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Cíntia…

Lembro-me bem apenas de seu rosto redondinho. Os olhos ficavam pequenos quando sorria largo, ela era feliz naquela época. A gente brincava, mas eu sabia que éramos diferentes. Ela morava na rua de baixo, como chamávamos, onde só os mais pobres viviam. E ela não tinha as mesmas roupas que a gente. Parecia sempre um pouco sujinha, encardida.

Engraçado que me lembro dela muito pequena, bem menor do que eu, porém ao reencontrá-la na semana passada, após mais de 10 anos, descobri que só é três anos mais nova. E estava igualzinha. A mesma voz, os mesmos olhos castanhos tímidos que ficavam menores a medida que ela sorria. Estava bem gorda, redonda, com uma saia jeans e uma blusa branca com renda preta nos ombros, cheia de rasgos.

- Marina, você lembra quem me deu meus primeiros patins? – perguntou quando passei pela cozinha.

- Não, quem foi? – Respondi.

- Foi você! Era daqueles de quatro rodinhas, branco, com cadarço!  - Falou, enquanto terminava de lavar as louças.

Eu fiquei sem graça de não ter lembrado. Mas ela continuou.

- Eu esperava o ano todo pelas férias, pois sabia que vocês viriam. – Continuou.

-  E você lembra que a gente brincava de escolinha? – Respondeu, enquanto começou a passar o pano no chão.

- Humm, é mesmo! – Retruquei, mentindo. Não lembrava, e dentro de mim já estava totalmente constrangida. Ela estava visivelmente muito feliz de me ver, de conversar comigo. Mas para mim, reviver aquelas lembranças me doeu. Senti culpa. Culpa de ter estar presa às lembranças da minha infância feliz e normal, de não ter percebido que ela precisaria de muito mais do que minhas migalhas para ter um destino diferente ou parecido com o meu.

- E vocês faziam lição de casa pra mim, lembra? Num caderninho, vocês me davam lição de casa e ai de mim se não fizesse! Mas nossa, eu não entendia nada daquelas lições, eu nem sabia ler direito! – Falava sorrindo, tão contente, me cortando por dentro ainda mais.

- Foi a época mais feliz da minha vida! E eu andava de bicicletinha com seu irmão, como era bom! – Terminou, enquanto já corria para fazer outra tarefa da limpeza da casa da minha avó.

- E como você está agora, Cíntia?

- Tudo bem. Tive filho muito cedo, então a vida é essa. Com quinze anos tive o primeiro, agora já tenho três.

- Nossa, você tem três e eu nenhum! Estou com 28 anos.

- Ah, mas está na hora de ter, então! – Respondeu, com os olhinhos esmagados pelo sorriso.

Aos quinze anos, eu pensava em andar de skate, em mudar para uma escola de alto padrão, em ir para os Estados Unidos nas férias, em comer churrasco no final de semana, em escolher uma profissão. Para mim, tudo o que tinha vivido, era senão um começo ínfimo do que seria minha vida, sem tanta importância. Não me lembro muito das brincadeiras, do que fazíamos, a vida para mim passou sempre suave, com suas dores e desafios normais, porém sem agravantes como a pobreza, a fome, a falta de oportunidades. Tudo que eu tive, Cíntia não passou nem perto. Aos quinze anos, enquanto eu brincava de ser “rebelde”, ela carregava um filho no ventre. O que eu poderia ter feito para mudar seu destino? Será que, mesmo tão jovem, eu não deveria ter feito alguma coisa? Por quê fui tão cega?

Aquela conversa me pesou, deitei no sofá da sala, enquanto ela terminava algum serviço. Meus olhos se fecharam e dormi profundamente. Quando acordei, ela já tinha ido embora. Não tive tempo de dizer tchau, de pedir desculpas por não me lembrar de quase nada dos momentos que passamos juntas, mesmo tendo sido algo tão importante para ela.

De noite, no silêncio daquela casa antiga, embalada pela chuva incessante do verão nas montanhas, fiquei pensando nela. Imaginando seus três filhos, sua casa lá ainda na rua de baixo. Vida sem muita perspectiva. Não deu para desviar o pensamento, para esquecer.

 

Não foi acidente – assunto sério

Gente,

vou tomar um pouquinho do tempo de vocês pedindo uma coisa séria. Vamos assinar esta petição, que está sendo coordenada pelo irmão e filho de duas mulheres – mãe e filha – que foram atropeladas e mortas aqui em São Paulo ao sair de um shopping, por um motorista bêbado. Como a lei seca não é aplicada com dignidade para as vítimas no nosso estado, ele está tentando de alguma forma pleitear uma mudança nas nossas leis.

Sinceramente, não dá para aguentar mais tanta impunidade no nosso país, as pessoas fazem o que querem, matam, roubam e nada acontece. É um escândalo atrás do outro na política, corrupção, a sociedade está apodrecendo por falta de justiça e temos que de alguma forma agir. Brasileiro só faz passeata quando é parada gay (estou riscando antes que receba outro comentário me chamando de homofóbica sendo que me referi à festa em si, que não tem nada a ver com luta de direitos de IGUALDADE e desviando a importância deste post), existem shows religiosos que atraem milhões, porque será que nas coisas que interessam, a gente é tão passivo?????

Bom, eu só peço alguns minutinhos para tentar mudar algo. É só entrar nesse site aqui: http://www.naofoiacidente.com.br/ (para pegar informações do seu título eleitoral, é só ir aqui: http://www.tse.gov.br/eleitor/titulo-e-local-de-votacao)

Para ler mais sobre o caso:  http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/10/familia-de-atropeladas-na-zona-oeste-de-sp-faz-ato-por-mudanca-de-lei.html

Foto da campanha, que por coincidência, mostra as duas no nosso lindo Egito. Fico feliz que elas puderam ter esta experiência antes de serem brutalmente assassinadas.

O que aprendi com ele

A mudançada para o Egito foi claramente mais atrativa em termos de histórias, aventuras e aprendizados facilmente aplicados à vida real. Parece aquele tipo de história que se lê em livros, que se vê em filmes e se imagina durante sonhos ‘nonsense’.

Quando eu fui para o Egito, passei pelo “batismo” de fogo da realidade, aprendi a comer coisas diferentes, vi cores e sons exóticos bem à minha frente. Aprendi na prática, no dia a dia, o que era mudar e ser mudada, o que é realmente ampliar horizontes e viver o mundo como ele é, não só como o idealizamos.

Por fim, o Egito marcou em minha vida e do Mostafa uma série de aprendizados bem práticos, daquele estilo que vemos em manuais de viagens, que envolvem atitudes e costumes. Aprendemos juntos esta coisa de casamento multicultural, com todos os chiliques possíveis que eu poderia dar, com toda a compreensão do mundo que ele poderia oferecer.

Agora, algo que quase nunca falo ou comento, pois é uma parte muito mais densa e difícil de ser mensurada em palavras, foi a fase em que viemos para o Brasil. Só hoje temos a dimensão de quanto o primeiro ano aqui foi extremamente nebuloso e conturbado.

Sinto que, para mim, foi uma retomada das coisas que eu já fazia antes, voltar ao jornalismo, a poder me expressar acidamente e falar de política, discutir economia e não receber olhares atravessados do tipo “que diabos essa menina está falando?”. No Egito, sendo sincera, tive que deletar em parte meu lado mais intelectual, pois a não ser com meu marido, ninguém se interessa pelas conversas de mulheres além do que elas falam sobre o tempo que pretendem engravidar, sobre casamento ou das roupas que estão comprando.

No Egito, tive que aprender a me calar, e isso para meu crescimento pessoal foi muito bom, porém não é algo ao qual eu sobreviveria a minha vida toda. De qualquer forma, retomar minha vida anterior no Brasil era praticamente impossível. Não porque eu não fosse me deparar com os mesmos empregos, o mesmo estilo de vida, mas porque eu já estava tão mudada por dentro, que não sabia mais vivenciar as coisas do mesmo jeito. Depois de nove meses no Egito, você só quer mais e mais, e ter de voltar ao “arroz com feijão” não é algo tão atraente quanto conhecer novas coisas e experimentar no dia a dia outro mundo.

Mas, enquanto eu vivia a experiência de desacelerar em termos culturais, focar de novo na minha carreira e em me sentir parte do “jogo empresarial” mais uma vez, Mostafa passava por uma fase mais complicada. E difícil de explicar. Ele se viu em meio a uma cultura muito mais voltada para o lado prático das coisas, onde receber alguém é com um almoço e olhe lá. Nada de gente pendurada em você, querendo saber cada passo seu.

Ele deve ter se sentido desamparado, muitas vezes me disse que os brasileiros eram muito frios. Isso mesmo, o povo que se diz dos mais hospitaleiros do mundo, é frio perante o olhar egípcio.

Ao mesmo tempo, ele se via sozinho, com uma esposa em ritmo de trabalho frenético, pois não fiquei nem duas semanas parada no Brasil, tendo de lidar ainda com questões burocráticas das mais entendiantes possíveis, como seu visto de permanência, e além de tudo, num lugar onde poucas pessoas se comunicam em inglês, onde andar na cidade mesmo com GPS é bem difícil, imagina sem entender placas ou ter visitado antes o lugar,  onde existe violência, onde a religião não está tão presente e as pessoas se tocam nas ruas, onde não há nada conhecido ou certo, pois tudo é novo e passa numa velocidade de um raio. E junte a isso, a conscientização de que, aos 22 anos, você é um homem casado, que tem de deixar urgentemente o sentimento de juventude de lado, se desapegar para se tornar o homem da casa, em um lugar onde não conhece nada.

Pois bem, é um tarefa árdua, difícil e complexa. A adaptação no Brasil, mais do que cultural, foi emocional,  e como eu disse, é este tipo de aventura que as palavras não conseguem explicar, pois são muitas conversas, debates e discussões envolvidas.

Mas, apesar das engrenagens parecerem enferrujadas, do tempo se arrastar como em um pesadelo, ele fez o que era possível. Jamais me segurou e pediu para eu ir devagar. Mergulhou em livros e sonhos, e com esse aprendizado difícil por meio de um amadurecimento repentino e radical, longe do aconchego egípcio, onde tudo parece possível e fácil de lidar, ele foi se transformando no homem que é hoje. Completando 26 anos amanhã, o Mostafa que conheço hoje é uma pessoa bem diferente da qual eu conversava na internet ou com a qual vivi um conto de fada no Egito. Nem parece que se passaram apenas 4 anos, pois as mudanças neste pequeno período de tempo com certeza foram maiores do que as que iremos viver nas nossas próximas muitas décadas.

Hoje ele é uma pessoa com personalidade fortíssima, inteligente, esforçado e sem medo de fazer apenas o que acha certo e o que tem vontade de fazer. Esqueça qualquer esteriótipo ao analisar Mostafa. Ele não é um egípcio comum, nem um brasileiro comum. Não adianata você querer dizer a ele o que é certo, pois se não há paixão, ele simplesmente ignora e não faz.

Deixou de lado a formalidade egípcia, sem esquecer do carisma de sua terra. Juntou seus valores familiares ao bom senso, não julga ninguém, mas ai de você se falar mal de alguma cultura ou se julgar superior ou mais moderno só pelo local em que nasceu. Ele terá mil respostas para te deixar no chão. Inclusive ele vive me deixando esmigalhada quando venho com meus papos chatos de “no Egito é assim, no Brasil é assado”. Ele acha tudo isso uma baboseira. “Viva sua vida, não se importe com regras ou comparações que não te levam a nada”, sempre filosofa.

Ele conheceu pessoas tão diferentes dele, que com elas se tornou uma pessoa ampla. Digo ampla no sentido de poder se dar bem com qualquer um, pode ser um analfabeto ou um grande empresário. Mostafa nunca acusa, nunca entra numa discussão. Quase sempre ele concorda com você, apenas para te “deixar feliz”‘, como ele diz,  e “eu não perder tempo discutindo algo que ele não vai concordar e eu vou continuar achando que é de outra maneira”. Por isso, fora alguns assuntos mais gerais, algumas coisas você jamais o verá falando de forma enérgica, como religião ou cultura. Se você falar qualquer coisa do Egito sobre “segregação de mulheres”, ele virá com mil exemplos sobre como os brasileiros também são segregadores, apontando no final que não está dizendo que um ou outro lugar é melhor, apenas mostrando que humanos são humanos, não importa onde. Tudo isso com a voz mais calma do mundo, o rosto sereno e sem te deixar com um pingo de raiva. Ele sabe dialogar, qualidade rara e que quase nunca encontro nas pessoas (eu, aliás, sou péssima nisso).

Por fim, posso dizer que no Brasil ele se transformou em um homem sério e ao mesmo tempo terno, totalmente focado em seus objetivos e na sua família. Ele é enclausurado, você jamais o verá em rodas de árabes ou circulando com amigos por aí, pois ele não precisa da aprovação de ninguém para ter auto-estima, nem de grupos para se sentir acolhido. Ele é o tipo de pessoa que encontra a felicidade nas coisas mais simples da vida, como um almoço de domingo em família, na brincadeira com seus gatos de estimação, num passeio ao shopping com a esposa.

E assim hoje ele comemora mais um ano de vida. E quem ganha o maior presente sou eu, por poder estar ao seu lado todos estes dias.

Um egípcio passou por aqui – teste rápido

Hoje o post é um teste. Veja as placas abaixo e diga: quais foram escritas por um egípcio? E por quê? ehehhehe

1) 

 

2) 

 

3) 

 

4) 

5)

Como deu pra perceber, as fotos são do kibeloco.com.br . Depois volto com a reposta :-)

E a mídia continua com seus preconceitos

Na capa da Folha Online de domingo hoje, duas notícias falam de muçulmanos. Uma delas, que fala da mudança da constituição do Sudão, até tem motivo para estar ali vai, pois se é para dar polêmica,  o editor deve pensar “vamos falar daqueles muçulmanos loucos opressores” e tasca essa manchete:

Presidente do Sudão defende lei islâmica e chicotadas em mulheres

 

Aí depois, vejo outra notícia que, sinceramente, não tem nenhum significado ou motivo para estar num jornal do Brasil:

Meninas egípcias trocam boneca islâmica com véu por Barbie

 

Ou seja, uma notícia é para dar o toque semanal contra os muçulmanos colocando sempre algo negativo e lógico, apelidando com letras garrafais que o que um ditador de merda faz é islâmico e que quem segue essa religião só pode ser louco quanto.

A outra, é escrita e colocada como se fosse algo positivo, tipo a salvação está chegando a países islâmicos por meio das Barbies, que mostram o que é ser uma mulher “livre e moderna”. Tadinha das meninas egipcias, nem boneca pelada podiam ver! Ou talvez o sentido de uma notícia dessa estar na capa de um dos sites mais lidos do Brasil, seja o tremendo intersse por bonecas no Brasil e nossa vontade de exportar Barbies para lá, sei lá.

Pior que é assim todo dia. Parece que tudo que tem a ver com o Islã deveria estar numa categoria chamada talvez de “mundo bizarro”, pois quase é tudo tão caricato, tão rasteiro, tão tendencioso e pouco esclarecedor, que o jeito é desligar o computador e ir dormir.

Ai, quer saber, me irrita tanta burrice, superficialidade e falta de assunto nesses jornais. Pior ainda é ver o “níverr” dos comentários, cada entendedor de cultura islâmica e pessoas de cabeça aberta! Nojo…

Uma mãe guerreira

Continuando nossa discussão do post sobre mulher trabalho x casa, uma discussão eterna, lembrei deste outro post que minha mãe fez no blog dela. Gosto sempre de ouvir histórias, e essa é uma que presencio até hoje, então vou compartilhar:

Mães especiais

Esta semana recebi este vídeo que coloco no final do texto, sobre uma mãe muito dedicada e passei o resto do dia pensando nas mães maravilhosas que conheço.

Claro que não poderia deixar de pensar em minha mãe, mas hoje peço desculpas a ela e escreverei sobre outra mãe: A mãe do meu marido. Isto mesmo, da minha sogra.

Confesso que jamais seria uma mãe como ela. Não teria sua força e determinação.

No início de meu relacionamento com Luiz, achava ela uma mulher muito dura, até o dia, há muitos anos atrás, que ela disse a mim que eu era culpada por Luiz estar tão mimado….comecei a refletir…

Bem, Luiz Fernando teve paralisia infantil aos 6 meses de vida e ficou  internado no Hospital das Clínicas 40 dias em isolamento. Era o primeiro filho da escadinha de três, porque 10 meses depois da doença e internação, Dona Eulalia deu a luz a sua segunda filha e mais 2 anos nasceu o terceiro filho.

Fico imaginando há 53 anos atrás as condições nada fáceis para se criar e educar um filho deficiente físico.

Dona Eulalia veio de Santa Catarina ainda adolescente para São Paulo junto com sua mãe de família alemã.. Era babá e sua mãe trabalhava em casa de família. Conheceu meu sogro num baile e se casaram. Meu sogro era de família mineira, mistura de italianos com espanhóis (onde fui me meter né?).

Mas sr Miguel era representante de laboratório e vendia remédios. Tinham uma vida bastante simples: Ela costurava as roupas que usavam, fazia todo trabalho doméstico e cuidava de seus filhos.

Mas voltando ao assunto inicial: Dona Eulalia foi guerreira na educação do Luiz. Uma mulher praticamente sem estudos, mas com caráter, com inteligência e visão de futuro. Enquanto muitas mães enchiam seus filhos de mimos e os protegia da vida, ela os ensinava a caminhar sozinhos. Não descansava nunca. Como também sou mãe de três, eu sei que isto não é uma tarefa  fácil. Ensinar a andar com as próprias pernas exige disponibilidade, disciplina, segurança e muito amor .

Lali  e Miguel logo descobriram a AACD que na época era na Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Como Miguel tinha que trabalhar, Lali pegava o  ônibus e levava Luiz para o acompanhamento e tratamento médico.  Conta que o Luiz gritava na ônibus, mas ela não desistia. Uma vez me disse que quando ele aprendeu a amarrar as botas, que na época parecia aqueles conturnos do exercito, era um verdadeiro treinamento, pois cada dia ele tinha que vestir mais rápido. Cronometrado mesmo.

Quando foi para escola, iam a pé e ele tinha que carregar a própria mochila. Aos amigos que ofereciam ajuda, era um muito obrigado imperativo. Ninguém ousava oferecer ajuda  novamente. E quando caia era a mesma coisa. Ninguém podia ajudá-lo. Ele se levantava sozinho. Ela dizia que ele deveria estar preparado para qualquer eventualidade quando estivesse sozinho, afinal, a gente nunca sabe o que pode acontecer, não é mesmo?

Olhando assim, vemos realmente uma mulher dura. Mas na verdade é uma mulher que muito amou. Era muito mais fácil para ela fazer por ele, claro! Seria até mais rápido… bem mais rápido. Mas sua força amorosa, seu coração valente, fez dela mais que uma mulher, fez uma mãe que, ao aceitar o projeto de Deus em sua vida, construiu uma família de valor e um filho que é um homem firme, determinado, que não desiste nunca e que dá testemunho todos os dias e a todos, de superação e de comprometimento.

Agradeço a Deus e a esta mulher e mãe,  que não tem vídeo dos tempos da dificuldades, por ter nos presenteado com este homem de fé que é o Luiz Fernando.

Obrigada Dona Eulalia!


Chá de sumiço – volto aos poucos

Depois de uma semana fora, a gente volta com coisas acumuladas e o maridão bravo e se sentindo abandonado :-D

Então o blog vai voltar ao ritmo normal aos poucos.

***

Vivi muitas coisas bonitas, apesar do foco ter sido só trabalho. (As fotos não são minhas, os créditos estão no link de cada imagem, pois fiz o favor de passar a semana sem máquina).

No Espírito Santo, vi uma praia de pescadores, de areia marrom. Manguinhos:

No sul da Bahia, visitei um projeto social muito lindo, com crianças felizes, cheias de esperança. É bom sair da realidade de SP e ver o que se passa no Brasil de verdade. Site do Golfinho:

Depois peguei um teco teco:

(Tá bom, o meu não pousou assim, mas eu realmente não curto mto esse modelo de avião – sim, eu tava de Pantanal – , minhas leitoras aeronautas que me digam se isso é seguro ou não)

E vi um vendaval que quase destruiu Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Eu nunca vi tantas árvores caídas na minha vida:

Mas fui compensada pelas maravilhas que o homem pode fazer junto da natureza numa economia sustentável:

Na sexta ainda viajei mais umas horinhas pelo interior de SP, e fechei o sábado comendo bem (essa é a única foto que tirei com minha máquina mesmo ehehe e não, não era um bife de elefante, era de vaca mesmo – sorry amigos vegetarianos) :

E ainda aconteceu muita coisa… conheci uma pessoa especial, que veio de fora do Brasil. Um dia tiro um tempo pra contar sobre ela e como sempre podemos aprender com quem menos imaginamos e à primeira vista parece tão diferente de nós.

#beijomiliga

O mal da vida moderna

Vou compartilhar com vocês algumas das minhas neuras… eu quase sempre estou procurando coisas novas para fazer, ocupar meu tempo. Ficar sem fazer nada, mesmo dormir até de tarde de domingo,  não é comigo.

Antes (pode perguntar para minha mãe) eu era a rainha de acordar super tarde quando podia, pra lá do meio dia. Agora, não sei se pelo ritmo da vida, pode dar 9hs da manhã que já estou rolando na cama pensando em algo pra fazer em pleno domingo. E fico me ocupando com tarefas, com coisas nada a ver as vezes, se me encontro em estado de tédio (isso pode ser depois de trabalhar depois de 10  horas) eu fico vendo sites freneticamente, lendo notícias, chegando todos os blogs e revendo as vezes o mesmo site mil vezes até ter alguma nova atualização para eu ler.

Sou meio frenética na internet, checo twitter umas mil vezes por dia, facebook outras dezenas, meu e-mail é a cada 10 segundos. Não consigo desconectar, as únicas coisas que não dedico tanto tempo é msn e orkut. O msn porque me impede de fazer mil coisas ao mesmo tempo, se estou conversando com alguém sei que a pessoa acha ruim se eu sumo na conversa ou demoro pra responder, então me sinto meio presa, não posso ir lá fazer café, ver TV e pesquisar em sites aos mesmo tempo. Quando várias pessoas então começam a conversar o mesmo tempo, fico ali presa e me dá um certo pânico (coisa de louca). Já o Orkut acho velho, antiquado e bom pra fofocas apenas, tem muito lixo lá dentro, principalmente nas comunidades, onde rola muito abrobrinha e é impossível tentar controlar algo, senão parece ditadura (experiência de quem já teve e já participou de muitas comus no passado).

Bom, mas tirando essas duas ferramentas, sou uma frenética virtual e na vida real também. Sou capaz de alugar 5 filmes e querer ver todo num dia, fazer janta, lavar roupa e ainda ter tempo de ser motorista do habibi, pegando e levando ele pro metrô todo santo dia. Com tanta coisa pra fazer, nos cinco minutos em que penso qual será minha nova tarefa, fico meio deprê, com tédio e achando que tá tudo muito parado.

Hoje mesmo a chuva me deu tédio e de ficar em casa – mesmo sabendo que em casa eu ia ficar muito triste por não ter o que fazer – e mesmo tendo mil coisas pra fazer no trampo, em casa (está de pernas pro ar desde que voltei do feriado) e algumas traduções que eu tenho que terminar de noite pra um trabalho, consigo achar que a vida está parada!

Aí, eu falo com minha sogrita egípcia, e pergunto sobre uma pessoa que conheço de lá, mulher, não trabalha, não estuda, não cuida da casa dela porque está de férias na mãe, e pergunto porque ela não tem aparecido online para gente conversar: “Porque ela está muito ocupada!”…. E  porque eu que faço mil coisas, sempre arrumo tempo para mais coisas, nunca me sinto o suficiente ocupada?

Alguém mais sofre deste mal? Querer um dia mais longo, só pra ter mais coisas ainda pra fazer?

Curiosidades egípcias

Mesmo depois de três anos de casada, tem horas que ainda descubro ou lembro de diferenças culturais básicas entre eu e meu marido egípcio, e geralmente morro de rir, né?

Estávamos decidindo a ordem de quem iria primeiro em um lugar, não lembro o que exatamente, e minha mãe falou:

- Ah, tira par ou ímpar com o Mostafa pra decidir?

- Então eu quero par! – Falei.

- E ele, o que??? Não entendi…

Ou seja, não tem par ou ímpar no Egito, minha gente!! Quer dizer, pelo menos é o que meu marido louco falou, ele disse que usam só cara ou coroa se é com dois, e se estão em três um negócio mais louco com a mão encostando no peito, nem tem como explicar!!

**

Outra coisa q muitos egípcios  - e outros gringos – não entendem, é nossa maneira irônica de falar as coisas, geralmente sempre usando o contrário do que na verdade queremos dizer. Por exemplo, passo em frente ao Tietê e sinto aquele cheirinho de coisa podre e falo:

- Hummmm, que cheiro bommmmm!!!

Mostafa: – Boooom?? Você tá louca, tá fedido!!

**

Tô com sono

Para mim a maior dificuldade no Ramadã não é ficar sem comer ou me controlar durante o dia para não fazer coisas erradas. O problema é a madrugada.

Os egípcios adoram durante este mês comer antes do período do jejum voltar, o que eles chama de soghor, sei lá como escreve. Mas isso significa panelas batendo às 3 horas da manhã na sua casa. De final de semana tranquilo, eu durmo até tarde. Mas estes dois dias que estou tendo de levantar cedo para o trabalho é complicado.. parece que só dormi das 4 hs da manhã até às 7hs eheeheh Tô quebrada!!!

Pior que nem consigo comer nessa hora, Mostafa só me trouxe água mas o sanduíche recusei… prefiro dormir do que comer, na quebra de jejum do dia seguinte eu compenso!! ehehehe

Vou ver se faço um esquema hoje, deixo as coisas já prontas de deitar assim quem quiser come sem precisar preparar nada. Interessante notar como os hábitos das pessoas podem mudar nesse período e como os egípcios criam coisas especiais para essa época. Eles são meio aficcionados pelo Ramadã, não só pelo jejum mas por todas as tradições envolvidas nele, como comer de madrugada.

Ninguém vai morrer de fome se ficar sem o lanchinho, eu mesma sempre faço jejum sem, mas para eles é como a morte se não acordarem para comer algo!! ehehehe

Outra coisa que notei mais agora é que durante o jejum as pessoas gostam de ficar mais em casa, sem fazerem esforço. Eu já levo vida normal e não estou nem aí. No sábado mesmo, o primeiro dia de jejum, levei a sogra pra 25 de março! Imaginem a muvuca, aquela gritaria e a gente andou…muitooo!

Minha mãe estava junto e precisava comprar umas coisas, então batemos perna bastante. Minha sogra tava com uma carinha meio desolada algumas horas depois, tipo “eu acho que vou morrer porque estou de jejum”…. eheheh Mas foi bom para mostrar que não é tão difícil assim e que de estômago vazio dá pra fazer muita coisa! eheheh

Ah, e o que ela achou da 25 de março? Que parece o Egito! eheheeh Falou que é igual às áreas de comércio como a Mancheya, em Alexandria. Achou tudo muitooo barato e já sabe agora onde vai comprar lembrancinhas a bom preço pra levar para os parentes do Egito quando voltar :-)

ps. meu post tá tudo misturado porque como já disse estou com sono e estou e com preguiça de refazer e escrever melhor eheheh

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