Posts Taggedcasamento no Egito

Princesas no deserto

Hoje a dica é muito importante… um blog forte, contundente, e que abre os olhos de quem tem um amor longe e não entende a dimensão que uma relação entre culturas tão diferentes pode ter.

E cada caso é um caso. Como sempre repito, ninguém pode se inspirar na minha história ou de outro casal conhecido, afinal, eu sou eu e não há ninguém igual a mim neste mundo, assim como meu marido é único, você é única.

Ou seja, cada casal é uma mistura nova, uma infinidade de opções e possibilidades. E refletir, pensar no que você quer para sua vida e seus sonhos, talvez seja um bom começo para decidir se topa se casar com alguém lá do outro lado do mundo ou não.

Então, apresento a vocês a história de uma mulher muito especial: Princesas no Deserto.

ps. Ela é uma brasileira, casada com um muçulmano e vive na Síria. Os comentários deste post estão fechados a partir de agora, quem quiser ajudá-la e conversar com ela, deve fazer isso de bom senso, pois ela está muito sensível e acredito que blogar é um ato de caridade também, compartilhar histórias e exemplos, então vamos pegar leve e quem não gostar, não precisa ler :-)

20 comments junho 22, 2010

Zelar pelos nossos sonhos

O post abaixo infelizmente teve de ser alterado e está com senha agora, provavelmente será excluído. Isso porque apesar dos comentários legais que recebi, algumas pessoas se aproveitaram dele para liberar preconceitos, ameaças e falar contra a honra da pessoa que contou sua história.

Acho que isso é um exemplo válido para entender como esse tipo de história gera os mais diversos sentimentos, nunca calmos e seremos como se fosse numa relação normal. Aos amigos, lembro bem, quando falei que conhecia alguém do Egito, me acostumei a cara de espanto e o olhar dizendo “como vc é babaca”. Fingia que não via, que não sentia o desprezo das pessoas.

Ao notar isso logo nas primeiras vezes que mencionei essa minha “loucura”, acabei por tentar esconder um pouco dos detalhes da minha história. Não dizia muito quando ia, como ia, detalhes básicos sobre ele e a família dele. Muita gente tem preconceito. ABSURDOS, gente que eu achava super inteligente, respeitável, veio com os maiores papos furados da minha vida. Era algo descarado, dito na cara e com frieza.

Eu fiquei bem magoada com alguns comentários, mas graças a Deus notei isso antes de que algum mal maior pudesse ser feito contra mim e acabei me protegendo, guardando meus sentimentos dentro de mim apenas. E acabou sendo mais fácil, pois não precisei dar mais mil explicações…

Então gente, este recado é pra quem pensa em fazer uma “loucura” destas, amar longe, viajar ou casar com alguém de outra cultura, principalmente se for muçulmano. Zele pelo seu amor, preserve-o, não se exponha para qualquer pessoa, tenha perto de si um círculo de pessoas com a mesma paixão por aventuras e corajosas, ou você vai ouvir muitas coisas ruins.

Acho que tudo na vida vem como uma lição, claro que muitos falam e dizem “que estão avisando para seu bem”, mas ninguém que vai casar com um brasileiro, por exemplo, ouve o tipo de barbaridade que eu ouvi. A pessoa ser ruim ou má, não depende da raça, religião nem cor, mas de caráter…. e a gente sabe dos inúmeros casamentos falidos no Brasil, homens violentos e machistas… porque só falar dos árabes? Por que não os conhecem verdadeiramente…

ps. Não estou dizendo para ninguém embarcar nesse tipo de relação sem pensar ou ser racional. Tem muito cara sacana sim pela internet e em tudo quanto é país. Mas quem tem amor de verdade, como já foi muito explicado neste blog como é o casamento no Egito (veja na coluna do lado alguns destes posts),  quem conhece bem a cultura corre menos riscos… e se não der certo, é a vida!! Casamentos dão errado e certo, isso faz parte da natureza humana, q de exata não tem nada!

18 comments abril 16, 2010

Protegido: Amor na Jordânia

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Digite sua senha para ver os comentários. abril 14, 2010

Fui buscar o amor no Egito !

Depois eu escaneio certinho pra dar para ler melhor eheheh

ADOREI!!! Espero que vcs também :)

Acho que o que vale na vida é isso, buscar nosso amor, esteja onde ele estiver!!!

14 comments abril 4, 2010

Coisas da vida (relembrando posts antigos)

Pra quem vive pedindo a senha pra ler os posts antigos, hj tornei público uma postagem bem antiga, somente pra relembrar que estas histórias estão se repetindo, como aconteceu a Jarid agora (leia o post dela aqui):

http://egitoebrasil.com/2008/08/14/casamento-no-egito/

Boa leitura!

ps. depois dessa história, vi mulher se humilhando muito mais ainda por causa de homem, Auzo Billeh, Deus salve essas pessoas.

4 comments fevereiro 19, 2010

História doida da minha vida

Ontem peguei um taxi, falei do Musta. Desci do carro e o cara já sabia até falar “salam aleikom”. Fui na loja comprar terno pra ele, a camisa era de algodão egípcio e, lógicooooooooooo, falamos que ele era egípcio e veio a enxurrada de perguntas.
Aí vou num evento, começa o papo sobre vida, família e crianças. “Meu marido é egípcio!” — ohhhh, vem a exclamação recheada de perguntas.

Porque eu falo tanto disso? Pra qualquer um? Acho que até se eu ficar na janela um dia e alguém dar um bom dia em 3 minutos já contei toda minha história. A-D-O-R-O! Será que é ego ou mais uma das minhas doideras?

Só sei que gosto e continuo falando disso, mesmo três anos depois de casada. E agradeço vcs que ficam aqui ouvindo minhas coisinhas :-)

Até com o Musta quase todo dia eu falo: “Nossa, mas a gente fez tudo aquilo mesmo?” “Será que é verdade o que aconteceu?” “Meu (ele odeia que chamo ele de meu), a gente era louco né?”

7 comments fevereiro 10, 2010

O pé em duas culturas – A foot in both cultures

texto muito legal interessante para quem ainda não entendeu como as coisas funcionam no Egito, quando falamos de casamento… O post original está aqui. Para quem quer acompanhar questões pertinentes sobre cultura no Egito e acontecimentos, aconselho a seguir o @DailyNewsEgypt no Twitter. Para quem quiser em português, a tradução do Google está aqui.

A FOOT IN BOTH CULTURES

By Noha El-Hennawy / Special to Daily News Egypt
First Published: December 18, 2009
NEW YORK: The American dream lured El-Sayed El-Deeb to New York City to pursue medical studies in the year 2000. He had the fantasy of becoming a millionaire in Uncle Sam’s World. Although the idea of eventually returning home never crossed his mind, he was resolute about marrying an Egyptian woman of the same Muslim faith and cultural background.

In 2006, he got engaged to an American-born Egyptian whom he discovered was torn between two worlds. On one hand, she wanted the independence of an American woman, and on the other, she subscribed to Egyptian pre-marital customs that burden the groom with hefty financial requirements.

“The problem is that they [Egyptian-American women] want to be treated like American women; you are not allowed to comment on the way she dresses or expect her not to argue with you,” he said. “In the meantime, they want to get married like Egyptians; they want shabka, mahr and mo’akhar.”

At the beginning, he felt compelled to buy her a $13,000 diamond ring. However, when she insisted that their wedding party be held in a fancy place that would cost him $17,000, El-Deeb backed down and broke off the engagement after 10 months.

“I could not afford being indebted till the end of my life just to marry her,” said the 36-year-old resident doctor in a Brooklyn hospital.

Great expectations

According to Egyptian-American matchmakers, El-Deeb’s dilemma attests to the paradoxical identity of many Egyptian immigrants in the United States. While they take pride in being part of a modern society that breeds individualism and practicality, they still adhere to a patriarchal marriage tradition that requires the man to secure the woman financially.

He is expected to provide shabka, an Egyptian term used to refer to an expensive diamond ring; mahr, the Arabic word for dowry; and mo’akhar, which requires the man to sign a contract agreeing to pay his wife a certain amount of money in case they get divorced.

“[Egyptian families] dress, work like Americans, and speak English at home with their children,” said Nagat Bassiouni, New Jersey-based matchmaker. “However, when it comes to marriage, they are still preoccupied” with the traditional niceties.

Bassiouni is a 60-year-old fashion designer whose social network reaches Egyptian communities as far away as Canada. She has been a go-between for nearly 18 years, and says she arranges seven or so marriages a year.

A typical Egyptian family would require the following from a suitor; first the shabka which consists of a diamond wedding ring, a solitaire and sometimes, a collier, earrings and a bracelet, she said. “Some families are so demanding; they require a $20,000 shabka while others are modest and feel content with a $5,000 or $10,000,” she added.

As to the dowry, most families settle for a symbolic amount of money as long as the suitor provides a furnished apartment. Exactly like their compatriots at home, Egyptian families require the groom to share the cost of the wedding party, which ranges between $20,000 and $45,000, added Bassiouni. However, the divorce settlement is not negotiable.

“I did not see anyone who did not have mo’akhar,” she said. Matchmakers say it can range from $5,000 or as high as $100,000 or even more.

After completing her noon prayers, Magda kamel sat on the silky rug in her pink headscarf and paisley tunic raising her hands to the sky and murmuring additional prayers in her apartment located in a skyscraper on the exclusive Upper East Side in Manhattan.

As soon as she was done, she grabbed her large, worn-out phonebook filled with hand-written names on every page of Arab and Muslim families trying to marry their children off. For nearly 13 years, Egyptian-American Kamel has been one of the most active matchmakers in the city’s growing Arab community.

She took on the task driven by religious devotion and a desire to help Arab Muslim girls. But she contends that most Arab families, including Egyptian, can have outsized expectations.

“The mo’akhar has turned into a monster, some families ask for $200,000 or $100,000 to force men never to consider divorce,” she said. “Strangely enough, Arab girls who were born and raised in the US attribute the same importance to these traditions.”

To evade the financial burden, many Arab men ask Kamel to introduce them to non-Arab Muslim women, she added.

“A non-Arab woman would never talk about dowry and shabka. Americans are the best people, they are simple, they never make overblown demands,” she added.

Playing with traditions

According to 2007 US Census figures, the Egyptian-American population is estimated at nearly 195,000, with the highest concentration in New York, New Jersey, Illiois, Florida, California and Texas.

These Egyptian traditions draw an old tribal culture that always perceived women as “objects” and expected them to bring wealth and dowry to the family, said Mona Abaza, an Egyptian sociologist.

The wedding customs “sociologically speaking [are] all about exchange of women in traditional societies,” she said. “Women are considered a capital or a commodity and marriage is a form of exchange. In ancient tribal societies, women were important for raising the wealth of the tribe, in wars and trophies.”

Immigrants revive these traditions in their new countries to preserve their identity, Abaza added. “My observations about some Egyptians I knew in Australia and Germany, they become even more conservative and re-invent traditions,” said Abaza, former chair of the Sociology, Anthropology, Psychology and Egyptology Department at the American University in Cairo.

“[They are] also reinventing traditions in the way it fits their contemporary daily lives. That is why women want to have it all. They then select what they please from both tradition and modern elements,” Abaza said.

Even for grooms who meet the considerable pre-marital requirements, there still may be more after the wedding. Many families expect their daughters to be completely supported by their new husbands, whether or not the wives work. In the meantime, they would never give up a daughter’s right to work.

Ashraf Gad, a 38-year-old doctor, sat in an Egyptian restaurant savoring fried duck and traditional salads while Arabic music resonated in the background in the heart of New York City. In this cozy atmosphere, Gad reflected on his four failed engagements to American-born Egyptian women.

“The American system is based on partnership. The husband and wife have to share the rent for example,” said Gad, who arrived in the US nine years ago opting for better career opportunities. “However, Egyptian families here are very sensitive to this question. They tell you ‘you are an Egyptian man and should be preserve your dignity and be responsible [for supporting the family on your own].’ If you say she should share with you, they take you for a mean person.”

Yet, families have their own fears about suitors who just landed in the West. There’s the worry that Egyptian men new to the US are marrying to gain citizenship. Tahani Nedgid, a 57-year-old mother of an unmarried 26-year-old daughter, echoes that fear.

“As soon as Egyptian or Arab parents hear that the suitor does not have a green card, they panic,” she said. “You never know if he really loves her or he is just marrying her for the sake of legal documents and as soon as he gets them, he can kick her out.”

Like most Egyptian parents, Nedgid who moved here with here husband 20 years ago prefers that her daughter marries a Muslim Egyptian. Yet, for her, tradition does not count for much as long as this Egyptian suitor can provide enough evidence that he is not using her daughter to improve his immigration status. “I do not care about all that [mahr, shabka, mo'akhar]. All I expect from him is to have a green card in order to be relieved of the question whether he really loves my daughter.”

For his part, El-Deeb is no longer interested in dealing with the insecurities or the dualism of Egyptian immigrants in the US. Soon enough, he will fly back to Egypt and look for a bride there who he believes will be more consistent.

5 comments dezembro 21, 2009

Egito é um grude na minha vida

Já mudei o blog de nome, postei outros assuntos, mas não tem jeito, o Egito e essa coisa de amor das arábias é um grude na minha vida! ahahah Até meu nome se ponho no Google grudou nisso aqui, apesar de eu ter já tentado apagar vários registros…

Só pelas perguntas que recebi, já saquei que boa parte das minhas visitantes continua morrendo de vontade de saber todos os mil detalhes de ser esposa de um egípcio. Acho que é bem legal essa troca que temos, eu adoro contar minha história e compartilhar, mas minha vida não é só isso também.

Eu sou uma pessoa normal, meu marido é totalmente normalíssimo e não tem nada de encantado ou fantástico no Egito, minha gente!!! É um país diferente sim, com outra cultura e religião, mas isso não faz dele príncipes ou algo diferente….

Parem de acreditar que egípcio é homem diferente de brasileiro. Eles sabem o que é beijar na boca, ver mulher pelada e beber álcool. Assim como no Brasil tem maconheiro, lá tem quem fume haxixe e por aí vai. Vamos parar de acreditar no mundo cor de rosa fantástico do outro planeta. Egípcio não anda em camelo, nem usa turbante. Eles assistem TV, viu? Os clipes de música lá tem mulheres tão peladas quanto as do É o Tchan!! O trânsito lá tem mais carros que o de SP, se eles falam com vc na internet é pq tem acesso às mesmas coisas que vc tem no Brasil, inclusive pornografia online!!

Então vamos ser mais racionais e parar de perguntar sobre intimidades, achar que eles são tudo bobinhos, porque não são, desculpa falar a verdade. E eles fingem, viu? Assim como no Brasil temos nossos exemplos de meninas saidinhas, no Egito também tem, a diferença é que elas só disfarçam um pouquinho mais, tá? Então não ache que vc é a primeira mocinha que seu habibi tá conversando na vida dele… Vamos acabar com a ilusão!!

Uma das coisas que mais irrita meu marido no Brasil como estrangeiro é fazerem perguntas absurdas para ele. A gente não reclama q os americanos dizem que brasileiros moram na selva, que temos macacos na rua? Então, mesma coisa é a gente pagando mico aqui perguntando se egípcio mora no deserto, se eles bebem coca cola… ou até coisas simples, se usam supermercado, se vão no cinema…. Não estou falando isso pra ser chata com ninguém, vcs são minhas amigas e parceiras aqui, mas só estou escrevendo isso como um grito para vcs deixaram a ilusão e também refletirem mais sobre o que querem para vida de vcs… Egito não salva a vida de ninguém, nem muda nada. Os nosso sonhos e desejos estão dentro da gente, não importa o lugar.  Podem fazer as perguntas que quiserem, mas também vamos ter mais um pouco de noção.

Mundo fantástico não existe, com a globalização que a gente vive, pode ter certeza que os egípcios têm muito mais coisas parecidas com vc do que diferentes.

Uma vez, meu marido estava na av. Paulista com um amigo americano dele, dois gringos passeando, e foram num centro de ajuda ao turista que tem lá. Sabe o que o cara falou pra ele?

- Wow, você é do Egito!! Deve estar impressionado, né?

- Com o quê? Não entendi – respondeu Musta.

- Ah, com os carros, tem muitos carros aqui no Brasil, né?

- Afffffffffffffffffffffff… – saiu andando, já cansou dessas coisas.

Outro exemplo é esta pergunta que me enviaram, vou copiar aqui pra vcs entenderem. O relacionamento, o casamento, tem de ser baseado no respeito e amor, cultura e religião não tem nada a ver com isso.  E gente, televisão no Egito é igual do Brasil, tem as mesmas porcarias.

Você nunca sentiu ciúmes do modo como as brasileiras se vestem, das mulheres peladas na televisão, em relação ao seu marido ver e tudo mais?

Não… acho que respeito ao parceiro vem do caráter, não da ocasião. Um homem pode mto bem mexer tb com uma mulher toda vestida, de hijab, etc…
Não tivemos este tipo de problema aqui, nem preconceito, afinal, não podemos decidir nada por ninguém, só por nos mesmos, e isso inclui a forma de nos vestir.

8 comments dezembro 17, 2009

Você me aconselha a casar com um egípcio?

A pergunta deste título já é absurda por si só. Primeiro, casamento é algo tão pessoal e se vc precisa de uma opinião de fora sobre algo tão abstrato é porque ainda tem muito o que conhecer a pessoa com quem quer se envolver. Mas por incrível que pareça, já me fizeram esta pergunta e outras variações dela várias vezes.

A resposta é simples, feita com outra pergunta: como é que eu vou saber? Nem conheço a pessoa. Como já disse tantas outras vezes, egípcio não é feito em forma de bolo, todos com o mesmo caráter, religiosidade e personalidade. São pessoas de carne e osso, como eu e você. Como todo o resto das pessoas do mundo, são diferentes entre si. Acho ingenuidade achar que só porque alguém é de um país determinado, aquilo vai dizer se a pessoa é boa ou ruim.

Mas, de forma bem generalizada mesmo, algumas coisas são meio comuns por lá, como sempre comentamos, eles respeitam muito a família, obedecem os pais, querem se casar e ter filhos (isso não significa que querem uma paixão ou são românticos, muito pelo contrário). Então, não ache que vc vive um conto de fada só porque um egípcio te pediu em casamento pela internet, ou em uma semana falou BAHEBAK. Isso é o mais comum por lá.

Eu acho que relacionamentos são muito mais do que palavras. São as atitudes que realmente vão te provar algo, se é isso que você busca. Não adianta me perguntar ou a qualquer outra pessoa se o tal “habibi” é legal ou é honesto. Não dá pra saber, tudo na internet parte do princípio da adivinhação.

Aí vc vem e me pergunta: ” Mas Marina, como é então que você sabia que seu marido é bom, vc não teve medo?” Medo não tive. Fiz uma opção difícil para buscar felicidade e segui com ela até as últimas consequências. Agora se eu sabia que ia dar certo? Jamais… apesar de meu coração dizer que sim e da relação com ele ser muito transparente online, na vida real a história realmente é outra. A convivência então, nem se fale. Existe divórcio de gente que namora 10 anos, certo? Pois são as coisas do dia a dia que valem. Nenhum mentira sobrevive ao dividir a cama com uma pessoa, ao ver como o outro reage às coisas da vida. Até que ponto seu companheiro se doa para a relação? Ele é egoísta, mesquinho, brigão, mandão? Pode ser também amoroso, fraco, gentil, calmo, tranquilo até demais. As pessoas podem ter infinitas combinações de personalidade e para mim, é só no cotidiano que descobrimos a receita completa do caráter de alguém. Um gesto simples, como fazer um chá para vc, ou te pegar de surpresa com um abraço. Recolher um papel que caiu no chão, pedir sua opinião, perguntar se vc está bem. Isso vale mais do que um “bahebak” dito mil vezes.

Existem coisas na internet que podem ajudar, como estudar muito. Não fique com preguiça, se vc quer alguém do outro lado do mundo, entenda bem o contexto que ele vive, não busque só experiências pessoais de outras pessoas, eu vivi algo completamente diferente que outras amigas. Cada uma conhece um Egito diferente, um egípcio diferente. Leia reportagens sobre o país, veja sites sobre Islam, visite uma mesquita antes de dizer que se converte e acha lindo usar véu. Use a cabeça, não só o coração. Blogs como o meu ajudam, mas são só uma versão dos fatos. E você poderá conhecer milhares de versões sobre tudo, ainda mais quando se trata de amor, coisas intangíveis. E egípcios? Alguns são maravilhosos sim, a gente sempre encontra pessoas maravilhosas em todos os lugares. Mais definí-los por um todo é ser superficial.

Se você pensar do lado prático, casar com alguém de outra cultura e que mora do outro lado do mundo não é algo muito vantajoso. Pense que terá sempre uma família dividida, aqui e lá. Pense que tem coisas que ele vai fazer e você simplesmente vai achar absurda, e ele o mesmo de você. Só pra vcs se conhecerem, um ou outro vai ter que desenbolsar uns 2 mil dólares. Pode ser que vc chegue lá e ele tenha bafo. Ou que ele te veja e te ache velha demais para o que viu nas fotos e passe os dias te enrolando pra dizer isso e no final não casar. Acontece ué, é o risco.

Então, antes de pedir opinião sobre algo que só implica na sua vida, nas suas escolhas, pense bem se vc está disposta a correr os riscos e a fazer a coisa acontecer. Eu, isso minha opinião, não acredito em relacionamentos online de meses a fio, ou até anos. Isso não é prova de nada. Ficar batendo papo na internet não vai te dar garantia nunca de nada. Conheça a família dele, entenda se culturalmente lá se vc é aceita. Não se humilhe jamais para ninguém, se um dia alguém te pedir dinheiro, saia correndo.

Se ele alega que a família não te aceita, seja dura e pergunte logo no começo se ele vai ser contra a família ou te enrolar. Se ele diz que vai ficara com vc, tenha um plano concreto de quando e como isso vai acontecer. O mesmo vale para as brasileiras. Não fique só de namoro com alguém que coloca uma expectativa grande em cima de vc. Se o seu egípcio é sério, não brinque com os sentimentos da pessoa nem fique nessa de fazer “test drive” antes. Porque isso só machuca os dois e será, muitas vezes, uma grande perca de tempo.

Mas conselhos são só conselhos. Você pode escolher não dar ouvidos a nada e fazer só o que acha certo para vc. E quem pode te criticar? Ninguém, afinal a vida é sua. No final das contas, só você sabe o que passa na sua cabeça quando, ao deitar, coloca a cabeça sobre o travesseiro e vê o filme de seus dias passando. Só nós mesmos conhecemos o que temos de pior e melhor. Todos nós temos nossos segredos, nossos sonhos e maldades. Só eu sei o preço que posso pagar por um desejo.

14 comments novembro 18, 2009

Estresse por excesso de comprometimento

Passei esses dias longe de casa, longe do blog. E acabo sempre por refletir muito sobre minha vida, sobre o que fiz e no que posso ser uma pessoa melhor. Perdi muito tempo me frustrando com as pessoas, sem notar que boa parte das minhas mágoas são causadas por mim mesma e que nunca é tarde para mudar. Mas calma, esse não é mais um dos meus post de reclamação ou “mimimis”, como dizem hoje em dia. É sobre auto-conhecimento.

Tive uma ótima conversa com minha chefe num almoço durante a semana e ela é sempre sensível e excelente para analisar personalidades. Na hora que eu comecei a me abrir um pouco, ela falou claramente que via que eu estava “estressada por excesso de comprometimento”. Em outras palavras, disse que eu estava me comprometendo com coisas demais, que não eram da minha alçada, me preocupava e lutava por coisas que não são da minha responsabilidade. Por causa disso,  muitas vezes me botava a frente de problemas que nem eram meus, penso que tenho solução para tudo e que poderia ajudar.

Mas nem sempre as pessoas precisam de uma resposta. Elas só querem falar, desabafar e eu não preciso sempre ter uma solução na manga, tentar dizer o que penso ou faria. É preciso dar o outro a chance de experimentar, de viver também. Os erros fazem parte da vida de cada um e não sou eu que vou salvar uma pessoa ao tentar ficar pulando na frente dizendo “faça isso”, “não faça aquilo”. Muito menos vou me dedicar a solucionar coisas de gente que mal conheço, que se abrem um pouco e eu já escancaro meu leque de ações e opiniões. Calma lá, Marina, respire e deixe os outros respirarem.

Vejo que errei muito ao falar com pessoas que me pediram ajuda sobre seus relacionamentos com egípcios e afins. Sempre falei o que pensava e o que faria e insistia naquilo quando achava que a mulher estava cega. Mas cheguei a conclusão que cada um passa na vida o que precisa, cada pessoa só aceita um problema para si porque quer. O blog tem tanta informação clara sobre como é o casamento e como saber se o cara é verdadeiro. Porque eu vou ter que ir lá, cutucar o ombro da moça e dizer “eii, você não leu isso e aquilo, não tá vendo que está sendo enganada?”.

Muita gente quer ser enganada, quer viver de sonhos, de ilusão e se eu mexer nesse tipo de coisa, a culpa sempre vai vir para mim depois. Se tento mostrar os problemas e abro os olhos de alguém é porque sou chata e terminei a relação dos sonhos deles. Se eu fico na minha e falo bem, que o risco vale a pena e a menina vai pro Egito e quebra a cara, a culpa também é minha depois, pois ela diz que não a alertei e a fiz ir para o Egito. Então é complicado, não sei ser uma pessoa que fica em cima do muro, por isso decidi simplesmente não falar mais nada sobre relacionamentos. Afinal, todo mundo tem direito de aprender, de errar, de tentar ser feliz. As informações estão dispostas não só nesse blog, mas em muitos outros lugares, nas mesquitas e livros. Quem procura acha.

Mas não é só nisso que sempre fiquei falando e me comprometendo em ajudar demais, como se fosse minha responsabilidade. Já passei horas com gente que só me pedia ajuda com documentos, tradução, como fazer visto e blablablá e achava que estava salvando o mundo. Aí a menina sugava o que precisava, simplesmente dava “tchau e benção” e nunca aparecia para falar mais nada, ou contar como estão as coisas, criar algum laço de amizade. Outro dia, até emprego para um cara que mal conheço tentei arrumar, nem e-mail de agradecimento da esposa recebi. Não sei se eu que fico esperando demais, algum reconhecimento. Mas eu não sou tão altruísta assim ao ponto de fazer as coisas sem esperar no mínimo gratidão em troca. Como disse outro dia, acho que minha cota de sorte nos relacionamentos virtuais deve ter estourado com o Mostafa.

Quem me conhece pessoalmente sabe que se me empolgo com um tema, viro uma matraca. Eu sou assim em tudo, destampo a falar o que penso e sinto e como diz aquele bom ditado, “em boca fechada não entra mosquito”. E quanto menos a gente fala, menos chance de falar bobagem tem. Como meu nível de blablablá é extremamente elevado, devo falar muito babaquice por aí.

Mas eu estou conseguindo mudar. Já larguei coisas que me faziam querer comentar, argumentar e expor a “verdade”. Que era minha verdade, não necessariamente o que os outros queriam ou precisavam escutar. Estou tentando viver mais na minha, em paz comigo e mais preocupada com o que realmente importa para minha vida.

***

Só para terminar, acho que o exercício de pensar sobre si mesmo vale para todo mundo. Sempre temos algo que podemos ser melhores, como fazermos coisas boas para as pessoas sem nos machucarmos e machucá-las. Isso é um exercício diário e eterno, acredito. E para quem pensa que seu jeito é assim e pronto, quem quiser que aceite, lembre-se que todos vivemos conectados nesse mundo, a ação de um influencia na vida do outro, não dá para pensar de forma isolada somente no que é bom para nós. Devemos ser mais agradecidos a quem tenta nos fazer um bem, mais fraternos com quem precisa de algo, mais responsáveis com nossas atitudes. É o que tenho tentado fazer.

Boa semana pós-feriado!!!

 

 

10 comments novembro 3, 2009

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