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Por que eu amo os egípcios?
Porque eles colocam a alma em tudo que fazem, há milênios…
Escute com os olhos fechados e você vai entender do que estou falando:
8 comments junho 18, 2010
Os árabes nas negociações
Todo mundo sabe que os árabes tem fama de bons comerciantes. Eles sabem barganhar, pechinchar, ao contrário de São Paulo, onde as lojas botam preço em tudo e você lida com um funcionário, não o dono da loja, no Egito geralmente a negociação de algo é direto com o dono do estabelecimento. Isto permite que a compra de um produto seja uma grande aventura, já que paga menos quem sabe chorar mais.
No Egito, se você é gringo, já começa de um preço bem mais alto. E bota alto nisso. Como estava sempre com o Mostafito a tira colo e eu sempre me vestia como as egípcias, entrava de cabeça baixa e só apontava o que queria, e era ele quem falava. Com isso comprei uma shisha (aqueles narguile) pequena de vidro por apenas 10Le, o equivalente a uns R$ 3,50, enquanto vi turistas pagando 40 dólares pela mesma!!! Quando eu estava sozinha, tentava falar o menos possível com meu escasso árabe, para tentar me passar por nativa. Algumas vezes deu certo, quando só perguntei o preço e já achei barato. Agora na hora de falar “quero meio quilo” e detalhes, os caras sacavam. Mas pelo fato de ser muçulmana e usar véu – e de estar em Alexandria, que é uma cidade muito mais dócil que Cairo – nunca levaram vantagem pra cima de mim. Ás vezes até doces ou algo da loja me davam, por tão satisfeitos de verem uma brasileira de hijab por lá. Eu sempre dizia que era casada com egípcio, não sei se isso influenciava, mas nunca me senti lesada no Egito nas compras. Já falei com outros estrangeiros e brasileiras que moram no Cairo e nunca tiveram uma boa experiência nas compras, elas dizem que sempre são enganadas ou tentam vender mais caro para elas. Graças a Deus que não passei por isso!!!
Bom, mas voltando ao estilo árabe de negociar, eu achava que isso nunca seria útil para nossa vida aqui pros lados da América, já que pelo menos em São Paulo isso não é comum. Mas na nossa viagem para o México, felizmente encontramos um pedaço meio egípcio!! Olha a foto do mercado de artesanato, se tivesse umas shishas e umas especiarias, você bem que poderia dizer que estava no Marrocos ou Khan el Khalili!!! E eis que negociar faz parte do negócio.
E Mostafito (já falei que esse é o novo nome dele, ganhado no México) entrou em ação. Eu fico toda sem graça pra barganhar, não sei, o cara fala um preço e eu ou aceito ou procuro em outro lugar. Mas Mostafito ressucitou o espírito egípcio adormecido e nos garantiu boas risadas:
- Quero essa blusa, quanto custa? – pergunto no portuñol.
- 35 dolares, señora. – respondo o tiozinho.
Mostafito olha super sério, com cara de bravo e fala:
- Eu vou levar por 15 dólares, tá bom? Pode por na sacola. – fala com a maior cara de bravo.
- No, señorrrrrr, no posso, 15 dolares muy pocooooo!! 35 dolares!!! – não sei escrever espanhol, mas era mais ou menos isso que o cara respondia.
- Que é isso, comprei ali do lado por 10 dolares, você me vende por 15 e pronto. Cadê a sacola, pode botar! – continua e eu me escondendo de timidez eheheh
- No no no… – e a conversa fica nisso uns 2 minutos, até que Mostafito fala.
- Vamos fechar agora, 15 doláres e não se fala mais nisso. – termina.
- Cierto señor, gracias por tu compra!! – responde e aceita na boa sorrindo!!
E assim Mostafito nos fez economizar muitoooooooo. Eu estraguei algumas negociações, sou burra e às vezes falava “nãooo, mas a gente pagou mais na outra loja”, esquecia da tática e ele ficava p da vida comigo eheheh.
Bom, por esse estilo de negociação e as pirâmides lindas maias que vi, acho que esses mexicanos só podem ser primos dos egípcios… ehehehe
5 comments maio 11, 2010
A vida corre
Quando eu paro para pensar que em somente três anos eu fui para o Egito, vivi tanta coisa, voltei pra são Paulo, trabalhei tanto, mudamos de casa, viajamos para tantos lugares, conhecemos tantas pessoas, me falta até fôlego.
Aliás, a vida anda tão corrida que às vezes nem acredito que fiz tudo isso. O Egito ficou como aquela memória antiga, às vezes até parece que nem fui para lá um dia. Tudo já mudou, a experiência foi se transformando e se não fosse pelas fotos, nem acreditaria que eu conheci as pirâmides. Como já disse, minha memória não é das melhores, então todas as lembranças, com o tempo, vão ficando como lampejos de imagens, sons e cheiros daquele lugar.
Antes eu tinha uma saudade louca do Egito, de ouvir “Salam ya baladi” e ficar chorando com o Mostafa. Mas a saudade distorce os fatos, pinta a realidade de cor de rosa. Tudo que ficou longe parece mais encantador. Com o tempo e a vida estabilizando, nos tornamos mais racionais e vivemos o presente com cada vez mais intensidade. Hoje estou no ponto de que não sinto mais aquela saudade apertada do Egito. Claro, amo tudo aquilo e se pudesse, pegaria o primeiro avião para passar umas belas férias. Isso mesmo, férias, porque morar eu sei que não dá para mim. Já tentei uma vez e acredito que até mesmo o Mostafa não conseguiria fazer esse retorno.
O Brasil, bem ou mal, se mostrou um belo campo de oportunidades para nós juntos, em parceria. Não porque aqui é um mar de rosas e fácil de se vencer na vida. Mas porque aqui, pelo menos, para quem tem força de vontade e não tem medo de perder noites de sono atrás de um futuro, as coisas podem sim acontecer. No Egito é difícil até mesmo se escolher o curso de faculdade que se quer fazer ( eles usam um sistema de notas no colegial, e não tem segunda chance). Aqui tem faculdade em cada esquina e com vestibular a cada três meses. Nem todas são boas, não estou falando disso, mas existe sim um maior poder de escolha. Isso dá novas chances de ver a vida, de experimentar e voltar atrás se não gostar. No Egito, às vezes uma decisão não tem volta.
Mas esse nem é o caso do Mostafa, porque ele não gosta dos cursos oferecidos aqui na área que ele estuda. Na opinião dele, deveria haver uma opção de curso 100% em língua inglesa e já tentei explicar mil vezes que valorizamos nossa língua, que existe um tal de MEC, que um curso pode ser bom mesmo em português, mas não adianta. Para ele, neste ponto, os atrasados somos nós. Em certa parte concordo, pois diversos países europeus oferecem cursos em inglês, mesmo falando outra língua, justamente por ser um facilitar e, bem ou mal, já é uma língua universal. Não sou nacionalista ao ponto de ficar defendendo o português com unhas e dentes, para mim comunicar é o que importa, mesmo que seja com mímicas.
***
E de volta a saudade, é ela que colore nossas lembranças deixando apenas os momentos bons marcados, é ela quem descolore aquelas horas ruins, os problemas e as reclamações. Hoje consigo ver o Egito de forma menos passional, amadureci um pouco e consigo distinguir melhor tudo que passei por lá e continuo vivendo.
Foi uma experiência fantástica, que antes achava que não tinha aproveitado tanto. Para quem não me conheceu antes, quando eu estava no Egito, meu sangue fervia com várias coisas que eu via lá e não concordava, me irritava com os mínimos detalhes e demorei um bocado para me adapatar. Eu comecei a achar que o Brasil era maravilhoso, que o país era quase um primeiro mundo. Só fui me dar conta do que estava perdendo na noite antes de ir embora. Como um clique, vi como eu tinha perdido muito tempo reclamando de coisas que, na verdade, eram muito boas também.
Aí voltei para o Brasil, o oposto aconteceu. O Brasil parecia totalmente sem sal, as pessoas eram cubos de gelo perto dass egípcias calorosas que viviam me agarrando. As pessoas não falam alto como os egípcios, nem ficam grudadas como lá, perguntando os mínimos detalhes da sua vida. Fiquei chocada ao descobrir que tem muito brasileiro que só é hospitaleiro quando quer que a pessoa faça exatamente o que ele gosta, como beber algo alcoólico ou ir para a balada, o que estava totalmente fora dos nossos planos e valores. Não voltei para julgar valores brasileiros, mas vi muita coisa que antes era comum para mim, e que depois do Egito me pareceram absurdas.
Nesse comecinho, a mudança é sempre complicada, e o Egito virou aquela bola de ouro na minha cabeça, como tudo era calmo, eu tinha paz, podia usar meu hijab, sair na rua à toa de mãos dados com o Mostafa sem medo de nada. E ai de quem falasse um “a” do Egito. Tem sempre aquele brasileiro sem noção que, ao invés de perguntar sobre as coisas boas, já chega com críticas nada a ver. “Nossa, você morou no Egito, ouvi falar que lá é muito sujo, não é?”… meu, você fala isso para um egípcio que acabou de aportar no seu país? Vai ser grosso pra lá… Brasileiro adora esse tipo de comentário, às vezes fala de pobreza, ou de mulheres oprimidas, aquele blá blá blá de sempre. Porque não perguntam sobre pirâmides, é mais simpático.
Mas os dias e meses foram se passando, a vida demorou um pouco para entrar nos eixos, mas aconteceu. Mostafa, apesar da dificuldade de ter de começar do zero, até mesmo do ponto linguístico, estudava até dormir em cima dos livros, e a recompensa veio mais tarde. Como ele sempre diz para mim, Deus olha para quem se esforça. E quem sobe na vida passo a passo, consegue um futuro mais promissor. Não adianta querer chegar no Brasil com 21 anos e esperar que um bom emprego vai cair do céu, que vai ser diretor de empresa nos primeiros anos ou que todo mundo vai te respeitar profissionalemtne no começo, sem ao menos falar direito o português. A vida não é feita de contos de fadas, e não acreditamos neles, por isso todo esse período de adaptação é bem delicado.
E assim foi, no estudo diário dele, na minha busca por crescimento profissional do outro lado, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos e hoje nos consideramos felizes no Brasil. Já se foram 2 anos de Brasil, quase 3 de casamento, e parei de me iludir com bobagens sobre o Egito ou o Brasil.
Aprendi que viver comparando como sempre fiz era uma grande perca de tempo, pois são dois lugares completamente diferentes entre si e que um nunca será nem mesmo próximo do outro. Que se em um eu desperto com o Azhan, mas tropeço em lixo quando caminho, no outro passeio de carro no shopping, mas tranco bem as portas quando chego em casa. As necessidades dos egípcios e dos brasileiros são bem diferentes, por isso a forma que cada um encara a vida e a planeja, é tão diversa. E hoje agradeço por ver tudo isso de forma mais clara, para poder aproveitar toda experiência que tive em um grau mais elevado. E isso faz parte da maturidade, de crescer e ver a vida sem histeria para apenas aproveitá-la e buscar em cada segundo dela formas novas de ser feliz.

A prova de que estive no Egito
13 comments setembro 23, 2009
Meu nome é secreto
Conversando com uma leitora hoje por e-mail, lembrei de uma coisa curiosa que pode ser interessante para vocês saberem.
No Egito, as pessoas não falam o nome das mulheres em público. Tipo, você não vai ouvir alguém gritando “SALMAAAAA, vem cá”, por exemplo. Aliás, é até de mal gosto perguntar o nome de uma mulher em público se tem outros homens perto.
Já contei isso aqui antes, que até dei uma gafe um dia, no trabalho, porque fiquei insistindo para um menino falar o nome da mãe dele (não lembro o motivo) e ele todo sem graçaaaa não queria dizer, falou que não podia, e eu chata que sou fiquei “mas porque?? Me fala o nome dela!!” E todo mundo rindo da situação, porque vários homens estavam na sala também.
Eu já acostumei com isso agora. E no Brasil, não é diferente pro sr. Mostafa. Minha casa fica numa rua tranquila e a janela dá direto para a rua. Ás vezes o Mostafa fica ali na calçada a tomar chá com algum amigo ou vizinho e eu na sala fazendo outra coisa. Se ele quer me chamar, como faz?
- MOSTAFAAAAA! – ele grita lá de fora.
- To indoo habiby – Eu respondo.
Ou seja, meu nome sendo gritado na rua? De jeito nenhum! ehehe Ele chama o nome dele mesmo.. estranho né? Mas agora até gosto, meu nome é “secreto” – pelo menos na rua, já que na internet vocês estão cansados de saber.
8 comments junho 9, 2009
Sem reservas
Hoje vai uma dica televisiva. Meu atual programa predileto não está no canal aberto, mas espero que alguns de vocês tenham. É no Discovery Travel & Living. Anthony Bourdain é um chef americano que viaja para diversos países em busca das comidas típicas, mas é um programa que vai além de comer e beber, pois ele faz uma análise filosófica de várias coisas – as vezes pra mim o que ele fala faz muitoooo sentido – e eu viajo com ele todas as vezes.
Passa todas às quartas, 23hs. O programa chama Sem reservas. Ontem, liguei a TV no horário, fiel que sou, e qual minha supresa? Ele foi para o EGITO! Uma hora de puro deleite, adoreiiiii o programa, as ironias dele são muito iguais a que eu fazia… ahaha tipo Marina no Egito. Ele só foi mais legal na hora de comer, não ficou com frescura nenhuma. Adorei ele no café achando aquilo um porre – lugar de homem fumando e jogando, que coisa de velho eheheheh. Ele sentiu o mesmo que eu ao contemplar o deserto… e também não ficou empolgadão com o fato de ir para a pirâmides e topar com um monteeee de turista. Preferiu ficar de longe, só sentindo aquele poder. (tá certo que eu queria ver mais coisas de turista também, fiquei só duas horas na pirâmide, foi meu máximo turista de Egito em 9 meses).
Ele mostrou também um lado B do Egito que eu não conheci, seja indo num bar onde serve bebida alcóolica (tô fora), ou quando visitou uma família bem simples do campo (da próxima vez vou querer fazer o mesmo!). Ficou totalmente fora dos hotéis ou lugares pra turista ver.
Só achei no Youtube sem legenda, mas quem pensa um dia conhecer o Egito real, vale a pena… e experimentem de tudo. Molokheya, que eu não gosto, ele adorou. Aí vai de gosto! eheheh Mas o programa eu recomendo (esta é a parte 1, mas vcs acham o resto na barra lateral do youtube).
ps. O Anthony já veio para São Paulo também. No programa ele detonou a cidade… achei que pegou pesado e foi em lugares muito ruins, pior que ainda terminou com uma feijoada e capirinha, horrível. Pra mim a produção dele errou, não achou personagens legais o suficiente, pois SP tem uma gastronomia excelente, basta saber onde ir. Olha a descrição de SP que ele fez: “Parece que Los Angeles vomitou em Nova Iorque”.
6 comments junho 4, 2009
O show de rock e o egípcio
Estávamos no nosso caminho de todo dia, de volta pra casa. Para variar passamos em frente ao sambódromo. Trânsito caótico, parado. Vejo um monte de jovens de preto se dirigindo feito formiguinhas para a mesma direção que nós seguíamos. Um camelô vendia camisetas na rua e forcei os olhos para enxergar as letras brilhantes estampadas nas roupas: Kiss.
- Ixxx, tem show do Kiss hoje no sambódromo! – falei pro Musta.
- Ai que trânsito, mas tem jogo do Corinthians também? – perguntou, porque ele tem trauma de jogo do “timão” e dos respectivos torcedores que a gente sempre encontra no Pacaembu, que faz parte da nossa rota diária.
- Não, aqui tá longe ainda do Pacaembu. A questão é que tem show hoje aqui e vai estar este trânsito infernal pois vamos passar bem na frente!
- Ah… mas nossa, show do que? – Mostafa aprendeu a falar “nossa”. Acho que ele não imagina que é uma expressão católica, mas aprendeu.
- De rock’n roll habiby! – falei animada na forma abrasileirada, lembrando dos velhos tempos em que eu também ia em eventos do Red Hot, Rush, Silverchair, Joe Satriani (que eu inclusive conheci pessoalmente sem nem conhecer uma música dele sequer hehehe) e afins.
- Marina, fala direito. Você falou “hockey”, isso é jogo, não é música. – criticando a forma brasileira de falar o R errado no inglês.
- Tá bom, tá bom. – concordei buzinando e tentando passar um carro vermelho na frente cheio de roqueiros pulando e fazendo aquele sinal de rock para fora do carro.
Mostafa observava as pessoas.
- Olha ali, olha ali!! Tem vários gays aqui! – falou assustado.
- Onde menino?
- Ali, e outro do outro lado também! Tudo homem de cabelo comprido!
- Hahahaha tá doido, não é porque eles tem cabelos compridos que são gays, são roqueiros, nunca viu os cantores como são?
- Eu não, mas é muito estranho, acho que são sim. – ficou com cara de dúvida.
Mais trânsito, mais carros, e vamos chegando perto de uma multidão que aguardava na entrada do sambódromo.
- Ahh, agora eu vi um gay sim! Tem ali um monte de cara pintada! – e aponta um menino com o rosto desenhado no estilo do Kiss.
- Hahahahaahah você me mata de rir Mostafa, é que a banda pinta o rosto mesmo! Eles fazem isso porque são fãs.
- Eu não acredito, homem que pinta o rosto para a gente é outra coisa. Tem mais um monte ali, olha!!!
- Ai ai, vou ter que escrever isso no meu blog amanhã. – estou fazendo isso agora.
- E fala também que vocês brasileiros imitam muito os americanos, essa banda mesmo deve ser imitação de uma banda de fora.
- Mostafa, essa banda é de FORA. E para de ficar falando mal do Brasil, que no Egito vocês nem recebem show decentes do exterior, vai.
- Também, quem vai querer ouvir esses homens de cara pintada? Ainda acho muito estranho.
- Mashy, mashy habiby.
Estamos quase saindo do trânsito.
- Mas me diz habiby, alguém da banda morreu? – Perguntou pra mim.
- Claro que não, porque você está falando isso Mostafa?
- Eles estão todos vestidos de preto!!!!
…. no comments….
16 comments abril 8, 2009
Minha vida no Egito (2)
Continuando minhas respostas….
***
4 – Para o mundo ocidental países islâmicos carregam o estigma de ‘machistas’, ‘repressores da mulher’, do seu ponto de vista como é essa situação no Egito?
O estigma é muito forte, mas não é o que eu vi na camada social que eu freqüentei por lá, uma classe média letrada e com conhecimento do exterior. Sei de áreas rurais e pobres em que o machismo é bem claro, mulheres não podem fazer muita coisa ou ter opinião. Mas na classe onde eu circulava, todas as garotas cursavam universidade e muitas até já trabalhavam. Também há liberdade para o casamento, os noivos não são obrigados a se casarem com quem os pais determinam, mas já vi situações em que os pais não aceitavam a noiva (o) escolhido. Aí é uma situação bem complicada, onde geralmente o jovem acaba desistindo da pessoa que gosta em prol da decisão dos pais mesmo.
Por outro lado, não vi tantas diferenças com o Brasil, aqui vemos tantos casos de maridos que agridem e mulheres privadas de seus direitos. Aqui temos até a Lei Maria da Penha, prova dos abusos que as mulheres passam. Acho que o machismo não é algo somente de uma religião, povo ou raça, mas um problema mundial que aos poucos poderá ir sendo extirpado.
Agora, vale a pena notar outra questão. Muito do que o ocidente enxerga como machismo, para muçulmanas como eu é exatamente o contrário. Uma muçulmana tem orgulho de se cobrir, usar roupas modestas, pois ela quer se resguardar apenas para o marido. Não existe paquera ou olhares tendenciosos direcionados ao meu corpo, justamente porque não me exponho. Meu marido não precisa me dizer para eu me cobrir, pois é assim que uma muçulmana se porta e gosta de agir. Lá também, as mulheres usam véus e se cobrem por devoção à Deus e sua família, não tem nada de machismo nisso, muito pelo contrário! As muçulmanas não são expostas como objetos pelos seus parceiros, não existe esta cobrança como no Brasil por uma estética perfeita ou padrão de beleza que deve ser seguido. A mulher é valorizada pelo que pensa e como age no trabalho e na vida, pois não precisa de um corpo sarado ou decotes para chamar a atenção, como muitas vezes acontece por aqui no Brasil.(abrindo um parênteses aqui: antes que dê bafafá, já digo que eu penso assim como muçulmana, mas não estou obrigando ninguém a ser como eu ou agir assim
)
Outro ponto, que aqui acham que é machismo, é eu me reportar ao meu marido sobre tudo que faço. Mas ele também faz isso, e não é esta a forma que esposos deveriam se portar? Se estamos casados, é claro que ele tem o direito de saber onde estou, se saio, com quem eu saio, assim como eu também tenho direito de saber onde ele está o dia todo. Não é proibido no Islã que a mulher trabalhe, muito pelo contrário, a primeira esposa do profeta Mohamed era comerciante… a mulher pode fazer o que quiser, desde que não descuide da casa, que é sua responsabilidade, assim como o homem não pode deixar sua função, que é a de trazer proventos para sua família. No nosso caso, como eu tenho um emprego de oito horas por dia também, dividimos as funções de casa normalmente, como qualquer casal normal!
5 – Como a mulher egípcia se coloca na sociedade? [Sistema educacional, mercado de trabalho, etc.]
Elas tem direito a educação de qualidade, inclusive na faculdade. A diferença é que muitas meninas querem se formar, porém não pensam em realmente ter de trabalhar depois de casarem. Elas preferem se dedicar a casa e ter filhos, mas hoje a sociedade está mudando e por conta dos custos de vida mais altos, é comum famílias onde mulher e marido trabalham para poder pagar as contas, assim como no Brasil. Eu não senti diferença no mercado de trabalho, pelo menos onde atuei. Também conheci mulheres lá gerentes de hotéis e médicas, que exerciam posições de chefia. Elas estão conquistando seu lugar pouco a pouco, como aqui no Brasil ainda temos a maioria dos cargos de posição nas mãos de homens. Já na política, ainda são poucas as mulheres lá com cargos de peso.
6 – Como a mulher estrangeira é vista e/ou tratada?
Depende da estrangeira. Se é turista e está em locais turísticos, como pirâmides e mercados, é tratada como fonte de dólar e pode ser muito importunada. Os egípcios tendem a cobrar muito mais caro de estrangeiros e falar alto com mulheres que andam mostrando o corpo. Mas aí é questão de bom senso. Tem muita brasileira e européia que vão para o Egito e querem andar de shortinho curto e regata, mesmo estando num país islâmico onde isso é visto de forma muito feia. Todo guia turístico alerta para isso e qualquer um que anda nas ruas pode notar que nenhuma mulher lá expõe o corpo. Se andam assim é porque querem e estão sujeitas a ouvir baixarias ou homens correndo atrás delas mesmo. Eu andei com brasileira lá que fazia questão de sair com roupa justa só pra ver os egípcios gritando atrás dela! Então, cada um com suas escolhas, mas uma turista que tenta cobrir um pouco o corpo vai com certeza ser muito bem tratada e não passar por nenhum transtorno ou situação delicada.
Já em lugares comuns, como restaurantes e shoppings, as estrangeiras são tratadas normalmente, ainda mais em lugares chiques. Eu circulava por lugares onde só egípcios estavam, como trens, táxi, feira. Sozinha e sem meu marido e nunca ouvi nada ou alguém encostou a mão em mim. Mas eu sempre andei de véu e com roupas largas, na verdade acho que poucos notavam que eu era estrangeira, só quando eu tentava falar mesmo no meu árabe “lindo”.
…continua…
12 comments março 26, 2009
Alexandria resume a história recente do Egito
Para quem não conhece ainda, recomendo o texto do Gustavo Chacra de hoje no seu blog. Ele faz um resumo de Alexandria. Adoro saber como cada um enxerga aquela cidade, como cada pessoa vê detalhes diferentes e interessantes. E você, já foi para Alexandria?
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por Gustavo Chacra
A história do Egito nos últimos cem anos pode ser observada na fachadas de Alexandria, a mágica metrópole mediterrânea que ocupa o posto de segunda maior do país, depois do Cairo. Nas primeiras décadas do século passado, apesar de teoricamente ainda parte do Império Otomano, o Egito estava sob domínio britânico. Depois da Grande Guerra, a ocupação foi formalizada. Os ingleses se preocupavam com o controle do canal de Suez e o Egito era uma região estratégica para ser deixada de lado. Alexandria, nesta época, era uma das metrópoles mais cosmopolitas do mundo. Com armênios, gregos, levantinos, franceses, ingleses, judeus, cristãos cooptas e muçulmanos egípcios mais liberais, a cidade ficou marcada na mente de uma geração de ocidentais com a série de livros “O Quarteto de Alexandria”. A vida envolvia idas a bares, restaurantes, romances, cafés e passeios por uma orla que lembra as de outras cidades mediterrâneas, de Marselha a Beirute, mas que faz parte de um passado esquecido como Izmir e Tessalônica.

Orla de Alexandria
Quando Nasser e os militares derrubaram a monarquia e expulsaram os britânicos, a cara de Alexandria começou a mudar. A elite que dava as cores da cidade deixou o Egito. Parte deles por questões econômicas. Os estrangeiros e algumas minorias perderam privilégios de que desfrutavam desde os tempos das capitulações. Judeus deixaram o Egito a partir da chegada de Nasser ao poder porque se sentiram perseguidos. O novo regime via a comunidade judaica como suspeita de laços com Israel, apesar de eles viverem em paz há séculos no Egito. Sem esta população que era o rosto de Alexandria para o mundo, a cidade mudou de feição. Cresceu e hoje tem quase cinco milhões de habitantes que se espalham por mais 20 km de orla.
Prédios novos foram construídos, com arquitetura sem graça, enquanto os charmosos edifícios do centro antigo pararam no tempo, com suas paredes descascando pela falta de pintura. A religiosidade, como em todo o Egito, cresceu. Se nos anos 1960 e 1970 as mulheres de classe média não usavam o hijab, hoje quase todas as muçulmanas de Alexandria e do Cairo cobrem a cabeça. A cidade também é sede do patriarcado coopta. Cristãos e muçulmanos convivem bem, mas as relações se deterioraram nos últimos anos. Como no resto do Egito, a desigualdade social não para de crescer.
Sem o carisma cosmopolita que a marcou, Alexandria aparenta ser uma cidade decadente. Mas, como símbolo de uma nova Alexandria que busca renascer, a gigantesca biblioteca erguida em frente ao mar traz de volta o sonho de que a cidade possa um dia retornar aos tempos de Alexandre o Grande, Cleópatra, do Farol e, claro, de ser o centro do conhecimento mundial durante séculos. Estive em Alexandria em 2004, com a minha mãe, e nos hospedamos no tradicional hotel Cecil, o equivalente do Copacabana Palace local. Na época, me decepcionei muito com o que vi. Desta vez, cinco anos mais tarde, com um pouco mais de calma, descobri que a cidade ainda tem seu charme. Seria uma senhora que viu muita coisa errada acontecer.
Que teve seu esplendor, quando era linda e disputada, mas foi esquecida, se voltou para dento em depressão. Hoje, na velhice, tenta se abrir novamente para o mundo. A única certeza é que Alexandria, ou Iskandaria, para os árabes, é uma palavra que sempre aparece na cabeça das pessoas que se interessam por história.
19 comments março 25, 2009
Disparidades sociais no Egito
Brasileiro tem PhD em desigualdade social. Todo dia ao sair de casa me deparo com os seguranças de terno no prédio da frente, desço as ruas arborizadas do Pacaembu vendo “Tucsons” e “Pajeros”, e eles até têm paciência quando meu paliozinho mil não aguenta o tranco da ladeira que existe logo no final da minha rua. Mas não é preciso ir para a periferia de São Paulo para saber que estamos num país muito injusto.
Quando fui almoçar ontem, ali em frente a Faap, reduto dos boyzinhos e patricinhas universitários, um homem de roupas sujas e rasgadas parou o trânsito para que eu pudesse fazer a balisa. Era o “flanelinha”, o guardador de carros. Agradeci ao sair, e ele ligeiramente respondeu sorrindo – “Bom almoço para senhora!!”
Eu estava ali para comer num restaurante onde o quilo de comida é quase R$ 30, onde servem salmão grelhado e risoto de limão com amêndoas. E o cara ali na rua, no sol, de chinelos, me ajudando a estacionar a ainda me desejando uma boa refeição. Provavelmente ele nunca terá a chance de entrar naquele restaurante por quilo, nem nunca comer o tipo de comida que eu como.
Bom, falei tudo isso para mostrar que entendo bem o que também acontece no Egito. O Egito também tem diferenças sociais gritantes, a diferença é que por vezes fica um pouco difícil determinar lá quem pertence a qual classe, pois até mesmo a classe média de lá anda muito empobrecida. A grande diferença de classes, por incrível que pareça, ainda está muito nos modos e maneira que cada tipo de pessoa encara a vida.
Não estou dizendo que os pobres são ignorantes ou mais tradicionais, nem criando um determinismo social, pois não acredito que somente o meio formata as pessoas, mas no Egito o lugar de onde você vem pode dizer muito sobre o que você pensa e como age.
Existe um preconceito enorme nas cidades grandes como Cairo e Alexandria em relação ao povo do interior, os chamados “faleh”, ou caipiras, numa tradição mais literal. O problema é que, mesmo diante das diferenças sociais entre os pobres que deixam o trabalho pesado do campo e tentam a vida na cidade, realmente as atitudes de um “faleh” mudam pouco mesmo que ele suba de vida ou viva no exterior. Assim como, uma família de uma área nobre de Alexandria, também não vai mudar seu modo de pensar, mesmo estando empobrecida.
Agora vem uma verdade um pouco dura, mas acho que vale a pena comentar. Chega a ser engraçado, mas a maioria das brasileiras que converso e se envolvem com egípcios na verdade estão é lidando com um “faleh”. Pode ser até que ele more no Cairo ou Alexandria, mas se você for checar a origem dele e da família, está lá o campo e o pensamento desse povo do interior. Eles são muito mais tradicionalistas, porém ao mesmo tempo também desenvolveram um senso de esperteza acima do comum. Praticamente todos sonham em deixar o Egito, as mazelas, o “pão de areia” subsidiado pelo governo. E casar com uma estrangeira é o primeiro passo para se dar bem. E eles não se importam de pedir dinheiro, de mentirem, de dizerem que amam mais do que tudo neste mundo somente para ter alguma forma de sair da vida que tem.
Estou tentando tomar cuidado ao escrever este post, para não parecer preconceituosa, mas acho que neste caso vale a pena arriscar para passar para vocês uma visão um pouco mais realista das diferenças sociais no Egito, que muitas vezes não tem nem muito a ver com o dinheiro que você tem. Agora vou dar alguns exemplos destas diferenças.
Eu, por exemplo, nunca conheci nenhum homem egípcio que fosse casado com mais de uma mulher. Simplesmente porque eu circulava apenas dentro de uma classe média letrada, onde a maioria das pessoas tem parentes formados em boas faculdades, onde no passado tinham mais dinheiro, mas até hoje ainda mantém certa delicadeza no falar, no andar. As casas que eu frequentavam sempre estavam em bairros bons, e mesmos que as pinturas estivessem desgastadas, os móveis velhos e surrados, tudo resplandecia a uma época de pequenos luxos, as pessoas sabiam falar inglês ou francês, todos tinham um ou mais parentes trabalhando no exterior como engenheiros ou doutores.
Estas famílias casam os filhos entre si e fazem festas em buffets ou hotéis bonitos, podem ir fazer o hajj na Arábia Saudita e comem carne e frango todos os dias. Já os faleh pobres não fazem isso. A maioria prefere casamentos na rua, onde mulheres ficam de um lado e homens do outro, existe muita dança e alegria, mas tudo com certo exagero, pois o pouco que eles conseguem é preciso mostrar. Também nas famílias da pessoa do interior é muito mais comum casamentos poligâmicos, o que mantém um certo círculo vicioso de pobreza, pois um homem que conquista um emprego um pouco melhor, muitas vezes se casa mais de uma vez justamente para mostrar que está melhor de vida. Cada esposa tem direito a uma casa, ser sustentada de forma igual, e o salário dividido faz o padrão de vida de todos caírem.
Eu conheço brasileiras casadas com faleh. Algumas se dão bem com a situação, outras não aguentaram o tranco. Algumas até hoje sustentam até as manias de grandeza do marido, a forma exibicionista que eles muitas vezes se reportam aos amigos e os gastos extras que eles despendem somente para mandar coisas para a família no Egito para dizerem que se deram bem fora. Mas também tem gente simples que vem para o Brasil, arregaça as mangas e constrói um belo futuro, não estou colocando todos no mesmo saco.
Agora também conheci meninas que sofreram muito ao se envolverem com pessoas destas áreas. Desde serem assaltadas literalmente, não terem uma alimentação adequada, viverem numa casa sem móveis onde só sentam no chão infestado por pulgas do galinheiro que fica próxima. Meninas que foram para o Egito achando que estavam chegando em Sharm el Sheik, mas se depararam com ruas sem asfalto, lixos revirados por todos os lados e falta de saneamento.
Eu não vi nada disso… sei porque me contaram, porque cheguei a acolher brasileira na minha casa, desesperada com o que vivia por lá. Nestes lugares, homem bate em mulher até no meio da rua, mulheres gritam para pedir qualquer coisa, discussões terminam com facadas. Eles são mais preconceituosos, um casamento com estrangeira para eles já soa estranho, se ela não se converter ao Islã, então, é um problema social para este homem, e ele muitas vezes impede que a esposa fale que é cristã ou use crucifixos. Eu não conheci este Egito, aliás, no bairro onde eu morava éramos todos amigos, não sei se já contei, no dia do meu casamento até me arrumei no apartamento de uma família cristã do meu prédio!
Por isso quando nas nossas discussões no Orkut sobre o que é comum ou não no Egito, eu sempre ressalto que nunca vi nada de ruim na família egípcia nem nos costumes deles. Eu vivi em uma camada social onde os costumes são mais parecidos com os nossos, acrescidos de uma religiosidade mais pura e sem tantas convenções sociais.
Bom, mas e a classe alta egípcia? Ela é um pouco misturada, confesso que conheci poucos milionários no Egito, mas tive oportunidade de um contato mais próximo com duas famílias abastadas de lá por conta do meu trabalho.
Em uma, a mãe queria que o filho fosse apenas ensinado por estrangeiras, porque até preconceito com os próprios egípcios eles tinham. Me chamaram para ensinar o Adel, de seis anos, a usar o computador. O menino falava inglês fluente, mas foi uma das piores experiências que tive no Egito. Ao chegar na casa, meu queixo quase caiu, pois parecia aquelas coisas de catálogo de revista. O chaõ e as paredes totalmente de mármore claro, com móveis de design elegantes, a janela com vista para o mar e a ponte Stanley. A mulher, uma egípcia muçulmana, fez um cara de nojo quando me viu. Eu usava véu. “Mas nossa, eu pensei que vinha uma estrangeira ensinar meu filho, você parece egípcia!”…
Só sei que o moleque era uma peste. Só o quarto onde eu dei aula para ele era maior que toda minha casa no Brasil ahahahahaha. Pagavam super bem, 60 LE por hora, mas só aguentei uma semana. O menino era sem educação, e ficava se exibindo para mim. “Olha o Ipod que eu ganhei? Mas é muito ruim, só cabe 200 músicas nesse.” Não estou brincando, ele soltava pérolas deste “naipe” para mim.
Eles tinham duas empregadas filipinas, e uma delas me trazia coca ou qualquer coisa que eu quisesse na hora que eu pedisse. Elas sorriam para mim, acho que porque eu sempre estava alegre e a dona da casa devia ser uma megera. O menino nem olhava para as mulheres, só fazia gestos expulsando-as do quarto. Ele não fazia nada que eu pedia, só reclamava ou contava vantagem. Na segunda aula, dei um livro para ele ler e fazer um desenho no computador inspirado na história. Ele começou a falar alto que não queria fazer aquilo, que eu era muito chata. Eu juro que tentei de todas as formas entretê-lo, mostrei joguinhos, mostrei como desenha no computador, a melhor forma de usar o mouse, tudo… até que ele pegou o livro da minha mão, olhou para mim com sarcasmo e jogou o livro no chão. “Agora se você quiser que eu faça algo, pega esse livro do chão!” – gritou.
Peguei minha bolsa e falei “Tchau, Adel!!!!!!!!!!!!!!!!!”…. e a mãe dele nunca me ligou nem para saber porque nunca mais apareci. E também nunca fui lá receber meu dinheiro, pois nada nesse mundo paga minha honra.
Já a outra família que conheci foi de uma aluna minha da escola. Ela gostou de mim desde o primeiro de aula e conversávamos no msn. A família toda ficou encantada comigo (sei lá o que fiz para tanto ehehehe) e ela quis me convidar um dia para sair. Veio em casa me pegar com o motorista dela, fomos ao clube caminhar e depois numa doceria muito chique. Ela não me deixou pagar nada, não parava de sorrir de tão feliz que estava porque eu tinha aceitado sair com ela. Até hoje ela fala quase todos os dias comigos, implorando que eu vá para o Egito de novo.
5 comments março 19, 2009
resultado da enquete
Religioso, fiel e comprometido. 29% (11 votes)

Igual a qualquer outro homem. 21% (8 votes)
Não faço idéia. 11% (4 votes)
Não dá pra rotular. 39% (15 votes)
***
Ainda bem que venceu a opção “não dá para rotular”. O ser humano é assim mesmo, difícil a gente colocar todos de um grupo no mesmo saco e dizer “são isso”, ou “são aquilo”. I sso vale para os brasileiros, chineses, americanos e egípcios. Não é porque alguém nasceu em tal região que, necessariamente, não poderá ter atitudes diferentes daquela cultura.
Falo isso porque toda vez que achei ter encontrado algo que definisse os egípcios, mais diferenças encontrei neles. Existe o egípcio do campo, o egípcio das vilas núbias. E tem o egípcio de gel no cabelo e calça descolada andando em Alexandria e no Cairo. Mesmo dentro destas grandes cidades com milhões de habitantes, existem diversos bairros e subdivisões, e uma pessoa que mora de um lado pode pensar até bem diferente da que vive do outro.Até quem mora acima de você pode ser bem diferente.
campo foi se abrindo e cada vez escuto histórias e histórias mais diferentes. Pode ser que a maioria até faça uma coisa, mas no ser humano há sempre um enorme espaço para a exceção.
Add comment fevereiro 17, 2009




