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Aqui vi coisas… que nunca pensei que fosse ver.

(este post é do Mostafa)

Quando a Marina estava no Egito, parecia vinda de outro planeta. Podia ser a comida que fosse, camarões, peixes com espinhos, pizza… para tudo, ela pedia garfo e faca. De jeito nenhum aceitava comer com as mãos um pedaço de carne, acho que até sopa ela tomava de garfo. Às vezes íamos visitar alguém e ela não hesitava nem se envergonhava: “você teria um garfo e faca, por favor?”

As pessoas até que olhavam admiradas para ela, tirando até cascas de camarão com extrema destreza sem encostar um dedo na comida. Ela tinha uns ataques também, dizia que no Brasil ninugém comia nada com a mãe. E eu a seguia, mudando tudo e comendo só com os divinos talheres todos os dias.

Eis que chego no Brasil. Primeira semana, paramos em Santos e fomos a um restaurante bonito, com gente bem arrumada e, me parecia, com dinheiro. Chega à nossa mesa um belo prato com frango frito, coberto com lascas douradas de alho. O cheiro era muito bom e corri os olhos procurando o garfo e faca, para começar a me deliciar com aquela comida nova e cheirosa. Mas tomo um susto: diversos pares de mão, sem pestenejar, correm em direção ao prato e, com dedos nus, pegam pedaços de comida. E todos comem com as mãos, tiram os ossinhos e dizem que está muito bom.  Eu fico atônito e pergunto o que era aquilo.

- É frango a passarinho, pode comer com a mão mesmo! – me explicou Marina.

Ah tá, no Egito não pode nada, no Brasil o tal franguinho tá liberado. Viva o Brasil…

***

Eu sempre digo pra Marina que os brasileiros não batem muito bem. Às vezes eu tenho que ir em algum lugar sozinho e sempre me perco, mas se peço ajuda, ninguém entende meu português com sotaque. Mas quando estou no ônibus não escuto nada parecido com português, chamo essa linguagem de “africano” – sem preconceitos, porque eu sou africano, tá? – e a Marina me explicou que esta coisa estranha que ouço são os tais sotaques.  Os brasileiros também não sabem falar devagar, juntam todas as palavras e esperam que os gringos como eu entendam tudo.

- Oi, cêviuquetámuitocalohojiné? – uma mulher que sentou do meu lado no ônibus pergunta.

- Desculpa, sou egípcio. Pode falar mais devagar, por favor?

- Nuóssaaaaa, é mesmo? – escuto e respiro aliviado, esperando que ela repita pausademente a primeira pergunta. – Maizéláquinumtemaquelascoisagrandiquichamapiramidi?

-Tchau. – Termino a conversa.

E por favor, falem “deixa eu ver” e não “xôver” em frente aos gringos. Ajudem os aprendizes da língua portuguesa.

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Todo mundo me pergunta quantas mulheres eu tenho, porque sou muçulmano. No começo tentava explicar que não era bem assim, isto foi algo estabelecido por questões específicas no Islã, não é festa, etc, etc, (kasa, kasa, kasa – em árabe). Agora já cansei, prefiro dizer que tenho quatro esposas, uma em um país diferente do mundo, esperando por mim. Então tá, tudo muito curioso, eles perguntam como as mulheres aceitam isso, como uma sociedade vive desta forma.

Tá bom, então agora eu pergunto. Que foi aquele homem vestido de mulher que vi ontem na rua? Na Paulista, também vi dois jovens de cabelo em pé, rebolando e andando de mãos dadas. Também fiquei sabendo de gente que sem casar, mora junto. E existe até lei que dá direitos para estes casais depois, se for comprovado estabilidade. Mas por que então não se casam de uma vez? Primeiro me expliquem tudo isso que depois explico porque, no Egito, é muito raro ver alguém se casar com mais de uma mulher.

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Tem mais coisas engraçadas que vi por aqui e me fazem rir muito. O Brasil tem muita gente maluca, nunca vi tantos cantando em voz alta ou falando sozinhos na rua. Parece hospício a céu aberto. Aqui quanto tem jogo de futebol soltam muitos fogos, e demorou para eu acreditar que não eram tiroteios, mas sim só comemoração. Quando o Corinthias faz gol, tem sempre um louco que grita muito. O cara pode estar no vigésimo andar que eu escuto como se ele tivesse berrado na minha orelha.

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Estou há um ano no Brasil, e aprendi a gostar daqui. Agradecimentos especiais à pizza quatro queijos e ao pão francês. (brincadeirinha)

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