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Sequestro de crianças
Já faz tempo que queria falar de um assunto polêmico: sequestro internacional de crianças por seus próprios pais. Isso porque várias vezes ao dizer que sou casada com um muçulmano, ouço comentários idiotas sobre o fato de que ele pode roubar meu filho, aquele blá blá blá de sempre. Outras meninas também sempre me questionam isso, se o pai pode pegar a criança e sumir ou impedir que você saia do país dele sem autorização, sempre usando dois exemplos errados para isso:
- aquele filme Nunca sem minha filha
- O caso da brasileira que fugiu do Líbano ano passado e “diz-se” foi impedida pelo Hezbolla e pelo marido muçulmano.
Nos dois casos adoraaaaaaaaam dizer que o cara é muçulmano, manda na mulher, tira os direitos dela, que ela não pode ser livre, etc.
Então me expliquem isso:
- A mãe brasileira tem um filho nos EUA, viaja para o Brasil com a criança e nunca mais volta. Depois ela morre e a guarda fica com o padrasto. O pai fica que nem louco com a justiça brasileira, que não lhe dá a guarda de volta.
- O pai de uma menina, o austríaco Sascha Zanger, afirmou à Folha de S.Paulo que culpa a Justiça brasileira pela morte da filha de quatro anos. Zanger diz que a menina e o irmão dela, de 12, foram trazidos da Áustria para o Brasil pela ex-mulher sem sua permissão em janeiro de 2008. Ele gastou 100 mil reais neste período para obter a guarda das crianças de volta.
Porque nestes últimos dois casos, ninguém cita a religião da brasileira nem diz que a justiça brasileira é ignorante???
Porque ninguém se lembra que, em qualquer país, é proibido a saída de menores sem o consentimento dos dois pais, não importa se é muçulmano ou não, brasileiro ou não. E o Brasil que desrespeita normas internacionais o tempo todo, ninguém faz alarde disso, certo??
Deviam então avisar os estrangeiros: cuidado com as brasileiras, elas podem roubar seus filhos um dia e a justiça lá não faz nada.
Agora porque os muçulmanos levam o estigma, eu não sei. É óbvio que se você tiver um filho com um estrangeiro, seja ele morador no Egito, Líbano, Síria, Holando ou EUA, você não vai poder sair do país livremente se a criança tem aquela nacionalidade. O pai da criança terá que autorizar.
A diferença é que em muitos países muçulmanos, a esposa também não pode viajar sem o consetimento do marido. No Egito é assim, por exemplo, mas no caso de estrangeiras é bem mais simples, para mim nem pediram nada, acho que te impedem só se o marido avisar a polícia do aeroporto. Isso é outro ponto de discussão, o que estou falando agora é da questão dos filhos.
Não estou defendendo nem acusando ninguém aqui, existem pessoas boas e ruins em todos os países, mas os fatos deveriam ser avaliados sem colocar a religião no meio e sem a criação de julgamentos imprecisos, como muitas vezes é feito pela nossa mídia.
ps. no caso da mulher que teve de fugir do Líbano ano passado, fui a fundo na pesquisa e é possível encontrar na internet e-mail dela para o programa “Domingo Legal” pedindo desesperada para voltar para o Líbano por meio do quadro “De volta para minha terra”, poucos meses antes do noticiário da fuga dela de lá. Ela dizia que a vida no Brasil era ruim e que no Líbano seria tudo melhor. Ou seja, tem coisa mal contada nesta história, mas os muçulmanos é que viraram o bode expiatório no final. Não estou falando isso para difamar ninguém, só usando elementos presentes na internet e noticiário publicado.
16 comments junho 22, 2009
Como manter um casamento feliz
O casamento é algo tão antigo. Porque será que até hoje ouvimos tantas discussões sobre este tema? Será que após séculos e séculos as pessoas ainda não sabem dividir a vida? Ou será que o amor é uma daquelas coisas que não importa o quanto a gente estude, nunca vai se ter uma resposta exata para todas as perguntas que ele nos leva a fazer?
Porque será que raios fui parar tão longe? Diziam para mim, encontre um brasileiro mesmo, escolha algo mais fácil e sem riscos. Tá, pode ser que até seja mais simples se casar com alguém do trabalho ou que você conheceu num café, por exemplo. Mas qual é a probabildiade de ter alguém e dizer “este é o amor da minha vida” assim, de repente? Quase nulas. Isso só deve acontecer uma vez na nossa vida.
E porque comigo isso foi acontecer justo com alguém que eu nem tinha visto? Pois por mais estranho que lhe pareça, quando meu marido me pediu em casamento eu nem tinha visto ainda uma foto dele. E eu disse sim! Falava para mim mesma que só podia estar muito louca, mas na loucura daqueles dias tudo foi se resolvendo da melhor maneira.
O amor foi como um furacão na minha vida que derrubou tudo que havia construído antes. De conceitos a roupas, de hábitos a trabalho. E ele também mudou. Engana-se quem pensa que num casamento como o meu é apenas a mulher que cede, como muito já ouvi falar. Ele aprendeu a doar 100% do seu tempo, nunca mais foi nos típicos cafés egípcios, rezou aquele ramadã todo pedindo benção para o futuro casamento. E não deixou ninguém comentar ou argumentar, só disse “vou me casar” a todos e não aceitou opiniões. Nunca hesitou, assim como eu também pulei de frente na relação.
Agora todo a lembrança daquele começo turbulento, cheio de mudanças bruscas, se apaga em uma nuvem de calmaria. Só fazem dois anos, mas a vida se encaixa de forma tão perfeita que parecem décadas atrás. Não consigo mais me lembrar de quem eu já fui antes, nem ele sabe mais o que fazia antes de tudo que construímos juntos. Agora é trabalhar no dia a dia, nas pequenas coisas, tirar os problemas da vida que sempre aparecem da frente e colocar acima de tudo o amor.
É ter paciência com o outro naquele dia em que ele não está bem, elogiar cada sucesso alcançado e não conseguir dormir sem um beijo de boa noite. É acordar ao lado do amado e saber que está tudo bem, que a vida segue firme e que juntos tudo fica mais fácil. É tirar sarro um do outro e brigar junto quando o Tito fica louco. É ser grosso às vezes, mas saber pedir desculpas no minuto seguinte. É ser mais paciente do que com os amigos e mais cordial que no trabalho. É ser eu mesma, com tantos defeitos e tão diferente dele, e mesmo assim não ter medo de ficar sozinha.
12 comments junho 22, 2009
Brasileiras namorando egípcios
Para quem não acompanhou os primórdios do meu blog, eu aconselho a ler este post sobre as dificuldades de casamento no Egito.
Sei que estou batendo nesta tecla várias vezes, mas acho importante devido ao volume de e-mails e mensagens que recebo acerca deste tema. Acho que já postei muitas coisas e qualquer pessoa esclarecida saberá avaliar sua situação a partir do que ando falando por aqui. Não sou a dona da verdade e para o amor existem exceções, claro, mas lembrem-se que o Egito é um país cheio de tradições e que, mesmo nas exceções, tem coisas que são seguidas à risca por lá.
Algumas dicas básicas:
- não tenha intimidades com um egípcio antes do casamento.
- tente conhecer a família dele e ver se é aceita
- tenha em mãos os documetnos dele e aprenda a ler algumas palavras básicas em árabe. No próprio RG tá escrito o estado civil dele.
- Casamento válido no Egito atualmente é feito pela embaixada brasileira. Qualquer coisa fora disso é por sua conta e risco.
- Se ele te pedir dinheiro. Humm, muito cuidado. Se ele exigir dinheiro, pule fora antes que perca tudo. Dividir a vida é uma coisa, pagar as contas juntos, batalhar para crescerem. Outra é extorsão psicológica, que infelizmente já vi muitas vezes acontecer com amigas queridas.
Agora, segue aqui a última série de perguntas que a Eman, egípcia, respondeu sobre os relacionamentos de egípcios com estrangeiras. Espero que tudo isso dê muito argumentos para você refletir sobre seu relacionamento.
Porque é difícil para algumas famílias aceitarem seus filhos se casarem com uma estrangeira? É um problema por causa da religião?
É verdade que muitas famílias não aceitam, devido aos nossos costumes e hábitos. O primeiro ponto é que a família egípcia pensa que muitas estrangeiras (mas não todas) podem ter tido uma relação aberta anterior, já que é normal para as mulheres ocidentais terem namorados. Isso não é aceito nos países do oriente médio. Além disso, como ela mora em outro país, não dá pra saber como é a família dela, o estilo de vida dela ou suas tradições.
O segundo ponto é a religião. A família egípcia prefere que o filho se case com uma garota da mesma religião, para que seja possível ela ensinar aos filhos os conceitos islâmicos. (como rezar, como jejuar, ler o Alcorão). O papel da mãe egípcia é muito importante na criação dos filhos por isso é tão importante a religião para que a criaça seja criada de uma froma que aprenderão tudo sobre sua religião. Uma mãe estrangeira também pode ser boa, mas se não for muçulmana não pode ensinar de forma correta as regras da religião. Por estas razões, os egípcios acabam preferindo que seus filhos se casem com uma egípcia mesmo.
Que conselhos você daria para uma brasileira envolvida com um egípcio para saber se ele é uma pessoa séria, se é uma pessoa com boas intenções?
Primeiro de tudo, ela deve perguntar a si mesmo porque este rapaz quer se casar com ela. Se ele realmente a ama ou tem outra razão. O casamento com um homem de outro país e outra língua exige que você tenha muita certeza de tudo que ele fala e diz antes de se casar. É melhor estar segura do que desconfiada. Vou falar de alguns pontos:
1. Ela precisa perguntar para ele do trabalho. O que ele faz, onde. Também é importante a educação, se ele é formado e onde.
2.Você tem que perguntar para ele se tem permissão da família dele pra se casar. É muito melhor ter a aprovação da família dele para o casamento. O melhor é você conversar com a família dele pra ter certeza disso. Você logo sentirá se eles aprovam o casamento ou não.
3.Se você vai morar no Egito depois do casamento este é um ponto muito importante: o local onde vocês irão viver. Muitos egípcios se casam com estrangeiras e as fazem viver com sua família que às vezes tem mais quatro ou cinco membros, pelo menos. Isso vai criar um monte de problemas e você não vai se sentir confortável com tanta gente vivendo com você. Se el mora apenas com o pai e mãe, por exemplo, você pode viver com eles se achar que está bom. Se você pensa em ir embora depois de casar, morar em outro país, precisa ter certeza que terá um lugar seguro e correto para viver antes de ir embora com o marido.
4.Se você decide viver no Egito, precisar perguntar para ele sobre as condições financeiras. Precia ter certeza que ele pode dividir com você as responsabilidades do casamento. Ele precisa ter um emprego estável para garantir uma boa vida para você. Eu sei que é difícil ter certeza disso tudo, ele pode te enganar. Ele pode dizer que trabalha e na verdade está desempregado. Você terá que ter malícia pra descobrir todas as verdades.
5.Você tem o direito de pedir que ele compre o presente de noivado (pode ser um anel de ouro). É totalmente seu direito. Eu digo isso porque muitos egípcios querem se casar com estrangeiras porque eles não precisarão pagar nada para isso, nem dote nem presente de noivado, então para ele este casamento é economizar. Se você sabe que ele realmente não pode comprar este presente, se ele não tem dinheiro suficiente, aí não tem problema, mas você precisa ter certeza disso, porque até as pessoas mais humildes compram quando se casam com egípcias.
6.Se ele diz para você que deseja morar no seu país você precisa ter certeza que ele não está querendo se casar só para ter a nacionalidade do seu país.
Por fim, eu gostaria de dizer que falei em relação a maioria das famílias egípcias, mas não posso dizer que todas são 100% assim. Com certeza existem muitos egípciso que serão excelentes maridos, mas o que você precisa é ter certeza do amor dele por você.
8 comments junho 10, 2009
Namoro e noivado no Egito
Oba, finalmente estou aqui.
Hoje quero falar de uma coisa que é diferente no Egito: o namoro. Mas antes de falar disso, é bom que todos saibam que falo de uma maneira geral como as coisas são por lá, pode ser que tenha gente que faça diferente, cada casal é de um jeito e não dá para generalizar 70 milhões de egípcios em um post só.
Pois bem, muitas pessoas me escrevem perguntando sobre seus relacionamentos, como fica a troca de carinhos no Egito. Apesar da maioria das brasileiras ficarem felizes com uma proposta de casamento vinda de um egípcio, existe um grupo que não aceita se casar sem antes ter muita certeza do que quer. E como nos preparamos para o casamento no Brasil? Namorando.
Só que não existe este tipo de namoro que conhecemos aqui no Egito. Lá, podemos dizer que 90% dos casamentos acontece num acordo mais familiar do que somente do casal. É difícil uma história de alguém que se conheceu num curso, na escola ou faculdade, se apaixonou, namorou e depois noivou. Muitas vezes, o rapaz ou moça se interessam por alguém e aí arrumam alguma forma das famílias se encontrarem e conversarem, para ver se o noivado pode ser arranjado. Outras vezes, as próprias mães vão indicando jovens livres para os casamentos, marcando encontro entre as famílias para ver se os dois se aceitam e se as famílias têm objetivos comuns entre si.
Vou dar um caso prático, pois pode ser que vocês não estejam entendendo nada:
Mahmoud está na faculdade de Medicina e conhece Noura, uma colega de classe que ele acha bonita e inteligente. Depois de uns meses de amizade e convivência na faculdade, ele acha que ela poderia ser uma boa noiva. Antes disso, ele não disse nada explicitamente para ela, nem propôs namoro ou algo íntimo nada. Pode ser que tenham conversado pelo msn, trocado mensagens pelo celular e ido a cafés juntos. Isso já mostra que os dois se gostam e, usando uma palavra ocidental, estão namorando, mesmo que ele nunca tenha nem pegado a mão dela.
Pois bem, chegando a conclusão que ela é legal, Mahmoud vai e conversa com sua mãe e pai, dizendo que quer tentar noivar a Noura. A mãe de Mahmoud fica empolaga e liga para a mãe de Noura para marcar um encontro entre as famílias.
No dia do encontro, a família de Noura prepara uma bela janta. Noura está bem vestida e espera feliz pela visita, pois ela sabe que isso é uma proposta. A família de Mahmoud chega e são recebidos calorosamente pela família dela. (Muitas vezes as famílias chegam neste ponto quando já se conhecem ou tem alguém conhecido em comum, que diz que a outra família é boa… raras vezes as famílias se conhecem sem nenhum elo anterior).
Depois da janta, as famílias começam a discutir, todos juntos na mesa, com irmãos juntos também, o que cada família dispõe e pensa de um futuro casamento. A família da noiva diz que vai dar as mobílias do quarto, da sala e parte da festa. A do noivo diz que tem um apartamento em determinada área e paga a festa do casamento, mas que não quer pagar o resto da mobília da cozinha. Está criado o impasse.
Noura também não quer morar na área em que Mahmoud tem um apartamento. As famílias discutem sobre o que cada uma quer dar, mas a tal mobília da cozinha continua sendo um problema.
Eles se despedem e a família de Mahmoud volta para sua casa, sabendo que não haverá noivado ali. Sim, por conta de às vezes um detalhe simples, como quem vai dar o fogão, um propenso noivado acaba no Egito.
De volta à faculdade, Mahmoud se afasta de Noura e deixa de ir aos cafés sozinho com ela. Ela também faz de conta que nunca o conheceu tão de perto antes, e ambos seguem seus caminhos, em busca de um noivado melhor para cada um.
***
Já conheci casais no Egito que se conheceram em situações aleatórias e realmente se gostaram, amaram mesmo. Eles namoravam também assim, indo em cafés, restaurantes juntos, conversando de forma romântica no telefone, trocando presentes de dia dos namorados com corações e coisas fofas.
Assim que o homem já tem alguma condição, a primeira coisa que ele fez foi procurar a família da moça para noivar. Alguns conseguiram se casar, outros não, simplesmente porque a família não concordou, apesar do amor. Já vi casos de um homem ser proibido terminantemente de se casar com a namorada porque a família dele não gostou do jeito da família da noiva. Não teve jeito, ninguém no Egito casa escondido ou contra a família. Isso é muito raro, não conheci casos assim, pois os dois acabam desistindo do amor sim, em prol da escolha familiar.
Bom, falei tudo isso, para que quem esteja se relacionamento com um egípcio pense duas vezes antes de querer apenas namorar. Pois se não houver um comprometimetno dele e aceitação da família, pode ser que vocês fiquem anos juntos e no final não dê em nada. Então antes de querer conhecer muito bem o moço e fazer “test drive” com ele, pense que você pode amar ele de verdade, se apaixonar, e depois ser descartada pois a família não aceitou. Melhor seguir os passos deles, tentar ser aceita pela família primeiro antes de se entregar como num namoro aqui do Brasil. As coisas lá acontecem em ordem diferente daqui. Mesmo que você noive e depois desista, é melhor ser assim do que se entregar 100% a uma paixão por um egípcio que você não sabe se poderá se concretizar depois.
Bom, com tudo, esta é minha opinião! A vida é de cada uma de vocês e as escolhas também…
Fiquem com Deus!
29 comments maio 13, 2009
Amigos do sexo oposto
Como algumas pessoas perguntaram, vou tentar falar um pouco sobre a questão de amizades com pessoas do sexo oposto para os muçulmanos. Sei que isto também se encaixa para os árabes em geral, além de indianos. As tradições e cultura destes povos exalta muito os laços familiares e a manutenção dos casamentos, além de terem diversas regras sociais – e religiosas também – que definem as relações entre pessoas.
No Islã, por exemplo, a mulher não deve ficar sozinha em um mesmo lugar fechado com um homem que não seja seu marido ou da família. No Egito uma vez, foi até engraçado, pois chamei o elevador e um homem estava dentro, como eu nem tinha me tocado muito destas coisas fui entrando normal, ele sorriu e saiu. E eu vi que ele ficou lá na porta e chamou o outro elevador do lado. Por sinal de respeito, ele simplesmente deixou o elevador sozinho para mim, para evitar uma situação constrangedora.
Também no Egito, meios de transporte público possuem carros ou vagões separados só para as mulheres, assim elas se sentem mais confortáveis e não precisam se sentar ao lado de um homem que não conhecem. No caminho para minha casa do trabalho, eu pegava uma espécie de bonde em Alexandria, e o vagão do meio era sempre o das mulheres. Mas às vezes estava tão cheio, tão cheioooo de mulheres, que eu ia no dos homens. Todo mundo encarava, claro, mas prefiro ir de pé respirando do que amassada num monte de mulher que não conheço. Algumas mulheres frequentam os vagões masculinos, mas sempre acompanhadas. Eu algumas vezes fui sozinha, mas só quando o das mulheres estava impossível mesmo.
Nos clubes também existem horários específicos para as mulheres, mesmo que elas usem o maiô islâmico, elas preferem o momento em que podem usar a piscina sozinhas. Outra coisa interesssante desta separação invísel entre homens e mulheres, é que ser simpática e sorrir, por exemplo, na hora de comprar uma coisa, faz você parecer que é mulher da vida. A não ser que você conheça o dono da loja, não vale a pena ficar trocando conversa e sendo gentil, pois pega mal no Egito isso, e acredito que em outros países muçulmanos também. O certo é ir além: manter os olhos baixos e não encarar um homem que você não conhece.
Quando uma ocidental como eu, comecei um relacionamento com um muçulmano, não fazia idéia destes detalhes nem muito menos via tantas diferenças entre homens e mulheres. Mas é só dizer que você tem um “amigo” homem, que seu amor já vai dar piti. Para a maioria deles, não é possível existir amizade real entre pessoas de sexos diferentes. Poderá sempre haver a chance de um interesse de um a mais pelo outro, e vice-versa. Se a mulher for casada então, não deve ter interesse nenhum em se relacionar com outros homens, pois eles poderão desestabilizar a relação um dia, quem sabe. Pode ser até que, no momento, nenhum dos dois sinta atração pelo outro, mas quem garante que não poderá acontecer um dia? Por isso, eles não acreditam neste tipo de amizade, nem permitem que as esposas tenham.
Mas no Egito moderno, por exemplo, conheci muitos jovens – homens e mulheres – amigos entre si. Conversam no msn, vão a cafés ou cursam a universidade juntos. É comum hoje já existir por lá pessoas que se dizem amigas, mas é sempre motivo de brincadeirinhas, do tipo “ahhh, amiga sua, sei, sei….”. O tom de que algo a mais pode acontecer é sempre presente, por isso também se seu “habiby” diz que tem amigas, ou algum árabe diz que só quer seu amigo, desconfie. Claro que existe de tudo neste mundo, pode ser que existam pessoas que só querem amizade mesmo, mas pela cultura deles, provavelmente existe um outro interesse por trás.
Claro que para quem sempre teve amigos homens, é meio difícil entender tudo isto. E dizer adeus a alguém que sempre foi próximo, pode ser delicado. Para mim foi fácil pois não tinha amigos homens. O mais complicado foi manter colegas de trabalho com mais distância, pois sempre tem aquela pessoa com mania de abraçar, pegar na mão. Na frente de um marido muçulmano, isso ia dar “porrada” literalmente. Então com jeito você começa a desviar, falar da sua mudança, da cultura do seu marido. E hoje a maioria dos colegas ou homens que eu conheço não se aproxima de mim naturalmente. Batemos-papo no café, por exemplo, trocamos informações de trabalho, mas nada muito “amiguinho”. Aos poucos a gente consegue dar limites.
Agora não sei como seria com alguém realmente próxima a um amigo. Com certeza seria difícil para ele entender todas as suas mudanças, seu marido talvez teria de se aproximar dele e vocês se encontrem todos juntos, aí fica mais fácil. Agora sair sozinha, com amigo homem, não vai mais dar não, provavelmente.
37 comments abril 24, 2009
Casamento no Egito (parte mil ehehe)
Olha eu voltando para este assunto! Não sei se já estou repetindo coisas, mas como as perguntas sempre voltam, gosto de explicar melhor aqui o que der.
Se você é daquelas que me visita pois tem um amor no Egito, com certeza está louca pra me fazer mil perguntas sobre documentos, papéis, o que levar, como é o casamento muçulmano, etc.
Para facilitar tudo e minha vida também (agora para quem me perguntar vou mandar direto o link deste post) vou dar alguns detalhes importantes.
Primeiro, para você se casar no Egito, precisa ser SOLTEIRA. Básico não? Mais ou menos, pois já vi muita mulher divorciada tendo problemas por lá simplesmente por achar que não pediriam algum papel do Brasil provando isso. Não adianta insistir, nem mesmo o casamento só religioso pode ser realizado.
Por conta disso, você precisa levar além da certidão de nascimento atualizada, um documento feito em cartório indicando que é solteira. No caso o que eu fiz exigia duas testemunhas e foi assinado por um juiz de paz. Não custa caro, em torno de R$ 20, por isso não deixe o cartório de extorquir.
Outro ponto importante é ver o comprometimento do seu habiby para que o casamento seja realizado de forma rápida e séria. Não é você que deveria ficar caçando o que tem de levar para lá ou não, perguntando para outras brasileiras como eu, pois o que eu fiz pode não ser mais válido no momento que você for, algum documento extra ser requisitado. Ou seja, se ele quer casar com você lá, nada mais justo que ele te passe a lista de documentos que você precisa, certo? Falo isso porque quando eu me casei foi assim que aconteceu, tanto que casei no dia seguinte que cheguei lá sem nenhum estresse. Mas muitas meninas se ofendem comigo quando eu digo que elas devem perguntar a lista de papéis para os noivos e não para mim, desculpe mas é somente o caminho mais fácil, pois já vi muita menina chegar lá e ficar fazendo uma verdadeira “via crucis” na embaixada para conseguir permissão para casar e, no fim, muitas nem conseguem.
Eu, por exemplo, não casei via embaixada no Cairo, como a maioria faz, mas direto do Fórum da Família em Alexandria. Aliás, só precisei da embaixada quando voltei para o Brasil, para tirar o visto do Mostafa e carimbar documentos egípcios.
Bom, outra coisa para se alertar: no Egito tudo envolve religião. Ou seja, se você se converteu para o islamismo, não basta chegar lá e dizer que é muçulmana agora, porque toda estrangeira eles assinalam como cristã. Não adianta nem mesmo levar papel de mesquita brasileira, que para eles não significa nada. Lá a religião é passada de pai para filho, e vem escrito no RG deles. Como nosso RG não diz nossa religião, caso você não faça uma conversão oficial lá, eles te casam como cristã.
Se você realmente se converteu não vai querer um papel escrito uma religião que você não segue, então vá se converter “oficialmente” em Azhar. Azhar fica no Cairo e é a central islâmica do Egito. Os sheiks são totalmente preparados para falar com gringos como você, são super simpáticos e respondem à dúvidas, fazem questionamentos. Depois disso, vc faz a profissão de fé e recebe um certificado para tal. É tudo de graça, não deixe nenhum engraçadinho tentar cobrar algo, como advogados etc, lá mesmo você verá uma placa bem grande, em inglês, dizendo que tudo em Azhar é gratuito. Aproveite e peça uns livrinhos também, tem até em português!
Se você realmente se converteu, o papel de Azhar também te garante os direitos de esposa muçulmana de herança e outros detalhes. Se você for cristã casada com um muçulmano, não tem direito à herança caso seu marido morra (já vai vir pedrada agora ehehehehe mas é assim que funciona).
Outro ponto importante. Como já disse, egípcios que não são casados não podem ficar no mesmo quarto de hotel ou apartamento no Egito. Mesmo se for algo alugado, pode ter certeza que algum vizinho vai bater na sua porta para te importunar ou chamar a polícia. Sem ser casado, também não é normal que a família dele deixe vocês ficarem na mesma casa antes de oficializarem a união, a não ser que seja por muito poucos dias e com uma barreira de tias e primas separando vocês durante a noite ehehehe (sim, elas dormem no chaõ ou em qualquer canto para proteger os dois de algum contato:-D ).
Agora, um fato importante: o casamento não é feito em casa ou na mesquita, mesmo sendo religioso. Por você ser estrangeira, fará tudo em um órgão oficial egípcio, e para ter certeza que está certo, verá um monte de selinhos no certificado de casamento, carimbos, etc. Existe um modelo de casamento chamado ORFI no Egito que é apenas um contrato sem validade legal, e pelo que eu saiba vai ser até proibido agora, sob o risco de prisão para os noivos se for realizado. Ou seja, se for um papel assinado apenas por amigos e um advogado não é válido, você vai saber se está casando no lugar certo ao ver um monte de documentos sendo pedidos, carimbos e selos no papel, além de muitas gringas como você na fila para se casarem também eheheheh
Por fiiiimmm, lembrem-se que mesmo casados, não é normal muita proximidade em público, beijinhos e abraços nem pensar. Dentro dos taxis, atenção redobrada, não vá ficar com sono e encostar sua cabeça no ombro do maridão que vai tomar bronca. Também não pense que em lugares românticos como restaurantes a coisa é liberada. Se der um selinho ou encostar demais, com certeza um garçom chegará perto e pedirá para se afastarem. Andar de mão dada ou braços dados já é normal, pelo menos em Alexandria, mas fiquei sabendo de meninas que moraram em bairros mais pobres do Cairo e que nem isso em público podiam fazer.
Bom, espero ter sanado algumas dúvidas de novo!!

E vivam felizes para sempre....
22 comments março 11, 2009
Tão longe…
Daqui a pouco já vai fazer dois anos que estamos no Brasil… e as lembranças do Egito, daqueles meses intensos de descobertas e devaneios, parecem que vão ganhando nova forma.
É engraçado como a minha relação com o país conseguiu mudar tanto e tantas vezes, em tão pouco tempo. Agora a distância começa a pesar, não foi agora há pouco que cheguei. Algumas memórias vão se apagando. A certeza de certos acontecimentos se perdem na correria do dia a dia, pensar nos cheiros, nos desafios, comidas e cotidiano de lá vai ficando mais difícil. Parece que foi há muito mais tempo, talvez décadas atrás quando resolvi largar tudo e ir morar no Egito.
Minha cabeça mudou mais ainda, será que hoje eu teria a mesma coragem? Talvez pensaria mais, guardaria dinheiro para fazer uma viagem de férias incluindo passeios de navio em Luxor e Asswan ao invés de largar tudo de uma vez. Quando a gente vai envelhecendo fica mais chato. Não que eu esteja muitooo mais velha, mas quando comprei minha passagem tinha apenas 22 anos e muita coisa pra ver ainda.
Agora com a experiência na babagem e mil responsabilidades, inclusive a de cuidar da minha própria casa, não dá mais pra sair largando tudo adoidado. Ou será que dá? Recebo muitas mensagens de leitoras com filhos, muitas com vida pronta e tudo mais, que fazem o mesmo que eu fiz sem se importar em deixar muito mais. A maioria talvez não tenha a dimensão correta de como a vida lá é diferente, como a religião não é apenas uma roupa ou gestos que você muda. Eu sempre digo isso e repito: a mudança é sim, muito radical.
Seja você mais jovem ou vivida, com certeza irá conhecer coisas maravilhosas ao partir para o Egito ou tentar viver uma história de amor tão longe, mas entenda que muito também fica no Brasil e se perde para sempre. E pisar nesta história deixa marcas para sempre, mesmo que você volte, como eu voltei.
No meu retorno, não mudei apenas minha religião e meu estado civil. Pude notar realmente está do meu lado, quem é amigo de verdade, quais são os parentes que realmente se importam com minha felicidade. Os que me chamaram de louca, sem ouvir o que eu tinha para dizer, ficaram nas páginas do passado. Ao voltar, continuaram com a mesma indiferença e fizeram pouco para entender qualquer coisa, apenas continuam com os mesmos julgamentos. Talvez fofoquem dizendo “esta história até que está durando bastante tempo”.
Neste tempo de retorno, muita gente me deixou na mão do lado profissional e pessoal, sejam colegas de trabalho que eu tinha admiração, primos que não sabem respeitar escolhas ou amigos que não entendem que você mudou. Agradeço a Deus por continuar do meu lado e abrir sempre novas portas, pois acabei não precisando de ninguém para refazer a minha vida aqui.
Eu não saio mais para baladas ou barzinhos, e tem ex-amigo que me chama de “velha” e “desanimada” por conta disso. Primos que preferem ficar com os amigos que bebem e fazem festão com muita azaração mesmo quando você viaja 500 km para vê-los. Ex-colegas de trabalho que acham que porque você não está mais numa grande empresa, pensam que o contato não vale mais a pena.
Pois bem, eu não vou atrás de ninguém mais de duas vezes e se você pensa em embarcar em uma história como a minha, prepare-se para perder sua vida do passado e construir uma totalmente nova. Não que seja algo ruim, mas não é normal o ser humano adorar mudanças e ver seus conceitos caindo por terra. Por isso, estou escrevendo esse post bagunçado só para dizer isso: as coisas vão mudar e não vão parar de mudar jamais, até que você perceba que nada é mais como era antes.
Mas o amor supera todas as coisas. Se ele realmente existir, você vai saber a hora certa de deixar de ligar para todo o resto e se focar apenas no que vale a pena para os dois. E uma vida solitária a dois pode ser fantástica. Seja aqui ou lá, pois a maioria das pessoas à sua volta nunca estará preparada para lidar com o diferente, sejam os seus vizinhos brasileiros, egípcios, indianos, europeus ou americanos.
Ninguém se satisfaz com quem sai do lugar comum, mas tenha certeza que as boas histórias não acontecem com quem é perfeitamente normal. Por isso, aproveito o post estranho para agradecer todos que têm vindo aqui e, de certa forma, criando uma rede de interação comigo, compartilhando histórias e vidas. Até mesmo sem saber, vocês já são pessoas que não se contentam com o tradicional, que buscam algo espetacular e novo para a vida, que não tem medo de se jogar nos sentimentos e emoções, mesmo que isso machuque. E viva a todas nós loucas e loucos desvairados, que não pensamos em agradar aos outros, mas sim a nós mesmos!
E Alhamdo Lelah (Graças a Deus) que pude viver tudo isso e conhecer todos vocês
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Amanhã volto a postar decentemente ehehe…. prometo!
12 comments março 10, 2009
Entrevista com Eman
Tive de fazer a entrevista e enviar hoje mesmo, pois amanhã ela não poderia responder e eu queria postar isso o quanto antes.
Bom, vou postar aqui as repostas traduzidas e deixar no final o original.
Entrevistada: Eman Samir, 23 anos, egípcia de Alexandria que vive atualmente em Jeddah, Arábia Saudita
1 – Como você se sente vivendo num país islâmico, você é feliz como mulher?
Eu me sinto realmente muito feliz de viver em um país islâmico. Aqui eu me alegro ao ouvir os chamados de orações das mesquitas. Eu não me sinto estranha, aqui todas as mulheres usam hijab e abaya. Eu também aproveito o Ramadan aqui, que é muito bom.
2- Você acha que é uma mulher livre? Por quê?
Sim, eu sou uma mulher livre. Enquanto eu for muçulmana, eu sou livre. Eu tenho a liberdade de pensamento e de escolha, a religião me protege e me respeita.
3 – Você se sente mal porque tem de vestir hijab e abaya?
Não, eu nunca me senti mal porque eu uso hijab e abaya. Eu tenho muito orgulho de usar hijab, ele me dá dignidade e respeito. Eu me sinto protegida, segura e confiante quando eu saio de casa. É um meio de obediciência às ordens de Deus. Hijab nunca me impediu de fazer nada que eu goste de fazer.
4 – A vida na Arábia Saudita é diferente da do Egito? De que formas?
Definitivamente, a vida aqui na Arábia Saudita é bem diferente da vida no Egito. Aqui existem muitas nacionalidades diferentes. A Arábia depende muito dos egípcios no trabalho. A maioria dos médicos, farmacêuticos e engenheiros aqui são egípcios. Por outro lado, todas as lojas aqui fecham durante o momento de oração, o que só acontece aqui e não acontece no Egito. Aqui todas as mulheres devem usar abaya, no Egito isso já é sua escolha. Aqui, as mulheres não tem o direito de dirigir carros, somente os homens podem. No Egito os dois podem dirigir. Aqui, com certeza, uma coisa única e maravilhosa é que você pode fazer Omra em Mecca a qualquer momento e aproveitar para visitar o profeta Mohamed em Medina.
5 – O que você faz no seu tempo livre? Você costuma sair?
Sim, eu saio para fazer compras, rezar na mesquita ou visitar amigos. Eu posso também ir a Mecca para um Omra ou ir para Medina visitar o profeta Mohamed. Eu posso sair para comer em um restaurante também. Eu realmente gosto de sair para comer no meu restaurante turco predileto. Eu também posso passar o final de semana na praia e nadar na piscina que é destinada para mulheres apenas.
6 – Você acha que as mulheres muçulmana são oprimidas por seus maridos?
Não, elas não são. O marido muçulmano ama, respeita e se importa com sua esposa. Eles compartilham tudo um com o outro. Eles podem ser o melhor casal possível. Eu sou muçulmana casada e eu vivo uma vida muito feliz com meu amável marido.
7 – O que você gosta mais da Arábia Saudita? E o que não gosta?
Com certeza, o melhor aqui é fazer Omra e visitar o profeta Mohamed. Não há nada que eu não goste aqui, talvez a única coisa é que eu estou longe da minha família e amigos, mas não está relacionado com a Arábia Saudita.
8 – Qual sua impressão sobre os países não muçulmanos? Você acha que eles são bons lugares?
Eu nunca estive em um país não muçulmano e eu acho que existem bons países e outros não. Eu tenho muitos amigos vivendo em países do ocidente e eles estão felizes.
9 – Quando você escuta a palavra “Brasil”, o que vem à sua mente? Você sabe alguma coisa sobre o país?
A primeira coisa é futebol, depois café. Eu sei que o Brasil tem uma eocnomia desenvolvida recentemente e que a vida aí é barata. Eu ouvi também que existe carnaval e as mulheres tiram a roupa e ficam nuas. Eu sei também que o país tem uma natureza maravilhosa.
10 – Você assiste filmes na Arábia Saudita? Eles mostram tudo nos filmes, como nos filmes americanos?
Se você se refere assistir filmes no cinema, aqui não existem cinemas. Se é na televisão, eu claro que estou sempre assistindo filmes árabes e americanos.
11 – O que você assiste na televisão?
Eu assisto os mesmos canais que via no Egito. Eu raramento assisto os canais locais da Arábia Saudita. Eu geralmente assisto ART Sports, filmes e National Geographic. Também vejo canais egípcios como Dream 1 e 2 e canais islâmicos como IQRAA. Canais novos como Aljazira e CNN.
12 – Como você se sente sobre o modo que as mulheres ocidentais se vestem, sem cobrir seus corpos?
Eu sou totalmente convencida pelo hijab, então eu tenho certeza que se elas tentarem usá-lo, elas vão gostar. Elas têm a escolha, claro. Mas eu não posso vestir o que elas vestem, a não ser na minha casa ou com muitas modificações na roupa.
13 – Pode fazer mais comentários, se quiser.
Eu gostei muito da entrevista e espero que minhas respostas sejam úteis para vocês.

Eman e Mohamed, seu marido
***
Original das perguntas, se interessar:
1 – How do u feel about living in a islamic country, are u happy as a woman?
i am really so happy to live in islamic country.here,i enjoy listening to the sound of mosques calling for praying.i don’t feel stranger,all women here are wearing hijab and abaya.i aslo enjoy RAMADAN here.it was so nice.
2- Do you think you are a free woman? Why?
yes i think i am free woman.as long as i am a muslim,i am a free woman.i have the freedom of thinking and choice.it is the religion that protects and respects me.
3 – Do you feel bad because you wear hijab and abaya?
no,i never have felt bad because i am wearing hijab and abaya.i am really proud of wearing hijab.it gives me gidnity and respect.I feel protected ,safe and confident when I step out.it is one way of obedience to Allah’s command.hijab never deprives me from doing things i like.
4 – The life in Saudi is different from life in Egypt? In which ways?
definitely the life here in saudi arabia is different from life in Egypt.here there are different nationalities.saudi arabia depends on egyptians in their work to a very high extent.most of physicians,pharmasicts and engineers here are egyptians.on the other hand,all shops here are closed during the time of praying and that is unique in saudi arabia and not present in Egypt..all of women here should wear abaya,in Egypt it is your choice.here,the women have not the right to drive cars,only men have the right.in Egypt both men and women can drive.here,for sure, the unique and wonderful thing is that u can make omra I Mecca at any time and enjoy visiting the Prophet MOHAMMED in Medina.
5 – What do you do in your free time? Do you go out?
yes,i go out for shopping,praying in mosque or visiting friends.i can also go to mecca for an omra or go to al medina to visit prophet mohamed.i can go out to eat in a restaurant.i really like to eat in my favourite Turkish restaurant.i can aslo spend the vacation on the beach and swim in the the swimming pool that is specialized for women only.
6 – Do you think that the muslim women are opressed by their husbands?
no they are not.the muslim husband loves, respect and cares about his wife.they share everything with each other.they can be the best couple ever.i am a muslim married woman and i live a very happy life with my lovely husband.
7 – What do you like the most in Saudi Arabia? And what you deslike there?
for sure,the best thing here is making omra and visiting prophet mohamed.there is nothing i dislike here …….may be the only thing is that i am away from my family and friends but it is not related to saudi arabia.
8 – What is your impression about non-muslim countries? Do you think they are good places?
i have never in a non muslim country before and i think there are good non-muslim countries while others are not good. i have a lot of friends living there and they are happy.
9 – When you listen the word “Brazil”, what comes to your mind? Do you know something about the country?
the first thing is the football and then the coffee:))))i know that brazil has a developed economy recently and the life there is cheap.i heard that there are some carnivals there where the girls take off their clothes and become naked.i know aslo it has a wonderful nature.
10 – Do you watch movies in Saudi Arabia? They show everything in the movies there, like the american movies?
if u mean watching movies in cinema,there are not cinemas here.if u mean on tv,for sure i am always watching arabic and english movies on tv.
11 – What do you watch on TV?
i am watching the same channels i was watching in Egypt.i rarely watch the local saudi channels.i usually watch ART sports,movies and national geographic.also,Egyptian channels like dream 1 and 2.islamic channels like IQRAA.news channels like aljazira and CNN
12 – How do you feel about the way that the non-muslim woman dress, without covering their bodies?
i am totally persuaded with hijab,so i am sure if they try it they will like it.they have the choice sure.but i can’t wear what they wear except at my home or with a lot of modifications within it.
13 – Be free to add any other comments, if you wish.
i enjoyed the interview so much and hope my answers are useful for u.
9 comments março 5, 2009
Casamento no Egito – chique
O blog ficou meio pesado estes dias, não acham? Tanto assunto para refletir, que só deu tempo de contar uma das histórias doidas do Egito.
Como eu falei do casamento bizarro que assisti da minha sacada e não quero que vocês achem que isso é o Egito, vou contar como, tradicionalmente, é a festa.
Para começar, o casamento religioso é quase sempre realizado antes, em alguns casos com até um mês de antecedência. Na mesquita, a noiva usa uma roupa de qualquer cor, mas elas sempre gostam de ter algo novo e bem chique para a ocasião.

Casamento religioso na mesquita
Já a festa de pessoas com um pouco mais de poder aquisitivo acontecem nos salões de hotéis ou buffets próprios para isso. É buffet como estes que temos no Brasil mesmo. Em Alexandria, perto do Carrefour tem um local com vários deles, todos decorados e cheios de luzes.

A maioria dos buffets coloca os nomes dos noivos na porta, tudo decorado
Chegando no buffet, geralmente existe um ante-sala com uma grande escadaria. Ali, uma banda típica aquece a festa cantando ao vivo enquanto as mulheres ficam no lalalaalalala. O noivo está no meio da bagunça com todos os convidados.
A noiva, depois de pouco tempo, desce com o pai a escadaria, naquele momento bem princesa, com todo mundo olhando e aplaudindo, e o noivo com cara de bobo ehehehe. Como a entrada na igreja, a diferença é que não tem cunho religioso nada disso no Egito.
As noivas no dia da festa usam branco, com véu. A maioria faz penteado no cabelo e não usa véu. Não é permitido, islamicamente falando, que a noiva tira o véu, mas é uma tradição no Egito e bem comum, e mesmo a mais recatada das moças muitas vezes aparece ali sem véu. Mas tem as que mantêm o hijab e cobrem o cabelo.

Noiva de hijab sentada com o noivo no sofá. Os convidados em volta tirando fotos
Bom, a noiva chega dá a mão para o noivo e os dois ficam ali dançando e se divertindo com as famílias, cumprimentando os amigos e quem for chegando. Ficam ali um bom tempinho, uns 20 minutos.
Depois, as portas do salão mesmo são abertas, e o povo sai correndo (egípcio é desesperados nestas coisas) para pegarem seus lugares. Logo, está todo mundo sentado.
Na frente do salão, tem um banco todo decorado com flores e luzes, onde os noivos vão passar a festa depois.
Quando todos os convidados estão acomododados, eles tocam aquela música tchammmm tchammmmmm, e os noivos entram com toda a pompa. Tem casamento que eles passam por baixo de espadas, ou fazem umas luzes diferente, isso varia um pouco, tudo gracejo.
Os noivos vão até lá na frente e se sentam sozinhos no tal banco. Ficam lá sendo admirados e tal.
Em alguns casamentos de muçulmanos, depois que eles sentam fazem alguma menção à religião. Pode ser que entoem os 99 nomes de Allah, numa oração em conjunto muito linda. É bom lembrar de Deus nos bons momentos.
Depois disso, as luzes se apagam e novamente comça um tchammmmmmm tchammmm (estão entendendo, música de suspense). Abrem-se as portas e um monte de garçom devidamente uniformizados entram carregando tacinhas decodaras com um liquido vermelho. É hibisco gelado, uma “dilíciaaa”. Mas ficam lá um tempão fazendo uma espécie de coreografia com as tais taças, roda pra lá e pra cá, e eu quase caindo na risada porque achei meio bizarro tanto oba oba para uma bebida.

O brinde
Bom, tudo isso para o brinde!! Os noives recebem duas taças, e bem como aqui, cruzam os braços para beber juntos. Bom, aí os garçons distribuem a bebida para galera brindar junto.
Depoissssss, mais uma coreografia de garçom traz o bolo. É enormeeeeee, de vários andares, eu achei que parte era de mentira, mas no fim descobri que tudo era de verdade mesmo!! Um bolão daqueles. Os noivos vão no centro, cortam o bolo sob aplausos e recebem um pedaço. Aí vem uma coisa que todo casalsinho egípcio faz: eles tem que comer um pedaço do bolo juntos, do mesmo garço ao mesmo tempo. Tipo, quase dão um selinho sabe, uma graça! Mas calma que é o máximo que fazem em público.

bolãooo
Bom, depois disso, o bolo vai embora, e os noivos ficam sozinhos no meio, quando começa a tocar aquelaaaa música romântica. Aí, depende da pirotecnia do buffet. Fui num que a parte que os noivos estavam subia do chão, deixando os noivos no alto, tipo show mesmo, chique.

O casal dança no meio, com chuva de espuma ou qualquer outra coisa. Esta noiva está de rosa pq isso é um noivado, não a festa de casamento, mas é a mesma coisa no quesito dancinha ehehe
Aí é aquele esquema, as danças românticas começam e o DJ chama outros casais para dançarem junto (eu e Mostafa damos um pulo e vamos pro meio). Aí fica todo mundo dançando, e as solteiras no fim se animam e fazem uma roda com as mãos dadas em volta dos casados.
As músicas vão mudando de ritmo e ate´virar balada no final.
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Na parte da comida, muitas vezes é servido o jantar em sistema de buffet, você vai e se serve. Mas atenção, não tem toda esta fartura que tem aqui, então é bom encher bem o pratão de uma vez só, porque pode ser que se volte depois, não vai ter mais.
Os doces também, as pessoas se servem tudo antes de sentar na mesa, porque senão acaba eheheheh.
13 comments fevereiro 20, 2009


