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Você me aconselha a casar com um egípcio?

A pergunta deste título já é absurda por si só. Primeiro, casamento é algo tão pessoal e se vc precisa de uma opinião de fora sobre algo tão abstrato é porque ainda tem muito o que conhecer a pessoa com quem quer se envolver. Mas por incrível que pareça, já me fizeram esta pergunta e outras variações dela várias vezes.

A resposta é simples, feita com outra pergunta: como é que eu vou saber? Nem conheço a pessoa. Como já disse tantas outras vezes, egípcio não é feito em forma de bolo, todos com o mesmo caráter, religiosidade e personalidade. São pessoas de carne e osso, como eu e você. Como todo o resto das pessoas do mundo, são diferentes entre si. Acho ingenuidade achar que só porque alguém é de um país determinado, aquilo vai dizer se a pessoa é boa ou ruim.

Mas, de forma bem generalizada mesmo, algumas coisas são meio comuns por lá, como sempre comentamos, eles respeitam muito a família, obedecem os pais, querem se casar e ter filhos (isso não significa que querem uma paixão ou são românticos, muito pelo contrário). Então, não ache que vc vive um conto de fada só porque um egípcio te pediu em casamento pela internet, ou em uma semana falou BAHEBAK. Isso é o mais comum por lá.

Eu acho que relacionamentos são muito mais do que palavras. São as atitudes que realmente vão te provar algo, se é isso que você busca. Não adianta me perguntar ou a qualquer outra pessoa se o tal “habibi” é legal ou é honesto. Não dá pra saber, tudo na internet parte do princípio da adivinhação.

Aí vc vem e me pergunta: ” Mas Marina, como é então que você sabia que seu marido é bom, vc não teve medo?” Medo não tive. Fiz uma opção difícil para buscar felicidade e segui com ela até as últimas consequências. Agora se eu sabia que ia dar certo? Jamais… apesar de meu coração dizer que sim e da relação com ele ser muito transparente online, na vida real a história realmente é outra. A convivência então, nem se fale. Existe divórcio de gente que namora 10 anos, certo? Pois são as coisas do dia a dia que valem. Nenhum mentira sobrevive ao dividir a cama com uma pessoa, ao ver como o outro reage às coisas da vida. Até que ponto seu companheiro se doa para a relação? Ele é egoísta, mesquinho, brigão, mandão? Pode ser também amoroso, fraco, gentil, calmo, tranquilo até demais. As pessoas podem ter infinitas combinações de personalidade e para mim, é só no cotidiano que descobrimos a receita completa do caráter de alguém. Um gesto simples, como fazer um chá para vc, ou te pegar de surpresa com um abraço. Recolher um papel que caiu no chão, pedir sua opinião, perguntar se vc está bem. Isso vale mais do que um “bahebak” dito mil vezes.

Existem coisas na internet que podem ajudar, como estudar muito. Não fique com preguiça, se vc quer alguém do outro lado do mundo, entenda bem o contexto que ele vive, não busque só experiências pessoais de outras pessoas, eu vivi algo completamente diferente que outras amigas. Cada uma conhece um Egito diferente, um egípcio diferente. Leia reportagens sobre o país, veja sites sobre Islam, visite uma mesquita antes de dizer que se converte e acha lindo usar véu. Use a cabeça, não só o coração. Blogs como o meu ajudam, mas são só uma versão dos fatos. E você poderá conhecer milhares de versões sobre tudo, ainda mais quando se trata de amor, coisas intangíveis. E egípcios? Alguns são maravilhosos sim, a gente sempre encontra pessoas maravilhosas em todos os lugares. Mais definí-los por um todo é ser superficial.

Se você pensar do lado prático, casar com alguém de outra cultura e que mora do outro lado do mundo não é algo muito vantajoso. Pense que terá sempre uma família dividida, aqui e lá. Pense que tem coisas que ele vai fazer e você simplesmente vai achar absurda, e ele o mesmo de você. Só pra vcs se conhecerem, um ou outro vai ter que desenbolsar uns 2 mil dólares. Pode ser que vc chegue lá e ele tenha bafo. Ou que ele te veja e te ache velha demais para o que viu nas fotos e passe os dias te enrolando pra dizer isso e no final não casar. Acontece ué, é o risco.

Então, antes de pedir opinião sobre algo que só implica na sua vida, nas suas escolhas, pense bem se vc está disposta a correr os riscos e a fazer a coisa acontecer. Eu, isso minha opinião, não acredito em relacionamentos online de meses a fio, ou até anos. Isso não é prova de nada. Ficar batendo papo na internet não vai te dar garantia nunca de nada. Conheça a família dele, entenda se culturalmente lá se vc é aceita. Não se humilhe jamais para ninguém, se um dia alguém te pedir dinheiro, saia correndo.

Se ele alega que a família não te aceita, seja dura e pergunte logo no começo se ele vai ser contra a família ou te enrolar. Se ele diz que vai ficara com vc, tenha um plano concreto de quando e como isso vai acontecer. O mesmo vale para as brasileiras. Não fique só de namoro com alguém que coloca uma expectativa grande em cima de vc. Se o seu egípcio é sério, não brinque com os sentimentos da pessoa nem fique nessa de fazer “test drive” antes. Porque isso só machuca os dois e será, muitas vezes, uma grande perca de tempo.

Mas conselhos são só conselhos. Você pode escolher não dar ouvidos a nada e fazer só o que acha certo para vc. E quem pode te criticar? Ninguém, afinal a vida é sua. No final das contas, só você sabe o que passa na sua cabeça quando, ao deitar, coloca a cabeça sobre o travesseiro e vê o filme de seus dias passando. Só nós mesmos conhecemos o que temos de pior e melhor. Todos nós temos nossos segredos, nossos sonhos e maldades. Só eu sei o preço que posso pagar por um desejo.

Estresse por excesso de comprometimento

Passei esses dias longe de casa, longe do blog. E acabo sempre por refletir muito sobre minha vida, sobre o que fiz e no que posso ser uma pessoa melhor. Perdi muito tempo me frustrando com as pessoas, sem notar que boa parte das minhas mágoas são causadas por mim mesma e que nunca é tarde para mudar. Mas calma, esse não é mais um dos meus post de reclamação ou “mimimis”, como dizem hoje em dia. É sobre auto-conhecimento.

Tive uma ótima conversa com minha chefe num almoço durante a semana e ela é sempre sensível e excelente para analisar personalidades. Na hora que eu comecei a me abrir um pouco, ela falou claramente que via que eu estava “estressada por excesso de comprometimento”. Em outras palavras, disse que eu estava me comprometendo com coisas demais, que não eram da minha alçada, me preocupava e lutava por coisas que não são da minha responsabilidade. Por causa disso,  muitas vezes me botava a frente de problemas que nem eram meus, penso que tenho solução para tudo e que poderia ajudar.

Mas nem sempre as pessoas precisam de uma resposta. Elas só querem falar, desabafar e eu não preciso sempre ter uma solução na manga, tentar dizer o que penso ou faria. É preciso dar o outro a chance de experimentar, de viver também. Os erros fazem parte da vida de cada um e não sou eu que vou salvar uma pessoa ao tentar ficar pulando na frente dizendo “faça isso”, “não faça aquilo”. Muito menos vou me dedicar a solucionar coisas de gente que mal conheço, que se abrem um pouco e eu já escancaro meu leque de ações e opiniões. Calma lá, Marina, respire e deixe os outros respirarem.

Vejo que errei muito ao falar com pessoas que me pediram ajuda sobre seus relacionamentos com egípcios e afins. Sempre falei o que pensava e o que faria e insistia naquilo quando achava que a mulher estava cega. Mas cheguei a conclusão que cada um passa na vida o que precisa, cada pessoa só aceita um problema para si porque quer. O blog tem tanta informação clara sobre como é o casamento e como saber se o cara é verdadeiro. Porque eu vou ter que ir lá, cutucar o ombro da moça e dizer “eii, você não leu isso e aquilo, não tá vendo que está sendo enganada?”.

Muita gente quer ser enganada, quer viver de sonhos, de ilusão e se eu mexer nesse tipo de coisa, a culpa sempre vai vir para mim depois. Se tento mostrar os problemas e abro os olhos de alguém é porque sou chata e terminei a relação dos sonhos deles. Se eu fico na minha e falo bem, que o risco vale a pena e a menina vai pro Egito e quebra a cara, a culpa também é minha depois, pois ela diz que não a alertei e a fiz ir para o Egito. Então é complicado, não sei ser uma pessoa que fica em cima do muro, por isso decidi simplesmente não falar mais nada sobre relacionamentos. Afinal, todo mundo tem direito de aprender, de errar, de tentar ser feliz. As informações estão dispostas não só nesse blog, mas em muitos outros lugares, nas mesquitas e livros. Quem procura acha.

Mas não é só nisso que sempre fiquei falando e me comprometendo em ajudar demais, como se fosse minha responsabilidade. Já passei horas com gente que só me pedia ajuda com documentos, tradução, como fazer visto e blablablá e achava que estava salvando o mundo. Aí a menina sugava o que precisava, simplesmente dava “tchau e benção” e nunca aparecia para falar mais nada, ou contar como estão as coisas, criar algum laço de amizade. Outro dia, até emprego para um cara que mal conheço tentei arrumar, nem e-mail de agradecimento da esposa recebi. Não sei se eu que fico esperando demais, algum reconhecimento. Mas eu não sou tão altruísta assim ao ponto de fazer as coisas sem esperar no mínimo gratidão em troca. Como disse outro dia, acho que minha cota de sorte nos relacionamentos virtuais deve ter estourado com o Mostafa.

Quem me conhece pessoalmente sabe que se me empolgo com um tema, viro uma matraca. Eu sou assim em tudo, destampo a falar o que penso e sinto e como diz aquele bom ditado, “em boca fechada não entra mosquito”. E quanto menos a gente fala, menos chance de falar bobagem tem. Como meu nível de blablablá é extremamente elevado, devo falar muito babaquice por aí.

Mas eu estou conseguindo mudar. Já larguei coisas que me faziam querer comentar, argumentar e expor a “verdade”. Que era minha verdade, não necessariamente o que os outros queriam ou precisavam escutar. Estou tentando viver mais na minha, em paz comigo e mais preocupada com o que realmente importa para minha vida.

***

Só para terminar, acho que o exercício de pensar sobre si mesmo vale para todo mundo. Sempre temos algo que podemos ser melhores, como fazermos coisas boas para as pessoas sem nos machucarmos e machucá-las. Isso é um exercício diário e eterno, acredito. E para quem pensa que seu jeito é assim e pronto, quem quiser que aceite, lembre-se que todos vivemos conectados nesse mundo, a ação de um influencia na vida do outro, não dá para pensar de forma isolada somente no que é bom para nós. Devemos ser mais agradecidos a quem tenta nos fazer um bem, mais fraternos com quem precisa de algo, mais responsáveis com nossas atitudes. É o que tenho tentado fazer.

Boa semana pós-feriado!!!

 

 

Inversão de valores

Hoje a minha amiga Teresa, que mora no Egito,  publicou um post muito lindo sobre uma história no Egito. Entre aqui para ler.

Eu sei que o Egito é um país difícil para se viver, existem mil problemas e o maior deles é o fato de estarem numa ditadura.  Sinto que a maioria das pessoas lá simplesmente parou de perceber o que é seu de direito e quais são seus deveres. Por isso, as ruas tem lixo, os prédios não são pintados (eles acham que é um dever do governo isso, limpar ou pintar) ou quando têm um problema sério como alto preços de comida e escolas caindo ao pedaços, acham que é um dever deles aceitar isso e pronto. Sempre senti essa inversão de conceitos por lá, é uma sociedade bem diferente, só vivendo vários meses para vc entender bem como funciona o raciocínio.

Mas estou falando tudo isso porque ontem vi uma notícia na televisão que me chocou. Um homem no rio foi morto a tiros por causa de um tênis e um blusão. E pior, a polícia parou perto deles, depois abordou os bandidos, e não fez nada. Aí que volto para a história da Teresa, que mostra como uma verdureira deixa suas coisas na rua dia e noite, mesmo sem ela olhar, e ninguém encosta a mão para roubar nada, mesmo com muita gente passando fome lá. Aqui se um caminhão bate, vocês sabem a fila de saqueadores que aparece logo atrás. Eu já vi com meus próprios olhos um caminhão se acidentar na marginal Tietê e carros e mais carros (de gente normal, não é nem “bandidão”) parando para roubar as caixas de cerveja que se espalharam pelo local, todos rindo e achando que deram sorte de ver aquilo, ao invés de ajudarem o pobre caminhoneiro, que ficou sentando na guia com a cabeça baixa esperando o guincho.

É complicado ver duas realidades tão diferentes, entender o que acontece em nosso mundo e não ter idéia de como mudá-los. Nesse ponto, virei como os egípcios em relação à corrupção. Por não conhecer um Brasil livre da violência, aprendi a achar que é meu dever andar de vidros fechados, que é meu dever não reagir e entregar tudo rápido se for assaltada. Também inverti meus valores.

Fico aqui sonhando, no dia que o Egito vai uma sociedade democrática em que alguns reais direitos sejam conquistados. E com um Brasil onde eu possa encontrar uma barraca de verduras na rua, sem ninguém vigiando.

What’s up?

Gente, minha sogra foi pro Egito sábado pela KLM e hoje ela me contou que encontrou simplesmente umas cinco brasileiras também indo pro Egito. E elas estavam indo para se casar!! O que é isso, invasão? ehehehehe

Alguém tem teorias porque esse tipo de coisa está se tornando tão comum? Tem alguma leitora que estava nesse vôo? :-)

beijos

Quando a família dele é contra

Em algumas culturas, o que os pais dizem e aconselham é praticamente uma lei. Tem de ser cumprida a ferro e fogo, e isso pode dificultar muito a vida de quem se envolve com um homem apegado a este costume. A Sheila e a Carol já falaram muito sobre este assunto e como às vezes a cultura deles fala mais alto do que qualquer coisa. E não é nada fácil ouvir de quem se ama que ele quer respeitar o que os pais aconselham, e não os planos que vocês traçaram juntos.

Na nossa concepção de casamento por aqui, o casal se gosta, se apaixona, e juntos planejam como querem que tudo aconteça, que coisas estão dispostos a fazer para viverem juntos, onde querem morar e como querem viver. No Egito, não é bem assim que a coisa acontece, assim como já vi exemplos de amigas com amores da Índia, Paquistão e Síria. Já fiz muitos posts sobre o casamento no Egito e as tradições envolvidas, é só ler aqui, aqui e aqui.

No Islã, os filhos devem respeito total aos pais, e devem sim considerar a opinião deles. Mas no Islã, ninguém também é obrigado a se casar com quem não quer, apesar de que esta segunda regra muitas vezes não é considerada em países árabes. Acho que uma é bem interligada a outra, se os pais querem aconselhar o filho com quem se casar, eles também deveriam levar em consideração os desejos do filho e conhecer sim a noiva, ver o jeito dela, seus desejos e valores, para depois julgar. A maioria, porém, quando sabe que o filho quer se casar com uma gringa, arma um escândalo sem ao menos conhecê-la. E não adianta ser convertida, ser mais religiosa que uma árabe vizinha deles, para os pais simplesmente é inaceitável e o medo corre feio água fervendo pelo corpo deles.

Do que eles mais tem medo?

-  O filho se afastar da religião.
- O filho ir embora e não ter mais contato.
- Chance de divórcio muito alta, e os filhos ficarem com a estrangeira.
- Casando com uma árabe conhecida da família, eles poderão aumentar seu ciclo de amizades, companheirismo (e grudes), algo muito forte na cultura de alguns países.
- Medo do desconhecido e de não poder controlar a situação. Pois a noiva gringa, ainda mais se forem morar fora, não abaixa a cabeça.

Eu acho que casamento exige sim uma avaliação de ambas as partes. Tanto da brasileira que está encarando a mudança, como da família do noivo que precisa conhecer com quem o filho planeja ter uma vida. Meus pais, no meu caso, não foram muito receptivos a isso na época (apesar de hoje tratarem o Musta como filho :-) ) então meu marido não pode conhecê-los muito bem. Já a mãe dele falava comigo todos os dias e conseguiu ficar bem tranquila depois disso, gostou do meu jeito e passou a torcer por nós.  Eu sei que é difícil estabelecer um diálogo entre as partes, mas tente, e digam para seus pais – tantos as brasileiras quanto os gringos – que é preciso conhecer e analisar bem antes de julgar.

Julgar sem conhecer é um dos piores preconceitos, é generalizar de forma estúpida para se sentir mais seguro. Um povo não é melhor que outro, uma religião – apesar de cada um ter sua convicção de fé – não pode ser imposta como superior para quem não a conhece. E mesmo que a pessoa escolhida pelo filho seja muito diferente, todas as pessoas podem ter a oportunidade de se adaptar, todas deveriam ter a chance de conhecer novas culturas e tirar coisas boas delas também.

Infelizmente, para muitas famílias muçulmanas tradicionais, a coisa não funciona bem desta forma. Se os filhos não seguem os passos exatos que a sociedade acha bonito e correto, é como se fosse uma vergonha para eles. Casar sem a pesquisa dos pais, sem ir a casa da noiva e acertar o acordo, então, imagina! Por causa de coisas culturais que nem sempre são as mais corretas, já conheci gente que os pais deram as desculpas mais esfarrapadas do mundo para não aceitar o casamento, tanto com uma estrangeira quanto como uma própria mulher da sociedade deles pelo qual o filho estava apaixonado, mas os pais não aceitaram o casamento:

* Família do rapaz, explicando porque não aceitaram que ele se casasse com a namorada que teve durante 4 anos de faculdade, no Egito. ” Fui na casa da noiva e a mãe é que falava mais, fazia tudo, enquanto o marido ficava sentado quieto. Então naõ aceitamos, porque se você se casar com ela, é ela quem vai mandar em você”. – sim, 4 anos de relacionamento por água a baixo por causa de uma visita e uma conclusão precipitada.

* Família da noiva, explicando porque o pretendente não era bom para a filha. “Eles não quiserem dar os móveis da cozinha e do quarto, mas dariam o resto. Mas nós queremos que eles dêem a sala, então não combina. Vamos achar outro rapaz que queira dar a sala.”

Nas relaçãos com as gringas, então, as desculpas são piores ainda, pois a família muitas vezes mal a viu ou falou com ela. Pois a negação já vem logo que se comenta a relação. E isso é um grande problema se o rapaz não for firme e está disposto a ir contra. Causa muito sofrimento, principalmente do lado de cá, pois se eles preferem seguir a família e deixam isso claro, não é fácil para as passionais brasileiras aceitarem isso. Um relacionamento à distância suga a gente, tira noites de sono, não poder ver e discutir cara a cara as coisas dói bastante, ver que todos seguem com a vida enquanto você está entregue a uma tela de computador é deprimente. Eles estão longe, a insegurança é demais, pois de uma hora para outras são bem capazes de largar tudo com você e simplesmente aceitar a noiva que o pai quer lá mesmo. E você nem vai saber dos detalhes, não tem como.

É uma realidade dura, mas que muitas mulheres enfrentam com coragem e peito aberto, sempre em busca do amor. Algumas já venceram esta batalha, outras desistiram e algumas ainda estão na luta. Como em tudo no amor, não existe receita para dar certo, e somente uma conversa sincera e bem franca entre os dois, com metas estipuladas, pode melhorar a situação quando os pais não querem aceitar o casamento. E se ele não te oferece nenhuma contrapartida ou plano concreto, reflita bem se a relação ainda está fazendo bem para você.

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A vida corre

Quando eu paro para pensar que em somente três anos eu fui para o Egito, vivi tanta coisa, voltei pra são Paulo, trabalhei tanto, mudamos de casa, viajamos para tantos lugares, conhecemos tantas pessoas, me falta até fôlego.

Aliás, a vida anda tão corrida que às vezes nem acredito que fiz tudo isso. O Egito ficou como aquela memória antiga, às vezes até parece que nem fui para lá um dia. Tudo já mudou, a experiência foi se transformando e se não fosse pelas fotos, nem acreditaria que eu conheci as pirâmides. Como já disse, minha memória não é das melhores, então todas as lembranças, com o tempo, vão ficando como lampejos de imagens, sons e cheiros daquele lugar.

Antes eu tinha uma saudade louca do Egito, de ouvir “Salam ya baladi” e ficar chorando com o Mostafa. Mas a saudade distorce os fatos, pinta a realidade de cor de rosa. Tudo que ficou longe parece mais encantador. Com o tempo e a vida estabilizando, nos tornamos mais racionais e vivemos o presente com cada vez mais intensidade. Hoje estou no ponto de que não sinto mais aquela saudade apertada do Egito. Claro, amo tudo aquilo e se pudesse, pegaria o primeiro avião para passar umas belas férias. Isso mesmo, férias, porque morar eu sei que não dá para mim. Já tentei uma vez e acredito que até mesmo o Mostafa não conseguiria fazer esse retorno.

O Brasil, bem ou mal, se mostrou um belo campo de oportunidades para nós juntos, em parceria. Não porque aqui é um mar de rosas e fácil de se vencer na vida. Mas porque aqui, pelo menos, para quem tem força de vontade e não tem medo de perder noites de sono atrás de um futuro, as coisas podem sim acontecer. No Egito é difícil até mesmo se escolher o curso de faculdade que se quer fazer ( eles usam um sistema de notas no colegial, e não tem segunda chance). Aqui tem faculdade em cada esquina e com vestibular a cada três meses. Nem todas são boas, não estou falando disso, mas existe sim um maior poder de escolha. Isso dá novas chances de ver a vida, de experimentar e voltar atrás se não gostar. No Egito, às vezes uma decisão não tem volta.

Mas esse nem é o caso do Mostafa, porque ele não gosta dos cursos oferecidos aqui na área que ele estuda. Na opinião dele, deveria haver uma opção de curso 100% em língua inglesa e já tentei explicar mil vezes que valorizamos nossa língua, que existe um tal de MEC, que um curso pode ser bom mesmo em português, mas não adianta. Para ele, neste ponto, os atrasados somos nós. Em certa parte concordo, pois diversos países europeus oferecem cursos em inglês, mesmo falando outra língua, justamente por ser um facilitar e, bem ou mal, já é uma língua universal. Não sou nacionalista ao ponto de ficar defendendo o português com unhas e dentes, para mim comunicar é o que importa, mesmo que seja com mímicas.

***

E de volta a saudade, é ela que colore nossas lembranças deixando apenas os momentos bons marcados, é ela quem descolore aquelas horas ruins, os problemas e as reclamações. Hoje consigo ver o Egito de forma menos passional, amadureci um pouco e consigo distinguir melhor tudo que passei por lá e continuo vivendo.

Foi uma experiência fantástica, que antes achava que não tinha aproveitado tanto. Para quem não me conheceu antes, quando eu estava no Egito, meu sangue fervia com várias coisas que eu via lá e não concordava, me irritava com os mínimos detalhes e demorei um bocado para me adapatar. Eu comecei a achar que o Brasil era maravilhoso, que o país era quase um primeiro mundo. Só fui me dar conta do que estava perdendo na noite antes de ir embora. Como um clique, vi como eu tinha perdido muito tempo reclamando de coisas que, na verdade, eram muito boas também.

Aí voltei para o Brasil, o oposto aconteceu. O Brasil parecia totalmente sem sal, as pessoas eram cubos de gelo perto dass egípcias calorosas que viviam me agarrando. As pessoas não falam alto como os egípcios, nem ficam grudadas como lá, perguntando os mínimos detalhes da sua vida. Fiquei chocada ao descobrir que tem muito brasileiro que só é hospitaleiro quando quer que a pessoa faça exatamente o que ele gosta, como beber algo alcoólico ou ir para a balada, o que estava totalmente fora dos nossos planos e valores. Não voltei para julgar valores brasileiros, mas vi muita coisa que antes era comum para mim, e que depois do Egito me pareceram absurdas.

Nesse comecinho, a mudança é sempre complicada, e o Egito virou aquela bola de ouro na minha cabeça, como tudo era calmo, eu tinha paz, podia usar meu hijab, sair na rua à toa de mãos dados com o Mostafa sem medo de nada. E ai de quem falasse um “a” do Egito. Tem sempre aquele brasileiro sem noção que, ao invés de perguntar sobre as coisas boas, já chega com críticas nada a ver. “Nossa, você morou no Egito, ouvi falar que lá é muito sujo, não é?”… meu, você fala isso para um egípcio que acabou de aportar no seu país? Vai ser grosso pra lá… Brasileiro adora esse tipo de comentário, às vezes fala de pobreza, ou de mulheres oprimidas, aquele blá blá blá de sempre. Porque não perguntam sobre pirâmides, é mais simpático.

Mas os dias e meses foram se passando, a vida demorou um pouco para entrar nos eixos, mas aconteceu. Mostafa, apesar da dificuldade de ter de começar do zero, até mesmo do ponto linguístico, estudava até dormir em cima dos livros, e a recompensa veio mais tarde. Como ele sempre diz para mim, Deus olha para quem se esforça. E quem sobe na vida passo a passo, consegue um futuro mais promissor. Não adianta querer chegar no Brasil com 21 anos e esperar que um bom emprego vai cair do céu, que vai ser diretor de empresa nos primeiros anos ou que todo mundo vai te respeitar profissionalemtne no começo, sem ao menos falar direito o português. A vida não é feita de contos de fadas, e não acreditamos neles, por isso todo esse período de adaptação é bem delicado.

E assim foi, no estudo diário dele, na minha busca por crescimento profissional do outro lado, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos e hoje nos consideramos felizes no Brasil. Já se foram 2 anos de Brasil, quase 3 de casamento, e parei de me iludir com bobagens sobre o Egito ou o Brasil.

Aprendi que viver comparando como sempre fiz era uma grande perca de tempo, pois são dois lugares completamente diferentes entre si e que um nunca será nem mesmo próximo do outro. Que se em um eu desperto com o Azhan, mas tropeço em lixo quando caminho, no outro passeio de carro no shopping, mas tranco bem as portas quando chego em casa. As necessidades dos egípcios e dos brasileiros são bem diferentes, por isso a forma que cada um encara a vida e a planeja, é tão diversa. E hoje agradeço por ver tudo isso de forma mais clara, para poder aproveitar toda experiência que tive em um grau mais elevado. E isso faz parte da maturidade, de crescer e ver a vida sem histeria para apenas aproveitá-la e buscar em cada segundo dela formas novas de ser feliz.

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A prova de que estive no Egito :-)

Sobre o perdão – eu voltei :-)

Eu falei que não ia sumir nas férias, mas não teve jeito. Entrei naquele ritmo de não querer fazer nada mesmo, entrar no computador mais rápido ou só para bater um papinho. Eu li todos os posts dos blogs queridos, mas nem parei para comentar. Tudo que exigia um pouco mais do meu cérebro ficou pra depois ehehehe

O Ramadan acabou, veio o Eid, o mês passou voando, as férias então, nem se fale!

Hoje cheguei e já dei de cara com mais um post com o qual concordo muito da Elaine – Ressentimento dá rugas e faz adoecer. O tema é bem propício, já que antes de dar uma saída estava meio triste com algumas coisas. Mas estou aprendendo a lidar melhor com as pessoas, aprendi a medida de me entregar a cada relacionamento que tenho e como não me envolver mais em confusões. Eu sou bem sossegada, alguém pode até me magoar, mas eu esqueço rápido se a pessoa vem falar comigo e volta a travar uma amizade. Concordo bem a Elaine nesse ponto, guardar mágoa só é perda de tempo pra você mesmo, pois o outro deve estar seguindo a vida normalmente enquanto você fica ali sofrendo sozinha.

Prefiro ser direta ao assumir um erro, e pedir desculpas. Mas já notei que, na minha vida, são pouquíssimas as pessoas que aceitam perdoar. Não sei porque, mas preferem manter o rancor ou ficarem longe para sempre, não sei se é por acharem que quebrou-se uma linha de confiança forte ou por acharem que quem erra uma vez, vai errar sempre. Mas quem é perfeito nesse mundo? Eu não sou, estou longe disso e não tenho a mínima vergonha de assumir. Com os erros abertos, a gente tem a chance de mudar, refletir e ser uma pessoa melhor. Se eu vivo colocando a culpa apenas nos outros, não vou melhorar nunca, posso até ter um milhão de amigos, mas serão todos superficiais por dizerem apenas o que você quer ouvir, e não a verdade.

Sei que às vezes dizer tudo francamente não é a melhor maneira, também estou aprendendo a medir as palavras, a ser mais sociável. Mas todas as pessoas tem qualidades e defeitos, e temos que vivenciá-los de peito aberto para ensinarmos os que temos de bom e aprender com os outros o que nos falta. E é disso que sinto falta em muitas amizades que já tive e perdi. Pessoas que se amarguram e não fervem de raiva naquele minuto e chegam para um debate claro. Preferem guardar o rancor sozinhas e ignorar para ficar para sempre com aquele sentimento ruim dentro. Eu não consigo ser assim, depois de alguns dias já nem lembro direito porque briguei, porque tal pessoa ficou triste. Tenho memória muito ruim mesmo, esqueço detalhes com a maior facildiade do mundo e não fico guardando conversas de msn pra checar depois o que cada um falou, por exemplo, pois não sou de ficar voltando para trás. Mas fico magoada sim quando a pessoa não aceita um pedido de desculpas e prefere se afastar de uma vez por todas. Ou eu sou um ser tão abominável assim que não mereço uma segunda chance? Ou será que algumas pessoas colocam expectivas altas de mais sobre mim?

Então, aproveito mais uma vez este final de Ramadan e Eid para pedir desculpas se magoei alguém e espero receber de volta seu perdão, pois a vida fica muito mais leve e gostosa quando existe o diálogo e podemos crescer todos juntos!

***

Tudo isso que eu falei também é muito válido quando estamos num relacionamento amoroso. Existem coisas que são premissas, claro, para uma relação a dois, como fidelidade e amor. Disso eu não abro mão e acredito que muitas outras pessoas também, para mim são básicos. Mas existem sempre aquelas discussões do dia a dia, aquela manhã que você acordou com sono e deu uma resposta atravessada, ou a briga diante de uma atitude que a pessoa tomou e você não concorda. Viver 24 horas com uma pessoa às vezes gera conflitos, claro, afinal são duas cabeças, e é difícil encontrar alguém que pense exatamente como você.

Por conta disso, o perdão é tão importante também no casamento. Quando a briga é por algo simples e pequeno, sem envolver as premissas básicas que vocês têm para o casamento, pra que perder muito tempo ficando de cara feia? Eu aprendi a ceder muito, meu marido também já mudou muito. Se antes ele ficava de cara feia 15 minutos por algo que eu disse, hoje já não é nem 1 minuto. A cada dia aprendemos que, para certas coisas, não vale a pena discutir. Que tem horas que é melhor ficar quieto e deixar o outro com a razão (mesmo que depois você faça exatamente como queria ehehe).

Um relacionamento onde as brigas se somam e a falta de perdão impera, só pode deteriorar com o tempo. Nós preferimos ao contrário, a cada dia ficar mais desprendido e rir mais das besteiras que falamos. Assim sobra muito mais tempo para ser feliz.

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A foto mais bonita das minhas férias

Desafios do ramadã no Brasil

Como todos já sabem, estamos no mês do Ramadã, o mais importante para os muçulmanos. Esse já é o quarto ano que eu faço jejum durante estes trinta dias. A vantagem é que já perdi dois quilos – não sei como, porque morro de comer a noite, e não estou maneirando em nada ehehehe. A desvantagem é que fazer jejum no Brasil é muito difícil!!

Primeiro porque eu já passei da fase de alardear que estou de jejum. Então fico de boa na minha sem comer, nem beber, e evito ficar dando explicações principalmente no trabalho. Não gosto de ninguém comentando minha vida, então quanto mais quieta, melhor, certo?

Mas tem coisas que você precisa de jogo de cintura. Justo nesta semana tive dois eventos em hotéis maravilhosos de SP na hora do almoço. E aquele cheiro de pão de queijo na mesa ao lado? E os sucos fresquinhos servidos a toda hora? Marina diz não, recusa e fica só de olho. Hoje de novo, barriga roncando na hora do almoço e serviram um brunch cheio de comidinhas cheirosas.

Eu fico surpresa comigo mesmo por aguentar tudo isso sem tentação, enquanto quando é para fazer dieta, eu escapo logo!! Sei que nos países muçulmanos ninguém nem bebe em público para não desagradar, mas acho que deveria ser uma coisa normal para quem jejua. Quem fica de boca fechada, não pode exigir que os outros fiquem também! eheheh E jejum forte é aquele em que vc é tentado toda hora mas não cai, não é? :-) ehehe melhor pensar assim pra seguir em frente :-) Todo dia também estou preparando almoço para o meu irmão, que vem filar a bóia em casa. Fico lá nas panelas só olhando, sem comer. E consigo!

Ai to com fome, falta ainda 3 horas pra eu comer. Tchau!

ps. Mas dia difícil para jejuar foi mesmo o que vivi ano passado. Se você não leu, olha aqui.

Mulher apaixonada perde R$ 40 mil para namorado que conheceu na internet

Hoje vou falar de um assunto triste: os golpes na internet. Saiu uma reportagem aqui sobre isso e acho que vale a pena dividir com uma parcela das minhas leitoras, que sempre conversam comigo ou mandam e-mails com dúvidas sobre relacionamentos na internet. A verdade é dura mas é preciso dizer. A maioria dos egípcios na internet só querem dinheiro ou sair do país deles. Por isso abram os olhos, sigam as dicas que já postei inúmeras vezes por aqui para não ser mais uma nesta triste estatística.

São incontáveis os contatos que recebi de mulheres que foram roubadas. Não vou divulgar nomes, claro, mas algumas das hitórias que já chegaram até mim:

* Egípcio chega a vir até o Brasil, casa de papel passado até e resolve abrir “negócio” com a ajuda da esposa. Com o dinheiro na mão – no caso foram R$ 60 mil – sumiu do mapa.

* Egípcio fala milhares de coisas para brasileira na internet, o papo de sempre que ama ela, não importa o que os pais pensem, ela pode fazer o que quiser. Pede carta convite para vir para o Brasil. Ele arruma com a família todo dinheiro emprestado para fazer uma conta fictícia no banco e conseguir o visto. A menina gasta pouco desta vez, só os R$ 270 da carta convite. Mas assim que o egípcio pega o visto, nunca mais aparece para falar com ela online. Vem para o Brasil, provavelmente já tem algum contato aqui e faz a vida dele sozinho.

* Egípcio em uma semana já pede em casamento e fala que ama uma mulher bem mais velha, com vida feita. Diz que não importa a idade dela, nem o fato de não terem filhos. Depois de dias de enrolação, fala que para vir para o Brasil só falta o dinheiro do visto: 300 dólares. Pede para mandar via Western Union. Detalhe que o visto só custa uns 30 dólares. Imagina se por mês uma mulher em cada parte do mundo manda este dinheiro para ele? Ele vive disso, de pedir dinheiro na internet para futuras esposas.

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Dito tudo isso, pense bem ao conhecer alguém na internet. Para ter certeza das intenções dele, não diga que tem muito dinheiro, nem renda certa. Não demonstre capacidade de ir para o Egito a qualquer hora e muito menos de bancar a vinda dele. Não estou dizendo que isso não pode acontecer, mas antes de confiar totalmente, dê uma testada. Alguns nem querem vir para o Brasil, mas sim serem bancados no Egito mesmo, já que lá seu dinheiro vai valer muito mais.

Entenda bem como um egípcio pensa, como a sociedade enxerga os relacionamentos. Tenho muitas leitoras que são dançarinas e não é algo bem visto por lá (a sociedade egípcia pensa isso, mesmo sendo a fonte das músicas e desta dança, ninguém quer ter uma dançarina profissional na família). Por isso se ele diz que não se importa com sua profissão e que tudo bem vc mostrar seu corpo, veja se realmente é isso, pois não é um comportamento comum deles, a não ser que ele já seja da própria área do entretenimento.

Conheci uma leitora outro dia (uma querida, aliás ) que trabalha com dança e ela me contou que passou muitos apuros no Egito, chegou a ficar presa em casa, que até mesmo para sair de carro ele colovaca cortinas nas janelas para ninguém vê-la. Antes, na internet, ele dizia que tudo bem a profissão dela. Ela teve que fugir para conseguir voltar ao Brasil.

Foi ela quem me contou que, no meio da dança do ventre, conhece dezenas de meninas envolvidas com egípcios, e que praticamente todas se deram muito mal. De perder muito tempo para nada até gastarem tubos de dinheiro para o cara vir para cá e, muitas vezes, largar a esposa por outra menina mais jovem ou simplesmente sumir do mapa depois de conseguir o visto.

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Bom, agora a reportagem que li hoje, só para mostrar também que este comportamento não é típico dos egípcios, como muitas também chegam a pensar e acusar. Isso é um problema global, golpistas do mundo todo estão esperando por uma alma carente. Não são os egípcios apenas à espreita, mas homens do Brasil, EUA, Inglaterra, etc, e diversos países.

Mulher apaixonada perde R$ 40 mil para namorado que conheceu na internet

É preciso ter muito cuidado ao frequentar sites de relacionamento na internet, pois aumentou o número de golpes, dados por pessoas que se dizem apaixonadas e que, na verdade, só querem mesmo é dinheiro, ou no mínimo casa e roupa lavada.

Muitas vítimas escondem o rosto por vergonha de terem sido enganadas pelos namorados que conheceram em sites que facilitam encontros amorosos.

“Ele falava o que eu queria ouvir, contava histórias interessantes”, diz uma delas. “Ele falava muito de família, de amor, de casamento”, afirma outra vítima. “Eu achava que era uma pessoa que estava querendo reconstruir a vida ao lado de uma outra pessoa, porque o casamento dele não tinha dado certo. E no final vi que não era nada disso”.

Para o delegado especialista em crimes digitais, José Mariano de Araújo Filho, o rapaz tem uma característica comum à maioria dos golpistas. “O que é comum em todos eles acaba sendo a maneira como se expressam: se expressam bem, escrevem bem, demonstram um certo tipo de conhecimento”.

R$ 40 mil

No caso de uma moça, o namoro virou casamento. Não de papel passado, mas ficaram juntos um ano e ela chegou a emprestar R$ 40 mil para pagar uma cirurgia que ele nunca fez. “Eu falava que tinha um dinheiro por conta da venda de um apartamento, e ele sabia exatamente a quantia, e foi exatamente a quantia que ele pediu”.

“Esse é um crime de estelionato, onde a pessoa consegue vantagem ilícita em detrimento da vítima”, explica o delegado.

Príncipe vira sapo

Uma pesquisa mostra que o Brasil é o país com maior número de internautas usando sites de relacionamento: 70% de quem acessa a rede já entrou pelo menos uma vez num desses sites. Com o movimento maior, crescem também os golpes. O príncipe virtual pode virar um sapo real.

Uma moça hospedou em casa, durante um mês e meio, o namorado que conheceu na internet. Depois de romper o relacionamento descobriu que ele não tinha emprego e fazia desses romances meio de vida. “Eram histórias que ele criou, era um personagem que ele fez para conhecer pessoas pela internet, para seduzir e ter uma boa vida”.

Quadrilhas

Já existem até quadrilhas que tomam dinheiro de pessoas apaixonadas. Um site, por exemplo, alerta sobre um grupo de nigerianos que aplica golpes em vitimas em qualquer canto do mundo.

“Infelizmente neste tipo de crime a vítima não deseja expor sua intimidade, então, ela não procura a polícia, não procura absolutamente nada que possa facilitar se chegar ao criminoso”, afirma José Mariano de Araújo Filho.

“A primeira coisa é denunciar e rapidamente, principalmente algo que aconteça na internet, porque nela as testemunhas são as máquinas. Elas podem contar o que aconteceu”, diz uma advogada.

Depois de cair no conto da alma gêmea, hoje, elas aconselham o mesmo que os especialistas ensinam. “Vai atrás, procura saber o rol de amigos para saber onde você está pisando”, explica uma vítima. “Eu devia ter investigado. Eu confiava no que ele falava, para mim era o suficiente”.

A importância das mães

O paraíso encontra-se abaixo dos pés das mães…

Esta é um dos ensinamentos que o profeta Muhammad(que a Paz e a Bênção de Deus estejam sobre ele) deixou para os muçulmanos. Esta pequena frase resume muita coisa que na vida já sabemos que é verdade.

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Minha mãe é a pessoa mais doce que eu conheço. Eu nunca vi ela sendo grossa ou rude, nuca vi ela recusar ajudar alguém. Mesmo nas horas menos improváveis, vi minha mãe correndo para ajudar alguém necessitado.

Ela sempre esteve do meu lado, mesmo nas decisões mais difíceis. Foi ela que, ao ver que eu ia mesmo partir para o Egito, me carregou para o médico e me fez passar por um check up geral. “Você vai, mas antes quero ter certeza que está bem de saúde!”.

Ela chorava e ficava brava comigo o tempo todo naquela época. Mas uma semana antes de eu partir, chegou com presentes, pijamas novos e outras coisas que eu certamente precisaria. “Já que você vai pra casar, não pode chegar assim com essas coisas velhas que tem!!”.

Dias antes do meu vôo, ela lembrou que eu deveria carregar tudo de importante já do Brasil. Brigou comigo na loja porque eu não queria comprara alicate de unha, tesoura e  outras coisinhas. Comprei forçada, ficando dizendo que no Egito ia ter tudo aquilo. E no final foi ótimo, pois não é tão fácil assim achar tudo no Egito, como eu imaginava.

Minha mãe também foi a única que aceitou falar com o Mostafa pelo computador. Ninguém mais queria saber disso, achavam que eu mergulhava numa loucura sem fim e que o resultado seria minha volta sozinha e triste. Mas minha mãe não negou meus pedidos, e trocou algums palavras, aceitou ouvir.

E quando eu fui embora, foi ela quem provavelmente mais sofreu, com medo de eu me decepcionar. Ela não tinha medo do novo ou de outra cultura. Só queria que eu fosse feliz, mas andava por um terreno totalmente desconhecido, onde ela não poderia estar para me amparar se fosse necessário.

E era ela que falava comigo todos os dias quando eu estava no Egito. Me mandava fotos, contava as novidades e acompanhava a minha vida. Meu pai começou a acompanha-la nisso também e graças a Deus logo eles entenderam que eu estava no lugar certo. Teve gente que viveu do meu lado a vida toda também e em 9 meses de Egito nunca apareceu para conversar comigo. Mas amor incondicional, a gente só pode esperar da mãe.

E foi ela que esperou com mais ansiedade nossa chegada. E que abraçou Mostafa como filho e hoje faz dele um de seus grandes companheiros.

***

Quando cheguei naquele saguão lotado de pessoas, de cabeça baixa e morrendo de medo. Logo vi Mostafa acenando. Mas não, o primeiro abraço que recebi no Egito não foi dele. Foi da mãe dele, que passou por todos feito um furacão e correu pra me agarrar.

E enquanto íamos para o carro naquela noite fria, ela que enrolou seus braços no meu e foi me levando. E fazia nosso almoço todos os dias, não queria deixar nem eu mesma lavar minhas roupas. “Não, não quero estragar suas roupas na máquina, deixa que eu lavo tudo para você na mão!!”

Foi ela que no dia seguinte ao casamento, seguiu uma tradição egípcia e trouxe para os noivos vários pratos cheios de frutos do mar. Cozinhou tudo para nós e levou com aquele sorrisão típico dela.

Foi ela também  que me levou naquela escola egípcia. Disse que era um dos melhores lugares da cidade para dar aulas e foi me carregando pelas ruas de Alex. Pagou até a prova que eu tinha de fazer por lá. E consegui o emprego. Se não fosse ela me levando para lá, nem sei se um dia eu ia ficar sabendo que aquele lugar existia.

E foi mama, como carinhosamente aprendi a chamá-la, que cuidou de mim no Egito exatamente como minha mãe faria. E sofreu muito com nossa partida.

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Mas agora é tempo de encontros e reencontros. O Ramadã 2009 promete ser mais especial do que nunca.

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