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Quer impressionar um egípcio?
Leve-o para ver muito verde:

Rio Grande do Sul
Mar com montanhas ao fundo? Ele vai ficar encantado:

São Vicente - SP
Fora isso, um rodízio com muita picanha e padaria com pão de queijo são um sucesso!
ps. Eu voltei
Amizades reais x virtuais
Para quem pediu e quem gosta de ler: já está disponível o novo capítulo da história que estou contando para vocês!!!!
Corram lá: Amor no Egito
obs. para quem não entendeu, esta história não é fiel ao que aconteceu comigo, é fictícia… mas os sentimentos são verdadeiros e tenho certeza de que muitas vão se identificar em diversas partes. Aos poucos, estou contando a história de cada uma que, como eu, se aventurou neste tipo de amor.
Cenário de novela
Vocês já viram alguma novela da Globo e tiveram aquela impressão que era tudo falso demais, aqueles casarões, luxo todo como se o Brasil fosse primeiro mundo? Eu sempre achei aquilo tudo uma falta de nexo total com a realidade, até mudar de bairro em São Paulo.
Antes eu morava na zona norte e para qualquer coisa pegava ônibus lotado, metrô, na saída de qualquer estação tinham os típicos churrasquinhos de gato ou churros a um real. Sujeira nas ruas, gente destrambelhada correndo para não perder o ônibus, empurra e empurra dentro das composições lotadas. Ou seja, vida de terceiro mundo.
Quando eu me mudei para a zona oeste, eu passei a ir a pé para o trabalho. E os 900 metros que separam minha casa do meu trabalho são justamente num bairro de alto padrão da capital. No começo achava tudo muito estranho, aquelas casas sempre fechadas por alto portões, para mim parecia tudo vazio. Mas aos poucos, passando por ali todos os dias, comecei a ver a dinâmica dos ricos. Contei inúmeras vezes que vi empregadas saindo para receber algo na rua ou varrer a frente vestindo aqueles uniformes de novela, com aquelas saias e avental, adereço na cabeça e sapatinho branco. Confesso que deu vontade de rir, parecia uma mulher fantasiada de “empregada de novela”, porque nunca tinha visto aquilo na vida. Mas era real, era realmente a empregada da casa.
Antes também eu não tinha muita noção das estações do ano em São Paulo. Porque na periferia onde eu passava, por alguma decisão burra as pessoas sempre cortam as árvores e tudo é muito sem plantas e vida. Já neste bairro por onde passo, não se passam 3 metros sem uma nova árvore plantada, todas as casas tem belos jardins e eu vi cada flor por aqui que não sabia que existia em São Paulo. Agora que a primavera está chegando, todas estão desabrochando e elas têm perfume! Caminhar por aqui é sentir um aroma doce e ver coisas belas atrás de cada portão.
Além disso, neste lugar ninguém tem carros que para mim já seriam o máximo, tipo Gol ou Palio… eheheeh Só tem LandRover, BMW, de Civic para cima. Muitos tem uma placa azul, porque acho que várias destas casas aqui são ocupadas por diplomatas.
Tem uma casa do lado do meu trabalho que parece mansão de filme, com colunas brancas pomposas na entrada, e o resto misturando o branco com tijolos a mostra. No quintal, dá pra ver que existem diversas árvores com frutas. Mas está completamente abandonada, suja e com mato crescendo até nas janelas. Perguntei para o guardinha da rua porque ninguém morava naquela casa. Ele me disse que era disputa por herança, algo assim. Problema de rico, meu bem!
Bom, só escrevi isso para dizer que, para quem sente que as novelas mostram um mundo que não existe e fora da realidade do Brasil, você está enganado. A gente só não mora neste mundo “exclusivo”… eheheh
obs. Eu não moro nestas casas que citei não, só passo por elas… se é que não ficou claro!
Casamento no Egito
Existem muitas brasileiras que estão partindo para casamentos no exterior. Não só para o Egito, mas muitos outros países. Tenho amigas casadas com americanos, espanhóis. Tem gente até se envolvendo com paquistanês. E claro, conheço muitas envolvidas com egípcios.
Um casamento com alguém de outro país é algo que pode dar muito certo, e me considero uma prova disso. Mas todo cuidado é sempre necessário, seja na vida real ou virtual, quando o assunto é casamento e partir para viver em outro lugar, temos de ser frias e calculistas em diversos pontos.
Por exemplo, apesar de conhecer diversos casais de brasileiras com egípcios que se deram bem, a maioria com quem cruzei na internet ou algum dia encontrei na mesma situação, acabaram tendo diversos problemas e boa parte já estão separados. Quase que sempre, faltou muita informação e transparência dos dois lados, e um casamento preparado à distância que se revela um fracasso na vida real é sinônimo de que algumas coisas não foram bem cuidadas.
Eu posso falar sobre casamentos no Egito e sobre o que vi e vivi lá. Já encontrei diversas meninas me pedindo ajuda e orientação e a grande maioria caía em erros básicos. Quanto tentava alertá-las, a maioria ficou chateada comigo e acabei por desfazer a amizade. Deixo aqui, alguns alertas para quem quer casar no Egito:
- Mesmo online, a família dele precisa estar ciente do envolvimento de vocês. Lá não existe essa de casar escondido, sem conhecimento de ninguém. Se ele for muçulmano, é uma tradição islâmica que se faça uma festa, mesmo que seja em casa, porque o casamento é algo que deve ser público.
- As noivas egípcias exigem diversas coisas na hora de casar: ouro, apartamento, mobília, etc. Ou seja, não seja boba e arque com todos os custos sozinha. Exija, não é feio pedir nem ordenar que algumas coisas sejam preparadas de forma decente, como o local que vocês vão morar. Se ele tiver condições, exija que ele também pague suas passagens e todos os gastos. Mulher que dá demais, é pouquíssimo valorizada. Sei que a situação de muitos egípcios é difícil, mas o mínimo que eles precisam oferecer é uma boa recepção na casa deles – com os pais e familiares.
- Grande parte das mulheres egípcias trabalha. Se ele vier com este papo de que quer te manter em casa, tenha certeza das condições dele e da personalidade. Geralmente só pessoas muito tradicionalistas fazem este tipo de exigência hoje em dia, e o mercado de trabalho lá está bem aberto para as mulheres, ainda mais se for estrangeira e falar bem inglês.
- Qualquer contato íntimo antes do casamento é sinal de que ele, provavelmente, não está te tratando como trataria uma noiva egípcia. Estrangeira, muitas vezes, são vistas lá como alvos fáceis e muitos se aproveitam desta condição, sem no fim quererem realmente um casamento. Para ocidentais, beijar e abraçar é sinal de afeto e amor, mas para eles pode ser sinal de que você pode ser usada.
- No Egito, existe um casamento temporário chamado Orfi. Ele é válido legalmente, mas não te dá direitos nenhum. Só o utilize em casos muito específicos, para ter liberdade de andar com a pessoa livremente sem problemas. Mas viver como casado usando o Orfi não é recomendado, pois é algo mal visto pela sociedade.
- O casamento para ter validade, tem de ser registrado no fórum e ter o selo do Ministério das Relações Exteriores. Como tudo é em árabe, no começo você fica um pouco perdida. Mas atenção: se seu casamento for feito apenas com um advogado, é apenas casamento temporário. Os oficiais são feitos em departamentos do governo. Mesmo as mulheres muçulmanas estrangeiras não são autorizadas a se casarem legalmente nas mesquitas. Se você quiser se casar como muçulmana, terá que ir até Azhar e fazer uma nova shahada com o sheik de lá, que te dará o papel oficial. Tudo tem que passar pelo governo.
- Conheça bem o bairro onde você vai morar e tenha certeza se aguenta o tranco. Diversos locais do Egito são bem diferentes do Brasil, com menos recursos e serviços. Veja no Google Earth exatamente onde será sua casa, tenha certeza e cheque tudo muito bem para evitar muitas surpresas. Pelas fotos de satélite já dá pra ter idéia se você está indo para uma típica favela egípcia (risos). Também busquem pessoas que conheçam o Egito e se informem sobre aquele bairro.
Agora, uma história de uma brasileira que se casou no Egito:
* Os nomes reais foram trocados.
O telefone tocou e mama foi correndo, naquele corredor cujos azulejos soltos faziam um barulho abafado a cada passo. Não lembro a cor do chão, pois ficava coberto com uma passadeira comprida e marrom, com as bordas todas poídas. Sempre tinha pó ali e algumas migalhas de pão ou qualquer coisa, porque não tínhamos aspirador de pó. Mas como toda casa egípcia – com bons eletrodomésticos ou não – tínhamos vários carpetes, cobrindo todo pedacinho de chão que fosse.
Mama atendeu e me chamou, era uma brasileira. Como eu nunca recebia ligações, fiquei feliz. Do outro lado da linha, uma voz triste disse “Alô” e desabou a chorar. Era Paula, uma carioca que morava no Egito há 11 meses e que eu tinha encontrado uma vez logo que cheguei ao Egito.
- Marina, posso ir para sua casa? Eu não agüento mais, vou embora para o Brasil, meu pai vai pagar a passagem, mas preciso de um lugar para ficar hoje! – dizia chorando.
Aceitei, claro. Eu só a tinha visto uma vez, mas senti que realmente precisava de ajuda. Uma hora depois, ela chegou com toda sua bagagem. Fez o marido, chamado Ahmed, carregar duas malas de cerca de 30 quilos para meu apartamento. Tarefa difícil, já que nós morávamos no quinto andar e o prédio não tinha elevador. O marido dela veio ofegando pelas escadarias encardidas, sofrendo a cada passo com tanto peso nas costas. Estava com o cabelo arrumado, cheio de gel. Atrás dele, vinha todo de preto uma mulher com poucos dentes, com uma expressão tão triste e lágrimas rolando pelas bochechas morenas. Seus olhos estavam baixos, as mãos fechadas.
Todos entraram, Mostafa puxou conversa e começou a gritaria. Ahmed e a mulher, que depois descobri ser a mãe dele, afirmavam categoricamente que tinham feito tudo por aquela estrangeira, dado tudo de bom, e ela só os tratava mal. Paula, por sua vez, se debulhava em lágrimas e começava a exemplificar o show de horrores em que vivia.
Contou que ao conhecer Ahmed na internet, ele havia passado fotos da cidade de Hurgada, onde ele dizia morar e ter um bom emprego. Hurgada é uma espécie de caribe no mar Vermelho, com hotéis lindíssimos e gente balada em todas as calçadas. Poucos egípcio vivem ali, pois aquela é uma terra para turistas de fora que pouco lembram as ruas encardidas de Cairo ou Alexandria. Ao chegar no Egito, Paula pensava estar indo para um paraíso, onde viveria num lugar chique e passaria tardes debaixo de um coqueiro com seu Faraó e uma vista esplendida. Ao aterrissar, porém, descobriu que o aeroporto nem mesmo saguão tinha. Foi logo cuspida para uma rua atulhada de gente, muitos acenos, mulheres com roupas pesadas e homens fumando sem parar. Ficou atônita, estaria no lugar certo? Ahmed então acenou, e finalmente se reconheceram no meio da multidão. Dali, partiram para a casa dele, que ao invés de ficar em frente ao azul do mar, ficava bem distante de qualquer beleza, mas sim em Kafr Dowar, longe até mesmo da linha litorânea de Alexandria. As casas não lembravam nada do que tinha visto em fotos. Kafr Dowar é como os típicos bairros egípcios longes do centro comercial, habitado por fazendeiros e gente muito simples. São locais apinhados de prédios de 5 ou 6 andares, um colado no outro e praticamente sem nenhum planejamento. A maioria não tem pintura alguma, o reboco geralmente está sempre caindo aos pedaços e animais como galinhas, carneiros e vacas circulam livremente pelas ruas de terra. Também não há coleta de lixo, o saneamento é precário e, quando chove, uma lama acinzentada e fétida se forma, deixando um cheiro tão horrível que Paula mal saía de casa quando o tempo estava ruim.
Ela também me contou que a geladeira na casa onde ficou instalada era trancada com um cadeado. Ela não podia consumir nada que não fosse lhe oferecido. Também precisava dormir com a porta aberta, pois dentro do seu quarto ficava um armário com a dispensa e os outros 6 moradores da casa constantemente precisavam ir até lá para buscar algo. Com isso, ela nunca tinha vivido como casada, não tinha privacidade e se sentia como uma intrusa naquele local. Mesmo assim, ela falava de amor, e quanto tinha agüentado aquela situação e pobreza para ficar com seu amado. Casou mesmo sabendo onde ficaria morando, e depois ficou chorando meses a fio sem saber o que fazer. Tinha medo do julgamento da família, que tinha a aconselhado não fazer esta loucura. Tinha medo de nunca mais ter uma pessoa para chamar de seu marido.
Ela chegou em minha casa naquele dia com manchas vermelhas e inchadas pelo corpo. Eram picadas de pulgas, já que em cima de sua casa ficava um galinheiro mal tratado. Também me contou que todas as refeições eram feitas no chão, em um grande prato comum, onde todo mundo botava o garfo junto. Eu já estava horrorizada neste ponto, quando ela ainda me contou das constantes brigas com o marido, e que chegou a jogar uma câmera fotográfica na cabeça dele em um momento de loucura.
Mostafa estava com a cara fechada. Eles ainda estavam discutindo, tentando defender cada um seu lado, a mãe chorando e o marido berrando num inglês medonho “I always luve she”. Sentia que tínhamos perdido nossa paz naquela noite, e não havia muito o que fazer, já que provavelmente todos os vizinhos tinham ouvido aquele barraco. Por fim, Mostafa colocou um ponto final na conversa, disse que ela ficaria lá então aquela noite, e no dia seguinte seria decidido o que seria feito.
Quando se foram, Paula tentou contatar alguém de sua família no Brasil. A irmã disse estar ocupada, a amiga deu uma desculpa e ficou offline no programa de conversa instantânea que estava usando. Vi o semblante de Paula pesar, estava sozinha, e nem mesmo sua família parecia se importar muito com o que tinha acontecido com ela naquele país tão distante. Ela então sentou no sofá verde de nossa ante-sala, e ficou falando e chorando por muitas horas. Ela estava inchada por tantas lágrimas. Mostafa fez chá para ela, e aos poucos ela começou a contar causos que tinha vivido e me dei ao direito de dar risada algumas vezes, pois quase tudo me soava muito absurdo.
Contou que as festas de casamento onde ia eram todas na rua, e mulher não podia se misturar com homem. As cadeiras coloridas eram colocadas na rua, e ela era obrigada a ficar olhando para o nada, sozinha, pois seu marido estava do outro lado com os amigos homens. Na hora da comida ser servida, ela descobriu algo ainda pior. Existiam poucos pratos, e quem terminava dava o aparato – sem ser limpo ou lavado – para um amigo, e o outro se servia naquele prato sujo mesmo. Quem não consumia tudo o que estava no prato, o que podia até ser um osso chupado, jogava as sobras de volta na panela que eram remexidas e servidas para o próximo da fila. Nossos estômagos embrulharam, e até mesmo meu marido custou a acreditar que estas coisas aconteciam em seu país.
Mais tarde, ela falou que nunca era compreendida. Alegava que não tinha sua própria casa e não podia viver como uma esposa feliz daquele jeito. Seu marido então chegou um dia e disse que trouxera um grande presente para ela, que então ela seria dona-de-casa. Ela ficou entusiasmada e foi correndo até a sala, quando viu um fogão marrom com diversas manchas de ferrugem. As bocas de onde saem a chamas estavam pretas, sujas de uma gordura nunca limpa e a porta do forno mal abria devido a crostas de comida derramada e ressecadas ali por anos. Deram a ela o presente, o fogão usado, para que pudesse cozinhar o que quisesse.
Não contive as gargalhas, e ela também se deleitou em rir e de não entender como tinha aceitado aquilo e ainda passado 3 dias limpando o eletrodoméstico antes de usá-lo pela primeira vez.
As horas passaram e já era quase dia quando fomos dormir. No dia seguinte, eu tinha certeza de que ela iria voltar para o Brasil e ter uma vida feliz de novo, que iria reconstruir seus sonhos e ser feliz de novo. Mas logo depois do almoço, Ahmed ligou e ela nos comunicou que voltaria para a casa dele. Não entendi nada, depois de tudo aquilo e meu desespero, ela decidiu ficar. Meu marido me olhou enviesado, pois tínhamos nos exposto ao prédio todo e tido contato com aqueles estranhos para justamente tirá-la de lá. Mas ela se foi por volta das seis da tarde, as malas pesadas foram carregadas para baixo de novo e nunca mais quis a ver, apesar dos insistentes convites feitos depois. Fiquei sabendo que seis meses após este dia, ela pegou um avião e finalmente saiu do Egito para nunca mais ver Ahmed.
Aqui vi coisas… que nunca pensei que fosse ver.
(este post é do Mostafa)
Quando a Marina estava no Egito, parecia vinda de outro planeta. Podia ser a comida que fosse, camarões, peixes com espinhos, pizza… para tudo, ela pedia garfo e faca. De jeito nenhum aceitava comer com as mãos um pedaço de carne, acho que até sopa ela tomava de garfo. Às vezes íamos visitar alguém e ela não hesitava nem se envergonhava: “você teria um garfo e faca, por favor?”
As pessoas até que olhavam admiradas para ela, tirando até cascas de camarão com extrema destreza sem encostar um dedo na comida. Ela tinha uns ataques também, dizia que no Brasil ninugém comia nada com a mãe. E eu a seguia, mudando tudo e comendo só com os divinos talheres todos os dias.
Eis que chego no Brasil. Primeira semana, paramos em Santos e fomos a um restaurante bonito, com gente bem arrumada e, me parecia, com dinheiro. Chega à nossa mesa um belo prato com frango frito, coberto com lascas douradas de alho. O cheiro era muito bom e corri os olhos procurando o garfo e faca, para começar a me deliciar com aquela comida nova e cheirosa. Mas tomo um susto: diversos pares de mão, sem pestenejar, correm em direção ao prato e, com dedos nus, pegam pedaços de comida. E todos comem com as mãos, tiram os ossinhos e dizem que está muito bom. Eu fico atônito e pergunto o que era aquilo.
- É frango a passarinho, pode comer com a mão mesmo! – me explicou Marina.
Ah tá, no Egito não pode nada, no Brasil o tal franguinho tá liberado. Viva o Brasil…
***
Eu sempre digo pra Marina que os brasileiros não batem muito bem. Às vezes eu tenho que ir em algum lugar sozinho e sempre me perco, mas se peço ajuda, ninguém entende meu português com sotaque. Mas quando estou no ônibus não escuto nada parecido com português, chamo essa linguagem de “africano” – sem preconceitos, porque eu sou africano, tá? – e a Marina me explicou que esta coisa estranha que ouço são os tais sotaques. Os brasileiros também não sabem falar devagar, juntam todas as palavras e esperam que os gringos como eu entendam tudo.
- Oi, cêviuquetámuitocalohojiné? – uma mulher que sentou do meu lado no ônibus pergunta.
- Desculpa, sou egípcio. Pode falar mais devagar, por favor?
- Nuóssaaaaa, é mesmo? – escuto e respiro aliviado, esperando que ela repita pausademente a primeira pergunta. – Maizéláquinumtemaquelascoisagrandiquichamapiramidi?
-Tchau. – Termino a conversa.
E por favor, falem “deixa eu ver” e não “xôver” em frente aos gringos. Ajudem os aprendizes da língua portuguesa.
***
Todo mundo me pergunta quantas mulheres eu tenho, porque sou muçulmano. No começo tentava explicar que não era bem assim, isto foi algo estabelecido por questões específicas no Islã, não é festa, etc, etc, (kasa, kasa, kasa – em árabe). Agora já cansei, prefiro dizer que tenho quatro esposas, uma em um país diferente do mundo, esperando por mim. Então tá, tudo muito curioso, eles perguntam como as mulheres aceitam isso, como uma sociedade vive desta forma.
Tá bom, então agora eu pergunto. Que foi aquele homem vestido de mulher que vi ontem na rua? Na Paulista, também vi dois jovens de cabelo em pé, rebolando e andando de mãos dadas. Também fiquei sabendo de gente que sem casar, mora junto. E existe até lei que dá direitos para estes casais depois, se for comprovado estabilidade. Mas por que então não se casam de uma vez? Primeiro me expliquem tudo isso que depois explico porque, no Egito, é muito raro ver alguém se casar com mais de uma mulher.
***
Tem mais coisas engraçadas que vi por aqui e me fazem rir muito. O Brasil tem muita gente maluca, nunca vi tantos cantando em voz alta ou falando sozinhos na rua. Parece hospício a céu aberto. Aqui quanto tem jogo de futebol soltam muitos fogos, e demorou para eu acreditar que não eram tiroteios, mas sim só comemoração. Quando o Corinthias faz gol, tem sempre um louco que grita muito. O cara pode estar no vigésimo andar que eu escuto como se ele tivesse berrado na minha orelha.
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Estou há um ano no Brasil, e aprendi a gostar daqui. Agradecimentos especiais à pizza quatro queijos e ao pão francês. (brincadeirinha)
Tudo tem um começo…
Não é fácil começar um blog. Imagine então começar a contar a história de sua vida e os sentimentos envolvidos nos momentos mais especiais vividos. Por isso mesmo, este blog é mais do que um diário, é também um convite à reflexão sobre como vivemos hoje em dia e de que forma estamos abertos a mudanças que, porque não, podem ser maravilhos.
Eu mudei mudei, e arrisquei, como gostam de definir. Prefiro dizer que agi com o coração, em um mundo pautado pela frieza e movimentos sempre tão premeditados e pensados. Optei pelo conto de fadas, mas lutei por ele na vida real, não em sonhos.
Do outro lado do oceano, a mesma luta contra o marasmo também estava sendo travada, e rapidamente selamos nosso futuro. Bem-vindos à história de Marina e Mostafa e a um blog que, mais do que discutir sobre cultura, adaptação e mudanças, fala sobre amor. E este é nosso mote: contar como deixamos o amor controlar nossas vidas por completo.
Amar é fácil, difícil é deixar o amor prevalecer sobre o resto
Marina é brasileira de São Paulo, Mostafa é egípcio de Alexandria. Se conheceram em setembro de 2006 por acaso, no programa de conversação instantânea Skype. Se casaram quatro meses depois, em Alexandria, no dia 03 de janeiro de 2007. Vivem atualmente em São Paulo, Brasil.



