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Cíntia…

Lembro-me bem apenas de seu rosto redondinho. Os olhos ficavam pequenos quando sorria largo, ela era feliz naquela época. A gente brincava, mas eu sabia que éramos diferentes. Ela morava na rua de baixo, como chamávamos, onde só os mais pobres viviam. E ela não tinha as mesmas roupas que a gente. Parecia sempre um pouco sujinha, encardida.

Engraçado que me lembro dela muito pequena, bem menor do que eu, porém ao reencontrá-la na semana passada, após mais de 10 anos, descobri que só é três anos mais nova. E estava igualzinha. A mesma voz, os mesmos olhos castanhos tímidos que ficavam menores a medida que ela sorria. Estava bem gorda, redonda, com uma saia jeans e uma blusa branca com renda preta nos ombros, cheia de rasgos.

- Marina, você lembra quem me deu meus primeiros patins? – perguntou quando passei pela cozinha.

- Não, quem foi? – Respondi.

- Foi você! Era daqueles de quatro rodinhas, branco, com cadarço!  - Falou, enquanto terminava de lavar as louças.

Eu fiquei sem graça de não ter lembrado. Mas ela continuou.

- Eu esperava o ano todo pelas férias, pois sabia que vocês viriam. – Continuou.

-  E você lembra que a gente brincava de escolinha? – Respondeu, enquanto começou a passar o pano no chão.

- Humm, é mesmo! – Retruquei, mentindo. Não lembrava, e dentro de mim já estava totalmente constrangida. Ela estava visivelmente muito feliz de me ver, de conversar comigo. Mas para mim, reviver aquelas lembranças me doeu. Senti culpa. Culpa de ter estar presa às lembranças da minha infância feliz e normal, de não ter percebido que ela precisaria de muito mais do que minhas migalhas para ter um destino diferente ou parecido com o meu.

- E vocês faziam lição de casa pra mim, lembra? Num caderninho, vocês me davam lição de casa e ai de mim se não fizesse! Mas nossa, eu não entendia nada daquelas lições, eu nem sabia ler direito! – Falava sorrindo, tão contente, me cortando por dentro ainda mais.

- Foi a época mais feliz da minha vida! E eu andava de bicicletinha com seu irmão, como era bom! – Terminou, enquanto já corria para fazer outra tarefa da limpeza da casa da minha avó.

- E como você está agora, Cíntia?

- Tudo bem. Tive filho muito cedo, então a vida é essa. Com quinze anos tive o primeiro, agora já tenho três.

- Nossa, você tem três e eu nenhum! Estou com 28 anos.

- Ah, mas está na hora de ter, então! – Respondeu, com os olhinhos esmagados pelo sorriso.

Aos quinze anos, eu pensava em andar de skate, em mudar para uma escola de alto padrão, em ir para os Estados Unidos nas férias, em comer churrasco no final de semana, em escolher uma profissão. Para mim, tudo o que tinha vivido, era senão um começo ínfimo do que seria minha vida, sem tanta importância. Não me lembro muito das brincadeiras, do que fazíamos, a vida para mim passou sempre suave, com suas dores e desafios normais, porém sem agravantes como a pobreza, a fome, a falta de oportunidades. Tudo que eu tive, Cíntia não passou nem perto. Aos quinze anos, enquanto eu brincava de ser “rebelde”, ela carregava um filho no ventre. O que eu poderia ter feito para mudar seu destino? Será que, mesmo tão jovem, eu não deveria ter feito alguma coisa? Por quê fui tão cega?

Aquela conversa me pesou, deitei no sofá da sala, enquanto ela terminava algum serviço. Meus olhos se fecharam e dormi profundamente. Quando acordei, ela já tinha ido embora. Não tive tempo de dizer tchau, de pedir desculpas por não me lembrar de quase nada dos momentos que passamos juntas, mesmo tendo sido algo tão importante para ela.

De noite, no silêncio daquela casa antiga, embalada pela chuva incessante do verão nas montanhas, fiquei pensando nela. Imaginando seus três filhos, sua casa lá ainda na rua de baixo. Vida sem muita perspectiva. Não deu para desviar o pensamento, para esquecer.

 

Não posso mais ir ao supermercado?

Um dos meus prazeres preferidos é ir ao supermercado. É, pode parecer estranho, mas eu adoro ir ao mercado, ficar olhando as gôndolas, vendo produtos novos, receitas na lata de creme de leite e ir pensando no que quero cozinhar, levar para o marido (ele adora umas besteirinhas), passo na seção de queijos, leio tudo quanto é rótulo, e por aí vai…

Eu geralmente vou no supermercado de 3 a 5 vezes por semana, é isso mesmo, não gosto de fazer compronas mensais, eu vou porque gosto e faço compras menores, como consumo coisas mais frescas, fica mais fácil também para mim. Até por causa disso tudo que descrevi até aqui (calma, esse post não é uma enrolação) eu gosto de ir a mercados mais especiais, que não tem muvuca e corredores apertados, preciso de espaço, pois para mim isso é lazer. Eu sei que pago um pouco mais caro por isso, porém pelo bem-estar vale a pena. Em São Paulo, só faço compras no Pão de Açúcar e no Zaffari (sou tão fiel a este último que até ganhei uma promoção deles no final do ano passado ahahah).

Eis que agora há pouco, estou sem fazer nada esperando o maridão terminar de dar uma aula, em Santana, e resolvo caminhar pelo bairro, e encontrei um Pão de Açúcar na R. Voluntários da Pátria. Toda feliz, já pensando em procurar algo para o almoço, entro, fico andando uns 10 minutos me decidindo. Paro no corredor com chocolates e balas, só observando (dieta não me deixa pegar nada desta seção) e tendo meu mini-prazer ‘supermercadístico’ do dia… Quando um cara vestido de ladrão (sim, eles se fantasiam sempre iguais, bermuda suja, chinelo e uma camisetona ou blusão bem largos) passa  cambaleando e quase encosta em mim. Visivelmente alterado, ele abre a mãozona de filha da puta dele (sim, hoje eu posso falar palavrão) agarra o que pode e enfia embaixo da blusa. Uma senhora tinha acabado de entrar no corredor, e ri, não acreditando na cena. Ele nem se importa com nossa presença e segue roubando.

Eu fico ali que nem uma idiota, pensando que nem jogar a porcaria do meu carrinho nele eu posso, porque para um infeliz desse me dar um tiro não precisa muito. Só segurei a bolsa, estarrecida, enquanto ele passou por mim andando rápido. Fui atrás, logo vi uma funcionária e falei, tem um cara ali roubando e está saindo pela porta da frente.

Ela saiu na hora, mas nem correu, andando rápido, como que acostumada com aquilo. Porém minha sensação de desconforto e tristeza já estava ali… o pior não é o roubo, o pior é a naturalidade com que isso acontece, a impotência. Foi pra me provar que a realidade que eu vivo é muito fantasiada, que nosso país de verdade está detonado… e eu não sei o que fazer, como reagir.

Bem deprê, fui ao caixa, avisei de novo que tinha ladrão entrando no mercado, e ninguém fez nada, só lamentou.

Saí do mercado, já pensando o quanto eu era iludida, que isso aqui não tem mais jeito. Dou uns 10 passos,  e um senhor me chama:

- Moça, bom dia, você pode responder uma pesquisa para mim? – Seus olhos estavam alegres, satisfeitos. Era um senhor de idade, mas senti nele a felicidade de quem está fazendo algo de útil nesta vida.

- Se for rápido eu posso. – Respondi.

- Ah, infelizmente é uma pesquisa de 40 min de uma marca de chicletes, mas muito obrigada por sua gentileza de me responder, Deus te abençõe e bom dia! – falou rindo de ponta a ponta.

Saí andando e senti meus olhos molhados, como sempre fico nestas situações… Mas com uma ponta de esperança renovada nas pessoas do Brasil.

O que te faz feliz?

Meus gatinhos ronronando e me recebendo com festinha toda vez que chego em casa:

Maridinho cozinhando (mesmo ele sabotando minha dieta):

Ver o mar da janela:

Ver o Musta rindo:

Lembrar do Egito:

Lembrar dos meus irmãos:

Trabalhar:

Viver ao lado dele:

Necessidade de se expressar

Bom dia, meus leitores que continuam vindo por aqui, mesmo o blog estando no seu mais alto nível de desatualização. É engraçado, eu tenho milhares de coisas para dizer, mas 99% delas não são publicáveis ou acabo optando pela discrição. Lendo ontem este post do blog Não tem pão francês na França me fez perceber algumas coisas.  Este blog me ajudou a amadurecer muito, trocar pontos de vista, acabei mudando de opinião várias vezes e sendo mais sensata, aberta. Cheguei num ponto, agora, em que falar, me expressar, não é mais tão necessário na minha vida.

É estranho, pois quem me conhece sabe que sou extremamente tagarela, minha vida é um livro aberto e se der conto até pra quem tá na rua detalhes da minha vida. E o blog era mais uma destas maneiras de sair falando abertamente o que penso, o que sonho e como vivo. Só que com o passar do tempo, a coragem de botar a boca no trombone vai se esvaindo, pois achamos outras formas de nos expressar ou simplesmente nos aquietamos e achamos que vale a pena não discutir mais.

Eu não acho que ser passiva é bom, mas falar demais também atrapalha às vezes. Lembro de ter discussões enormes por aqui, brigas que foram parar até no msn, email, etc. Mas também lembro de amizades que foram surgindo por aqui ou que começaram no famigerado Orkut e depois se transpuseram para cá. O blog acabou virando uma espécie de troca, quase sempre as mesmas pessoas passam por aqui e comentam, outros são silenciosos e raramente se mostram. O blog é algo misterioso, pois escrevo às vezes coisas muito pessoais e não faço ideia de quem é você que está aí agora me lendo. Nem se suas intenções são boas (hummm, brincadeirinha).

Bom, a questão é que hoje eu tenho várias coisas sobre as quais poderia escrever, mas acabei deixando um pouco de lado esta ferramenta, pois tenho me expressado de outras formas. Mas não esqueci disso aqui e pretendo voltar logo em breve. Não sei se a audiência continuará a mesma, pois meus assuntos agora não se restringem mais a Brasil e Egito, pois minha vida é muito mais do que isso e para ser sincera, hoje em dia não vejo mais diferenças entre um lugar e outro, coisas para se comparar. Para mim, Brasil é uma extensão do Egito e vice-versa, já é algo incorporado a minha vida e nosso jeito de ser (nosso=eu e musta) e isso não faz a mínima diferença, a não ser o fato disso ser um ótimo quebra-gelo quando encontramos novas pessoas: “nossa, você é do Egito? E se conheceram pela internet?” e por aí vai, é muito fácil conversar com qualquer pessoa quando tocam neste ponto.

Mas o fato de sermos um casal de nacionalidades diferentes hoje em dia não nos é mais algo estranho ou desafiador. Já sei muito bem como ele é, o que não gosta e o que o deixa feliz. E ele o mesmo.

Ontem, eu soltei  uma comparação tipo “ah, no Egito se faz assim, no Brasil faz assado”, e ele só me falou:

- Habiby, posso te falar uma coisa sinceramente?

- Claro, que foi?

- Eu não quero saber mais de Egito e Brasil, tô em outra.

É pior que é verdade… Já estamos num grau de sintonia que extrapola essas comparações bestas que eu às vezes insisto em fazer e não me levam a nada. E tenho tantas outras coisas para escrever, mas acabo deixando de lado pois ainda insisto no ponto que este blog é só para falar de Egito e Brasil… Já falei que ia mudar antes mas acho que não consegui muito, quem sabe daqui para frente me solto mais?

Minha evolução musical

Vi uma notícia que a Shakira vai fazer show no Brasil. Aí lembrei que eu já vi ela de muito perto mesmo, num show que ela fez no meu antigo clube Espéria, aqui em São PAulo, na época que ela não era famosona nem era loira…. ahaha Engraçado lembrar dessas coisas, como um artista que se apresenta no clube pode estourar tanto depois?

Ela ainda era assim na época:

Puxando mais pra baixo no muro da vergonha, lembrei que o mesmo clube tinha prometido show dos Hanson e eu jurava que ia vê-los, que mico (Mostafa me zoou e falou que gostar disso é igual gostar de Justin Bieber):

Aí eu fui para uma fase mais adolescente-semnoção-revoltada e virei skatista, raspei a nuca, pintei o cabelo de verde e fazia coisas que não merecem ser contadas neste blog. Meu ídolo virou outro cabeludo (aliás, eu fui no show deles também numa outra promoção de frase que ganhei na época ahha):

Daí foi ladeira abaixo, ao ponto de Prodigy estar na minha lista de prediletos:

Nesta época minha mãe já achava que eu não tinha conserto mesmo, só rezava pra eu me salvar.

Mas eu melhorei um pouco e parti pro dance-techno sei lá o que e ficava só no putz-putz com músiquinhas irritantes como essa:

E cheguei a aprender a cantar em romeno essa aqui (que o Latino depois roubou e detonou) Alo? Salut!!!:

Mas teve uma música que me marcou por volta de 2002, que foi quando alguma coisa dentro de mim mostrava que minha vida não seguiria um curso normal. (Viu mãe, vc teve sorte que arrumei um egípcio, poderia ser um indiano mais longe ainda ahaha) Essa eu sei de cor, e nem me perguntem que língua que é, acho que é hindi. Aliás, essa cena marcou minha vida, quem não viu, que veja Monsoon Wedding:

Bom, eu poderia fazer mil posts com músicas que marcaram minha vida no passado, no Egito, e agora… mas fico por aqui hoje.

Em construção

Consertando minha vida… ainda.

 

Mas sem medo de errar, de aprender de novo, de dar dois passos para trás para avançar depois. Não, isso não tem nada a ver com meu casamento, com meu egípcio lindo e nossa saúde, graças a Deus. Mas muitas outras coisas que enchem o saco….

Uma hora eu volto pra postar decentemente.

 

beijos

Um pouco cansada…

Acho que vai chegando final de ano, e o gás de todo mundo vai se esvaindo… a gente se engana nas festas de final de ano, achando que por trocar de calendário, estamos automaticamente descansadas e prontas para mais 12 meses de labuta…

Bom, pra mim até que faz sentido, sempre acabo tirando uma folguinha nessa época (os feriados ajudam) e janeiro é praticamente um mês morto e com poucas grandes coisas na minha área. Como trabalho escrevendo e  colhendo notícias, é justamente agora nos últimos três meses do ano, quando o gás tá lá no fim, que tudo acontece, tudo está bombando, as melhores pautas surgem, os melhores eventos, e por aí vai.

Bom, isso justifica um pouco minha ausência daqui e esse post meio sem sentido. Sei que ninguém visita o egitoebrasil esperando essas baboseiras, mas sim coisas culturais, histórias engraçadinhas, dicas interessantes. O problema é que a vida é feita por 1% dessas coisas diferentes, e 99% do tempo estamos trabalhando, no trânsito, arrumando casa, levando uma vida normal e que nos momentos livres, tenho que ficar com o maridão às vezes sem fazer nada, só descansando mesmo, e isso não traz nada fenomenal para contar aqui ehehe

Então, desculpa o sumiço, mas essa época do ano é sempre terrívelllllll. Eu até tenho muitas coisas pra contar, mas estou sem cérebro mesmo para vir colocar aqui.  Tenho notado que alguns blogs estão assim também, com pouca atualizações, então não devo ser a única nessa fase!

Pra completar minha sexta-feira dessa semana trash (sim, pra mim semana com feriado é péssimo, pois eu trabalho de todo jeito e o pior, acabo só tendo 3 dias pra falar com minhas fontes, pois de segunda e terça ninguém atende), recebo um email agradável falando que meu aluguel e condomínio vão subir… AHHHH, alguém me salva hoje, please?

“causo” de domingo

Todo sábado dormimos tarde para caramba, óbvio, domingo é dia para dormir até depois do meio dia e ficar na preguiça.

Eis que acordo num pulo, às 7 horas da manhã, com meu interfone tocando… Espero para ver se não estava sonhando. Toca de novo, insistente. Levanto tonta, quase caindo. Musta nem se move.

-Alô? Quem é? – pergunto sonâmbula.

- É a Fernanda?

- Não!!!!!!!! Olha se tá no número certo, nesse prédio tem 002, 02 e 2!!! – Bato o interfone com raiva. Mas é isso mesmo que vocês estão lendo, no meu inteligentíssimo prédio (que não tem porteiro), os números ficam de fora e simplesmente tem essa aberração de ter três números 1 e três números 2, todos diferenciados por zero no começo. Queria saber quem foi o prêmio Nobel da esperteza que fez isso aqui.

Vou deitar e escuto o o dito cujo lá fora tocando em vários apartamentos. Quando está cedo e no silêncio, dá pra ouvir os interfones dos vizinhos tocando, e notei que ele estava tentando em vários. Como moro perto de uma universidade, já achei que era algum universitário babaca voltando da balada e procurando a tal de Fernanda, e assim acordando todo mundo. QUE ÓDIOOOO!

Antes da raiva passar, o bendito toca de novo no meu interfone, mas não delicado, tipo 10 vezes seguidas – priiii priiiiii priiiiii priiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!

- HABIBYYYYYYYY, manda esse cara !($%&?@¨$(@)!! (Tá, vcs entenderam o que eu falei né, e gritei tão alto que provavelmente o cara na rua ouviu)

Ele corre no estilo egípcio nervoso “vou quebrar sua cara”, atende o internfone e literalmente berra:

- QUE TA ACONTECENDO COM VOCÊ??????????????????? – Grita no interfone, pega a chave e abre a janela. E fica com cara de bobo.

Vejo as sirenes de longe. Era a polícia ahhahaah E Musta, de repente, todo educado:

- Bom dia, que aconteceu, vocês querem que eu abro o portão do prédio? ( eu eu já rindo, porque não é todo dia que se xinga a polícia na cara deles).

- Por favor senhor, é que roubaram um carro numa rua aqui próxima e vimos ele com vidro quebrado. Puxando o endereço da placa é deste prédio o dono, estamos procurando ela, chama Fernanda….

E eles tocaram simplesmente todos os apartamentos, imagina você acordar e dar de cara com a polícia na sua porta…. Não entendi porque queriam tanto encontrar a dona, ainda mais 7 horas da manhã, mas me surpreendi pois os dois pareciam bem preocupados em ajudar a pessoa que teve o carro roubado…. Coisas de São Paulo…

Pergunte ao Mr. Musta

Gente, já que vocês estão querendo que o Mostafa escreva algo, resolvi abrir um tópico de perguntas para o egípcio eheeheh

Ou seja, aqui pode soltar o verbo e perguntar curiosidades sobre o que ele acha do Brasil, como é determinado costume no Egito, curiosidades, etc. Podem perguntar qualquer coisa – prometo que mesmo se a pergunta for absurda não vou zoar ehehehe.

Não me deixem no vácuo e comentem!

bjs

Mudar o nome

Já que eu falei em conversão ao Islã, acho legal tocar em um ponto específico: a mudança de nomes.

Não você não é obrigada a esquecer seu nome e inventar um árabe. Isso é uma escolha muito pessoal, mas possível se assim você desejar. Não precisa nem mesmo trocar nos seus documentos, mas uma hora ou outra, se você estiver no Egito, alguém pode te perguntar se você tem um nome islâmico.

Como eu disse antes, os muçulmanos vêem a religião não só como algo para ser lembrado na oração, mas como um estilo de vida totalmente diferente. E nomes ocidentais muitas vezes não representam a sua nova fase da vida, por isso é tão comum que os revertidos troquem seu nome.

Quando eu me converti, meu marido (que na época ainda só estava no virtual) logo começou a me chamar de Jannah, que significa “paraíso”. E assim a família dele pegou gosto pelo nome e até hoje, no Egito, sou só Jannah. No começo falavam “Jannahhhhh” e eu nem me ligava que era eu… Mas como tempo acostumei e nem estranho mais quando recebo uma mensagem escrito “Gana” (alguns egípcios trocam todos os J por G e meu nome vira igual ao país da África ehehe).

Em Azhar, que é a central islâmica no Egito, onde fiz minha conversão oficial (para ter um documento que o governo egípcio aceitasse para me casar como muçulmana) também perguntam se eu tenho um nome alternativo. Acho que com isso posso até mudar meu nome nos documentos de lá, se eu quiser.

Não mudei meus documentos nem penso em fazer isso. Meu nome também faz parte da minha história e tenho orgulho da minha origem brasileira “mistureba” de italiana, austríaca, espanhola e alemã. Mas o nome árabe só veio agregar ao que sou e também o amo como os outros.

No Egito, a questão de nomes também é diferente do Brasil no casamento. A esposa não pega um sobrenome do marido, pois no papel vai parecer que ela é irmã do marido, não esposa.

Vejamos um exemplo de nome de homem:

Ahmed Mabourk Islam Mahmoud

Ahmed = nome da pessoa
Mabrouk= nome do pai desta pessoa
Islam = nome do avô
Mahmou = nome do bisavô

Para uma mulher:

Nura Mohammed Mahdy

Nura = nome dela
Mohammed = nome do pai dela
Mahdy = nome do avô dela

Geralmente os nomes lá pegam cinco gerações. Eu com meu sobrenome à brasileira, vocês imaginam a confusão que não deu para fazer entender que o meu sobrenome não tinha o nome do meu pai nem do meu avô. No fim eles não querem nem saber, fazem tudo errado mesmo e você acerta só depois se for transcrever o casamento no Brasil.

Por isso mesmo, não fiquem tristes se seu marido falar que você não pode usar o sobrenome dele, mas é que soa muito estranho para eles mesmos, já que se você usa o nome dos antepassados dele, significa que você nasceu deles.

Nome da mãe? É apagado, não entra em nada mesmo, não adianta chorar! ehehehe

Se você gosta de nomes islâmicos, um site interessante pode ser o Names4Muslins.

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