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Num mundo globalizado, liberdade religiosa tem várias faces
Um dos temas que sempre debatemos por aqui e em outros blogs é sobre a liberdade religiosa no mundo atual. As pessoas tendem a se achar modernas, como temos internet, meios de comunicação à disposição e facilidade de viajar, pensamos que estamos livres, pelo menos nos pensamentos. Mas isso é uma doce ilusão.
Quase todas as pessoas tem uma crença e uma opinião sobre o que é Deus e qual a melhor forma de estar perto dele. Até os ateus, que dizem não ter Deus, tem que pensar muito em como negar, como falar, e até mesmo caem em contradição muitas vezes por não saberem negar algo e ao mesmo tempo não chamar os outros todos de burros. É sempre complicado se falar de fé e crenças.
E eis que ontem saiu a notícia de um guia brasileiro preso no Egito acusado de ter material religioso, como panfletos e Bíblias. A primeira consideração sobre este caso é que, até agora, a mídia não publicou nada de relevante, não se sabe qual a acusação real e formal e nem porque o sujeito que, diz ele, estava apenas visitando as pirâmides, foi preso. A regra número do 1 do jornalismo é dar sempre os dois lados, mas ainda não se deu nem metade dos lados neste caso.
Segundo, pelas leis egípcias, você pode professar sua fé que quiser, no país tem muitas igrejas e até sinagoga. Existem os feiticeiros também, gente que faz magia e vive nos grandes centros, como o Cairo, tenho uma amiga que é pesquisadora da USP e estuda justamente estas culturas locais lá com crenças bem diferentes do monoteísmo, Islã ou cristianismo. Ou seja, no Egito tem de tudo sim e com um certo grau de liberdade, pois os cristãos ocupam todos os tipos de trabalho, tem lojas, ocupam os mesmos bairros e estudam nas mesmas escolas. Não são obrigados a ver aula de religião islâmica e podem ter folga em seus feriados e no domingo, enquanto os muçulmanos podem ter folga só na sexta. Então muita calma na hora de sair metralhando o Egito neste quesito.
Mas sim, é um país majoritariamente islâmico, e alguns aspectos da cultura não são tão fáceis de discernimento para quem está acostumado com os moldes daqui. Lá não é comum casamentos entre religiões diferentes, as famílias – sejam cristãs ou muçulmanas – prezam pela preservação de seus credos dentro de casa e realmente não gostam de mistura. O que acontece é muitas vezes o egípcio se casar com uma estrangeira, mas como muçulmanos podem se casar com cristãs ou judias pela lei, não há problema legal para isso e muitas famílias aceitam bem, apesar de sempre agirem conforme seus costumes. Por exemplo, uma mulher cristã casada com um muçulmano, apesar de ter outro credo, provavelmente terá que obedecer o jejum do ramadan, para partilhar com a familia e se vestir de forma mais discreta. Aliás, vale ressaltar um ponto: a maioria das cristãs no egito se vestem como as muçulmanas, só que sem véu, não é bom para uma cristã lá também ficar se mostrando demais, entre os cristãos mesmo isso não é bem visto.
Mas voltando ao assunto do cara preso. Os turistas no Egito são super cuidados pelas autoridades policiais, pois é do que vive a maioria da população. Existem guardas vestidos de branco em tudo quanto é lugar, e se um dia você sofrer um abuso, basta denunciar. Assim como em qualquer área turística do mundo existem abusos, no Egito também tem quando se trata da relação vendedor-egípcio, mas se um dia você sofrer um problema, experimetne dar um belo grito e chamar o guarda, com certeza o egipcio vai se dar mal.
A questão é, que me parece muito estranho o cara simplesmente estar no Egito passeando, sem fazer nada, e a polícia prendê-lo. Se ele tinha folhetos e Biblias, no plural, é porque de alguma forma estava distribuindo isso, talvez de forma ilícita conforme as leis do país. No Egito você pode pregar sua religião como quiser, mas dentro dos templos, não se pode fazer isso no meio das ruas. Além do mais, por ser ramadan, é de extremo mal gosto se o evangelizador fez isso de alguma forma público, e certamente seria denunciado. Eu particularmente não aprovo essa ideia missionária de alguns cristãos, não acho que é dever ficar batendo em portas e achando que só Cristo salva, de forma muitas vezes impositiva e chamando o resto de “demo”. É a mesma coisa que reclamar de liberdade religioso, mas chamo isso de imposição e invasão de espaço religioso.
Mas como muçulmana, eu acho que se queremos construir nossas mesquitas em outros países, se queremos distribuir livros em público, como está sendo feito aqui no Brasil por diversas entidades islâmicas, num trabalho que acho bem interessante, não podemos negar o direito dos cristãos ou de qualquer religião fazer isso em outros países islâmicos. A não ser na Arábia Saudita, onde realmente é nosso local sagrado e não cabe esse tipo de coisa, assim como eu não tenho o menor interesse de transformar o Vaticano num lugar islâmico.
Acho que cada um, no mundo de hoje, tem direito a seu espaço e sua fé, mas existem maneiras de se chegar nisso, em alguns lugares é mais fácil, como no Brasil, é só olhar a proliferação de igrejas que vemos como é fácil aqui falar o que se pensa e conquistar fiéis. Já em lugares mais tradicionais, como no Oriente Médio, essa inserção não é tão bem vista, as pessoas prezam muito mais pelas suas tradições e religião, colocam no dia a dia o que praticam e concordo que seja até perigoso para um pregador tentar ficar falando e pregando em público algo diferente. O problema disso tudo, é que se distorce a questão da liberdade religiosa – que não existe nem no Brasil, nem nos EUA, nem no Egito e nem na China, etc – em uma questão envolvendo política, costumes locais e até xenofobismo em certos casos.
Infelizmente, muitos se aproveitam da religião, em diversos aspectos, para benefício próprio. Seja no uso do Islã como arma política e militar (na chamada Jihad, que em sua premissa básica não tem nada a ver com matar infiéis) ou na política evangelizadora que promete de tudo, até mesmo asilo político, para quem aceita Cristo. Infelizmente, em países como Egito e Irã, é muito comum muçulmanos “convertidos”, geralmetne de origem humilde, sem mtas perspectivas, se mostrarem convertidos cristãos e dizerem que são perseguidos pela mudança, para pedir asilo em outros locais, como sempre países de alto nível para os quais nunca conseguiriam um visto. E os cristão usam isso como propaganda, os muçulmanos acreditam menos ainda e problemas como o do guia no Egito, se repetirão para todo o sempre. Eu creio que realmente ele pensa que estava fazendo algo certo e divino, mas o mundo não é um conto de fadas, assim como eu aqui no Brasil enfrento diversos desafios acerca da minha religião, e até do demo já fui chamada, por também um evangélico…. contradições da nossa vida, difícil é fazer para os outros, o que esperamos que façam conosco, pois a tendência é de acharmos que só nós temos a razão.
Hoje fazemos aniversário de Brasil – três anos por aqui
Há exatos 3 anos estávamos deixando o Egito, num furacão de ideias e emoções. Eu retornava ao Brasil, Musta seguia em busca ao desconhecido e desafios ainda maiores para nossa recente vida de casados, que começou nada tradicional.
Tudo na nossa vida de casados foi feito de impulsos e sem muito planejamento. E tudo, milagrosamente, sempre se encaixou na hora certa, da forma certa, como se o quebra cabeças de nossas vidas já estivesse pronto há muito tempo, que basta ter paciência e nós conseguimos montar todas as peças.
E assim foi quando nos casamos. Em apenas uma semana, pedido de casamento. Em um mês, passagem comprada para o Egito. Em quatro meses, já estávamos casados. E tudo foi sempre na correria, na afobação, sempre pensando no que tínhamos de fazer de última hora. Nossa festinha de casamento foi planejada em uma semana, nossa mudança para o Brasil em outros poucos meses. No começo, tudo foi maravilhoso, e conturbardo também. Amadurecemos muito e juntos neste período.
Na volta ao Brasil, demorou também para a poeira baixar. Seja lá ou cá, mudanças são sempre chatas e exigem paciência, tempo de maturação e perseverança pra que tudo dê certo. E assim, depois dessa fase inicial, tudo entrou nos eixos.
E hoje podemos celebrar três anos de Brasil. Muitos sonhos ainda precisam ser concretizados, muito trabalho pela frente, encontramos muitos problemas também ainda na vida aqui e neste país de contrastes, mas foi onde finalmente sossegamos e decidimos construir nossas coisas, onde aos poucos soubemos como vencer as batalhas deste grande jogo que é a vida.
Comparações entre Egito e Brasil segundo a Newsweek
A revista americana Newsweek soltou um ranking muito interessante dos melhores países para se viver estes dias. O Brasil ficou na vergonhosa 48 posição (sim, porque com nosso nível econômico, acho esse número muito ruim) e o Egito, na 74 posição.
O ranking levou em conta saúde, educação, violência, economia e até liberdade política em consideração. Quem quiser ver o ranking completo e ir comparando entre os mais diversos países, é só entrar aqui. Ah, o primeiro lugar ficou com minha amada Finlânia
| Egito | Brasil | |
| Expectativa de vida | 60 anos | 64 anos |
| Taxa de alfabetização | 71.7% | 88.7% |
| Mortes violentas por crimes e drogas a cada 100 mil habitantes | 1.2 | 29.2 |
| Liberdade política (quanto mais alto o nº, pior) | 5.5 | 1.5 |
| Receita per capita | US$2.070 | US$8.070 |
| Desigualdade social (mais próximo de zero, melhor) | 32.1% | 55% |
| Desigualdade entre os sexos (quanto mais próximo de 1, melhor) | 0.586 | 0.669 |
Um dos dados que mais me chamou foi o da violência. Apesar do Egito ficar atrás do Brasil na maioria dos outros pontos, os números de mortes no Brasil é bem chocante.
E vocês, o que acharam?
Egito versus Brasil?
A gente muda com o tempo, geralmente para melhor pois aprendemos com os erros passados. Quando eu morei no Egito, acredito que ainda era muito imatura, não sabia bem o que queria e pesei a mão certas vezes no que falava sobre as coisas de lá, até porque não sabia muito bem ainda como lidar com tudo e como recuperar minha independência, que sempre prezei tanto. E não estou falando de independência financeira, pois isso sempre tive mesmo quando morei por lá, rapidinho tratei de arrumar um trabalho. Mas estou falando de independência da vida pessoal, de saber novamente os limites do que posso falar, como posso destilar meu humor ácido (quem me conhece sabe como posso ser o ‘cão’), como movimentar, como andar sozinha, como comprar pão.
Quando vamos para outro país de cultura tão diversa, a adaptação para alguns, como eu, pode demorar um pouco, pois eu saio do total controle da situação para um aprendizado diário, e isso me cansava o cérebro. Ficar pensando como agir, como falar, como atuar para não magoar os outros, pois desde o começo a primeira coisa que senti nos egípcios foi uma educação absurda um com os outros, tudo eles falam com meias palavras, sempre tudo está ótimo, lindo maravilhoso, sempre tratando as visitas com todo cuidado e esmero, e eu com meu jeito sincero de ser às vezes assustava. Quando alguém perguntava o que eu achava do Egito, eu no começo eu falava o que pensava, que era tudo muito bagunçado. Algumas pessoas ficavam magoadas, tentei maneirar, e sempre que falavam do Brasil eram curiosidades sobre futebol, como era a economia, coisas mais positivas, e eu sempre na defensiva.
Com o tempo fui aprendendo as diferenças, admirando as coisas muito boas de lá. Nunca vi pessoas tão acolhedoras como no Egito, seja na minha família de lá ou nas ruas, onde sempre que descobriam que eu era estrangeira era tratada como rainha, até mesmo no trem onde só pessoas mais simples circulavam em Alexandria. Não entendo pessoas que vivem no Egito e não conseguem ver tudo aquilo que vivi, pois não foi 1 dia ou 1 semana, mas nove meses de puro encanto com aquela cordialidade. Eu pegava trocado na vendinha do Mahmoud embaixo de casa para pegar o taxi, ganhava doces toda vez que ia comprar konefa em Cleopatra, às vezes não pagava o tram só por falar “la ilaha ila Allah”. O cobrador sempre descobria que eu não era de lá quando eu falava “fe faka wahda” (tem troco para 1?) e ficava admirado, já perguntava de onde eu era, porque era muçulmana, etc.
Ganhei muitos presentes todo o tempo que estava lá, seja dos meus alunos na escola, ou até mesmo das pessoas da minha rua que me viam passando todos os dias. Uma vizinha, que eu nunca vi e nem faço ideia de como seja o rosto dela, me mandou uma pulseira de prata uma vez. Diz ela que me achou bonita e que sabia que eu era uma pessoa do bem.
O Egito tem muitas belezas, nem tudo é sujo ou encardido. Ou mesmo nos lugares empoeirados, existem encantos escondidos que são impagáveis e difíceis infelizmente de se encontrar em São Paulo. Depois de um tempo no Egito, vi que eles tem conceitos diferentes no que diz a limpeza, cuidado com os filhos e beleza. No começo eu gostava de comparar – ah, mas no Brasil tal coisa é desta forma, no Egito é de outra. Aliás, até hoje faço isso, mas com as devidas proporções a cada lugar. Nunca fui nacionalista muito menos patriota ou orgulhosa de ser brasileira. Não acho que temos uma história bonita (tirando os índios que moravam aqui antes, mas pouco sabemos) do resto pouco presta ou teria algum orgulho. Acho o Brasil muito corrupto e culturalmente incerto, não temos uma moral nem valores cívicos muito fortes, até por isso a violência gerada pela falta de educação e moral familiar chegou aos níveis de hoje.
Mas nem por isso deixei de optar por viver no Brasil, onde hoje vivo muito bem e feliz, e não iria para outro lugar no momento. E por quê? Para minhas necessidades profissionais e ambições pessoais, o Brasil ainda é a melhor opção, fora que tem muitas coisas que sinto prazer aqui, como os serviços, comida e minha família. Musta também se adaptou muito bem aqui em diversos aspectos, mas continua achando absurdas outras tantas coisas. Afinal, tem povo mais contraditório que brasileiro? Eu acho que não, gostamos de falar uma coisa e fazer outra, de pregar superioridade quando na verdade somos o roto falando do rasgado. E por isso viver aqui é tão divertido também.
Musta tem memória muito melhor do que eu. Sempre quando vê algumas dessas contradições, me chama e fala. Logo na primeira semana, já contei isso no blog, fomos para Santos e nos convidaram para um “frango a passarinho”. Todo mundo meteu a mão no franguinho e estava comendo normal.
- Mas no Egito você era toda fresca e falava que era nojento botar mão na comida, aí chego aqui vcs me comem esse frango com a mão e vem me falar “mas é diferenteeee”? (é Musta, aprende que brasileiro fala muitooooo, mas na prática sempre tem suas falhas)
Aí ele escuta pessoas que foram para o Egito falando que as ruas era sujas e as pessoas não tomavam banho. Ele responde:
- Por acaso onde eu trabalho só vejo sujeira também, é perto do terminal de ônibus e vi muita coisa suja e nojenta no chão. Às vezes chego cedo, e na porta da escola temos que jogar balde de água, porque alguém até urinou na porta. Cadê a tal limpeza do Brasil que tanto falam? Achei que o Brasil todo era brilhando do jeito que falam mal do Egito. E quando vou no ônibus, tem muita gente com cheiro ruim e pés sujos, unhas pretas e um dia até um cara do meu lado ficava arrotando e ficou um cheiro podre saindo da boca dele. Os brasileiros não eram o povo mais limpo do mundo? (calma Musta, brasileiro fala muito mesmo, mas esquecem que somos todos humanos)
E lembrando do Egito, quando vejo certos comentários por aí, lembro de ver de tudo um pouco, exatamente como no Brasil, generalizar não dá. Aqui vejo coisas boas e ruins, pessoas bonitas e limpas, outras sujas e sem educação. Lembro de no trabalho só ter meninas bem vestidas, cheirosas e de unhas feitas. Sim, algumas exageravam no estilo delas, com mais brilhos do que estamos acostumados. Mas foi raro ver alguma com maquiagem muito fora do padrão ou do que às vezes vemos por aqui também. Na média, os egípcios que conheci faziam e tinham o mesmo estilo dos brasileiros, conheciam bem sobre moda, marcas e adaptavam suas roupas conforme podiam gastar. E como sou muçulmana, sempre achei as egípcias muito bem mais arrumadas, até porque não expõe o corpo de maneira inadequada, evitando cenas bizarras do cotidiano daqui, onde banhas pulam pra fora de calças cintura baixa.
Eram todas bonitas? Claro que não, assim como no Brasil também, varia muito dos lugares que você frequenta, com quem anda e também do nível de educação (não só dinheiro faz diferença, seja no Brasil ou lá, pois mal gosto não escolhe classe social). Acho que eu sempre frequentei lugares de mais nível intelectual, então nunca tive problemas com os egipcios em relação a algo do estilo visual deles me incomodar. A não ser a decoração interna, cheia de rococós, mas aqui no Brasil cada casa é de um jeito, tem uma moda aqui de pintar parede de cores extravagantes (laranja ou verde limão) com textura que é uma beleza e não faz meu gosto também. Fora os cachorros circulando e pulando nas mesas, nas pessoas, etc, e depois falam que os egípcios é que são sujos. Pra mim limpeza não é só a quantidade de banhos que se toma por dia nem o quanto se diz tomar (até porque a maioria das pessoas MENTE aqui nestes aspectos só pra se dizer mega limpa). Eu sou assumidamente bagunceira e odeio mania de limpeza. Não corro pra lavar louça nem fico ligando se tem pó não chão e tal, porque geralmente estou cansada demais pra ficar toda hora fazendo limpeza. Mas agora, pra alegria geral da galera que adora filar bóia em casa, mas vive dizendo que está uma bagunça, contratei uma faxineira (isso foi pra você, mãe
).
O que no Egito me cansou um pouco foi desse jeito “panos quentes” deles, de sempre falarem com tanta educação que se você faz alguma crítica, mesmo que gentilmente, alguns se sentem tristes. Tem muita gente assim no Brasil e eu entro dando voadora, mas aqui as pessoas entendem melhor. No Egito, até mesmo dependendo do tom da pergunta, eles acham que pode ser um ataque. Nem no Brasil personalidades como a minha é bem vista, imagina lá. Aqui também não tenho zilhões de amigos até porque é difícil me tolerar, confesso. Mas no Egito isso foi um pouco pior, pois aqui falo e dane-se, já no Egito como dependia do Mostafa e sentia necessidade de interagir com as pessoas, tinha que ficar me controlando.
Mas esse papo é muito longo… tudo partiu daquele post anterior em que algumas discussões apareceram e fui lembrando de coisas e preconceitos contra os egípcios que constantemente fui ouvindo ao longo do tempo. Acho que a experiência Egito & Brasil é única para cada pessoa, cada um pode ver outros países conforme os lugares que frequenta, as pessoas como estão. Pode até parecer fantasioso, mas o Egito que conheci era extremamente caloroso, respeitoso com outros outros credos, com mulheres bem arrumadas e homens trabalhadores, alguns buscando chance de ter sua própria renda logo cedo, como meu marido que desde os 18 trabalhava e aos 21 já era um homem casado. Outros estão partindo para outros países, muitos com contratos na Arábia Saudita em busca de um salário melhor. Fora as amizades que tive por meio da internet, não conheci nenhum egípicio do nosso meio de convívio que casou com estrangeira. E também não encontrei conformistas por lá que acham que depender dos pais é bom ou que a vida é só beber chá e sair de noite. Devo ter tido sorte, mas encontrei no Egito muitos espíritos guerreiros e gente que estudava e via o mundo, não tapava o sol com a peneira, mas nem por isso deixava de ter orgulho da sua história e do seu país.
Mas eu sou brasileira e tudo o que escrevi não é uma crítica para cá, até porque também amo o que sou e da personalidade que tenho, que dificilmente seria moldada em outro lugar, pois só no Brasil temos tanta contradição, diversão e sonhos misturados. Amo o Brasil, mas não me orgulho dele, são coisas diferentes. E amo o Egito e felizmente me orgulho de hoje ser metade de lá, pois aprendi valores muito importantes e que hoje posso replicar por aqui também com meu marido. É um sentimento todo misturado, só sou eu mesma pela criação que tive aqui e a liberdade que encontrei no Brasil, e depois de adulta pude escolher sozinha o que achei melhor para mim, ao mesmo tempo não me sinto brasileira em muitas coisas. Eu odeio música nacional, por exemplo, e pode ser desde os funks podres até Chico Buarque com suas letras mirabolantes, é um saco pra mim tudo.
Posso dizer que voltei transformada de lá. Não acho o Egito um bom lugar para se viver dentro das minhas perspectivas e do que quero para mim, mas é algo que sempre sentirei falta. Ao mesmo tempo, deixei de achar o Brasil superior só por “achar”. Hoje analiso as coisas com muito mais frieza e penso antes de ficar falando dos outros, pois vejo que as mesmas coisas ruins que vemos no Egito, encontramos de monte no Brasil. Assim como as boas, tem muita coisa aqui que me faz feliz, assim como lá. E não tenho dois países no meu coração, mas sim uma experiência de vida completa, que se formatou a partir do momento em que vivi lá e depois voltei. Alhamdo lellah, só tenho a agradecer a Deus por ter me dado tantas coisas felizes, seja lá ou cá, e ter podido escolher onde eu queria viver para ser feliz da minha maneira. Ah, e claro, ter o melhor marido do mundo (pra mim ele é, lógico, só tenho ele
), que ajuda muito nisso tudo.
Conversa de egípcio
Hoje Musta recebeu visita de um amigo egípcio aqui e estavam falando da vida no Brasil x Egito, aquela coisa de sempre que rola com os expatriados.
Eu, intrometida que sou, me meti na conversa e falei pra eles me explicarem porque os egípcio são a maioria “enrolões” na internet, que vem com aquele jeitinho tudo meigo de habiby, meu amor, casa comigo (em dois minutos), eu te amo, você é minha vida, quero o ar que você respira, bla bla bla…
- Todo homem egípcio quando fala com uma mulher vem com esse jeitinho meigo no começo. Mas depois que casa é tudo igual, não importa se é do Brasil ou do Egito. – respondeu.
- Mas porquê?
- Por que com a mulher egípcia você tem que ser assim, fica todo meigo atrás dela uns dois meses só pra ela olhar para sua cara e talvez conversar com você. – completou o amigo.
- É, lá não é fácil nem conversar, só que aqui os egípcios falam algo desse tipo e a mulher já apaixona no mesmo segundo. – explicou Musta,
- Então é muito fácil mesmo a mulher daqui. Ela logo está te mandando fotos, se mostrando na web cam. – explicaram.
Aí eu completei:
- Ah, então aí eles ficam com aquela história de que estão em casa, mas podem estar muito bem numa lan house, e a menina fica se mostrando e tem 20 carinhas atrás olhando e babando, porque a mulher de lá não faria isso.
- Exato. – responderam.
****
É isso aí, pesquisando porque tem tanto egípcio na internet e tanta mulher apaixonada por aí fazendo loucuras sem perceber a diferença cultural e o que o amor é pra gente, pode ser outra coisa para eles…. A conversa foi longe, depois conto mais.
Amor é cego, surdo, mudo
Hoje vou copiar minha amiga Cris, que comentou no blog da Nadir o seguinte:
O amor e cego, surdo, mudo, paralitico e nao sente cheiro…rs…
Brincadeiras a parte, nao acho o amor cego, acho a paixao cega, o verdadeiro amor, aquele amor equilibrado, saudavel, tem olhos de lince, pois na minha opiniao para podermos amar assim, precisamos amar em primeiro lugar a nos mesmas, amar quem admiramos, amar quem nos ama e trata bem, amar a quem mereca ser amado e retribua da mesma forma, amar para mim e uma troca, e dar e receber amor. A grande maioria dessas tantas historias que conhecemos do mundo virtual dos egipcios ja sao fadadas ao insucesso pois nao se trata de amor na maioria das vezes (por parte deles) e sim pelos interesses que ja estamos cansadas de saber,e por parte delas e um misto de deslumbramento, fantasia, ilusao, e na maioria das vezes se apaixonam por um personagem, que o cara mesmo arquitetou. Nao tem como dar certo…
Concordo 100%, e vcs?
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MUDANDO DE ASSUNTO 1
Olha este post que interessante no blog da TETE. O Ahmed, marido dela, contando das coisas que gosta no Brasil. Ele está aprendendo português e está muito legal. A melhor parte é:
7- Egito näo tem pessoas com muito feliz como aqui em Brasil
eu näo sei pq
inflezmente pessoas em Egito näo esta feliz
acho que brasileiros mais feliz pessoas em tudo mundo
sem explicacäo scentifico RSssss
um dia eu quero fazer pesquisas pra saber responder de isso coisa
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MUDANDO DE ASSUNTO 2
Estou lendo um livro que está me fazendo ficar acordada até de noite… Persépolis. Depois conto mais sobre ele, merece um post. Olha aqui a primeira página:

Diário de Halima
Hoje estou aqui para divulgar outro blog muito legal que acabou de nascer e já está prendendo minha atenção:
Diário de Halima
Deixo que ela mesmo explique sobre o que se trata:
Sou um muculmana brasileira com muita historia pra contar. Vivi na capital mais antiga do mundo, Damasco/Siria e em uma das primeiras cidades do mundo Cairo/Egito, hoje vivo na maior cidade da America Latina, Sao Paulo/Brasil. Sou casada, tenho um filho e me considero uma pessoa muito realizada em varios sentidos, pois muita coisa de que idealizei em ser um dia hoje sou. Leia mais sobre o blog e divida comigo suas opinios, criticas e ate desabafos…
Ela já participou do meu blog também, num dos posts mais legais que já fiz e muito comentado: Uma brasileira de burka
Bom, dou a dica de começarem pelo primeiro post, pois logo depois ela já conta a chegada dela na Síria, que foi uma grande aventura e vale a pena seguir em ordem!
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ps. falta menos de um mês para o Ramadan, post sobre isso em breve…
Princesas no deserto
Hoje a dica é muito importante… um blog forte, contundente, e que abre os olhos de quem tem um amor longe e não entende a dimensão que uma relação entre culturas tão diferentes pode ter.
E cada caso é um caso. Como sempre repito, ninguém pode se inspirar na minha história ou de outro casal conhecido, afinal, eu sou eu e não há ninguém igual a mim neste mundo, assim como meu marido é único, você é única.
Ou seja, cada casal é uma mistura nova, uma infinidade de opções e possibilidades. E refletir, pensar no que você quer para sua vida e seus sonhos, talvez seja um bom começo para decidir se topa se casar com alguém lá do outro lado do mundo ou não.
Então, apresento a vocês a história de uma mulher muito especial: Princesas no Deserto.
ps. Ela é uma brasileira, casada com um muçulmano e vive na Síria. Os comentários deste post estão fechados a partir de agora, quem quiser ajudá-la e conversar com ela, deve fazer isso de bom senso, pois ela está muito sensível e acredito que blogar é um ato de caridade também, compartilhar histórias e exemplos, então vamos pegar leve e quem não gostar, não precisa ler
Por que eu amo os egípcios?
Porque eles colocam a alma em tudo que fazem, há milênios…
Escute com os olhos fechados e você vai entender do que estou falando:
Relembrando o Egito
A relação com os lugares que a gente passa na vida vai mudando conforme o tempo passa. Em relação ao Egito, já fui do amor ao ódio, da saudade ao descaso. Varia, nossa vida vai acontecendo e a forma com que nos relacionamos com as coisas também pode amadurecer.
É muito diferente ir num lugar para turismo ou para viver, e se estamos em tal lugar para começar a vida, ou só pra curtir. E o mesmo que eu senti, meu marido também sente em relação ao Brasil. Tem horas que ele detesta isso aqui, outras está calmo e parece mais nativo que muitos brasileiros. Ele ainda se irrita com o fato dos brasileiros sempre apontarem defeitos nos outros lugares, mas não verem o montão de defeito que temos aqui também. (por ex., adoram falar que o Egito é sujo, mas ele vê sujeira o tempo todo em São Paulo!! eheheh)
Mas já estou fugindo do assunto, eu estava é a pensar no Egito. Temos tantas coisas e planos agora, que o Egito ficou lá pra trás nas nossas prioridades. Nem eu nem meu marido pensamos em ir lá nos próximos anos, nem mesmo a passeio, e não é por não adorar o lugar, mas simplesmente porque o mundo é muito grande pra ficar sempre indo no mesmo lugar se tivermos oportunidades!! É assim que pensamos, temos outras prioridades e sei que vai demorar muito ainda pra eu pisar no Egitão de novo.
E acho que até por ter ficado com a imagem do país como um sonho, lá atrás, e sem saber quando volto, você acaba criando uma imagem esfumaçada, as coisas que não gostava fui esquecendo, lembro só de coisas boas, até porque foi lá que conheci meu amor, nos casamos e tudo que existe de melhor na minha começou. Aliás, já falei pra vocês que meu marido é o que mais AMOOO neste mundo…
Bom, pra terminar este post doido, vou abrir minha caixa de memórias e postar umas fotos minha no Egito, espero que gostem, muitas algumas já devem ter visto.









