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Aquela noite…
Era uma noite mais branda. Depois dos dias sufocantes do verão, sobrevivendo apenas com um ventilador, chegava o momento de ver aquelas estrelas, as antenas parabólicas e o neon da propaganda piscando no prédio vizinho pela última vez. Quando o sol nascesse, seria pra ir embora. E para sempre.
Na minha última noite no Egito, não teve konefa, nem pizza de salsicha. Não teve aqueles barulhos diferentes que sempre me chamavam a atenção. Nem o azhan – chamado para a oração – eu escutei. Já tinham se passado praticamente nove meses, tudo que antes era tão novo, exótico, tinha sido assimilado no meu cotidiano. Mas eu percebi isso tarde demais. Quando me vi, já estava pronta para partir, e o mais rápido possível.
Muitos me perguntam, mas por quê? Em 4 meses, larguei tudo o que tinha até então, uma formação, um bom trabalho, uma vida pessoal, família e amigos, em busca da mudança radical, do novo, de uma vida diferente. Como, em tão poucas semanas depois, decidi que, na verdade, eu tinha de voltar? E como arrumar a bagunça do coração, com tantas coisas novas, bonitas, alegres? Como arrumar as emoções, depois te ter aberto os horizontes para um mundo totalmente novo?
O que sei, é que fugir de problemas nunca os solucionam. Buscar alguém de longe, do outro lado do mundo, não apagará nada do que você fez antes ou quem você é. Você pode trocar suas roupas, sua religião e até mesmo seu nome. Mas a história da sua vida está escrita desde o dia que você nasceu, e mesmo as experiências mais radicais não deletam nada do que já foi feito, pensado ou sofrido. Uma mudança apenas física não cura dores do coração, nem acalma, nem liberta. Quem te dá a alforria é você mesma, e isso só sua cabeça pode fazer.
Assim fui, voltei, sofri de saudade e de desprezo. Com o tempo e amadurecimento, percebi que as coisas boas e duradouras são construídas de pequenas atitudes e muita força de vontade. Que o meu maior bem conquistado na minha vida, meu casamento, não é fantástico porque fui até o Egito e me encontrei com ele lá. Ele é fantástico pelo que fizemos depois desse encontro, de como lidamos com nossas diferenças e de que forma foi possível construir o amor dessa experiência tão diferente. Nossa maior conquista, não foi o passado nem como tudo aconteceu, mas nosso presente, que dia a dia, minuto a minuto, se mostra puramente lindo e real.
E de volta àquela última noite no Egito, lembro-me do calor já ameno, da sensação terrível de perda, de abandono de algo tão sonhado. Ao mesmo tempo, muita esperança, muita força e alegria. Estávamos nós três, eu, o marido, o primo. Ficamos lembrando de cada detalhe da aventura, da minha chegada, do koshari que recusei, dos cafés, do meu árabe errado, do frio no porto, do companheirismo, da amizade. A gente chorava que nem criança e não havia vergonha nenhuma neste ato. Era como se aquelas lágrimas fossem necessárias. E elas saiam às vezes no meio das gargalhadas, entre incontáveis histórias simples e banais relembradas, mas que para nós eram como jóias das mais preciosas.
E assim, as horas que se arrastavam foram passando, a noite indo embora. O neon se apagou e o sol despontou. Senti a brisa vinda do mar de sempre, ali na varanda junto a eles. Era um sopro de vida tão forte, generoso, que foi possível nos levantarmos e seguir em frente no que tinha de ser feito.
E assim deixamos de ser três, nos tornamos dois no Brasil e um no Egito. Nunca mais voltamos, nunca mais nos encontramos.
Amizades virtuais
Muita gente não acredita em coisas “virtuais”, que só existem na internet. Apesar da conexão entre computadores existir há muitos anos, até hoje muita gente tem dificuldade de entender, no campo de relacionamentos pessoais, se algo feito na internet também é válido para a vida real.
Assim foi quando eu conheci meu marido na internet, a maioria absoluta das pessoas diziam que eu tinha perdido a razão. Algumas faziam perguntas óbvias: “Mas e se você encontrar com ele, e não gostar?” Na minha cabeça, só tinha uma resposta: “Como não gostar? Esta pessoa passa horas comigo conversando, sem me tocar ou querer algo em troca, me consola, me diverte? Seria o amor algo puramente físico, que exige a presença de corpo para existir?”
E, passando do campo do amor, que é para uma pessoa, existe outro espaço virtual muito mais amplo para se gostar. Que são os amigos de internet, aqueles que conhecemos por interesses comuns, que vão ganhando espaço pouco a pouco, e de repente, já viraram grandes conselheiros. Estes são mais diversos e difíceis de administrar. Mas é igualzinho na vida real. Tem gente que desaparece meses, mas quando volta, é aquela alegria, piadas, conversas sérias mas que a gente sabe que são pontuais. Já outros não, batem ponto todo dia, te dão o relatório de tudo que andam fazendo e estão sempre prontas para ouvir um desabafo qualquer. E os amigos reais, será que são tão diferentes assim?
Pois bem, eis que em alguns momentos da vida, estes mundos se encontram. No caso do seu amor online, é uma explosão de alegria, paixão, amor, confirmação, tudo junto. E quando são os amigos? Geralmente, é como encontrar um amigão de longa data, parece que vocês já se conheciam desde sempre, não é preciso tempo para ganhar confiança ou cuidado com as palavras, todo mundo se conhece, pois quem gosta no virtual, com certeza ama no real. E como na vida real, tem amigos que vão e vem, gente que se afasta, mas nem por isso deixa de ter importância.
E por conta disso, continuo a favor de colocar meus sentimentos na internet, em trocar, conhecer pessoas, crescer com os outros. E é claro, tem vezes que tem gente que não vai com a minha cara, mesmo que na internet essa cara na verdade é trocada pelo seu modo de se expressar e teclar.
Nessa minha vida de Egito e Brasil, tive oportunidade de conhecer muita gente… muita mesmo, e com todas aprendi e cresci. Nessa conexão de mundos virtuais, tive encontros históricos, como com a Nadir em Alexandria, que pra sempre vão ficar nas nossas memórias. Já no Brasil, conheci amigas especiais, algumas não citarei o nome pois como não tem blogs, não vou expo-las, mas hoje quero agradecer em especial a Katie, que organizou um encontro e fez dele mais uma prova de que vale a pena, sim, viver nesse mundo virtual. E que isso não é uma grande perda de tempo, que o maior bem das pessoas são as relações e o amor que entre elas pode existir.
Obrigada Katie!!!
Vejam a lembrancinha que a Katie fez para nós, achei super delicado da parte dela, ainda mais por celebrar os cinco anos que nos conhecemos:
A arte de se transformar
Meu casamento começou de uma forma diferente, em que os desafios do início devem ser bem diferentes de um casal que se casa de uma maneira mais típica, como entre amigos ou na mesma cidade. Acredito que cada um tem sua história e momentos diferentes de aprendizado na vida, e é isso que faz esta diversidade do mundo.
Quando eu me casei, não me preocupei como vejo as noivas que conheço, com o vestido que iria usar, com a loja na qual escolheria o bem casado ou onde fazer minha lista de presentes. Na época, eu estava preocupada em tirar o passaporte, selecionar o que caberia em duas malas e… não me lembro de muita coisa. Eu só sei que o casamento em si, não foi um grande evento para o qual me preparei. O que me tirou noites de sono e me fazia desabar em nervosismo, era o caminho.
Sim, não é fácil pedir demissão de um emprego bacana, ver sua casa pela última vez, explicar o que eu estava sentindo para meus pais. E também concordo que, se não fosse eu, também diria que a pessoa era louca e precisava é de psicólogo. Porém, só quem me conhecia profundamente, como minha mãe, sabia que grade nenhuma neste mundo iria me segurar. E assim fui, rumo ao que eu achava que conhecia muito bem, como uma jovem desvairada em busca de aventura, porém guiada por um sentimento muito puro de amor.
É, um amor sem toques, à moda antiga. Baseado em palavras, em cartas de amor, em juras perdidas no meio da noite. Não trocamos nada de material até aquele dia, a não ser telefonemas, emails, chamadas pelo computador. E porque não poderia dar certo? Casamento não é passagem para a felicidade, e não importa as circunstâncias em que se conheceram e viveram, não existe garantia que vá dar certo. E fui atrás do que queria.
Na época, hoje vejo bem, eu ainda era impulsiva demais. Se eu tivesse os meus 27 anos de hoje (quase 28), capaz que eu não teria ido daquela maneira. Teria ido nas férias, com cartão de crédito pronto para gastar, hotel agendado e toda uma cerimônia que tiraria toda a graça do evento, seria apenas mais uma viagem de férias, dentre tantas outras que fiz, com o adicional de arrumar um namorado. Não sei se teria casado, se tudo isso tivesse acontecido aos meus 27 anos e a experiência de vida me tivesse dado novas amarras.
Amadureci no Egito o que não tinha crescido a minha vida toda. E isso nos faz repensar todas as nossas ações. Não me arrependo nada do que fiz, porém o fiz no momento certo da vida, em que arriscar era divertido e saudável. Agora, mais racional e prática, poderia ter outras reações ou já estar desiludida demais com a vida (o que não aconteceu comigo até por conta de toda a coragem que eu sempre tive de fazer coisas diferentes).
No Egito, eu era quieta, manhosa, mas amável e discreta. Quis aprender a me comportar como a esposa estrangeira ideal, aquela que se veste como eles, não faz escândalo e está sempre pronta pra falar algo engraçado em árabe, para o delírio do meu público. Enquanto isso, Musta era super romântico e jovial, nervoso com as coisas e pessoas erradas, não media palavras. E a gente foi se ajudando. Casar jovem com alguém tão diferente é gostoso, pois nossas conversas nunca tinham monotomia, e ambos estavam abertos para aprender e se tornar melhor um para o outro.
E viemos para cá, eu na época já estava mais solta, nas últimas semanas do Egito perdi a pose de perfeição, queria falar, debater, comentar, rir e criar. Musta tinha planos, como sempre, mil ideias mirabolantes, porém sem muito foco do que fazer com elas.
No Brasil, passamos a ter nossa própria vida, sem depender de nada nem de ninguém. Continuamos nosso debate, ele me forçando a mudar em muitas coisas, e eu a ele.
-Musta, não pode ser tão inflexível, a pessoa estava só brincando! – eu dizia.
- Marina, você se expõe demais, fala tudo sobre sua vida, dando às pessoas direito de te julgar. Selecione o que você fala. – ele me alertava.
E assim fomos, juntos nos moldando, fazendo nossa vida, do nosso jeito. Sempre existem altos e baixos, momentos em que um cai e o outro estende a mão, momento em que os dois parecem que vão se afogar, mas alguém consegue agarrar a bóia. E, melhor que isso, existe o tempo de harmonia perfeita, aquele momento no casamento em que os olhos passam a conversar, sem que palavras precisem ser ditas, que os apelidos carinhosos se estabelecem e acabam virando seu novo nome particular. Dias em que sua única vontade é fazer o outro feliz, comprar um presente surpresa, preparar uma janta gostosa.
O aprendizado nunca acaba, os desafios continuam surgindo. O equilíbrio entre o casal é que vai te guiar para a felicidade, que não é algo previsível ou único. A felicidade são gotas brilhantes que pingam durante as horas do dia, uma estrela presente durante o abraço da noite e que se mantém acesa sempre, não importa quão difícil esteja sendo. E estas transformações do que somos, do que pensamos, fazem parte deste crescimento como casal, que desperta junto para a vida.
E assim continuo crendo no amor, que hoje não se importa se sou egípcia ou brasileira, já passamos desta fase, o que nos envolve são coisas muito mais profundas do que uma diferença cultural ou de raça. Estamos de mãos dadas para o que der e vier, e isso é o que importa.
Radicalismo não faz bem
Vou começar o post com uma historinha engraçada que vivi hoje. Estava num evento sobre um tema polêmico do nosso país hoje em dia, a reforma do Código Florestal Brasileiro, com políticos responsáveis pela aprovação do projeto no congresso e no senado. Pois bem, havia uma programação de palestras e espaço par debates ao fim.
Estava eu sentadinha ali na terceira fileira, bem no meio, para ter visão de tudo. E duas moças sentaram-se uma de cada lado meu. Elas destoavam um pouco do perfil do público em geral, estavam de jeans meio rasgado, sapatilhas e meias coloridas, bolsas que pareciam ser feitas de material reciclado. Pensei: é a turma do “meio ambiente”. Sem problemas.
Palestra 1, polêmica, forte, ok. Percebi que as duas não aplaudiram ao final. Palestra 2, palestrante mais moderado, conciliador. Também não aplaudiram. Palestra 3, bomba atômica, era a vez da senadora Kátia Abreu fazer sua exposição, e em menos de dez minutos ela falou algo do tipo: “sou contra a criação de reservas legais, porque….” Não deu tempo dela explicar seu ponto de vista.
A menina à minha direita levantou, e aos berros começou a gritar: “Como vocês conseguem dormir de noite, sabendo que vão acabar com as florestas, como vocês aprovam o uso de agrotóxicos…” bla bla bla, começou uma gritaria de todos os lados, ela simplesmente não parou de gritar, como se gritar no meio de uma palestra fosse mudar a visão de quem estava ali. O presidente da mesa pediu para ela se sentar, pois ainda não estavam aberto os debates, mas ela não quis saber, e gritava muito, ao ponto de eu franzir a testa e abaixar a cara de “vergonha alheia” (sabem essa sensação?). Pois bem, ela simplesmente quis invadir a apresentação, que eu sinceramente queria ouvir, pois me interessa saber o que o senado está pensando, não esta ambientalista (mesmo com seus motivos), e o protesto dela ali não fazia muito sentido. Ficou pior ainda quando seguranças foram chamados para retirá-la do ambiente. Foi desagradável. E eu ali bem no front…
Pois bem, não passou nem cinco minutos da retomada da palestra, um homem atrás de mim fez a mesmíssima coisa. Começou a protestar, gritando, falando um monte de coisa sem sentido naquele momento. Seguranças de novo, baderna – esse gritou até mesmo de fora da sala.
Pois bem, terminada a palestra – finalmente! – foi aberto o debate. E mais ambientalistas apareceram, com seus argumentos e questionamentos. Ninguém foi retirado da sala, e eles puderam expor seu ponto de vista e serem ouvidos. Quem saiu ganhando? Os que gritaram, ou os que questionaram depois com respeito e no momento adequado?
Bom, eu sou uma pessoa moderada, já fui radical em algumas coisas, mas aprendi muito com a vida que não adianta você achar que está 100% certa e que os outros tem de concordar comigo nem que eu precise gritar. Eu sou contra qualquer tipo de radicalismo, seja na religião, no patriotismo, na política, no futebol ou em qualquer coisa. Quando você está cego por alguma razão, acaba por deixa de escutar o outro lado, e aceitar que alguém pode ser diferente de você.
E não, isso não significa que eu não tenha minha opinião ou não possa debatê-la, tem horas que o sangue ferve e você quer falar o que pensa de qualquer maneira, mas não significa que se o outro quiser falar comigo e se explicar melhor, eu vou deixar de ouvir.
Para mim, porém, o radicalismo se mostra de várias formas. Pode não ser no meio de um evento como vi hoje, mas numa manifestação contínua sobre algo que se conhece pouco, sem ouvir o outro lado, sempre munido de muito ódio e revolta. Sinceramente, eu fiquei com medo daquelas ambientalistas do meu lado, me senti vulnerável ao ódio delas, não que eu em parte não pudesse concordar com seus argumentos, mas sua violência com as palavras me agrediram. E não precisa ser ao vivo para se sentir isso. Como já disse no meu último post, tenho visto muitas coisas agressivas pela internet contra egípcios, muçulmanos, que exalam esse mesmo tipo de sentimento. Me sinto triste, impotente, parece que contra esse ódio visceral, não há argumentos que bastem, e me sinto meio perdida nesse mundo… será que há espaço para moderação, aceitação da opinião dos outros, da religião do outro, sem ataques ou acessos de raiva? Não estou dizendo que sou perfeita, já tive meus radicalismos, alguns muito bem expostos neste blog, mas refleti e tento melhorar um pouco, hoje aprendi que sou cheia de defeitos demais para tentar impor o que penso para os outros e me machuco quando vejo outros fazendo isso.
*
Musta sempre fala que eu tenho que aprender a usar o botão “delete” na minha vida, tirando tudo que me faz mal da minha cabeça, sem perder tempo com quem só traz coisa ruim para minha vida. Mas quem disse que consigo? Se eu fosse tão desprendida assim, esse blog não existiria.
Egito – um lugar complicado de amar
Confesso que depois de alguns anos escrevendo no blog, minha vida já mudou tanto e tantas vezes, que nem sei mais qual foco dar a isso aqui. Já notaram que ando postando menos, às vezes fico um bom período sem dizer nada. Não que eu não tenha mil pensamentos ou idéias, simplesmente coloco barreiras demais para vir me expressar. Já passei da fase de dar a cara pra bater à toa, e principalmente procurar discussões por aí.
Mas, toda vez que penso que talvez nem volte mais a escrever, encontro absurdos na internet que me fazem cair para trás. Primeiro, os brasileiros já evoluíram muitoooo, mas ainda tem muita gente preconceituosa e prepotente, que se acha mais que o resto do mundo. Bom, aí que estou eu vagando pela internet, vendo notícias sobre o Egito, e sem querer, vejo alguns comentários sobre o Egito, que, hummmm, melhor nem comentar.
Gente, eu não estou aqui para defender o Egito até porque eu também não quis ficar morando lá, porém debochar e achar que minha cultura é superior, isso jamais. Eu já tive épocas de ver o Egito cor de rosa, defender coisas de lá quando nem era tão necessário assim, brigar com pessoas que gosto por pequenas discussões bobas à toa sobre o país (coisas que me arrependo até hoje), mas ultimamente tenho visto tamanha falta de desrespeito com o povo egípcio, que mais do que nunca continuo com meu blog, mesmo na bagunça que ele é, pois o que quero não é dizer que Brasil ou Egito é melhor, apenas tentar desmistificar um pouco esse lugar que também tem muitas coisas encantadoras.
Eu só acho que nenhum lugar na terra é perfeito, se aquela pessoa só fala mal, é porque ela mesmo deve ter algum problema interno que não sabe resolver e desconta tudo em outras coisas e pessoas que não tem nada a ver com sua amargura.
Tem um filme egípcio que fala tudo isso que eu digo de outra maneira, pena que está em árabe, mas se alguém arriscar, vale muito a pena, chama-se “Asad Elswed”. A história é de um egípcio que vive há 20 anos nos EUA, tem passaporte americano, mas decide retornar ao Egito e às suas raízes. Ele nem leva o passaporte americano dele, pois tem orgulho de sua origem, mas até então não tinha voltado ainda ao país. Bom, é uma comédia muito engraçada, acontece tudo que a gente ocidental acha engraçado e diferente no país. Aí vai uma lista:
- é ferrado pela polícia
- acham ele bizarro pq tem cabelo comprido
- sai sem camisa numa casa em que estão outras mulheres e quase apanha. Aliás, ele tenta cumprimentar com beijinho uma mulher casada ahauhau
- se ferra no trânsito
- é roubado pelo motorista de van que o pega no aeroporto e o engana até na conversão de libras para dólar
- apanha em um protesto contra americanos
- pega fila para fazer documentação e se ferra, até pagar propina
- come fisih e tem uma intoxicação alimentar
e por aí vai… mesmo assim, o filme dá um grande exemplo no final, do que é o Egito e suas pessoas, sua generosidade e amor que compartilham. Não preciso dizer que é do tipo de filme que você ri o tempo inteiro, mas se conhece o Egito pelo coração das pessoas, se debulha em lágrimas no final.
Vale a pena, aqui vai um clip sobre o filme que dá para ter idéia, mas não achei o filme mesmo com legenda em inglês.
Pra quem quiser tentar, aqui é o filme todo:
A mulher no mundo islâmico hoje
Já aviso que este post trata de minhas opiniões pessoais e não necessariamente o que hadiths (ensinamentos islâmicos) dizem.
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Tenho visto ultimamente uma enxurrada de crimes de racismo contra a mulher muçulmana no Brasil. Sim, porque chamar a pessoa de ignorante somente devido à sua religião ou grupo que pertence, para mim é racismo e intolerância religiosa. Mas parece que quando se trata de muçulmanos, todo mundo tem carta branca para rasgar o verbo e fazer comentários dos mais xenófobos ou de baixo nível possível.
Primeiro foi no programa da Hebe, que recebeu em seu programa duas muçulmanas super educadas, e no momento que elas não estavam na sala, trataram de até mesmo caçoar dos nomes diferentes delas, dizer que são intolerantes (porque não quiseram comer porco, óbvio) e ficar em um bar cheio de gente enchendo a cara. Enquanto isso, a menina carioca falava mal das muçulmanas, não se interesseou nem 1% pela cultura delas ou de entender os porquês, e ficou sendo chamada de “exemplo”. Foram tantas reclamações que a Hebe irá receber um sheik no programa dela amanhã, se não me engano, somente para se retratar.
Depois, no jornal Folha de S. Paulo, saiu um artigo de uma tal senhora dizendo horrores das coitadinhas mulheres de burka, que sofrem, que são presas, mal amadas, etc. Lendo aquilo você imagina que toda mulher muçulmana vive numa prisão ou em cena de filme americano mostrando o Talebã. A pior revista brasileira que existe, a Veja, fez uma reportagem sobre terroristas brasileiros esta semana, não li nem vou ler. Pode ter até verdade naquilo, mas conhecendo a publicação como eu sei, no mínimo colocaram todos os muçulmanos no mesmo pacote.
Mas, quem tem um pouco de leitura e a mente um pouquinho aberta que seja, sabe que na vida nada é tão branco e preto. E os humanos, por mais impossível que se possa soar, tem muito mais semelhanças do que diferenças, não importa a religião, raça ou origem. Todos nós amamos, todos nós temos sonhos, desejos. Queremos construir família, queremos um trabalho digno, uma casa confortável, comida saborosa, etc. No dia a dia, as pessoas acabam por fazer as mesmas coisas, assistem televisão, encontram amigos, navegam na internet, tomam Coca-Cola e comem um McDonalds, seja aqui no Brasil, na China, no Egito ou em outro lugar. No mundo globalizado, apesar de diferenças culturais ainda existirem, na prática estamos cada vez mais parecidos, e se basear em esteriótipos para falar de um grupo é praticamente xingar a raça humana como um todo, pois compartilhamos as mesmas coisas.
Pois bem, falei de tudo isso, para entrar num tema um pouco mais delicado, e no qual aí sim posso ser polêmica entre os irmãos muçulmanos. Eu acredito que a mídia fala tanto da mulher muçulmana não é à toa. Nos países islâmicos, infelizmente, a maioria das mulheres ainda é bem subserviente a seus maridos e famílias. São como tesouros trancados, que se casam à medida que a oferta for boa o suficiente. Sim, elas são valorizadas, ganham ouro, grande festa, mas no dia a dia, muitas não passam apenas de bonecos bonitos, que só sabem falar de filhos, afazeres de casa e compras. Se são felizes? Muitas são, sim, jamais negaria isso, mas ao mesmo tempo, quem sai um pouquinho dessa regra, corre o risco de ser taxada pela sociedade de ruim, de uma mulher que não seria confiável o suficiente para casamento.
Estou tentando não cair nos esteriótipos que critiquei logo acima, mas vivendo no Egito nove meses e tendo família lá, falo do que é o mais comum, pois no país ainda existe um certo padrão de comportamento mais rígido do que em lugares como o Brasil, onde cada um faz o que quer.
Meninas no Egito, por exemplo, que querem sair de suas cidades natais para estudarem no Cairo, provavelmente ficarão com ‘ficha suja’ para sempre. Isso se a família permitir que elas vivam sozinhas em uma cidade grande, o que é bem raro. Claro que para os rapazes que desejam um estudo melhor fora, isso não é problema.
Eu, sinceramente, não vejo problema nenhum em uma mulher querer se dedicar ao lar, conheço muitas brasileiras que fazem isso muito bem, minha mãe mesmo ficou em casa quase 20 anos, até eu e meus irmãos estarem adultos. Mas isso não a impediu de ler livros, conhecer o mundo, fazer cursos ou ter outros assuntos além de fraldas. No Egito não, você pode ter se formado com nota A em uma boa faculdade, mas sua prioridade perante a sociedade, no geral, é sempre parir o mais rápido possível. E se for possível depois trabalhar, que trabalhe, mas se isso for ocupar muito do seu tempo, não terá aprovação de ninguém e não será reconhecida por isso na sua roda de amigas.
Quero lembrar que estou falando aqui do que a sociedade egípcia, no geral, valoriza, não do que é certo islamicamente apenas. Porém, estas sociedades tem repetido costumes que tem marcado a mulher muçulmana como apenas uma jóia bonita em casa, mas não participante ativa da sociedade e da política.
Hoje, se você é uma mulher muçulmana e quer ser parte ativa da transformação do seu país, sofre muito. No Egito existem diversos exemplos notáveis de mulheres que quebraram tabus, que mesmo sendo muito religiosas tem seus trabalhos de defesa da mulher, que se expôem mesmo em uma sociedade que cada vez mais tem se fechado e obrigado as mulheres a se cobrir sem vontade própria. Sim, sem vontade própria, pois experimente você andar com roupas ocidentais no Cairo, que verá o assédio e entender do que estou falando. Num país verdadeiramente islâmico, as mulheres deveriam ter o direito de andar como quisessem, sem serem abordadas por estarem vestida de uma ou outra maneira (até porque mesmo vestida você é assediada em muitos locais).
Algumas dizem que não trabalham porque os maridos não querem, ou que não andam sozinhas porque são muito bem cuidadas. Mas isso não é só mais uma desculpa para deixar sua mulher presa em casa? Quem ama confia, você não precisa dar planilha de onde caminha, até mesmo se vai ao supermercado, só porque um homem quer. Claro que, no Islam, a mulher deve obediência ao marido (assim como ele deve amor a ela), por isso ela diz por onde anda, assim como o seu marido também não sai de casa antes de dizer para sua esposa o que vai fazer. Mas isso não é o que todo casal normal que se ama faz?
Mas tem gente que usa de desculpas religiosas simplesmente para perseguir suas próprias mulheres, trancá-las em casa. E não estou dizendo que isso só acontece entre os muçulmanos, porém já vi muitos homens muçulmanos usarem do Alcorão para tirar a liberdade de suas esposas, o que é uma pena, pois estas atitudes erradas mancham nossa reputação.
Na minha opinião, as mulheres do Egito são em parte mais bem cuidadas que as brasileiras, pois os costumes e a moral impede que se machuquem em relacionamentos fúteis, que exista gravidez na adolescência, que se entreguem para a pessoa errada. Ao mesmo tempo, acho que a sociedade poderia ser mais branda com aquelas mulheres que não enxergam no casamento a sua única motivação de vida.
Quando eu morei no Egito, lembro que recebi uma proposta para trabalhar em Port Said, porque nenhuma egípcia aceitava a vaga. Não fui porque estava casada só há alguns meses e eu queria é ficar com o habibi – inclusive outra brasileira aceitou a vaga -, mas para egípcias seria quase impossível esta missão. Era um bom salário, a escola estava cheia de meninas solteiras, recém formadas na faculdade, para as quais uma proposta dessa seria bem interessante para suas carreiras. E porque não aceitaram a proposta? Pois para suas famílias isso seria praticamente como a prostituição, imagina sua filha trabalhar fora? Sem os olhares da família as controlando, que garantia um futuro noivo teria de sua castidade?
Eu tenho parentes na Arábia Saudita, por isso também sei como é o dia a dia comum daquele país, que deveria ser a nossa referência na religião. Mas a realidade para as mulheres que vivem lá é bem dura. Claro que muitas encontram ocupações, como cuidar da casa e do marido, mas vivem apenas em uma gaiola bonita. Não podem sair sozinhas, não se pode dirigir. Os homens explicam os motivos: “se você for molestada, será presa junto, então porque vai sair sozinha e sem segurança?” Ou seja, a culpa, invariavelmente, recai sobre a mulher, que por medo não tem outra opção a não ser se dizer “muito feliz com a vida no lar”.
Além disso, a maior parte das muçulmanas árabes acredita que a mulher tem de engravidar assim que coloca uma aliança de casamento. No Egito, nas milhares de vezes que me perguntaram se eu já estava grávida, se chocavam com minha resposta curta e seca: “eu tomo pílula”. Para elas fazer isso quando se é recém-casada tem o mesmo efeito que rasgar o sutiã em praça pública. Me chamaram de pecadora até. E eu ri e continuo sem filhos até hoje, quatro anos depois, para desespero dos familiares.
Para mim, uma gravidez tão precoce, quando você ainda não conhece realmente seu marido, já que os muçulmanos não namoram, impede que o casal realmente se conheça, entenda as diferenças e passe a se respeitar mais. A mulher que engravida tão rápido, em pouco tempo tem nas suas mãos uma responsabilidade imensa, pouco compartilhada pelos homens, já que as egípcias nessas horas se juntam e é a vó, tias, amigas que se ficam em volta do bebê, tanto que o pai mal tem espaço para olhar a criança. Para mim, essa rotina parece sufocante.
Dizem que isso é porque a família é muito importante para os muçulmanos, mas na verdade é porque as mulheres mais velhas acabam não tendo mais nada o que fazer, a não ser continuar nesse ciclo de vida imposto a elas, de casa, filhos e marido.
E me atrevo a falar de um assunto que nunca comento. O que acontece com as meninas circuncidadas? Eu nunca conheci nenhuma que passou por isso, mas se existe lei no Egito contra o ato, é porque praticam, certo? Por que as comunidades islâmicas não fazem campanhas abertas contra esta prática? Temos às vezes que botar o dedo na ferida e deixar o machismo de lado para nos fortalecermos ante as críticas corretas que o mundo ocidental também faz. Nem sempre temos a razão e temos que rechaçar energicamente os que fazem uma leitura errada da religião.
Eu, como muçulmana, não me prendo a certas regras sociais. Tenho minha vida, meu direito de ser mulher livre e pensante, sem deixar os cuidados com minha casa e meu marido, porém sem esquecer de quem eu sou. E se preciso viajar sozinha? Eu vou, pois o mundo hoje é outro, tenho minhas prioridades e um marido que me enxerga como ser humano, não só como “esposa”. Claro que nas mesquitas você jamais vai aprender isso, porque tudo que liberta um pouco a mulher é visto como “inovação”, e muitas mulheres acabam por temer julgamentos e se tornam prisioneiras de uma vida sem muita escolha.
Para este tipo de corte de liberdade, existem milhares de hadiths que muitos sabem de cor e salteado. Mas acredito que os ensinamentos islâmicos deveriam ir muito além do que você tem de fazer como esposa, mas também ensinar as muçulmanas sobre trabalho, sobre ter sua vida própria e sua mente sã. Nada disso exclui a fé ou o respeito às leis de Deus, mas não se fala nisso em aulas para mulheres, por quê?
Se existem egípcias ou muçulmanas livres? Claro que existem, como eu sou, mas pode apostar que somos colocadas sempre no rol das “pecadoras” ou “desviadas”.
Espero que dos dois lados, num futuro próximo, exista mais tolerância. Seja dos ocidentais que não conhecem o Islã e às vezes julgam sem conhecer a realidade das pessoas, como dos muçulmanos com as mulheres que têm uma vida mais independente e que não deveriam ser traçadas como fora do padrão. Afinal, nossa religião dá esse direito a gente, mas na hora da prática, pouca gente quer aceitar isso.
Eu não costumo fazer posts incisivos que possam prejudicar a imagem dos muçulmanos, mas sinto que no meio de tanta falação sobre o islam e nós mulherem muçulmanas, precisava colocar alguns pingos nos ‘is’. Não é só porque tenho uma religião que defendo cegamente a atitude de todos, é preciso muito mais esclarecimento para a mulher muçulmana do papel que ela pode exercer. E esse é um debate que não se encerra por aqui. E eu prefiro ouvir críticas do que simplesmente tapar o sol com a peneira.
Comparações entre Egito e Brasil segundo a Newsweek
A revista americana Newsweek soltou um ranking muito interessante dos melhores países para se viver estes dias. O Brasil ficou na vergonhosa 48 posição (sim, porque com nosso nível econômico, acho esse número muito ruim) e o Egito, na 74 posição.
O ranking levou em conta saúde, educação, violência, economia e até liberdade política em consideração. Quem quiser ver o ranking completo e ir comparando entre os mais diversos países, é só entrar aqui. Ah, o primeiro lugar ficou com minha amada Finlânia
| Egito | Brasil | |
| Expectativa de vida | 60 anos | 64 anos |
| Taxa de alfabetização | 71.7% | 88.7% |
| Mortes violentas por crimes e drogas a cada 100 mil habitantes | 1.2 | 29.2 |
| Liberdade política (quanto mais alto o nº, pior) | 5.5 | 1.5 |
| Receita per capita | US$2.070 | US$8.070 |
| Desigualdade social (mais próximo de zero, melhor) | 32.1% | 55% |
| Desigualdade entre os sexos (quanto mais próximo de 1, melhor) | 0.586 | 0.669 |
Um dos dados que mais me chamou foi o da violência. Apesar do Egito ficar atrás do Brasil na maioria dos outros pontos, os números de mortes no Brasil é bem chocante.
E vocês, o que acharam?
Notícias de Egito e Brasil
Cof cof, deixa eu tirar a poeira daqui…. tem alguém nesse blog ainda?
Sei que avisei que minhas visitas seriam um pouco mais esporádicas, mas nem eu achei que seria tanto.
Estou dando uma passada rápida pra dar algumas notícias que tem a ver com o Egito esses dias. A mais interessante na relação entre Egito e Brasil é que os países assinaram um acordo de livre comércio, então os impostos de importação/exportação entre eles será reduzido ao longo de anos até serem zerados.
Será que isso significa que teremos molokheya no Brasil? heehehe (Deus me livre, isso é uma planta que eles fazem um caldo que eu não gosto no Egito)
Mas acho que quanto mais relações nossos países tiverem, melhor sempre. Quando morei no Egito comprava várias coisas do Brasil, como chocolate Garoto, carne (Egito é o segundo maior destino para a carne exportada do Brasil), frango da Sadia, pirex da Marinex e até talher da Tramontina já tinha na casa do Musta. A coisa mais engraçada que passei lá com produtos brasileiros foi um dia que estava procurando uma xícara dessas grandes para tomar café com leite, e comecei a ler umas frases “eu te amo”, “você é meu mundo” e levei uns cinco minutos pra me tocar que estavam em português. Na verdade só quando Mostafa falou que língua é essa, que eu me toquei que estava com canecas brasileiras em pleno Egito, e lá estava embaixo (made in Brazil).
E o mais engraçado foi o preço, só 5 LE, menos de 2 reais. E no Brasil, quando voltei, achei as mesmas xícaras na Arpege (loja de coisas pra casa) por 10 REAIS!!! Mistérios do comércio exterior….
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Outra notícia que vale a pena lembrar, é que semana que vem, provavelmente na quarta, começa o Ramadan no Egito e Brasil (os dois países sempre entram juntos). Isso significa um ritmo totalmente de vida diferente no Egito, empresas reduzem o horário de trabalho, supermercados ficam lotados de egípcias estressadas comprando toneladas de comida, as crianças ficam brincando nas ruas pro tempo passar mais rápido, a molecada sai depois de noite e fica a madrugada toda tomando chá e aproveitando esta época. Mas na verdade eu to falando tudo isso e nem sei, porque nunca passei o Ramadan lá ehehehe Só relatos do sr. Musta e amigas que dizem que de uma forma e de outra, o Ramadan é todo especial no Egito (para alguns estressantes, para outros uma benção). Se alguém quiser detalhes sobre a parte mais religiosa e tudo que se faz no Ramadã, recomendo o bom post da Mariam aqui.
Já no Brasil, meu ramadan é sempre louco, trabalhando normal e sem tempo de ficar fazendo comida boa todo dia, já me acostumei com o ritmo, só Musta que não… diz que passar no Egito, não tem igual. E é justo nesta época que ele mais sente saudades da terra dele…
Explorando a cidade de Santos
Só por curiosidade, tem algum leitor de Santos/São Vicente por aqui?
Considero a baixada como minha segunda casa aqui no Brasil. A-D-O-R-O, apesar de quase nunca pisar na areia… ehehe quem disse que gostar de praia é se esturricar na areia
Eu gosto de sentir o cheiro do mar, descer a serra e sentir aquela brisa gelada vinda da floresta, ver as nuvens passando pertinho e andar sobre as pontes altíssimas da estrada mais bonita do Brasil (sim, eu acho!!).
O único problema é que eu acho longe para ir toda semana, e um pedágio de quase R$ 18 por uma passada só, é de matar!!
Muita gente me pergunta se eu vou a praia. Como se o fato de eu ter uma religião me impedisse de curtir as coisas e aproveitar bem tudo que gosto e a natureza nos dá. Sim, eu não uso biquini nem maiô, quer saber como eu nado, caso eu queira? De roupa ué. No Egito ainda tinha o chamado “burquini”, que de burca não tem nada ahahaha É só uma roupa com tecido especial pra água.
E que se dane quem olhar ou achar estranho. Minha mãe fala que tem vergonha, mas eu nunca tive problemas com minhas escolhas, e esta é das mais fáceis, acho super saudável não precisar me expor, mas isso é só minha opinião (o pessoal pode ficar pelado do meu lado que não vou olhar nem falar nada, cada um faz suas escolhas). Sim, eu acho 10 vezes mais confortável nadar de roupa do que biquini, e venha viver minha vida quem achar o contrário. Cada um na sua, não sei porque é tão difícil às vezes para as pessoas simplesmente deixarem cada um ficar como quer.
Bom, mas voltando a Santos. Vou aproveitar ao post para dar dicas para quem mora em Sampa e não conhece muito, ou continua achando que a praia de santos é feia e por isso não vale a pena ir para lá. Primeiro, a vista é estilo rio: montanhas + cidade + mar. Claro, não tem o Cristo, mas pra quem olha da sacada dá quase na mesma vai (vixe, os cariocas vão me matar).
Santos é praia, mas tem tudo que SP tem. Tem shopping, tem cinema, tem pizza de qualidade, tem sushi e tudo o mais. Ah, tem trânsito também. Para quem gosta de ter os confortos da cidade, com uma vista fabulosa e gostinho de maresia.
Não sou de areia, nem de tomar sol. Acho isso chato. Gosto de fazer um bom almoço e olhar a praia da janela, de longe, sem ninguém me ver enquanto eu observo tudo. Difícil eu pisar na areia, no máximo ando de barco quando quero ver as coisas mais de perto.
Adoro peixe, faço a festa no mercado que fica na ponta da praia. Sempre rola camarão gigante pela metade do preço que compramos em São Paulo. E alexandrino dos bons como meu marido, é perfeito na cozinha quando se trata de frutos do mar, pois na cidade dele come-se muito peixe.
Dicas da cidade:
- comprar peixes no mercado da ponta da praia.
- Fazer um passeio de escuna, perto do pier na ponta da praia. Custa R$ 15 por 1h30 e quem gosta de nadar, eles sempre passam nas ilhas próximas, onde o mar não é tão poluído pelos navios (ah, santos tem o maior porto da America Latina, então espere um trânsito básico de navios por ali sempre). O passeio vai até o porto, que eu acho a parte mais doida, se você der sorte e passar um cargueiro do seu lado, pode ter certeza que vai ficar com medo!)
- Vá na feirinha de domingo do Sesc. Quem não gosta de ver esses badulaques? Tem muito artesanato, não só as coisas made in China.
- Almoçe um dia no Gonzaguinha de São Vicente ou perto da ponte pensil. Eu gosto da canta Maria para comer peixe e para curtir algo romântico tem o Mar e Bar (mas infelizmente eles têm inventado umas festas com música ao vivo que me expulsou do local).
- Pizza da Coquimbos!
- Fazer um tour da cidade. O mini-ônibus te leva pra tudo, e você pode usar o dia todo. Faz o percurso histórico e passa nos locais mais legais, como orquidário, aquário e bondinho.
- Visite a vila de São Vicente. Era um lugar muito bacaninha quando lançaram, uma vila que retrata como era São Vicente no passado. Pra quem não sabe, SV é a primeira cidade do BRASIL! Anda meio largado, da última vez que fui não estava bem cuidado, uma pena! Essas coisas de cultura no Brasil o governo geralmente abandona depois de um tempo.
- E para finalizar, outra dica de comilança. Mas só vale de segunda a sábado. Existe um restaurante maravilhoso, que chama Paquito, no centrão velho da cidade. Fica na esquina de duas avenidas grandes (Av. São Francisco, esquina com a Av. Senador Feijó) e de fora parece um botecão que eu normalmente teria medo de entrar. Mas eis que existe uma portinha secreta do lado, bem pequena mesmo, que dá entrada para um mundo paralelo. O lugar é pequeno, abarrotado de mesinhas e somente um senhor grisalho, de cara fechada e mau humorado, te indica onde vc senta. Ele te dá um menu escrito a mão e mal fala com vc, do nada serve uns antepasto e vc ainda meio desconfiada, em meio a posteres do PT e do Santos, faz o pedido de um camarão ou uma paella espanhola. O prato vem e SURPRESA! Vc está num dos melhores lugares de Santos. E detalhe, ele não cobra entrada, serviço nem sobremesa. Ou seja, vc come muito bem, por muito pouco. Imperdível. O Paquito, o sr. grisalho, trabalha sozinho servindo as mesas, apesar da cara fechada, o serviço é de primeira!
















