I believe


*Desculpem a falta de posts, está difícil, apesar de muito precisar ser escrito*

 

Passando só para deixar uma música nova que gostei. Eu acho que alguns sentimentos são universais, não importa sua religião, se todos compartilhassem as coisas boas de Deus, esse mundo seria muito melhor!

 

Uma brasileira no Egito – fotos da revolução


A minha querida amiga e aluna do marido está no Egito esta semana e está postando fotos maravilhosas de lá. Dois recados que eu queria dar: se você é turista e está com medo de visitar o Egito, não pense nisso!!! O EGITO precisa de você turista, o país depende muito deste setor para sobreviver e infelizmente muita gente está com medo. A Isabel está hospedada perto da praça Tahrir e disse que fora as zonas de concentração, o país está normal, porém com muitos poucos visitantes.

O segundo recado é: o EGITO está lutando e é um grande exemplo para nós!

Agora, as fotos:

Uma mente simplista


Confesso que devo ser uma pessoa de mente muito simples, sem grandes conexões ou opiniões. Pra mim, tudo no mundo é mais fácil do que ele é apresentado nas notícias, nos blogs, nas discussões de facebook. Para mim, se a pessoa quer ser punk, gospel ou munaqaba, tanto faz. Ela está feliz? Está suprindo suas necessidades sendo assim? Então, parabéns, que ótimo, seja feliz, eu não tenho nada a ver com suas escolhas.

A minha visão de mundo é muito natural, cada um tem seus gostos e suas crenças, e não sou eu que vou mudar a opinião de ninguém. Aliás, o mundo é tão divertido quando conhecemos pessoas diferentes, que pensam outras coisas, que nos fazem pensar ou refletir, às vezes até mudar.

Viver sem preconceitos ou ideias formadas não é fácil. Claro que às vezes me pego fazendo algum julgamento, tentando entender ou comparar alguém que é diferente de mim com o que penso. Geralmente chego no vazio, pois impor o que se pensa para o outro nada mais é do que correr em círculos sem fim. Agora, o que mais me surpreende, é quando as pessoas tentam impor o que acham certo em relação à fé para os outros. Uma coisa é eu achar que tal pessoa deveria usar roupa rosa, ao invés de branca, porque fica bem nela. Outra coisa é eu dizer que ela tem que seguir a MINHA regilião – onde também se inclui modo de vida – só porque acho que é melhor.

E esse debate, é necessário em todos os lados. Hoje, me deparei com uma pessoa escrevendo isso no facebook (sobre aquela blogueira egípcia que tirou uma foto nua, pra quem vale esse post também):

” Fala pra ela vir pro Brasil, aqui muie pelada da revista e não pedrada! Esses muçulmanos são loucos, mata a mulheres se colocar o olho pra fora da burca, e anda de mão dada com macho na rua! Aff! Maricones loucos!”

O que dizer para alguém que tem coragem de ser ignorante em público? Que tem coragem de ser racista, julgar um povo inteiro os “muçulmanos”? Imagine se você trocasse a palavra muçulmano por “preto”, daria até cadeia né? Aliás, eu acho que isso é também racismo, não sei como a lei interpreta isso, mas acho vergonhoso alguém em pleno século 21, que mora no país “da liberdade”, ter coragem de se expressar assim em público.

O que nos leva a achar que sabemos exatamente como um povo vive? E a pensarmos que em tudo somos superiores? Por que uma questão de crença e fé, precisa ser ofendida? E como disse, isso é uma conversa em diversas correntes. Por que, no Egito, precisavam criar polêmica se a menina tirou roupa? Por que, no Egito, namorados não podem se abraçar nas ruas? Por que, no Egito, as mulheres não podem se vestir como queiram? Sei lá, para mim é uma questão tão simples, cada um faz o que quer. Se na minha crença, eu acho que me cobrir é o correto, ótimo, agora sair desse pressuposto para já sair de casa e agredir alguém porque não segue o que eu quero, é o cúmulo do egocentrismo, certo?

Então, porque vivemos em países, sociedades (seja no Brasil, no Egito) que estimulam esse egocentrismo, em que existe só um modelo correto? No fim, todos os países e sociedades são imperfeitos, e esse post todo é uma grande perca de tempo, pois quem deveria ler, se um dia refletir sobre isso aqui, vai continuar achando sua ignorância algo superior que este meu simplismo romântico.

Revoluções são sempre perenes…


Mudanças, sejam elas quais forem, são sempre doloridas, sofridas. Nós, humanos, estamos acostumados com nossa rotina, com as coisas que conhecemos, que mesmo não sendo perfeitas, estão ali fáceis, na mão. Toda mudança exige que nos movamos, que saiamos da zona de conforto. É sempre dolorido mudar, às vezes nos adaptamos rápido à ela, às vezes demora muito tempo para deixarmos de nos incomodar pelo que está diferente agora.
Se tudo isso já é válido para coisas simples, como mudar um hábito, imagina quando a mudança se dá no sentido mais amplo da palavra, na revolução. E não, não é só uma revolução interna ou luta psicológica. É algo real, nas ruas, que impacta a sua vida como um todo. É a comida que fica mais cara, o transporte que fica ainda mais precário, os serviços públicos que perdem referência.
Revolucionar um país é abrir mão das coisas básicas, da estabilidade, talvez perder seu emprego. Quem de nós, aqui no Brasil, não pensaria duas vezes antes de ir a um protesto contra a corrupção, derrubar o governo (que sim, merece uma ampla reforma), perdendo um dia de trabalho? É difícil, querer a gente quer a mudança, mas fazer revolução é colocar seu país na berlinda, saber que nada mais será o mesmo, e não ter certeza de que o que virá depois, será realmente melhor, pois a política é feita de jogos que poucos de nós realmente conhecemos. Será que nós, no Brasil, colocaríamos a estabilidade de nossos empregos, o que já conhecemos, mesmo com tanta violência e problemas, no fogo por uma revolução?
Pois é por isso, justamente, que admiro a força dos egípcios. Eles viveram 30 anos em uma ditadura. Foram educados sem pensamento analítico, por isso muitas pessoas não conseguem ver a malícia do mundo, sempre aprenderam que o que a mídia oficial, a televisão, mostra, é a verdade. Não aprenderam a dizer não, não é justo, não está certo. O governo, se aproveitava dessa massificação, e dava pílulas de mentira, em forma de subsídios para o pão, óleo e outras coisas tão simples. Ninguém pensava que isso era esmola, era muito pouco. Pois, como disse, mudar é dolorido.
E os egípcios estão vivendo essa revolução. A carne está com preços abusivos, os turistas sumiram, quem não perdeu emprego, está perto de não ter mais o que fazer, pois a economia quebrou. Eles estão pagando uma conta muito cara. Só quem vive na insegurança, na instabilidade, sabe o quanto isso dói.
E o que tem acontecido na Tahrir é mais uma mostra da força que eles têm. A saída de Mubarak, como sempre acreditei, não era o principal, pois ele só estava no poder por causa dos militares. Esses sim, trataram que pegar o poder, na hora que quiseram, e obviamente iria criar sempre mais problemas para continuarem no governo. Adiar eleições, criar tensão religiosa, é isso que eles querem para manter um Egito desunido e sem forças.
Mas os egípcios não se deixaram levar, e estão nas ruas, lutando e morrendo, em revolução, na dor. Em troca de que, eles ainda não sabem, mas estão no meio de um caminho sem volta. Que Deus conforte as famílias egípcias, que possam manter seu sorriso e calor, mesmo em tempos tão cruéis.
Vejam isto abaixo. A realidade é fria:

Amando no silêncio


Ele provavelmente não vai gostar deste post. Reclama de abraço, de beijo, não responde se perguntamos sobre alguma possível namorada. Fecha a cara ao menor sinal de contato físico, não sabe sorrir em nenhuma fotografia, precisa sempre erguer as sobrancelhas grossas ou fazer alguma careta, como se fosse proibido ser bonito.

É a minha cara, minha versão masculina. E somos parecidos não só por fora, mas crescemos aprendendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas músicas, andando sobre o mesmo skate. Já fui sua heroína e também seu maior exemplo de desgosto. Nunca falou que gosta de mim, mas sei que sempre se lembra de vários momentos comigo.

Ele não está acostumado a receber elogios. Cresceu achando que suas vitórias não são importantes e por isso, às vezes, acha que não precisa se esforçar ao máximo, pois ninguém vai notar. Não é de vibrar, nem de sonhar, tem os pés firmes no chão, feitos blocos de concreto. Não posso dizer que isso é só uma capa, uma máscara, pois ele é transparente, claro e direto sempre.

Já passou despercebido, mas também foi muito aplaudido e virou um astro – pelo menos para mim. Já cantei com ele, viajamos soltos pelo mundo, já fui sua responsável, e também a que o ensina a fazer justamente o que não deve. Não sei quase nada da sua vida particular, apesar de termos vivido mais de duas décadas lado a lado.

Do meu quarto, ouvia sua respiração. Ouvia sua música, as ligações que recebia. Nunca nos cobramos nada, mas já trocamos agressividades e palavras vãs, como é típico de pessoas na nossa situação. Já vimos juntos campos de girassóis, cumes de montanhas nevadas, cachoeiras perdidas. Já passamos uma noite procurando onde dormir, desatolamos um carro, fumamos um cigarro.

Já fomos melhores amigos, e às vezes indiferentes conhecidos. Pouco sei do que faz na verdade, se já amou alguma menina, o que realmente quer da vida. Mas tenho orgulho de tudo que vivemos, da pessoa que é. Admiro suas conquistas, sua felicidade quieta e comedida. Porém penso que isso seja só um de seus lados, que eu não conheça muito mais, como um iceberg, só vi uma pequena parte do que tem a mostrar. E é isso que fazem as pessoas fantásticas, não precisam forçar ou pular na sua frente. Com muito pouco, já se gosta, se quer estar perto, mesmo que seja em silêncio.

Nunca disse te amo para ele, nem nunca vou ouvir isso da boca dele. Mas quem disse que é preciso usar palavras?

Não foi acidente – assunto sério


Gente,

vou tomar um pouquinho do tempo de vocês pedindo uma coisa séria. Vamos assinar esta petição, que está sendo coordenada pelo irmão e filho de duas mulheres – mãe e filha – que foram atropeladas e mortas aqui em São Paulo ao sair de um shopping, por um motorista bêbado. Como a lei seca não é aplicada com dignidade para as vítimas no nosso estado, ele está tentando de alguma forma pleitear uma mudança nas nossas leis.

Sinceramente, não dá para aguentar mais tanta impunidade no nosso país, as pessoas fazem o que querem, matam, roubam e nada acontece. É um escândalo atrás do outro na política, corrupção, a sociedade está apodrecendo por falta de justiça e temos que de alguma forma agir. Brasileiro só faz passeata quando é parada gay (estou riscando antes que receba outro comentário me chamando de homofóbica sendo que me referi à festa em si, que não tem nada a ver com luta de direitos de IGUALDADE e desviando a importância deste post), existem shows religiosos que atraem milhões, porque será que nas coisas que interessam, a gente é tão passivo?????

Bom, eu só peço alguns minutinhos para tentar mudar algo. É só entrar nesse site aqui: http://www.naofoiacidente.com.br/ (para pegar informações do seu título eleitoral, é só ir aqui: http://www.tse.gov.br/eleitor/titulo-e-local-de-votacao)

Para ler mais sobre o caso:  http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/10/familia-de-atropeladas-na-zona-oeste-de-sp-faz-ato-por-mudanca-de-lei.html

Foto da campanha, que por coincidência, mostra as duas no nosso lindo Egito. Fico feliz que elas puderam ter esta experiência antes de serem brutalmente assassinadas.

Maravilhas


Quando eu fui para o Egito, segui direto para Alexandria, ou seja, não vi pirâmides ou aquilo que as pessoas entendem por “Egito”. Estava no Mediterrâneo, numa cidade onde cafés com clima europeu são o maior atrativo para o dia a dia, não cruzava com atrativos turísticos todos os dias. Depois de uns dias, acabou aquela coisa de surpresa pelo que é o Egito, e de tanto eles falarem que as pirâmides era algo “normal”,  acabei achando que era normal, da altura de um prédio sei lá.

Só sei que depois de uns 20 dias de Egito, quando finalmente fui pro Cairo, finalmente marcados de ir nas pirâmides (aliás, dias inesquecíveis com Melly – outra brasileira – ehehehe). Estávamos naquele trânsito caótico, muita gente atravessando a rua, prédios, etc, que nem estava mais me preparando para o grande momento. Eis que, num relance, de repente vejo a forma triangular despontando atrás de uma construção. Que?? Ãhn??  Me subiu um arrepio pelos braços, os olhos molharam, era algo muito mais gigantesco do que eu podia imaginar, descomunal, fora da realidade humanda. Não, não tinha um tamanho de um prédio que eu conhecia, era muito maior, mais largo, incrível.

E eis, que anos depois desse arrepio, estou numa viagem de trabalho em Foz do Iguaçu, no Brasil, e só no último dia dou uma escapada para conhecer as tais cataratas do iguaçu. Eu, como boa brasileira, já vi dezenas de cachoeiras na vida, nadei em muitas, caí em outras (sim, eu já caí sem querer num rio e quase que vou abaixo num precipício ahaha), ou seja, ver água caindo é o que não falta na minha vida. Confesso que por ignorância, nunca tinha lido muito sobre essas cataratas, e acho que foi bom. Cheguei no parque de ônibus, despretensiosa. Admirei a organização do lugar, vi muitos estrangeiros, mais do que já tinha visto em outro lugar do Brasil. Ok, deve ser realmente atraente o lugar. Peguei o ônibus do parque para as trilhas, mais uns 10 quilômetros no meio da mata, refrescante.

Desci no último ponto, que daria para o mirante das cataratas. Esperei uns minutos para o grupo de pessoas sair na frente e poder entrar no caminho sozinha, eu gosto desses momentos de paz. Desci uns 100, 150 metros, não sei ao certo, e já ouvia um barulho muito forte de água. Pelo caminho que serpenteava numa descida, cheguei até à primeira visão. Não deu outra, foi só bater o olho, e a surpresa, a maravilha, ali. E foi aquela mesma sensação de arrepio, que só tinha visto com as pirâmides. Coisas tão diferentes, mas que despertam a mesma sensação, por serem impossíveis de serem reproduzidas. E Iguaçu com certeza foi a natureza mais fantástica e linda que vi na minha vida, não estou exagerando. Vá um dia, me sinto envergonhada como brasileira de não saber disso antes.

As fotos não dão a dimensão do lugar, mas fica o registro (e sim, você se molha toda ao andar por lá ehehe). Entre aqui e participe da votação para eleger as cataratas como uma das 7 maravilhas da natureza: http://www.votecataratas.com/

 

 

 

Questão de higiene


Uma das coisas que mais dá discussão entre brasileiros que conhecem o Egito e os egípcios é a tal da higiene. Não vou entrar nos meandros das questões de higiene pessoal, mas do que a gente vê num caso específico, como restaurantes.

Algumas coisas que eu vi no Egito até viraram “piada interna” para nós. Em Alexandria, perto da fortaleza de Qat Bait, tinha uma sorveteria super famosinha, com sorvetes super deliciosos que eu apelidei carinhosamente de “finger ice cream”. Escolhi um de Macadâmia, sabor não muito comum no Brasil, e o moço que servia, pegou o dinheiro, com a mesma mão, sem luvas nem nada, pegou a casquinha e serviu o sorvete de massa, moldando com o próprio dedão dele a forma da bola… ahahaah é, entendeu o porque do finger ice cream, né? Nojinho, mas eu já tava numa fase mais tranquila e comi mesmo assim ahahah E era realmente maravilhoso o tal sorvete.

Bom, fora isso, tinha o pão que as pessoas compravam nas padarias (que pareciam umas prisões com grades ahaha). Como as pessoas compravam direto saído do forno, não dava nem para carregar no braço. Então o que faziam? Simplesmente espamarravam pelo chão, pelos capôs dos carros, bancos de bicicletas. Sim, sem proteção nenhuma. Para essa comida, eu criei o apelo de “pão de areia”, porque eu jurava que quando comia sentia que tava mastigando um pouco de areia ahaha

Bom, teriam outros exemplos para compartilhar, mas na maior parte das vezes eu sinceramente não vi nada de absurdo no Egito em relação a higiene, mesmo dentro das casas, comi muita coisa boa e bem preparada. Tem lugares bons e super limpos, e lugares baratíssimos onde a higiene não é prioridade, assim como no Brasil.

Pois então, de volta ao Brasil, que a gente acha super exemplo de limpeza, eu enchia tanto a orelha do Musta que ele pensou que ia ver coisas de outro mundo aqui. Aí que com o tempo, a gente começou a ver exemplos de porquice iguais do Egito, e claro, não é maioria, mas tá no mesmo nível.

Fomos num restaurante italiano super conceituado na rua Pamplona, pedimos um antepasto de beringela super delicioso. Quando estou na terceira, quarta colherada, vejo algo se mexendo. Estava cheio de bichos, minhoquinhas, sei lá o que era, lá dentro mexendo. E antepasto é coisa assada gente, não era bichinho vindo da terra porque o produto tava fresco :-S

Depois, estávamos em Santos uma vez, e procuramos uma padaria para tomar café da manhã. Na porta, eles estavam vendendo aqueles frangos, feito nas máquinas. Quando estava saindo com meu carro (porque não vi isso antes), como eu estava estacionada num ponto que dava pra ver atrás do balcão do frango, vi o moço que preparava os assados simplesmente pegar um espeto pronto e colocar no chão! SIM, NO CHÃO!!! E depois de alguns segundos, pegou o mesmo espeto que tinha uns 5 frangos, e botou na mesa para começar a cortar para vender.

- Viu Marina, você fica falando mal do Egito, mas o Brasil é a mesma coisa!!!

- Ah, não sei não Musta, lá a coisa era bem descarada, aqueles pães no chão.

- Ué, mas aqui a gente acabou de ver o frango no chão.

- Tá, mas tem o finger o ice cream…

- A única diferença é que a gente faz na frente dos clientes, no Brasil eles fazem escondido. Os egípcios são mais sinceros e verdadeiros, ué!

- ahahahaha tá certo, Musta, essa vai pro blog.

ps. Em nove meses, eu tive uma infecção alimentar no Egito. No Brasil, já faz 4 anos que estou de volta, e já tive umas três. No final das contas, acho que estamos mesmo quites.

A arte de se transformar


Meu casamento começou de uma forma diferente, em que os desafios do início devem ser bem diferentes de um casal que se casa de uma maneira mais típica, como entre amigos ou na mesma cidade.  Acredito que cada um tem sua história e momentos diferentes de aprendizado na vida, e é isso que faz esta diversidade do mundo.

Quando eu me casei, não me preocupei como vejo as noivas que conheço, com o vestido que iria usar, com a loja na qual escolheria o bem casado ou onde fazer minha lista de presentes.  Na época, eu estava preocupada em tirar o passaporte, selecionar o que caberia em duas malas e… não me lembro de muita coisa. Eu só sei que o casamento em si, não foi um grande evento para o qual me preparei. O que me tirou noites de sono e me fazia desabar em nervosismo, era o caminho.

Sim, não é fácil pedir demissão de um emprego bacana, ver sua casa pela última vez, explicar o que eu estava sentindo para meus pais. E também concordo que, se não fosse eu, também diria que a pessoa era louca e precisava é de psicólogo. Porém, só quem me conhecia profundamente, como minha mãe, sabia que grade nenhuma neste mundo iria me segurar. E assim fui, rumo ao que eu achava que conhecia muito bem, como uma jovem desvairada em busca de aventura, porém guiada por um sentimento muito puro de amor.

É, um amor sem toques, à moda antiga. Baseado em palavras, em cartas de amor, em juras perdidas no meio da noite. Não trocamos nada de material até aquele dia, a não ser telefonemas, emails, chamadas pelo computador. E porque não poderia dar certo? Casamento não é passagem para a felicidade, e não importa as circunstâncias em que se conheceram e viveram, não existe garantia que vá dar certo. E fui atrás do que queria.

Na época, hoje vejo bem, eu ainda era impulsiva demais. Se eu tivesse os meus 27 anos de hoje (quase 28), capaz que eu não teria ido daquela maneira. Teria ido nas férias, com cartão de crédito pronto para gastar, hotel agendado e toda uma cerimônia que tiraria toda a graça do evento, seria apenas mais uma viagem de férias, dentre tantas outras que fiz, com o adicional de arrumar um namorado. Não sei se teria casado, se tudo isso tivesse acontecido aos meus 27 anos e a experiência de vida me tivesse dado novas amarras.

Amadureci no Egito o que não tinha crescido a minha vida toda.  E isso nos faz repensar todas as nossas ações. Não me arrependo nada do que fiz, porém o fiz no momento certo da vida, em que arriscar era divertido e saudável. Agora, mais racional e prática, poderia ter outras reações ou já estar desiludida demais com a vida (o que não aconteceu comigo até por conta de toda a coragem que eu sempre tive de fazer coisas diferentes).

No Egito, eu era quieta, manhosa, mas amável e discreta. Quis aprender a me comportar como a esposa estrangeira ideal, aquela que se veste como eles, não faz escândalo e está sempre pronta pra falar algo engraçado em árabe, para o delírio do meu público. Enquanto isso, Musta era super romântico e jovial, nervoso com as coisas e pessoas erradas, não media palavras. E a gente foi se ajudando. Casar jovem com alguém tão diferente é gostoso, pois nossas conversas nunca tinham monotomia, e ambos estavam abertos para aprender e se tornar melhor um para o outro.

E viemos para cá, eu na época já estava mais solta, nas últimas semanas do Egito perdi a pose de perfeição, queria falar, debater, comentar, rir e criar. Musta tinha planos, como sempre, mil ideias mirabolantes, porém sem muito foco do que fazer com elas.

No Brasil, passamos a ter nossa própria vida, sem depender de nada nem de ninguém. Continuamos nosso debate, ele me forçando a mudar em muitas coisas, e eu a ele.

-Musta, não pode ser tão inflexível, a pessoa estava só brincando! – eu dizia.

- Marina, você se expõe demais, fala tudo sobre sua vida, dando às pessoas direito de te julgar. Selecione o que você fala. – ele me alertava.

E assim fomos, juntos nos moldando, fazendo nossa vida, do nosso jeito. Sempre existem altos e baixos, momentos em que um cai e o outro estende a mão, momento em que os dois parecem que vão se afogar, mas alguém consegue agarrar a bóia. E, melhor que isso, existe o tempo de harmonia perfeita, aquele momento no casamento em que os olhos passam a conversar, sem que palavras precisem ser ditas, que os apelidos carinhosos se estabelecem e acabam virando seu novo nome particular. Dias em que sua única vontade é fazer o outro feliz, comprar um presente surpresa, preparar uma janta gostosa.

O aprendizado nunca acaba, os desafios continuam surgindo. O equilíbrio entre o casal é que vai te guiar para a felicidade, que não é algo previsível ou único. A felicidade são gotas brilhantes que pingam durante as horas do dia, uma estrela presente durante o abraço da noite e que se mantém acesa sempre, não importa quão difícil esteja sendo. E estas transformações do que somos, do que pensamos, fazem parte deste crescimento como casal, que desperta junto para a vida.

E assim continuo crendo no amor, que hoje não se importa se sou egípcia ou brasileira, já passamos desta fase, o que nos envolve são coisas muito mais profundas do que uma diferença cultural ou de raça. Estamos de mãos dadas para o que der e vier, e isso é o que importa.

Islamismo cresce no Brasil


Por causa do 11 de setembro (claro!) a Globo News fez uma reportagem sobre o crescimento do islamismo no Brasil. Não consigo postar ele direto aqui, mas o link é esse AQUI.

Não estou aqui pra fazer proselitismo religioso nem nada, mas acho uma reflexão interessante para quem se pergunta: o que leva uma pessoa a se converter a uma religião que parece extremista, repressora??? Claro que o Islã real é muito diferente da imagem pintada dele pelo mundo, e é muito fácil gostar de suas crenças, assim como outras pessoas podem se converter para igrejas evangélicas, wicca, catolicismo, etc… basta você encontrar em algum código religioso aquilo que enxerga para sua vida, fé é algo inexplicável, só quem tem sabe.

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