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Amor todos os dias
Falta uns 50 minutos para o final do dia dos namorados brasileiros. A gente sabe que estas datas, como dia das mães, dia dos pais, dia da criança, etc, tem um fundo comercial e servem apenas para ressaltar o amor que a gente deve sentir todos os dias por essas pessoas. Por isso, meu post de hoje é bem simples, com uma dica que todo mundo deve saber, porém às vezes esquecemos de colocar em prática:
Ame com toda força hoje, não deixe para amanhã ou mais tarde aquele carinho, aquela palavra de amor e um beijo de boa noite. Nunca durmam brigados, de caras viradas. Faça da sua vida um filme, mesmo que o cotidiano pareça sempre igual e simples. Escreva no espelho uma surpresa, deixe um bilhete na porta da geladeira, mande uma mensagem com apenas “eu te amo” no meio da tarde, faça aquela sopinha quando o outro está resfriado, peça a opinião do outro antes de qualquer decisão. Estas são as verdadeiras jóias e presentes da nossa vida, e nada disso vem embrulhado com laço vermelho, são invisíveis aos olhos, porém profundamente nítidos para quem ama.
Uma música do Maher Zein sobre o casamento, que acho linda, com o filme UP, coisa mais linda:
Don Juan da vida moderna – eles querem é seu dinheiro
Hoje passou uma reportagem do Domingo Espetacular (veja aqui o vídeo) sobre mulheres que se apaixonam e rapidamente se deixam ser enganadas por homens que figem serem perfeitos para simplesmente arrancar dinheiro ou viver numa boa. Imediamente, lembrei das dezenas de mulheres que já conheci por meio deste blog que viveram isso.
E não, não são mulheres sem estudos ou ingênuas. Muitas bem vividas, bonitas, com tudo para serem felizes, mas que por algum motivo se sentiam muito sós e a má sorte trouxe a elas um homem ruim pela internet. Vendo a reportagem, não enxergo o mesmo tipo de comportamento com todos os árabes, paquistaneses, turcos e indianos em geral que querem se dar bem em cima de uma mulher (tem gente de toda nacionalidade fazendo isso, mas quem chega no meu blog geralmente é porque está envolvida com uma dessas nacionalidades).
O que eu posso dizer é mais sobre os egípcios. Já conheci cara safado mesmo, de ter várias esposas e na cara dura mentir pra terceira, quarta estrangeira que estava chegando no Egito por meio de papinhos moles que eles jogam pela internet. Usam sites de jogos tipo RPG (nem sei os nomes, mas tem vários), redes socias (adoram Hi5, Facebook, Orkut são mais os indianos) e são sempre muitos fáceis de serem pegos na mentira. Mas a paixão, essa sim, é a maior armadilha, pois ela impede a mulher de ver um elefante dentro de um quarto de 4 metros quadrados. E não adianta você falar, explicar, tentar mostrar.
- “Ele é perfeito! Ele é o amor da minha vida! Imagina, falou em casamento logo que nos conhecemos!” – dizem. Quem sou eu para discutir?
O perfil geralmente é o mesmo, mulheres mais velhas, divorciadas, muitas vezes com histórias de relacionamentos bem sofridos no Brasil. Mas também existem as novinhas, com a vida toda pela frente e que também se deixam levar facilmente. Elas acreditam que só pelo fato do homem ter uma religião mais severa, como o Islam, falar coisas românticas (egípcio chora com Titanic, vcs acham que ele teria vergonha de dizer coisas bregas tipo “vc é a estrela do meu céu”, blá, blá, blá?), ser de outro país e dizer batendo no peito que como homem é dever dele dar tudo para a esposa (mentiraaaa), ele é diferente de um homem do Brasil? Não é não, por isso fiquem ligadas. Sinal de amor e respeito é igual em qualquer cultura, e safadeza também acontece na mesma proporção. Só que por ser diferente, para eles é mais fácil encantar. Fora que na internet, muito fácil inventar mais mentiras ainda.
Por isso, uma regra de ouro: nunca envie o primeiro dólar, o primeiro presente (aliás, nunca enviem presente nenhum, não passem na porta dos Correios ou Western Union, combinado?). É a porta de entrada para muita tristeza, infelizmente. As dicas são básicas. Mesmo que você pense em morar no Brasil, diga sempre que não tem dinheiro para passagem, que quer sair do Brasil e morar lá no país dele. Analise bem as reações e cada palavra. Jamais mencione coisas do tipo FGTS, imóveis ou carros. Mesmo que ele nem seja tão interesseiro assim, só de saber que você tem posses, vai ficar mais interessado pelo lado econômico do que quem é você de verdade. A regra de ouro na internet é que você pode omitir muita coisa, e se é ele quem pergunta sobre seus bens, olho aberto.
O casamento no Egito é feito na maioria das vezes por acordo, pensem nisso. As pessoas de lá não estão acostumadas a ficarem com alguém só porque amam ou têm paixão. Tudo é pensado e calculado: os gastos, quem paga a festa, quem paga a mobília e por aí vai. Uma egípcia não se casa sem saber o salário real do cara e o que ele pode oferecer de conforto a ela. O homem egípcio, por sua vez, casa geralmente preocupado mais com o acerto familiar e se a mulher é casta, obediente e será uma boa esposa. Imagina então, esse egípcio pobre, que já é difícil arrumar uma boa esposa baseado nas condições ditas antes, que encontra uma mulher atenciosa, cheia de carinho, que manda presentes, está sempre pronta para fazer tudo e, ainda por cima, vai lhe dar algum dinheiro e uma chance de melhorar de vida, algo que ele jamais conseguiria sozinho? Ele também se apaixona (não digo de mentira, mas em muitos casos é o modo mesmo deles de paixão, que está ligado a outras coisas que não temos aqui) e fala em casamento querendo mesmo. Só que a mulher não sabe que este desejo dele não é 100% por amor e sentimento com aqui, pois na cultura a condição financeira entra na conta. Ou seja, confusão armada, expectativa dela lá em cima e a chance de se frustrar muito grande.
Para ele, vale a pena ficar com uma mulher que não se encaixa no padrão do que ele gostaria, apenas pelo fato dela lhe oferecer uma chance de vida melhor. Em alguns casos, claro, isso por ser amor de verdade, eu graças a Deus conheço muitos casais felizes mesmo, só que o egípcio sempre fez o correto, como suprir a necessidade da casa, ser quem vai atrás das coisas, não o contrário.
Por isso, me assusta um pouco também quando alguém me pergunta como fazer para casar no Egito. Poxa, se nem o noivo vai atrás, melhor ir com calma antes, certo? Ou quem me manda perguntas pedindo minha opinião, se ele fala verdade ou mente: se você tem dúvidas, não case!
Bom, sei que o post ficou gigantesco e acabei fugindo um pouco do tema, pois no caso dos egípcios não acredito que estejam soltos por aí apenas golpistas baratos, como vimos na reportagem. No caso dos egípcios com brasileiras, é muito mais uma união do útil com o agradável, mas é claro, tem casos dos que namoram várias estrangeiras ao mesmo tempo, os Don Juans que são muito fáceis de serem pegos na mentira (só de jogar o nome deles no Google e em redes sociais o castelo de areia se desmancha, tá cheio de ”habibi” com foto de outras no Hi5, por exemplo).
Agora, como sempre que escrevo algo, fazendo certas críticas, recebo a incredulidade de volta: Mas e você, então teve é muita sorte de ter dado certo com o Musta?
Sorte, acho difícil. Todo risco pode ser bem calculado. Eu sabia muito bem como era a cultura egípcia, tive diversos cuidados (quando a mulher usa a cabeça junto do coração, o trabalho é mais fácil) e jamais fui inocente. Talvez posso dizer sorte (chamo isso de ação de Deus) pelo fato de justo o homem da minha vida ter aparecido do nada pela internet, mas o fato de ter ido a ter ele e ter dado certo não. Isso foi uma jogada com muita estratégia e atenção que fiz na minha vida. Para vocês terem ideia, mesmo com toda a certeza que tinha no meu coração, cheguei no Egito com passagem de volta comprada também. Ainda bem que pude jogá-la no lixo
ps. Tudo isso que falei vale o contrário também. Já vi mulher brasileira dando cada baile em egípcio, que vocês nem acreditariam… Por isso, esse post não é uma generalização, pois não acredito que raça, origem ou cor digam algo por alguém: isso é racismo.
Novela O Clone : mito ou verdade? parte I
Gente, não estou vendo a novela, mas estão me contando o que se passa, então como em outros blogs, vou fazer uma série (só que simplificada e tentando ser leve) >> Novela O Clone: mito ou verdade?
- A Jade não pode ir na balada, porque tem bebida e gente se beijando.
Verdade: Os muçulmanos não podem ingerir bebida alcóolica (porque na religião tudo que faz mal é cortado pela raiz, como drogas, cigarro e entorpecentes em geral – incluso esses narguilé da vida não pode também) nem deveriam namorar ou ter contato íntimo com pessoas do sexo oposto antes de se casar. Numa balada, geralmente as intenções são justamente essas, então é lógico que uma família muçulmana vai desaconselhar isso mesmo.
- Vi o tio Ali hoje com três mulheres, todas com aquele pano preto na cabeça, e cada um com um filho no colo, é assim mesmo com os muçulmanos?
Mentira: Olha, o homem muçulmano tem que sustentar a casa e todas as esposas (pode ter no máximo quatro) de forma igualitária. Ou seja, o cara teria que ser muito rico e milinário para sair casando adoidado e tendo filho desse jeito. Claro que está fantasiado, porque a maioria das mulheres árabes, pelo menos de classe média pra cima, hoje em dia não aceita isso não, fora que o custo de vida em vários países é bem alto pra se pensar numa coisa dessas. Para ficar mais claro, no Islam o casamento com mais de uma mulher era permitido na época do profeta por uma série de motivos, como alto número de viúvas, mulheres sem pais e sozinhas por conta das guerras e questões daquela época. Hoje em dia – agora é minha opinião – os homens não tem justificativa nenhum para arrumar mais de uma mulher, pois os relacionamentos são bem mais abertos, em países como o Egito o divórcio já é praticado mais abertamente e os noivos se conhecem sim antes de casar.
- Não sei quem morreu na novela, e eles embrulharam o corpo num pano branco e disseram que era proibido chorar.
Verdade: nos rituais islâmicos para cuidar do morto, o mesmo deve ser envolto em tecido e o corpo não fica exposto, como é comum aqui no ocidente. No Islã, aprende-se que não se deve chorar por um morto mais de 3 dias, pois a morte faz parte do ciclo da vida e você tem que seguir em frente. Isso não significa esquecer a pessoa ou a tristeza, mas é algo que te ajuda a pensar em continuar sua vida, traçar novos planos e pensar no seu futuro, e de certa forma encarar a morte com mais facilidade. Conheço muçulmanas, porém, que mesmo após anos de morte de entes queridos ou viuvez, não abandonaram o luto, pois não é algo fácil.
- Depois da noite de núpcias, tem que mostrar lençol com sangue?
Mentira: Se tem alguma família que tem esse costume bizarro, eu não conheci no Egito não. Mas se você casa no religioso, eles perguntam se é ou não é. E eu vi casos não de lençol, mas de filho que ligava pra mãe depois do “ato” pra dizer que tinha dado tudo certo (é comédia, mas é real!!!)
ps. meus posts são focados no Egito, porque é o que conheço!!
O pé em duas culturas – A foot in both cultures
texto muito legal interessante para quem ainda não entendeu como as coisas funcionam no Egito, quando falamos de casamento… O post original está aqui. Para quem quer acompanhar questões pertinentes sobre cultura no Egito e acontecimentos, aconselho a seguir o @DailyNewsEgypt no Twitter. Para quem quiser em português, a tradução do Google está aqui.
A FOOT IN BOTH CULTURES
By Noha El-Hennawy / Special to Daily News Egypt
First Published: December 18, 2009
NEW YORK: The American dream lured El-Sayed El-Deeb to New York City to pursue medical studies in the year 2000. He had the fantasy of becoming a millionaire in Uncle Sam’s World. Although the idea of eventually returning home never crossed his mind, he was resolute about marrying an Egyptian woman of the same Muslim faith and cultural background.
In 2006, he got engaged to an American-born Egyptian whom he discovered was torn between two worlds. On one hand, she wanted the independence of an American woman, and on the other, she subscribed to Egyptian pre-marital customs that burden the groom with hefty financial requirements.
“The problem is that they [Egyptian-American women] want to be treated like American women; you are not allowed to comment on the way she dresses or expect her not to argue with you,” he said. “In the meantime, they want to get married like Egyptians; they want shabka, mahr and mo’akhar.”
At the beginning, he felt compelled to buy her a $13,000 diamond ring. However, when she insisted that their wedding party be held in a fancy place that would cost him $17,000, El-Deeb backed down and broke off the engagement after 10 months.
“I could not afford being indebted till the end of my life just to marry her,” said the 36-year-old resident doctor in a Brooklyn hospital.
Great expectations
According to Egyptian-American matchmakers, El-Deeb’s dilemma attests to the paradoxical identity of many Egyptian immigrants in the United States. While they take pride in being part of a modern society that breeds individualism and practicality, they still adhere to a patriarchal marriage tradition that requires the man to secure the woman financially.
He is expected to provide shabka, an Egyptian term used to refer to an expensive diamond ring; mahr, the Arabic word for dowry; and mo’akhar, which requires the man to sign a contract agreeing to pay his wife a certain amount of money in case they get divorced.
“[Egyptian families] dress, work like Americans, and speak English at home with their children,” said Nagat Bassiouni, New Jersey-based matchmaker. “However, when it comes to marriage, they are still preoccupied” with the traditional niceties.
Bassiouni is a 60-year-old fashion designer whose social network reaches Egyptian communities as far away as Canada. She has been a go-between for nearly 18 years, and says she arranges seven or so marriages a year.
A typical Egyptian family would require the following from a suitor; first the shabka which consists of a diamond wedding ring, a solitaire and sometimes, a collier, earrings and a bracelet, she said. “Some families are so demanding; they require a $20,000 shabka while others are modest and feel content with a $5,000 or $10,000,” she added.
As to the dowry, most families settle for a symbolic amount of money as long as the suitor provides a furnished apartment. Exactly like their compatriots at home, Egyptian families require the groom to share the cost of the wedding party, which ranges between $20,000 and $45,000, added Bassiouni. However, the divorce settlement is not negotiable.
“I did not see anyone who did not have mo’akhar,” she said. Matchmakers say it can range from $5,000 or as high as $100,000 or even more.
After completing her noon prayers, Magda kamel sat on the silky rug in her pink headscarf and paisley tunic raising her hands to the sky and murmuring additional prayers in her apartment located in a skyscraper on the exclusive Upper East Side in Manhattan.
As soon as she was done, she grabbed her large, worn-out phonebook filled with hand-written names on every page of Arab and Muslim families trying to marry their children off. For nearly 13 years, Egyptian-American Kamel has been one of the most active matchmakers in the city’s growing Arab community.
She took on the task driven by religious devotion and a desire to help Arab Muslim girls. But she contends that most Arab families, including Egyptian, can have outsized expectations.
“The mo’akhar has turned into a monster, some families ask for $200,000 or $100,000 to force men never to consider divorce,” she said. “Strangely enough, Arab girls who were born and raised in the US attribute the same importance to these traditions.”
To evade the financial burden, many Arab men ask Kamel to introduce them to non-Arab Muslim women, she added.
“A non-Arab woman would never talk about dowry and shabka. Americans are the best people, they are simple, they never make overblown demands,” she added.
Playing with traditions
According to 2007 US Census figures, the Egyptian-American population is estimated at nearly 195,000, with the highest concentration in New York, New Jersey, Illiois, Florida, California and Texas.
These Egyptian traditions draw an old tribal culture that always perceived women as “objects” and expected them to bring wealth and dowry to the family, said Mona Abaza, an Egyptian sociologist.
The wedding customs “sociologically speaking [are] all about exchange of women in traditional societies,” she said. “Women are considered a capital or a commodity and marriage is a form of exchange. In ancient tribal societies, women were important for raising the wealth of the tribe, in wars and trophies.”
Immigrants revive these traditions in their new countries to preserve their identity, Abaza added. “My observations about some Egyptians I knew in Australia and Germany, they become even more conservative and re-invent traditions,” said Abaza, former chair of the Sociology, Anthropology, Psychology and Egyptology Department at the American University in Cairo.
“[They are] also reinventing traditions in the way it fits their contemporary daily lives. That is why women want to have it all. They then select what they please from both tradition and modern elements,” Abaza said.
Even for grooms who meet the considerable pre-marital requirements, there still may be more after the wedding. Many families expect their daughters to be completely supported by their new husbands, whether or not the wives work. In the meantime, they would never give up a daughter’s right to work.
Ashraf Gad, a 38-year-old doctor, sat in an Egyptian restaurant savoring fried duck and traditional salads while Arabic music resonated in the background in the heart of New York City. In this cozy atmosphere, Gad reflected on his four failed engagements to American-born Egyptian women.
“The American system is based on partnership. The husband and wife have to share the rent for example,” said Gad, who arrived in the US nine years ago opting for better career opportunities. “However, Egyptian families here are very sensitive to this question. They tell you ‘you are an Egyptian man and should be preserve your dignity and be responsible [for supporting the family on your own].’ If you say she should share with you, they take you for a mean person.”
Yet, families have their own fears about suitors who just landed in the West. There’s the worry that Egyptian men new to the US are marrying to gain citizenship. Tahani Nedgid, a 57-year-old mother of an unmarried 26-year-old daughter, echoes that fear.
“As soon as Egyptian or Arab parents hear that the suitor does not have a green card, they panic,” she said. “You never know if he really loves her or he is just marrying her for the sake of legal documents and as soon as he gets them, he can kick her out.”
Like most Egyptian parents, Nedgid who moved here with here husband 20 years ago prefers that her daughter marries a Muslim Egyptian. Yet, for her, tradition does not count for much as long as this Egyptian suitor can provide enough evidence that he is not using her daughter to improve his immigration status. “I do not care about all that [mahr, shabka, mo'akhar]. All I expect from him is to have a green card in order to be relieved of the question whether he really loves my daughter.”
For his part, El-Deeb is no longer interested in dealing with the insecurities or the dualism of Egyptian immigrants in the US. Soon enough, he will fly back to Egypt and look for a bride there who he believes will be more consistent.
FAQ – Perguntas sobre o Egito
Vocês sabem o que é um FAQ? É Frequently Asked Questions… ou seja, a lista de perguntas perguntas frequentes que toda empresa publica em seu site, geralmente. Pois então, eu já fiz post sobre tudo quanto é assunto aqui no blog e tenho tentado me dedicar aos e-mails que recebo, porém comecei a notar que há 8 meses tenho que responder quase todo dia as mesmas perguntas. Eu adoro fazer o blog e compartilhar tudo com vocês sobre esta experiência de amar uma pessoa de longe, conhecer uma cultura diferente e morar num país muçulmano.
Mas é preciso bom senso. Desculpem-me os que chegaram agora, mas eu não vou mais responder as mesmas coisas e acho que este post vai servir de guia para as novatas eehhehe Amooo ajudar, responder e bater bapo, mas tive que tomar algumas medidas na minha vida para ter mais tempo para mim, ou fecharia o blog de um vez. Podem deixar comentários aqui que eu respondo também
Não precisa deixar seu nome verdadeiro, e o e-mail não é publicado, então fica trnaquila que sua privacidade é preservada.
Agora, vamos ao FAQ:
1 – Conheci um muçulmano na internet e ele quer se casar comigo? O que eu faço?
R. Não sei, a vida é sua! eheehe Mas é verdade, a decisão de se casar com alguém tem de ser pessoal e não adianta ficar pedindo conselho para este tipo de coisa. A única coisa que eu sempre digo é:
- conheça a família dele e entenda se todos estão de acordo (não aceite desculpas de que eles não falam inglês, mãe doente, pai louco, irmão acidentado ou acidente de carro). Pode ser que a família dele não aceite, então aí vc tem que ver se o amor vai ser forte o suficiente para ele ir contra os pais.
- se ele não tem boas condições de vida pra te sustentar sem que vc trabalhe, pense bem se ele está casando com vc ou com a oportunidade de vida que vc representa.
- se ele pedir dinheiro, saia correndo. Homem muçulmano sério jamais pede dinheiro para esposa, sob nenhuma hipótese (existem as mais diversas desculpas para pedido de dinheiro, como o que ele será preso se não pagar uma dívida ou a mãe está morrendo de precisa de tais remédios)
- se ele é muçulmano, vc tem que exigir seu dote (pode ser algo simples de ouro, mas peça!!) e casar legalmente. Nada de contratos sem envolver governos e embaixadas.
2 – Meu namorado é muçulmano e não sei se quero me casar com ele. Posso ir para o Egito passar férias e só lá me decidir? Tem Motel no Egito?
R. Se você não sabe se quer se casar com ele, tem que pelo menos querer noivar. Namorar por namorar vai ser só perda de tempo sua, pois ficar falando de intimidade sem intuito de casamento com um muçulmano só significa que ele está te usando de passatempo. No Egito vc não pode namorar como no Brasil, nem ficar junto com a pessoa num hotel se não tiver o papel do casamento. Motel nem pensar né?
3 – Meu egípcio quer vir para o Brasil, como faço pra ele ter o visto?
R. Ele precisa ir na embaixada do Brasil no Cairo. Olha o site deles: http://www.brazilembcairo.org/ . Segundo os últimos relatos de brasileiras que recebi, a embaixada está bem exigente para dar visto para egípcios com intuito de casamento no Brasil. Até mesmo os casados no Egito tem problemas para vir, pedem carta do emprego, conta bancária com uma boa quantidade de dinheiro, além de uma carta convite feita em cartório.
4 – Como eu faço para ir para o Egito? Posso ir sozinha?
R. Não existe vôo direto do Brasil para o Cairo, você precisa fazer conexão na Europa. A viagem demora um pouco mas nada muito difícil. Você pode ir sozinha e vai sair bem mais barato do que ir com excursão, mas é bom planejar tudo bem certinho. Os egípcios são muito legais e adoram ajudar, só tome cuidado porque onde tem muito turista, tem gente tentando tomar dinheiro deles.
5 – Meu namorado é muçulmano e tenho medo de casar com ele. Ele vai me obrigar que eu me converta?
R. Muçulmanos podem se casar com cristãs e judias e ninguém pode obrigar uma pessoa a se converter. Claro que tem famílias que não seguem a religião direito e são preconceituosas, muitas vezes levando a uma conversão forçada da mulher. Tente entender bem se a família dele aceita sua religião e como vai ser depois de casada, para não sofrer. Também soube de brasileiras que, chegando lá, foram proibidas de dizer que eram cristãs pelos maridos, que tinham vergonha. Mas também conheço gente que foi e como tudo foi bem esclarecido antes, ela manteve a religião anterior.
Medo? Se você tem medo, é porque não conhece bem a pessoa e, provavelmente, precisa conversar mais e conhecer ele melhor para se decidir antes de casar. Somente quando a relação é transparente que o casamento intercultural ocorre de maneira tranquila.
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Mais alguma pergunta??? ehehehe depois vou adicionando aqui, quando lembrar…
Brasileiras namorando egípcios
Para quem não acompanhou os primórdios do meu blog, eu aconselho a ler este post sobre as dificuldades de casamento no Egito.
Sei que estou batendo nesta tecla várias vezes, mas acho importante devido ao volume de e-mails e mensagens que recebo acerca deste tema. Acho que já postei muitas coisas e qualquer pessoa esclarecida saberá avaliar sua situação a partir do que ando falando por aqui. Não sou a dona da verdade e para o amor existem exceções, claro, mas lembrem-se que o Egito é um país cheio de tradições e que, mesmo nas exceções, tem coisas que são seguidas à risca por lá.
Algumas dicas básicas:
- não tenha intimidades com um egípcio antes do casamento.
- tente conhecer a família dele e ver se é aceita
- tenha em mãos os documetnos dele e aprenda a ler algumas palavras básicas em árabe. No próprio RG tá escrito o estado civil dele.
- Casamento válido no Egito atualmente é feito pela embaixada brasileira. Qualquer coisa fora disso é por sua conta e risco.
- Se ele te pedir dinheiro. Humm, muito cuidado. Se ele exigir dinheiro, pule fora antes que perca tudo. Dividir a vida é uma coisa, pagar as contas juntos, batalhar para crescerem. Outra é extorsão psicológica, que infelizmente já vi muitas vezes acontecer com amigas queridas.
Agora, segue aqui a última série de perguntas que a Eman, egípcia, respondeu sobre os relacionamentos de egípcios com estrangeiras. Espero que tudo isso dê muito argumentos para você refletir sobre seu relacionamento.
Porque é difícil para algumas famílias aceitarem seus filhos se casarem com uma estrangeira? É um problema por causa da religião?
É verdade que muitas famílias não aceitam, devido aos nossos costumes e hábitos. O primeiro ponto é que a família egípcia pensa que muitas estrangeiras (mas não todas) podem ter tido uma relação aberta anterior, já que é normal para as mulheres ocidentais terem namorados. Isso não é aceito nos países do oriente médio. Além disso, como ela mora em outro país, não dá pra saber como é a família dela, o estilo de vida dela ou suas tradições.
O segundo ponto é a religião. A família egípcia prefere que o filho se case com uma garota da mesma religião, para que seja possível ela ensinar aos filhos os conceitos islâmicos. (como rezar, como jejuar, ler o Alcorão). O papel da mãe egípcia é muito importante na criação dos filhos por isso é tão importante a religião para que a criaça seja criada de uma froma que aprenderão tudo sobre sua religião. Uma mãe estrangeira também pode ser boa, mas se não for muçulmana não pode ensinar de forma correta as regras da religião. Por estas razões, os egípcios acabam preferindo que seus filhos se casem com uma egípcia mesmo.
Que conselhos você daria para uma brasileira envolvida com um egípcio para saber se ele é uma pessoa séria, se é uma pessoa com boas intenções?
Primeiro de tudo, ela deve perguntar a si mesmo porque este rapaz quer se casar com ela. Se ele realmente a ama ou tem outra razão. O casamento com um homem de outro país e outra língua exige que você tenha muita certeza de tudo que ele fala e diz antes de se casar. É melhor estar segura do que desconfiada. Vou falar de alguns pontos:
1. Ela precisa perguntar para ele do trabalho. O que ele faz, onde. Também é importante a educação, se ele é formado e onde.
2.Você tem que perguntar para ele se tem permissão da família dele pra se casar. É muito melhor ter a aprovação da família dele para o casamento. O melhor é você conversar com a família dele pra ter certeza disso. Você logo sentirá se eles aprovam o casamento ou não.
3.Se você vai morar no Egito depois do casamento este é um ponto muito importante: o local onde vocês irão viver. Muitos egípcios se casam com estrangeiras e as fazem viver com sua família que às vezes tem mais quatro ou cinco membros, pelo menos. Isso vai criar um monte de problemas e você não vai se sentir confortável com tanta gente vivendo com você. Se el mora apenas com o pai e mãe, por exemplo, você pode viver com eles se achar que está bom. Se você pensa em ir embora depois de casar, morar em outro país, precisa ter certeza que terá um lugar seguro e correto para viver antes de ir embora com o marido.
4.Se você decide viver no Egito, precisar perguntar para ele sobre as condições financeiras. Precia ter certeza que ele pode dividir com você as responsabilidades do casamento. Ele precisa ter um emprego estável para garantir uma boa vida para você. Eu sei que é difícil ter certeza disso tudo, ele pode te enganar. Ele pode dizer que trabalha e na verdade está desempregado. Você terá que ter malícia pra descobrir todas as verdades.
5.Você tem o direito de pedir que ele compre o presente de noivado (pode ser um anel de ouro). É totalmente seu direito. Eu digo isso porque muitos egípcios querem se casar com estrangeiras porque eles não precisarão pagar nada para isso, nem dote nem presente de noivado, então para ele este casamento é economizar. Se você sabe que ele realmente não pode comprar este presente, se ele não tem dinheiro suficiente, aí não tem problema, mas você precisa ter certeza disso, porque até as pessoas mais humildes compram quando se casam com egípcias.
6.Se ele diz para você que deseja morar no seu país você precisa ter certeza que ele não está querendo se casar só para ter a nacionalidade do seu país.
Por fim, eu gostaria de dizer que falei em relação a maioria das famílias egípcias, mas não posso dizer que todas são 100% assim. Com certeza existem muitos egípciso que serão excelentes maridos, mas o que você precisa é ter certeza do amor dele por você.
Kol sana enta tayeb!
Eu não sou muito ligada a aniversários. Vivo esquecendo as datas que meus amigos nasceram e muitos até ficam chateados por eu acabar sempre esquecendo de ligar desejando felicidades. Às vezes ligo dois, três dias depois. Às vezes só vou saber que a pessoa fez anos, no mês seguinte. Depois da minha conversão, coisa de aniversário para mim ficou ainda mais delicada, pois meus amigos brasileiros preferem comemorar numa balada ou barzinho, e eu não vou mais a estes lugares.
Estou falando de tudo isso, porque daqui dois dias tem um aniversário que eu nunca esqueço. Daqueles que eu conto os dias para chegar, que fico ansiosa, muito mais até do que o meu próprio aniversário (aliás meu último aniversário nem conta, estava trabalhando e fiquei fora de casa a semana toda). Fico a pensar na data, não por simplesmente cantar parabéns ou dar presente, mas porque tento planejar para que esta pessoa se sinta muito bem este dia. É um dia de reflexão para mim, de pensar no que passou, nas qualidades dele, em tudo que ele representa. Comemorar o seu aniversário é como resumir num dia um turbilhão de sentimentos, em apenas um abraço dizer todo o meu obrigada, em simples gestos mostrar o quanto é importante para mim. Daqui dois dias é o aniversário do meu habiby.
Por conta disso, faço hoje aqui uma homenagem para ele. Que tenha mais um ano de menos estresse que o passado, de mais saúde que alergia (eheheh), de mais paz e conforto em relação ao Brasil, seu novo país. Agradeço todos os dias pela paciência com meu jeito criança, com minhas discussões às vezes inúteis, e por ser um marido que sabe dialogar, e não apenas mandar. Quantas vezes temos pensamentos totalmente diferentes, até pro causa de nossa criação, e batemos boca um tempão para chegar num lugar e, quando percebemos, sem querer, os dois cederam um pouco e chegaram num ponto confortável? Você sempre tem orgulho de mim, nunca me pediu para me calar ou deixar de expressar minha opinião. Seja no Egito ou aqui, nunca pediu para que deixasse de ser polêmica, apenas me avisou que meu jeito ácido poderia muitas vezes machucar a mim mesma.
Quando fiz este blog, você reclamou um pouco no começo. Achou que eu poderia me expor demais e a nós. Insisti no tema, e você foi deixando. Até o ponto que concordou comigo que sim, eu tinha uma mensagem a passar e, mesmo que ela não seguisse as formalidades do diálogo islâmico, com hadiths e suras do Alcorão, eu poderia falar de religião de uma outra forma, e talvez mostrar um pouco das coisas boas que os muçulmanos têm de um jeito mais aberto. Nem todo marido muçulmano deixaria a esposa se abrir como eu me abro, mas você entendeu minha necessidade de escrever e dizer o que penso, e abriu esta porta para mim.
Meu marido além de respeitar a pessoa que eu sou, nunca tentou mudar meu jeito de ser ou de me expressar para agradar os outros ou fazer com que eu parecesse diferente. Sabe que não vou seguir o modelo de mulher egípcia, que vou sim sempre argumentar e muitas vezes criar um jeito de fazer as coisas como eu quero. Mas ele também não perdoa minhas falhas, como um pai, me pega “pela orelha” (modo figuradoooo gente!) e chama minha atenção quando eu preciso. Se não fosse ele para me dar um contraponto em diversas das minhas atitudes, eu sofreria muito mais na vida, pois sou muito impulsiva e você sabe me dar a dose de paciência necessária. Toda vez que estou a ponto de fazer uma burrada ou brigar de forma desnecessária, ele chega e diz “Para quê?”. E eu paro e reflito, coisa que nunca fazia antes.
Com ele aprendi que o casamento pode ser sim, a melhor coisa da vida. Somos parceiros em tudo e em qualquer lugar. Apesar de não gostar de cinema e me irritar às vezes por preferir ir num shopping a andar num parque, eu me adaptei ao jeito dele e manias, assim como ele também se acostumou a alugar filmes durante a semana para mim e a ir de vez em quando sem reclamar para típicos programas de índio que eu proponho. Ele nunca sai sem estar comigo junto, nem faz questão de ter programas separados. Fica bravo quando eu não ligo de tarde dizendo que estou bem, e feliz quando eu faço exatamente a janta que pediu. Mas quando eu estou muito cansada, coloca a mão na massa e prepara aquelas comidas egípcias divinas que são uma bomba pra qualquer dieta. Fica choroso quando eu digo que tenho de viajar por conta do trabalho, mas entende a minha profissão e nunca me impediu de exercê-la na plenitude.
Só sei que é o seu terceiro aniversário que comemoramos juntos e queria dizer mais um vez o quanto te amo e como é importante para mim, pois desde esta data já estávamos destinados a nos conhecer um dia, mesmo sendo criados a milhares de quilômetros de distância.
Sana helwo ya gamil! (parabéns pra você em árabe, cantado no mesmo ritmo daqui)
Kol sana enta tayeb! (A cada ano você está melhor! Cumprimento de aniversário no Egito)
Casamento no Egito (parte mil ehehe)
Olha eu voltando para este assunto! Não sei se já estou repetindo coisas, mas como as perguntas sempre voltam, gosto de explicar melhor aqui o que der.
Se você é daquelas que me visita pois tem um amor no Egito, com certeza está louca pra me fazer mil perguntas sobre documentos, papéis, o que levar, como é o casamento muçulmano, etc.
Para facilitar tudo e minha vida também (agora para quem me perguntar vou mandar direto o link deste post) vou dar alguns detalhes importantes.
Primeiro, para você se casar no Egito, precisa ser SOLTEIRA. Básico não? Mais ou menos, pois já vi muita mulher divorciada tendo problemas por lá simplesmente por achar que não pediriam algum papel do Brasil provando isso. Não adianta insistir, nem mesmo o casamento só religioso pode ser realizado.
Por conta disso, você precisa levar além da certidão de nascimento atualizada, um documento feito em cartório indicando que é solteira. No caso o que eu fiz exigia duas testemunhas e foi assinado por um juiz de paz. Não custa caro, em torno de R$ 20, por isso não deixe o cartório de extorquir.
Outro ponto importante é ver o comprometimento do seu habiby para que o casamento seja realizado de forma rápida e séria. Não é você que deveria ficar caçando o que tem de levar para lá ou não, perguntando para outras brasileiras como eu, pois o que eu fiz pode não ser mais válido no momento que você for, algum documento extra ser requisitado. Ou seja, se ele quer casar com você lá, nada mais justo que ele te passe a lista de documentos que você precisa, certo? Falo isso porque quando eu me casei foi assim que aconteceu, tanto que casei no dia seguinte que cheguei lá sem nenhum estresse. Mas muitas meninas se ofendem comigo quando eu digo que elas devem perguntar a lista de papéis para os noivos e não para mim, desculpe mas é somente o caminho mais fácil, pois já vi muita menina chegar lá e ficar fazendo uma verdadeira “via crucis” na embaixada para conseguir permissão para casar e, no fim, muitas nem conseguem.
Eu, por exemplo, não casei via embaixada no Cairo, como a maioria faz, mas direto do Fórum da Família em Alexandria. Aliás, só precisei da embaixada quando voltei para o Brasil, para tirar o visto do Mostafa e carimbar documentos egípcios.
Bom, outra coisa para se alertar: no Egito tudo envolve religião. Ou seja, se você se converteu para o islamismo, não basta chegar lá e dizer que é muçulmana agora, porque toda estrangeira eles assinalam como cristã. Não adianta nem mesmo levar papel de mesquita brasileira, que para eles não significa nada. Lá a religião é passada de pai para filho, e vem escrito no RG deles. Como nosso RG não diz nossa religião, caso você não faça uma conversão oficial lá, eles te casam como cristã.
Se você realmente se converteu não vai querer um papel escrito uma religião que você não segue, então vá se converter “oficialmente” em Azhar. Azhar fica no Cairo e é a central islâmica do Egito. Os sheiks são totalmente preparados para falar com gringos como você, são super simpáticos e respondem à dúvidas, fazem questionamentos. Depois disso, vc faz a profissão de fé e recebe um certificado para tal. É tudo de graça, não deixe nenhum engraçadinho tentar cobrar algo, como advogados etc, lá mesmo você verá uma placa bem grande, em inglês, dizendo que tudo em Azhar é gratuito. Aproveite e peça uns livrinhos também, tem até em português!
Se você realmente se converteu, o papel de Azhar também te garante os direitos de esposa muçulmana de herança e outros detalhes. Se você for cristã casada com um muçulmano, não tem direito à herança caso seu marido morra (já vai vir pedrada agora ehehehehe mas é assim que funciona).
Outro ponto importante. Como já disse, egípcios que não são casados não podem ficar no mesmo quarto de hotel ou apartamento no Egito. Mesmo se for algo alugado, pode ter certeza que algum vizinho vai bater na sua porta para te importunar ou chamar a polícia. Sem ser casado, também não é normal que a família dele deixe vocês ficarem na mesma casa antes de oficializarem a união, a não ser que seja por muito poucos dias e com uma barreira de tias e primas separando vocês durante a noite ehehehe (sim, elas dormem no chaõ ou em qualquer canto para proteger os dois de algum contato:-D ).
Agora, um fato importante: o casamento não é feito em casa ou na mesquita, mesmo sendo religioso. Por você ser estrangeira, fará tudo em um órgão oficial egípcio, e para ter certeza que está certo, verá um monte de selinhos no certificado de casamento, carimbos, etc. Existe um modelo de casamento chamado ORFI no Egito que é apenas um contrato sem validade legal, e pelo que eu saiba vai ser até proibido agora, sob o risco de prisão para os noivos se for realizado. Ou seja, se for um papel assinado apenas por amigos e um advogado não é válido, você vai saber se está casando no lugar certo ao ver um monte de documentos sendo pedidos, carimbos e selos no papel, além de muitas gringas como você na fila para se casarem também eheheheh
Por fiiiimmm, lembrem-se que mesmo casados, não é normal muita proximidade em público, beijinhos e abraços nem pensar. Dentro dos taxis, atenção redobrada, não vá ficar com sono e encostar sua cabeça no ombro do maridão que vai tomar bronca. Também não pense que em lugares românticos como restaurantes a coisa é liberada. Se der um selinho ou encostar demais, com certeza um garçom chegará perto e pedirá para se afastarem. Andar de mão dada ou braços dados já é normal, pelo menos em Alexandria, mas fiquei sabendo de meninas que moraram em bairros mais pobres do Cairo e que nem isso em público podiam fazer.
Bom, espero ter sanado algumas dúvidas de novo!!

E vivam felizes para sempre....
Minha mãe
Já que minha mãe deu o ar de sua graça hoje no blog, vou falar dela.
Minha mãe foi muito forte quando eu decidi ir para o Egito. É normal que qualquer mãe pirasse e ‘rodasse a baiana’ (nossa que expressão antiga), fizesse aquela pressão psicológica brava.
Eu já previa o pior, e acabei escondendo o máximo que pude dela todos os meus futuros passos. Mas mãe conhece a gente. Ela me via no computador por horas a fio, o estilo de vida no Egito me escapava pela boca e acabava comentando coisas sem querer. Ela já sabia, apesar de toda minha tentativa de guardar tudo para mim.
Chegamos a brigar feio, ouvi várias vezes que era muito egoísta. Tudo era difícil naquele tempo. Afinal, a relação de uma mãe com a filha é muito forte. Foi ela quem me acompanhou em tudo, sempre me incentivou a dar o melhor de mim, a crescer independente e com valores.
Minha mãe só começou a trabalhar depois que eu já era adulta. Ela esperou os três filhos estarem soltos no mundo para se dedicar somente a seus projetos. Desde que eu nasci, ela viveu inteiramente para nos educar e fazer felizes.
Era ela que nos levava no clube Espéria todos os dias e ficava lá olhando a gente fazer aula de natação, judô ou o que fosse. Filmava nossas danças nas festinhas da escola, fazia decoração no aniversário e, depois de mais velhos, comprou até luzes para fazermos nosso próprio ‘bailinho’ em casa quando éramos adolescentes.
Minha mãe estava sempre lá, me levando para escola todos os dias de carro, fazendo o almoço e janta. Cuidando das nossas roupas e apartando nossas brigas. Teve uma paciência que eu, ainda sem filhos, já sei que não vou ter.
Ou seja, ao chegar num momento de partir para uma outra direção, foi difícil esconder o jogo de minha mãe. Não por medo da reação dela, mas por saber que, de qualquer forma, eu estaria sendo um pouco egoísta, pois querendo ou não, eu iria seguir o que meu coração mandava. E nesta coisa de amor, só a gente mesmo entende o que sente.
Claro que minha mãe sonhou em me casar na igreja, em fazer tudo como ela planejou. Afinal, ela dedicou sua vida toda para estar próximo e são estes momentos, como a formatura na faculdade e o casamento, que dão para os pais a sensação de dever cumprido. Eu tive a formatura, mas no casamento pulei todas as etapas tradicionais. Mudei para outra religião e tudo foi assustador demais para quem via de fora. Sei que muitos acharam que era ‘fogo de palha’, uma loucura momentânea da qual depois iria me arrepender.
Mas minha mãe me conhecia. E sabia que não havia nada que pudesse me impedir. Eu não falei da minha partida, deixei tudo para a última hora. Mas ela já sabia, tinha visto em cima da minha bolsa já um papel com o dia da minha passagem. Ela diz que encontrou tudo bem aberto em cima do sofá, que eu devo ter inconscientemente deixado ali justamente para que ela visse (tá certo que ela usa esta desculpa toda vez que dá uma espionada nos filhos, que se a gente deixou à vista era porque queríamos ser investigados). Eu não lembro disso, só sei que ela já sabia de tudo antes de eu abrir a boca.
Minha mãe sofreu calada, mas manteve a calma na minha frente. Não era fácil ver uma filha deixando tudo para trás em busca de algo que ela não conhecia. Eu não sei daria esta liberdade para uma filha. Mas ela não só deixou eu partir, como me aconchegou nos braços com um sorriso, mesmo chorando por dentro. Eu fui para o Egito achando que ela e todos em casa estavam lidando com aquilo numa boa. Mas hoje sei que ninguém pronunciou uma palavra durante horas. Minha irmã conta que nunca uma viagem para Santos demorou tanto para passar depois da minha partida (era ano novo), e que o silêncio dentro do carro era arrasador.
Uma semana antes de eu viajar, minha mãe ainda me levou no médico para fazer vários exames e ter certeza de que eu ia bem para lá. Comprou roupas e coisas para eu levar. Apesar de não aprovar, fez o que podia para que eu fosse então da maneira mais confortável possível. Ela me deu a maior liberdade que alguém poderia ter me dado na vida. Deu o direito de eu decidir a minha vida sozinha.
E hoje ela sabe que deu tudo certo, e está feliz com a gente. Nos reunimos todos sempre, e aos poucos as diferenças foram desaparecendo. Ela não deixa comida com porco perto da gente, nem aceita que falem mal ou tratem isso que eu fiz como uma loucura. Se alguém diz para ela “nossa, eu não deixaria nunca minha filha fazer isso”, ela chama esta pessoa de ignorante (não na frente da pessoa, claro eheheh). E sempre faz questão de lembrar que deu para mim o maior bem que alguém pode ter, a liberdade.
Só esta faltando agora eu convencê-la a ir conhecer o Egito comigo, mas este trauma ainda vai levar um tempo para eu tirar.


