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Curiosidades egípcias

Mesmo depois de três anos de casada, tem horas que ainda descubro ou lembro de diferenças culturais básicas entre eu e meu marido egípcio, e geralmente morro de rir, né?

Estávamos decidindo a ordem de quem iria primeiro em um lugar, não lembro o que exatamente, e minha mãe falou:

- Ah, tira par ou ímpar com o Mostafa pra decidir?

- Então eu quero par! – Falei.

- E ele, o que??? Não entendi…

Ou seja, não tem par ou ímpar no Egito, minha gente!! Quer dizer, pelo menos é o que meu marido louco falou, ele disse que usam só cara ou coroa se é com dois, e se estão em três um negócio mais louco com a mão encostando no peito, nem tem como explicar!!

**

Outra coisa q muitos egípcios  - e outros gringos – não entendem, é nossa maneira irônica de falar as coisas, geralmente sempre usando o contrário do que na verdade queremos dizer. Por exemplo, passo em frente ao Tietê e sinto aquele cheirinho de coisa podre e falo:

- Hummmm, que cheiro bommmmm!!!

Mostafa: – Boooom?? Você tá louca, tá fedido!!

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Coisas engraçadinhas

Algumas situações na minha vida sempre são engraçadas por conta do meu marido ser egípcio/muçulmano/gringo.

Situação nada a ver/estranha:

Uma pessoa que me conhece apenas do lado profissional se aproxima e diz:

- Nossa Marina, você viu quem está aqui essa semana? – pergunta.

- Quem?

- Aquele cara lá, seu marido deve estar feliz… – retorna.

- Mas não entendi, quem tá aqui?

- O presidente do Irã, o Ahmedinajed, seu marido tá gostando né?- falou.

- Ãhn? Não entendi… – respondo, segurando pra não responder com sinceridade.

- Ah, não tem nada a ver com ele né? – falou encabulado.

- É, nada a ver mesmo – respondi segurando a risada enquanto minha colega do lado abaixava a cabeça pra conter o riso.

***

Situação para risos:

Estamos em casa reunidos com minha família. Depois de um churrasco, decidimos jogar Master, aquele jogo de perguntas e respostas sobre assuntos diversos. Cada um vai jogar por si e Mostafa entra na brincadeira. Ele vai na categoria Esportes no começo e como as perguntas são sobre futebol, acaba conseguindo se virar bem. Eis que ele muda pra categoria cotidiano e começam a vir umas perguntas envolvendo português e coisas específicas do Brasil.

- Ah, mas eu vou trocar essa pergunta pro Mostafa, sacanagem só vem coisa relacionada a português, não é justo com ele, não vai entender. – falei para todos.

- Nãoooo, não, entrou no jogo aí é sorte, a pergunta vai ser aleatória – todo mundo respondeu, e  Mostafa só ria.

- Tá bom , mas já estou avisando que ele não vai saber responder essa aqui. – falei, a protetora do maridão.

- Marina, pergunta logo!!! – falou Mostafa pra mim já bravo :-d

- Então vai lá, essa pergunta é muito ridícula mas vc não vai saber. “Qual é a árvore que dá maçãs?” – questionei.

No mesmo segundo, Mostafa responde: – A macieira, ué!

- Errrrrrrrrrr Marina, cala a bocaaaaaaaaa, seu marido sabe mais que você!!!! – ficaram tirando com minha cara :-)

- Eu não acredito que ele sabia. Como que você sabia isso Mostafa?? – indaguei.

- Ué, mas era muito fácil. – respondeu com o sorrisinho irônico.

***

 

Lugares que o Mostafa gosta em SP

Eu acho que no passado já fiz muitas listas do que gosto no Egito e dicas de passeio. Como me pediram essa semana para falar do Mostafa ou de alguma coisa que ele cozinha aqui, resolvi fazer uma lista de algumas coisas que ele ama em SP. Quem conhece outros egípcios ou estrangeiros aqui pode dizer se eles tem gosto em comum ou se curtem outros programas.

Hoje vou falar dele um pouco então, sem a permissão dele ahahaha Mostafa é um pouco fresco, a própria mãe dele disse na sua última visita aqui que o pouco de egícpio que ele tinha, sumiu de vez agora nesses dois anos dele no Brasil. Em personalidade eu acho que ele ainda tem muito da cultura dele e valores, é ciumento, birrento às vezes quando coloca algo na cabeça, muito apegado à religião e à família. Fora isso, esquece que o Mostafa é egípcio.

Programinhas prediletos do Mostafa:

- Alugar um filme cabeça britânico na locadora do lado de casa, ou algum filme indicado pelo vendedor, que é expert em entender o gosto dele por filmes estranhos. Ah, e detalhe, o filme tem que ser também legendado em inglês, se só tiver português  Musta não quer.

- Ir na livraria Cultura toda semana. Ele entra, vai direto pra parte de inglês e fica lá horas. Compara livros, abre todos, checa autores, pergunta pro vendedor das novas edições, etc. E pior, ai de mim se saio de perto para ver algo que me interessa. Ele quer debater comigo as coisas e tenho que ficar lá dando apoio e minha opinião sobre tudo. Depois, quando finalmente ele fala que vai comigo ver o que eu quero, já estou de saco cheio de ver livro e vamos embora eheheh

- Comida japonesa em lugar que serve shimeji e temaki de salmão grelhado. Isso mesmo, exigência dele em japonês é isso. Musta não curtia muito japonês no começo, mas é o tipo de coisa que vai te pegando aos poucos. Agora, até sushi ele come e fica depois passando mal de tanto comer peixe.

- Churrasco. Pode ser em churrascaria ou feito na casa da minha mãe, com direito a vinagrete e batata assada no carvão. Como ele ama a carne brasileira!! Mas nada de gosto egípcio, ele não come nada de gordura nem corte mal feito… exigente o menino.

- Pão francês, pão de queijo e cafézinho na padaria. Esse sim é o café da manhã deste egípcio.

Bom, estas são algumas coisas que ele adora fazer. Mostafa é muito caseiro e quer ver ele feliz é um domingo de céu azul, ele sentado com a janela da sala aberta mandando uma brisa fresca, lendo algo ou mexendo no computador, enquanto os gatinhos dormem ao lado dele. E claro, comigo do lado pentelhando, cantando, ouvindo música ou falando sem parar… e tirando fotos como essa aqui:

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Mostafa feliz

 

Ela se foi…

Muitas coisas boas aconteceram nos últimos dois meses. Para quem não sabe, minha sogra egípcia veio para o Brasil e finalmente reunimos as duas famílias que não se conheciam. Essa coisa de amor a distância causa esse tipo de problema: as famílias poucas vezes têm a chance de se conhecerem.

Internet ajuda, mas é muito diferente de ver a pessoa perto, saber como ela age, seu olhar e como ela reage às coisas que vê. Agora que tudo já passou, parece até um sonho que minha sogra esteve aqui, depois de dois anos sem nos vermos. Para ela, uma experiência de vida única, já que a chance de uma mulher da idade dela no Egito fazer uma viagem dessas é bem remota. Ainda mais para um país exótico como o Brasil (sim, Brasil é exótico para eles, afinal, que egípcio um dia imaginou vir passear no Brasil, sem antes pensar nos lugares mais óbvios tipo Europa e EUA).

Foi uma visita divertida, apesar da bagunça em casa, já que não tenho muito espaço. Ri com muitas coisas e hábitos diferentes dos egípcios, que tinha me esquecido. Mostafa nem conto mais como egípcio, porque ele faz tudo diferente e do jeito dele. Também nos divertimos com as confusões linguísticas, pois apesar da minha sogra falar inglês e ter vivido em Londres, ela não pratica muito no dia a dia e isso criava situações muito cômicas. Ela logo aprendeu a falar coisas básicas, tipo “obrigada”, “muito bonito”, “tudo bem” e “aqui”. No final agora até os contextos da novela ela já entendia, já que ela achou a qualidade dos programas daqui muito superiores aos árabes (na minha casa só tem ART internacional, uma porcariaaaaaa).

Fomos para lugares fantásticos para ela. As montanhas a caminho de Santos, a neblina. Tudo para ela era muito novo. Ver aquela floresta densa, o mar lá embaixo. E depois, para o interior, se surpreendou com o que é fazenda e o que são os fazendeiros para nós. Enquanto no Egito as propriedades rurais são pequenas e muitas vezes seus moradores simples, aqui na “Califórnia Brasileira”, região de Ribeirão Preto, ela viu o que é uma potência agrícola. Ficou depois numa cidade pequena de Minas, onde as pessoas era mais abertas que em São Paulo, onde a vida parecia correr em outro ritmo.

Em São Paulo, aproveitou as vantagens em serviços, viu que cada tipo de carne tem um nome e uma forma de ser cozida e preparada, já que no Egito os açougueiros vendem tudo como se fosse a mesma coisa e com isso dificulta o preparo certo. No supermercado, gostou dos legumes já limpos, separados e muitas vezes cortados. As possibilidades de escolha. Também riu quando viu um casal se beijando na escada rolante, quando viu o noivo da irmã a abraçando na frente do meu pai. Ficou vermelha de vergonha quando dei um selinho no Mostafa na frente da minha família, no Egito, diz, isso não poderia acontecer jamais!

E se surpreendeu a ver muita gente independente aqui, minha vó que mora sozinha em outra cidade e não depende de ninguém.  Começou a ver que ser mulher e viúva não significa que sua vida acabou, que há muito ainda a ser explorado e conhecido, apesar da cultura de seu país muitas vezes pedir o contrário. Aqui ela deixou de usar só preto, testou novas cores de lenços e roupas, viu gente de todas a cores e todos os estilos e se surpreendeu ao ver que quase ninguém se importava com o que o outro fazia. Até mesmo ela com hijab só ouviu gracejo uma vez, quando um moleque gritou “Are baba”  no meio do parque.

Aqui ela viu festas de aniversários alegres, mesmo de gente mais velha, reunindo famílias e amigos. E percebeu que ninguém ficava esperando presente, a presença já bastava.  E viu a gente dividindo as despesas na hora de pagar a conta no restaurante, coisa que no Egito seria uma grande falta de educação. Mas gostou do sistema, pois assim todos podiam sair mais vezes, o que no Egito acaba ficando proibitivo já que a educação local demanda que quem convida, pague a conta. Ou seja, convidar é um pouco difícil.

Passou mal na primeira vez que foi na churrascaria e a obrigamos a comer demais. Se surpreendeu com tantas formas que utilizamos o milho para comida. No Egito, só largam na churrasqueira e pronto. Aqui até doce fazemos! Aprendeu novas receitas e comeu mandioquinha. Não gostou muito do pão francês, queria mesmo só o pão árabe que achava no supermercado.

Além disso, ela viveu com meus gatinhos e viu como os animais são tratados aqui de forma diferente. Foi numa loja gigante só com produtos para animais e ficou completamente abismada. Dois andares de produtos só para eles, um corredor só de roupas que ela falou que daria para muitas crianças. Ao sair, estupefata, falou que os cachorros são melhor tratados aqui do que os humanos pelo governo no Egito. Mas eu lembrei ela, ao passar por uma favela, que aqui também não é muito diferente neste quesito.

Ela gostou de ver muito verde, das lojas bem arrumadas. No último dia, falou que uma das coisas que mais tinha gostado era o silêncio no trânsito. Não havia nenhum som das buzinas caóticas do Cairo ou Alexandria, tocadas a cada dois segundos mesmo sem necessidade.

Mas no fim, já sentia falta de sua casa, seu canto. É o natural, assim é a vida e no final das contas, rotina também é bom.

O grande problema desse encontro todo é que a saudade de todos ficou ainda maior. Com a distância e o tempo, ficamos apáticos e aprendemos a conviver com a perda. No reencontro, tudo se acende, memórias novas são criadas, momentos de união e fraternidade familiar voltam a existir.

E tudo se acaba rápido demais. Ela tão pequena e frágil, se despediu com lágrimas nos olhos. Foi doído ver seu corpo pequeno esperando na fila para passar no Raio-X. Olhou para trás já sorrindo e deu um último tchau, mandando beijos e balançando os braços. Cheguei a ver ela passando rapidamente perto da imigração, até que os muros do aeroporto nos separaram de uma vez. E a pior despedida é essa: quando não fazemos idéia se um novo encontro será possível.

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Mama e eu na mesquita em SP, durante o ramadã de 2009

Mostafa: As aventuras de um egípcio no Brasil

* Série de quadrinhos enviados por uma querida leitora, a Sílvia!!! Ela não se inspirou no físico do Mostafa, mas sim no que leu dele aqui! eheheeh EU AMEI!!!! Obrigada Silvia, quero maisssss eheheh  Confiram:

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A vida corre

Quando eu paro para pensar que em somente três anos eu fui para o Egito, vivi tanta coisa, voltei pra são Paulo, trabalhei tanto, mudamos de casa, viajamos para tantos lugares, conhecemos tantas pessoas, me falta até fôlego.

Aliás, a vida anda tão corrida que às vezes nem acredito que fiz tudo isso. O Egito ficou como aquela memória antiga, às vezes até parece que nem fui para lá um dia. Tudo já mudou, a experiência foi se transformando e se não fosse pelas fotos, nem acreditaria que eu conheci as pirâmides. Como já disse, minha memória não é das melhores, então todas as lembranças, com o tempo, vão ficando como lampejos de imagens, sons e cheiros daquele lugar.

Antes eu tinha uma saudade louca do Egito, de ouvir “Salam ya baladi” e ficar chorando com o Mostafa. Mas a saudade distorce os fatos, pinta a realidade de cor de rosa. Tudo que ficou longe parece mais encantador. Com o tempo e a vida estabilizando, nos tornamos mais racionais e vivemos o presente com cada vez mais intensidade. Hoje estou no ponto de que não sinto mais aquela saudade apertada do Egito. Claro, amo tudo aquilo e se pudesse, pegaria o primeiro avião para passar umas belas férias. Isso mesmo, férias, porque morar eu sei que não dá para mim. Já tentei uma vez e acredito que até mesmo o Mostafa não conseguiria fazer esse retorno.

O Brasil, bem ou mal, se mostrou um belo campo de oportunidades para nós juntos, em parceria. Não porque aqui é um mar de rosas e fácil de se vencer na vida. Mas porque aqui, pelo menos, para quem tem força de vontade e não tem medo de perder noites de sono atrás de um futuro, as coisas podem sim acontecer. No Egito é difícil até mesmo se escolher o curso de faculdade que se quer fazer ( eles usam um sistema de notas no colegial, e não tem segunda chance). Aqui tem faculdade em cada esquina e com vestibular a cada três meses. Nem todas são boas, não estou falando disso, mas existe sim um maior poder de escolha. Isso dá novas chances de ver a vida, de experimentar e voltar atrás se não gostar. No Egito, às vezes uma decisão não tem volta.

Mas esse nem é o caso do Mostafa, porque ele não gosta dos cursos oferecidos aqui na área que ele estuda. Na opinião dele, deveria haver uma opção de curso 100% em língua inglesa e já tentei explicar mil vezes que valorizamos nossa língua, que existe um tal de MEC, que um curso pode ser bom mesmo em português, mas não adianta. Para ele, neste ponto, os atrasados somos nós. Em certa parte concordo, pois diversos países europeus oferecem cursos em inglês, mesmo falando outra língua, justamente por ser um facilitar e, bem ou mal, já é uma língua universal. Não sou nacionalista ao ponto de ficar defendendo o português com unhas e dentes, para mim comunicar é o que importa, mesmo que seja com mímicas.

***

E de volta a saudade, é ela que colore nossas lembranças deixando apenas os momentos bons marcados, é ela quem descolore aquelas horas ruins, os problemas e as reclamações. Hoje consigo ver o Egito de forma menos passional, amadureci um pouco e consigo distinguir melhor tudo que passei por lá e continuo vivendo.

Foi uma experiência fantástica, que antes achava que não tinha aproveitado tanto. Para quem não me conheceu antes, quando eu estava no Egito, meu sangue fervia com várias coisas que eu via lá e não concordava, me irritava com os mínimos detalhes e demorei um bocado para me adapatar. Eu comecei a achar que o Brasil era maravilhoso, que o país era quase um primeiro mundo. Só fui me dar conta do que estava perdendo na noite antes de ir embora. Como um clique, vi como eu tinha perdido muito tempo reclamando de coisas que, na verdade, eram muito boas também.

Aí voltei para o Brasil, o oposto aconteceu. O Brasil parecia totalmente sem sal, as pessoas eram cubos de gelo perto dass egípcias calorosas que viviam me agarrando. As pessoas não falam alto como os egípcios, nem ficam grudadas como lá, perguntando os mínimos detalhes da sua vida. Fiquei chocada ao descobrir que tem muito brasileiro que só é hospitaleiro quando quer que a pessoa faça exatamente o que ele gosta, como beber algo alcoólico ou ir para a balada, o que estava totalmente fora dos nossos planos e valores. Não voltei para julgar valores brasileiros, mas vi muita coisa que antes era comum para mim, e que depois do Egito me pareceram absurdas.

Nesse comecinho, a mudança é sempre complicada, e o Egito virou aquela bola de ouro na minha cabeça, como tudo era calmo, eu tinha paz, podia usar meu hijab, sair na rua à toa de mãos dados com o Mostafa sem medo de nada. E ai de quem falasse um “a” do Egito. Tem sempre aquele brasileiro sem noção que, ao invés de perguntar sobre as coisas boas, já chega com críticas nada a ver. “Nossa, você morou no Egito, ouvi falar que lá é muito sujo, não é?”… meu, você fala isso para um egípcio que acabou de aportar no seu país? Vai ser grosso pra lá… Brasileiro adora esse tipo de comentário, às vezes fala de pobreza, ou de mulheres oprimidas, aquele blá blá blá de sempre. Porque não perguntam sobre pirâmides, é mais simpático.

Mas os dias e meses foram se passando, a vida demorou um pouco para entrar nos eixos, mas aconteceu. Mostafa, apesar da dificuldade de ter de começar do zero, até mesmo do ponto linguístico, estudava até dormir em cima dos livros, e a recompensa veio mais tarde. Como ele sempre diz para mim, Deus olha para quem se esforça. E quem sobe na vida passo a passo, consegue um futuro mais promissor. Não adianta querer chegar no Brasil com 21 anos e esperar que um bom emprego vai cair do céu, que vai ser diretor de empresa nos primeiros anos ou que todo mundo vai te respeitar profissionalemtne no começo, sem ao menos falar direito o português. A vida não é feita de contos de fadas, e não acreditamos neles, por isso todo esse período de adaptação é bem delicado.

E assim foi, no estudo diário dele, na minha busca por crescimento profissional do outro lado, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos e hoje nos consideramos felizes no Brasil. Já se foram 2 anos de Brasil, quase 3 de casamento, e parei de me iludir com bobagens sobre o Egito ou o Brasil.

Aprendi que viver comparando como sempre fiz era uma grande perca de tempo, pois são dois lugares completamente diferentes entre si e que um nunca será nem mesmo próximo do outro. Que se em um eu desperto com o Azhan, mas tropeço em lixo quando caminho, no outro passeio de carro no shopping, mas tranco bem as portas quando chego em casa. As necessidades dos egípcios e dos brasileiros são bem diferentes, por isso a forma que cada um encara a vida e a planeja, é tão diversa. E hoje agradeço por ver tudo isso de forma mais clara, para poder aproveitar toda experiência que tive em um grau mais elevado. E isso faz parte da maturidade, de crescer e ver a vida sem histeria para apenas aproveitá-la e buscar em cada segundo dela formas novas de ser feliz.

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A prova de que estive no Egito :-)

Tô com sono

Para mim a maior dificuldade no Ramadã não é ficar sem comer ou me controlar durante o dia para não fazer coisas erradas. O problema é a madrugada.

Os egípcios adoram durante este mês comer antes do período do jejum voltar, o que eles chama de soghor, sei lá como escreve. Mas isso significa panelas batendo às 3 horas da manhã na sua casa. De final de semana tranquilo, eu durmo até tarde. Mas estes dois dias que estou tendo de levantar cedo para o trabalho é complicado.. parece que só dormi das 4 hs da manhã até às 7hs eheeheh Tô quebrada!!!

Pior que nem consigo comer nessa hora, Mostafa só me trouxe água mas o sanduíche recusei… prefiro dormir do que comer, na quebra de jejum do dia seguinte eu compenso!! ehehehe

Vou ver se faço um esquema hoje, deixo as coisas já prontas de deitar assim quem quiser come sem precisar preparar nada. Interessante notar como os hábitos das pessoas podem mudar nesse período e como os egípcios criam coisas especiais para essa época. Eles são meio aficcionados pelo Ramadã, não só pelo jejum mas por todas as tradições envolvidas nele, como comer de madrugada.

Ninguém vai morrer de fome se ficar sem o lanchinho, eu mesma sempre faço jejum sem, mas para eles é como a morte se não acordarem para comer algo!! ehehehe

Outra coisa que notei mais agora é que durante o jejum as pessoas gostam de ficar mais em casa, sem fazerem esforço. Eu já levo vida normal e não estou nem aí. No sábado mesmo, o primeiro dia de jejum, levei a sogra pra 25 de março! Imaginem a muvuca, aquela gritaria e a gente andou…muitooo!

Minha mãe estava junto e precisava comprar umas coisas, então batemos perna bastante. Minha sogra tava com uma carinha meio desolada algumas horas depois, tipo “eu acho que vou morrer porque estou de jejum”…. eheheh Mas foi bom para mostrar que não é tão difícil assim e que de estômago vazio dá pra fazer muita coisa! eheheh

Ah, e o que ela achou da 25 de março? Que parece o Egito! eheheeh Falou que é igual às áreas de comércio como a Mancheya, em Alexandria. Achou tudo muitooo barato e já sabe agora onde vai comprar lembrancinhas a bom preço pra levar para os parentes do Egito quando voltar :-)

ps. meu post tá tudo misturado porque como já disse estou com sono e estou e com preguiça de refazer e escrever melhor eheheh

Mudar de país pode ser prejudicial à saúde

O título do post já resume o que quero dizer hoje. Lembra que já falei há um tempinho atrás que o meu marido é justamente sensível a um tipo de ácaro que só existe no Brasil?

Pois bem, acho que quando nos mudamos para países com clima bem diferente do nosso a nossa saúde tende a estremecer às vezes. No caso do Mostafa, o Brasil acabou deixando o corpo dele bem cansado acho, pois além da alergia, ele vive com infecção na gartante e agora até enxaqueca deu pra ter! Pior, ir no hospital aqui no Brasil não é uma coisa tão boa não.

Muita gente adora falar mal do sistema de saúde no Egito, dizem que os hospitais são bagunçados e sujos, que as pessoas até fumam lá dentro. Mas pensando bem, prefiro um médico PhD fumando do que ser atendida por esses novatos que vivo encontrando aqui no Brasil no Pronto Socorro. Afinal, a gente só vai num PS se realmente está mal, e aguentar uma espera exagerada por uma consulta pelo convênio é muito chato.

Eu sempre costumava usar um hospital São Camilo aqui em São Paulo, eles reformaram, tem chão de granito, monitor de plasma e não sei mais o que. Só que tem muito médico péssimo. Em 2007 quando caí, levaram só 10 dias para falar que eu tinha realmente fraturado o pé (sendo que na primeira vez o cara disse que era só uma torção). Minha irmã também teve caxumba esse ano e uma médica do mesmo hospital teve coragem de dizer que parecia ser caxumba o que ela tinha, mas como era sábado e não podia fazer não sei que exame, então não poderia dar um atestado pra ela, ela que voltasse segunda pra ver se era caxumba mesmo (ela foi em outro hospital e na hora fizeram o exame e constaram a doença, que já começou a ser tratada no dia). A Sheila que é a doutora que conheço, pode me falar um pouco dessa nova geração de doutorzinhos, se realmente o nível está caindo ou eu que estou tendo azar.

Pois bem, no Brasil é tudo muito bonito e arrumadinho em alguns hospitais, mas a qualidade de atendimento é muito baixa. Estou falando tudo isso pois ontem fui no hospital de novo com o sr. Mostafa (dessa vez um hospital referência!) , e simplesmente deixavam as pessoas com suspeita de gripe suína tudo tossindo perto dos outros, só usando umas máscaras meia boca. Além disso, nos éramos a quarta pessoa a ser chamada, e porque tinha uma mudança de turno esperamos 2 horas de pé para sermos chamados. Ou seja, se a pessoa chega doente, sai bem pior, não é? Nesta primeira triagem até tinha lugar para sentar, mas tinha tanta gente tossindo e com máscara que eu nem me arrisquei a ficar perto ehehe Acho que essa coisa de gripe é muita histeria, mas não vou arriscar!

Bom, só sei que entre ser atendida, Mostafa ser medicado e tomar soro, saí do hospital depois de quase quatro horas. Uma aventura em plena segunda. E tudo isso em hospital privado, fico com pena de quem depende do público. Neste hospital os médicos são muito bons, mas é uma desorganização, sujeira nos banheiros e corredores, que até queria que quem fica falando dos hospitais egípcios desse uma olhada antes.

Agora falando do Egito: eu pessoalmente nunca fui num hospital por lá, mas sei que os profissionais são muito bem preprados. Até no blog da Tete ela falou esta semana sobre um dos médicos egípcios mais famosos, especialista em operações cardíacas.

Eu só fiquei doente uma vez por lá, até por causa do título deste post: não estava preparada para umas bacteriazinhas faraônicas. Dizem que é um pouco comum estrangeiros mais cedo ou mais tarde pegarem uma infecção intestinal, o que te garante boas horas no banheiro e muitas dores.

A vantagem é que no Egito as pessoas são muito unidas e solidárias. Como no meu prédio havia um médico eu nem precisei de casa para ser atendida. Ele mesmo já checou os sintomas e medicou de casa mesmo. Tomei duas injeções doloridas e no dia seguinte já estava bem melhor. Sei que muitos gringos ficam doentes assim, então se acontecer com você no Egitão não se preocupe. Não é o fato de beber água mineral que vai te salvar disso, pois eu nunca tomei água de torneira, é realmente a falta de alguns anticorpos que devemos ter, assim como os egípcios aqui podem ficar doentes com coisas que para nós é normal.Mas outro grande ponto positivo por lá é que os preços dos remédios são muito mais baratos!! Engraçado que quase todos os medicamentos lá são importados da Europa, mas chegam a custar 3 vezes menos que um mesmo produzido e vendido no Brasil.

***

Bom, mas que post tenebroso hein, falar de doença, remédio.. sai pra lá, que quero mais é saúdeeeeeeeeeeee! Mas acho legal pra quem fica se perguntando das diferenças nos sistema de saúde entre os dois países.

ps.

antes que mais alguém venha dizer que só meti o pau na saúde brasileira, ressalto que no post não falei que todos os médicos são assim, citei os novatos que encontramos nos  PS de alguns hospitais de SP, só isso!!  E como vamos mudar se não reclamar? Já fiz duas reclamações formais para o são camilo, por exemplo, e não deram em nada, mas acho melhor do que ficar sempre se sujeitando a tratamentos ruins. E reitero, onde que disse que no Brasil só tem médico despreparado…. Mas só como me falaram que fico falando mal do Brasil, quero deixar uma coisa mais clara, que talvez não tenha expressado direito: moro aqui e escolhi o Brasil porque com certeza acho melhor para se viver do que o Egito, mas isso não me impede de reclamar das coisas ou mostrar indignação em certos momentos. :-)

Existe receita pra casamento dar certo?

Vocês acham que existe uma fórmula mágica que faça um casamento ou relacionamento durar? Eu não sei, ainda mais quando se trata do meu caso, casamento com gringo de cultura totalmente diferente, acho difícil passar receita de felicidade como se fosse receita de bolo. Claro que alguns fatores ajudam, como a personalidade dos dois, no meu caso a religião também tem forte influência, assim como nosso estilo de vida que é bem complementar.

Mas saiu hoje uma reportagem na Folha Online sobre um estudo:

Estudo identifica razões para longevidade de casamentos

Viver feliz para sempre não acontece apenas em contos de fadas. Pesquisadores australianos identificaram o que faz com que um casal fique junto –e é mais do que, essencialmente, amor.

A idade de um casal, relacionamentos prévios e comparações como se você fuma ou não são fatores que influenciam o final de um casamento, de acordo com um estudo feito pela Universidade Australiana Nacional.

O estudo investigou por volta de 2.500 casais –casados ou vivendo juntos– de 2001 a 2007, a fim de identificar fatores associados com o que os faz ficaram juntos, comparado com o que leva ao divórcio ou separação.

Maridos que são nove anos mais velhos que as respectivas mulheres são duas vezes mais propícios ao divórcio, do que aqueles que casaram antes de o casal completar 25 anos.

Crianças também influenciam na longevidade de um casamento ou relacionamento: um entre cinco casais (ou 1,8%) que tiveram crianças antes do casamento –seja de um relacionamento prévio ou do mesmo relacionamento– se separam, comparados com 9% dos casais sem crianças nascidas antes do casamento.

Mulheres que desejam crianças muito mais do que seus parceiros também são mais propensas ao divórcio.

Parceiros que estão no segundo ou terceiro casamento têm 90% a mais de chances quanto à separação do que parceiros que estão em um primeiro casamento.

Não surpreendentemente, dinheiro também conta: 16% dos pesquisados que indicaram serem pobres, ou onde o marido –não a mulher– estava desempregado disseram que se separaram, comparado com apenas 9% dos casais bem financeiramente.

Casais nos quais um parceiro fumava e o outro não também eram mais propensos a dissolverem seus relacionamentos.

Viver feliz para sempre não acontece apenas em contos de fadas. Pesquisadores australianos identificaram o que faz com que um casal fique junto –e é mais do que, essencialmente, amor.

A idade de um casal, relacionamentos prévios e comparações como se você fuma ou não são fatores que influenciam o final de um casamento, de acordo com um estudo feito pela Universidade Australiana Nacional.

O estudo investigou por volta de 2.500 casais –casados ou vivendo juntos– de 2001 a 2007, a fim de identificar fatores associados com o que os faz ficaram juntos, comparado com o que leva ao divórcio ou separação.

Maridos que são nove anos mais velhos que as respectivas mulheres são duas vezes mais propícios ao divórcio, do que aqueles que casaram antes de o casal completar 25 anos.

Crianças também influenciam na longevidade de um casamento ou relacionamento: um entre cinco casais (ou 1,8%) que tiveram crianças antes do casamento –seja de um relacionamento prévio ou do mesmo relacionamento– se separam, comparados com 9% dos casais sem crianças nascidas antes do casamento.

Mulheres que desejam crianças muito mais do que seus parceiros também são mais propensas ao divórcio.

Parceiros que estão no segundo ou terceiro casamento têm 90% a mais de chances quanto à separação do que parceiros que estão em um primeiro casamento.

Não surpreendentemente, dinheiro também conta: 16% dos pesquisados que indicaram serem pobres, ou onde o marido –não a mulher– estava desempregado disseram que se separaram, comparado com apenas 9% dos casais bem financeiramente.

Casais nos quais um parceiro fumava e o outro não também eram mais propensos a dissolverem seus relacionamentos.

***

Bom, no meu caso o Mostafa fuma e eu ODEIOOO cigarro. Mas nos toleramos bem e não vai haver divórcio por isso ehehehehe

Será que estudos assim dizem, afinal, muita coisa?

Egípcio no Brasil – parte 2

Aprendizados recentes do Mostafa:

- Rumo a Tóquio!! (frase que ele aprendeu do novo ídolo brasileiro dele, conhecem?)

- É fácil não pegar gripe suína, é só ficar longe desse monte de presunto que tem aqui no Brasil! (pra ele até inventar maluquices dessa vale pra ficar longe do porco)

- To pagandooooo… (não, ele não vê Zorra Total, mas alguém ensinou essa bendita frase pra ele, que ele adora usar nas situações mais bizarras).

Por enquanto é isso, tá difícil de ele pagar mais tantos micos quanto antigamente…

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