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Religião e política (Por Mostafa)
Em 25 de janeiro, os egípcios saíram nas ruas para pedir a liberdade após quase 50 anos de ditaduras. Logo em seguinte apareceram os grupos religiosos que se tornaram partidos religiosos e hoje em dia são permitidos de praticar politica . Já dominaram o parlamento.
Agora eles estão indo para a presidência e eles querem que Egito torne-se totalmente um país islâmico.
O que você acha sobre integrar a religião com a política?
Gostaria das suas opiniões sobre esse assunto.
Mostafa
Revoluções são sempre perenes…
Mudanças, sejam elas quais forem, são sempre doloridas, sofridas. Nós, humanos, estamos acostumados com nossa rotina, com as coisas que conhecemos, que mesmo não sendo perfeitas, estão ali fáceis, na mão. Toda mudança exige que nos movamos, que saiamos da zona de conforto. É sempre dolorido mudar, às vezes nos adaptamos rápido à ela, às vezes demora muito tempo para deixarmos de nos incomodar pelo que está diferente agora.
Se tudo isso já é válido para coisas simples, como mudar um hábito, imagina quando a mudança se dá no sentido mais amplo da palavra, na revolução. E não, não é só uma revolução interna ou luta psicológica. É algo real, nas ruas, que impacta a sua vida como um todo. É a comida que fica mais cara, o transporte que fica ainda mais precário, os serviços públicos que perdem referência.
Revolucionar um país é abrir mão das coisas básicas, da estabilidade, talvez perder seu emprego. Quem de nós, aqui no Brasil, não pensaria duas vezes antes de ir a um protesto contra a corrupção, derrubar o governo (que sim, merece uma ampla reforma), perdendo um dia de trabalho? É difícil, querer a gente quer a mudança, mas fazer revolução é colocar seu país na berlinda, saber que nada mais será o mesmo, e não ter certeza de que o que virá depois, será realmente melhor, pois a política é feita de jogos que poucos de nós realmente conhecemos. Será que nós, no Brasil, colocaríamos a estabilidade de nossos empregos, o que já conhecemos, mesmo com tanta violência e problemas, no fogo por uma revolução?
Pois é por isso, justamente, que admiro a força dos egípcios. Eles viveram 30 anos em uma ditadura. Foram educados sem pensamento analítico, por isso muitas pessoas não conseguem ver a malícia do mundo, sempre aprenderam que o que a mídia oficial, a televisão, mostra, é a verdade. Não aprenderam a dizer não, não é justo, não está certo. O governo, se aproveitava dessa massificação, e dava pílulas de mentira, em forma de subsídios para o pão, óleo e outras coisas tão simples. Ninguém pensava que isso era esmola, era muito pouco. Pois, como disse, mudar é dolorido.
E os egípcios estão vivendo essa revolução. A carne está com preços abusivos, os turistas sumiram, quem não perdeu emprego, está perto de não ter mais o que fazer, pois a economia quebrou. Eles estão pagando uma conta muito cara. Só quem vive na insegurança, na instabilidade, sabe o quanto isso dói.
E o que tem acontecido na Tahrir é mais uma mostra da força que eles têm. A saída de Mubarak, como sempre acreditei, não era o principal, pois ele só estava no poder por causa dos militares. Esses sim, trataram que pegar o poder, na hora que quiseram, e obviamente iria criar sempre mais problemas para continuarem no governo. Adiar eleições, criar tensão religiosa, é isso que eles querem para manter um Egito desunido e sem forças.
Mas os egípcios não se deixaram levar, e estão nas ruas, lutando e morrendo, em revolução, na dor. Em troca de que, eles ainda não sabem, mas estão no meio de um caminho sem volta. Que Deus conforte as famílias egípcias, que possam manter seu sorriso e calor, mesmo em tempos tão cruéis.
Vejam isto abaixo. A realidade é fria:
Nova música do ‘rei’ do Egito
Quem aqui já amou muito, sonhou muito e viajou muito ouvindo Amr Diab?
Sabah el kheir ya Masr
um clipe novo do Tamer Hosny sobre o Egito para deixar os olhos cheios de lágrimas de quem vive longe. Legendas em inglês.
O peso de uma cultura
É comum a gente buscar formas de classificar as coisas. Por exemplo: morangos são vermelhos, coelhos são fofos, pedras são ásperas, etc. O problema é quando passamos este tipo de raciocínio para seres humanos e tentamos delinear a todo um povo a algumas poucas características. Eu sei que é tentador, e às vezes cedo à facilidade de classificação para explicar um pouco como são os egípcios e a vida por lá, porque recebo muitas perguntas repetitivas sobre as mesmas coisas.
Eu poderia dizer: os egípcios pensam na família, os egípcios são labiosos, os egípcios são românticos, os egípcios são bagunceiros. Tá, mas isso, realmente, representa o que são os egípcios? Ou, posso dizer que isso é típico a todos? Claro que não.
Quando a gente fala dos egípcios, é meio fácil pensar em certos padrões de comportamento, até porque é um país onde o modelo de sociedade e do que é respeitável ou certo, é mais uniforme. Além disso, lá só existe praticamente duas religiões, sendo a maior parte de muçulmanos, o que já coloca a maioria das pessoas, teoricamente, seguindo as mesmas regras religiosas.
No Brasil é um pouco mais complicado, porque somos muito diversos, porém se a gente se esforçar um pouco, também começa a enumerar um monte de características para os brasileiros: “somos alegres, somos malandrinhos, somos atrasados, somos flexíveis, etc”. Mas, a gente gosta de ser generalizado? Ficamos felizes quando vemos as estatísticas de brasileiros barrados na Europa, por exemplo, por termos o perfil de imigrante?
Claro que não, os seres humanos são muito mais do que uma série de qualidades ou defeitos escritos numa ficha, ao lado de sua nacionalidade.
E quem mais me ensinou isso na vida, foi meu marido. Eu costumo dizer que ele é um “egípcio” fora da curva, pois quase sempre ele faz coisas que um egípcio típico, na minha visão superficial do mundo, faria. Aí eu viro e falo:
- Mas que é isso? Você nem parece egípcio!
- E quem disse que eu sou egípcio, ou brasileiro? Eu sou eu, faço o que eu quero. – ele sempre responde.
Eu confesso que entendo o que ele disse por algum tempo, mas depois de alguns dias já estou eu aqui de novo, tentando definir os egípcios, seu jeito, como pensam, como andam, como falam… Mesmo que, na prática, isso não sirva para nada, pois cada pessoa é única nesse mundo.
Tempo no Egito
Hoje eu vi um filme indicado pela Filipa, leitora aqui do blog, que se chama Cairo Time. A história me levou para lá longe, apesar da história não nada a ver com a minha, parece que o Egito desperta o mesmo tipo de sensação em muitas pessoas, existe um encantamento, algo de doce e puro, que não são todas as pessoas que conseguem ver ao estarem no Cairo. É difícil se desvencilhar das buzinas, dos olhares, da bagunça. Mas com pouco esforço, se conhece muito além disso.
Muitas pessoas são secas, amargas, e não conseguem enxergar o Egito com esta sua pureza e ar morno acolhedor. Destilam apenas preconceitos e superficialidade sobre o povo: ah são bagunceiros, ah são sujos, ah não sabem fazer as coisas direito. Esquecem que a vida é cheia de pontos de vista, que talvez o seu seja bom apenas para… humm, você mesmo. A mesma quantidade de coisas que os brasileiros se julgam superiores, o mesmo poderiam fazer os egípcios, com outros detalhes da vida.
Um brasileiro se acha organizado e limpo, porém coloca cachorros dentro de casa, o que para um egípcio seria o cúmulo de sujeira. Uma brasileira se diz limpa e asseada, porém usa papel higiênico ao invés de se lavar sempre após usar o toalete. E por aí vai, são milhares de exemplos, mas como sempre diz meu marido, é bom falar da limpeza porque brasileiro adora se vangloriar por isso ehehe.
Eu já fui muito de querer entrar no choque de culturas, fui bem estúpida no Egito algumas vezes, a ponto de me perder em desejos tolos. Porém jamais deixei de ver coisas maravilhosas, de andar nas ruas (olha, algumas bem mais limpas que outras de São Paulo, quem diria) e me encantar com doces dourados de konefa, de ser sempre recebida com sorrisos, de mesmo sendo uma estranha, virem me abraçar e dizer que sou como a lua, “zay el amar”.
O filme acabou por me mostrar um pouco disso, que o Egito é sim estranho aos nossos olhos, porém é preciso um coração bem grande para entendê-lo, e a partir de então jamais deixar de amar aquele lugar e suas pessoas. Pena que muitas pessoas que conhecem o Egito ficam presas a coisas muito pequenas para enxergar um palmo à sua frente. E, por outro lado, que bom que tem tantas pessoas que passam aqui todos os dias, e mesmo não tendo nunca ido até lá, sentem o mesmo que eu e milhões de outras pessoas: um grande amor pelo EGITO!
Presentinho
Muita gente me escreve perguntando da minha história. Parece meio óbvio para quem me conhece há algum tempo, mas a maioria dos posts do meu blog que falam da minha chegada aqui e coisas pessoais, hoje em dia estão com senhas, para me preservar. É, começo de blog a gente abre as porteiras, mas depois aprende que tem coisa que é melhor guardar.
Porém, como nessa última semana muitas pessoas em escreveram para ler um pouco da minha história, vou abrir dois posts. Presente por estarmos chegando a quase 350 mil visitas!
Meu primeiro post no blog, foi aberto: http://egitoebrasil.com/2008/08/13/indo-para-o-egito/
O post “Um ano de Brasil” também está aberto: http://egitoebrasil.com/2008/08/25/um-ano-de-brasil/
Quem já leu, espero que apreciem ler de novo, quem não viu, espero que gostem
Referendo no Egito – o importante é votar
A mídia pouco falou do primeiro passo a uma democracia que o Egito está dando hoje: estão votando num referendo, pra aprovar algumas emendas na constituição. O assunto no país é ainda polêmico, enquanto alguns acham que quanto mais rápido forem feitas eleições tá bom, a constituição reformulada ainda carrega muito da era Mubarak e não dá liberdade total, o que impediria de muitos candidatos participarem das próximas eleições no país.
Porém, não vim aqui para falar disso, mas de algo que eu meu marido outro dia postou no facebook dele e achei que representa muito bem o sentimento dos egípcios hoje:
Não importa se você vai votar sim ou não para as reformas constitucionais, o mais importante é ter liberdade completa para escolher e aprender com nossasdecisões, vida longa ao Egito e nós iremos alcançar nossos sonhos em breve!
Se alguém quiser ver umas fotos, abra aqui:
Eu vi as pirâmides de novo
É isso mesmo, eu vi pirâmides pela segunda vez na minha vida! Mas desta vez no México. Fiquei encantada com os sítios arqueológicos do país, os museus, a própria cidade do México é bem arborizada, com muitos monumentos e parques, senti que é bem mais acolhedora que São Paulo, apesar de ser tão grande quanto.
Segundo a guia foi explicando, esta cidade com as pirâmides não foi construída por maias ou astecas, mas por um povo indígena chamado Teotihuacan, e suas obras datam de aproximadamente 100 anos de Cristo. Ou seja, é realmente mágico você estar em um local que sobreviveu séculos e ver como nossos antepassados pensavam. Eu fiquei chocada com algumas semelhanças com os egípcios. No museu de antropologia mesmo da cidade do México (que foi um dos museus mais legais que já visitei, muito mais organizado e bem trabalhado que o do Cairo, infelizmente) haviam diversos tipos de papiros, e os homenzinhos estavam meio de lado, iguais os egípcios. Vejam abaixo e digam se vocês não concordam?
Aí você vai nas pirâmides, com as pedras todas bem encaixadas, numa técnica que para mim também lembrou o que foi feito no Egito. E claro, o formato delas em degraus não é tão avançado, porém é bom lembrar que as primeiras pirâmides do Egito também foram feitas em degraus! Será que algum egípcio foi de barquinho até o México naqueles tempos e deu algumas idéias? ehehe Não custa imaginar, mas que são incríveis as semelhanças, isso é!
Algumas fotos:

Nesta foto estou na metada de pirâmide maior, se vcs clicarem ela amplia e tem outros templos ao fundo
Meu conselho é: se tiverem oportunidade, visitem o México! É um país nem tão longe assim (são 9 horas de vôo direto) e com muitas coisas que a gente nem imagina! Fora a parte das praias, que ano passado conheci e já contei no blog que é ma-ra-vi-lho-so também!






