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2009 vai se acabando…

Mais um ano se aproxima do fim. Não tem como chegar em dezembro, ver o ano novo e não parar para pensar no que fizemos de bom, se aquele ano valeu a pena ou não. Eu já tive anos bons e ruins, anos misturados, anos que eu perdi à toa por causa de bobagens minha. E se cheguei a alguma conclusão em 2009 foi a de que vida é curta demais para se perder tempo com coisas passageiras.

Em alguns momentos é claro que bate aquela agonia por não saber como resolver determinado problema, mas aprendi a viver com menos peso no ombro e a dar valor ao que realmente importa, como meu amor, minha família, amigos e meu bichos. Coisas que não são mensuráveis em reais ou dólares, mas que representam o tesouro de uma vida.

Conheci gente rica e pobre, alguns felizes outros não. Descobri que aquela lei de que dinheiro não traz felicidade é bem verdade – mas que com uns trocados no bolso as coisas fica bem mais fácil, claro! :d  E eu fui ficando mais feliz a cada dia que passava, sem necessiariamente ter grandes feitos em 2009. Não fiz nada de anormal, não fui promovida, não ganhei prêmios, não viajei muito e nem fiquei mais rica. Se a gente só tomasse nosso sucesso por estas conquistas de trabalho e materais, 2009 seria um ano perdido para mim, então.

Mas é agora no fim dele que percebo que nunca fui tão feliz na minha vida, como as coisas parecem estar perfeitamente engrenadas, como o mundo faz sentido. Aprendi a não viver do passado, muito menos de ficar na expectativa do futuro, de coisas que não possuo ainda. Sonho com o palpável, não perco noites pensando que alguma sorte grande vai me cair do céu.

Aprendi a encontrar tudo o que preciso dentro da minha casinha pequena, sem precisar do mundo lá fora. Não me falta espaço, não preciso respirar, nem dar uma volta para arejar idéias. Encontrei a paz comigo mesmo e em meu lar e isso em si já é uma das maiores vitórias da minha vida. Por isso, 2009 passou placidamente, calmo e perfeito. Foi um ano fantástico.

 

Pensando sobre religião

É engraçado como a procura por nossos antepassados é instigante. Sejam os cientistas, loucos por teorias da evolução; filósofos, para os quais a existência começou com a alma e a razão; ou religiosos, que nos fazem nascer do barro. Eu, reles mortal, patinava em tudo isso em busca de razões. E à medida que mais me procuro, menos sei de mim mesma.

*

Existiu um tempo em que eu não entendia  a religião, os credos e porque deveria confiar no que os homens me falam. Esperei ver um milagre na minha frente, fui em retiros e achava que ia ver Jesus passeando em alguma nuvem. Pedia alguma prova, mas depois ficava com medo de algum santo me aparecer de noite e me dar um susto. Falava para Deus então que eu não queria ver nada não, muito obrigada.

Aprendi sobre a ciência, li de cabo a rabo um livro sobre os dinossauros. Pensava em como o mundo poderia ter tido tudo aquilo, como espécies desaparecem. Ouço falar no fim do mundo, no aquecimento global, na volta de um profeta. Queria saber onde está Deus, fazia as perguntas básicas da filosofia: de onde vim, para onde irei?

Mas depois de viver perdida neste mundo, encontrei alguém que me tirou a poeira dos olhos e libertou meu coração. Algo inexplicável nos uniu mais do fisicamente.  O que inquietava meu coração simplesmente sumiu. Aprendi novas coisas, um olhar diferente sobre Deus e vi lógica no mundo. Não, não virei criacionista. Muito pelo contrário, com a fé renovada vi muito mais sentido nas explicações da ciência, entendi a mágica dos buracos negros, a magnitude dos instintos animais e a ordem suave e constante da natureza. Se existe algo que nos deu origem, uma evolução da espécie, nada disso poderia acontecer sem um ponto inicial. É Deus que iniciou nosso processo de existência, sem Deus, mesmo com a evolução e mil Darwins dando ordens, nunca chegaríamos ao que somos hoje. Existe algo além do que podemos explicar dando sentido a todas as mudanças e a evolução não pode ser apenas do acaso. Ou por acaso nos tornamos humanos? Por um simples capricho da sorte estamos aqui, temos sentimentos e pensamos? Impossível. Não sei como os ateus sobrevivem a estas questões tão simples.

Vejo na ciência e religião complementariedades, não disparidades.

Um sorriso me escapa a cada vez que descubro mais coisas do nosso mundo e do universo. Já ouvi falar de massa negra tapando buracos no universo, da física que nos mantém grudados ao chão. E vejo coisas tão simples e grandiosas ao mesmo tempo, uma gota d’água evaporando na frigideira, uma brisa tocando meus cabelos.  A cada mistério, em cada nova pergunta, só consigo enxergar a existência de Deus.

*

Minha fé não veio apenas na forma. Ser muçulmana não significa apenas vestir certas roupas, rezar com a testa no chão ou dizer Salam Aleikom. Ter fé é sentir, estudar, buscar conhecimento que vai além de normas e regras a serem seguidas. Não me adianta de nada decorar mil hadiths ou dizer que sigo a sunnah, ir até Mekkah e chorar em frente à Kabbah se faço tudo sem entender que, acima de tudo, as provas de que Deus é grande – Allahu Akbar – estão no meu dia a dia e em qualquer lugar. E para exergar isso não existem métodos ou regras, é algo que nasce dentro da alma.

Não, não estou renegando nada, nem dizendo o que é ou deixa de ser obrigatório. Mas acredito que só vou deixar de ler notícias com menos preconceitos e piadas em relação a nós quando os próprios irmãos muçulmanos deixarem de pensar apenas na forma, nos julgamentos que fazem e nas desculpam que vivem criando para cometer abusos, e passarem a se focar no mais importante, em Deus.

(e o pior é pensar que o que escrevi hoje, para alguns muçulmanos será de ofensa grave.)

História de amor no Brasil

Ela era a menina que jogava basquete na escola. Morena, magrinha e ágil, corria de um lado para o outro com os amigos, estava em todas as festinhas animada. Sorria sempre à toa. Mesmo quando a vida não estava tão fácil assim, quando aos 12 anos praticamente se tornou mãe do irmãozinho temporão que acabara de nascer, a menina carregava a felicidade dentro de si. Ela era esperta, mas não gostava de se afundar nos livros. Mudou de cidade várias vezes, mas nunca sofreu com isso, pois em questão de dias já estava rodeada de novos amigos.

Já ele nunca teve uma infância considerada normal. Idas e vindas nos hospitais o cansavam, mas ele não deixou se abater por conta disso. Era sério, gostava de se afundar nos livros e ler brochuras imensas em pleno final de semana. Mesmo assim, era uma criança esperta e tinha seus momentos de peralta também. Nunca foi criado como alguém especial, sua mãe não deixava nem que lhe ajudassem a carregar a mochila de escola, apesar da dificuldade para andar. Quando bebê, ele teve uma doença séria e isso impediu que sua perna esquerda se desenvolvesse bem. Anos de AACD e amor familiar tornaram-no um rapaz capaz de fazer tudo sozinho, mesmo de muletas. Como não corria pela rua como os outros meninos o tempo todo, passou boa parte da vida encontrando felicidade em livros e no estudo, o que foi muito bom para ele no final das contas.

Os dois cresceram, as vidas completamente díspares se cruzaram num momento. Ela virou amiga da prima dele, e sem querer se conheceram numa festinha. Quando os pais dela mudaram de novo de cidade, ela já grandinha não quis sair do colegial que cursava, e a grande amiga ofereceu abrigo por um tempo. E aquele primo não tirava os olhos dela em qualquer ocasião possível. Mas ele era tão diferente dela! Sempre sério, compenetrado, quieto num canto. Ela dançava, pulava e ia de lá para cá.

Recebeu uma carta dele. Era uma declaração de amor! Não sabia mais como olhar para ele, pois nem pensava em algum relacionamento. Pior, estava de namoro com um dos amigos dele. Deixa para lá, a vida segue, um dia ele iria esquecê-la. Mas meses se passaram, e o olhar daquele rapaz forte continuava a seguir seus passos. Cartas vinham, textos longos e cheios de poesia. Ele entrou na melhor universidade de engenharia do país, ela cursava psicologia numa faculdade privada. Até nisso eram totalmente diferentes, ele era racional e metódico, ela preocupada com os sentimentos e espontânea.

Como é que tantas palavras doces podiam ser escritas por aquele rapaz, enquanto pessoalmente ele parecia tão superior e longe dos devaneios? Mas ela lia todas as cartas ansiosa. Não sabia por que, mas esperava sempre pela próxima. E ela sempre vinha. Chegou a ficar com medo de um dia ele se cansar. Quando se olhou no espelho aquele dia, passados dois anos, percebeu que sua mente o tinha guardado com carinho. Sorriu para si mesma e aceitou  finalmente um convite para sair com ele.

Foram assistir a um jogo de basquete no Ipirapuera. A multidão gritava e aplaudia, ressoando no coração acelerado dela. Ele sentiu que aquele era o dia em que seu grande amor fora conquistado. Segurou para que uma lágrima não escorresse, tinha de manter a postura firme de sempre. Quando o time fez um ponto, tocou suavemente na mão dela. E tudo que sempre sonhou se concretizou.

Na volta para casa, ela já sabia que estava apaixonada. Não sabia como aquilo podia estar acontecendo, depois de tanto tempo de negação. A noite terminou com um beijo rápido, na porta de casa. Foi o suficiente para uma noite mal dormida e expectativa por todo um futuro juntos.

Namoraram um ano, noivaram outro. Casaram-se na cidade da família dela, naquele interior de Minas. Depois de dois anos, nascia a primeira filha, Marina, a prova final de que para o amor as diferenças não existem. Logo em seguida, em menos de um ano, chegou a Eugenia, de nome forte escolhido por ele. Por fim, o menininho de olhos verdes brilhantes, Luiz Augusto.

E estiveram juntos por todo esse tempo, 28 anos de mãos dadas. Seja quando ela precisou de um guia para sua vida, ou quando ele necessitou de ajuda para andar. Tão diferentes, ela continua meiga e de bom humor, enquanto ele fecha cara a maior parte do tempo. É o jeito de cada um, complementares em tudo. Ainda dizem eu te amo todos os dias e dão beijinhos de boa noite. Apesar de a vida ter mudado bastante, desafios e lutas impensáveis terem sido travadas, o sentimento que os uniu continua forte como naquele primeiro dia.

E é esse o milagre do amor, de unir o impensável, de por lado a lado até mesmos as maiores distâncias.

Uma história – parte 2

…O chão era liso, e mesmo tomando cuidado, às vezes quase caía só no trajeto de chegar à minha mesa. O pé pulsava de dor todos os dias, e não desinchava. Claro que não iria, eu não deveria estar pulando pra lá e pra cá. Depois de uns dias, alguém achou que eu já estava boa e me pautaram para reportagens externas. E Marina foi, de muletas, para entrevistas coletivas. Todo mundo olhando e me perguntavam como deixavam eu sair assim. Mas eu fui e ia me adaptando às situações, agora entendo como as pessoas que possuem alguma deficiência física sofrem muitas vezes com o descaso. Não é nada fácil.

No trabalho, agora além de mostrar que eu estava ali para fazer um bom serviço, tinha de me desdobrar mais ainda para provar que, mesmo não andando, eu era capaz de suprir as necessidades deles. E os dias foram passando, e meu pé não melhorava. Dormia com dor e às vezes acordava chorando. Meus nervos estavam à flor da pele e algumas horas me batia um desespero agudo.
Mostafa me apoiava e acalmava, em casa fazia tudo para mim. Eu sofria por não poder levá-lo para conhecer a cidade e sair de casa um pouco. Ele estava num país estranho, com uma esposa que não anda e necessita de atenção sempre que está em casa. E agüentamos juntos.
O tempo foi passando e eu precisa ainda cuidar da papelada do Mostafa, pois um dos documentos dele iria vencer. Peguei o carro do meu pai que era automático e dava para dirigir mesmo com o pé estourado. Fomos na Polícia Federal e eu não precisei pegar fila nenhuma. Eis que, na hora de ir embora, cai o maior temporal do mundo. Eu já me sentia sem forças, o tempo foi passando e eu estava muito atrasada para o trabalho. Resolvemos que iríamos tentar sair assim mesmo, Mostafa correria na frente para abrir a porta enquanto eu vinha de muletas. Ele foi e eu fui com minha dificuldade, somada ao chão molhado e as gotas enormes me molhando. Tentei ir mais rápido e o pior acontece. Caio no chão, de novo, em cima do pé machucado. Fico chorando na chuva e Mostafa volta correndo para me levantar.
Quando finalmente chego ao carro, estou encharcada e sem condições de ir para o trabalho desta forma. Resolvi que iria tirar folga, esperando que não sofresse uma retaliação por isso. E fiquei em casa pensando que o pior poderia acontecer, e talvez depois de tudo meu pé não fosse se curar e eu teria de sofrer uma cirurgia.
Depois de um tempo, resolvi encarar o fato com mais humor, e saía até para shoppings, fazer compras. Mostafa buscava a cadeira de rodas e ia me levando para todo canto. As pessoas me olhavam com dó, é muito estranha a sensação de ser diferente. Quando algum lugar fornecia carrinhos motorizados, apostava corrida com o Mostafa e direto esbarrava nas prateleiras. Ele me chamava de criança e eu esquecia dos problemas.

Eu sobrevivi. Depois de dois meses, o médico autorizou meu pé a tocar no chão. E assim que voltei a andar pisando no chão, mas ainda de muletas, recebi uma outra proposta de emprego. Então deixei o jornal, dia 15 de dezembro, exaurida mas com a sensação de dever cumprido. Foi só em fevereiro de 2008, 4 meses depois da queda, que consegui me livrar da imobilização no pé e voltar a usar sapato no pé esquerdo.
E assim a vida se encaminha, aos trancos e barrancos. Nem tudo são rosas e hoje sei que ninguém é sempre completamente feliz, porque a vida nos coloca desafios a todos os instantes. Felicidade não é para mim sorrir o tempo todo, mas é contada com as atitudes positivas que tomamos diante destas barreiras. Por causa do trabalho no jornal, levei mais de quatro meses para para pode andar normalmente. Se eu tivesse ficado em casa em repouso, talvez não tivesse as seqüelas que tive. Até hoje meu pé dói e ainda possuo um edema que nem com as chatíssimas seções de fisioterapia consegui curar. Mas agora já consigo rir desta história, o nosso turbulento começo no Brasil.

***

ps. olhem para seus pés e agradeçam todos os dias a Deus por tê-los saudáveis, pois o meu nunca mais será. É muito ruim percebermos como nosso corpo é perfeito e como qualquer coisinha simples pode tirar muito da nossa harmonia física. Ahh, e ajudem pessoas de muletas!!! ehehehe

Uma carta

Aprenda a jogar com a vida, fale menos e escute mais no trabalho, isso te dará muito mais poder. Não seja amiga de todos, não conte seus medos para qualquer um, pois a maioria das pessoas não vai te apoiar quando mais precisar. Mas saiba ser generosa e abrir novas oportunidades, porque amigos a gente cativa aos poucos, e só depois de passar momentos bons e ruins com eles é que sabemos se realmente os podemos colocar na nossa lista VIP. As pessoas também mudam com o tempo, passe a observar estas transformações, mas descarte o que não for mais compatível com seus objetivos. Pessoas que te deixam para baixo ou com atitudes que você discorda demais, talvez sirvam para ser apenas colegas mesmo, nada além disso.

Cultive sua relação com seu parceiro da melhor forma que puder. Saiba dar amor e compreender, ensine a ele como quer as coisas, não mande. O casamento pode ser a melhor coisa da sua vida se vocês dois souberem ceder e doar ao mesmo tempo, e a construção de uma nova família vai recarregar todas as suas baterias para viver mais 20, 40 anos. Não se prenda a coisas pequenas ou materiais, não fique triste se não der para ter ainda o móvel que você quer, ou o modelo de geladeira melhor do mercado. Estas coisas no fim são todas iguais, e com o tempo você vai ser que são apenas utensílios, não uma necessidade urgente. Ou seja, valorize o que você tem, não o que você não possui ainda.

Aproveite um dia que tiver algum dinheiro sobrando e vá conhecer algum país diferente, em especial se for algum que você acha que teria dificuldades de se adaptar. Vá ao Egito comigo e vou te mostrar como o ser humano pode ser feito da mesma carne e osso, mas pensar de forma tão diferente! Quando você reconhecer a grandeza humana e como a diversidade cultural é fantástica, terá ouro em suas mãos.

Ame a Deus e não tenha temores em sua vida, porque existe algo maior nos guiando. Nada acontece por acaso, tudo é um aprendizado e às vezes precisamos da dor para crescer. Não cometa o mesmo erro duas vezes, mas se o fizer, reconheça que está com algum problema sério, reflita e ore para finalmente aprender a lição. Se machucar alguém, peça desculpas, mas não espere nada de volta. O verdadeiro perdão quem dá é somente Deus e somente dele podemos esperar compaixão. Viva sua vida com intensidade, mas respeite os outros e a natureza e será sempre feliz, com a consciência tranqüila.

Ensine aos seus filhos a seguirem bem uma religião, não os deixe perdidos na mediocridade e falta de atitude. Dê o exemplo e seja firme nas suas atitudes, pense bem no que, dentro da sua igreja, é certo e errado e siga estritamente aquilo. As pessoas pararam de pensar na religião e os valores no Brasil se perderam por conta disso. Católico praticante não é aquele que vai à missa todo domingo, mas o que segue todos os mandamentos e se sente muito mal e envergonhado ao desrespeitar algum deles. Está fora de moda falar de Deus e quem segue uma fé é sempre chamado de radical. Pois seja radical, porque no amor de Deus só encontrará bons frutos e educará filhos para viver plenamente neste mundo.

Não peça muito favores, mas saiba oferecer ajuda quando souber que a pessoa precisa. Muitas vezes estender a mão espontaneamente é muito mais difícil do que simplesmente obedecer a um pedido. As pessoas que precisam realmente de algo geralmente sofrem sozinhas, mas quem é amigo sempre sabe das necessidades do outro.

Olhe para sua família e encontre coisas boas. Não perca tempo com gente chata e que a critica. Se importe apenas com o que seu marido e sua família pensam. O resto, no fundo, não se importa realmente. Mesmos os amigos mais próximos, um dia, podem te surpreender. Tenha suas opiniões e as siga, sem medo de ser diferente, porque nem tudo que é consenso é bom. Lembre-se que toda generalização é burra, e antes de julgar, reflita bem se tem o direito de fazer isso.

Por fim, que viva muitas coisas boas e crie memórias lindas por muitos anos. Lembre-se de seus irmãos e os valorize, pois boa parte do que somos aprendemos com aqueles que, desde que nascemos, convivemos e trocamos experiência. A vida adulta também nos ensina muitas coisas, mas a base está naquela fase em que éramos pequenos e a vida inteira estava pela frente. Nunca se distancie perdida nas suas necessidades e planos de vida, mas olhe ao redor e saiba entender as escolhas de cada um e ver como estas diferenças são bonitas.

***
esta carta mandei para uma pessoa muito especial, mas que se afastou de mim quando fui para o Egito. Ela também reúne alguns conselhos de vida que tento aplicar no meu dia a dia. Sei que está meio fora do tema do blog, mas gostaria de compartilhar!

O amor no casamento

Apesar do mundo atual muita vezes jogar contra, todas as pessoas um dia já pararam para pensar no amor. Existe aquele dia que você deita no travesseiro e o coração aperta, quando você olha através da janela naquela tarde de chuva e sabe que não é feliz porque está sozinha. As pessoas pararam de falar de amor, porque ficaram com medo de encontrá-lo. É mais fácil nos fingirmos de desencanados do que dividir tudo o que temos e nos entregar a algo que não é previsível.

É mais fácil chamar de desvairados aqueles que se entregam à paixão. Casar, dizem, só se for depois de ter muita certeza, morar junto para ver se dá certo. Estamos em um país onde uma menina tem vergonha de dizer que é virgem, pois desta forma é descartada pelos pretendentes da balada. Onde o corpo fala mais alto que a inteligência, e só está bem quem faz uma dieta eterna. Hoje não só aqui mas em outros lugares, como no Egito, casais preferem manter seus amigos, e cada um faz seus programas separados para não desgastarem a relação: ‘eu jogo futebol, enquanto ela sai com as amigas’ ou ‘vamos ao café nos divertir, enquanto as esposas cozinham’. Mas onde está aquela chama que vemos nos filmes, as atitudes emocionadas em busca de agradar o parceiro? Aquelas histórias onde para sempre o final é feliz…

Quantos divórcios existem? E mais do que divórcio, quantos casais infelizes não vemos por aí, fingindo se amarem por conveniência da vida? Por que estas coisas estão acontecendo e ninguém faz nada? As pessoas se concentraram no que precisam para sobreviver, mas esqueceram que no sentimento as regras não deveriam existir. Todo mundo erra, mas esquecemos como é mais fácil perdoar do que ficar criando novos problemas.

Uma relação a dois pode ser perfeitamente serena e feliz, se ambos souberem que ninguém é igual a ninguém. Que as diferenças sempre vão existir e que não cabe ao parceiro tentar mudar aquilo, mas sim entender e estender a mão quando o outro precisa. Mesmo quando somos contra, não é fechar os olhos e tremer de raiva, mas mostrar um ponto de vista e entrar no acordo. É também saber pedir perdão todos os dias, pois nós sempre erramos e um casamento com mágoas e ressentimento carregado ao longo do tempo se torna um fardo doloroso.

Casamento não é dividir apenas as contas no final do mês, mas saborear o dia a dia nas pequenas coisas juntos. É saber até mentir para os outros para preservar seu parceiro, é entender quando é preciso silêncio e quando são necessárias palavras. É não ter medo de ter a alma limpa com aquela pessoa, tendo certeza de que ela sempre poderá escutar e irá te consolar, mesmo diante dos seus piores erros. É a pessoa que, quando você chega chateada com algo externo, te diz para esquecer de tudo, porque o que realmente importa é só vocês dois felizes. É ter a certeza de que, tudo que fez para ficar com aquela pessoa, apesar dos riscos, da dor e da separação, valeu a pena. E que você faria tudo de novo, se fosse necessário.

Te amo habiby!

Protegido: Marina

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