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Seja feliz com sua fé

Tem um assunto que hoje em dia evito entrar em discussão, pois sei que não me faz bem. Mas como o papo apareceu em no blog da Barbara, acho que vale a pena ressaltar alguns pontos.

Alguém pertencer a determinada religião não a faz de exemplo a ser seguido. Por conta disso, acho que não dá para ficar colocando o dedo na fé dos outros, nem querendo mostrar sempre, e a todo momento, o que pode ser certo ou errado. Mas entre os muçulmanos, isso é uma coisa um pouco complicada e não quero fazer um post de crítica aos irmãos, apenas relatar alguns fatos.

A maioria acha que é haram, ou seja pecado, ficar quieto e não avisar um irmão se ele está cometendo um erro. Até aí concordo, se vejo uma pessoa, por exemplo, que quer se converter mas tem fotos de biquini, eu sempre pergunto se ela realmente se sente pronta mudar, se ela acha que vai se adaptar, por aí vai. Agora se ela já é muçulmana, tem marido muçulmano, sabe o que é a religião e não tá há poucos meses nisso, quem sou eu pra ir lá e falar para ela “vc sabia que biquini é proibido, vc não deveria usar isso nem mostrar como muçulmana”? Lógico que não, né minha gente, porque ela está cansada de saber, e se erra, está consciente disso.

O problema é que muitas pessoas tem distorcido um pouco os ensinamentos, e essa coisa de ter de “falar o certo”, “ajudar o outro a ir para o caminho”, acabou-se tornando entre os muçulmanos motivo de muita fofoca e dedos apontados o tempo inteiro um para os outros. Ajudar o outro é uma arte, não é apenas sair falando. E se caso uma muçulmana fez algo errado publicamente, como numa rede social, você pode comentar ou até mesmo ir contra, porém com muita delicadeza e amor, pois o verdadeiro muçulmano não age para humilhar ou tentar se mostrar o correto ou o mais certo para os outros, ele faz isso para Deus. Por isso, às vezes uma mensagem privada, com carinho, ou mesmo um recado público, porém doce, faz muito mais efeito que simplesmente chegar mostrando como você é perfeita e o outro está errando e pecando. E não tente usar apenas hadiths para justificar seu ponto, pois hoje em dia muita gente usa isso de forma errada, pegando hadiths fracos e fora do contexto para justificar qualquer coisa.

Eu conheço muçulmanas extremamente rígidas, que seguem muito os preceitos, e que jamais me perguntaram, por exemplo, porque não uso hijab. Tanto braisleiras quanto egípcias. Eu já usei hijab, por mais de 9 meses, então obviamente elas imaginam que eu tenha algum motivo para não usá-lo, e como eu sei muito bem o que é, sua obrigatoriedade, tenho marido muslim, morei em país islâmico, inclusive sou casada nas leis muçulmanas, será que eu preciso de alguma muçulmana vindo aqui me perguntar porque eu não uso hijab, ou porque não me esforço? Acho que não, sejamos sensatas.

Uma coisa é quem está aprendendo a religião e me faz perguntas óbvias, do tipo quando eu como, como eu rezo, pois eu dou a liberdade das pessoas falarem comigo e serem sinceras, pois muitas tem medo de falar na mesquita, por exemplo, tudo que lhes vêm a cabeça. Mas elas vêem o quão imperfeita eu sou, e não minto nem preciso, pois sempre falo o que é certo, mas caso eu faça errado, eu sempre deixo claro: “eu estou fazendo errado, mas o certo é tal…”.

Sei que para muitas pessoas a conversão é um acontecimento. Quase como um nascimento de um filho, quando a mãe só passa a falar de bebês e fraldas, algumas muçulmanas também se sentem tão felizes que passam só a falar daquilo e respirar o Islam. Então acontece de pessoas que precisam anunciar cada livro que lêem, cada oração que vão fazer, precisam botar foto delas rezando, como se fosse prova de algo, alguma justificativa. Eu já passei dessa fase (não que tivesse feito alguma destas coisas), mas não preciso disso para me sentir bem em uma comunidade islâmica, pois sei que minha relação com Deus é particular e só ele precisa saber das coisas boas que eu faço. Teria muito para me mostrar e dizer como sou boa, mas não faço, nem preciso disso, pois minha consciência é muito tranquila, e por mais que de vez em quando alguém possa aparecer por aqui e dizer que estou falhando, o quanto sou ruim, prefiro me calar e sorrir com meu coração, pois é Deus quem me conhece e o que faço.

E este post, apesar de parecer apenas crítico, é mais um alerta a todas as pessoas, de todas as religiões, pois isso acontece em todos os credos. A humildade, o amor a Deus e a misericórdia são invisíveis, porém são sentidas profundamente por quem é tocado por estes sentimentos. Pense nisso e será mais feliz, sem precisar da aprovação dos outros ou de um grupo.

Novela O Clone : mito ou verdade? parte I

Gente, não estou vendo a novela, mas estão me contando o que se passa, então como em outros blogs, vou fazer uma série (só que simplificada e tentando ser leve) >> Novela O Clone: mito ou verdade?

- A Jade não pode ir na balada, porque tem bebida e gente se beijando.

Verdade: Os muçulmanos não podem ingerir bebida alcóolica (porque na religião tudo que faz mal é cortado pela raiz, como drogas, cigarro e entorpecentes em geral – incluso esses narguilé da vida não pode também) nem deveriam namorar ou ter contato íntimo com pessoas do sexo oposto antes de se casar. Numa balada, geralmente as intenções são justamente essas, então é lógico que uma família muçulmana vai desaconselhar isso mesmo.

- Vi o tio Ali hoje com três mulheres, todas com aquele pano preto na cabeça, e cada um com um filho no colo, é assim mesmo com os muçulmanos?

Mentira: Olha, o homem muçulmano tem que sustentar a casa e todas as esposas (pode ter no máximo quatro) de forma igualitária. Ou seja, o cara teria que ser muito rico e milinário para sair casando adoidado e tendo filho desse jeito. Claro que está fantasiado, porque a maioria das mulheres árabes, pelo menos de classe média pra cima, hoje em dia não aceita isso não, fora que o custo de vida em vários países é bem alto pra se pensar numa coisa dessas. Para ficar mais claro, no Islam o casamento com mais de uma mulher era permitido na época do profeta por uma série de motivos, como alto número de viúvas, mulheres sem pais e sozinhas por conta das guerras e questões daquela época. Hoje em dia – agora é minha opinião – os homens não tem justificativa nenhum para arrumar mais de uma mulher, pois os relacionamentos são bem mais abertos, em países como o Egito o divórcio já é praticado mais abertamente e os noivos se conhecem sim antes de casar.

- Não sei quem morreu na novela, e eles embrulharam o corpo num pano branco e disseram que era proibido chorar.

Verdade: nos rituais islâmicos para cuidar do morto, o mesmo deve ser envolto em tecido e o corpo não fica exposto, como é comum aqui no ocidente. No Islã, aprende-se que não se deve chorar por um morto mais de 3 dias, pois a morte faz parte do ciclo da vida e você tem que seguir em frente. Isso não significa esquecer a pessoa ou a tristeza, mas é algo que te ajuda a pensar em continuar sua vida, traçar novos planos e pensar no seu futuro, e de certa forma encarar a morte com mais facilidade. Conheço muçulmanas, porém, que mesmo após anos de morte de entes queridos ou viuvez, não abandonaram o luto, pois não é algo fácil.

- Depois da noite de núpcias, tem que mostrar lençol com sangue?

Mentira: Se tem alguma família que tem esse costume bizarro, eu não conheci no Egito não. Mas se você casa no religioso, eles perguntam se é ou não é. E eu vi casos não de lençol, mas de filho que ligava pra mãe depois do “ato” pra dizer que tinha dado tudo certo (é comédia, mas é real!!!)

ps. meus posts são focados no Egito, porque é o que conheço!!

 

Novela o clone

Já que tá todo mundo falando dessa novela e algumas polêmicas podem surgir por aí, eu só vou deixar algumas considerações:

- Eu não lembro dessa novela falando da parte árabe e muçulmanos, na verdade não lembro nadinha desse negócio de Jade dançando com cobrinha pro namorado, a única parte que eu lembro mesmo era da menina drogada, alguém lembra disso também? ahahah

- Não vou assistir a novela, porque o horário não bate com meus momentos de folgas, mas adoraria fazer um live blogging das bizarrices que aparecem (tipo mulher de véu e decotão ao mesmo tempo), mas acredito que a novela deva ter tido algo de positivo sobre os muçulmanos. Ou não? (não lembro mesmo!!)

- Olha, eu já conheci muito muçulmano na minha vida (afinal morei um tempo no Egito né) e não conheci nenhum que tivesse mais de uma esposa. Seria eu uma perdida que não se tocava das coisas? Lembro que essa novela falava disso, mas no Egito esse negócio de casar com várias não rola muito não ( e ai do meu habibi se um dia me vem um papo desses, vira feijoada ahahaha)

- Ah, a expressão que vi na propaganda da menininha pentelha ishalá, ela fala de forma irritante e errada. É  insha Allah e significa se Deus quiser. E acho que as pessoas não deveriam fazer piadas com nome de Deus (se vc não ouviu, eu já ouvi um trocadilho bem sujo com essa expressão)

- E por último, Marrocos fica na África viu, perto da Espanha, mas isso não significa que dá pra ir e voltar de lá como quem desce pra Santos no final de semana. Nem vôo direto tem pra lá, então essa novela viaja um pouco com a facilidade dos transportes aéreos.

- Ah lembrei. Nunca conheci muçulmana que coloca essas roupitchas sexy para dançar pro marido, muito menos com cobra ou sei lá o que. Acho que o marido ia é cair na gargalhada com uma visão dessas!!!

-Por fim, novela é novela. Tem partes divertidas, algumas educativas e um montão de besteira que é bom relevar. Quem pensa e estuda um pouquinho sabe separar o joio do trigo. E quem acha que o mundo muçulmano é igualzinho o do Clone e que basta ver novela pra se achar conhecedor dos costumes árabes e islâmicos, que “vá queimar no mármore do inferno!!!” :-D

Leiam mais opiniões de muçulmana sobre a novela em:

http://www.barbarasaleh.com/2011/01/10/gerando-polemica-o-clone/

http://www.amulhernoislam.com/2011/01/ixala-eu-nao-sou-jade.html (Este post foi excluído pq já deu rolo com a Gloria Perez (abafa o caso) , mas tem uma cópia dele aqui http://amulhereoislam.wordpress.com/2011/01/10/o-clone-e-o-islam-2/ (este blog apesar do mesmo nome, é de outra pessoa – não confundam- , mas o post está copiado nele e pertence mesmo ao blog www.amulhernoislam.com )

ps. lembrei de outro ponto positivo dessa novela voltar: vão parar de perguntar sobre os hindus no Egito (ãhn?) e se no Egito eu falava “are baba” (dã) e se no Egito era igual a novela das índias (mapa mundial, pleaseeee)

Dividir a vida pode ser para sempre

Casamento. Palavrinha mágica que mesmo nos dias de hoje, - quando juntar não é mais problema, onde namorar é fácil e ficar junto pode ser apenas por uma noite - ainda nos remete a sentimentos bons e de tranquilidade. Inclusive saiu uma pesquisa semana passada, dizendo que os casais de papel passado se sentem mais felizes, pela estabilidade que a situação proporciona.

Pois bem, casar hoje continua a mesma coisa que nossos pais e avós faziam anos atrás. Muitas mulheres ainda aguardam este dia como um dos mais importantes da sua vida, planejam festa, vestido branco, pensam na decoração da casa, começam a calcular em quanto tempo querem ter filhos e por aí vai. Mas passada a animação pelo acontecimento, o charme de ser a noiva, o centro das atenções, quantos casais não começam a se despedaçar e entrar uma rotina enfadonha mal saídos da lua de mel?

Eu felizmente não conheço muita gente divorciada, minha família direta (pais e avós) sempre viveram juntos e com eles aprendi uma das lições mais importantes (seja eles pondo em prática ou brigando absurdos pela falta deste conhecimento): casamento tem de ser vivido no dia a dia. Para mim, isso signfica que não importa quanto tempo estejamos juntos, quantas coisas boas ou ruins passamos, o que vale é aquele dia, a dedicação que temos um ao outro sempre, não importa se é domingo ou uma segunda-feira cansativa depois de hora de trabalho e trânsito. Temos que lembrar de receber quem amamos com um sorriso, aprender a curtir momentos felizes a dois, mesmo que seja cozinhando macarrão com ovo.

Semana passada eu completei 4 anos de casadas (para quem não viu meu marcado ali do lado do blog) e nem parei para pensar muito na ocasião. Fizemos basicamente o que sempre fizemos, saímos para lugares que gostamos, pegamos um cineminha, ficamos em casa com nossas coisas que gostamos. No dia seguinte, por incrível que pareça, fizemos o que? A mesma coisa (tirando o cinema, porque não tinha mais nada de bom pra ver)… ehehe Para nós não é preciso um dia ou uma data pra ganhar tal presente ou fazer tal coisa especial para celebrar. Pois ter essa cumplicidade no dia a dia, a alegria de estar junto no cotidiano, é o que faz a vida valer a pena. Você não deve viver para colecionar alguns momentos felizes e passar o resto do tempo planejando algo especial só para ter o que fazer em algum dia específico. O casamento para dar certo, na minha opinião, tem que ser construído todos os dias, todas as horas e momentos juntos, senão ele se torna um fardo pesado demais. Pois ninguém quer se cansar do outro ou chegar ao ponto de cansar de ver aquela pessoa ao seu lado.

Em algumas situações, os casais passam ainda a guardar em uma lista imaginária tudo que fizeram pelo outro, e vice versa, e esse tipo de pensamento surge sempre nos momentos de discussão, quando um joga na cara do outro o que se sacrificou e a briga tende a tomar proporções perigosas. No meu caso, que me casei com uma pessoa de outro país, jogar esse tipo de coisa na cara do outro é o pior caminho, pois ambos ganharam e perderam muito em suas vidas, ambos mudaram demais e cederam também, e não dá pra colocar numa balança quem fez mais. Jamais posso comparar minha ida ao Egito por nove meses, com esses três anos que ele está por aqui. Quem perdeu mais, quem ganhou mais? Difícil, pois as experiências são coisas imensuráveis, assim como a dor de ver a mãe dele longe, ou quando eu estava lá, de ter deixado minha carreira de lado por um tempo. É tudo muito pessoal, incalculável. Mas não nos perdemos jamais neste tipo de discussão, pois elas só levam ao mesmo lugar: a falta de amor. Pelo contrário, só buscamos somar estas experiências de vidas tão ricas que tivemos, e por isso acredito que somos serenos até hoje.

E sim, a vida não é perfeito, há muito o que se fazer e lutar. Mas nada disso é grande o suficiente para nos abalar ou estremecer a união que criamos. E, do alto da minha “grandíssima” experiência de casada, aconselho a todos que estão para se casar, ou estão juntos e brigando, a parar para pensar um pouco nisto que escrevi, pois é algo que me traz muita felicidade e gostaria de compartilhar com vocês. :-)

As recompensas de se ter um blog

Quando recebo uma mensagem destas, como a da leitora Joyce, vejo que isso aqui continua valendo muito a pena:

 

“Marina, eu queria te agradecer, pela indicação da mesquita do Pari, já estou frequentando há mais de um mês, fui muito bem recebida , obrigada mais uma vez pela indicação, foi muito importante pra mim,  obrigada.

Eu já estava pesquisando há mais de um ano entao tudo foi bem pensando, porque eu levo isso muito a sério  e estou muito feliz com a minha decisão e voce tem uma parcela, pq lendo seus post eu me encorajei a ir em uma mesquita.

Voce nao tem ideia de onde o seu blog chega o que os seus post alcançam. E eu sou muito grata por vc dividir um pouco da sua vida com os seus leitores e muitos deles me ajudaram, me vi em muitas situações ali, pode ter certeza que o saldo final será positivo pra você e pra nós que adoramos o seu blog.

Voce é uma amiga pra seus leitores, voce é tao generosa quando divide um pedaço da sua vida, da sua intimidade com a gente e sempre de uma forma tão delicada e acolhedora , que mesmo sem contato fisico nos sentimos proximos , é bom quando chega um e-mail avisando de um novo post. Marina você é muito especial, tenho certeza que até mesmo pros leitores que nao se manisfestam voce é especial.

E com a sua inteligencia e habilidade você mostra que o Islam é amor e que a falta de informação é o que gera o preconceito, sem contar na sua força e na sua coragem e ir para o Egito buscar a sua felicidade , construir a sua família, sao tantas coisas que você divide é bom saber que existem pessoas como você que mesmo sem saber nos ajudam.

Marina, você muitas vezes é mais proxima do que um amigo que está ao lado. Você permite isso quando em seu blog nos convida para entrar na sua vida, sempre de portas abertas o minimo que posso fazer é agredecer Marina, quantas noites em meio a duvidas, confusões e situações na minha vida eu abri o pc e lia um post e ali naquelas palavras eu me encontrava, me orientava, ria com as semelhanças , me encontrava ali não mais sozinha mas com muitas pessoas que passam pelas mesmas coisas e sem egoísmo ali depositava uma ajuda voluntária. Você é uma abençoada e foi muito feliz quando resolveu criar o seu blog! Continue nele Marina, mais leitores vão ali entrar e ficar.”

Muito obrigada Joyce, pelo tempo de me dizer tudo isso, pois às vezes não sei até que ponto o que faço por aqui é válido ou está sendo realmente bom para meus leitores. Você renovou minhas energias e espero fazer um blog melhor ano que vem, com mais posts e coisas interessantes!

E deixo aqui um grande obrigada a todos os leitores que estiveram por aqui mais esse ano! Em 2011, que venham mais bate-papos e discussões :-)

beijos

 

O quinto aniversário

Segundo o Musta, este é meu quinto aniversário que comemoramos juntos. Insisti que eram quatro, já que em presença física foi só a partir de 2007. Mas ele fala que o de 2006, quando ainda éramos quase que estranhos conversando pela internet – mas já com planos malucos de casamento – também entra na conta.

Lembro que no aniversário de 2006 eu estava naquele mar de perdição, era ramadan, eu descobria tantas coisa ao mesmo tempo. Em pleno aniversário de 23 anos, uma adulta completa já, com direito a diploma de formada, trabalho e responsabilidades, eu descobria que, na verdade, eu não sabia quem eu era e se havia me tornado a mulher que sempre imaginei que seria. E até mesmo quem me conhecia desde bebê, como meus pais, também se confrontavam com essa dura verdade: quem seria Marina, o que estaria acontecendo com ela?

Oscilava meus momentos de humor ácido, força de expressão e tagarelice, com dias cada vez mais quietos e escondidos na frente de um computador, ou trabalhando mais de 20 horas por dia. Chegava a sair 2 horas da manhã de um pescoção (*gíria de redação para o fechamento do jornal da sexta), coisa que nunca tinha feito. Trabalhava duro, mas depois ficava lá, sem vontade de ir para casa. Só no computador, pensando, buscando coisas.

O sono, sempre profundo e que de domingo ia até depois do meio, tornou se ralo e chato. Teve uma noite, lembro até hoje, que parei de conversar com Mostafa 5 horas da manhã. Dormi até às 6h30 e já estava disposta para a aula de ginástica e depois trabalho. Virei zumbi em nome desta mudança, com certeza eu não estava normal e hoje reconheço isso mais do que nunca.

As pessoas próximas sabiam que algo de muito estranho acontecia comigo, mas eu não conseguia dizer o que era, nem elas podiam ter ideia. Achava melhor esconder ao máximo meus planos do que correr o risco de me expor e dar tudo errado depois. Mas minha mãe sempre soube de tudo, como sempre, mesmo sem falar, ela sabia que algo muito difícil estava por vir.

Ah, as perguntas sobre o que havia comigo… levaria dias e anos de estudos interior e psicanálise para descobrir porque, aos 23 anos, deixei muito do que eu era para trás em busca de algo totalmente novo. Talvez já fosse esperado que um dia isso aconteceria, desde os tempos em que eu era nova minha mãe, principalmente, sabia que eu era propensa a loucuras sem fundamento.

Mas hoje nós duas sabemos que não se trata de doença mental ou propriamente de loucura. É a lagarta que um dia sai do casulo, o espírito aventureiro que desperta um dia sem rumo, o amadurecimento que chega sem ser notado. É o jovem que, pouco a pouco, tem de deixar desejos e colocar em prática o que sonha para ser feliz. Algumas pessoas se contentam com o certo, provável, conhecido. Eu não, sempre gostei das alturas, de cair de braços abertos para o mundo, de subir em muros e entrar em passagens proibidas. E, mais cedo ou mais tarde, naquele aniversário de 23 anos, o traço mais difícil da minha personalidade pedia para ser libertado.

E foi…

Mas o que aconteceu comigo naquele aniversário de 2006, o primeiro com o Musta, tinha uma explicação. E eu hoje entendo bem tudo que se passou. Acredito que parte de vocês também. Muitas das que me lêem, já viveram isso. É uma inquietação, misturada com sonhos, paixão, amor e fé, junto a uma boa dose de coragem para mudar. Porque mudanças nunca são fáceis. O ser humano, naturalmente, está confortável com o que é, se sente melhor com a estabilidade e sem surpresas. Para mudar, é preciso dor,  é preciso ser radical, é preciso partir para uma batalha sem anestesia. Fazer o que fiz não me torna melhor ou pior do que ninguém, simplesmente porque faz parte do que eu sou, do que eu precisava para ser completa. Sem minha história com Musta, eu nunca seria quem eu sempre quis ser.

E toda aquela mudança, apesar de parecer tão radical, na verdade não transformou quem eu sou. Partes de Marina pareciam em mutação, algumas adormeceram por certos meses, mas toda a experiência que vivi a partir destes 23 anos só serviram para reafirmar quem eu sou e o que busco na minha vida.

Agora, cinco anos depois, vejo que continuo a mesma pessoa daqueles cinco anos atrás. Com certa bagagem para não repetir as besteiras, mas com o mesmo humor e otimismo que sempre carreguei.

E aquela frase “ninguém muda por ninguém” continua sendo a mais pura verdade.  Apesar dos quilômetros que viajei – seja física ou espiritualmente – Marina é a mesmíssima de 2006. Hoje minha mãe sabe, apesar do susto daquele ano, que ninguém fez lavagem cerebral em mim ou que passava por algum transtorno emocional. Foi só mesmo o mosquitinho da inquietude da alma que me picou. E eu tratei de ir atrás da cura.

 

Essa é a mistura do Brasil com o Egito…

Calma, não é a música do tcham não… :-D

O post é para comemorar uma coisa muito linda que acontece, mais cedo ou mais tarde, na vida de todo casal. Os filhos!! Não, ainda não chegou a minha vez, mas já tenho uma terceira amiga brasileira casada com egípcio que está gravidinhaaaaaaaa!!!!

Eba!! Já são três bebezinhos Brasil&Egito e com certeza existem muitos outros por aí, pra povoar nosso mundão com essa mistura tão boa que formamos :-D Ah, e sem esquecer o Kassem, da Barbrinha, que apesar dos pais brasileiros, foi fabricado no Egito, então contando com ele são quatro! ehehe Opa, tem o da Halima também, pais brasileirso mas nascido no Egitão, então conto cinco, vai ;-D

Acho que educar os filhos dentro da diversidade cultural que estes dois países proporcionam é muito bom. Aproveitar de cada lado do oceano o que há de melhor, a dedicação à família dos egípcios, a força de vontade dos brasileiros, e por aí vai. Eu enxergo tantas coisas boas no Brasil e no Egito, que ainda sonho com alguma máquina que me teletransporte para lá e para cá a todo momento… E esse bebês só são um reflexo disso tudo. Que venham com muito amor, alegria, carinho dos papais egipcios e das mamães brasileirinhas!!!

E parabéns pra duas amigas que fazem parte da minha vida e estão grávidas neste momento, de pais egipcios, que tenham muita saúde e seus bebês cheguem como uma benção para suas famílias!!

Top posts de todos os tempos

Inspirada na Halima hoje (aliás, um post com ela é um dos meus top posts ehehe), resolvi botar no ar uma lista atualizada dos posts mais famosos deste blog, desde que foi criado. Aparecem muitas coisas curiosas ainda no motor de busca, algumas que nem posso colocar aqui! ahahaha

Então, para quem quer saber o que faz sucesso, dê uma olhada:

Página Principal
Roupas muçulmanas no Egito
Twittando – como usar o twitter?
sobre nós
Visto para estrangeiro no Brasil
+ sobre o site
Alguém já fez carta convite?
Ramadã 2009 está chegando
Homens egípcios (ou indianos, ou qualque
Transporte no Egito
Filmes para refletir sobre Islã, muçulma
O clima no Egito
Uma brasileira de burka (niqab, na verda
Depilação no Egito
Blomia Tropicalis
A conversão para o Islã
Mulher apaixonada perde R$ 40 mil para n

Preguiça no jantar

Chegamos em casa cansados, depois de um dia de trabalho.

- Ai que vontade de comer frango. – diz Musta.

- Não tem frango habiby.

- Ah, mas no final de semana eu quero um frango que tem no Egito. Primeiro você cozinha ele inteiro com cebola e temperos, depois frita no óleo e fica ótimo.

- Tá louco Musta? Você acha que vou fritar um frango inteiro como? Fora o trabalho de cozinhar, depois não sei o que… aff não.

- Tá bom, então eu quero macarrão bolonhesa com carne hoje.

- …. – meu silêncio, que quer dizer não estou afim de cozinhar mil coisas de noite.

- Se você não quiser eu faço. – falou Musta.

- Ah não, não tô afim de lavar louça depois e sem contar que nem estou com vontade disso, não podemos passar na padaria e pegar uns pãezinhos só?

-…. – Musta faz cara de triste e desolado.

Em casa, eu invento qualquer coisa pra comer na hora, faço um omelete rapidinho com vagem e cenoura para mim. Musta não quer e está emburrado.

- Eu quero janta!

- Mas come qualquer coisa, tem pão, ovos, queijo… senão faz comida pra você.

Ele ri com cara de quem não se conforma.

- Que foi habiby? Que cara é essa de cachorro sem dono?

- É que eu te juro que jamais acreditei que fosse me casar com uma mulher que não faz o que eu mando. – falou.

HAHAHAHAHAAHAHAA eu quase morri de tanto rir.

- Quem mandou casar com brasileira, se ferrou!!!

- Tô vendo!!! – e fez essa cara ->  :-( e ficou sem janta.

***

Até meu marido, que considero o anjo, confessa que na cultura dele o maridão é que manda neste tipo de coisa… então, para quem tem um amore das arábias, veja o quão flexível ele é, senão conversas divertidas como a minha virariam uma briga das feias! Aliás, pensando bem, tá cheio de homem brasileiro assim também, é que eles não falam na cara, mas quem nunca viu um homem da família sentar na mesa e reclamar da comida da esposa?? Eu já vi váriassssssssssssss!

Para ficar com vontade de ir para o Egito

Essa é a propaganda oficial do ministério do Egito sobre o turismo no país. É muito bem feito, você fica com vontade de fazer as malas agora mesmo, fora que mostra diversos tipos de atração, seja para quem gosta de lugares históricos, cultura, praia ou só sossego. Claro, se você tem muita grana, pode ir em algum dos hotéis chiquérrimos que mostram.

O vídeo tem uma maquiagenzinha, óbvio, estilo Rio de Janeiro na apresentação das Olimpíadas, lembram, onde até favelas pareciam locais maravilhosos ehehe (por exemplo as três meninas de vestidinhos correndo e rindo na praia de Alexandria definitivamente não rola na vida real ahahaha) Mas acho que é válido, o Egito tem mesmo lugares fantásticos e na minha opinião, para turismo, não existe país no mundo que reúna tanta coisa linda para se fazer. Isso que nem mostraram o outro lado do país, com Siwa e Matrouh, que são menos desenvolvidas para o turismo estrangeiro.
Espero que gostem e viagem com essas imagens… (O vídeo está separado em três partes, não consegui achar uma versão inteira junta no youtube)

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