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Protegido: Amor na Jordânia

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Quando a família dele é contra

Em algumas culturas, o que os pais dizem e aconselham é praticamente uma lei. Tem de ser cumprida a ferro e fogo, e isso pode dificultar muito a vida de quem se envolve com um homem apegado a este costume. A Sheila e a Carol já falaram muito sobre este assunto e como às vezes a cultura deles fala mais alto do que qualquer coisa. E não é nada fácil ouvir de quem se ama que ele quer respeitar o que os pais aconselham, e não os planos que vocês traçaram juntos.

Na nossa concepção de casamento por aqui, o casal se gosta, se apaixona, e juntos planejam como querem que tudo aconteça, que coisas estão dispostos a fazer para viverem juntos, onde querem morar e como querem viver. No Egito, não é bem assim que a coisa acontece, assim como já vi exemplos de amigas com amores da Índia, Paquistão e Síria. Já fiz muitos posts sobre o casamento no Egito e as tradições envolvidas, é só ler aqui, aqui e aqui.

No Islã, os filhos devem respeito total aos pais, e devem sim considerar a opinião deles. Mas no Islã, ninguém também é obrigado a se casar com quem não quer, apesar de que esta segunda regra muitas vezes não é considerada em países árabes. Acho que uma é bem interligada a outra, se os pais querem aconselhar o filho com quem se casar, eles também deveriam levar em consideração os desejos do filho e conhecer sim a noiva, ver o jeito dela, seus desejos e valores, para depois julgar. A maioria, porém, quando sabe que o filho quer se casar com uma gringa, arma um escândalo sem ao menos conhecê-la. E não adianta ser convertida, ser mais religiosa que uma árabe vizinha deles, para os pais simplesmente é inaceitável e o medo corre feio água fervendo pelo corpo deles.

Do que eles mais tem medo?

-  O filho se afastar da religião.
- O filho ir embora e não ter mais contato.
- Chance de divórcio muito alta, e os filhos ficarem com a estrangeira.
- Casando com uma árabe conhecida da família, eles poderão aumentar seu ciclo de amizades, companheirismo (e grudes), algo muito forte na cultura de alguns países.
- Medo do desconhecido e de não poder controlar a situação. Pois a noiva gringa, ainda mais se forem morar fora, não abaixa a cabeça.

Eu acho que casamento exige sim uma avaliação de ambas as partes. Tanto da brasileira que está encarando a mudança, como da família do noivo que precisa conhecer com quem o filho planeja ter uma vida. Meus pais, no meu caso, não foram muito receptivos a isso na época (apesar de hoje tratarem o Musta como filho :-) ) então meu marido não pode conhecê-los muito bem. Já a mãe dele falava comigo todos os dias e conseguiu ficar bem tranquila depois disso, gostou do meu jeito e passou a torcer por nós.  Eu sei que é difícil estabelecer um diálogo entre as partes, mas tente, e digam para seus pais – tantos as brasileiras quanto os gringos – que é preciso conhecer e analisar bem antes de julgar.

Julgar sem conhecer é um dos piores preconceitos, é generalizar de forma estúpida para se sentir mais seguro. Um povo não é melhor que outro, uma religião – apesar de cada um ter sua convicção de fé – não pode ser imposta como superior para quem não a conhece. E mesmo que a pessoa escolhida pelo filho seja muito diferente, todas as pessoas podem ter a oportunidade de se adaptar, todas deveriam ter a chance de conhecer novas culturas e tirar coisas boas delas também.

Infelizmente, para muitas famílias muçulmanas tradicionais, a coisa não funciona bem desta forma. Se os filhos não seguem os passos exatos que a sociedade acha bonito e correto, é como se fosse uma vergonha para eles. Casar sem a pesquisa dos pais, sem ir a casa da noiva e acertar o acordo, então, imagina! Por causa de coisas culturais que nem sempre são as mais corretas, já conheci gente que os pais deram as desculpas mais esfarrapadas do mundo para não aceitar o casamento, tanto com uma estrangeira quanto como uma própria mulher da sociedade deles pelo qual o filho estava apaixonado, mas os pais não aceitaram o casamento:

* Família do rapaz, explicando porque não aceitaram que ele se casasse com a namorada que teve durante 4 anos de faculdade, no Egito. ” Fui na casa da noiva e a mãe é que falava mais, fazia tudo, enquanto o marido ficava sentado quieto. Então naõ aceitamos, porque se você se casar com ela, é ela quem vai mandar em você”. – sim, 4 anos de relacionamento por água a baixo por causa de uma visita e uma conclusão precipitada.

* Família da noiva, explicando porque o pretendente não era bom para a filha. “Eles não quiserem dar os móveis da cozinha e do quarto, mas dariam o resto. Mas nós queremos que eles dêem a sala, então não combina. Vamos achar outro rapaz que queira dar a sala.”

Nas relaçãos com as gringas, então, as desculpas são piores ainda, pois a família muitas vezes mal a viu ou falou com ela. Pois a negação já vem logo que se comenta a relação. E isso é um grande problema se o rapaz não for firme e está disposto a ir contra. Causa muito sofrimento, principalmente do lado de cá, pois se eles preferem seguir a família e deixam isso claro, não é fácil para as passionais brasileiras aceitarem isso. Um relacionamento à distância suga a gente, tira noites de sono, não poder ver e discutir cara a cara as coisas dói bastante, ver que todos seguem com a vida enquanto você está entregue a uma tela de computador é deprimente. Eles estão longe, a insegurança é demais, pois de uma hora para outras são bem capazes de largar tudo com você e simplesmente aceitar a noiva que o pai quer lá mesmo. E você nem vai saber dos detalhes, não tem como.

É uma realidade dura, mas que muitas mulheres enfrentam com coragem e peito aberto, sempre em busca do amor. Algumas já venceram esta batalha, outras desistiram e algumas ainda estão na luta. Como em tudo no amor, não existe receita para dar certo, e somente uma conversa sincera e bem franca entre os dois, com metas estipuladas, pode melhorar a situação quando os pais não querem aceitar o casamento. E se ele não te oferece nenhuma contrapartida ou plano concreto, reflita bem se a relação ainda está fazendo bem para você.

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Existe receita pra casamento dar certo?

Vocês acham que existe uma fórmula mágica que faça um casamento ou relacionamento durar? Eu não sei, ainda mais quando se trata do meu caso, casamento com gringo de cultura totalmente diferente, acho difícil passar receita de felicidade como se fosse receita de bolo. Claro que alguns fatores ajudam, como a personalidade dos dois, no meu caso a religião também tem forte influência, assim como nosso estilo de vida que é bem complementar.

Mas saiu hoje uma reportagem na Folha Online sobre um estudo:

Estudo identifica razões para longevidade de casamentos

Viver feliz para sempre não acontece apenas em contos de fadas. Pesquisadores australianos identificaram o que faz com que um casal fique junto –e é mais do que, essencialmente, amor.

A idade de um casal, relacionamentos prévios e comparações como se você fuma ou não são fatores que influenciam o final de um casamento, de acordo com um estudo feito pela Universidade Australiana Nacional.

O estudo investigou por volta de 2.500 casais –casados ou vivendo juntos– de 2001 a 2007, a fim de identificar fatores associados com o que os faz ficaram juntos, comparado com o que leva ao divórcio ou separação.

Maridos que são nove anos mais velhos que as respectivas mulheres são duas vezes mais propícios ao divórcio, do que aqueles que casaram antes de o casal completar 25 anos.

Crianças também influenciam na longevidade de um casamento ou relacionamento: um entre cinco casais (ou 1,8%) que tiveram crianças antes do casamento –seja de um relacionamento prévio ou do mesmo relacionamento– se separam, comparados com 9% dos casais sem crianças nascidas antes do casamento.

Mulheres que desejam crianças muito mais do que seus parceiros também são mais propensas ao divórcio.

Parceiros que estão no segundo ou terceiro casamento têm 90% a mais de chances quanto à separação do que parceiros que estão em um primeiro casamento.

Não surpreendentemente, dinheiro também conta: 16% dos pesquisados que indicaram serem pobres, ou onde o marido –não a mulher– estava desempregado disseram que se separaram, comparado com apenas 9% dos casais bem financeiramente.

Casais nos quais um parceiro fumava e o outro não também eram mais propensos a dissolverem seus relacionamentos.

Viver feliz para sempre não acontece apenas em contos de fadas. Pesquisadores australianos identificaram o que faz com que um casal fique junto –e é mais do que, essencialmente, amor.

A idade de um casal, relacionamentos prévios e comparações como se você fuma ou não são fatores que influenciam o final de um casamento, de acordo com um estudo feito pela Universidade Australiana Nacional.

O estudo investigou por volta de 2.500 casais –casados ou vivendo juntos– de 2001 a 2007, a fim de identificar fatores associados com o que os faz ficaram juntos, comparado com o que leva ao divórcio ou separação.

Maridos que são nove anos mais velhos que as respectivas mulheres são duas vezes mais propícios ao divórcio, do que aqueles que casaram antes de o casal completar 25 anos.

Crianças também influenciam na longevidade de um casamento ou relacionamento: um entre cinco casais (ou 1,8%) que tiveram crianças antes do casamento –seja de um relacionamento prévio ou do mesmo relacionamento– se separam, comparados com 9% dos casais sem crianças nascidas antes do casamento.

Mulheres que desejam crianças muito mais do que seus parceiros também são mais propensas ao divórcio.

Parceiros que estão no segundo ou terceiro casamento têm 90% a mais de chances quanto à separação do que parceiros que estão em um primeiro casamento.

Não surpreendentemente, dinheiro também conta: 16% dos pesquisados que indicaram serem pobres, ou onde o marido –não a mulher– estava desempregado disseram que se separaram, comparado com apenas 9% dos casais bem financeiramente.

Casais nos quais um parceiro fumava e o outro não também eram mais propensos a dissolverem seus relacionamentos.

***

Bom, no meu caso o Mostafa fuma e eu ODEIOOO cigarro. Mas nos toleramos bem e não vai haver divórcio por isso ehehehehe

Será que estudos assim dizem, afinal, muita coisa?

Namoro e noivado no Egito

Oba, finalmente estou aqui.

Hoje quero falar de uma coisa que é diferente no Egito: o namoro. Mas antes de falar disso, é bom que todos saibam que falo de uma maneira geral como as coisas são por lá, pode ser que tenha gente que faça diferente, cada casal é de um jeito e não dá para generalizar 70 milhões de egípcios em um post só.

Pois bem, muitas pessoas me escrevem perguntando sobre seus relacionamentos, como fica a troca de carinhos no Egito. Apesar da maioria das brasileiras ficarem felizes com uma proposta de casamento vinda de um egípcio, existe um grupo que não aceita se casar sem antes ter muita certeza do que quer. E como nos preparamos para o casamento no Brasil? Namorando.

Só que não existe este tipo de namoro que conhecemos aqui no Egito. Lá, podemos dizer que 90% dos casamentos acontece num acordo mais familiar do que somente do casal. É difícil uma história de alguém que se conheceu num curso, na escola ou faculdade, se apaixonou, namorou e depois noivou. Muitas vezes, o rapaz ou moça se interessam por alguém e aí arrumam alguma forma das famílias se encontrarem e conversarem, para ver se o noivado pode ser arranjado.  Outras vezes, as próprias mães vão indicando jovens livres para os casamentos, marcando encontro entre as famílias para ver se os dois se aceitam e se as famílias têm objetivos comuns entre si.

Vou dar um caso prático, pois pode ser que vocês não estejam entendendo nada:

Mahmoud está na faculdade de Medicina e conhece Noura, uma colega de classe que ele acha bonita e inteligente. Depois de uns meses de amizade e convivência na faculdade, ele acha que ela poderia ser uma boa noiva. Antes disso, ele não disse nada explicitamente para ela, nem propôs namoro ou algo íntimo nada. Pode ser que tenham conversado pelo msn, trocado mensagens pelo celular e ido a cafés juntos. Isso já mostra que os dois se gostam e, usando uma palavra ocidental, estão namorando, mesmo que ele nunca tenha nem pegado a mão dela.

Pois bem, chegando a conclusão que ela é legal, Mahmoud vai e conversa com sua mãe e pai, dizendo que quer tentar noivar a Noura. A mãe de Mahmoud fica empolaga e liga para a mãe de Noura para marcar um encontro entre as famílias.

No dia do encontro, a família de Noura prepara uma bela janta. Noura está bem vestida e espera feliz pela visita, pois ela sabe que isso é uma proposta. A família de Mahmoud chega e são recebidos calorosamente pela família dela. (Muitas vezes as famílias chegam neste ponto quando já se conhecem ou tem alguém conhecido em comum, que diz que a outra família é boa… raras vezes as famílias se conhecem sem nenhum elo anterior).

Depois da janta, as famílias começam a discutir, todos juntos na mesa, com irmãos juntos também, o que cada família dispõe e pensa de um futuro casamento. A família da noiva diz que vai dar as mobílias do quarto, da sala e parte da festa. A do noivo diz que tem um apartamento em determinada área e paga a festa do casamento, mas que não quer pagar o resto da mobília da cozinha. Está criado o impasse.

Noura também não quer morar na área em que Mahmoud tem um apartamento. As famílias discutem sobre o que cada uma quer dar, mas a tal mobília da cozinha continua sendo um problema.

Eles se despedem e a família de Mahmoud volta para sua casa, sabendo que não haverá noivado ali. Sim, por conta de às vezes um detalhe simples, como quem vai dar o fogão, um propenso noivado acaba no Egito.

De volta à faculdade,  Mahmoud se afasta de Noura e deixa de ir aos cafés sozinho com ela. Ela também faz de conta que nunca o conheceu tão de perto antes, e ambos seguem seus caminhos, em busca de um noivado melhor para cada um.

***

Já conheci casais no Egito que se conheceram em situações aleatórias e realmente se gostaram, amaram mesmo. Eles namoravam também assim, indo em cafés, restaurantes juntos, conversando de forma romântica no telefone, trocando presentes de dia dos namorados com corações e coisas fofas.

Assim que o homem já tem alguma condição, a primeira coisa que ele fez foi procurar a família da moça para noivar. Alguns conseguiram se casar, outros não, simplesmente porque a família não concordou, apesar do amor.  Já vi casos de um homem ser proibido terminantemente de se casar com a namorada porque a família dele não gostou do jeito da família da noiva. Não teve jeito, ninguém no Egito casa escondido ou contra a família. Isso é muito raro, não conheci casos assim, pois os dois acabam desistindo do amor sim, em prol da escolha familiar.

Bom, falei tudo isso, para que quem esteja se relacionamento com um egípcio pense duas vezes antes de querer apenas namorar. Pois se não houver um comprometimetno dele e aceitação da família, pode ser que vocês fiquem anos juntos e no final não dê em nada. Então antes de querer conhecer muito bem o moço e fazer “test drive” com ele, pense que você pode amar ele de verdade, se apaixonar, e depois ser descartada pois a família não aceitou. Melhor seguir os passos deles, tentar ser aceita pela família primeiro antes de se entregar como num namoro aqui do Brasil. As coisas lá acontecem em ordem diferente daqui. Mesmo que você noive e depois desista, é melhor ser assim do que se entregar 100% a uma paixão por um egípcio que você não sabe se poderá se concretizar depois.

Bom, com tudo, esta é minha opinião! A vida é de cada uma de vocês e as escolhas também…

Fiquem com Deus!

Tão longe…

Daqui a pouco já vai fazer dois anos que estamos no Brasil… e as lembranças do Egito, daqueles meses intensos de descobertas e devaneios, parecem que vão ganhando nova forma.

É engraçado como a minha relação com o país conseguiu mudar tanto e tantas vezes, em tão pouco tempo. Agora a distância começa a pesar, não foi agora há pouco que cheguei. Algumas memórias vão se apagando. A certeza de certos acontecimentos se perdem na correria do dia a dia, pensar nos cheiros, nos desafios, comidas e cotidiano de lá vai ficando mais difícil. Parece que foi há muito mais tempo, talvez décadas atrás quando resolvi largar tudo e ir morar no Egito.

Minha cabeça mudou mais ainda, será que hoje eu teria a mesma coragem? Talvez pensaria mais, guardaria dinheiro para fazer uma viagem de férias incluindo passeios de navio em Luxor e Asswan ao invés de largar tudo de uma vez. Quando a gente vai envelhecendo fica mais chato. Não que eu esteja muitooo mais velha, mas quando comprei minha passagem tinha apenas 22 anos e muita coisa pra ver ainda.

Agora com a experiência na babagem e mil responsabilidades, inclusive a de cuidar da minha própria casa, não dá mais pra sair largando tudo adoidado. Ou será que dá? Recebo muitas mensagens de leitoras com filhos, muitas com vida pronta e tudo mais, que fazem o mesmo que eu fiz sem se importar em deixar muito mais. A maioria talvez não tenha a dimensão correta de como a vida lá é diferente, como a religião não é apenas uma roupa ou gestos que você muda. Eu sempre digo isso e repito: a mudança é sim, muito radical.

Seja você mais jovem ou vivida, com certeza irá conhecer coisas maravilhosas ao partir para o Egito ou tentar viver uma história de amor tão longe, mas entenda que muito também fica no Brasil e se perde para sempre. E pisar nesta história deixa marcas para sempre, mesmo que você volte, como eu voltei.

No meu retorno, não mudei apenas minha religião e meu estado civil. Pude notar realmente está do meu lado, quem é amigo de verdade, quais são os parentes que realmente se importam com minha felicidade. Os que me chamaram de louca, sem ouvir o que eu tinha para dizer, ficaram nas páginas do passado. Ao voltar, continuaram com a mesma indiferença e fizeram pouco para entender qualquer coisa, apenas continuam com os mesmos julgamentos. Talvez fofoquem dizendo “esta história até que está durando bastante tempo”.

Neste tempo de retorno, muita gente me deixou na mão do lado profissional e pessoal, sejam colegas de trabalho que eu tinha admiração, primos que não sabem respeitar  escolhas ou amigos que não entendem que você mudou. Agradeço a Deus por continuar do meu lado e abrir sempre novas portas, pois acabei não precisando de ninguém para refazer a minha vida aqui.

Eu não saio mais para baladas ou barzinhos, e tem ex-amigo que me chama de “velha” e “desanimada” por conta disso. Primos que preferem ficar com os amigos que bebem e fazem festão com muita azaração mesmo quando você viaja 500 km para vê-los. Ex-colegas de trabalho que acham que porque você não está mais numa grande empresa, pensam que o contato não vale mais a pena.

Pois bem, eu não vou atrás de ninguém mais de duas vezes e se você pensa em embarcar em uma história como a minha, prepare-se para perder sua vida do passado e construir uma totalmente nova. Não que seja algo ruim, mas não é normal o ser humano adorar mudanças e ver seus conceitos caindo por terra. Por isso, estou escrevendo esse post bagunçado só para dizer isso: as coisas vão mudar e não vão parar de mudar jamais, até que você perceba que nada é mais como era antes.

Mas o amor supera todas as coisas. Se ele realmente existir, você vai saber a hora certa de deixar de ligar para todo o resto e se focar apenas no que vale a pena para os dois. E uma vida solitária a dois pode ser fantástica. Seja aqui ou lá, pois a maioria das pessoas à sua volta nunca estará preparada para lidar com o diferente, sejam os seus vizinhos brasileiros, egípcios, indianos, europeus ou americanos.

Ninguém se satisfaz com quem sai do lugar comum, mas tenha certeza que as boas histórias não acontecem com quem é perfeitamente normal. Por isso, aproveito o post estranho para agradecer todos que têm vindo aqui e, de certa forma, criando uma rede de interação comigo, compartilhando histórias e vidas. Até mesmo sem saber, vocês já são pessoas que não se contentam com o tradicional, que buscam algo espetacular e novo para a vida, que não tem medo de se jogar nos sentimentos e emoções, mesmo que isso machuque. E viva a todas nós loucas e loucos desvairados, que não pensamos em agradar aos outros, mas sim a nós mesmos!

E Alhamdo Lelah (Graças a Deus) que pude viver tudo isso e conhecer todos vocês :-)

**

Amanhã volto a postar decentemente ehehe…. prometo!

O casamento mais doido

Basma era aquela moça pobre que morava no telhado do prédio da frente (já contei que favela no Egito é construída nos telhados dos prédios?). Eu sempre a via passando de um lado para o outro com uma espécie de turbante, lavando as roupas e gritando feito louca para o marido. Também os via comer o jantar e às vezes até dormir, porque moravam num barraco de madeira e papelão pouco fechado, sem porta, onde apenas um tecido leve servia de proteção para os olhares intrometidos como o meu.

Naquele dia, era umas três horas da tarde quando o caminhão com cadeiras parou na rua e gente falando alto chamou minha atenção. Corri para a sacada e vi iniciarem a retirada dos assentos. Pensei até que era para algum velório, pois só para isso que se alugam cadeiras. Mas começaram a entrar no prédio da frente, e eu ouvia os passos regados a berros de um homem para o outro. E tá tá tá, iam subindo.

De repente, daquela portinha, começaram a pipocar os assentos vermelhos que foram enfileirados lado a lado, em filas curtas. Também subiram engradados de refrigerante, e um outro lá chegou com caixas de som gigante. Pensei que a noite seria longa, mas estava me divertindo com a movimentação alheia e curiosa para ver cada passo deles. Mostafa ficava bravo e mandava eu parar de fuxicar a vida dos outros, porque todo mundo ia ver que eu estava de olho. E daí, sempre ficavam me olhando mesmo quando eu saía na rua, agora era minha vingança.

A noite foi caindo, montaram um computador naquele terraço sujo e com piso estragado. Também colocaram luzinhas que chegavam do meu lado da rua. Eu só estava esperando a música do pior tipo começar no mais alto volume (porque tem música árabe popular e bem tosca. Assim como temos nossos funks e porcarias que o povão gosta, no Egito tem coisas no mesmo nível e até piores). Mas voltando ao assunto, a noite caiu e tudo estava iluminado. Os convidados foram chegando, e Basma corria de um lado para o outro com seu barrigão de grávida. Gritava, ria, puxava um pelo pescoço e noutro dava um tapa forte. Nada delicada a moça.

E eu de espreita, com meu véu preto tentando ficar camuflada durante todo este tempo. Mostafa vinha e perguntava se eu não estava cansada de ver aquilo. Mas eu tinha um pressentimento de que ainda tinha coisa muito melhor por vir.

Eis que os convidados, a maioria homens, vão chegando e ficam conversando num canto. O rapaz que trouxe o computador ia de um lado para o outro da mesa, tirando cabos e dando tapinhas nos equipamentos ligados às duas enormes caixas de som. Só ouvia as vozes e nada de música.

Eis que, finalmente, uma gritaria ensurdecedora vem lá da esquina na rua, chegando feito um furacão nos vão dos prédios e ecoando forte até onde eu estava. Agora sim o negócio tá ficando bom, pensei. E sai do carro uma menina toda de laranja fluorescente, num vestido ainda todo marcado por coisas brilhantes e bordados de cima a baixo. De longe eu já achava exagerado, imagina vendo de perto. Na cabeça, hijab estilo “abacaxi”, uma moda egípcia para festas que nunca vou entender. Elas amarram um monte de lenço fazendo uns frufrus na parte de traz, com uns 500 alfinetes. Para mim aquilo só pode ser inspirado em Carmen Miranda.

E a menina desce do carro velho, cercada por uma legião de mulheres gritando “lalaalalaalaalaalal”. Se você nunca ouviu uma árabe fazendo este barulho, nem queira. É alto, dói na espinha porque elas gritam mesmo. Com umas 25 fazendo isso ao mesmo tempo, eu já fiquei tonta. Só não tirei foto porque o meu marido já estava incomodado de eu ficar ali olhando, mas hoje me arrependo de não ter ido contra e registrado isso para vocês.

Eis que vão subindo as escadas, os gritos ficam abafados mas mesmo assim escuto bem. Agora não sou mais a única na sacada, todos os vizinhos, de todos os prédios na rua, estão com a cabeça para fora olhando o acontecimento. E sobem, a menina de laranja está com cara amarrada e tem tanta gente para o pequeno terraço que fico achando que uma hora alguém vai ser empurrado e cair prédio abaixo.

Colocam ela sentada na cadeira da frente, e as mulheres vão se sentando nas cadeiras enfileiradas para observá-la. Os homens começam a se juntar em volta do famigerado computador e a falar cada vez mais alto. Eis que todas as vozes vão se silenciando, e duas apenas vão ficando mais altas e com o tom áspero. Agora sim o show ia começar.

De repente, um homem careca de bigode dá um tapão enorme no moço que tentava ligar o computador e a gritar um monte de coisa feito louco. Aí a coisa começa. Outros já chegam xingando e uma espécie de “bate cabeça” árabe começa a rolar. As mulheres agora também se juntam a gritaria, e a noiva coloca mão no rosto chorando. Ninguém nem olha para ela, vai todo mundo para o bate-boca.

Segundo me traduziram, o pai da moça estava revoltado que o casamento ia ser no telhado de um prédio (no Egito isso não é cobertura, mas lugar bem pobre mesmo e com casas feitas de tapume, como as favelas daqui) e, ainda por cima, sem música. Que sem música a filha não ia casar e pronto.

A discussão aumenta e alguém se atenta para a noiva cor de Fanta, puxa-a pela mão e a leva escadaria abaixo. Colocam ela no carro enquanto a briga lá em cima começa a rolar solta. Até que um sujeito me tira uma faca e a baixaria começa. Gritos, gritos e gritos, ameaças e quase que eu vejo alguém morrer diante dos meus olhos. Uns 30 homens saem correndo na rua, em bandos atrás de uns outros. O carro com a noiva sai cantando os pneus. Acabou o casamento.

Basma ficou lá de boa, tomando um refrigerante atrás do outro. Sozinha de novo na sua casa agora cheia de comida e bebida à vontade. Ela só estava emprestando a casa mesmo, e ainda saiu com o lucro de ficar com o espólio da festança. Pelo que entendi depois, os noivos eram de uma região periférica e pobre de Alex, e alguém teve a genial idéia de fazer o casamento da prima Basma, que morava numa área boa de Alexandria.  Deviam achar que ia ficar mais chique, sei lá.

Só sei dizer que poucos meses depois disso, finalmente os moradores do prédio conseguiram expulsar Basma e sua pequena família dali. Para fazer isso, tiveram que dar outra casa para ela, mas em outro lugar bem mais simples e afastado do centro. Hoje demoliram o barraco pobre e estão construindo mais um andar de alvenaria para vender para alguma família de classe média do Egito. Na minha rua não tem mais ninguém morando nos telhados, mas em algumas regiões do Cairo e Alexandria isso ainda é bem comum.

Outro dia eu coloco a foto de Basma e do carneiro que ela comprou uma vez.

Minha mãe

Já que minha mãe deu o ar de sua graça hoje no blog, vou falar dela.

Minha mãe foi muito forte quando eu decidi ir para o Egito. É normal que qualquer mãe pirasse e ‘rodasse a baiana’ (nossa que expressão antiga), fizesse aquela pressão psicológica brava.

Eu já previa o pior, e acabei escondendo o máximo que pude dela todos os meus futuros passos. Mas mãe conhece a gente. Ela me via no computador por horas a fio, o estilo de vida no Egito me escapava pela boca e acabava comentando coisas sem querer. Ela já sabia, apesar de toda minha tentativa de guardar tudo para mim.

Chegamos a brigar feio, ouvi várias vezes que era muito egoísta. Tudo era difícil naquele tempo. Afinal, a relação de uma mãe com a filha é muito forte. Foi ela quem me acompanhou em tudo, sempre me incentivou a dar o melhor de mim, a crescer independente e com valores.

Minha mãe só começou a trabalhar depois que eu já era adulta. Ela esperou os três filhos estarem soltos no mundo para se dedicar somente a seus projetos. Desde que eu nasci, ela viveu inteiramente para nos educar e fazer felizes.

Era ela que nos levava no clube Espéria todos os dias e ficava lá olhando a gente fazer aula de natação, judô ou o que fosse. Filmava nossas danças nas festinhas da escola, fazia decoração no aniversário e, depois de mais velhos, comprou até luzes para fazermos nosso próprio ‘bailinho’ em casa quando éramos adolescentes.

Minha mãe estava sempre lá, me levando para escola todos os dias de carro, fazendo o almoço e janta. Cuidando das nossas roupas e apartando nossas brigas. Teve uma paciência que eu, ainda sem filhos, já sei que não vou ter.

Ou seja, ao chegar num momento de partir para uma outra direção, foi difícil esconder o jogo de minha mãe. Não por medo da reação dela, mas por saber que, de qualquer forma, eu estaria sendo um pouco egoísta, pois querendo ou não, eu iria seguir o que meu coração mandava. E nesta coisa de amor, só a gente mesmo entende o que sente.

Claro que minha mãe sonhou em me casar na igreja, em fazer tudo como ela planejou. Afinal, ela dedicou sua vida toda para estar próximo e são estes momentos, como a formatura na faculdade e o casamento, que dão para os pais a sensação de dever cumprido. Eu tive a formatura, mas no casamento pulei todas as etapas tradicionais. Mudei para outra religião e tudo foi assustador demais para quem via de fora. Sei que muitos acharam que era ‘fogo de palha’, uma loucura momentânea da qual depois iria me arrepender.

Mas minha mãe me conhecia. E sabia que não havia nada que pudesse me impedir. Eu não falei da minha partida, deixei tudo para a última hora. Mas ela já sabia, tinha visto em cima da minha bolsa já um papel com o dia da minha passagem. Ela diz que encontrou tudo bem aberto em cima do sofá, que eu devo ter inconscientemente deixado ali justamente para que ela visse (tá certo que ela usa esta desculpa toda vez que dá uma espionada nos filhos, que  se a gente deixou à vista era porque queríamos ser investigados). Eu não lembro disso, só sei que ela já sabia de tudo antes de eu abrir a boca.

Minha mãe sofreu calada, mas manteve a calma na minha frente. Não era fácil ver uma filha deixando tudo para trás em busca de algo que ela não conhecia. Eu não sei daria esta liberdade para uma filha. Mas ela não só deixou eu partir, como me aconchegou nos braços com um sorriso, mesmo chorando por dentro. Eu fui para o Egito achando que ela e todos em casa estavam lidando com aquilo numa boa. Mas hoje sei que ninguém pronunciou uma palavra durante horas. Minha irmã conta que nunca uma viagem para Santos demorou tanto para passar depois da minha partida (era ano novo), e que o silêncio dentro do carro era arrasador.

Uma semana antes de eu viajar, minha mãe ainda me levou no médico para fazer vários exames e ter certeza de que eu ia bem para lá. Comprou roupas e coisas para eu levar. Apesar de não aprovar, fez o que podia para que eu fosse então da maneira mais confortável possível. Ela me deu a maior liberdade que alguém poderia ter me dado na vida. Deu o direito de eu decidir a minha vida sozinha.

E hoje ela sabe que deu tudo certo, e está feliz com a gente. Nos reunimos todos sempre, e aos poucos as diferenças foram desaparecendo. Ela não deixa comida com porco perto da gente, nem aceita que falem mal ou tratem isso que eu fiz como uma loucura. Se alguém diz para ela “nossa, eu não deixaria nunca minha filha fazer isso”, ela chama esta pessoa de ignorante (não na frente da pessoa, claro eheheh). E sempre faz questão de lembrar que deu para mim o maior bem que alguém pode ter, a liberdade.

Só esta faltando agora eu convencê-la a ir conhecer o Egito comigo, mas este trauma ainda vai levar um tempo para eu tirar.

Porque casar?

Aproveitando o último texto, gostaria de fazer um breve comentário sobre algo que fui ‘cozinhando’ dentro de mim durante estes dois anos de casamento.

Eu falo da minha história para todos, até no ônibus se deixar eu falo de Egito. Às vezes tenho que me controlar, ou fico parecendo aquelas pessoas pentelhas, que não sabem virar o disco. Mas não tem jeito. Sempre que me perguntam se sou casada ou algo do tipo, o Egito pula da minha boca, e aí aparecem mil perguntas, como pode, como foi, como é. Engraçado que algumas pessoas, no fim, tem ainda a coragem de me perguntar. “Mas você está feliz?”

Parece que é até proibido ser feliz, e escolher que quero sim casar, me dedicar a uma pessoa. Tudo isso porque a história é diferente, não aconteceu da forma “normal”. Outro dia, no trabalho falando com um pessoa altamente instruída e valorizada, sem querer entramos num assunto pessoal e o papo caiu no Egito. A pessoa me fala. “Mas que loucura isso, como uma mulher intelegiente e formada como você fez uma coisa dessas.” Eu nem sabia o que responder, fiquei com o queixo caído tamanha ignorância. Ele ainda quis dar o exemplo de uma parente, que foi para Itália casar e se deu mal. E daí, não tem gente que se dá mal no Brasil também, casando com o vizinho até? Mas odeio que me coloquem num saco de generalizações.

Quando eu falei que ia para o Egito, pedir demissão, parecia que eu tinha morrido. E que meus passos eram em direção para um caixão. Tudo era choro, melancolia, dor. Engraçado que ninguém parou para notar que eu não estava indo me drogar ou pular de um prédio, mas indo fazer uma coisa bonita, que é o casamento.

Hoje, confesso que muita coisa mudou. Principalmente dentro da minha família (digo meus pais e irmãos), finalmente as mágoas se foram e estamos mais unidos do que antes. Já fora deste pequeno círculo, poucos foram os sobreviventes ao bombardeio. Eu tenho mania de esquecer as ofensas, sou uma pessoa que se renova a cada dia e não consigo guardar raiva por mais que alguns meses. Num passe de mágica, simplesmente uma hora eu paro de ter raiva e deixo para lá. Mas tem gente que adora ressucitar preconceitos, grosserias e assim segue a vida, por isso não dá pra esquecer deste assunto ainda.

Espero que um dia as pessoas aceitem que eu sou plenamente feliz e que estou mais viva do que nunca! Que deixem a inveja e a vontade de falar mal de lado, e esqueçam que eu exista e vão encher o saco de outro!!!!!!

…pronto, falei :-D

Você é louca!

Quem fala que gosta de um egípcio ou pensa em largar tudo em nome de um amor, em geral, sempre escuta esta frase. Além disso, existem perguntas que se repetem excessivamente, às vezes me sinto um de meus entrevistados, com tantos pontos de interrogação que aparecem em todos os diálogos que tenho.

Adoro falar da minha experiência e até por isso tenho o blog, acho que o mundo precisa escutar mais histórias reais de amor e é para isso que estou aqui, pois acredito fielmente que dá sim, para se viver um conto de fadas. Se isso é loucura? Eu sei lá… talvez até mesmo seja, depois de tanto ouvir isso, estão me convencendo. E estou gostando de ser louca.

Agora, uma coleção de frases-chavão pra vocês.

Antes de ir para o Egito:

- Vai para o Egito? Casar? Você tá louca?

- Mas ele é muçulmano? Você tá louca?

- Mas vai sair do seu emprego? Você tá louca?

- Mas vai morar lá? Você tá louca?

- Só o conhece na internet? Você tá louca?

- Uma moça tão bonita, inteligente, fazendo isso! Você tá louca? (obs. esta é uma das que mais odeio)

- Mas e se ele for um terrorista? Você tá louca?

- Se você tiver um filho, ele não vai te deixar sair do país com ele, já viu aquele filme? Você tá louca?

- Você não sabe que árabe é violento com a mulher? Você tá louca?

- Vai casar sem conhecer a pessoa, sem testar se ‘tem química? Você tá louca?

Brasileiras no Egito

Quando alguém fica sabendo da minha história, sempre fala: “que história louca, quem teria esta coragem???”… A resposta é: muitas mulheres. Eu não fui a primeira nem a última brasileira a ir para lá somente em busca de um casamento. Muitas pessoas podem julgar e eu até mesmo já julguei outras pessoas que tentaram a mesma coisa, por achar que não estavam com toda a segurança que deveriam.

Mas a vida é esta e tem muita gente que não tem medo de se arriscar por algo que pode ser maravilhoso e acham isso melhor do que ficar em casa esperando uma vida comum. Quem conversa com alguém que mora longe e, eventualmente, percebe que um sentimento nasceu dali, sabe do que eu estou falando. Não é fácil explicar, nem espero que todos entendam. Mas é possível. O amor pode surgir de uma conversa, de uma maneira de se expressar e de uma entrega que não é composta por beijos, mas presença, mesmo que por meio de um computador.

É uma mudança radical, ainda mais quando se vai para um país tão distante e com costumes tão diferentes. São vários momentos de dúvidas, e mesmo quando se está lá nos questionamos se realmente fizemos tudo aquilo sozinhas. Não acredito que enfrentei tudo sozinha e outras brasileiras que navegam por este caminho desconhecido devem se espantar com elas mesmas. Estávamos com Deus, e ele nos fez encontrar o que era melhor para nós.

Algumas, como eu, encontraram realmente o amor e um marido para a vida toda. Teve gente que ficou no Egito e está lá até hoje. Outras chegaram lá e apesar de se imaginarem em um sonho, perceberam que sua felicidade não era o homem egípcio. Deus também ajudou aquelas que encontraram más pessoas em seus caminhos a superarem a dor de enfrentar algo tão grande e só ter decepções. Nem todo mundo tem uma história de conto de fadas, nem todas são tratadas como deveriam. Mas todas tiram uma grande lição para suas vidas. Sejam as mais jovens que sofreram sua primeira grande decepção amorosa ou aquelas com vidas já feitas, com filhos e mais experiência, mas que se deixaram levar por uma paixão juvenil e viram que ainda há tempo para o amor e buscar a felicidade.

Conheci muitas mulheres que passaram o mesmo que eu e andaram pelo mesmo caminho. Cada uma a seu modo seguiu uma estrada diferente e algumas encontraram o amor. Mas felizes mesmo são aquelas que, diante de tudo isso, encontraram algo mais profundo dentro de suas almas, observaram o vai vem empoeirado das cidades egípcias e viram mais do que carros e pessoas. Entenderam o que é a paz de se dar um passo grande como este e ter a coragem de assumir todas as conseqüências em busca de algo que, para alguns, é tão ingênuo: um sonho.

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