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Sabores de Alexandria – comida egípcia
Mais um post sobre comida. Ontem Musta ficou conversando com a mãe e relembrando como fazer um prato típico de Alexandria: Keshk bel gamberi (traduzindo: keshk – sei lá qual a tradução na verdade ehehe – com camarão).
No começo, confeso que achei os ingredientes um pouco estranhos e quase fiquei com nojinho ahaha Coisa que aconteceu muito no Egito, mas só me serviu para demorar para experimentar as coisas boas. Eu sou meio chatinha para comer, e na verdade se fosse menos medrosa teria comido mais coisas gostosas que hoje não encontro no Brasil.
Mas bem, voltando ao jantar de hoje, Musta falou que ia fazer. Eu lembrei que nunca tinha visto isso no Egito.
- É porque lá você era cheia de nhé nhé nhé, então nem fazia essas coisas!! – ele respondeu.
Então, ele pegou mais ou menos 500 gramas de camarão médio, tirou a casca, cabeças e sujeirinhas. (tenho nojo de fazer isso, só compro se estiver limpo ahah mas como ele é de Alexandria, fez tudo rapidinho)
Aí ele pediu os ingredientes:
- 3 colheres de sopa de arroz
- molho de tomate
- 1 colher de farinha de trigo
- cebola
- alho
- cardamomo
- pimenta do reino (compramos sempre a inteira e moemos em casa)
- óleo
- hortelã seca
Confesso que achei isso uma mistureba sem tamanho e pensei, vai dar me@$%%. ops, não posso dizer o que pensei.
- Mas que coisa esquisita, não quero nem ver!! – disse e ele ficou bravo.
Passados uns minutos, pediu minha ajuda para fritar a hortelã seca no óleo (ãhn??)… reclamei e falei que aquilo era muito ruim. Musta ficou bravo de novo comigo e mandou eu fritar. OK.
Bom, só sei que ele mistura o resto dos ingredientes e vira uma espécie de pasta, e por cima joga essa hortelã frita. E depois se come com pão árabe.
Ficou assim:
Preciso dizer que comi tudo? ahaha Delíciaaaaaaa!!! Um sabor diferente, a hortelã ficou suave e o camarão, hummmm. Preciso aprender a ser menos preconceituosa com comida.
Onde saborear comida egípcia em São Paulo?
Não sei se pelo blog deu pra perceber, mas eu e Musta adoramos cozinhar e comer coisas boas por aí. Não é muito comum a gente sair pedindo comida árabe ou indo a restaurantes que se auto-denominam árabes, porque na verdade o que encontramos em São Paulo é basicamente comida Síria e Libanesa, que apesar de ser deliciosa, não tem quase nada a ver com o que se come no Egito. Então não dá aquela sensação de “revival” sabe, quando vemos restaurantes árabes diversos.
Primeiro ponto, é que no Egito não se come quibe e esfiha. No Egito o mais comum são grandes tortas de massa fininha parecida com pão (a massa não é massuda igual de esfiha, é quase um pão árabe), com recheios variados. Em Alexandria, é comum ter estas tortas de frutos do mar, mas a minha predileta era de salsicha ehehe A de carne moída também sempre achei muito boa. Em São Paulo, o mais parecido que achei com esta torta foi o Beirut vendido no Lig Esfiha. Veja neste link as fotos: http://www.ligesfiha.com.br/perdizes/beirutes.html . É bem gostoso, recomendo o de filé mignon e custa R$30 para duas pessoas com 6 pedaços, mas sinceramente não dá para comer mais de 2 pedaços, pois é bem pesadão!
Bom, e meu koshary, falafel? Onde encontrar? Como os restaurantes aqui de comida árabe não têm nada de egípcio, é difícil encontrar algo que vá além do arroz com lentilha ou com macarrãozinho. Além disso, tem muito restaurante árabe aqui que cobra preços absurdos por comidas ridiculamente baratas, e o gosto fazendo em casa ainda é melhor. Por isso nem piso num Almanara da vida, acho jogar muita grana fora. No meu bairro tem um que todo mundo adora, chama Arabesco, mas sinceramente, cobram demais para fazer uma comida caseira.
Mas nada que não se dê um jeito. Uma rede de comida por quilo de altíssima qualidade apareceu em São Paulo faz uns 2 anos, e está em alguns shoppings. O nome em árabe tá todo errado, chama Kalili, mas ninguém se arrepende de entrar lá. O preço do quilo é uns R$45, é caro, eu sei, mas para o padrão de São Paulo está bem normal. Bom, o local tem vários tipos de saladas árabes, a parte de quibe esfihas e o melhor de tudo, a grelha. Lá você encontra um kebak bem parecido com o que se come no Egito, a kofta é muito boa também. Mas no buffet, você encontra tudo que um egípcio quer: tahina, falafel, cebola fritinha (que misturada com o arroz de lentinhas e tahina, até que lembra um koshary), pães e salada de repolho. Eu geralmente pego um pouco de cada e encho de pão árabe, pois egípcio adora comer tudo com pão, fazendo conchinhas, e é assim que nesse quilo dá pra virar um verdadeiro egípcio, fazendo conchinhas com kofta, tahina e outros temperos. Eu sei que tem no shopping Bourbon, shopping Higienopolis e no shopping Vila Olímpia. Obs. Não confunda com a casa de chás Khan el Khalili, que é outra coisa.
Casa da Ma e do Musta: aqui tem tudo, até frango frito inteiro, arenque (eca) e outras receitinhas. Mas pra falar a verdade, o que menos tem nessa casa é comida egípcia. Musta não sente muita falta e a comida brasileira (arroz e feijão) é mais saudável e fácil de cozinhar.
E vocês, encontraram alguma comida egípcia já em São Paulo?
Mais do mesmo: novela O clone
Estava com Musta ontem de noite vendo Passione (ou seria Chatiacione?) e estava contando pra ele que tinha feito uns posts sobre a novela O Clone, e que tinha falado que uma pessoa me contou que tinha um cena do cara com três esposas, cada uma com um filho.
Musta fez aquela cara de sempre dele, de desdém total em relação às minhas fofocas novelísticas, querendo dizer que não ia nem perder o tempo ouvindo esse tipo de assunto (Musta não discute religião, nem cultura, ele simplesmente IGNORA essas coisas – será eu ou ele que está certo? ehehe).
Pois bem, depois de ignorar meu assunto super empolgante, voltei a ver a televisão e estava passando a novela. A única parte que ele gosta é quando vem a Jéssica (não vou dar muitas explicações, mas ele compartilha com ela muitos pensamentos sobre as coisas em São Paulo ahahah) e o Berillo. Aí mostrou que ele engravidou a esposa e a ex-esposa ao mesmo tempo. Então ele fala:
-Ué, falam tanto dos muçulmanos, mas quando é assim todo mundo acha engraçado? O homem pode trair uma, ficar com duas sem assumir seus atos, e ninguém fala nada ohh coitadinha das mulheres, como estão sofrendo? Por que quando é uma muçulmana que está com um marido com mais de uma esposa têm que ficar enchendo o saco, sendo que se fosse o caso o cara tem que casar com as duas, prover tudo para as duas, assim como ser dedicado?
Fica a pergunta…
Egito versus Brasil?
A gente muda com o tempo, geralmente para melhor pois aprendemos com os erros passados. Quando eu morei no Egito, acredito que ainda era muito imatura, não sabia bem o que queria e pesei a mão certas vezes no que falava sobre as coisas de lá, até porque não sabia muito bem ainda como lidar com tudo e como recuperar minha independência, que sempre prezei tanto. E não estou falando de independência financeira, pois isso sempre tive mesmo quando morei por lá, rapidinho tratei de arrumar um trabalho. Mas estou falando de independência da vida pessoal, de saber novamente os limites do que posso falar, como posso destilar meu humor ácido (quem me conhece sabe como posso ser o ‘cão’), como movimentar, como andar sozinha, como comprar pão.
Quando vamos para outro país de cultura tão diversa, a adaptação para alguns, como eu, pode demorar um pouco, pois eu saio do total controle da situação para um aprendizado diário, e isso me cansava o cérebro. Ficar pensando como agir, como falar, como atuar para não magoar os outros, pois desde o começo a primeira coisa que senti nos egípcios foi uma educação absurda um com os outros, tudo eles falam com meias palavras, sempre tudo está ótimo, lindo maravilhoso, sempre tratando as visitas com todo cuidado e esmero, e eu com meu jeito sincero de ser às vezes assustava. Quando alguém perguntava o que eu achava do Egito, eu no começo eu falava o que pensava, que era tudo muito bagunçado. Algumas pessoas ficavam magoadas, tentei maneirar, e sempre que falavam do Brasil eram curiosidades sobre futebol, como era a economia, coisas mais positivas, e eu sempre na defensiva.
Com o tempo fui aprendendo as diferenças, admirando as coisas muito boas de lá. Nunca vi pessoas tão acolhedoras como no Egito, seja na minha família de lá ou nas ruas, onde sempre que descobriam que eu era estrangeira era tratada como rainha, até mesmo no trem onde só pessoas mais simples circulavam em Alexandria. Não entendo pessoas que vivem no Egito e não conseguem ver tudo aquilo que vivi, pois não foi 1 dia ou 1 semana, mas nove meses de puro encanto com aquela cordialidade. Eu pegava trocado na vendinha do Mahmoud embaixo de casa para pegar o taxi, ganhava doces toda vez que ia comprar konefa em Cleopatra, às vezes não pagava o tram só por falar “la ilaha ila Allah”. O cobrador sempre descobria que eu não era de lá quando eu falava “fe faka wahda” (tem troco para 1?) e ficava admirado, já perguntava de onde eu era, porque era muçulmana, etc.
Ganhei muitos presentes todo o tempo que estava lá, seja dos meus alunos na escola, ou até mesmo das pessoas da minha rua que me viam passando todos os dias. Uma vizinha, que eu nunca vi e nem faço ideia de como seja o rosto dela, me mandou uma pulseira de prata uma vez. Diz ela que me achou bonita e que sabia que eu era uma pessoa do bem.
O Egito tem muitas belezas, nem tudo é sujo ou encardido. Ou mesmo nos lugares empoeirados, existem encantos escondidos que são impagáveis e difíceis infelizmente de se encontrar em São Paulo. Depois de um tempo no Egito, vi que eles tem conceitos diferentes no que diz a limpeza, cuidado com os filhos e beleza. No começo eu gostava de comparar – ah, mas no Brasil tal coisa é desta forma, no Egito é de outra. Aliás, até hoje faço isso, mas com as devidas proporções a cada lugar. Nunca fui nacionalista muito menos patriota ou orgulhosa de ser brasileira. Não acho que temos uma história bonita (tirando os índios que moravam aqui antes, mas pouco sabemos) do resto pouco presta ou teria algum orgulho. Acho o Brasil muito corrupto e culturalmente incerto, não temos uma moral nem valores cívicos muito fortes, até por isso a violência gerada pela falta de educação e moral familiar chegou aos níveis de hoje.
Mas nem por isso deixei de optar por viver no Brasil, onde hoje vivo muito bem e feliz, e não iria para outro lugar no momento. E por quê? Para minhas necessidades profissionais e ambições pessoais, o Brasil ainda é a melhor opção, fora que tem muitas coisas que sinto prazer aqui, como os serviços, comida e minha família. Musta também se adaptou muito bem aqui em diversos aspectos, mas continua achando absurdas outras tantas coisas. Afinal, tem povo mais contraditório que brasileiro? Eu acho que não, gostamos de falar uma coisa e fazer outra, de pregar superioridade quando na verdade somos o roto falando do rasgado. E por isso viver aqui é tão divertido também.
Musta tem memória muito melhor do que eu. Sempre quando vê algumas dessas contradições, me chama e fala. Logo na primeira semana, já contei isso no blog, fomos para Santos e nos convidaram para um “frango a passarinho”. Todo mundo meteu a mão no franguinho e estava comendo normal.
- Mas no Egito você era toda fresca e falava que era nojento botar mão na comida, aí chego aqui vcs me comem esse frango com a mão e vem me falar “mas é diferenteeee”? (é Musta, aprende que brasileiro fala muitooooo, mas na prática sempre tem suas falhas)
Aí ele escuta pessoas que foram para o Egito falando que as ruas era sujas e as pessoas não tomavam banho. Ele responde:
- Por acaso onde eu trabalho só vejo sujeira também, é perto do terminal de ônibus e vi muita coisa suja e nojenta no chão. Às vezes chego cedo, e na porta da escola temos que jogar balde de água, porque alguém até urinou na porta. Cadê a tal limpeza do Brasil que tanto falam? Achei que o Brasil todo era brilhando do jeito que falam mal do Egito. E quando vou no ônibus, tem muita gente com cheiro ruim e pés sujos, unhas pretas e um dia até um cara do meu lado ficava arrotando e ficou um cheiro podre saindo da boca dele. Os brasileiros não eram o povo mais limpo do mundo? (calma Musta, brasileiro fala muito mesmo, mas esquecem que somos todos humanos)
E lembrando do Egito, quando vejo certos comentários por aí, lembro de ver de tudo um pouco, exatamente como no Brasil, generalizar não dá. Aqui vejo coisas boas e ruins, pessoas bonitas e limpas, outras sujas e sem educação. Lembro de no trabalho só ter meninas bem vestidas, cheirosas e de unhas feitas. Sim, algumas exageravam no estilo delas, com mais brilhos do que estamos acostumados. Mas foi raro ver alguma com maquiagem muito fora do padrão ou do que às vezes vemos por aqui também. Na média, os egípcios que conheci faziam e tinham o mesmo estilo dos brasileiros, conheciam bem sobre moda, marcas e adaptavam suas roupas conforme podiam gastar. E como sou muçulmana, sempre achei as egípcias muito bem mais arrumadas, até porque não expõe o corpo de maneira inadequada, evitando cenas bizarras do cotidiano daqui, onde banhas pulam pra fora de calças cintura baixa.
Eram todas bonitas? Claro que não, assim como no Brasil também, varia muito dos lugares que você frequenta, com quem anda e também do nível de educação (não só dinheiro faz diferença, seja no Brasil ou lá, pois mal gosto não escolhe classe social). Acho que eu sempre frequentei lugares de mais nível intelectual, então nunca tive problemas com os egipcios em relação a algo do estilo visual deles me incomodar. A não ser a decoração interna, cheia de rococós, mas aqui no Brasil cada casa é de um jeito, tem uma moda aqui de pintar parede de cores extravagantes (laranja ou verde limão) com textura que é uma beleza e não faz meu gosto também. Fora os cachorros circulando e pulando nas mesas, nas pessoas, etc, e depois falam que os egípcios é que são sujos. Pra mim limpeza não é só a quantidade de banhos que se toma por dia nem o quanto se diz tomar (até porque a maioria das pessoas MENTE aqui nestes aspectos só pra se dizer mega limpa). Eu sou assumidamente bagunceira e odeio mania de limpeza. Não corro pra lavar louça nem fico ligando se tem pó não chão e tal, porque geralmente estou cansada demais pra ficar toda hora fazendo limpeza. Mas agora, pra alegria geral da galera que adora filar bóia em casa, mas vive dizendo que está uma bagunça, contratei uma faxineira (isso foi pra você, mãe
).
O que no Egito me cansou um pouco foi desse jeito “panos quentes” deles, de sempre falarem com tanta educação que se você faz alguma crítica, mesmo que gentilmente, alguns se sentem tristes. Tem muita gente assim no Brasil e eu entro dando voadora, mas aqui as pessoas entendem melhor. No Egito, até mesmo dependendo do tom da pergunta, eles acham que pode ser um ataque. Nem no Brasil personalidades como a minha é bem vista, imagina lá. Aqui também não tenho zilhões de amigos até porque é difícil me tolerar, confesso. Mas no Egito isso foi um pouco pior, pois aqui falo e dane-se, já no Egito como dependia do Mostafa e sentia necessidade de interagir com as pessoas, tinha que ficar me controlando.
Mas esse papo é muito longo… tudo partiu daquele post anterior em que algumas discussões apareceram e fui lembrando de coisas e preconceitos contra os egípcios que constantemente fui ouvindo ao longo do tempo. Acho que a experiência Egito & Brasil é única para cada pessoa, cada um pode ver outros países conforme os lugares que frequenta, as pessoas como estão. Pode até parecer fantasioso, mas o Egito que conheci era extremamente caloroso, respeitoso com outros outros credos, com mulheres bem arrumadas e homens trabalhadores, alguns buscando chance de ter sua própria renda logo cedo, como meu marido que desde os 18 trabalhava e aos 21 já era um homem casado. Outros estão partindo para outros países, muitos com contratos na Arábia Saudita em busca de um salário melhor. Fora as amizades que tive por meio da internet, não conheci nenhum egípicio do nosso meio de convívio que casou com estrangeira. E também não encontrei conformistas por lá que acham que depender dos pais é bom ou que a vida é só beber chá e sair de noite. Devo ter tido sorte, mas encontrei no Egito muitos espíritos guerreiros e gente que estudava e via o mundo, não tapava o sol com a peneira, mas nem por isso deixava de ter orgulho da sua história e do seu país.
Mas eu sou brasileira e tudo o que escrevi não é uma crítica para cá, até porque também amo o que sou e da personalidade que tenho, que dificilmente seria moldada em outro lugar, pois só no Brasil temos tanta contradição, diversão e sonhos misturados. Amo o Brasil, mas não me orgulho dele, são coisas diferentes. E amo o Egito e felizmente me orgulho de hoje ser metade de lá, pois aprendi valores muito importantes e que hoje posso replicar por aqui também com meu marido. É um sentimento todo misturado, só sou eu mesma pela criação que tive aqui e a liberdade que encontrei no Brasil, e depois de adulta pude escolher sozinha o que achei melhor para mim, ao mesmo tempo não me sinto brasileira em muitas coisas. Eu odeio música nacional, por exemplo, e pode ser desde os funks podres até Chico Buarque com suas letras mirabolantes, é um saco pra mim tudo.
Posso dizer que voltei transformada de lá. Não acho o Egito um bom lugar para se viver dentro das minhas perspectivas e do que quero para mim, mas é algo que sempre sentirei falta. Ao mesmo tempo, deixei de achar o Brasil superior só por “achar”. Hoje analiso as coisas com muito mais frieza e penso antes de ficar falando dos outros, pois vejo que as mesmas coisas ruins que vemos no Egito, encontramos de monte no Brasil. Assim como as boas, tem muita coisa aqui que me faz feliz, assim como lá. E não tenho dois países no meu coração, mas sim uma experiência de vida completa, que se formatou a partir do momento em que vivi lá e depois voltei. Alhamdo lellah, só tenho a agradecer a Deus por ter me dado tantas coisas felizes, seja lá ou cá, e ter podido escolher onde eu queria viver para ser feliz da minha maneira. Ah, e claro, ter o melhor marido do mundo (pra mim ele é, lógico, só tenho ele
), que ajuda muito nisso tudo.
Curiosidades egípcias
Mesmo depois de três anos de casada, tem horas que ainda descubro ou lembro de diferenças culturais básicas entre eu e meu marido egípcio, e geralmente morro de rir, né?
Estávamos decidindo a ordem de quem iria primeiro em um lugar, não lembro o que exatamente, e minha mãe falou:
- Ah, tira par ou ímpar com o Mostafa pra decidir?
- Então eu quero par! – Falei.
- E ele, o que??? Não entendi…
Ou seja, não tem par ou ímpar no Egito, minha gente!! Quer dizer, pelo menos é o que meu marido louco falou, ele disse que usam só cara ou coroa se é com dois, e se estão em três um negócio mais louco com a mão encostando no peito, nem tem como explicar!!
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Outra coisa q muitos egípcios - e outros gringos – não entendem, é nossa maneira irônica de falar as coisas, geralmente sempre usando o contrário do que na verdade queremos dizer. Por exemplo, passo em frente ao Tietê e sinto aquele cheirinho de coisa podre e falo:
- Hummmm, que cheiro bommmmm!!!
Mostafa: – Boooom?? Você tá louca, tá fedido!!
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Coisas engraçadinhas
Algumas situações na minha vida sempre são engraçadas por conta do meu marido ser egípcio/muçulmano/gringo.
Situação nada a ver/estranha:
Uma pessoa que me conhece apenas do lado profissional se aproxima e diz:
- Nossa Marina, você viu quem está aqui essa semana? – pergunta.
- Quem?
- Aquele cara lá, seu marido deve estar feliz… – retorna.
- Mas não entendi, quem tá aqui?
- O presidente do Irã, o Ahmedinajed, seu marido tá gostando né?- falou.
- Ãhn? Não entendi… – respondo, segurando pra não responder com sinceridade.
- Ah, não tem nada a ver com ele né? – falou encabulado.
- É, nada a ver mesmo – respondi segurando a risada enquanto minha colega do lado abaixava a cabeça pra conter o riso.
***
Situação para risos:
Estamos em casa reunidos com minha família. Depois de um churrasco, decidimos jogar Master, aquele jogo de perguntas e respostas sobre assuntos diversos. Cada um vai jogar por si e Mostafa entra na brincadeira. Ele vai na categoria Esportes no começo e como as perguntas são sobre futebol, acaba conseguindo se virar bem. Eis que ele muda pra categoria cotidiano e começam a vir umas perguntas envolvendo português e coisas específicas do Brasil.
- Ah, mas eu vou trocar essa pergunta pro Mostafa, sacanagem só vem coisa relacionada a português, não é justo com ele, não vai entender. – falei para todos.
- Nãoooo, não, entrou no jogo aí é sorte, a pergunta vai ser aleatória – todo mundo respondeu, e Mostafa só ria.
- Tá bom , mas já estou avisando que ele não vai saber responder essa aqui. – falei, a protetora do maridão.
- Marina, pergunta logo!!! – falou Mostafa pra mim já bravo :-d
- Então vai lá, essa pergunta é muito ridícula mas vc não vai saber. “Qual é a árvore que dá maçãs?” – questionei.
No mesmo segundo, Mostafa responde: – A macieira, ué!
- Errrrrrrrrrr Marina, cala a bocaaaaaaaaa, seu marido sabe mais que você!!!! – ficaram tirando com minha cara
- Eu não acredito que ele sabia. Como que você sabia isso Mostafa?? – indaguei.
- Ué, mas era muito fácil. – respondeu com o sorrisinho irônico.
***
Ela se foi…
Muitas coisas boas aconteceram nos últimos dois meses. Para quem não sabe, minha sogra egípcia veio para o Brasil e finalmente reunimos as duas famílias que não se conheciam. Essa coisa de amor a distância causa esse tipo de problema: as famílias poucas vezes têm a chance de se conhecerem.
Internet ajuda, mas é muito diferente de ver a pessoa perto, saber como ela age, seu olhar e como ela reage às coisas que vê. Agora que tudo já passou, parece até um sonho que minha sogra esteve aqui, depois de dois anos sem nos vermos. Para ela, uma experiência de vida única, já que a chance de uma mulher da idade dela no Egito fazer uma viagem dessas é bem remota. Ainda mais para um país exótico como o Brasil (sim, Brasil é exótico para eles, afinal, que egípcio um dia imaginou vir passear no Brasil, sem antes pensar nos lugares mais óbvios tipo Europa e EUA).
Foi uma visita divertida, apesar da bagunça em casa, já que não tenho muito espaço. Ri com muitas coisas e hábitos diferentes dos egípcios, que tinha me esquecido. Mostafa nem conto mais como egípcio, porque ele faz tudo diferente e do jeito dele. Também nos divertimos com as confusões linguísticas, pois apesar da minha sogra falar inglês e ter vivido em Londres, ela não pratica muito no dia a dia e isso criava situações muito cômicas. Ela logo aprendeu a falar coisas básicas, tipo “obrigada”, “muito bonito”, “tudo bem” e “aqui”. No final agora até os contextos da novela ela já entendia, já que ela achou a qualidade dos programas daqui muito superiores aos árabes (na minha casa só tem ART internacional, uma porcariaaaaaa).
Fomos para lugares fantásticos para ela. As montanhas a caminho de Santos, a neblina. Tudo para ela era muito novo. Ver aquela floresta densa, o mar lá embaixo. E depois, para o interior, se surpreendou com o que é fazenda e o que são os fazendeiros para nós. Enquanto no Egito as propriedades rurais são pequenas e muitas vezes seus moradores simples, aqui na “Califórnia Brasileira”, região de Ribeirão Preto, ela viu o que é uma potência agrícola. Ficou depois numa cidade pequena de Minas, onde as pessoas era mais abertas que em São Paulo, onde a vida parecia correr em outro ritmo.
Em São Paulo, aproveitou as vantagens em serviços, viu que cada tipo de carne tem um nome e uma forma de ser cozida e preparada, já que no Egito os açougueiros vendem tudo como se fosse a mesma coisa e com isso dificulta o preparo certo. No supermercado, gostou dos legumes já limpos, separados e muitas vezes cortados. As possibilidades de escolha. Também riu quando viu um casal se beijando na escada rolante, quando viu o noivo da irmã a abraçando na frente do meu pai. Ficou vermelha de vergonha quando dei um selinho no Mostafa na frente da minha família, no Egito, diz, isso não poderia acontecer jamais!
E se surpreendeu a ver muita gente independente aqui, minha vó que mora sozinha em outra cidade e não depende de ninguém. Começou a ver que ser mulher e viúva não significa que sua vida acabou, que há muito ainda a ser explorado e conhecido, apesar da cultura de seu país muitas vezes pedir o contrário. Aqui ela deixou de usar só preto, testou novas cores de lenços e roupas, viu gente de todas a cores e todos os estilos e se surpreendeu ao ver que quase ninguém se importava com o que o outro fazia. Até mesmo ela com hijab só ouviu gracejo uma vez, quando um moleque gritou “Are baba” no meio do parque.
Aqui ela viu festas de aniversários alegres, mesmo de gente mais velha, reunindo famílias e amigos. E percebeu que ninguém ficava esperando presente, a presença já bastava. E viu a gente dividindo as despesas na hora de pagar a conta no restaurante, coisa que no Egito seria uma grande falta de educação. Mas gostou do sistema, pois assim todos podiam sair mais vezes, o que no Egito acaba ficando proibitivo já que a educação local demanda que quem convida, pague a conta. Ou seja, convidar é um pouco difícil.
Passou mal na primeira vez que foi na churrascaria e a obrigamos a comer demais. Se surpreendeu com tantas formas que utilizamos o milho para comida. No Egito, só largam na churrasqueira e pronto. Aqui até doce fazemos! Aprendeu novas receitas e comeu mandioquinha. Não gostou muito do pão francês, queria mesmo só o pão árabe que achava no supermercado.
Além disso, ela viveu com meus gatinhos e viu como os animais são tratados aqui de forma diferente. Foi numa loja gigante só com produtos para animais e ficou completamente abismada. Dois andares de produtos só para eles, um corredor só de roupas que ela falou que daria para muitas crianças. Ao sair, estupefata, falou que os cachorros são melhor tratados aqui do que os humanos pelo governo no Egito. Mas eu lembrei ela, ao passar por uma favela, que aqui também não é muito diferente neste quesito.
Ela gostou de ver muito verde, das lojas bem arrumadas. No último dia, falou que uma das coisas que mais tinha gostado era o silêncio no trânsito. Não havia nenhum som das buzinas caóticas do Cairo ou Alexandria, tocadas a cada dois segundos mesmo sem necessidade.
Mas no fim, já sentia falta de sua casa, seu canto. É o natural, assim é a vida e no final das contas, rotina também é bom.
O grande problema desse encontro todo é que a saudade de todos ficou ainda maior. Com a distância e o tempo, ficamos apáticos e aprendemos a conviver com a perda. No reencontro, tudo se acende, memórias novas são criadas, momentos de união e fraternidade familiar voltam a existir.
E tudo se acaba rápido demais. Ela tão pequena e frágil, se despediu com lágrimas nos olhos. Foi doído ver seu corpo pequeno esperando na fila para passar no Raio-X. Olhou para trás já sorrindo e deu um último tchau, mandando beijos e balançando os braços. Cheguei a ver ela passando rapidamente perto da imigração, até que os muros do aeroporto nos separaram de uma vez. E a pior despedida é essa: quando não fazemos idéia se um novo encontro será possível.

Mama e eu na mesquita em SP, durante o ramadã de 2009
A vida corre
Quando eu paro para pensar que em somente três anos eu fui para o Egito, vivi tanta coisa, voltei pra são Paulo, trabalhei tanto, mudamos de casa, viajamos para tantos lugares, conhecemos tantas pessoas, me falta até fôlego.
Aliás, a vida anda tão corrida que às vezes nem acredito que fiz tudo isso. O Egito ficou como aquela memória antiga, às vezes até parece que nem fui para lá um dia. Tudo já mudou, a experiência foi se transformando e se não fosse pelas fotos, nem acreditaria que eu conheci as pirâmides. Como já disse, minha memória não é das melhores, então todas as lembranças, com o tempo, vão ficando como lampejos de imagens, sons e cheiros daquele lugar.
Antes eu tinha uma saudade louca do Egito, de ouvir “Salam ya baladi” e ficar chorando com o Mostafa. Mas a saudade distorce os fatos, pinta a realidade de cor de rosa. Tudo que ficou longe parece mais encantador. Com o tempo e a vida estabilizando, nos tornamos mais racionais e vivemos o presente com cada vez mais intensidade. Hoje estou no ponto de que não sinto mais aquela saudade apertada do Egito. Claro, amo tudo aquilo e se pudesse, pegaria o primeiro avião para passar umas belas férias. Isso mesmo, férias, porque morar eu sei que não dá para mim. Já tentei uma vez e acredito que até mesmo o Mostafa não conseguiria fazer esse retorno.
O Brasil, bem ou mal, se mostrou um belo campo de oportunidades para nós juntos, em parceria. Não porque aqui é um mar de rosas e fácil de se vencer na vida. Mas porque aqui, pelo menos, para quem tem força de vontade e não tem medo de perder noites de sono atrás de um futuro, as coisas podem sim acontecer. No Egito é difícil até mesmo se escolher o curso de faculdade que se quer fazer ( eles usam um sistema de notas no colegial, e não tem segunda chance). Aqui tem faculdade em cada esquina e com vestibular a cada três meses. Nem todas são boas, não estou falando disso, mas existe sim um maior poder de escolha. Isso dá novas chances de ver a vida, de experimentar e voltar atrás se não gostar. No Egito, às vezes uma decisão não tem volta.
Mas esse nem é o caso do Mostafa, porque ele não gosta dos cursos oferecidos aqui na área que ele estuda. Na opinião dele, deveria haver uma opção de curso 100% em língua inglesa e já tentei explicar mil vezes que valorizamos nossa língua, que existe um tal de MEC, que um curso pode ser bom mesmo em português, mas não adianta. Para ele, neste ponto, os atrasados somos nós. Em certa parte concordo, pois diversos países europeus oferecem cursos em inglês, mesmo falando outra língua, justamente por ser um facilitar e, bem ou mal, já é uma língua universal. Não sou nacionalista ao ponto de ficar defendendo o português com unhas e dentes, para mim comunicar é o que importa, mesmo que seja com mímicas.
***
E de volta a saudade, é ela que colore nossas lembranças deixando apenas os momentos bons marcados, é ela quem descolore aquelas horas ruins, os problemas e as reclamações. Hoje consigo ver o Egito de forma menos passional, amadureci um pouco e consigo distinguir melhor tudo que passei por lá e continuo vivendo.
Foi uma experiência fantástica, que antes achava que não tinha aproveitado tanto. Para quem não me conheceu antes, quando eu estava no Egito, meu sangue fervia com várias coisas que eu via lá e não concordava, me irritava com os mínimos detalhes e demorei um bocado para me adapatar. Eu comecei a achar que o Brasil era maravilhoso, que o país era quase um primeiro mundo. Só fui me dar conta do que estava perdendo na noite antes de ir embora. Como um clique, vi como eu tinha perdido muito tempo reclamando de coisas que, na verdade, eram muito boas também.
Aí voltei para o Brasil, o oposto aconteceu. O Brasil parecia totalmente sem sal, as pessoas eram cubos de gelo perto dass egípcias calorosas que viviam me agarrando. As pessoas não falam alto como os egípcios, nem ficam grudadas como lá, perguntando os mínimos detalhes da sua vida. Fiquei chocada ao descobrir que tem muito brasileiro que só é hospitaleiro quando quer que a pessoa faça exatamente o que ele gosta, como beber algo alcoólico ou ir para a balada, o que estava totalmente fora dos nossos planos e valores. Não voltei para julgar valores brasileiros, mas vi muita coisa que antes era comum para mim, e que depois do Egito me pareceram absurdas.
Nesse comecinho, a mudança é sempre complicada, e o Egito virou aquela bola de ouro na minha cabeça, como tudo era calmo, eu tinha paz, podia usar meu hijab, sair na rua à toa de mãos dados com o Mostafa sem medo de nada. E ai de quem falasse um “a” do Egito. Tem sempre aquele brasileiro sem noção que, ao invés de perguntar sobre as coisas boas, já chega com críticas nada a ver. “Nossa, você morou no Egito, ouvi falar que lá é muito sujo, não é?”… meu, você fala isso para um egípcio que acabou de aportar no seu país? Vai ser grosso pra lá… Brasileiro adora esse tipo de comentário, às vezes fala de pobreza, ou de mulheres oprimidas, aquele blá blá blá de sempre. Porque não perguntam sobre pirâmides, é mais simpático.
Mas os dias e meses foram se passando, a vida demorou um pouco para entrar nos eixos, mas aconteceu. Mostafa, apesar da dificuldade de ter de começar do zero, até mesmo do ponto linguístico, estudava até dormir em cima dos livros, e a recompensa veio mais tarde. Como ele sempre diz para mim, Deus olha para quem se esforça. E quem sobe na vida passo a passo, consegue um futuro mais promissor. Não adianta querer chegar no Brasil com 21 anos e esperar que um bom emprego vai cair do céu, que vai ser diretor de empresa nos primeiros anos ou que todo mundo vai te respeitar profissionalemtne no começo, sem ao menos falar direito o português. A vida não é feita de contos de fadas, e não acreditamos neles, por isso todo esse período de adaptação é bem delicado.
E assim foi, no estudo diário dele, na minha busca por crescimento profissional do outro lado, as coisas foram acontecendo aos pouquinhos e hoje nos consideramos felizes no Brasil. Já se foram 2 anos de Brasil, quase 3 de casamento, e parei de me iludir com bobagens sobre o Egito ou o Brasil.
Aprendi que viver comparando como sempre fiz era uma grande perca de tempo, pois são dois lugares completamente diferentes entre si e que um nunca será nem mesmo próximo do outro. Que se em um eu desperto com o Azhan, mas tropeço em lixo quando caminho, no outro passeio de carro no shopping, mas tranco bem as portas quando chego em casa. As necessidades dos egípcios e dos brasileiros são bem diferentes, por isso a forma que cada um encara a vida e a planeja, é tão diversa. E hoje agradeço por ver tudo isso de forma mais clara, para poder aproveitar toda experiência que tive em um grau mais elevado. E isso faz parte da maturidade, de crescer e ver a vida sem histeria para apenas aproveitá-la e buscar em cada segundo dela formas novas de ser feliz.

A prova de que estive no Egito
Egípcia no Brasil
Segunda feira estava muito quente. Ontem choveu, deu trovoada e bateu um ventinho mais frio. No final da noite nem estava mais tão frio ainda e hoje já vejo o sol. A mama egípcia achou o tempo aqui muito maluco. Nunca viu chuva com calor antes.
Fomos no shopping sozinhas. Fiz ela comer pão de queijo. Como fui num lugar bom ninguém ficou olhando ou falando algo do hijab dela. Só uma mulher estranha que ficou uma hora olhando mil vezes para trás e chegou a apontar, para mostrar para o marido. Mas parecia que ela queria falar alguma coisa para a gente, só que o marido não deixou. O que será, né? Mama nem viu, ainda bem.
Achei ela muito desconfiada ao andar por aqui. Ficava olhando de um lado para o outro. Só relaxou quando sentamos pra tomar um café. Depois fui no supermercado comprar um chinelo. Mas ela não deixou porque as havaianas custavam R$ 30 (gente, como ficou caro esse chinelo, não era coisa de 10 reais?) o que em libras egípcias daria 90 LE.
- O que?? 90 LE por um chinelo para andar em casa?? Nãooooo!
Andando no shopping, ela falou alguma coisa em árabe quando viu um casal na nossa frente, e a mulher estava dando tapinhas na bunda do marido eheheeh Ela achou aquilo muito esquisito, mas levou na esportiva.
Andando nas ruas de carro, ela disse que São Paulo é igualzinho a Jeddah, cidade da Arábia Saudita que o outro filho mora. Mas como? Acho que Jeddah deve ser bem mais organizado que Sampa e beeem diferente ehehehe Mas ela ainda tá achando igual, com muitas árvores na rua (ela ainda só conhece o bairro do Pacaembu ehehe) e prédios modernos. Ah, ela também comentou isso: os prédios em SP são muito altos! Ela também se surpreendeu ao ver uma menina andando de bicicleta e outras com roupa de ginástica bem justas e curtas correndo no corredor verde da avenida…
A adaptação está tranquila




