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Não gosto de futebol mesmo…
Ontem o Egito perdeu o último jogo das eliminatórias contra a Argélia… Faz dias que não se fala em outra coisa por lá, o povo fica que nem doido na rua, nervoso. Quando a seleção da Argelia foi para o Cairo semana passada disseram até que o ônibus foi atacado por pedras, jogadores se machuram, bla bla bla. Se é verdade ou não, que importa? Também ouvi falar que iam pagar não sei qtos milhões se os jogares vencessem, dinheiro do governo e da iniciativa privada egípcia. Bom, tem escola no Egito que não tem água corrente e não consegue conter a gripe suína pq as crianças não tem nem onde lavar a mão, e o governo se preocupando com a Copa.
Ontem quando o Egito perdeu também deu quebra quebra, momentos dignos de nossa torcida aqui também, que quebram sejam ganhando ou perdendo (lembra quando os são paulinos detonaram a av. Paulista depois de vencerem um campeonato?). Mas a pergunta é: futebol vale tanta coisa assim, tanto ódio, amor, paixão?
Sei lá, eu acho que os atletas são exemplos de superação em muitas coisas. Sei que em muitos esportes o cara começa desde pequeno, treina horas a fio todos os dias, vive respirando aquilo e buscando a melhor técnica possível. Pode ser que alguns jogadores de futebol sejam assim também. Mas o que vejo muitas vezes é pura sorte de ser achado por um olheiro, desejo apenas por dinheiro e fama, e nada de exemplo de superação (com exceções, claro). O exemplo não é nada bonito, mas crianças pobres e excluídas tem como maior sonho não ser médico, professor, engenheiro. Vai na favela, o que elas querem? Ser jogador de futebol. Tá bom, e o que país e a sociedade ganha com isso? Sei lá, pra mim nada.
Não sou contra o lazer, as peladas de final de semana, camepeonatos bem organizados e justos. Mas o que vejo não só no Brasil, mas no mundo todo, é um bando de corruptos, troca de poder, grana preta rolando por cima do gramado e por baixo dos panos. E o povo se matando pra assitir, pra torcer… ai, que perca de tempo! Tá, deve ser porque sou mulher e não curto mesmo, sei lá, mas eu adoro assistir outros esportes. Porque será que o futebol em nada me atrai? Pensando bem, lembro bem de quando ia ver meu irmão nos campeonatos dele de futebol no clube e torcia feito louca. O problema não está no futebol, mas da forma que vejo ele sendo praticado profissionalmente.
Não me joguem pedras, mas já foi o tempo que eu me empolgava e torcia pela selação na Copa. Tô me lixando se ganham ou percam – com uma leve preferência para que percam. Não acho que torcer para nosso futebol seja sinal de patriotismo ou amor ao meu país. Tenho problemas muito mais sérios para pensar sobre a nossa sociedade que uma porcaria de jogo com 11 marmanjos correndo atrás de uma bola.
A mesma coisa pro time do Egito. Vi no Facebook os amigos todos com bandeirinhas do Egito, falando Yala Masr, bla bla bla Masr. Meu, nunca vi ninguém falando mal do Mubarak ou do pão subsidiado deles naquelas mensagens. Aí num jogo besta de futebol de repente todo mundo vira mega patriota?? Mesmo coisa no Brasil, pintam as ruas, gritam nas janelas.
Bom, eu devo ser uma chata mesmo. Deixa o povo ser feliz mesmo, viva o futebol, ópio do povo!
Você me aconselha a casar com um egípcio?
A pergunta deste título já é absurda por si só. Primeiro, casamento é algo tão pessoal e se vc precisa de uma opinião de fora sobre algo tão abstrato é porque ainda tem muito o que conhecer a pessoa com quem quer se envolver. Mas por incrível que pareça, já me fizeram esta pergunta e outras variações dela várias vezes.
A resposta é simples, feita com outra pergunta: como é que eu vou saber? Nem conheço a pessoa. Como já disse tantas outras vezes, egípcio não é feito em forma de bolo, todos com o mesmo caráter, religiosidade e personalidade. São pessoas de carne e osso, como eu e você. Como todo o resto das pessoas do mundo, são diferentes entre si. Acho ingenuidade achar que só porque alguém é de um país determinado, aquilo vai dizer se a pessoa é boa ou ruim.
Mas, de forma bem generalizada mesmo, algumas coisas são meio comuns por lá, como sempre comentamos, eles respeitam muito a família, obedecem os pais, querem se casar e ter filhos (isso não significa que querem uma paixão ou são românticos, muito pelo contrário). Então, não ache que vc vive um conto de fada só porque um egípcio te pediu em casamento pela internet, ou em uma semana falou BAHEBAK. Isso é o mais comum por lá.
Eu acho que relacionamentos são muito mais do que palavras. São as atitudes que realmente vão te provar algo, se é isso que você busca. Não adianta me perguntar ou a qualquer outra pessoa se o tal “habibi” é legal ou é honesto. Não dá pra saber, tudo na internet parte do princípio da adivinhação.
Aí vc vem e me pergunta: ” Mas Marina, como é então que você sabia que seu marido é bom, vc não teve medo?” Medo não tive. Fiz uma opção difícil para buscar felicidade e segui com ela até as últimas consequências. Agora se eu sabia que ia dar certo? Jamais… apesar de meu coração dizer que sim e da relação com ele ser muito transparente online, na vida real a história realmente é outra. A convivência então, nem se fale. Existe divórcio de gente que namora 10 anos, certo? Pois são as coisas do dia a dia que valem. Nenhum mentira sobrevive ao dividir a cama com uma pessoa, ao ver como o outro reage às coisas da vida. Até que ponto seu companheiro se doa para a relação? Ele é egoísta, mesquinho, brigão, mandão? Pode ser também amoroso, fraco, gentil, calmo, tranquilo até demais. As pessoas podem ter infinitas combinações de personalidade e para mim, é só no cotidiano que descobrimos a receita completa do caráter de alguém. Um gesto simples, como fazer um chá para vc, ou te pegar de surpresa com um abraço. Recolher um papel que caiu no chão, pedir sua opinião, perguntar se vc está bem. Isso vale mais do que um “bahebak” dito mil vezes.
Existem coisas na internet que podem ajudar, como estudar muito. Não fique com preguiça, se vc quer alguém do outro lado do mundo, entenda bem o contexto que ele vive, não busque só experiências pessoais de outras pessoas, eu vivi algo completamente diferente que outras amigas. Cada uma conhece um Egito diferente, um egípcio diferente. Leia reportagens sobre o país, veja sites sobre Islam, visite uma mesquita antes de dizer que se converte e acha lindo usar véu. Use a cabeça, não só o coração. Blogs como o meu ajudam, mas são só uma versão dos fatos. E você poderá conhecer milhares de versões sobre tudo, ainda mais quando se trata de amor, coisas intangíveis. E egípcios? Alguns são maravilhosos sim, a gente sempre encontra pessoas maravilhosas em todos os lugares. Mais definí-los por um todo é ser superficial.
Se você pensar do lado prático, casar com alguém de outra cultura e que mora do outro lado do mundo não é algo muito vantajoso. Pense que terá sempre uma família dividida, aqui e lá. Pense que tem coisas que ele vai fazer e você simplesmente vai achar absurda, e ele o mesmo de você. Só pra vcs se conhecerem, um ou outro vai ter que desenbolsar uns 2 mil dólares. Pode ser que vc chegue lá e ele tenha bafo. Ou que ele te veja e te ache velha demais para o que viu nas fotos e passe os dias te enrolando pra dizer isso e no final não casar. Acontece ué, é o risco.
Então, antes de pedir opinião sobre algo que só implica na sua vida, nas suas escolhas, pense bem se vc está disposta a correr os riscos e a fazer a coisa acontecer. Eu, isso minha opinião, não acredito em relacionamentos online de meses a fio, ou até anos. Isso não é prova de nada. Ficar batendo papo na internet não vai te dar garantia nunca de nada. Conheça a família dele, entenda se culturalmente lá se vc é aceita. Não se humilhe jamais para ninguém, se um dia alguém te pedir dinheiro, saia correndo.
Se ele alega que a família não te aceita, seja dura e pergunte logo no começo se ele vai ser contra a família ou te enrolar. Se ele diz que vai ficara com vc, tenha um plano concreto de quando e como isso vai acontecer. O mesmo vale para as brasileiras. Não fique só de namoro com alguém que coloca uma expectativa grande em cima de vc. Se o seu egípcio é sério, não brinque com os sentimentos da pessoa nem fique nessa de fazer “test drive” antes. Porque isso só machuca os dois e será, muitas vezes, uma grande perca de tempo.
Mas conselhos são só conselhos. Você pode escolher não dar ouvidos a nada e fazer só o que acha certo para vc. E quem pode te criticar? Ninguém, afinal a vida é sua. No final das contas, só você sabe o que passa na sua cabeça quando, ao deitar, coloca a cabeça sobre o travesseiro e vê o filme de seus dias passando. Só nós mesmos conhecemos o que temos de pior e melhor. Todos nós temos nossos segredos, nossos sonhos e maldades. Só eu sei o preço que posso pagar por um desejo.
Lugares que o Mostafa gosta em SP
Eu acho que no passado já fiz muitas listas do que gosto no Egito e dicas de passeio. Como me pediram essa semana para falar do Mostafa ou de alguma coisa que ele cozinha aqui, resolvi fazer uma lista de algumas coisas que ele ama em SP. Quem conhece outros egípcios ou estrangeiros aqui pode dizer se eles tem gosto em comum ou se curtem outros programas.
Hoje vou falar dele um pouco então, sem a permissão dele ahahaha Mostafa é um pouco fresco, a própria mãe dele disse na sua última visita aqui que o pouco de egícpio que ele tinha, sumiu de vez agora nesses dois anos dele no Brasil. Em personalidade eu acho que ele ainda tem muito da cultura dele e valores, é ciumento, birrento às vezes quando coloca algo na cabeça, muito apegado à religião e à família. Fora isso, esquece que o Mostafa é egípcio.
Programinhas prediletos do Mostafa:
- Alugar um filme cabeça britânico na locadora do lado de casa, ou algum filme indicado pelo vendedor, que é expert em entender o gosto dele por filmes estranhos. Ah, e detalhe, o filme tem que ser também legendado em inglês, se só tiver português Musta não quer.
- Ir na livraria Cultura toda semana. Ele entra, vai direto pra parte de inglês e fica lá horas. Compara livros, abre todos, checa autores, pergunta pro vendedor das novas edições, etc. E pior, ai de mim se saio de perto para ver algo que me interessa. Ele quer debater comigo as coisas e tenho que ficar lá dando apoio e minha opinião sobre tudo. Depois, quando finalmente ele fala que vai comigo ver o que eu quero, já estou de saco cheio de ver livro e vamos embora eheheh
- Comida japonesa em lugar que serve shimeji e temaki de salmão grelhado. Isso mesmo, exigência dele em japonês é isso. Musta não curtia muito japonês no começo, mas é o tipo de coisa que vai te pegando aos poucos. Agora, até sushi ele come e fica depois passando mal de tanto comer peixe.
- Churrasco. Pode ser em churrascaria ou feito na casa da minha mãe, com direito a vinagrete e batata assada no carvão. Como ele ama a carne brasileira!! Mas nada de gosto egípcio, ele não come nada de gordura nem corte mal feito… exigente o menino.
- Pão francês, pão de queijo e cafézinho na padaria. Esse sim é o café da manhã deste egípcio.
Bom, estas são algumas coisas que ele adora fazer. Mostafa é muito caseiro e quer ver ele feliz é um domingo de céu azul, ele sentado com a janela da sala aberta mandando uma brisa fresca, lendo algo ou mexendo no computador, enquanto os gatinhos dormem ao lado dele. E claro, comigo do lado pentelhando, cantando, ouvindo música ou falando sem parar… e tirando fotos como essa aqui:

Mostafa feliz
Egito nas notícias
Adoro quando tem jornalista brasileiro fazendo reportagem no Egitão. Como a Copa do Mundo Sub-20 está acontecendo por lá, o Uol mandou um repórter que está escrevendo todo dia. Hoje ele fez uma galeria de fotos dos cafés, um mas simples e cheio de homarada, e outro melhor.
http://esporte.uol.com.br/album/090925_sub20_sexta_album.jhtm#fotoNav=1
ps. Tem uma surpresa muito boa nestas fotos, quem sabe o que é??? eheheheh
A vida corre
Quando eu paro para pensar que em somente três anos eu fui para o Egito, vivi tanta coisa, voltei pra são Paulo, trabalhei tanto, mudamos de casa, viajamos para tantos lugares, conhecemos tantas pessoas, me falta até fôlego.
Aliás, a vida anda tão corrida que às vezes nem acredito que fiz tudo isso. O Egito ficou como aquela memória antiga, às vezes até parece que nem fui para lá um dia. Tudo já mudou, a experiência foi se transformando e se não fosse pelas fotos, nem acreditaria que eu conheci as pirâmides. Como já disse, minha memória não é das melhores, então todas as lembranças, com o tempo, vão ficando como lampejos de imagens, sons e cheiros daquele lugar.
Antes eu tinha uma saudade louca do Egito, de ouvir “Salam ya baladi” e ficar chorando com o Mostafa. Mas a saudade distorce os fatos, pinta a realidade de cor de rosa. Tudo que ficou longe parece mais encantador. Com o tempo e a vida estabilizando, nos tornamos mais racionais e vivemos o presente com cada vez mais intensidade. Hoje estou no ponto de que não sinto mais aquela saudade apertada do Egito. Claro, amo tudo aquilo e se pudesse, pegaria o primeiro avião para passar umas belas férias. Isso mesmo, férias, porque morar eu sei que não dá para mim. Já tentei uma vez e acredito que até mesmo o Mostafa não conseguiria fazer esse retorno.
O Brasil, bem ou mal, se mostrou um belo campo de oportunidades para nós juntos, em parceria. Não porque aqui é um mar de rosas e fácil de se vencer na vida. Mas porque aqui, pelo menos, para quem tem força de vontade e não tem medo de perder noites de sono atrás de um futuro, as coisas podem sim acontecer. No Egito é difícil até mesmo se escolher o curso de faculdade que se quer fazer ( eles usam um sistema de notas no colegial, e não tem segunda chance). Aqui tem faculdade em cada esquina e com vestibular a cada três meses. Nem todas são boas, não estou falando disso, mas existe sim um maior poder de escolha. Isso dá novas chances de ver a vida, de experimentar e voltar atrás se não gostar. No Egito, às vezes uma decisão não tem volta.
Mas esse nem é o caso do Mostafa, porque ele não gosta dos cursos oferecidos aqui na área que ele estuda. Na opinião dele, deveria haver uma opção de curso 100% em língua inglesa e já tentei explicar mil vezes que valorizamos nossa língua, que existe um tal de MEC, que um curso pode ser bom mesmo em português, mas não adianta. Para ele, neste ponto, os atrasados somos nós. Em certa parte concordo, pois diversos países europeus oferecem cursos em inglês, mesmo falando outra língua, justamente por ser um facilitar e, bem ou mal, já é uma língua universal. Não sou nacionalista ao ponto de ficar defendendo o português com unhas e dentes, para mim comunicar é o que importa, mesmo que seja com mímicas.
***
E de volta a saudade, é ela que colore nossas lembranças deixando apenas os momentos bons marcados, é ela quem descolore aquelas horas ruins, os problemas e as reclamações. Hoje consigo ver o Egito de forma menos passional, amadureci um pouco e consigo distinguir melhor tudo que passei por lá e continuo vivendo.
Foi uma experiência fantástica, que antes achava que não tinha aproveitado tanto. Para quem não me conheceu antes, quando eu estava no Egito, meu sangue fervia com várias coisas que eu via lá e não concordava, me irritava com os mínimos detalhes e demorei um bocado para me adapatar. Eu comecei a achar que o Brasil era maravilhoso, que o país era quase um primeiro mundo. Só fui me dar conta do que estava perdendo na noite antes de ir embora. Como um clique, vi como eu tinha perdido muito tempo reclamando de coisas que, na verdade, eram muito boas também.
Aí voltei para o Brasil, o oposto aconteceu. O Brasil parecia totalmente sem sal, as pessoas eram cubos de gelo perto dass egípcias calorosas que viviam me agarrando. As pessoas não falam alto como os egípcios, nem ficam grudadas como lá, perguntando os mínimos detalhes da sua vida. Fiquei chocada ao descobrir que tem muito brasileiro que só é hospitaleiro quando quer que a pessoa faça exatamente o que ele gosta, como beber algo alcoólico ou ir para a balada, o que estava totalmente fora dos nossos planos e valores. Não voltei para julgar valores brasileiros, mas vi muita coisa que antes era comum para mim, e que depois do Egito me pareceram absurdas.
Nesse comecinho, a mudança é sempre complicada, e o Egito virou aquela bola de ouro na minha cabeça, como tudo era calmo, eu tinha paz, podia usar meu hijab, sair na rua à toa de mãos dados com o Mostafa sem medo de nada. E ai de quem falasse um “a” do Egito. Tem sempre aquele brasileiro sem noção que, ao invés de perguntar sobre as coisas boas, já chega com críticas nada a ver. “Nossa, você morou no Egito, ouvi falar que lá é muito sujo, não é?”… meu, você fala isso para um egípcio que acabou de aportar no seu país? Vai ser grosso pra lá… Brasileiro adora esse tipo de comentário, às vezes fala de pobreza, ou de mulheres oprimidas, aquele blá blá blá de sempre. Porque não perguntam sobre pirâmides, é mais simpático.
Mas os dias e meses foram se passando, a vida demorou um pouco para entrar nos eixos, mas aconteceu. Mostafa, apesar da dificuldade de ter de começar do zero, até mesmo do ponto linguístico, estudava até dormir em cima dos livros, e a recompensa veio mais tarde. Como ele sempre diz para mim, Deus olha para quem se esforça. E quem sobe na vida passo a passo, consegue um futuro mais promissor. Não adianta querer chegar no Brasil com 21 anos e esperar que um bom emprego vai cair do céu, que vai ser diretor de empresa nos primeiros anos ou que todo mundo vai te respeitar profissionalemtne no começo, sem ao menos falar direito o português. A vida não é feita de contos de fadas, e não acreditamos neles, por isso todo esse período de adaptação é bem delicado.
E assim foi, no estudo diário dele, na minha busca por crescimento profissional do outro lado, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos e hoje nos consideramos felizes no Brasil. Já se foram 2 anos de Brasil, quase 3 de casamento, e parei de me iludir com bobagens sobre o Egito ou o Brasil.
Aprendi que viver comparando como sempre fiz era uma grande perca de tempo, pois são dois lugares completamente diferentes entre si e que um nunca será nem mesmo próximo do outro. Que se em um eu desperto com o Azhan, mas tropeço em lixo quando caminho, no outro passeio de carro no shopping, mas tranco bem as portas quando chego em casa. As necessidades dos egípcios e dos brasileiros são bem diferentes, por isso a forma que cada um encara a vida e a planeja, é tão diversa. E hoje agradeço por ver tudo isso de forma mais clara, para poder aproveitar toda experiência que tive em um grau mais elevado. E isso faz parte da maturidade, de crescer e ver a vida sem histeria para apenas aproveitá-la e buscar em cada segundo dela formas novas de ser feliz.

A prova de que estive no Egito
Bichinhos egípcios
Acho que já contei por aqui que no Egito é muito comum encontrarmos gatos e mais gatos nas ruas. É incrível a quantidade, saindo de dentro dos latões de lixo, dormindo embaixo de carros e atravessando as ruas correndo.
Também muitos egípcios gostam de criar gatinhos em casa, consideram um animal limpo e por isso a maioria gosta. Já cachorro é bem difícil ver, como os muçulmanos não podem manter o animal dentro de casa e no Egito 90% das pessoas moram em prédios, dá para entender porque é complicado. Conheci uma pessoa com cachorro lá, muçulmano também, mas ele morava na única casa que vi no Cairo. Porque de resto só via prédios e prédios ehehee Não é exagero! É muito raro alguém morar em casas por lá!
Bom, só sei que em tudo quanto é canto, eu via os gatinhos e achava o máximo, queria pegar e o Musta ficava doido da vida. Quase que eu ficava com um para mim, mas como já pensava em voltar para o Brasil foi melhor não me apegar.
Mas tem outro bichinho que povoa as ruas do Egito e que eu, como brasileira, achava muito fofos, e eles odeiam!!! Vivendo lá, com certeza você vai ouvir de noite uns “quick quick” vindo da rua e vai se perguntar o que é aquilo. Seria um rato? Um tipo de esquilo?
Eles passam correndo nas ruas, e você só vê aquele corpo esguio e comprido nas sombras. Ficava na janela pra tentar enxergar direito o que era e Musta ficava bravo por eu ficar tentnado ali ver o tal bicho horrível. Mas só vi de longe, e não consegui identificar direito o que era. Até que por acaso outro dia fui perguntar o nome daquilo em árabe pro Mostafa e pesquisei no Google imagens. Qual não foi minha surpresa de descobrir que o bicho que eu via lá de cima não era o famosso furão! Isso mesmo, o Egito está lotado de furões, ou ferret como alguns chamam, e eles acham horrível! Tratam como se fosse rato mesmo, uma praga. Já aqui o povo paga mil reais pra ter um desses em casa.

Eu e um gatinho egípcio
Mudar de país pode ser prejudicial à saúde
O título do post já resume o que quero dizer hoje. Lembra que já falei há um tempinho atrás que o meu marido é justamente sensível a um tipo de ácaro que só existe no Brasil?
Pois bem, acho que quando nos mudamos para países com clima bem diferente do nosso a nossa saúde tende a estremecer às vezes. No caso do Mostafa, o Brasil acabou deixando o corpo dele bem cansado acho, pois além da alergia, ele vive com infecção na gartante e agora até enxaqueca deu pra ter! Pior, ir no hospital aqui no Brasil não é uma coisa tão boa não.
Muita gente adora falar mal do sistema de saúde no Egito, dizem que os hospitais são bagunçados e sujos, que as pessoas até fumam lá dentro. Mas pensando bem, prefiro um médico PhD fumando do que ser atendida por esses novatos que vivo encontrando aqui no Brasil no Pronto Socorro. Afinal, a gente só vai num PS se realmente está mal, e aguentar uma espera exagerada por uma consulta pelo convênio é muito chato.
Eu sempre costumava usar um hospital São Camilo aqui em São Paulo, eles reformaram, tem chão de granito, monitor de plasma e não sei mais o que. Só que tem muito médico péssimo. Em 2007 quando caí, levaram só 10 dias para falar que eu tinha realmente fraturado o pé (sendo que na primeira vez o cara disse que era só uma torção). Minha irmã também teve caxumba esse ano e uma médica do mesmo hospital teve coragem de dizer que parecia ser caxumba o que ela tinha, mas como era sábado e não podia fazer não sei que exame, então não poderia dar um atestado pra ela, ela que voltasse segunda pra ver se era caxumba mesmo (ela foi em outro hospital e na hora fizeram o exame e constaram a doença, que já começou a ser tratada no dia). A Sheila que é a doutora que conheço, pode me falar um pouco dessa nova geração de doutorzinhos, se realmente o nível está caindo ou eu que estou tendo azar.
Pois bem, no Brasil é tudo muito bonito e arrumadinho em alguns hospitais, mas a qualidade de atendimento é muito baixa. Estou falando tudo isso pois ontem fui no hospital de novo com o sr. Mostafa (dessa vez um hospital referência!) , e simplesmente deixavam as pessoas com suspeita de gripe suína tudo tossindo perto dos outros, só usando umas máscaras meia boca. Além disso, nos éramos a quarta pessoa a ser chamada, e porque tinha uma mudança de turno esperamos 2 horas de pé para sermos chamados. Ou seja, se a pessoa chega doente, sai bem pior, não é? Nesta primeira triagem até tinha lugar para sentar, mas tinha tanta gente tossindo e com máscara que eu nem me arrisquei a ficar perto ehehe Acho que essa coisa de gripe é muita histeria, mas não vou arriscar!
Bom, só sei que entre ser atendida, Mostafa ser medicado e tomar soro, saí do hospital depois de quase quatro horas. Uma aventura em plena segunda. E tudo isso em hospital privado, fico com pena de quem depende do público. Neste hospital os médicos são muito bons, mas é uma desorganização, sujeira nos banheiros e corredores, que até queria que quem fica falando dos hospitais egípcios desse uma olhada antes.
Agora falando do Egito: eu pessoalmente nunca fui num hospital por lá, mas sei que os profissionais são muito bem preprados. Até no blog da Tete ela falou esta semana sobre um dos médicos egípcios mais famosos, especialista em operações cardíacas.
Eu só fiquei doente uma vez por lá, até por causa do título deste post: não estava preparada para umas bacteriazinhas faraônicas. Dizem que é um pouco comum estrangeiros mais cedo ou mais tarde pegarem uma infecção intestinal, o que te garante boas horas no banheiro e muitas dores.
A vantagem é que no Egito as pessoas são muito unidas e solidárias. Como no meu prédio havia um médico eu nem precisei de casa para ser atendida. Ele mesmo já checou os sintomas e medicou de casa mesmo. Tomei duas injeções doloridas e no dia seguinte já estava bem melhor. Sei que muitos gringos ficam doentes assim, então se acontecer com você no Egitão não se preocupe. Não é o fato de beber água mineral que vai te salvar disso, pois eu nunca tomei água de torneira, é realmente a falta de alguns anticorpos que devemos ter, assim como os egípcios aqui podem ficar doentes com coisas que para nós é normal.Mas outro grande ponto positivo por lá é que os preços dos remédios são muito mais baratos!! Engraçado que quase todos os medicamentos lá são importados da Europa, mas chegam a custar 3 vezes menos que um mesmo produzido e vendido no Brasil.
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Bom, mas que post tenebroso hein, falar de doença, remédio.. sai pra lá, que quero mais é saúdeeeeeeeeeeee! Mas acho legal pra quem fica se perguntando das diferenças nos sistema de saúde entre os dois países.
ps.
antes que mais alguém venha dizer que só meti o pau na saúde brasileira, ressalto que no post não falei que todos os médicos são assim, citei os novatos que encontramos nos PS de alguns hospitais de SP, só isso!! E como vamos mudar se não reclamar? Já fiz duas reclamações formais para o são camilo, por exemplo, e não deram em nada, mas acho melhor do que ficar sempre se sujeitando a tratamentos ruins. E reitero, onde que disse que no Brasil só tem médico despreparado…. Mas só como me falaram que fico falando mal do Brasil, quero deixar uma coisa mais clara, que talvez não tenha expressado direito: moro aqui e escolhi o Brasil porque com certeza acho melhor para se viver do que o Egito, mas isso não me impede de reclamar das coisas ou mostrar indignação em certos momentos. ![]()
Dia-a-dia diferente
Algumas pessoas quando pensam numa relação de pessoas de países tão diferentes, logo pensam nos desafios culturais, de língua e religião. Mas acho que poucos param para analisar os detalhes do dia-a-dia, que são os que realmente pegam pesado quando se está morando no país do outro. Pelo menos para mim todas estas coisas grandiosas, como a religião, passaram suavemente. O que eu estranhava eram mais as mudanças nos detalhes, em uma forma de agir e hábitos. Acho que já falei disso antes, mas vou contar de novo para quem talvez ainda desconheça estes fatos. Tem coisas engraçadas que nem fazia idéia antes!
Detalhes diferentes no dia-a-dia egípcio:
- Mulher não pode ter pelos no braço, isso para eles é muitooo feio!
- Todo mundo come de colher.
- Toda refeição trazem um pedaço de pão junto, pode ser o que for e tá lá o pão do lado.
- Mulher não deve sorrir nem puxar papo com homens estranhos, mesmo que seja no taxi ou no transporte público, o que no Brasil é comum… Ou seja, segure a simpatia e faça cara feia que tá bom…
- Não pode perguntar o nome de uma mulher em público se tiver outros homens perto.
- Não tem chuveiro elétrico como no Brasil. É tudo a gás e alguns prédios usam motores para fazer a água subir.
- Ninguém tem água mineral, tomam sempre da torneira. Se quiser água purificada, que carregue a sua por todo canto.
- Não tem papel higiênico na maioria das casas e banheiros públicos. Simplesmente pq ninguém usa, eles só gostam de água, que sai por uns caninhos acoplados ao vaso sanitário. Se quiser garantia, leve lenços na bolsa sempre.
- Você pode estar numa repartição pública ou no táxi e alguém aparece te oferecendo chá. Como milagre sempre aparece uma água quente com o pozinho lá! E com muitoooo açúcar, claro.
- Pepsi é mais famoso no Egito que Coca.
- Nas cafeterias, você não compra coxinha ou salgados como aqui. No máximo come um croissant (sei lá como escreve) sem recheio e sem gosto. Ou seja, não vá sair para tomar chá com barriga vazia que não vai ter muita opção como aqui eheheh
- No Egito você pode andar contando dólares na rua que ninguém te rouba.
- Existe o chamado da oração cinco vezes por dia que você escuta de qualquer lugar. Eu amo isso! Mas também já dormi em locais do Cairo onde o alto falante era muitoooo alto e o sheik gritava, não orava, e isso também não era bom. Em Alex os Azhan são mais bem cuidados, na minha opinião
- Os egípcios geralmente tem alguns gostos em comum e ai de você discordar. A maioria torce para o Ahly e gosta do Amr Adeeb, um jornalista que tem um programa com entrevistas e reportagens – bem falso na minha opinião – que passa todo dia de noite e não tinha jeito de eu conseguir mudar de canal…Ele é tipo um quase Deus no Egito, pq ele ataca o governo, mostra a “verdade”, “bate de frente” com o presidente, “ajuda” os pobres, etc, dizem os egípcios. Eu só de ver achava ele uma grande balela, mas quase armei muita briga lá por conta disso… eheheh Mas o cara é muito influente, para vocês terem idéia na semana passada ele entrevistou o chefão do Hamas sobre Gaza e falou um monte para ele em rede nacional, sem medo nenhum, metendo o pau mesmo.
- Os prédios não tem garagem e muitos não tem elevador. Ou seja, pernas pra que te quero! E quem tem carro deixa na rua mesmo, nada de estacionamento.
- Egípcio coloca o detergente com água em um potinho do lado da pia, pra render mais.
- são raríssimos os prédios que pintam a fachada ou cuidam dos halls internos. Condomínio é sempre uma merreca.
- Em muitas casas você não precisa sair para comprar pão. Tem sempre um tiozinho que trabalha no prédio e faz de tudo, de lavar o chão até trazer o pão para casa ou fazer outras comprinhas.
- toda casa egípcia tem muitoooo tapete, mas quase nenhuma tem aspirador. Lava-se o tapete uma vez por ano, geralmente, no verão, e no resto dos dias fica batendo para tirar poeira.
- A comida tem muita pimenta, sempre. Ou seja, avise que vc não come tempero forte ou vai sofrer.
Agora, a vez do egípcio no Brasil:
- Brasileiro se acha muito limpo na hora de comer, mas nas casas que tem cachorro os bichos estão sempre lá em volta da mesa, muitas vezes até pulando na comida.
- Brasileiro não entende que presunto também é carne de porco. E bacon também.
- A mulher brasileira sempre reclama que não tem namorado, mas se falo que no Egito não se namora, casa, a mulher diz que quer aproveitar a vida e casamento só muitoooo depois.
- Brasileiro não fala inglês e a maioria tem coragem de dizer que não gosta e odeia aprender. No Egito as pessoas sentem vergonha de não saberem falar outra língua, quando é o caso.
- No Brasil tudo você paga imposto, até no salário desconta um monte.
- No ônibus e no metrô tem sempre um povo que fica na porta e não deixa você sair. Se pede licença, ignoram. Se você empurra e xinga pra descer no ponto, fazem cara de choro e reclamam.
- Se eu não como carne de porco porque sou muçulmano é porque sou radical e estranho, até mesmo idiota já ouvi. Se um judeu fala isso, “ohh ele segue a religião dele mesmo, legal”. Se a pessoa não come carne de porco porque é vegetariano, aí então é o máximo!!
- O atendimento na área de vendas é péssimo. Desde vendedor que come na sua frente, fala mal do produto, até os que não querem mesmo vender nada.
- Já cansei de dizer que não tenho camelo e não uso turbante.
- Aqui se paga caro pelas coisas, mas sempre dá pau, como a internet e telefone.
- Aqui as pessoas usam botijão de gás e custa muito caro. Em Alexandria é encanado e quase de graça.
- O taxi é muito caro. No Egito dá pra andar toda hora e nem precisa ter carro. Em SP ter automóvel é quase que fundamental.
- O cinema no Brasil não tem intervalo.
- Todo mundo quer que eu deseje Feliz Natal, mas ninguém falou Feliz Ramadan no meu feriado, mesmo quando sabiam que eu estava de jejum e tudo o mais.
- Os casais beijam em publico e os homens não tem vergonha de expor as mulheres/namoradas.
- As pessoas falam muito alto, muitas mulheres gritam e dão risadas alto, o que no Egito seria muito estranho.
- Quase ninguém tem cachorro no Egito e é raro ver um na rua. No Brasil já é maioria.
- O português tem sons estranhos, como ã. E eu não sei a diferença entre vó e vô.
- No Brasil tem pão de queijo.
- A comida no Brasil é barata.
- No Brasil as novelas são muito longas, demora muito para chegar no final. No Egito dura, no máximo, um mês.
- No Brasil é fácil ter cartão de crédito.
Bom, a lista é grande!! Se alguém souber de mais coisas é só falar!


