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ONU condena difamação religiosa

Foi aprovada ontem uma resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU)  que condena a difamação religiosa e passa a considerar o ato como uma violação aos direitos humanos. Com isso, eles também pedem que os governos de cada país adotem leis protegendo as religiões de ataques.

Leia um pouco mais sobre isso do noticiário publicado no Estadão hoje:

“O Brasil optou pela abstenção, às vésperas da cúpula entre países árabes e sul-americanos, que ocorre no início da semana que vem em Doha.

A resolução havia sido proposta pelos países islâmicos, que há dois anos trabalham pela aprovação de decisões na ONU para proteger a religião. Para os países ocidentais, as religiões não seriam cobertas por tratados internacionais de direitos humanos. Apenas o indivíduo teria esses benefícios.

Mesmo assim, a resolução ontem acabou sendo aprovada por 23 votos a favor e 11 contra, em um conselho formado por 47 países. O documento pede que governos em todo o mundo adotem leis protegendo as religiões contra críticas. A proposta foi apresentada pelo Paquistão, copatrocinada pela Venezuela. Entre os países que votaram a favor estavam africanos, islâmicos, Cuba e Venezuela.

A Europa votou contra a resolução, alegando que a medida poderia abrir espaço para censura, ferindo a liberdade de expressão e de imprensa. Há dois anos, protestos se proliferaram no mundo islâmico contra caricaturas divulgadas em um jornal dinamarquês, com imagens de Maomé. As caricaturas foram consideradas ofensivas pelos países islâmicos.

A diplomacia brasileira tem a mesma visão dos europeus, alegando que não são religiões que devem ser protegidas, mas indivíduos. O Brasil deixou claro que não votaria a favor da resolução sugerida pelos países do Oriente Médio. Mas o Itamaraty evitou votar contra a medida e hoje explicará sua posição. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à Doha para a cúpula com os países árabes. Argentina e Uruguai também se abstiveram. Chile e Canadá votaram contra.”

***

O direito a serem respeitados por suas crenças é uma luta que vem sendo travada pelos muçulmanos desde os ataques de 11 de setembro. Desde então, a religião tem sido associada a crimes, fanatismo e mortes em nome de Deus. Cansei de ver filmes falando disso, como ontem estava assistindo a um chamado “Rede de Mentiras” com o Leo DiCaprio, mostrando povo rezando e se explodindo. Não cheguei a terminar de ver se no fim mostrariam as forças políticas e econômicas por traz deste tipo de manipulação da religião. Não dá para aceitar, nem entender, uma pessoa em sã consciência se explodindo para ir para o Paraíso. É incoerente com os ensinamentos do Islã, que inclusive proíbe o suicídio.

Bom, mas voltando à resolução da ONU. Acho extremamente válido sim, ofensas à religião serem consideradas crimes contra a humanidade. As caricaturas de Maomé podem ser engraçadinhas para quem não entende a cultura islâmica e nosso horror por qualquer tipo de figuração ou interpetração de traços do profeta Mohammed.

Só acho que também, do modo que as leis e justiça são aplicadas no nosso mundo, é um pouco complicado blindar totalmente os líderes religiosos. Acho que as pessoas – sejam sheiks, rabinos, bispos, pastores, etc – podem ser sim criticados pela forma que apresentam certos dogmas, pois são seres humanos e podem cometer erros. As religiões e a liberdade de culto merecem ser respeitadas, mas não dá pra encobrir também erros por conta disso.

Acho muito polêmica esta resolução da ONU. Ao mesmo tempo que ela pode defender certos direitos, não pode ser usada para encobrir também falhas. Agora vamos ver como cada país vai aplicar esta resolução. Duvido que os ocidentais a sigam.

9 comments março 27, 2009

Minha vida no Egito

Semana passada respondi algumas perguntas para ajudar um trabalho de faculdade. Achei as perguntas bem interessantes e gostaria de compartilhar com vocês pouco a pouco, até porque alguns detalhes, como porque voltei para o Brasil, nunca contei para vocês. Podem comentar as respostas e debater, se não concordarem com algo. :-)

1 – Você viveu no Egito por quase um ano, como foi o processo de adaptação? Sofreu com preconceito de alguma natureza?

Cheguei ao Egito em janeiro de 2007 e retornei ao Brasil no final de agosto do mesmo ano. Na época, eu era repórter de economia de um grande jornal, e foi um choque para muita gente entender porque eu estava largando a carreira e indo para um país onde a cultura era tão diferente. Pois bem, conheci meu atual marido na internet e ao me basear em muito estudo sobre a cultura, conversas com ele e a família, achei que era a hora de dar um rumo diferente para minha vida e pedi demissão.

Ao chegar no Egito, nos casamos legalmente conforme os preceitos legais e religiosos do país. Eu me converti para o islamismo por decisão própria, até porque os muçulmanos podem se casar com cristãs e judias.

A minha adaptação teve pontos bons e ruins. O povo egípcio é extremamente caloroso e receptivo, pelo menos na camada social em que eu estava inserida todos se sentiam muito orgulhosos de me ter como amiga ou parte da família, principalmente porque adquiri quase todos os hábitos de um egípcia comum, como usar o véu para cobrir os cabelos e praticar a religião. Eu vivi em Alexandria, uma cidade diferente do Cairo – onde o número de turistas e estrangeiros é bem grande -, por isso talvez a recepção tenha tido tão calorosa. Mesmo no trem ou no táxi, quando descobriam que eu era brasileira e muçulmana, gritavam de alegria “Masha Allah”, que significa algo belo diante de Deus, e quase nunca me deixavam pagar por nada. Nas lojas de doces, eu podia entrar e comer o quanto quisesse, que os vendedores disputavam para ver quem me dava mais coisas. Me virei muito bem, andava sozinha nas ruas e nunca tive problema algum, muito pelo contrário.

Porém, do ponto de vista profissional, foi uma catástrofe. Primeiro porque eu estava acostuma a ir somente em reuniões importantes, a almoçar com presidentes e executivos de alto escalão para realizar minhas reportagens, o que eu escrevia podia mudar o rumo de uma empresa, muitas vezes. Ao chegar no Egito, não pude ser jornalista e muito menos ocupar um cargo com esta importância, até porque eu não falava árabe e o jornalismo por lá ainda é um capítulo a parte – pouco profissionalizado -, sem contar que é uma área dominada por homens ainda. Só sei que fui em duas entrevistas de emprego e queriam que eu tirasse o véu para trabalhar, mesmo estando num país islâmico. Queriam contratar uma estrangeira com “cara” de estrangeira. O único trabalho que consegui dentro do que considerei aceitável para mim foi dar aulas de inglês. Não desmerecendo os professores, porque meu salário até que era muito bom dentro dos padrões egípcios, mas não fiquei satisfeita.

Além disso, o Egito tem diversos problemas sociais, o preço dos alimentos é muito alto e não se pode sonhar em construir muita coisa por lá devido à falta de crédito e direitos trabalhistas. Conversamos muito e decidimos voltar para o Brasil, até porque eu já estava muito frustrada profissionalmente e isso começou a atrapalhar diversos aspectos da minha vida, até mesmo social.

Nunca sofri nenhum tipo de preconceito, muito pelo contrário, sempre fui tratada como rainha por lá. Mas sei de brasileiras que se casaram sem analisar bem a situação social e cultural dos maridos e sofreram muito no Egito.

2 – Quais as principais diferenças entre o Egito e o Brasil?

A diferença mais gritante é a religiosidade das pessoas. No Egito existem cristãos e muçulmanos, mas cada qual segue fielmente seu credo. Por isso, a moral e respeito são pontos bem marcantes da sociedade, além de que o respeito a família e tradições também são levados em conta no dia a dia. Eu achei isso muito bonito, lá mesmos os filhos mais velhos e casados obedecem fielmente o que os pais mandam por respeito, não existem adolescentes grávidas, porque os casais esperam o casamento para tal; não existe violência e a segurança está em todos os cantos, porque é moralmente terrível você ser acusado de um crime. Um ladrão lá, sabe que não terá o apoio da família, que ficará anos amargando na prisão se fizer algo errado, pois a justiça lá também é bem ferrenha.

Em contrapartida, o Egito é uma ditadura atualmente governada por Hosny Mubarak há mais de 25 anos, o que leva a uma série de problemas, como falta de liberdade de expressão, corrupção elevada em diversas esferas governamentais e falta de leis certas que definam as coisas, como leis trabalhistas, que não existem no Egito. O preço dos alimentos é muito caro e o governo subsidia algumas coisas, como o pão, mas mesmo assim o acesso é precário e as condições de saneamento nem sempre adequeadas.

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Barraca de frutas na rua - alto índice de informalidade

3 – De forma geral, como é a sociedade [ou povo] egípcia?

É um povo que gosta de tradição, mas ao mesmo tempo muito alegre e caloroso. São muito abertos para receber estrangeiros que gostam da cultura deles, mas também um pouco preconceituosos se você não se porta da forma que eles moralmente acreditam ser certa. Os egípcios valorizam muito sua relação com Deus, o chamado para oração é ouvido nas ruas 5 vezes por dia e você vê pessoas rezando em todos os cantos. A família também é prioridade, por isso um dos eventos sociais mais importantes para eles é o casamento, feito com muita festa e música.

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Vendedora de um mercadinho - ela gostou de mim :-)

…. continua…..

7 comments março 24, 2009

Resposta ao Feminismo

Não sei porque, mas meu blog foi parar numa comunidade do Orkut sobre feministas, em um tópico discorrendo sobre casamento com muçulmanos. Acho legal sempre debater as diversas visões das pessoas sobre o mundo, mas algumas coisas ainda me chocam demais: primeiro é ouvir pessoas dizendo que odeiam o estilo de vida islâmico (sendo que, com certeza, nem fazem idéia do que isso seja), segundo, afirmando que a mulher muçulmana é oprimida e tem menos  direitos perante o homem.

Para começar, os direitos das mulheres muçulmanas não precisa vir de uma ordem do homem. Nem precisamos lutar por isso, pois Deus mesmo já determinou. Não precisamos brigar na justiça pelos direitos ou queimar sutiã em praça pública. Tá bom, você vai vir para mim com aquelas fotos de mulheres no Afeganistão sendo apedrejadas, ou falando as histórias assombrosas daquele livro de ficção bobo chamado “Sultana” – escrito por uma americana, diga-se de passagem.

Agora vamos partir para os direitos acolhidos pelo Alcorão, que já existem há 14 séculos: a mulher muçulmana é obrigada a adquirir conhecimento, ela tem direito de pedir o divórcio, ela pode sim escolher seu parceiro e negar um casamento arranjado, não precisa adotar o nome do marido ao se casar (eu mesma não tirei o nome do meu pai, coisa que muita brasileira faz). A mulher muçulmana tem direito ao dote ao se casar e usa dele como quiser, sem dividir se não desejar, assim como o dinheiro do seu trabalho ela também não precisa dividir, pois a obrigação de sustentar a casa é do marido. Além disso, a mulher muçulmana tem direito a voto 1 para 1 e possui direito a herança como filha, como esposa, como irmã, como mãe. Vejam há quanto no Ocidente lutam para isso, não é?

Tudo que vocês vêem ao contrário disso em países islâmicos ou nos livros do estilo “Livreiro de Cabul”, na verdade, não faz parte da tradição islâmica, mas sim cultural e política daquela região. Ou ainda acreditam que um Talibã mata dizendo ser por Deus, e não por anseios de poder e recompensa material? É ingenuidade demais julgar uma religião desta forma.

Segundo, falar desta forma sobre o estilo de vida islâmico, é a mesma coisa que dizer que toda brasileira mostra a bunda e rebola no carnaval. O que um grupo de pessoas de um país faz (mesmo que seja a maioria) não é necessariamente o que todos que fazem parte daquele país tem como valor moral ou parâmetro de vida. Nem todos seguem as regras certas, ou não teríamos tantos traficantes soltos por aí, não é? As pessoas são diferentes, assim como eu não estou aqui para catequizar ninguém, muito menos ficar falando que todos devem se converter (pois é decisão sua com Deus), também não admito que me chamem de oprimida ou submissa.

Para mim, maior violência contra as mulheres é uma imposição social de como devo me vestir ou agir, de não acreditarem que sou livre sim, e feliz com as escolhas de vida que eu tive.

“Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos consagrados e às consagradas, aos verazes e às verazes, aos perseverantes e às perseverantes, aos humildes e às humildes, aos caritativos e às caritativas, aos jejuadores e às jejuadoras, aos recatados e às recatadas, aos que se recordam muito de Deus e às que se recordam d’Ele, saibam que Deus lhes tem destinado a indulgência e uma magnífica recompensa.” (33 Surata, versículo 35)

“As divorciadas aguardarão três menstruações e, se crêem em Deus e no Dia do Juízo Final, não deverão ocultar o que Deus criou em suas entranhas. E seus esposos têm mais direito de as readmitir, se desejarem a reconciliação, porque elas têm direitos equivalentes aos seus deveres, embora os homens tenham um grau sobre elas, porquanto Deus é Poderoso, Prudentíssimo.” (2 Surata, versículo 228 )

Explicando: as menstruações são citadas porque, caso a mulher esteja grávida, o marido não pode deixar de ter esta responsabilidade e de reconhecer o filho, mais uma garantia para a mulher, que não precisa ficar em tribunal se ajoelhando para receber uma pensão alimentícia. Na frase  ” embora os homens tenham um grau sobre elas “, Deus não está falando que o home é superio em iteliência ou melhor que a mulher, mas sim da responsabilidade de manutenção financeira do lar, mesmo que a mulher trabalhe.  O homem tem um grau a mais na responsabilidade, na obrigação. (Também não me venham dizer que há interpretações sobre isso, porque quem estuda islamismo está cansado de saber disso, mas aí vem os “contra” pegando frases curtas do Alcorão e colocando em contextos totalmente controversos, sem nunca terem se aprofundado no livro ou na Sunnah, para entender o que foi dito).

“Ó humanos, temei o vosso Senhor que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres.” (4ª Surata, Nissa, versículo 1)

”Entre os Seus sinais está o de haver-vos criado companheiras da vossa mesma espécie, para que com ela convivais; e colocou amor e piedade entre vós. Pôr certo que nisto há sinais para os sensatos.” (30ª Surata, Ar Rum, versículo 21)

”O crente mais íntegro é aquele que demonstra melhor caráter e de melhor moralidade. E o melhor dentre vós é aquele que melhor trata a sua mulher, e o que é melhor para com a sua mulher.” (narrado por Abu Huraira)

” Quando a alguns deles é anunciado o nascimento de uma filha, o seu semblante se entristece e fica angustiado. Oculta-se de seu povo, pela má notícia que lhe foi anunciada: deixar-la-á viver, ou a enterrará viva? Que péssimo é o que julgam!” (16ª Surata, An Nahl, versículo 58 e 59) - Aqui mais uma vez condenando os costumes tribais de alguns povos árabes.

“Aos filhos varões corresponde uma parte do que tenham deixado os seus pais e parentes. Às mulheres, também corresponde uma parte do que tenham deixado os pais e parentes, quer seja exígua ou vasta, uma quantia obrigatória.” (4ª Surata, An Nissá, versículo 7)

”Em verdade, aqueles que difamarem as mulheres castas, inocentes e fiéis, serão malditos, neste e no outro, e sofrerão um severo castigo. Dia virá em que suas línguas suas mãos e seus pés testemunharam contra eles, pelo que houverem cometido. Nesse dia Deus os recompensará pelo que merecerem, e então saberão que Deus é a Verdade Manifesta.” (24ª An Nur: 23 ao 25)

16 comments fevereiro 13, 2009

Comemorações para Darwin?

Hoje em tudo quanto é jornal estão falando de Darwin. Faz 200 anos que o biólogo que criou a teoria da seleção natural nasceu.

Para os egípcios e muçulmanos do mundo todo, no entanto, nada do que ele escreveu deve servir de base para aprendizado sobre o nosso mundo e de onde viemos. A base de nossa criação está em Deus e devemos seguir o que está no Alcorão.

Eu não sou expert no assunto, estou falando disso só para conhecimento de vocês sobre este debate, pois a maioria dos brasileiros cresce achando que Darwin solucionou todos os questionamentos da humanidade quando, na verdade, ainda muita gente não acredita que as respostas sobre nossa origem vem da ciência humana.

Alguns trechos sobre isso:

A Teoria da Evolução, conforme proposta por Darwin e incrementada pelas percepções derivadas da genética, é censurável do ponto de vista muçulmano porque eleva o “acaso” à condição de divindade. Um exemplo disto está resumido no título do livro de Richard Dawson, “The Blind Watchmaker“. Em “The Meaning of Evolution“, George Gaylor Simpson repete o dogma “oficial” da sociedade científica contemporânea: “O homem é o resultado de um processo natural e não intencional”.

Numa conferência de biólogos evolucionistas e matemáticos, estes enfureceram os biólogos ao assinalarem que não havia tempo suficiente no universo para que a vida tivesse evoluído por acaso. A analogia dada por um cientista crítico da teoria é a de um tornado passando por um ferro velho e deixando em seu rastro um avião de combate montado.

Os defensores do acaso cego como uma força criativa também têm uma grande dificuldade em lidar com a questão “galinha e ovo”, associada com o desenvolvimento paralelo do DNA e os mecanismos para traduzir esta informação em proteínas reais. Consideremos um CD codificado digitalmente com uma canção. Para convertermos aquela informação em música, precisamos de um equipamento eletrônico sofisticado. Se não o tivermos, o CD nada mais é do que um ornamento suspenso em seu espelho retrovisor. Da mesma forma, a informação codificada no DNA é inútil sem a sofisticada máquina celular que lê e  converte nas proteínas necessárias para o funcionamento do corpo. Como este sistema de informação e esta maquinaria decodificadora evoluíram independentemente por acaso?

Leia mais aqui, aqui e aqui. Pode mandar bala nos comenetários também…

4 comments fevereiro 12, 2009

A conversão para o Islã

Baseado na pergunta da Susan, que postou no tópico abaixo, acho que vale a pena responder as perguntas dela e mostrar um pouco do que é a conversão,  ou como melhor definimos, reversão ao Islã.

Quem conhece algum muçulmano sempre acaba parando neste tema. A cultura é muito diferente, os costumes, e a religião é algo muito vivo nas pessoas muçulmanas. Diferente do que acontece por aqui no Brasil, um muçulmano por mais que não siga exatamente tudo o que deva fazer, protege sua religião com unhas e dentes e tem orgulho dela.

Para se casar com um muçulmano (seja ele árabe ou não) você não é obrigada a se converter também. Primeiro porque se converter por alguém é a coisa mais ridículo que alguém pode fazer na vida. Ninguém pode te obrigar a isso. Pois religião é fé, crença, ligação com Deus. Você mentir para seu marido é uma coisa, agora mentir para Deus, é possível? Reflitam bem sobre isso.

É permitido na religião muçulmana que o homem se case com uma mulher cristã ou judia, mas os filhos nascidos desde casamento terão de ser muçulmanos.  Ou seja, se você quer ir em frente, se prepare que não existe esta de “meu filho vai escolher” ou “vamos ensinar os dois”. Provavelmente seu marido nunca vai permitir isso, e vocês terão uma relação conturbada pelo resto da vida se você não aceitar este fato.

E não só por este ponto, mas você precisa avaliar bem se está disposta a atender muitas outras coisas, caso não seja muçulmana. Primeiro, se for para o Egito, terá de se adaptar muito a diversas coisas, como as vestimentas e forma de se portar. Mesmo não seguindo a religião, lá isto é um fator muito importante para a vida, e você não poderá achar que pode agir ou fazer tudo o que quer, como seria no Brasil. Ou seja, não vai pegar bem se você ficar saindo de decote, se quiser beber cerveja em casa, etc. Além disso, o marido muçulmano é extremamente protetor, o que algumas mulheres costumam achar machismo. Leia bastante sobre a religião para ver se está disposta a ter esta proteção com você ou tudo isso vai te encher o saco.

Fora isso, se seu marido for realmente religioso, vai ser praticamente impossível uma relação sem turbulências. Os muçulmanos não acreditam em Jesus como filho de Deus e isto já pode ser o ponto de partida para a falta de diálogo. Acredito que se os dois seguirem estritamente seus credos, é muito difícil esta relação. Sei que no Brasil é tudo uma festa e bagunça e religião não influi na escolha do marido, mas é porque as pessoasaqui acabam sendo não praticantes da religião, o que gera esta falsa sensação de que aqui tudo pode. Então, se você não liga de parar de comemorar Natal e Páscoa, vá em frente. (Pense: no Natal, você não vai poder pedir para seu marido te acompanhar, ok?)

Fora isso, os muçulmanos não comem carne de porco de jeito nenhum e nem bebem (os que bebem, me desculpem, mas é melhor vocês ficarem bem loooongeeeee). Ou seja, você realmente vai ter o cuidado de checar toda a comida dele, a todo momento, para ver se ele pode? Você vai ter a paciência de, a cada vez que for convidada para um almoço de amigos ou família, avisar que seu marido não consome nada de porco, e que nem o feijão pode ter bacon (e não adianta dizer que tira o bacon, não pode ser cozido com ele)?

Tem certeza que será realmente sincera com seu marido? Se for a um churrasco em que as pessoas gostam da famosa cervejinha, como seu marido se sairá se ele não bebe? Você vai parar de ir neste tipo de festa por ele? Vai responder o quê quando disserem que é “besteira dele” ou que seu marido é o “Bin Laden”?

Bom, estes são os principais recados que eu gostaria de dar para quem pensa em se casar mas não gosta da religião islâmica. É preciso racionalizar esta decisão e eu lancei as perguntas, agora reflita com você mesmo as atitudes que você está disposta a tomar.

Bom, agora o outro lado da questão. Você se encantou pela religião, acha lindoooo aqueles véus e seu pretendente e quer se converter.

Primeiro, a conversão não é questão de querer. Mas sim se “ser”. O Islã diferente de outros credos principalmente por envolver um modo de vida que inclui não só a parte religiosa, mas todos os seus atos como pessoa. No Islã, além do que está no Alcorão, existe algo chamado Sunnah, que é a forma como o profeta Mohammed vivia e que deve ser seguida. Isso envolve até mesmo a forma que você recebe uma visita, trata sua família e se alimenta.

A mulher muçulmana não usa véu para ficar charmosa. Ela usa para ser casta e se preservar. Ou seja, não adianta colocar um véu e se encher de maquiagem, fazem aquele olho puxado da “Jade”. Isso é só estética, você deve se tornar muçulmana pelo código de vida que deseja seguir.

A partir do momento que você se converte, seu passado é deletado. Como a Susan perguntou, não importa se você já foi casada, se fez coisas erradas, se bebia ou se fez tudo que o Islã condena. Como gosto de ilustrar, a benção da conversão vai além. Deus te enxergará como um livro em branco, em que toda a história passa a ser escrita a partir daquele momento. Você será como um bebê que acabou de nascer, e todos seus pecados anteriores deletados. Tudo começa a ser computado a partir da sua conversão, seus bons e maus atos também passam a ter um valor diante de julgamente de Deus, porque neste momento você terá consciência do que é certo ou errado.

Então, antes de pensar na cor de véu que quer usar, pense na base da religião que vai seguir. Primeiro, para ser um muçulmano, você deve saber a profissão de fé e crer profundamente nela:

“Eu só creio em um Deus, e somente Nele. E creio que Mohamed é seu profeta”.

Isso signigica que você é monoteísta, que somente Deus – Allah em árabe – é para quem toda sua devoção é dedicada. Ou seja, esqueça a visão de Jesus como Deus, esqueça os horoscopos, esqueça o espiritismo e etc.  Além disso, você vai precisar estudar sobre esta pessoa maravilhosa, que é o profeta Mohamed. Saber a história dele e entender a importância dele para os muçulmanos. E também precisa entender que Mohamed não é Deus, ele é um profeta, assim como Jesus. Um ser humano.

Depois de ler tudo sobre o profeta, você vai partir para um passo importante. Que é saber orar. A oração do muçulmano deve ser feita 5 vezes por dia e em árabe. Não é fácil e você no começo vai precisar ser perseverante até entender tudo e aprender o árabe. Você não precisa saber saber orar antes de se converter (esta parte alterei conforme as dicas da Pri, pois eu adiantei alguns passos), mas precisa se focar nisso logo após a conversão, mesmo sendo difícil para quem não fala em árabe.

Então é isso que eu gostaria de dizer para quem pensa na conversão. Entenda bem a profissão de fé a aprenda a orar. A partir daí, você vai começar a saber todo o resto (que é muitaaaa coisa).

12 comments janeiro 22, 2009

Beleza islâmica

É claro que quando se fala em Egito, lembramos dos faraós, pirâmides e da arquitetura daquela época. Mas quando pensamos no Egito atual, vemos que é um país muçulmano. Como aconteceu esta transição tão radical? É um assunto para várias aulas de história, mas a idéia do post é mostrar coisas legais que a chegada do Islã ao país também trouxe.

Em Alexandria, um dos grandes marcos da presença muçulmana que gostaria de apresentar para vocês é o castelo de Qaitbay (tem várias formas de escrever e não sei qual é a certa). Ele fica bem em frente ao mar e é ponto certo para os turistas.

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Visto de frente

Achei o lugar bem conservado em comparação a outros monumentos e se você pegar um dia de sol terá vistas lindas. As paredes grossas impressionam e existem diversas curiosidades envolvendo o local, como frestas que facilitam a ventilação – assim, mesmo sendo um lugar fechadão, você sempre sente um ar fresco por lá.Apesar de ser tudo de pedra e sem afrescos, me encantei pela arquitetura e vi beleza em tudo, inclusive na mesquita construída dentro do castelo.

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Uma espécie de cúpula da mesquita

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Piso da mesquita

As janelas de ferro também sempre presenteiam os visitantes com belas vistas.

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A vista das janelas impressiona

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Paisagem de outra janela (esta sem grades)

Diz a lenda que esta fortaleza foi construída sobre as ruínas do antigo farol de Alexandria, que era uma das sete maravilhas do mundo.

***
Agora uma coisa que me chamou a atenção neste castelo foi a presença de muitos egípcios fazendo coisas ‘escondidas’. Era engraçado, mas a cada canto eu via casais jovens de egípcios sentados conversando na maior paz. Como o país e a cultura repreende muito os namoros antes do casamento, acho que o castelo era um dos locais mais procurados para aqueles que queriam dar uma escapinha em paz, já que só turistas vão até lá, não os egípcios mesmo. Mas não pensem que vocês vão ver egípcios se beijando não, eles só estão ali para conversar sozinhos mesmo, o que muitas vezes não podem fazer em público entre os egípcios.

3 comments novembro 24, 2008


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POSTS PRA TIRAR DÚVIDAS MAIS COMUNS

Conversão para o islamismo - por amor ao habiby ou por fé?:

http://egitoebrasil.com/2009/04/29/conversao-por-amor/


Eu namoro um egípcio, e agora? :
http://egitoebrasil.com/2009/06/10/brasileiras-namorando-egipcios/

Costumes do casamento egípcios, por uma egípcia:
http://egitoebrasil.com/2009/06/05/a-familia-no-casamento-egipcio/

Quero saber mais sobre o Islã (leia todos estes posts):
http://egitoebrasil.com/tag/isla/

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