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Tempo de Namorar

Já contei que minha mãe tem um blog? É esse aqui: http://familiasantateresinha.blogspot.com/

Essa semana ela fez um post muito lindo e vou compartilhar com vocês, já que a data é mais que propícia. Estou aqui no friozinho com meu marido, curtindo o dia dos namorados mais feliz da minha vida (e claro, com um tempinho pra passar aqui ehehe) A fotinho é do casal mais fofo que conheci na minha vida, meus bisavós Mário e Marina, que não estão mais por aqui porém são sempre lembrados como exemplo de alegria e união por longos anos:

***

O batimento descompassado do coração, uma certa ardência no rosto e uma ansiedade na alma pode ser sintomas de um proeminente ataque do coração, mas na verdade é uma deliciosa sensação que experimentamos ao ver a pessoa que nos interessamos chegar. Mas será que estou falando de algo que não mais sentimos? Será que hoje ainda ao ouvirmos uma música nos lembramos da pessoa amada? Guardamos o papel da primeira bala, o ticket do primeiro cinema junto? É romantismo ultrapassado?

Muitas vezes embalados pela pressa do tempo em tudo ter e pouco ser, em superar limites e alcançar grandes vôos, época de fast foods, perdemos o saborear das descobertas, dos sentimentos singelos que levam uma vida toda para ser apreciado em meio a tudo que acontece no mundo e a nossa volta.

Nós, pais modernos, deixamos nossos filhos muito pequenos serem bombardeados pela massa sensualizada das músicas, das novelas, da nossa falta de paciência. As crianças entram na maternal e perguntamos: Quem é seu namoradinho? Ela vai crescendo e começam as preocupações e as proibições que sem perceber perdem espaço ao conformismo e a falta de senso crítico…

Se buscamos sucesso profissional e financeiro, buscamos o sucesso amoroso também. Então nas baladas, nos enchemos de energéticos para não dizer outra coisa, e testamos todas meninas e todos garotos. É o ficar descompromissado, nem sempre inconseqüente. É do ficar do beijo ao ficar do sexo. Puro prazer, vazio de amor. Pior, vazio de amor próprio.

O tempo de namorar começa na adolescência e nunca termina. É o segredo daqueles que usaram o tempo de conhecer o outro com objetivo de construir uma vida. Vida que tem dores e desencontros, mas que tem porto seguro, mão estendida e beijo velado. Simples cumplicidade. É não estar só, porque mais que trocar beijos e desejos, é trocar sonhos e anseios.

O meu desejo é que todo dia seja dia de namorar. Namorar que é conhecimento, que é conquista de si e do outro. Que é preparação para uma vida junto, construída todo dia, dividindo as dores e multiplicando as alegrias

2 comments junho 12, 2010

Relembrando o Egito

A relação com os lugares que a gente passa na vida vai mudando conforme o tempo passa. Em relação ao Egito, já fui do amor ao ódio, da saudade ao descaso. Varia, nossa vida vai acontecendo e a forma com que nos relacionamos com as coisas também pode amadurecer.

É muito diferente ir num lugar para turismo ou para viver, e se estamos em tal lugar para começar a vida, ou só pra curtir. E o mesmo que eu senti, meu marido também sente em relação ao Brasil. Tem horas que ele detesta isso aqui, outras está calmo e parece mais nativo que muitos brasileiros. Ele ainda se irrita com o fato dos brasileiros sempre apontarem defeitos nos outros lugares, mas não verem o montão de defeito que temos aqui também. (por ex., adoram falar que o Egito é sujo, mas ele vê sujeira o tempo todo em São Paulo!! eheheh)

Mas já estou fugindo do assunto, eu estava é a pensar no Egito. Temos tantas coisas e planos agora, que o Egito ficou lá pra trás nas nossas prioridades. Nem eu nem meu marido pensamos em ir lá nos próximos anos, nem mesmo a passeio, e não é por não adorar o lugar, mas simplesmente porque o mundo é muito grande pra ficar sempre indo no mesmo lugar se tivermos oportunidades!! É assim que pensamos, temos outras prioridades e sei que vai demorar muito ainda pra eu pisar no Egitão de novo.

E acho que até por ter ficado com a imagem do país como um sonho, lá atrás, e sem saber quando volto, você acaba criando uma imagem esfumaçada, as coisas que não gostava fui esquecendo, lembro só de coisas boas, até porque foi lá que conheci meu amor, nos casamos e tudo que existe de melhor na minha começou. Aliás, já falei pra vocês que meu marido é o que mais AMOOO neste mundo…

Bom, pra terminar este post doido, vou abrir minha caixa de memórias e postar umas fotos minha no Egito, espero que gostem, muitas algumas já devem ter visto.

no Cairo

morango por quilo... ahhh amo

morango por quilo... ahhh amo

Alex

não é Cancun, é Egito eheh

12 comments maio 29, 2010

Não enviem dinheiro para namorado online!!

Gente, a mensagem do título é clara e básica. NUNCA, mas NUNCA mesmo, enviem dinheiro para um homem que conheceram na internet e mantém um relacionamento amoroso. Golpes como este são praticados por pessoas de todos os países, já postei notícias sobre isso que aconteceu no Brasil mesmo, mas como tenho contato nas relações EgitoxBrasil, conheço vários casos de mulheres que mandaram dinheiro para seus habibis e infelizmente só encontraram frustração.

Eu recebo alguns contatos que me assustam, vou compartilhar sem dizer nomes, claro, apensas como um alerta:

Fevereiro -

UMA AMIGA MINHA FOI ENGANADA POR UM ESTRANGEIRO,ELE DISSE QUE A AMAVA E QUE QUERIA VIR PARA O BRASIL FICAR COM ELA.PORTANTO ELE PEDIU PARA ELA DINHEIRO E ASSIM QUE ELA ENVIOU ESSE DINHEIRO ELE SUMIU. EU TENTEI AJUDA LA FOI ENTÃO QUE ENCONTREI ESSE SITE FALANDO SOBRE O ASSUNTO E NÓS NOS ASSUSTAMOS NÃO SABIAMOS QUE MUITAS MULHERES JÁ PASSARAM POR ISSO…ENTÃO A PERGUNTA É : O QUE PODEMOS FAZER ,ONDE IR PARA FAZER DENÚNCIA.ELA TEM MUITAS PROVAS QUE CONSEGUIMOS JUNTAR FOTOS DELE ONDE ELE TRABALHA ELA ESTÁ MUITO DEPRIMIDA MAS EU CONSEGUI CONVENCE LA DE FAZER A DENÚNCIA MAS EU NÃO SEI POR ONDE COMEÇAR ELE É INDIANO DIZ MORAR EM VARANASI TEMOS O ENDEREÇO QUE ELE FORNECEU PARA QUE ELE PUDESSE PEGAR O DINHEIRO POR FAVOR AJUDE NOS

Abril -

ESTAVA LENDO SOBRE SUA VIDA TOMEI A LIBERDADE DE ENVIAR PRA VC ESSE EMAIL.ESPERO Q VC TENHA UMA SUGESTAO PRA MIM VOU CONTAR UM POUCO DA MINHA HISTORIA.
CONHESE UM ARABE,ONDE ELE MORA NA PALESTINA,ELE E SEPARADO MAS ,EU TBM SOU SEPARADA,SO Q ELE AINDA N TEM O DIVORCIO,ESE ANO ELE VEIU MI CONHESER,OLHA NOS NOS AMAMOS MUITO,,E AMOR DE VERDADE DE AMBAS PARTES,CHEGAMOS ACHORAR POR ESSE AMOR IMPOSSIVEL DA PARTE DELE,ONDE ELE PEDIU O DIVORCIO PRA EX,MAS ELA EXIGIR UMA QUANTIA MUITO ALTA,,ELE FICOU DESESPERADO POR N TER ESSE DINHEIRO PRA DA PRA ELA,,ELE TRAB E TEM 5 FILHOS ONDE TODOS FICARAM COM ELE,OS FILHOS N QUER A MAE E SIM O PAI,,AI ONDE ESTAR NOSSO PROBLEMA ELE N PODE CASAR COMIGO,ELA PEDIU EQUIVALENTE A 50 MIL REIAS,,ELE N TEM CONDIÇOES,,MESMO ASIM ELE MANDOU EU SEGUIR MINHA VIDA PQ N TINHA COMO COSEGUIR ESSA GRANA PRA TER O DIVORCIO,,MAS O NOSSO AMOR E GRANDE,,VOLTAMOS A NAMORAR NA NET,ONDE FICAMOS HORAS NAMORANDO, ELE N PODE MORAR AKI COMIGO DIVIDO O TRAB DELE E OS FILHOS Q SAO DE MENOR,ELE JA CONSULTOU UM ADVOGADO ELE FALOU SO COM O DINHEIRO Q ELA PEDIU Q ELA DA O DIVORCIO PRA ELE,,ELE JA TENTOU NEGOCIAR COM ELA..PRA DIVIDIR ESSE DINHEIRO EM PASSELAS,ELA N ACEITOU FALOU Q ELE VAI SER INFELIZ POR RESTO DA VIDA DELE,,E TUDO QUE NOIS PRECISAMOS E DESSE DIVORCIO PRA MIM IR MORAR COM ELE NA PALESTINA,,,PEÇO Q VC MI ORIENTE SOBRE ESSE ASSUNTO DIVIDO ELE N FALAR BEM O PORTUGUES NEM EU ENTENDER BEM A LEI DO PAIS DELE,,ELE FALA PRA MIM Q SO DEUS PODE AJUDAR ELE MAS NINGUEM,,EU FICO LOUCA NA NET PROCURANDO ALGO,AJUDA PRA NOS DOIS,,MAS ELE DIZ PRA MIM Q NINGUEM PODE AJUDAR ELE,,SE EU TIVESSE ESSA QUANTIA JA TINHA MANDO PRA ELE SE LIVRAR DESSA EX,,QUE MALTRATA ELE TODO DIA,,,
ESPERO Q VC LEIA E MANDE A RESP PRA MIM,,OU MI ORIENTE SOBRE TUDO Q EU ESTOU PASSANDO,,PQ N POSSO PERDER MEU AMOR,,OBG ESPERO SUA RESPOSTA MAS BREVE QUE VC PUDER,

Julho/2009 -

Casamento entre Brasileira & Egpcio: um amor impossível.
Eu e meu marido,dentro em breve ex,somos o que se pode dizer
um casal fabricado pelos chats,começou errado continuou errado e terminou errado;ele é todo errado,todo escondido,todo cheio de subterfúgios e esconderijos;um homem de mil e umas caras,após 3 anos de casada e 5 meses apenas de convivência nunca vi a cor da família dele,nunca recebi um telefone ma sequer deles,nada,casei no civil, com a promessa de que viajaríamos ao Egito para realiazr o casamento àrabe e conhecer sua família,ma sisso nunca se realizou.só promessas.só mentiras.estou saindo desse casamento com 60 mil a menos em extorsão,revoltada e decepcionada,porém com um desejo enorme de justiça.

****

É triste meninas… espero que o post dê uma luz para quem precisa!!

14 comments abril 29, 2010

Sábado de coisas fofas

Decoração do chá de cozinha da minha irmã, não tá uma coisa fofa?

ps. uma das madrinhas dela que fez tudo! E os pregadores rosa fui euzinha ehhhe aceito encomendas :-p

14 comments fevereiro 7, 2010

O que é ser noiva?

antes de tudo: Blog abandonado, eu sei!! Mas se vcs soubessem o tanto de coisa que tenho feito, teve dia essa semana que só dormi 3 hs…. então por isso não estou tendo a calma necessária e idéias para o blog todo dia, como gosto de fazer! Desculpa a todos, espero que logo o ritmo volte ao normal…

***

Este post não é para falar sobre casamento no Brasil ou no Egito… é para compartilhar um sentimento muito comum com quem está se preparando para um relacionamento sério , para se casar.

Como já disse outras vezes, minha irmã vai casar e o grande dia está chegando. Ao contrário de mim, que fui para o Egito sem mal dar satisfação e compartilhar preparativos, minha irmã está fazendo tudo como manda o figurino, com direito a entrega de convites, chá de panelas, lista de presentes, igreja, vestido branco, festa, etc… é muita coisa!!

Mas mesmo meu casamento tendo sido tão diferente do dela, assim como outras pessoas podem ter outras formas de se “juntar”, acho que em alguns momentos compartilhamos as mesmas coisas. Deixar o lar, o que conhecemos, é um passo grande na vida de qualquer um.

Eu quando fui para o Egito tentei não pensar muito nas coisas, pois estava trocando tudo o que eu tinha por algo que eu nem havia visto ao vivo ainda. Não sabia direito como seria minha nova casa, meus novos hábitos, morar com outra pessoa que não meus pais e meus irmão. Tentei fingir que nada estava acontecendo para evitar ficar pensando e analisando, pois é difícil a gente imaginar que estamos felizes e tristes ao mesmo tempo, por deixar algo que amamos em troca de outra coisa que também amamos.

Essa coisa de ser noiva é complexa, contraditória. O ser humano nunca se sente confortável com mudanças e é normal que dê um medo na hora de mudar tudo o que conhecemos. Mas minha irmã no blog dela, conseguiu descrever muito bem o que é tudo isso que estou falando. E deixo o texto para compartilhar com vocês:

“Desde que comecei a entrega dos convites e fiz minha prova do vestido, comecei a ficar com um frio na barriga diferente. É um misto de felicidade extrema, medo, preocupação e coração partido… O casamento, assim como qualquer nova etapa de nossas vidas, significa ruptura e escolha… E para escolher uma coisa necessariamente tenho que abrir mão de outras… E é neste abrir mão que residem o medo e um pouquinho de coração partido. Eu não falo em tristeza, porque não é isso, mas o lançar-se ao desconhecido traz certa insegurança.

Bom, falando mais concretamente, ultimamente tenho pensado na minha saída de casa. Não na construção de um novo lar, mas na despedida do lar em que vivi toda a minha vida até agora. A despedida é sempre um pouquinho dolorosa… É difícil pensar que não vou mais estar ali em casa na janta, nas conversas intermináveis na cozinha, que meus pais não vão mais me buscar à noite na pós, que, enfim, a rotina da minha casa vai continuar acontecendo, mas que eu não vou ser mais presença nela.
Quero dizer, mais uma vez, que não há tristeza nisso, digamos que o que sinto é um estranhamento… Um ciúme talvez, daqueles que se sente quando se quer ter tudo ao mesmo tempo.

Por outro lado, este sentimento de perda se encontra com o de felicidade extrema. Estou muito feliz e ansiosa por começar uma nova fase, onde descobertas serão feitas e alegrias encontradas no dia a dia da convivência. Tenho a certeza tão absoluta de que serei tão feliz na nova rotina da minha casa!

Enfim, este frio na barriga está aumentando… Aliás tudo tem se intensificado: o amor, o sorriso, o medo, a alegria, a ansiedade, o choro e o riso… Acho que isso é ser noiva!”

9 comments janeiro 29, 2010

Formar família

* Hoje vou deixar aqui um post feito pela minha irmã no blog dela. É engraçado como muitas vezes já vi reclamações aqui sobre falta de amor e comprometimento dos brasileiros, mas eu tenho bons exemplos em casa, com meus pais e minha irmã agora, de que não é bem assim. Claro que muitos não querem um casamento de verdade, mas isso não é exclusividade de homem brasileiro ou de qualquer país. Entre egípcios e muçulmanos também muitos não querem esse amor e paixão, ou algo que realmente seja uma troca diária de conhecimento e cumplicidade. Muitos só querem um casamento de fachada, o que não deixa de ser diferente de um homem brasileiro que simplesmente assume que foge de compromisso. Por isso acho o exemplo dela legal, e resolvi postar para vocês hoje. Espero que gostem! Ah, eles se casam em fevereiro do ano que vem, e semana passada comemoraram 9 (isso mesmo, NOVE) anos de namoro!*

Hoje eu estava refletindo um pouco sobre o casamento e fiquei pensando no quanto o mundo vai mudando com o passar do tempo e, junto com ele, as pessoas vão mudando. Digo pessoas em um sentido bem amplo mesmo, de humanidade.

Eu não tenho uma visão melancólica da vida. Claro que tenho saudades da minha infância e do que já passou, mas não penso que gostaria de voltar no tempo ou coisa assim. Talvez eu seja um pouco otimista demais, mas sempre penso que amanhã o dia será melhor do que hoje, mesmo que isso às vezes pareça impossível quando o dia que vivemos parece o melhor de nossas vidas. Enfim, acho que estamos o tempo todo crescendo, aprendendo e evoluindo. E assim acho que o mundo caminha também. Vamos aprendendo com os erros do passado para construirmos, no presente, um futuro melhor.

Mas o que tudo isso tem a ver com o casamento? É que eu tenho notado que o casamento não tem sido visto mais com tanta importância pela sociedade. As pessoas acham que o casamento é apenas uma festa, mas que não há obrigação nenhuma de dar certo. Eu não penso assim… Na verdade, acho que é um tema bastante complicado, pois não dá pra saber os limites de cada um e o que se passa na vida intíma de um casal. Então acho que não sou contra a separação, porque não posso julgar o sofrimento de cada casal, de cada pessoa e até onde era possível suportar e superar. O que eu não gosto é dessa banalização do casamento… Das pessoas que acham que o casamento é apenas um ‘ritual de passagem’ e não percebem que é um compromisso assumido para o outro.

Para mim, o casamento é justamente isso: compromisso. É o acordo entre duas pessoas de que vão dar o máximo de si para fazer o outro feliz. E vão ter uma família. E vão cuidar dessa família. Eu realmente penso que a base para uma sociedade mais justa e feliz é esta. Não que não existam outras maneiras de cidadãos bons serem formados (se pensasse isso estaria sendo injusta com pessoas que não tiveram a oportunidade de crescerem em uma “família padrão”), mas ter uma base familiar sólida, de valores e respeito com certeza contribui muito para a caminhada da sociedade rumo a um mundo mais feliz e justo.

O que eu espero, indo de encontro a uma frase que escutei esta semana no show do Paralamas do Sucesso, é que eu e o Jaime possamos formar uma família que preparem pessoas melhores para o mundo, para que os nossos filhos possam ser agentes de mudança da sociedade e que sejam sempre ferramenta de amor e paz. E isso só será possível através do nosso compromisso e do respeito que teremos um para com o outro.

Eugenia

Os próximos noivinhos!

5 comments dezembro 11, 2009

2009 vai se acabando…

Mais um ano se aproxima do fim. Não tem como chegar em dezembro, ver o ano novo e não parar para pensar no que fizemos de bom, se aquele ano valeu a pena ou não. Eu já tive anos bons e ruins, anos misturados, anos que eu perdi à toa por causa de bobagens minha. E se cheguei a alguma conclusão em 2009 foi a de que vida é curta demais para se perder tempo com coisas passageiras.

Em alguns momentos é claro que bate aquela agonia por não saber como resolver determinado problema, mas aprendi a viver com menos peso no ombro e a dar valor ao que realmente importa, como meu amor, minha família, amigos e meu bichos. Coisas que não são mensuráveis em reais ou dólares, mas que representam o tesouro de uma vida.

Conheci gente rica e pobre, alguns felizes outros não. Descobri que aquela lei de que dinheiro não traz felicidade é bem verdade – mas que com uns trocados no bolso as coisas fica bem mais fácil, claro! :d  E eu fui ficando mais feliz a cada dia que passava, sem necessiariamente ter grandes feitos em 2009. Não fiz nada de anormal, não fui promovida, não ganhei prêmios, não viajei muito e nem fiquei mais rica. Se a gente só tomasse nosso sucesso por estas conquistas de trabalho e materais, 2009 seria um ano perdido para mim, então.

Mas é agora no fim dele que percebo que nunca fui tão feliz na minha vida, como as coisas parecem estar perfeitamente engrenadas, como o mundo faz sentido. Aprendi a não viver do passado, muito menos de ficar na expectativa do futuro, de coisas que não possuo ainda. Sonho com o palpável, não perco noites pensando que alguma sorte grande vai me cair do céu.

Aprendi a encontrar tudo o que preciso dentro da minha casinha pequena, sem precisar do mundo lá fora. Não me falta espaço, não preciso respirar, nem dar uma volta para arejar idéias. Encontrei a paz comigo mesmo e em meu lar e isso em si já é uma das maiores vitórias da minha vida. Por isso, 2009 passou placidamente, calmo e perfeito. Foi um ano fantástico.

 

10 comments novembro 16, 2009

Pensando sobre religião

É engraçado como a procura por nossos antepassados é instigante. Sejam os cientistas, loucos por teorias da evolução; filósofos, para os quais a existência começou com a alma e a razão; ou religiosos, que nos fazem nascer do barro. Eu, reles mortal, patinava em tudo isso em busca de razões. E à medida que mais me procuro, menos sei de mim mesma.

*

Existiu um tempo em que eu não entendia  a religião, os credos e porque deveria confiar no que os homens me falam. Esperei ver um milagre na minha frente, fui em retiros e achava que ia ver Jesus passeando em alguma nuvem. Pedia alguma prova, mas depois ficava com medo de algum santo me aparecer de noite e me dar um susto. Falava para Deus então que eu não queria ver nada não, muito obrigada.

Aprendi sobre a ciência, li de cabo a rabo um livro sobre os dinossauros. Pensava em como o mundo poderia ter tido tudo aquilo, como espécies desaparecem. Ouço falar no fim do mundo, no aquecimento global, na volta de um profeta. Queria saber onde está Deus, fazia as perguntas básicas da filosofia: de onde vim, para onde irei?

Mas depois de viver perdida neste mundo, encontrei alguém que me tirou a poeira dos olhos e libertou meu coração. Algo inexplicável nos uniu mais do fisicamente.  O que inquietava meu coração simplesmente sumiu. Aprendi novas coisas, um olhar diferente sobre Deus e vi lógica no mundo. Não, não virei criacionista. Muito pelo contrário, com a fé renovada vi muito mais sentido nas explicações da ciência, entendi a mágica dos buracos negros, a magnitude dos instintos animais e a ordem suave e constante da natureza. Se existe algo que nos deu origem, uma evolução da espécie, nada disso poderia acontecer sem um ponto inicial. É Deus que iniciou nosso processo de existência, sem Deus, mesmo com a evolução e mil Darwins dando ordens, nunca chegaríamos ao que somos hoje. Existe algo além do que podemos explicar dando sentido a todas as mudanças e a evolução não pode ser apenas do acaso. Ou por acaso nos tornamos humanos? Por um simples capricho da sorte estamos aqui, temos sentimentos e pensamos? Impossível. Não sei como os ateus sobrevivem a estas questões tão simples.

Vejo na ciência e religião complementariedades, não disparidades.

Um sorriso me escapa a cada vez que descubro mais coisas do nosso mundo e do universo. Já ouvi falar de massa negra tapando buracos no universo, da física que nos mantém grudados ao chão. E vejo coisas tão simples e grandiosas ao mesmo tempo, uma gota d’água evaporando na frigideira, uma brisa tocando meus cabelos.  A cada mistério, em cada nova pergunta, só consigo enxergar a existência de Deus.

*

Minha fé não veio apenas na forma. Ser muçulmana não significa apenas vestir certas roupas, rezar com a testa no chão ou dizer Salam Aleikom. Ter fé é sentir, estudar, buscar conhecimento que vai além de normas e regras a serem seguidas. Não me adianta de nada decorar mil hadiths ou dizer que sigo a sunnah, ir até Mekkah e chorar em frente à Kabbah se faço tudo sem entender que, acima de tudo, as provas de que Deus é grande – Allahu Akbar – estão no meu dia a dia e em qualquer lugar. E para exergar isso não existem métodos ou regras, é algo que nasce dentro da alma.

Não, não estou renegando nada, nem dizendo o que é ou deixa de ser obrigatório. Mas acredito que só vou deixar de ler notícias com menos preconceitos e piadas em relação a nós quando os próprios irmãos muçulmanos deixarem de pensar apenas na forma, nos julgamentos que fazem e nas desculpam que vivem criando para cometer abusos, e passarem a se focar no mais importante, em Deus.

(e o pior é pensar que o que escrevi hoje, para alguns muçulmanos será de ofensa grave.)

11 comments novembro 4, 2009

História de amor no Brasil

Ela era a menina que jogava basquete na escola. Morena, magrinha e ágil, corria de um lado para o outro com os amigos, estava em todas as festinhas animada. Sorria sempre à toa. Mesmo quando a vida não estava tão fácil assim, quando aos 12 anos praticamente se tornou mãe do irmãozinho temporão que acabara de nascer, a menina carregava a felicidade dentro de si. Ela era esperta, mas não gostava de se afundar nos livros. Mudou de cidade várias vezes, mas nunca sofreu com isso, pois em questão de dias já estava rodeada de novos amigos.

Já ele nunca teve uma infância considerada normal. Idas e vindas nos hospitais o cansavam, mas ele não deixou se abater por conta disso. Era sério, gostava de se afundar nos livros e ler brochuras imensas em pleno final de semana. Mesmo assim, era uma criança esperta e tinha seus momentos de peralta também. Nunca foi criado como alguém especial, sua mãe não deixava nem que lhe ajudassem a carregar a mochila de escola, apesar da dificuldade para andar. Quando bebê, ele teve uma doença séria e isso impediu que sua perna esquerda se desenvolvesse bem. Anos de AACD e amor familiar tornaram-no um rapaz capaz de fazer tudo sozinho, mesmo de muletas. Como não corria pela rua como os outros meninos o tempo todo, passou boa parte da vida encontrando felicidade em livros e no estudo, o que foi muito bom para ele no final das contas.

Os dois cresceram, as vidas completamente díspares se cruzaram num momento. Ela virou amiga da prima dele, e sem querer se conheceram numa festinha. Quando os pais dela mudaram de novo de cidade, ela já grandinha não quis sair do colegial que cursava, e a grande amiga ofereceu abrigo por um tempo. E aquele primo não tirava os olhos dela em qualquer ocasião possível. Mas ele era tão diferente dela! Sempre sério, compenetrado, quieto num canto. Ela dançava, pulava e ia de lá para cá.

Recebeu uma carta dele. Era uma declaração de amor! Não sabia mais como olhar para ele, pois nem pensava em algum relacionamento. Pior, estava de namoro com um dos amigos dele. Deixa para lá, a vida segue, um dia ele iria esquecê-la. Mas meses se passaram, e o olhar daquele rapaz forte continuava a seguir seus passos. Cartas vinham, textos longos e cheios de poesia. Ele entrou na melhor universidade de engenharia do país, ela cursava psicologia numa faculdade privada. Até nisso eram totalmente diferentes, ele era racional e metódico, ela preocupada com os sentimentos e espontânea.

Como é que tantas palavras doces podiam ser escritas por aquele rapaz, enquanto pessoalmente ele parecia tão superior e longe dos devaneios? Mas ela lia todas as cartas ansiosa. Não sabia por que, mas esperava sempre pela próxima. E ela sempre vinha. Chegou a ficar com medo de um dia ele se cansar. Quando se olhou no espelho aquele dia, passados dois anos, percebeu que sua mente o tinha guardado com carinho. Sorriu para si mesma e aceitou  finalmente um convite para sair com ele.

Foram assistir a um jogo de basquete no Ipirapuera. A multidão gritava e aplaudia, ressoando no coração acelerado dela. Ele sentiu que aquele era o dia em que seu grande amor fora conquistado. Segurou para que uma lágrima não escorresse, tinha de manter a postura firme de sempre. Quando o time fez um ponto, tocou suavemente na mão dela. E tudo que sempre sonhou se concretizou.

Na volta para casa, ela já sabia que estava apaixonada. Não sabia como aquilo podia estar acontecendo, depois de tanto tempo de negação. A noite terminou com um beijo rápido, na porta de casa. Foi o suficiente para uma noite mal dormida e expectativa por todo um futuro juntos.

Namoraram um ano, noivaram outro. Casaram-se na cidade da família dela, naquele interior de Minas. Depois de dois anos, nascia a primeira filha, Marina, a prova final de que para o amor as diferenças não existem. Logo em seguida, em menos de um ano, chegou a Eugenia, de nome forte escolhido por ele. Por fim, o menininho de olhos verdes brilhantes, Luiz Augusto.

E estiveram juntos por todo esse tempo, 28 anos de mãos dadas. Seja quando ela precisou de um guia para sua vida, ou quando ele necessitou de ajuda para andar. Tão diferentes, ela continua meiga e de bom humor, enquanto ele fecha cara a maior parte do tempo. É o jeito de cada um, complementares em tudo. Ainda dizem eu te amo todos os dias e dão beijinhos de boa noite. Apesar de a vida ter mudado bastante, desafios e lutas impensáveis terem sido travadas, o sentimento que os uniu continua forte como naquele primeiro dia.

E é esse o milagre do amor, de unir o impensável, de por lado a lado até mesmos as maiores distâncias.

11 comments maio 29, 2009

Uma história – parte 2

…O chão era liso, e mesmo tomando cuidado, às vezes quase caía só no trajeto de chegar à minha mesa. O pé pulsava de dor todos os dias, e não desinchava. Claro que não iria, eu não deveria estar pulando pra lá e pra cá. Depois de uns dias, alguém achou que eu já estava boa e me pautaram para reportagens externas. E Marina foi, de muletas, para entrevistas coletivas. Todo mundo olhando e me perguntavam como deixavam eu sair assim. Mas eu fui e ia me adaptando às situações, agora entendo como as pessoas que possuem alguma deficiência física sofrem muitas vezes com o descaso. Não é nada fácil.

No trabalho, agora além de mostrar que eu estava ali para fazer um bom serviço, tinha de me desdobrar mais ainda para provar que, mesmo não andando, eu era capaz de suprir as necessidades deles. E os dias foram passando, e meu pé não melhorava. Dormia com dor e às vezes acordava chorando. Meus nervos estavam à flor da pele e algumas horas me batia um desespero agudo.
Mostafa me apoiava e acalmava, em casa fazia tudo para mim. Eu sofria por não poder levá-lo para conhecer a cidade e sair de casa um pouco. Ele estava num país estranho, com uma esposa que não anda e necessita de atenção sempre que está em casa. E agüentamos juntos.
O tempo foi passando e eu precisa ainda cuidar da papelada do Mostafa, pois um dos documentos dele iria vencer. Peguei o carro do meu pai que era automático e dava para dirigir mesmo com o pé estourado. Fomos na Polícia Federal e eu não precisei pegar fila nenhuma. Eis que, na hora de ir embora, cai o maior temporal do mundo. Eu já me sentia sem forças, o tempo foi passando e eu estava muito atrasada para o trabalho. Resolvemos que iríamos tentar sair assim mesmo, Mostafa correria na frente para abrir a porta enquanto eu vinha de muletas. Ele foi e eu fui com minha dificuldade, somada ao chão molhado e as gotas enormes me molhando. Tentei ir mais rápido e o pior acontece. Caio no chão, de novo, em cima do pé machucado. Fico chorando na chuva e Mostafa volta correndo para me levantar.
Quando finalmente chego ao carro, estou encharcada e sem condições de ir para o trabalho desta forma. Resolvi que iria tirar folga, esperando que não sofresse uma retaliação por isso. E fiquei em casa pensando que o pior poderia acontecer, e talvez depois de tudo meu pé não fosse se curar e eu teria de sofrer uma cirurgia.
Depois de um tempo, resolvi encarar o fato com mais humor, e saía até para shoppings, fazer compras. Mostafa buscava a cadeira de rodas e ia me levando para todo canto. As pessoas me olhavam com dó, é muito estranha a sensação de ser diferente. Quando algum lugar fornecia carrinhos motorizados, apostava corrida com o Mostafa e direto esbarrava nas prateleiras. Ele me chamava de criança e eu esquecia dos problemas.

Eu sobrevivi. Depois de dois meses, o médico autorizou meu pé a tocar no chão. E assim que voltei a andar pisando no chão, mas ainda de muletas, recebi uma outra proposta de emprego. Então deixei o jornal, dia 15 de dezembro, exaurida mas com a sensação de dever cumprido. Foi só em fevereiro de 2008, 4 meses depois da queda, que consegui me livrar da imobilização no pé e voltar a usar sapato no pé esquerdo.
E assim a vida se encaminha, aos trancos e barrancos. Nem tudo são rosas e hoje sei que ninguém é sempre completamente feliz, porque a vida nos coloca desafios a todos os instantes. Felicidade não é para mim sorrir o tempo todo, mas é contada com as atitudes positivas que tomamos diante destas barreiras. Por causa do trabalho no jornal, levei mais de quatro meses para para pode andar normalmente. Se eu tivesse ficado em casa em repouso, talvez não tivesse as seqüelas que tive. Até hoje meu pé dói e ainda possuo um edema que nem com as chatíssimas seções de fisioterapia consegui curar. Mas agora já consigo rir desta história, o nosso turbulento começo no Brasil.

***

ps. olhem para seus pés e agradeçam todos os dias a Deus por tê-los saudáveis, pois o meu nunca mais será. É muito ruim percebermos como nosso corpo é perfeito e como qualquer coisinha simples pode tirar muito da nossa harmonia física. Ahh, e ajudem pessoas de muletas!!! ehehehe

9 comments março 3, 2009

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