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Protegido: Amor na Jordânia

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Digite sua senha para ver os comentários. abril 14, 2010

Curiosidades egípcias

Mesmo depois de três anos de casada, tem horas que ainda descubro ou lembro de diferenças culturais básicas entre eu e meu marido egípcio, e geralmente morro de rir, né?

Estávamos decidindo a ordem de quem iria primeiro em um lugar, não lembro o que exatamente, e minha mãe falou:

- Ah, tira par ou ímpar com o Mostafa pra decidir?

- Então eu quero par! – Falei.

- E ele, o que??? Não entendi…

Ou seja, não tem par ou ímpar no Egito, minha gente!! Quer dizer, pelo menos é o que meu marido louco falou, ele disse que usam só cara ou coroa se é com dois, e se estão em três um negócio mais louco com a mão encostando no peito, nem tem como explicar!!

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Outra coisa q muitos egípcios  - e outros gringos – não entendem, é nossa maneira irônica de falar as coisas, geralmente sempre usando o contrário do que na verdade queremos dizer. Por exemplo, passo em frente ao Tietê e sinto aquele cheirinho de coisa podre e falo:

- Hummmm, que cheiro bommmmm!!!

Mostafa: – Boooom?? Você tá louca, tá fedido!!

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10 comments janeiro 19, 2010

Coisas engraçadinhas

Algumas situações na minha vida sempre são engraçadas por conta do meu marido ser egípcio/muçulmano/gringo.

Situação nada a ver/estranha:

Uma pessoa que me conhece apenas do lado profissional se aproxima e diz:

- Nossa Marina, você viu quem está aqui essa semana? – pergunta.

- Quem?

- Aquele cara lá, seu marido deve estar feliz… – retorna.

- Mas não entendi, quem tá aqui?

- O presidente do Irã, o Ahmedinajed, seu marido tá gostando né?- falou.

- Ãhn? Não entendi… – respondo, segurando pra não responder com sinceridade.

- Ah, não tem nada a ver com ele né? – falou encabulado.

- É, nada a ver mesmo – respondi segurando a risada enquanto minha colega do lado abaixava a cabeça pra conter o riso.

***

Situação para risos:

Estamos em casa reunidos com minha família. Depois de um churrasco, decidimos jogar Master, aquele jogo de perguntas e respostas sobre assuntos diversos. Cada um vai jogar por si e Mostafa entra na brincadeira. Ele vai na categoria Esportes no começo e como as perguntas são sobre futebol, acaba conseguindo se virar bem. Eis que ele muda pra categoria cotidiano e começam a vir umas perguntas envolvendo português e coisas específicas do Brasil.

- Ah, mas eu vou trocar essa pergunta pro Mostafa, sacanagem só vem coisa relacionada a português, não é justo com ele, não vai entender. – falei para todos.

- Nãoooo, não, entrou no jogo aí é sorte, a pergunta vai ser aleatória – todo mundo respondeu, e  Mostafa só ria.

- Tá bom , mas já estou avisando que ele não vai saber responder essa aqui. – falei, a protetora do maridão.

- Marina, pergunta logo!!! – falou Mostafa pra mim já bravo :-d

- Então vai lá, essa pergunta é muito ridícula mas vc não vai saber. “Qual é a árvore que dá maçãs?” – questionei.

No mesmo segundo, Mostafa responde: – A macieira, ué!

- Errrrrrrrrrr Marina, cala a bocaaaaaaaaa, seu marido sabe mais que você!!!! – ficaram tirando com minha cara :-)

- Eu não acredito que ele sabia. Como que você sabia isso Mostafa?? – indaguei.

- Ué, mas era muito fácil. – respondeu com o sorrisinho irônico.

***

 

6 comments novembro 29, 2009

Ela se foi…

Muitas coisas boas aconteceram nos últimos dois meses. Para quem não sabe, minha sogra egípcia veio para o Brasil e finalmente reunimos as duas famílias que não se conheciam. Essa coisa de amor a distância causa esse tipo de problema: as famílias poucas vezes têm a chance de se conhecerem.

Internet ajuda, mas é muito diferente de ver a pessoa perto, saber como ela age, seu olhar e como ela reage às coisas que vê. Agora que tudo já passou, parece até um sonho que minha sogra esteve aqui, depois de dois anos sem nos vermos. Para ela, uma experiência de vida única, já que a chance de uma mulher da idade dela no Egito fazer uma viagem dessas é bem remota. Ainda mais para um país exótico como o Brasil (sim, Brasil é exótico para eles, afinal, que egípcio um dia imaginou vir passear no Brasil, sem antes pensar nos lugares mais óbvios tipo Europa e EUA).

Foi uma visita divertida, apesar da bagunça em casa, já que não tenho muito espaço. Ri com muitas coisas e hábitos diferentes dos egípcios, que tinha me esquecido. Mostafa nem conto mais como egípcio, porque ele faz tudo diferente e do jeito dele. Também nos divertimos com as confusões linguísticas, pois apesar da minha sogra falar inglês e ter vivido em Londres, ela não pratica muito no dia a dia e isso criava situações muito cômicas. Ela logo aprendeu a falar coisas básicas, tipo “obrigada”, “muito bonito”, “tudo bem” e “aqui”. No final agora até os contextos da novela ela já entendia, já que ela achou a qualidade dos programas daqui muito superiores aos árabes (na minha casa só tem ART internacional, uma porcariaaaaaa).

Fomos para lugares fantásticos para ela. As montanhas a caminho de Santos, a neblina. Tudo para ela era muito novo. Ver aquela floresta densa, o mar lá embaixo. E depois, para o interior, se surpreendou com o que é fazenda e o que são os fazendeiros para nós. Enquanto no Egito as propriedades rurais são pequenas e muitas vezes seus moradores simples, aqui na “Califórnia Brasileira”, região de Ribeirão Preto, ela viu o que é uma potência agrícola. Ficou depois numa cidade pequena de Minas, onde as pessoas era mais abertas que em São Paulo, onde a vida parecia correr em outro ritmo.

Em São Paulo, aproveitou as vantagens em serviços, viu que cada tipo de carne tem um nome e uma forma de ser cozida e preparada, já que no Egito os açougueiros vendem tudo como se fosse a mesma coisa e com isso dificulta o preparo certo. No supermercado, gostou dos legumes já limpos, separados e muitas vezes cortados. As possibilidades de escolha. Também riu quando viu um casal se beijando na escada rolante, quando viu o noivo da irmã a abraçando na frente do meu pai. Ficou vermelha de vergonha quando dei um selinho no Mostafa na frente da minha família, no Egito, diz, isso não poderia acontecer jamais!

E se surpreendeu a ver muita gente independente aqui, minha vó que mora sozinha em outra cidade e não depende de ninguém.  Começou a ver que ser mulher e viúva não significa que sua vida acabou, que há muito ainda a ser explorado e conhecido, apesar da cultura de seu país muitas vezes pedir o contrário. Aqui ela deixou de usar só preto, testou novas cores de lenços e roupas, viu gente de todas a cores e todos os estilos e se surpreendeu ao ver que quase ninguém se importava com o que o outro fazia. Até mesmo ela com hijab só ouviu gracejo uma vez, quando um moleque gritou “Are baba”  no meio do parque.

Aqui ela viu festas de aniversários alegres, mesmo de gente mais velha, reunindo famílias e amigos. E percebeu que ninguém ficava esperando presente, a presença já bastava.  E viu a gente dividindo as despesas na hora de pagar a conta no restaurante, coisa que no Egito seria uma grande falta de educação. Mas gostou do sistema, pois assim todos podiam sair mais vezes, o que no Egito acaba ficando proibitivo já que a educação local demanda que quem convida, pague a conta. Ou seja, convidar é um pouco difícil.

Passou mal na primeira vez que foi na churrascaria e a obrigamos a comer demais. Se surpreendeu com tantas formas que utilizamos o milho para comida. No Egito, só largam na churrasqueira e pronto. Aqui até doce fazemos! Aprendeu novas receitas e comeu mandioquinha. Não gostou muito do pão francês, queria mesmo só o pão árabe que achava no supermercado.

Além disso, ela viveu com meus gatinhos e viu como os animais são tratados aqui de forma diferente. Foi numa loja gigante só com produtos para animais e ficou completamente abismada. Dois andares de produtos só para eles, um corredor só de roupas que ela falou que daria para muitas crianças. Ao sair, estupefata, falou que os cachorros são melhor tratados aqui do que os humanos pelo governo no Egito. Mas eu lembrei ela, ao passar por uma favela, que aqui também não é muito diferente neste quesito.

Ela gostou de ver muito verde, das lojas bem arrumadas. No último dia, falou que uma das coisas que mais tinha gostado era o silêncio no trânsito. Não havia nenhum som das buzinas caóticas do Cairo ou Alexandria, tocadas a cada dois segundos mesmo sem necessidade.

Mas no fim, já sentia falta de sua casa, seu canto. É o natural, assim é a vida e no final das contas, rotina também é bom.

O grande problema desse encontro todo é que a saudade de todos ficou ainda maior. Com a distância e o tempo, ficamos apáticos e aprendemos a conviver com a perda. No reencontro, tudo se acende, memórias novas são criadas, momentos de união e fraternidade familiar voltam a existir.

E tudo se acaba rápido demais. Ela tão pequena e frágil, se despediu com lágrimas nos olhos. Foi doído ver seu corpo pequeno esperando na fila para passar no Raio-X. Olhou para trás já sorrindo e deu um último tchau, mandando beijos e balançando os braços. Cheguei a ver ela passando rapidamente perto da imigração, até que os muros do aeroporto nos separaram de uma vez. E a pior despedida é essa: quando não fazemos idéia se um novo encontro será possível.

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Mama e eu na mesquita em SP, durante o ramadã de 2009

18 comments outubro 19, 2009

A vida corre

Quando eu paro para pensar que em somente três anos eu fui para o Egito, vivi tanta coisa, voltei pra são Paulo, trabalhei tanto, mudamos de casa, viajamos para tantos lugares, conhecemos tantas pessoas, me falta até fôlego.

Aliás, a vida anda tão corrida que às vezes nem acredito que fiz tudo isso. O Egito ficou como aquela memória antiga, às vezes até parece que nem fui para lá um dia. Tudo já mudou, a experiência foi se transformando e se não fosse pelas fotos, nem acreditaria que eu conheci as pirâmides. Como já disse, minha memória não é das melhores, então todas as lembranças, com o tempo, vão ficando como lampejos de imagens, sons e cheiros daquele lugar.

Antes eu tinha uma saudade louca do Egito, de ouvir “Salam ya baladi” e ficar chorando com o Mostafa. Mas a saudade distorce os fatos, pinta a realidade de cor de rosa. Tudo que ficou longe parece mais encantador. Com o tempo e a vida estabilizando, nos tornamos mais racionais e vivemos o presente com cada vez mais intensidade. Hoje estou no ponto de que não sinto mais aquela saudade apertada do Egito. Claro, amo tudo aquilo e se pudesse, pegaria o primeiro avião para passar umas belas férias. Isso mesmo, férias, porque morar eu sei que não dá para mim. Já tentei uma vez e acredito que até mesmo o Mostafa não conseguiria fazer esse retorno.

O Brasil, bem ou mal, se mostrou um belo campo de oportunidades para nós juntos, em parceria. Não porque aqui é um mar de rosas e fácil de se vencer na vida. Mas porque aqui, pelo menos, para quem tem força de vontade e não tem medo de perder noites de sono atrás de um futuro, as coisas podem sim acontecer. No Egito é difícil até mesmo se escolher o curso de faculdade que se quer fazer ( eles usam um sistema de notas no colegial, e não tem segunda chance). Aqui tem faculdade em cada esquina e com vestibular a cada três meses. Nem todas são boas, não estou falando disso, mas existe sim um maior poder de escolha. Isso dá novas chances de ver a vida, de experimentar e voltar atrás se não gostar. No Egito, às vezes uma decisão não tem volta.

Mas esse nem é o caso do Mostafa, porque ele não gosta dos cursos oferecidos aqui na área que ele estuda. Na opinião dele, deveria haver uma opção de curso 100% em língua inglesa e já tentei explicar mil vezes que valorizamos nossa língua, que existe um tal de MEC, que um curso pode ser bom mesmo em português, mas não adianta. Para ele, neste ponto, os atrasados somos nós. Em certa parte concordo, pois diversos países europeus oferecem cursos em inglês, mesmo falando outra língua, justamente por ser um facilitar e, bem ou mal, já é uma língua universal. Não sou nacionalista ao ponto de ficar defendendo o português com unhas e dentes, para mim comunicar é o que importa, mesmo que seja com mímicas.

***

E de volta a saudade, é ela que colore nossas lembranças deixando apenas os momentos bons marcados, é ela quem descolore aquelas horas ruins, os problemas e as reclamações. Hoje consigo ver o Egito de forma menos passional, amadureci um pouco e consigo distinguir melhor tudo que passei por lá e continuo vivendo.

Foi uma experiência fantástica, que antes achava que não tinha aproveitado tanto. Para quem não me conheceu antes, quando eu estava no Egito, meu sangue fervia com várias coisas que eu via lá e não concordava, me irritava com os mínimos detalhes e demorei um bocado para me adapatar. Eu comecei a achar que o Brasil era maravilhoso, que o país era quase um primeiro mundo. Só fui me dar conta do que estava perdendo na noite antes de ir embora. Como um clique, vi como eu tinha perdido muito tempo reclamando de coisas que, na verdade, eram muito boas também.

Aí voltei para o Brasil, o oposto aconteceu. O Brasil parecia totalmente sem sal, as pessoas eram cubos de gelo perto dass egípcias calorosas que viviam me agarrando. As pessoas não falam alto como os egípcios, nem ficam grudadas como lá, perguntando os mínimos detalhes da sua vida. Fiquei chocada ao descobrir que tem muito brasileiro que só é hospitaleiro quando quer que a pessoa faça exatamente o que ele gosta, como beber algo alcoólico ou ir para a balada, o que estava totalmente fora dos nossos planos e valores. Não voltei para julgar valores brasileiros, mas vi muita coisa que antes era comum para mim, e que depois do Egito me pareceram absurdas.

Nesse comecinho, a mudança é sempre complicada, e o Egito virou aquela bola de ouro na minha cabeça, como tudo era calmo, eu tinha paz, podia usar meu hijab, sair na rua à toa de mãos dados com o Mostafa sem medo de nada. E ai de quem falasse um “a” do Egito. Tem sempre aquele brasileiro sem noção que, ao invés de perguntar sobre as coisas boas, já chega com críticas nada a ver. “Nossa, você morou no Egito, ouvi falar que lá é muito sujo, não é?”… meu, você fala isso para um egípcio que acabou de aportar no seu país? Vai ser grosso pra lá… Brasileiro adora esse tipo de comentário, às vezes fala de pobreza, ou de mulheres oprimidas, aquele blá blá blá de sempre. Porque não perguntam sobre pirâmides, é mais simpático.

Mas os dias e meses foram se passando, a vida demorou um pouco para entrar nos eixos, mas aconteceu. Mostafa, apesar da dificuldade de ter de começar do zero, até mesmo do ponto linguístico, estudava até dormir em cima dos livros, e a recompensa veio mais tarde. Como ele sempre diz para mim, Deus olha para quem se esforça. E quem sobe na vida passo a passo, consegue um futuro mais promissor. Não adianta querer chegar no Brasil com 21 anos e esperar que um bom emprego vai cair do céu, que vai ser diretor de empresa nos primeiros anos ou que todo mundo vai te respeitar profissionalemtne no começo, sem ao menos falar direito o português. A vida não é feita de contos de fadas, e não acreditamos neles, por isso todo esse período de adaptação é bem delicado.

E assim foi, no estudo diário dele, na minha busca por crescimento profissional do outro lado, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos e hoje nos consideramos felizes no Brasil. Já se foram 2 anos de Brasil, quase 3 de casamento, e parei de me iludir com bobagens sobre o Egito ou o Brasil.

Aprendi que viver comparando como sempre fiz era uma grande perca de tempo, pois são dois lugares completamente diferentes entre si e que um nunca será nem mesmo próximo do outro. Que se em um eu desperto com o Azhan, mas tropeço em lixo quando caminho, no outro passeio de carro no shopping, mas tranco bem as portas quando chego em casa. As necessidades dos egípcios e dos brasileiros são bem diferentes, por isso a forma que cada um encara a vida e a planeja, é tão diversa. E hoje agradeço por ver tudo isso de forma mais clara, para poder aproveitar toda experiência que tive em um grau mais elevado. E isso faz parte da maturidade, de crescer e ver a vida sem histeria para apenas aproveitá-la e buscar em cada segundo dela formas novas de ser feliz.

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A prova de que estive no Egito :-)

13 comments setembro 23, 2009

Egípcia no Brasil

Segunda feira estava muito quente. Ontem choveu, deu trovoada e bateu um ventinho mais frio. No final da noite nem estava mais tão frio ainda e hoje já vejo o sol. A mama egípcia achou o tempo aqui muito maluco. Nunca viu chuva com calor antes.

Fomos no shopping sozinhas. Fiz ela comer pão de queijo. Como fui num lugar bom ninguém ficou olhando ou falando algo do hijab dela. Só uma mulher estranha que ficou uma hora olhando mil vezes para trás e chegou a apontar, para mostrar para o marido. Mas parecia que ela queria falar alguma coisa para a gente, só que o marido não deixou. O que será, né? Mama nem viu, ainda bem.

Achei ela muito desconfiada ao andar por aqui. Ficava olhando de um lado para o outro. Só relaxou quando sentamos pra tomar um café. Depois fui no supermercado comprar um chinelo. Mas ela não deixou porque as havaianas custavam R$ 30 (gente, como ficou caro esse chinelo, não era coisa de 10 reais?) o que em libras egípcias daria 90 LE.

- O que?? 90 LE por um chinelo para andar em casa?? Nãooooo!

Andando no shopping, ela falou alguma coisa em árabe quando viu um casal na nossa frente, e a mulher estava dando tapinhas na bunda do marido eheheeh Ela achou aquilo muito esquisito, mas levou na esportiva.

Andando nas ruas de carro, ela disse que São Paulo é igualzinho a Jeddah, cidade da Arábia Saudita que o outro filho mora. Mas como? Acho que Jeddah deve ser bem mais organizado que Sampa e beeem diferente ehehehe Mas ela ainda tá achando igual,  com muitas árvores na rua (ela ainda só conhece o bairro do Pacaembu ehehe) e prédios modernos. Ah, ela também comentou isso: os prédios em SP são muito altos! Ela também se surpreendeu ao ver uma menina andando de bicicleta e outras com roupa de ginástica bem justas e curtas correndo no corredor verde da avenida… :-)

A adaptação está tranquila ;-)

19 comments agosto 19, 2009

Egípcio no Brasil – parte 2

Aprendizados recentes do Mostafa:

- Rumo a Tóquio!! (frase que ele aprendeu do novo ídolo brasileiro dele, conhecem?)

- É fácil não pegar gripe suína, é só ficar longe desse monte de presunto que tem aqui no Brasil! (pra ele até inventar maluquices dessa vale pra ficar longe do porco)

- To pagandooooo… (não, ele não vê Zorra Total, mas alguém ensinou essa bendita frase pra ele, que ele adora usar nas situações mais bizarras).

Por enquanto é isso, tá difícil de ele pagar mais tantos micos quanto antigamente…

13 comments julho 14, 2009

Meu nome é secreto

Conversando com uma leitora hoje por e-mail, lembrei de uma coisa curiosa que pode ser interessante para vocês saberem.

No Egito, as pessoas não falam o nome das mulheres em público. Tipo, você não vai ouvir alguém gritando “SALMAAAAA, vem cá”, por exemplo. Aliás, é até de mal gosto perguntar o nome de uma mulher em público se tem outros homens perto.

Já contei isso aqui antes, que até dei uma gafe um dia, no trabalho, porque fiquei insistindo para um menino falar o nome da mãe dele (não lembro o motivo) e ele todo sem graçaaaa não queria dizer, falou que não podia, e eu chata que sou fiquei “mas porque?? Me fala o nome dela!!” E todo mundo rindo da situação, porque vários homens estavam na sala também.

Eu já acostumei com isso agora. E no Brasil, não é diferente pro sr. Mostafa. Minha casa fica numa rua tranquila e a janela dá direto para a rua. Ás vezes o Mostafa fica ali na calçada a tomar chá com algum amigo ou vizinho e eu na sala fazendo outra coisa. Se ele quer me chamar, como faz?

- MOSTAFAAAAA! – ele grita lá de fora.

- To indoo habiby – Eu respondo.

Ou seja, meu nome sendo gritado na rua? De jeito nenhum! ehehe Ele chama o nome dele mesmo.. estranho né? Mas agora até gosto, meu nome é “secreto” – pelo menos na rua, já que na internet vocês estão cansados de saber. :-)

8 comments junho 9, 2009

Blomia Tropicalis

Desde que chegamos no Brasil, o senhor Mostafa começou a passar mal. Era acordar e começar a sinfonia de espirros. Vinham1, 2, uns 15 em seguida. Depois o nariz ficava vermelho e inchado, dava dor de cabeça. De tanto espirrar, todos os dias, começou a ficar doente com frequencia. Era amidalite, sinusite. E de manhã os 500 espirros.

- Não é possível, sou alérgico ao Brasil! Nunca tive isso na vida – dizia.

E o tempo foi se passando, as crises às vezes davam uma amenizada, mas pioraram quando trouxe do Rio Grande do Sul um carpetão de carneiro. Aí sim o negócio ficou feio, era antialérgico todo dia e mal ele se aguentava.

Tirei o carpete e fiquei com o prejuízo. Mas Mostafa não melhorou, espirrava tanto que levei ele num especialista para fazer os testes e começar um tratamento decente.

- Eh Mostafa, sinto muito em te dizer, mas você tem alergia ao Brasil!! – disse o médico.

- Como assim doutor?? – perguntamos.

- Eu nunca vi uma reação desta tamanho, você tem alergia justo a um ácaro que só encontramos no Brasil.  – falou rindo.

- Não acredito! Bem que ele sempre dizia que o problema era aqui! – falei também já na gargalhada.

- O nome do seu novo inimigo é Blomia Tropicalis, não tem no Egito, por isso você nunca tinha passado mal lá. Mas tem vacina para isso, que pode te ajudar… – e continuou a conversa.

Bom, fica o aviso: quando seu marido disser que tem alergia ao Brasil, pode ser verdade.

6 comments junho 3, 2009

A favor do Brasil

Sei que é difícil agradar a todos e muitas vezes quando escrevemos transparecemos um lado que não é 100% de nós mesmos. Toda vez que falo de como são alguns casamentos no Brasil alguém reclama que falo mal do Brasil. Mas eu não disse que todo casamento aqui é feito sem pensar ou planejar de verdade.

Minha irmã mesmo vai se casar quase “à la egípcia” ano que vem, com direito a tudo certinho, festa, casa, etc. Mas isso é comum? Eu acho que não! Tanto que toda a família e amigos estão alvoroçados, pois não é algo que vemos sempre atualmente. Eu tenho 25 anos e até hoje de amigas minhas, primos, conhecidos próximos, só fui em um casamento. O da minha irmã vai ser o segundo. De todas as minhas amigas da faculdade, da escola, pouquíssimas  estão em algum relacionamento mais sério e que pode virar casamento nos próximos anos. Pode ser que seja só ao meu redor, mas escrevo aqui do que vejo.

Sei lá, no Egito em 9 meses nunca vi tanta noiva, depois que eu fui embora mais umas 6 conhecidas – mais novas que eu até – já noivaram ou casaram. O que eu falo é que, analisando assim por cima, no Egito se casa muito mais sim, com toda aquele preparo e intenção de passar o resto da vida juntos,  enquanto no Brasil vemos muitos relacionamentos que no fim não acabam em casamento, porque eles já começaram a namorar não pensando nisso.

Mas o tópico eu quero falar de coisas que gosto do Brasil, já que podem alegar que malho o Brasil. Se eu não gostasse daqui não morava aqui (não que eu ame 100% viver aqui, o Brasil tá muito capenga em muita coisa, e o que mais me incomoda é a cultura de violência). Mas vai uma lista de coisas que me fazem ainda viver feliz no Brasil:

- Ir no sacolão de quarta (promoção, claro) e encher meu carrinho de coisas com R$50. E os vegetais que eu gosto já vem limpinhos, cortados em fatias ou lavados, como eu quero. E tem fartura, você pode comprar e comprar que ainda sobram dezenas de variedades. E tudo limpo, fresco.

- Aqui é fácil ter crédito (e se endividar também por causa dele, claro). Se tivesse Casas Bahia no Egito metade dos problemas deles acabariam (fica a dica aqui para os Klein).

- Eu posso ser quem eu sou, como quiser. Tá, tem preconceitos velados, gente que faz gracinha à toa, mas bem ou mal todo mundo aqui consegue ser minimamente livre para seguir a religião que quer ou usar a roupa que quiser. Já vi cada coisa esquisita na rua.

- O mercado de trabalho é profissionalizado. Se você é bom e sabe seguir o caminho certo, difícil ficar desamparado. E para ajudar, ainda tem carteira assinada, 13º salário e seguro desemprego. Ah, e eu amo meu vale refeição :-) Estas coisas no Egito, só em sonho.

- Tem muita coisa que não presta aqui em termos de serviço. Telefone pifa, conta que vem a mais, internet que cai. Não é tudo bom, mas pelo menos temos o Procon para reclamar e pedir nossos direitos.

- Temos um congresso sujo e uma política ridícula. Mas pelo menos eu voto e posso tentar mudar alguma coisa a cada quatro anos.

7 comments maio 28, 2009

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