eu retornava ao Brasil, Musta seguia em busca ao desconhecido e desafios ainda maiores para nossa recente vida de casados, que começou nada tradicional.

Tudo na nossa vida de casados foi feito de impulsos e sem muito planejamento. E tudo, milagrosamente, sempre se encaixou na hora certa, da forma certa, como se o quebra cabeças de nossas vidas já estivesse pronto há muito tempo, que basta ter paciência e nós conseguimos montar todas as peças.

E assim foi quando nos casamos. Em apenas uma semana, pedido de casamento. Em um mês, passagem comprada para o Egito. Em quatro meses, já estávamos casados. E tudo foi sempre na correria, na afobação, sempre pensando no que tínhamos de fazer de última hora. Nossa festinha de casamento foi planejada em uma semana, nossa mudança para o Brasil em outros poucos meses. No começo, tudo foi maravilhoso, e conturbardo também. Amadurecemos muito e juntos neste período.

Na volta ao Brasil, demorou também para a poeira baixar. Seja lá ou cá, mudanças são sempre chatas e exigem paciência, tempo de maturação e perseverança pra que tudo dê certo.  E assim, depois dessa fase inicial, tudo entrou nos eixos.

E hoje podemos celebrar três anos de Brasil. Muitos sonhos ainda precisam ser concretizados, muito trabalho pela frente, encontramos muitos problemas também ainda na vida aqui e neste país de contrastes, mas foi onde finalmente sossegamos e decidimos construir nossas coisas, onde aos poucos soubemos como vencer as batalhas deste grande jogo que é a vida.

Cara de assustado: como todo bom brasileiro, fantasiado (e de árabe)

A alegria da minha vida!

Comparações entre Egito e Brasil segundo a Newsweek

A revista americana Newsweek soltou um ranking muito interessante dos melhores países para se viver estes dias. O Brasil ficou na vergonhosa 48 posição (sim, porque com nosso nível econômico, acho esse número muito ruim) e o Egito, na 74 posição.

O ranking levou em conta saúde, educação, violência, economia e até liberdade política em consideração. Quem quiser ver o ranking completo e ir comparando entre os mais diversos países, é só entrar aqui. Ah, o primeiro lugar ficou com minha amada Finlânia :-)

Egito Brasil
Expectativa de vida 60 anos 64 anos
Taxa de alfabetização 71.7% 88.7%
Mortes violentas por crimes e drogas a cada 100 mil habitantes 1.2 29.2
Liberdade política (quanto mais alto o nº, pior) 5.5 1.5
Receita per capita US$2.070 US$8.070
Desigualdade social (mais próximo de zero, melhor) 32.1% 55%
Desigualdade entre os sexos (quanto mais próximo de 1, melhor) 0.586 0.669

Um dos dados que mais me chamou foi o da violência. Apesar do Egito ficar atrás do Brasil na maioria dos outros pontos, os números de mortes no Brasil é bem chocante.

E vocês, o que acharam?

Egito versus Brasil?

A gente muda com o tempo, geralmente para melhor pois aprendemos com os erros passados. Quando eu morei no Egito, acredito que ainda era muito imatura, não sabia bem o que queria e pesei a mão certas vezes no que falava sobre as coisas de lá, até porque não sabia muito bem ainda como lidar com tudo e como recuperar minha independência, que sempre prezei tanto. E não estou falando de independência financeira, pois isso sempre tive mesmo quando morei por lá, rapidinho tratei de arrumar um trabalho. Mas estou falando de independência da vida pessoal, de saber novamente os limites do que posso falar, como posso destilar meu humor ácido (quem me conhece sabe como posso ser o ‘cão’), como movimentar, como andar sozinha, como comprar pão.

Quando vamos para outro país de cultura tão diversa, a adaptação para alguns, como eu, pode demorar um pouco, pois eu saio do total controle da situação para um aprendizado diário, e isso me cansava o cérebro. Ficar pensando como agir, como falar, como atuar para não magoar os outros, pois desde o começo a primeira coisa que senti nos egípcios foi uma educação absurda um com os outros, tudo eles falam com meias palavras, sempre tudo está ótimo, lindo maravilhoso, sempre tratando as visitas com todo cuidado e esmero, e eu com meu jeito sincero de ser às vezes assustava. Quando alguém perguntava o que eu achava do Egito, eu no começo eu falava o que pensava, que era tudo muito bagunçado. Algumas pessoas ficavam magoadas, tentei maneirar, e sempre que falavam do Brasil eram curiosidades sobre futebol, como era a economia, coisas mais positivas, e eu sempre na defensiva.

Com o tempo fui aprendendo as diferenças, admirando as coisas muito boas de lá. Nunca vi pessoas tão acolhedoras como no Egito, seja na minha família de lá ou nas ruas, onde sempre que descobriam que eu era estrangeira era tratada como rainha, até mesmo no trem onde só pessoas mais simples circulavam em Alexandria. Não entendo pessoas que vivem no Egito e não conseguem ver tudo aquilo que vivi, pois não foi 1 dia ou 1 semana, mas nove meses de puro encanto com aquela cordialidade. Eu pegava trocado na vendinha do Mahmoud embaixo de casa para pegar o taxi, ganhava doces toda vez que ia comprar konefa em Cleopatra, às vezes não pagava o tram só por falar “la ilaha ila Allah”. O cobrador sempre descobria que eu não era de lá quando eu falava “fe faka wahda” (tem troco para 1?) e ficava admirado, já perguntava de onde eu era, porque era muçulmana, etc.

Ganhei muitos presentes todo o tempo que estava lá, seja dos meus alunos na escola, ou até mesmo das pessoas da minha rua que me viam passando todos os dias. Uma vizinha, que eu nunca vi e nem faço ideia de como seja o rosto dela, me mandou uma pulseira de prata uma vez. Diz ela que me achou bonita e que sabia que eu era uma pessoa do bem.

O Egito tem muitas belezas, nem tudo é sujo ou encardido. Ou mesmo nos lugares empoeirados, existem encantos escondidos que são impagáveis e difíceis infelizmente de se encontrar em São Paulo. Depois de um tempo no Egito, vi que eles tem conceitos diferentes no que diz a limpeza, cuidado com os filhos e beleza. No começo eu gostava de comparar – ah, mas no Brasil tal coisa é desta forma, no Egito é de outra. Aliás, até hoje faço isso, mas com as devidas proporções a cada lugar. Nunca fui nacionalista muito menos patriota ou orgulhosa de ser brasileira. Não acho que temos uma história bonita (tirando os índios que moravam aqui antes, mas pouco sabemos) do resto pouco presta ou teria algum orgulho. Acho o Brasil muito corrupto e culturalmente incerto, não temos uma moral nem valores cívicos muito fortes, até por isso a violência gerada pela falta de educação e moral familiar chegou aos níveis de hoje.

Mas nem por isso deixei de optar por viver no Brasil, onde hoje vivo muito bem e feliz, e não iria para outro lugar no momento. E por quê? Para minhas necessidades profissionais e ambições pessoais, o Brasil ainda é a melhor opção, fora que tem muitas coisas que sinto prazer aqui, como os serviços, comida e minha família. Musta também se adaptou muito bem aqui em diversos aspectos, mas continua achando absurdas outras tantas coisas. Afinal, tem povo mais contraditório que brasileiro? Eu acho que não, gostamos de falar uma coisa e fazer outra, de pregar superioridade quando na verdade somos o roto falando do rasgado. E por isso viver aqui é tão divertido também.

Musta tem memória muito melhor do que eu. Sempre quando vê algumas dessas contradições, me chama e fala. Logo na primeira semana, já contei isso no blog, fomos para Santos e nos convidaram para um “frango a passarinho”. Todo mundo meteu a mão no franguinho e estava comendo normal.

- Mas no Egito você era toda fresca e falava que era nojento botar mão na comida, aí chego aqui vcs me comem esse frango com a mão e vem me falar “mas é diferenteeee”? (é Musta, aprende que brasileiro fala muitooooo, mas na prática sempre tem suas falhas)

Aí ele escuta pessoas que foram para o Egito falando que as ruas era sujas e as pessoas não tomavam banho. Ele responde:

- Por acaso onde eu trabalho só vejo sujeira também, é perto do terminal de ônibus e vi muita coisa suja e nojenta no chão. Às vezes chego cedo, e na porta da escola temos que jogar balde de água, porque alguém até urinou na porta. Cadê a tal limpeza do Brasil que tanto falam? Achei que o Brasil todo era brilhando do jeito que falam mal do Egito. E quando vou no ônibus, tem muita gente com cheiro ruim e pés sujos, unhas pretas e um dia até um cara do meu lado ficava arrotando e ficou um cheiro podre saindo da boca dele. Os brasileiros não eram o povo mais limpo do mundo? (calma Musta, brasileiro fala muito mesmo, mas esquecem que somos todos humanos)

E lembrando do Egito, quando vejo certos comentários por aí, lembro de ver de tudo um pouco, exatamente como no Brasil, generalizar não dá. Aqui vejo coisas boas e ruins, pessoas bonitas e limpas, outras sujas e sem educação. Lembro de no trabalho só ter meninas bem vestidas, cheirosas e de unhas feitas. Sim, algumas exageravam no estilo delas, com mais brilhos do que estamos acostumados. Mas foi raro ver alguma com maquiagem muito fora do padrão ou do que às vezes vemos por aqui também. Na média, os egípcios que conheci faziam e tinham o mesmo estilo dos brasileiros, conheciam bem sobre moda, marcas e adaptavam suas roupas conforme podiam gastar. E como sou muçulmana, sempre achei as egípcias muito bem mais arrumadas, até porque não expõe o corpo de maneira inadequada, evitando cenas bizarras do cotidiano daqui, onde banhas pulam pra fora de calças cintura baixa.

Eram todas bonitas? Claro que não, assim como no Brasil também, varia muito dos lugares que você frequenta, com quem anda e também do nível de educação (não só dinheiro faz diferença, seja no Brasil ou lá, pois mal gosto não escolhe classe social). Acho que eu sempre frequentei lugares de mais nível intelectual, então nunca tive problemas com os egipcios em relação a algo do estilo visual deles me incomodar. A não ser a decoração interna, cheia de rococós, mas aqui no Brasil cada casa é de um jeito, tem uma moda aqui de pintar parede de cores extravagantes (laranja ou verde limão) com textura que é uma beleza e não faz meu gosto também. Fora os cachorros circulando e pulando nas mesas, nas pessoas, etc, e depois falam que os egípcios é que são sujos. Pra mim limpeza não é só a quantidade de banhos que se toma por dia nem o quanto se diz tomar (até porque a maioria das pessoas MENTE aqui nestes aspectos só pra se dizer mega limpa). Eu sou assumidamente bagunceira e odeio mania de limpeza. Não corro pra lavar louça nem fico ligando se tem pó não chão e tal, porque geralmente estou cansada demais pra ficar toda hora fazendo limpeza. Mas agora, pra alegria geral da galera que adora filar bóia em casa, mas vive dizendo que está uma bagunça, contratei uma faxineira (isso foi pra você, mãe :-D ).

O que no Egito me cansou um pouco foi desse jeito “panos quentes” deles, de sempre falarem com tanta educação que se você faz alguma crítica, mesmo que gentilmente, alguns se sentem tristes. Tem muita gente assim no Brasil e eu entro dando voadora, mas aqui as pessoas entendem melhor. No Egito, até mesmo dependendo do tom da pergunta, eles acham que pode ser um ataque. Nem no Brasil personalidades como a minha é bem vista, imagina lá. Aqui também não tenho zilhões de amigos até porque é difícil me tolerar, confesso. Mas no Egito isso foi um pouco pior, pois aqui falo e dane-se, já no Egito como dependia do Mostafa e sentia necessidade de interagir com as pessoas, tinha que ficar me controlando.

Mas esse papo é muito longo… tudo partiu daquele post anterior em que algumas discussões apareceram e fui lembrando de coisas e preconceitos contra os egípcios que constantemente fui ouvindo ao longo do tempo. Acho que a experiência Egito & Brasil é única para cada pessoa, cada um pode ver outros países conforme os lugares que frequenta, as pessoas como estão. Pode até parecer fantasioso, mas o Egito que conheci era extremamente caloroso, respeitoso com outros outros credos, com mulheres bem arrumadas e homens trabalhadores, alguns buscando chance de ter sua própria renda logo cedo, como meu marido que desde os 18 trabalhava e aos 21 já era um homem casado. Outros estão partindo para outros países, muitos com contratos na Arábia Saudita em busca de um salário melhor. Fora as amizades que tive por meio da internet, não conheci nenhum egípicio do nosso meio de convívio que casou com estrangeira. E também não encontrei conformistas por lá que acham que depender dos pais é bom ou que a vida é só beber chá e sair de noite. Devo ter tido sorte, mas encontrei no Egito muitos espíritos guerreiros e gente que estudava e via o mundo, não tapava o sol com a peneira, mas nem por isso deixava de ter orgulho da sua história e do seu país.

Mas eu sou brasileira e tudo o que escrevi não é uma crítica para cá, até porque também amo o que sou e da personalidade que tenho, que dificilmente seria moldada em outro lugar, pois só no Brasil temos tanta contradição, diversão e sonhos misturados. Amo o Brasil, mas não me orgulho dele, são coisas diferentes. E amo o Egito e felizmente me orgulho de hoje ser metade de lá, pois aprendi valores muito importantes e que hoje posso replicar por aqui também com meu marido. É um sentimento todo misturado, só sou eu mesma pela criação que tive aqui e a liberdade que encontrei no Brasil, e depois de adulta pude escolher sozinha o que achei melhor para mim, ao mesmo tempo não me sinto brasileira em muitas coisas. Eu odeio música nacional, por exemplo, e pode ser desde os funks podres até Chico Buarque com suas letras mirabolantes, é um saco pra mim tudo.

Posso dizer que voltei transformada de lá. Não acho o Egito um bom lugar para se viver dentro das minhas perspectivas e do que quero para mim, mas é algo que sempre sentirei falta. Ao mesmo tempo, deixei de achar o Brasil superior só por “achar”. Hoje analiso as coisas com muito mais frieza e penso antes de ficar falando dos outros, pois vejo que as mesmas coisas ruins que vemos no Egito, encontramos de monte no Brasil. Assim como as boas, tem muita coisa aqui que me faz feliz, assim como lá. E não tenho dois países no meu coração, mas sim uma experiência de vida completa, que se formatou a partir do momento em que vivi lá e depois voltei. Alhamdo lellah, só tenho a agradecer a Deus por ter me dado tantas coisas felizes, seja lá ou cá, e ter podido escolher onde eu queria viver para ser feliz da minha maneira. Ah, e claro, ter o melhor marido do mundo (pra mim ele é, lógico, só tenho ele :-D ), que ajuda muito nisso tudo.

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