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Respostas do Mostafa
O Mostafa achou legal ter recebido tantas perguntas! Eu vou postar aqui da forma como ele escreveu eheeheh Se vocês não entenderem algo é só perguntar de novo
Agora sim, seguem as repostas:
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Giane
Mustafá, a familia da pessoa tem que concordar com o casamento entre uma estrangeira e um egípcio? Pra quem fala inglês, quando for morar lá, é mais fácil continuar no ingles ou aprender árabe? E os filhos?
A família deve aceitar e abençoar o casamento , não importa a noiva é egípcia ou estrangeira , mas sempre há uma maneira de convencê-los e deixá-los aceitar ehehhehe
Inglês é muito importante fora do Brasil eheheh , Inglês vai deixar as coisas mais fáceis para você lá no Egito , mas você vai precisar aprender árabe para conseguir ter contato com todos as pessoas lá, o driver do taxi por exemplo só vai saber falar em inglês “monyyyyyyyyyyyyy”
Cristiane
E ai Mustafa, qual a comida que voce sente mais saudade daqui do Egito? O meu marido sentia falta do AESH…tem pao sirio ai mas nao e igual ao daqui, como voce sabe…rs, e se voce voltasse a morar aqui, qual a comida que voce mais sentiria saudade do Brasil? O meu marido sente falta das pizzas de Sao Paulo, sao imbativeis, nao? Maa salama
a comida Egipcia que eu sinto muita falta é ( fesikh ) é peixe cozido com maneira do (Pharaonic) com cebolinha hummm com pão Egipcio que Marina falou antes que esse pão com areia mas muito gostoso mesmo , e depois tomo um chá bem forte , mas claro não tem Fesikh aqui no Brasil
e se vou para Egito vou sentir muita falta Para a Pizza mesmo e também para esfiha do chocolate branco ehehhehe e churrasco , adoro churrasco aqui , mas não da lingüiça claro (é muito feia ) , churrasco de picanha e de fraldinha hummm
Magda
Você é louca!
Quem fala que gosta de um egípcio ou pensa em largar tudo em nome de um amor, em geral, sempre escuta esta frase. Além disso, existem perguntas que se repetem excessivamente, às vezes me sinto um de meus entrevistados, com tantos pontos de interrogação que aparecem em todos os diálogos que tenho.
Adoro falar da minha experiência e até por isso tenho o blog, acho que o mundo precisa escutar mais histórias reais de amor e é para isso que estou aqui, pois acredito fielmente que dá sim, para se viver um conto de fadas. Se isso é loucura? Eu sei lá… talvez até mesmo seja, depois de tanto ouvir isso, estão me convencendo. E estou gostando de ser louca.
Agora, uma coleção de frases-chavão pra vocês.
Antes de ir para o Egito:
- Vai para o Egito? Casar? Você tá louca?
- Mas ele é muçulmano? Você tá louca?
- Mas vai sair do seu emprego? Você tá louca?
- Mas vai morar lá? Você tá louca?
- Só o conhece na internet? Você tá louca?
- Uma moça tão bonita, inteligente, fazendo isso! Você tá louca? (obs. esta é uma das que mais odeio)
- Mas e se ele for um terrorista? Você tá louca?
- Se você tiver um filho, ele não vai te deixar sair do país com ele, já viu aquele filme? Você tá louca?
- Você não sabe que árabe é violento com a mulher? Você tá louca?
- Vai casar sem conhecer a pessoa, sem testar se ‘tem química? Você tá louca?
Brasileiras no Egito
Quando alguém fica sabendo da minha história, sempre fala: “que história louca, quem teria esta coragem???”… A resposta é: muitas mulheres. Eu não fui a primeira nem a última brasileira a ir para lá somente em busca de um casamento. Muitas pessoas podem julgar e eu até mesmo já julguei outras pessoas que tentaram a mesma coisa, por achar que não estavam com toda a segurança que deveriam.
Mas a vida é esta e tem muita gente que não tem medo de se arriscar por algo que pode ser maravilhoso e acham isso melhor do que ficar em casa esperando uma vida comum. Quem conversa com alguém que mora longe e, eventualmente, percebe que um sentimento nasceu dali, sabe do que eu estou falando. Não é fácil explicar, nem espero que todos entendam. Mas é possível. O amor pode surgir de uma conversa, de uma maneira de se expressar e de uma entrega que não é composta por beijos, mas presença, mesmo que por meio de um computador.
É uma mudança radical, ainda mais quando se vai para um país tão distante e com costumes tão diferentes. São vários momentos de dúvidas, e mesmo quando se está lá nos questionamos se realmente fizemos tudo aquilo sozinhas. Não acredito que enfrentei tudo sozinha e outras brasileiras que navegam por este caminho desconhecido devem se espantar com elas mesmas. Estávamos com Deus, e ele nos fez encontrar o que era melhor para nós.
Algumas, como eu, encontraram realmente o amor e um marido para a vida toda. Teve gente que ficou no Egito e está lá até hoje. Outras chegaram lá e apesar de se imaginarem em um sonho, perceberam que sua felicidade não era o homem egípcio. Deus também ajudou aquelas que encontraram más pessoas em seus caminhos a superarem a dor de enfrentar algo tão grande e só ter decepções. Nem todo mundo tem uma história de conto de fadas, nem todas são tratadas como deveriam. Mas todas tiram uma grande lição para suas vidas. Sejam as mais jovens que sofreram sua primeira grande decepção amorosa ou aquelas com vidas já feitas, com filhos e mais experiência, mas que se deixaram levar por uma paixão juvenil e viram que ainda há tempo para o amor e buscar a felicidade.
Conheci muitas mulheres que passaram o mesmo que eu e andaram pelo mesmo caminho. Cada uma a seu modo seguiu uma estrada diferente e algumas encontraram o amor. Mas felizes mesmo são aquelas que, diante de tudo isso, encontraram algo mais profundo dentro de suas almas, observaram o vai vem empoeirado das cidades egípcias e viram mais do que carros e pessoas. Entenderam o que é a paz de se dar um passo grande como este e ter a coragem de assumir todas as conseqüências em busca de algo que, para alguns, é tão ingênuo: um sonho.
Loucuras de um amor online
Eu e Mostafa nos conhecemos logo no comecinho de setembro de 2006. Eu estava no trabalho e de repente no skype ele me aparece. E ficamos assim até dia 02/01/2007, quando nos conhecemos pessoalmente. Foi um namoro virtual rápido, até porque eu não sou de enrolar as coisas e ficar perdendo minha vida em frente a um computador por algo que eu nem vi pessoalmente. Para mim não dá, ou é ou não é.
Algumas loucuras de quem se ama online:
- A gente ficava no computador o máximo de tempo humanamente possível. Muitos dias eu chegava no trabalho mais cedo só para poder ficar online sossegada, por volta das 11 hs da manhã. E só desligava o computador às 4hs da madrugada. Mostafa virava a noite direto, já que nossos fusos estavam distantes.
- Uma vez a conexão do Mostafa caiu de madrugada. E ele acordou o vizinho como um louco para pegar o cabo dele emprestado e usar a conexão.
- Uma vez eu fui para praia e menti para os meus pais dizendo que ia andar na areia. Mas corri para uma lan house e fiquei o dia inteiro. Claro que eles sabiam que era mentira e eu passei um feriado sofrendo um “gelo” deles. Mesmo assim corria para o cyber sempre que dava.
- Como em casa rolava um certo estresse por conta de eu estar neste relacionamento, às vezes eu ia escondido para cybers onde quer que dava. Se eu estava andando para um curso ou para comprar alguma coisa e via uma loja com computador, corria e parava naquela hora mesmo para ficar online.
- Como a ligação do Egito para cá é cara, e vice-versa, eu e Mostafa adotávamos muito no começo as tais “missed calls”. Dava uma chamada perdida avisando que estava lembrando da pessoa ou que estava online. Mas com o tempo a loucura foi ficando maior e passamos a nos ligar. Apesar de eu tentar controlar os impulsos, teve mês que paguei mais de R$ 300 só de ligação internacional.
- Às vezes Mostafa falava que ia ficar online tal hora, e não entrava. Eu ligava na casa da mãe dele e ela acordava ele, do jeito que fosse, com água no rosto, gritos. Ele dorme muitoooo pesado, e como às vezes virava mais de um dia na internet, quando caía na cama era para ficar muitas horas. Algumas vezes os primos dele estavam por lá e me mostravam ele na web cam, dormindo como um anjo.
- A gente se falava mais de 12 horas por dia, em média. E não sei como tinha tanto assunto.
- Quando o Mostafa me pediu pra se casar com ele, eu nem tinha visto ainda nenhuma foto dele ou imagem na webcam. Mas eu disse sim!
- Porém mandei ele comprar uma câmera sem falta, para dar a resposta definitiva… ehehehe
- Quando eu estava trabalhando, deixava o microfone ligado o dia inteiro. Assim Mostafa podia ouvir eu conversando, fazendo entrevistas ou o que fosse. Ele até já sabia o nome de alguns colegas de trabalho meu, só de ouvir a voz.
- Quando eu tinha algum compromisso cedo, meu despertador era Mostafa. Ele me ligava no horário marcado para me acordar e dizer bom dia.
- Se o Mostafa ficasse mais de duas hora offline, eu ligava pra saber onde ele estava.
Bom, isso tudo em quatro meses. Tá explicado porque fui tão rápido para o Egito.
Alguém mais faz ou fez estas loucuras?
Casamento no Egito
Existem muitas brasileiras que estão partindo para casamentos no exterior. Não só para o Egito, mas muitos outros países. Tenho amigas casadas com americanos, espanhóis. Tem gente até se envolvendo com paquistanês. E claro, conheço muitas envolvidas com egípcios.
Um casamento com alguém de outro país é algo que pode dar muito certo, e me considero uma prova disso. Mas todo cuidado é sempre necessário, seja na vida real ou virtual, quando o assunto é casamento e partir para viver em outro lugar, temos de ser frias e calculistas em diversos pontos.
Por exemplo, apesar de conhecer diversos casais de brasileiras com egípcios que se deram bem, a maioria com quem cruzei na internet ou algum dia encontrei na mesma situação, acabaram tendo diversos problemas e boa parte já estão separados. Quase que sempre, faltou muita informação e transparência dos dois lados, e um casamento preparado à distância que se revela um fracasso na vida real é sinônimo de que algumas coisas não foram bem cuidadas.
Eu posso falar sobre casamentos no Egito e sobre o que vi e vivi lá. Já encontrei diversas meninas me pedindo ajuda e orientação e a grande maioria caía em erros básicos. Quanto tentava alertá-las, a maioria ficou chateada comigo e acabei por desfazer a amizade. Deixo aqui, alguns alertas para quem quer casar no Egito:
- Mesmo online, a família dele precisa estar ciente do envolvimento de vocês. Lá não existe essa de casar escondido, sem conhecimento de ninguém. Se ele for muçulmano, é uma tradição islâmica que se faça uma festa, mesmo que seja em casa, porque o casamento é algo que deve ser público.
- As noivas egípcias exigem diversas coisas na hora de casar: ouro, apartamento, mobília, etc. Ou seja, não seja boba e arque com todos os custos sozinha. Exija, não é feio pedir nem ordenar que algumas coisas sejam preparadas de forma decente, como o local que vocês vão morar. Se ele tiver condições, exija que ele também pague suas passagens e todos os gastos. Mulher que dá demais, é pouquíssimo valorizada. Sei que a situação de muitos egípcios é difícil, mas o mínimo que eles precisam oferecer é uma boa recepção na casa deles – com os pais e familiares.
- Grande parte das mulheres egípcias trabalha. Se ele vier com este papo de que quer te manter em casa, tenha certeza das condições dele e da personalidade. Geralmente só pessoas muito tradicionalistas fazem este tipo de exigência hoje em dia, e o mercado de trabalho lá está bem aberto para as mulheres, ainda mais se for estrangeira e falar bem inglês.
- Qualquer contato íntimo antes do casamento é sinal de que ele, provavelmente, não está te tratando como trataria uma noiva egípcia. Estrangeira, muitas vezes, são vistas lá como alvos fáceis e muitos se aproveitam desta condição, sem no fim quererem realmente um casamento. Para ocidentais, beijar e abraçar é sinal de afeto e amor, mas para eles pode ser sinal de que você pode ser usada.
- No Egito, existe um casamento temporário chamado Orfi. Ele é válido legalmente, mas não te dá direitos nenhum. Só o utilize em casos muito específicos, para ter liberdade de andar com a pessoa livremente sem problemas. Mas viver como casado usando o Orfi não é recomendado, pois é algo mal visto pela sociedade.
- O casamento para ter validade, tem de ser registrado no fórum e ter o selo do Ministério das Relações Exteriores. Como tudo é em árabe, no começo você fica um pouco perdida. Mas atenção: se seu casamento for feito apenas com um advogado, é apenas casamento temporário. Os oficiais são feitos em departamentos do governo. Mesmo as mulheres muçulmanas estrangeiras não são autorizadas a se casarem legalmente nas mesquitas. Se você quiser se casar como muçulmana, terá que ir até Azhar e fazer uma nova shahada com o sheik de lá, que te dará o papel oficial. Tudo tem que passar pelo governo.
- Conheça bem o bairro onde você vai morar e tenha certeza se aguenta o tranco. Diversos locais do Egito são bem diferentes do Brasil, com menos recursos e serviços. Veja no Google Earth exatamente onde será sua casa, tenha certeza e cheque tudo muito bem para evitar muitas surpresas. Pelas fotos de satélite já dá pra ter idéia se você está indo para uma típica favela egípcia (risos). Também busquem pessoas que conheçam o Egito e se informem sobre aquele bairro.
Agora, uma história de uma brasileira que se casou no Egito:
* Os nomes reais foram trocados.
O telefone tocou e mama foi correndo, naquele corredor cujos azulejos soltos faziam um barulho abafado a cada passo. Não lembro a cor do chão, pois ficava coberto com uma passadeira comprida e marrom, com as bordas todas poídas. Sempre tinha pó ali e algumas migalhas de pão ou qualquer coisa, porque não tínhamos aspirador de pó. Mas como toda casa egípcia – com bons eletrodomésticos ou não – tínhamos vários carpetes, cobrindo todo pedacinho de chão que fosse.
Mama atendeu e me chamou, era uma brasileira. Como eu nunca recebia ligações, fiquei feliz. Do outro lado da linha, uma voz triste disse “Alô” e desabou a chorar. Era Paula, uma carioca que morava no Egito há 11 meses e que eu tinha encontrado uma vez logo que cheguei ao Egito.
- Marina, posso ir para sua casa? Eu não agüento mais, vou embora para o Brasil, meu pai vai pagar a passagem, mas preciso de um lugar para ficar hoje! – dizia chorando.
Aceitei, claro. Eu só a tinha visto uma vez, mas senti que realmente precisava de ajuda. Uma hora depois, ela chegou com toda sua bagagem. Fez o marido, chamado Ahmed, carregar duas malas de cerca de 30 quilos para meu apartamento. Tarefa difícil, já que nós morávamos no quinto andar e o prédio não tinha elevador. O marido dela veio ofegando pelas escadarias encardidas, sofrendo a cada passo com tanto peso nas costas. Estava com o cabelo arrumado, cheio de gel. Atrás dele, vinha todo de preto uma mulher com poucos dentes, com uma expressão tão triste e lágrimas rolando pelas bochechas morenas. Seus olhos estavam baixos, as mãos fechadas.
Todos entraram, Mostafa puxou conversa e começou a gritaria. Ahmed e a mulher, que depois descobri ser a mãe dele, afirmavam categoricamente que tinham feito tudo por aquela estrangeira, dado tudo de bom, e ela só os tratava mal. Paula, por sua vez, se debulhava em lágrimas e começava a exemplificar o show de horrores em que vivia.
Contou que ao conhecer Ahmed na internet, ele havia passado fotos da cidade de Hurgada, onde ele dizia morar e ter um bom emprego. Hurgada é uma espécie de caribe no mar Vermelho, com hotéis lindíssimos e gente balada em todas as calçadas. Poucos egípcio vivem ali, pois aquela é uma terra para turistas de fora que pouco lembram as ruas encardidas de Cairo ou Alexandria. Ao chegar no Egito, Paula pensava estar indo para um paraíso, onde viveria num lugar chique e passaria tardes debaixo de um coqueiro com seu Faraó e uma vista esplendida. Ao aterrissar, porém, descobriu que o aeroporto nem mesmo saguão tinha. Foi logo cuspida para uma rua atulhada de gente, muitos acenos, mulheres com roupas pesadas e homens fumando sem parar. Ficou atônita, estaria no lugar certo? Ahmed então acenou, e finalmente se reconheceram no meio da multidão. Dali, partiram para a casa dele, que ao invés de ficar em frente ao azul do mar, ficava bem distante de qualquer beleza, mas sim em Kafr Dowar, longe até mesmo da linha litorânea de Alexandria. As casas não lembravam nada do que tinha visto em fotos. Kafr Dowar é como os típicos bairros egípcios longes do centro comercial, habitado por fazendeiros e gente muito simples. São locais apinhados de prédios de 5 ou 6 andares, um colado no outro e praticamente sem nenhum planejamento. A maioria não tem pintura alguma, o reboco geralmente está sempre caindo aos pedaços e animais como galinhas, carneiros e vacas circulam livremente pelas ruas de terra. Também não há coleta de lixo, o saneamento é precário e, quando chove, uma lama acinzentada e fétida se forma, deixando um cheiro tão horrível que Paula mal saía de casa quando o tempo estava ruim.
Ela também me contou que a geladeira na casa onde ficou instalada era trancada com um cadeado. Ela não podia consumir nada que não fosse lhe oferecido. Também precisava dormir com a porta aberta, pois dentro do seu quarto ficava um armário com a dispensa e os outros 6 moradores da casa constantemente precisavam ir até lá para buscar algo. Com isso, ela nunca tinha vivido como casada, não tinha privacidade e se sentia como uma intrusa naquele local. Mesmo assim, ela falava de amor, e quanto tinha agüentado aquela situação e pobreza para ficar com seu amado. Casou mesmo sabendo onde ficaria morando, e depois ficou chorando meses a fio sem saber o que fazer. Tinha medo do julgamento da família, que tinha a aconselhado não fazer esta loucura. Tinha medo de nunca mais ter uma pessoa para chamar de seu marido.
Ela chegou em minha casa naquele dia com manchas vermelhas e inchadas pelo corpo. Eram picadas de pulgas, já que em cima de sua casa ficava um galinheiro mal tratado. Também me contou que todas as refeições eram feitas no chão, em um grande prato comum, onde todo mundo botava o garfo junto. Eu já estava horrorizada neste ponto, quando ela ainda me contou das constantes brigas com o marido, e que chegou a jogar uma câmera fotográfica na cabeça dele em um momento de loucura.
Mostafa estava com a cara fechada. Eles ainda estavam discutindo, tentando defender cada um seu lado, a mãe chorando e o marido berrando num inglês medonho “I always luve she”. Sentia que tínhamos perdido nossa paz naquela noite, e não havia muito o que fazer, já que provavelmente todos os vizinhos tinham ouvido aquele barraco. Por fim, Mostafa colocou um ponto final na conversa, disse que ela ficaria lá então aquela noite, e no dia seguinte seria decidido o que seria feito.
Quando se foram, Paula tentou contatar alguém de sua família no Brasil. A irmã disse estar ocupada, a amiga deu uma desculpa e ficou offline no programa de conversa instantânea que estava usando. Vi o semblante de Paula pesar, estava sozinha, e nem mesmo sua família parecia se importar muito com o que tinha acontecido com ela naquele país tão distante. Ela então sentou no sofá verde de nossa ante-sala, e ficou falando e chorando por muitas horas. Ela estava inchada por tantas lágrimas. Mostafa fez chá para ela, e aos poucos ela começou a contar causos que tinha vivido e me dei ao direito de dar risada algumas vezes, pois quase tudo me soava muito absurdo.
Contou que as festas de casamento onde ia eram todas na rua, e mulher não podia se misturar com homem. As cadeiras coloridas eram colocadas na rua, e ela era obrigada a ficar olhando para o nada, sozinha, pois seu marido estava do outro lado com os amigos homens. Na hora da comida ser servida, ela descobriu algo ainda pior. Existiam poucos pratos, e quem terminava dava o aparato – sem ser limpo ou lavado – para um amigo, e o outro se servia naquele prato sujo mesmo. Quem não consumia tudo o que estava no prato, o que podia até ser um osso chupado, jogava as sobras de volta na panela que eram remexidas e servidas para o próximo da fila. Nossos estômagos embrulharam, e até mesmo meu marido custou a acreditar que estas coisas aconteciam em seu país.
Mais tarde, ela falou que nunca era compreendida. Alegava que não tinha sua própria casa e não podia viver como uma esposa feliz daquele jeito. Seu marido então chegou um dia e disse que trouxera um grande presente para ela, que então ela seria dona-de-casa. Ela ficou entusiasmada e foi correndo até a sala, quando viu um fogão marrom com diversas manchas de ferrugem. As bocas de onde saem a chamas estavam pretas, sujas de uma gordura nunca limpa e a porta do forno mal abria devido a crostas de comida derramada e ressecadas ali por anos. Deram a ela o presente, o fogão usado, para que pudesse cozinhar o que quisesse.
Não contive as gargalhas, e ela também se deleitou em rir e de não entender como tinha aceitado aquilo e ainda passado 3 dias limpando o eletrodoméstico antes de usá-lo pela primeira vez.
As horas passaram e já era quase dia quando fomos dormir. No dia seguinte, eu tinha certeza de que ela iria voltar para o Brasil e ter uma vida feliz de novo, que iria reconstruir seus sonhos e ser feliz de novo. Mas logo depois do almoço, Ahmed ligou e ela nos comunicou que voltaria para a casa dele. Não entendi nada, depois de tudo aquilo e meu desespero, ela decidiu ficar. Meu marido me olhou enviesado, pois tínhamos nos exposto ao prédio todo e tido contato com aqueles estranhos para justamente tirá-la de lá. Mas ela se foi por volta das seis da tarde, as malas pesadas foram carregadas para baixo de novo e nunca mais quis a ver, apesar dos insistentes convites feitos depois. Fiquei sabendo que seis meses após este dia, ela pegou um avião e finalmente saiu do Egito para nunca mais ver Ahmed.



Falamos tanto das reações dos brasileiros quanto ao casamento de vocês…e o inverso? O que os amigos, os parentes e as pessoas no Egito diziam quando o Mustafa resolveu que se casaria com uma brasileira? Eles aceitam bem?
Todo mundo surpreende, mas só no começo e minha família sabe que eu sou um pouco doido , mas eu não deixo ninguém entre na minha vida e falar isso é correto e isso é errado , e se eu quero fazer uma coisa eu penso bem sozinho e escuto para as pessoas e depois tomo minha decisão , mas a decisão foi certa graças a Deus
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Mais tarde ele responde mais, espero que gostem!!