Arquivos do Blog

Filhos

Após cinco anos de casada, é normal que as perguntas sobre a futura prole comecem a aumentar cada vez mais. No Egito, o povo já deve até pensar que algum de nós tem problemas, porque para eles é quase inconcebível um casal ficar junto e não pensar automaticamente em aumentar a família, pois filhos são considerados o maior laço que os noivos podem ter. É algo sagrado, quase que essencial para completar a união. Só que apesar dessa vontade – e necessidade – tão grande que elas têm de engravidar, são poucas que analisam essa decisão de forma um pouco mais racional. É bem raro elas lerem algum blog sobre gravidez ou mergulhar em livros sobre os detalhes dos meses da gestação, ficaram feito doidas nas compras para o enchoval ou verem Discovery Home & Health freneticamente atrás de detalhes – até demais – do momento do parto.

Pela experiência que tive com grávidas egípcias, apesar do entusiasmo de engravidar logo de cara, quando isso acontece é visto como algo quase banal, cotidiano, que não exige delas todo essa corrida por informações desesperadas. Tudo que elas precisam é saber se a mãe vai ficar com elas nas primeiras semanas, para justamente ensinar como trocar a fralda ou dar banho. Elas não precisam ler porque sabem que vão ter um monte de parente em cima pra falar tudo depois.

Mas quando a gente fala de gravidez aqui no Brasil, ainda mais depois de tanto tempo casada, a coisa toma outra forma. Eu sempre pensei assim, nossa, eu não tenho tempo para ter filhos. Como vou me virar diante da minha rotina? E depois, quando eu voltar pro trabalho, quem vai ficar com a criança? E, mesmo assim, mergulho em tudo quanto é site sobre o tema, sei de detalhes mínimos, o que são até contrações de Braxton-Hicks, que devo me preparar com muito ácido fólico e quais os itens essenciais de uma mala de maternidade. Isso que ainda continuo nem pensando em ter filhos…

Não sei se é algo que me interessa muito pelo fato instintivo, mas sempre fico racionalizando esta decisão: por que será que devo ter filhos? Se for para ter alguém para cuidar de mim quando estiver velha, é muito egoísmo. Se for para dar continuidade à minha existência, acho bobo. Se for para brincar comigo, tenho meus gatos que já fazem isso. Se for para me eu ter algo pra cuidar, já tenho meu marido que dá trabalho demais (brincadeirinha Musta ehehe). O que é que nos leva a tomar essa decisão? Às vezes penso que quero, ou não quero, mas não sei definir o por que de nada disso.

Sempre que penso com a razão, vejo que na minha casa não há espaço para um bebê, que minhas contas vão apertar e meu tempo livre vai pro espaço. Quando penso com o coração, sinto uma quentura por dentro, uma vontade de apertar algo que nem sei o que é.  Um amor pelo que nem existe. Ainda…

Aquela noite…

Era uma noite mais branda. Depois dos dias sufocantes do verão, sobrevivendo apenas com um ventilador, chegava o momento de ver aquelas estrelas, as antenas parabólicas e o neon da propaganda piscando no prédio vizinho pela última vez. Quando o sol nascesse, seria pra ir embora. E para sempre.

Na minha última noite no Egito, não teve konefa, nem pizza de salsicha. Não teve aqueles barulhos diferentes que sempre me chamavam a atenção. Nem o azhan – chamado para a oração – eu escutei. Já tinham se passado praticamente nove meses, tudo que antes era tão novo, exótico, tinha sido assimilado no meu cotidiano. Mas eu percebi isso tarde demais. Quando me vi, já estava pronta para partir, e o mais rápido possível.

Muitos me perguntam, mas por quê? Em 4 meses, larguei tudo o que tinha até então, uma formação, um bom trabalho, uma vida pessoal, família e amigos, em busca da mudança radical, do novo, de uma vida diferente. Como, em tão poucas semanas depois, decidi que, na verdade, eu tinha de voltar? E como arrumar a bagunça do coração, com tantas coisas novas, bonitas, alegres? Como arrumar as emoções, depois te ter aberto os horizontes para um mundo totalmente novo?

O que sei, é que fugir de problemas nunca os solucionam. Buscar alguém de longe, do outro lado do mundo, não apagará nada do que você fez antes ou quem você é. Você pode trocar suas roupas, sua religião e até mesmo seu nome. Mas a história da sua vida está escrita desde o dia que você nasceu, e mesmo as experiências mais radicais não deletam nada do que já foi feito, pensado ou sofrido. Uma mudança apenas física não cura dores do coração, nem acalma, nem liberta. Quem te dá a alforria é você mesma, e isso só sua cabeça pode fazer.

Assim fui, voltei, sofri de saudade e de desprezo. Com o tempo e amadurecimento, percebi que as coisas boas e duradouras são construídas de pequenas atitudes e muita força de vontade. Que o meu maior bem conquistado na minha vida, meu casamento, não é fantástico porque fui até o Egito e me encontrei com ele lá. Ele é fantástico pelo que fizemos depois desse encontro, de como lidamos com nossas diferenças e de que forma foi possível construir o amor dessa experiência tão diferente. Nossa maior conquista, não foi o passado nem como tudo aconteceu, mas nosso presente, que dia a dia, minuto a minuto, se mostra puramente lindo e real.

E de volta àquela última noite no Egito, lembro-me do calor já ameno, da sensação terrível de perda, de abandono de algo tão sonhado. Ao mesmo tempo, muita esperança, muita força e alegria. Estávamos nós três, eu, o marido, o primo. Ficamos lembrando de cada detalhe da aventura, da minha chegada, do koshari que recusei, dos cafés, do meu árabe errado, do frio no porto, do companheirismo, da amizade. A gente chorava que nem criança e não havia vergonha nenhuma neste ato. Era como se aquelas lágrimas fossem necessárias. E elas saiam às vezes no meio das gargalhadas, entre incontáveis histórias simples e banais relembradas, mas que para nós eram como jóias das mais preciosas.

E assim, as horas que se arrastavam foram passando, a noite indo embora. O neon se apagou e o sol despontou. Senti a brisa vinda do mar de sempre, ali na varanda junto a eles. Era um sopro de vida tão forte, generoso, que foi possível nos levantarmos e seguir em frente no que tinha de ser feito.

E assim deixamos de ser três, nos tornamos dois no Brasil e um no Egito. Nunca mais voltamos, nunca mais nos encontramos.

Egito – um lugar complicado de amar

Confesso que depois de alguns anos escrevendo no blog, minha vida já mudou tanto e tantas vezes, que nem sei mais qual foco dar a isso aqui. Já notaram que ando postando menos, às vezes fico um bom período sem dizer nada. Não que eu não tenha mil pensamentos ou idéias, simplesmente coloco barreiras demais para vir me expressar. Já passei da fase de dar a cara pra bater à toa, e principalmente procurar discussões por aí.

Mas, toda vez que penso que talvez nem volte mais a escrever, encontro absurdos na internet que me fazem cair para trás. Primeiro, os brasileiros já evoluíram muitoooo, mas ainda tem muita gente preconceituosa e prepotente, que se acha mais que o resto do mundo.  Bom, aí que estou eu vagando pela internet, vendo notícias sobre o Egito, e sem querer, vejo alguns comentários sobre o Egito, que, hummmm, melhor nem comentar.

Gente, eu não estou aqui para defender o Egito até porque eu também não quis ficar morando lá, porém debochar e achar que minha cultura é superior, isso jamais. Eu já tive épocas de ver o Egito cor de rosa, defender coisas de lá quando nem era tão necessário assim, brigar com pessoas que gosto por pequenas discussões bobas à toa sobre o país (coisas que me arrependo até hoje), mas ultimamente tenho visto  tamanha falta de desrespeito com o povo egípcio, que mais do que nunca continuo com meu blog, mesmo na bagunça que ele é, pois o que quero não é dizer que Brasil ou Egito é melhor, apenas tentar desmistificar um pouco esse lugar que também tem muitas coisas encantadoras.

Eu só acho que nenhum lugar na terra é perfeito, se aquela pessoa só fala mal, é porque ela mesmo deve ter algum problema interno que não sabe resolver e desconta tudo em outras coisas e pessoas que não tem nada a ver com sua amargura.

Tem um filme egípcio que fala tudo isso que eu digo de outra maneira, pena que está em árabe, mas se alguém arriscar, vale muito a pena, chama-se “Asad Elswed”. A história é de um egípcio que vive há 20 anos nos EUA, tem passaporte americano, mas decide retornar ao Egito e às suas raízes. Ele nem leva o passaporte americano dele, pois tem orgulho de sua origem, mas até então não tinha voltado ainda  ao país. Bom, é uma comédia muito engraçada, acontece tudo que a gente ocidental acha engraçado e diferente no país. Aí vai uma lista:

- é ferrado pela polícia

- acham ele bizarro pq tem cabelo comprido

- sai sem camisa numa casa em que estão outras mulheres e quase apanha. Aliás, ele tenta cumprimentar com beijinho uma mulher casada ahauhau

- se ferra no trânsito

- é roubado pelo motorista de van que o pega no aeroporto e o engana até na conversão de libras para dólar

- apanha em um protesto contra americanos

- pega fila para fazer documentação e se ferra, até pagar propina

- come fisih e tem uma intoxicação alimentar

e por aí vai… mesmo assim, o filme dá um grande exemplo no final, do que é o Egito e suas pessoas, sua generosidade e amor que compartilham. Não preciso dizer que é do tipo de filme que você ri o tempo inteiro, mas se conhece o Egito pelo coração das pessoas, se debulha em lágrimas no final.

Vale a pena, aqui vai um clip sobre o filme que dá para ter idéia, mas não achei o filme mesmo com legenda em inglês.

Pra quem quiser tentar, aqui é o filme todo:

O que aprendi com ele

A mudançada para o Egito foi claramente mais atrativa em termos de histórias, aventuras e aprendizados facilmente aplicados à vida real. Parece aquele tipo de história que se lê em livros, que se vê em filmes e se imagina durante sonhos ‘nonsense’.

Quando eu fui para o Egito, passei pelo “batismo” de fogo da realidade, aprendi a comer coisas diferentes, vi cores e sons exóticos bem à minha frente. Aprendi na prática, no dia a dia, o que era mudar e ser mudada, o que é realmente ampliar horizontes e viver o mundo como ele é, não só como o idealizamos.

Por fim, o Egito marcou em minha vida e do Mostafa uma série de aprendizados bem práticos, daquele estilo que vemos em manuais de viagens, que envolvem atitudes e costumes. Aprendemos juntos esta coisa de casamento multicultural, com todos os chiliques possíveis que eu poderia dar, com toda a compreensão do mundo que ele poderia oferecer.

Agora, algo que quase nunca falo ou comento, pois é uma parte muito mais densa e difícil de ser mensurada em palavras, foi a fase em que viemos para o Brasil. Só hoje temos a dimensão de quanto o primeiro ano aqui foi extremamente nebuloso e conturbado.

Sinto que, para mim, foi uma retomada das coisas que eu já fazia antes, voltar ao jornalismo, a poder me expressar acidamente e falar de política, discutir economia e não receber olhares atravessados do tipo “que diabos essa menina está falando?”. No Egito, sendo sincera, tive que deletar em parte meu lado mais intelectual, pois a não ser com meu marido, ninguém se interessa pelas conversas de mulheres além do que elas falam sobre o tempo que pretendem engravidar, sobre casamento ou das roupas que estão comprando.

No Egito, tive que aprender a me calar, e isso para meu crescimento pessoal foi muito bom, porém não é algo ao qual eu sobreviveria a minha vida toda. De qualquer forma, retomar minha vida anterior no Brasil era praticamente impossível. Não porque eu não fosse me deparar com os mesmos empregos, o mesmo estilo de vida, mas porque eu já estava tão mudada por dentro, que não sabia mais vivenciar as coisas do mesmo jeito. Depois de nove meses no Egito, você só quer mais e mais, e ter de voltar ao “arroz com feijão” não é algo tão atraente quanto conhecer novas coisas e experimentar no dia a dia outro mundo.

Mas, enquanto eu vivia a experiência de desacelerar em termos culturais, focar de novo na minha carreira e em me sentir parte do “jogo empresarial” mais uma vez, Mostafa passava por uma fase mais complicada. E difícil de explicar. Ele se viu em meio a uma cultura muito mais voltada para o lado prático das coisas, onde receber alguém é com um almoço e olhe lá. Nada de gente pendurada em você, querendo saber cada passo seu.

Ele deve ter se sentido desamparado, muitas vezes me disse que os brasileiros eram muito frios. Isso mesmo, o povo que se diz dos mais hospitaleiros do mundo, é frio perante o olhar egípcio.

Ao mesmo tempo, ele se via sozinho, com uma esposa em ritmo de trabalho frenético, pois não fiquei nem duas semanas parada no Brasil, tendo de lidar ainda com questões burocráticas das mais entendiantes possíveis, como seu visto de permanência, e além de tudo, num lugar onde poucas pessoas se comunicam em inglês, onde andar na cidade mesmo com GPS é bem difícil, imagina sem entender placas ou ter visitado antes o lugar,  onde existe violência, onde a religião não está tão presente e as pessoas se tocam nas ruas, onde não há nada conhecido ou certo, pois tudo é novo e passa numa velocidade de um raio. E junte a isso, a conscientização de que, aos 22 anos, você é um homem casado, que tem de deixar urgentemente o sentimento de juventude de lado, se desapegar para se tornar o homem da casa, em um lugar onde não conhece nada.

Pois bem, é um tarefa árdua, difícil e complexa. A adaptação no Brasil, mais do que cultural, foi emocional,  e como eu disse, é este tipo de aventura que as palavras não conseguem explicar, pois são muitas conversas, debates e discussões envolvidas.

Mas, apesar das engrenagens parecerem enferrujadas, do tempo se arrastar como em um pesadelo, ele fez o que era possível. Jamais me segurou e pediu para eu ir devagar. Mergulhou em livros e sonhos, e com esse aprendizado difícil por meio de um amadurecimento repentino e radical, longe do aconchego egípcio, onde tudo parece possível e fácil de lidar, ele foi se transformando no homem que é hoje. Completando 26 anos amanhã, o Mostafa que conheço hoje é uma pessoa bem diferente da qual eu conversava na internet ou com a qual vivi um conto de fada no Egito. Nem parece que se passaram apenas 4 anos, pois as mudanças neste pequeno período de tempo com certeza foram maiores do que as que iremos viver nas nossas próximas muitas décadas.

Hoje ele é uma pessoa com personalidade fortíssima, inteligente, esforçado e sem medo de fazer apenas o que acha certo e o que tem vontade de fazer. Esqueça qualquer esteriótipo ao analisar Mostafa. Ele não é um egípcio comum, nem um brasileiro comum. Não adianata você querer dizer a ele o que é certo, pois se não há paixão, ele simplesmente ignora e não faz.

Deixou de lado a formalidade egípcia, sem esquecer do carisma de sua terra. Juntou seus valores familiares ao bom senso, não julga ninguém, mas ai de você se falar mal de alguma cultura ou se julgar superior ou mais moderno só pelo local em que nasceu. Ele terá mil respostas para te deixar no chão. Inclusive ele vive me deixando esmigalhada quando venho com meus papos chatos de “no Egito é assim, no Brasil é assado”. Ele acha tudo isso uma baboseira. “Viva sua vida, não se importe com regras ou comparações que não te levam a nada”, sempre filosofa.

Ele conheceu pessoas tão diferentes dele, que com elas se tornou uma pessoa ampla. Digo ampla no sentido de poder se dar bem com qualquer um, pode ser um analfabeto ou um grande empresário. Mostafa nunca acusa, nunca entra numa discussão. Quase sempre ele concorda com você, apenas para te “deixar feliz”‘, como ele diz,  e “eu não perder tempo discutindo algo que ele não vai concordar e eu vou continuar achando que é de outra maneira”. Por isso, fora alguns assuntos mais gerais, algumas coisas você jamais o verá falando de forma enérgica, como religião ou cultura. Se você falar qualquer coisa do Egito sobre “segregação de mulheres”, ele virá com mil exemplos sobre como os brasileiros também são segregadores, apontando no final que não está dizendo que um ou outro lugar é melhor, apenas mostrando que humanos são humanos, não importa onde. Tudo isso com a voz mais calma do mundo, o rosto sereno e sem te deixar com um pingo de raiva. Ele sabe dialogar, qualidade rara e que quase nunca encontro nas pessoas (eu, aliás, sou péssima nisso).

Por fim, posso dizer que no Brasil ele se transformou em um homem sério e ao mesmo tempo terno, totalmente focado em seus objetivos e na sua família. Ele é enclausurado, você jamais o verá em rodas de árabes ou circulando com amigos por aí, pois ele não precisa da aprovação de ninguém para ter auto-estima, nem de grupos para se sentir acolhido. Ele é o tipo de pessoa que encontra a felicidade nas coisas mais simples da vida, como um almoço de domingo em família, na brincadeira com seus gatos de estimação, num passeio ao shopping com a esposa.

E assim hoje ele comemora mais um ano de vida. E quem ganha o maior presente sou eu, por poder estar ao seu lado todos estes dias.

Manifestações no Egito contra Hosni Mobarak

Acredito que as manifestações que estão acontecendo no Egito, que foram planejadas principalmente via Twitter e Facebook, foram muito mais fortes e reais do que qualquer um poderia imaginar.

Não podemos saber qual a real conclusão do que começou hoje, mas as pessoas estão acampando nas ruas, outras levam comidas e cobertores para os manifestantes. Em um país acostumado a aceitar o que vivem, o fato de milhares de pessoas terem saído às ruas para dizer “não queremos você, Mobarak” já é algo marcante e que pode realmente levar a mudanças. Esperamos mesmo que sim, mas é cedo para saber.

Vejam fotos do dia aqui: http://www.youm7.com/News.asp?NewsID=343767&SecID=12

Cobertura no Brasil: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/01/policial-e-morto-durante-protestos-no-egito.html

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/865871-ao-menos-3-morrem-em-protestos-por-renuncia-de-lider-no-egito.shtml

O Twitter no Egito por enquanto foi bloqueado, espero que parem com essa palhaçada!

Don Juan da vida moderna – eles querem é seu dinheiro

Hoje passou uma reportagem do Domingo Espetacular (veja aqui o vídeo) sobre mulheres que se apaixonam e rapidamente se deixam ser enganadas por homens que figem serem perfeitos para simplesmente arrancar dinheiro ou viver numa boa. Imediamente, lembrei das dezenas de mulheres que já conheci por meio deste blog que viveram isso.

E não, não são mulheres sem estudos ou ingênuas. Muitas bem vividas, bonitas, com tudo para serem felizes, mas que por algum motivo se sentiam muito sós e a má sorte trouxe a elas um homem ruim pela internet. Vendo a reportagem, não enxergo o mesmo tipo de comportamento com todos os árabes, paquistaneses, turcos e indianos em geral que querem se dar bem em cima de uma mulher (tem gente de toda nacionalidade fazendo isso, mas quem chega no meu blog geralmente é porque está envolvida com uma dessas nacionalidades).

O que eu posso dizer é mais sobre os egípcios. Já conheci cara safado mesmo, de ter várias esposas e na cara dura mentir pra terceira, quarta estrangeira que estava chegando no Egito por meio de papinhos moles que eles jogam pela internet. Usam sites de jogos tipo RPG (nem sei os nomes, mas tem vários), redes socias (adoram Hi5, Facebook, Orkut são mais os indianos) e são sempre muitos fáceis de serem pegos na mentira. Mas a paixão, essa sim, é a maior armadilha, pois ela impede a mulher de ver um elefante dentro de um quarto de 4 metros quadrados.  E não adianta você falar, explicar, tentar mostrar.

- “Ele é perfeito! Ele é o amor da minha vida! Imagina, falou em casamento logo que nos conhecemos!” – dizem. Quem sou eu para discutir?

O perfil geralmente é o mesmo, mulheres mais velhas, divorciadas, muitas vezes com histórias de relacionamentos bem sofridos no Brasil. Mas também existem as novinhas, com a vida toda pela frente e que também se deixam levar facilmente. Elas acreditam que só pelo fato do homem ter uma religião mais severa, como o Islam, falar coisas românticas (egípcio chora com Titanic, vcs acham que ele teria vergonha de dizer coisas bregas tipo “vc é a estrela do meu céu”, blá, blá, blá?), ser de outro país e dizer batendo no peito que como homem é dever dele dar tudo para a esposa (mentiraaaa), ele é diferente de um homem do Brasil? Não é não, por isso fiquem ligadas. Sinal de amor e respeito é igual em qualquer cultura, e safadeza também acontece na mesma proporção. Só que por ser diferente, para eles é mais fácil encantar. Fora que na internet, muito fácil inventar mais mentiras ainda.

Por isso, uma regra de ouro: nunca envie o primeiro dólar, o primeiro presente (aliás, nunca enviem presente nenhum, não passem na porta dos Correios ou Western Union, combinado?). É a porta de entrada para muita tristeza, infelizmente. As dicas são básicas. Mesmo que você pense em morar no Brasil, diga sempre que não tem dinheiro para passagem, que quer sair do Brasil e morar lá no país dele. Analise bem as reações e cada palavra. Jamais mencione coisas do tipo FGTS, imóveis ou carros. Mesmo que ele nem seja tão interesseiro assim, só de saber que você tem posses, vai ficar mais interessado pelo lado econômico do que quem é você de verdade. A regra de ouro na internet é que você pode omitir muita coisa, e se é ele quem pergunta sobre seus bens, olho aberto.

O casamento no Egito é feito na maioria das vezes por acordo, pensem nisso. As pessoas de lá não estão acostumadas a ficarem com alguém só porque amam ou têm paixão. Tudo é pensado e calculado: os gastos, quem paga a festa, quem paga a mobília e por aí vai. Uma egípcia não se casa sem saber o salário real do cara e o que ele pode oferecer de conforto a ela. O homem egípcio, por sua vez, casa geralmente preocupado mais com o acerto familiar e se a mulher é casta, obediente e será uma boa esposa. Imagina então, esse egípcio pobre, que já é difícil arrumar uma boa esposa baseado nas condições ditas antes, que encontra uma mulher atenciosa, cheia de carinho, que manda presentes, está sempre pronta para fazer tudo e, ainda por cima, vai lhe dar algum dinheiro e uma chance de melhorar de vida, algo que ele jamais conseguiria sozinho? Ele também se apaixona (não digo de mentira, mas em muitos casos é o modo mesmo deles de paixão, que está ligado a outras coisas que não temos aqui) e fala em casamento querendo mesmo. Só que a mulher não sabe que este desejo dele não é 100% por amor e sentimento com aqui, pois na cultura a condição financeira entra na conta. Ou seja, confusão armada, expectativa dela lá em cima e a chance de se frustrar muito grande.

Para ele, vale a pena ficar com uma mulher que não se encaixa no padrão do que ele gostaria, apenas pelo fato dela lhe oferecer uma chance de vida melhor. Em alguns casos, claro, isso por ser amor de verdade, eu graças a Deus conheço muitos casais felizes mesmo, só que o egípcio sempre fez o correto, como suprir a necessidade da casa, ser quem vai atrás das coisas, não o contrário.

Por isso, me assusta um pouco também quando alguém me pergunta como fazer para casar no Egito. Poxa, se nem o noivo vai atrás, melhor ir com calma antes, certo? Ou quem me manda perguntas pedindo minha opinião, se ele fala verdade ou mente: se você tem dúvidas, não case!

Bom, sei que o post ficou gigantesco e acabei fugindo um pouco do tema, pois no caso dos egípcios não acredito que estejam soltos por aí apenas golpistas baratos, como vimos na reportagem. No caso dos egípcios com brasileiras, é muito mais uma união do útil com o agradável, mas é claro, tem casos dos que namoram várias estrangeiras ao mesmo tempo, os Don Juans que são muito fáceis de serem pegos na mentira (só de jogar o nome deles no Google e em redes sociais o castelo de areia se desmancha, tá cheio de  ”habibi”  com foto de outras no Hi5, por exemplo).

Agora, como sempre que escrevo algo, fazendo certas críticas, recebo a incredulidade de volta: Mas e você, então teve é muita sorte de ter dado certo com o Musta?

Sorte, acho difícil. Todo risco pode ser bem calculado. Eu sabia muito bem como era a cultura egípcia, tive diversos cuidados (quando a mulher usa a cabeça junto do coração, o trabalho é mais fácil) e jamais fui inocente. Talvez posso dizer sorte (chamo isso de ação de Deus) pelo fato de justo o homem da minha vida ter aparecido do nada pela internet, mas o fato de ter ido a ter ele e ter dado certo não. Isso foi uma jogada com muita estratégia e atenção que fiz na minha vida. Para vocês terem ideia, mesmo com toda a certeza que tinha no meu coração, cheguei no Egito com passagem de volta comprada também. Ainda bem que pude jogá-la  no lixo :-)

ps. Tudo isso que falei vale o contrário também. Já vi mulher brasileira dando cada baile em egípcio, que vocês nem acreditariam… Por isso, esse post não é uma generalização, pois não acredito que raça, origem ou cor digam algo por alguém: isso é racismo.

 

Pagando micos no Egito

Estava com minhã irmã e minha mãe hoje e elas reclamaram do meu post de ontem, que só pego no pé do Musta e não conto meus podres ou meus micos no blog. Lógico que não, sou dona dele e escolho o que quero falar :-P ehehe

Mas brincadeiras a parte, eu realmente não lembro muito bem se paguei muitos micos no Egito. Eu era tão quietinha (auréola de anjo em mim agora :roll: ).

Consigo lembrar de alguns miquinhos com trocas de palavras, que são meio impublicáveis, pois lógico que a gente sempre confunde as coisas com as piores palavras, no lugar onde não deveríamos.

Acho que o maior mico mesmo e praticamente filho único, foi quando cheguei no Egito. Não lembro se já contei isso antes aqui, porque é meio vergonhoso mesmo ahaha

Naquela emoção, eu e Musta pela primeira vez, ele nervoso para caramba, tinha medo até de pegar na minha mão na frente do comboio que me buscou no aeroporto (é que foram algumas muitas pessoas com ele no aeroporto ehehe).

Lembro que estava muito cansada depois de voar até Amsterdan, fazer 11 horas de escala e depois voar mais 5 horas pro Egito. No caminho para Alexandria, eu estava bem zuretinha mesmo. Foi aí que o grande mico aconteceu. Paramos num café na estrada, para descansar um pouco e tomar algo bem quente. Era janeiro e o ar estava congelante. Foi só nesta hora que lembrei de ir no banheiro – estava desde Amsterdan sem ir.

Fui toda alegre para o banheiro do café, que era limpo. Depois de usar, olhei para um lado. Nada. Pro outro, nada. Caramba, cadê o papel higiênico desse lugar. Lembrei que já tinham falado que no Egito quase nenhum lugar tinha papel, e a espertona aqui tinha deixado a bolsa na pia. Olhei dentro do vaso, tinha o “monstrinho”. Eu já tinha lido também que no Egito era comum se limpar só com água, com um caninho nojento (vulgo “monstrinho”) que sai de dentro da privada e solta esguichos.

Pensei. Bom, estou aqui, sem papel, vou aprender na marra. Mas antes deixa eu ver como esse troço funciona. No meio da noite, no deserto, lugar ideal para ter ideias bizarras e curiosas, sra. Marina. tisc tisc

Abaixei e fui querer olhar de perto como era o esquema, e abri a torneira com tudo, sem me ligar no acontecimento.

Resultado: água na minha cara toda, no lenço, na blusa, etc. E água da privada, não era qualquer água.

Bom, óbvio que não falei pro Mostafa que eu fiquei toda molhada de água da privada. Falei que a torneira tava doida e abriu muito quando fui lavar a mão. ahahaha Passei um frio do cão até chegar em Alexandria, minha blusa realmente estava encharcada e coloquei o casaco por cima pra disfarçar, mas por baixo estava gelada.

Hoje ele sabe disso, e até agora não se conforma que eu não falei pra ele, pois poderia ter trocado de roupa. Mas que nojo, né??? Uma noiva com água de privada na cara? Não ia rolar :-)

Pronto, contei meu mico mais nojento. Alguém tem um pior?

Pequeno gênio egípcio brinca de trabalhar na Microsoft

Olha só que graça de menino… apesar de toda a inteligência e pessoas em cima dele, no final ele só agradece a Allah…

saiu aqui: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI183685-16353,00-PEQUENO+GENIO+EGIPCIO+BRINCA+DE+TRABALHAR+NA+MICROSOFT.html

Pequeno gênio egípcio brinca de trabalhar na Microsoft

Aos 11 anos de idade, Mahmoud Wael frequenta a universidade e foi nomeado analista tecnológico da gigante de informática

Por Agência EFE
Francisco Carrión

O pequeno gênio Mahmoud Wael

Cairo, 30 out (EFE).- O pequeno Mahmoud Wael, um egípcio de 11 anos e aspecto frágil, se tornou técnico da Microsoft graças à sua capacidade de resolver cálculos complexos em segundos e de dominar as redes de computadores.

“Meu pai descobriu minha habilidade quando eu tinha três anos e resolvi uma conta de multiplicação da minha irmã”, conta à Agência Efe Mahmoud, um menino tímido que responde às perguntas sentado em um sofá do humilde apartamento no qual vive com sua família.

Francisco Carrión

A família de Mahmoud Wael coleciona com orgulho recortes de jornal com matérias sobre o filho

Após a descoberta, um exame determinou que seu coeficiente intelectual é de 155, uma pontuação “muito alta” que, segundo o próprio pequeno egípcio, o transforma no “menino mais inteligente do mundo”.

Mahmoud, apelidado por seus vizinhos de “Abqarino” (gênio, em árabe), se matriculou aos nove anos na prestigiada Universidade Americana do Cairo, onde cursa Informática.

Para seu pai, Wael Mahmoud, que mostra orgulhoso uma pasta cheia de recortes de jornais com reportagens sobre o filho, o garoto é “uma criança, um engenheiro de informática e um presente de Alá”.

A precoce habilidade com os computadores não passou despercebida pela gigante americana Microsoft, que o presenteou há seis anos com seu primeiro laptop e acaba de nomeá-lo analista tecnológico.

“Agora já sou um profissional em redes de computadores e já poderia trabalhar”, afirma Mahmoud, que se diz apaixonado pela informática porque “graças a esta invenção, é possível chegar a qualquer parte do mundo”.

“Se quero saber alguma coisa, tenho Google e Wikipédia, e se quero conhecer alguém no outro lado do planeta, tenho o Facebook”.

“Talvez eu acabe trabalhando para a Microsoft”, antecipa o menino que, embora fale com fluência o árabe e o inglês e estude francês, está mais interessado “em conhecer as linguagens de programação”.

No populoso bairro do Cairo em que a família de Mahmoud sempre morou, as crianças de sua idade brincam na rua enquanto os adultos tomam chá ou fumam “shisha” (narguilé).

Mas o menino não tem tempo para sair com os amigos porque sua rotina começa cedo, às seis e meia, e a manhã e a tarde são ocupadas entre as salas de aula de um colégio internacional e da universidade.

“Alguns garotos da minha idade têm orgulho de ter um amigo como eu no bairro, mas outros pedem que ninguém brinque comigo”, conta Mahmoud, que aproveita as férias para “brincar, brincar e brincar”.

“Às vezes me sinto como um adulto porque acordo muito cedo e vou à escola e à universidade, mas em casa meus pais me tratam como uma criança”, revela.

Interessado por programação, o pequeno gênio confessa ter perdido a destreza com as operações matemáticas, mas diante do desafio de calcular o resultado de 40 vezes 78, faz uma pausa e pede, sério: “Um minuto, por favor”.

“Moody”, como é chamado em casa, só precisa de dez segundos para dar a resposta correta (3.120) e, depois, explica que seu verdadeiro sonho é seguir os passos do egípcio Ahmed Zewail, prêmio Nobel de Química em 1999, e ser “cientista especializado em informática”.

“Antes de completar 20 anos, vou morar fora do Egito para estudar. Depois vou voltar e tentar inventar algo por aqui”, planeja o menino, que se considera um “bom muçulmano”.

Segundo ele, foi o profeta Maomé quem lhe concedeu a inteligência e, por isso, sempre agradece quando vai à mesquita ao lado de sua casa. “Meu coeficiente é uma das muitas razões pelas quais eu amo Deus”, relata.

Os olhos de Mahmoud, ocultos sob os óculos de aro vermelho, se acendem quando fala de outra de suas paixões, o futebol. “Gosto de jogar com meus amigos do bairro ou na escola e sou fã do Al Ahly (o time campeão da última liga egípcia)”.

Depois da equipe do Cairo, o garoto reconhece que seu favorito é o Barcelona, porque “tem grandes jogadores como o Messi” e, entre as seleções, prefere a Espanha e o Brasil.

 

Causos da vida – (infância no Egito)

Eu gosto de criar histórias, e de ouvir. Às vezes de noite peço para o Musta contar coisas que ele aprontava quando era pequeno. E crio as imagens na minha cabeça, tudo isso me ajuda a escrever depois e a compor um livro em minha memória que um dia será escrito. Só 1% dele vem parar aqui no blog, eu guardo muita coisa arquivada para depois. E gosto de histórias de crianças, de aventura. Até por isso sempre fiz da minha vida uma busca pelo diferente, por isso sonho em conhecer o Peru e a Índia, e não Paris ou Berlim.

Eu almoço quase todo dia num restaurante indo-vegetariano, com toques mexicanos e apimentados. Ninguém no meu trabalho gosta muito, mas eu acabo indo sempre que posso, parece que meu dia fica mais completo de comer algo assim mais complexo, de ver os garçons com batas compridas, de olhar nas paredes e ver desenhos coloridos e uma música relaxante de fundo. Quando cozinho, tenho meus toques de canela e adocicados, um pouco de pimenta e cor. Para mim a comida, assim como a vida, tem de ter toques exóticos.

E no Egito ganhei muito do que queria, com o que vivi daria realmente para criar um filme bom, mesmo que seja só na minha cabeça. A experiência tão curta mas que me fez diferente, e até hoje vivo nas criações daquela época, misturada ao que sou hoje com meu marido. E ele sonha comigo, ri das minhas loucuras e não se importa de eu ser assim e me alimenta com suas histórias de infância, que para mim são fantásticas.

Pegando a bola (por Musta)

Meu pai tinha épocas que estava de muito mal humor. E não deixava que toda hora saíssemos para a rua sozinhos. Quando ele tinha um compromisso na rua e tinha que nos deixar sozinhos, nos trancava em casa, sempre com a ordem expressa:

- Não joguem bola dentro de casa, senão vão apanhar!!! – falava meu pai com a cara mais séria do mundo.

Ele trancava a porta, mas Ibrahim, o vizinho, pulava da sacada de seu apartamento, também no quinto andar, para nosso apartamento. Claro, com uma bola.

E ajeitávamos a posição do gol entre as pernas da mesa de centro, e o campo se abria em nossas mentes. Chutávamos forte, a torcida fictícia gritava gol!

E naquele dia, errei a mira da bola. Foi direto para a janela, que estava aberta, e meu irmão não conseguiu segurar. Ibrahim esperneou, mas a bola caiu lá embaixo. Corremos para a janela, e dava para ver que ela ricocheteou e estava na sacada do primeiro andar.

Ibrahim era muito gordo, meu irmão com cerca de 10 anos, muito grande. Tínhamos uma corda e olharam para mim, esguio e magrinho e tiveram a ideia.

- Mostafa, vamos te amarrar pela cintura e vamos descer você para pegar a bola. – falaram.

E me amarram bem forte, deram nós “profissionais”, como falaram. E eu, não sei como, fui descendo do quinto andar até o primeiro com a corda na cintura me apertando e machucando, segurando nas sacadas, frestas de janela e onde dava para ser, com o “equipamento de segurança” me protegendo.

Não consegui resgatar a bola, logo voltei, estava chorando de medo e dor.

Quando meu pai chegou, a vizinha do primeiro andar subiu com ele gritando e contando que o moleque dele estava se pendurando no prédio atrás de uma bola que caiu na casa dela.

E além de ficar sem a bola, apanhei doído aquele dia.

Num mundo globalizado, liberdade religiosa tem várias faces

Um dos temas que sempre debatemos por aqui e em outros blogs é sobre a liberdade religiosa no mundo atual. As pessoas tendem a se achar modernas, como temos internet, meios de comunicação à disposição e facilidade de viajar, pensamos que estamos livres, pelo menos nos pensamentos. Mas isso é uma doce ilusão.

Quase todas as pessoas tem uma crença e uma opinião sobre o que é Deus e qual a melhor forma de estar perto dele. Até os ateus, que dizem não ter Deus, tem que pensar muito em como negar, como falar, e até mesmo caem em contradição muitas vezes por não saberem negar algo e ao mesmo tempo não chamar os outros todos de burros. É sempre complicado se falar de fé e crenças.

E eis que ontem saiu a notícia de um guia brasileiro preso no Egito acusado de ter material religioso, como panfletos e Bíblias. A primeira consideração sobre este caso é que, até agora, a mídia não publicou nada de relevante, não se sabe qual a acusação real e formal e nem porque o sujeito que, diz ele, estava apenas visitando as pirâmides, foi preso. A regra número do 1 do jornalismo é dar sempre os dois lados, mas ainda não se deu nem metade dos lados neste caso.

Segundo, pelas leis egípcias, você pode professar sua fé que quiser, no país tem muitas igrejas e até sinagoga. Existem os feiticeiros também, gente que faz magia e vive nos grandes centros, como o Cairo, tenho uma amiga que é pesquisadora da USP e estuda justamente estas culturas locais lá com crenças bem diferentes do monoteísmo, Islã ou cristianismo. Ou seja, no Egito tem de tudo sim e com um certo grau de liberdade, pois os cristãos ocupam todos os tipos de trabalho, tem lojas, ocupam os mesmos bairros e estudam nas mesmas escolas. Não são obrigados a ver aula de religião islâmica e podem ter folga em seus feriados e no domingo, enquanto os muçulmanos podem ter folga só na sexta. Então muita calma na hora de sair metralhando o Egito neste quesito.

Mas sim, é um país majoritariamente islâmico, e alguns aspectos da cultura não são tão fáceis de discernimento para quem está acostumado com os moldes daqui. Lá não é comum casamentos entre religiões diferentes, as famílias – sejam cristãs ou muçulmanas – prezam pela preservação de seus credos dentro de casa e realmente não gostam de mistura. O que acontece é muitas vezes o egípcio se casar com uma estrangeira, mas como muçulmanos podem se casar com cristãs ou judias pela lei, não há problema legal para isso e muitas famílias aceitam bem, apesar de sempre agirem conforme seus costumes. Por exemplo, uma mulher cristã casada com um muçulmano, apesar de ter outro credo, provavelmente terá que obedecer o jejum do ramadan, para partilhar com a familia e se vestir de forma mais discreta. Aliás, vale ressaltar um ponto: a maioria das cristãs no egito se vestem como as muçulmanas, só que sem véu, não é bom para uma cristã lá também ficar se mostrando demais, entre os cristãos mesmo isso não é bem visto.

Mas voltando ao assunto do cara preso. Os turistas no Egito são super cuidados pelas autoridades policiais, pois é do que vive a maioria da população. Existem guardas vestidos de branco em tudo quanto é lugar, e se um dia você sofrer um abuso, basta denunciar. Assim como em qualquer área turística do mundo existem abusos, no Egito também tem quando se trata da relação vendedor-egípcio, mas se um dia você sofrer um problema, experimetne dar um belo grito e chamar o guarda, com certeza o egipcio vai se dar mal.

A questão é, que me parece muito estranho o cara simplesmente estar no Egito passeando, sem fazer nada, e a polícia prendê-lo. Se ele tinha folhetos e Biblias, no plural, é porque de alguma forma estava distribuindo isso, talvez de forma ilícita conforme as leis do país. No Egito você pode pregar sua religião como quiser, mas dentro dos templos, não se pode fazer isso no meio das ruas. Além do mais, por ser ramadan, é de extremo mal gosto se o evangelizador fez isso de alguma forma público, e certamente seria denunciado.  Eu particularmente não aprovo essa ideia missionária de alguns cristãos, não acho que é dever ficar batendo em portas e achando que só Cristo salva, de forma muitas vezes impositiva e chamando o resto de “demo”. É a mesma coisa que reclamar de liberdade religioso, mas chamo isso de imposição e invasão de espaço religioso.

Mas como muçulmana, eu acho que se queremos construir nossas mesquitas em outros países, se queremos distribuir livros em público, como está sendo feito aqui no Brasil por diversas entidades islâmicas, num trabalho que acho bem interessante, não podemos negar o direito dos cristãos ou de qualquer religião fazer isso em outros países islâmicos. A não ser na Arábia Saudita, onde realmente é nosso local sagrado e não cabe esse tipo de coisa, assim como eu não tenho o menor interesse de transformar o Vaticano num lugar islâmico.

Acho que cada um, no mundo de hoje, tem direito a seu espaço e sua fé, mas existem maneiras de se chegar nisso, em alguns lugares é mais fácil, como no Brasil, é só olhar a proliferação de igrejas que vemos como é fácil aqui falar o que se pensa e conquistar fiéis.  Já em lugares mais tradicionais, como no Oriente Médio, essa inserção não é tão bem vista, as pessoas prezam muito mais pelas suas tradições e religião, colocam no dia a dia o que praticam e concordo que seja até perigoso para um pregador tentar ficar falando e pregando em público algo diferente. O problema disso tudo, é que se distorce a questão da liberdade religiosa – que não existe nem no Brasil, nem nos EUA, nem no Egito e nem na China, etc – em uma questão envolvendo política, costumes locais e até xenofobismo em certos casos.

Infelizmente, muitos se aproveitam da religião, em diversos aspectos, para benefício próprio. Seja no uso do Islã como arma política e militar (na chamada Jihad, que em sua premissa básica não tem nada a ver com matar infiéis) ou na política evangelizadora que promete de tudo, até mesmo asilo político, para quem aceita Cristo. Infelizmente, em países como Egito e Irã, é muito comum muçulmanos “convertidos”, geralmetne de origem humilde, sem mtas perspectivas, se mostrarem convertidos cristãos e dizerem que são perseguidos pela mudança, para pedir asilo em outros locais, como sempre países de alto nível para os quais nunca conseguiriam um visto. E os cristão usam isso como propaganda, os muçulmanos acreditam menos ainda e problemas como o do guia no Egito, se repetirão para todo o sempre. Eu creio que realmente ele pensa que estava fazendo algo certo e divino, mas o mundo não é um conto de fadas, assim como eu aqui no Brasil enfrento diversos desafios acerca da minha religião, e até do demo já fui chamada, por também um evangélico…. contradições da nossa vida, difícil é fazer para os outros, o que esperamos que façam conosco, pois a tendência é de acharmos que só nós temos a razão.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 204 other followers