Maravilhas
Quando eu fui para o Egito, segui direto para Alexandria, ou seja, não vi pirâmides ou aquilo que as pessoas entendem por “Egito”. Estava no Mediterrâneo, numa cidade onde cafés com clima europeu são o maior atrativo para o dia a dia, não cruzava com atrativos turísticos todos os dias. Depois de uns dias, acabou aquela coisa de surpresa pelo que é o Egito, e de tanto eles falarem que as pirâmides era algo “normal”, acabei achando que era normal, da altura de um prédio sei lá.
Só sei que depois de uns 20 dias de Egito, quando finalmente fui pro Cairo, finalmente marcados de ir nas pirâmides (aliás, dias inesquecíveis com Melly – outra brasileira – ehehehe). Estávamos naquele trânsito caótico, muita gente atravessando a rua, prédios, etc, que nem estava mais me preparando para o grande momento. Eis que, num relance, de repente vejo a forma triangular despontando atrás de uma construção. Que?? Ãhn?? Me subiu um arrepio pelos braços, os olhos molharam, era algo muito mais gigantesco do que eu podia imaginar, descomunal, fora da realidade humanda. Não, não tinha um tamanho de um prédio que eu conhecia, era muito maior, mais largo, incrível.
E eis, que anos depois desse arrepio, estou numa viagem de trabalho em Foz do Iguaçu, no Brasil, e só no último dia dou uma escapada para conhecer as tais cataratas do iguaçu. Eu, como boa brasileira, já vi dezenas de cachoeiras na vida, nadei em muitas, caí em outras (sim, eu já caí sem querer num rio e quase que vou abaixo num precipício ahaha), ou seja, ver água caindo é o que não falta na minha vida. Confesso que por ignorância, nunca tinha lido muito sobre essas cataratas, e acho que foi bom. Cheguei no parque de ônibus, despretensiosa. Admirei a organização do lugar, vi muitos estrangeiros, mais do que já tinha visto em outro lugar do Brasil. Ok, deve ser realmente atraente o lugar. Peguei o ônibus do parque para as trilhas, mais uns 10 quilômetros no meio da mata, refrescante.
Desci no último ponto, que daria para o mirante das cataratas. Esperei uns minutos para o grupo de pessoas sair na frente e poder entrar no caminho sozinha, eu gosto desses momentos de paz. Desci uns 100, 150 metros, não sei ao certo, e já ouvia um barulho muito forte de água. Pelo caminho que serpenteava numa descida, cheguei até à primeira visão. Não deu outra, foi só bater o olho, e a surpresa, a maravilha, ali. E foi aquela mesma sensação de arrepio, que só tinha visto com as pirâmides. Coisas tão diferentes, mas que despertam a mesma sensação, por serem impossíveis de serem reproduzidas. E Iguaçu com certeza foi a natureza mais fantástica e linda que vi na minha vida, não estou exagerando. Vá um dia, me sinto envergonhada como brasileira de não saber disso antes.
As fotos não dão a dimensão do lugar, mas fica o registro (e sim, você se molha toda ao andar por lá ehehe). Entre aqui e participe da votação para eleger as cataratas como uma das 7 maravilhas da natureza: http://www.votecataratas.com/
Questão de higiene
Uma das coisas que mais dá discussão entre brasileiros que conhecem o Egito e os egípcios é a tal da higiene. Não vou entrar nos meandros das questões de higiene pessoal, mas do que a gente vê num caso específico, como restaurantes.
Algumas coisas que eu vi no Egito até viraram “piada interna” para nós. Em Alexandria, perto da fortaleza de Qat Bait, tinha uma sorveteria super famosinha, com sorvetes super deliciosos que eu apelidei carinhosamente de “finger ice cream”. Escolhi um de Macadâmia, sabor não muito comum no Brasil, e o moço que servia, pegou o dinheiro, com a mesma mão, sem luvas nem nada, pegou a casquinha e serviu o sorvete de massa, moldando com o próprio dedão dele a forma da bola… ahahaah é, entendeu o porque do finger ice cream, né? Nojinho, mas eu já tava numa fase mais tranquila e comi mesmo assim ahahah E era realmente maravilhoso o tal sorvete.
Bom, fora isso, tinha o pão que as pessoas compravam nas padarias (que pareciam umas prisões com grades ahaha). Como as pessoas compravam direto saído do forno, não dava nem para carregar no braço. Então o que faziam? Simplesmente espamarravam pelo chão, pelos capôs dos carros, bancos de bicicletas. Sim, sem proteção nenhuma. Para essa comida, eu criei o apelo de “pão de areia”, porque eu jurava que quando comia sentia que tava mastigando um pouco de areia ahaha
Bom, teriam outros exemplos para compartilhar, mas na maior parte das vezes eu sinceramente não vi nada de absurdo no Egito em relação a higiene, mesmo dentro das casas, comi muita coisa boa e bem preparada. Tem lugares bons e super limpos, e lugares baratíssimos onde a higiene não é prioridade, assim como no Brasil.
Pois então, de volta ao Brasil, que a gente acha super exemplo de limpeza, eu enchia tanto a orelha do Musta que ele pensou que ia ver coisas de outro mundo aqui. Aí que com o tempo, a gente começou a ver exemplos de porquice iguais do Egito, e claro, não é maioria, mas tá no mesmo nível.
Fomos num restaurante italiano super conceituado na rua Pamplona, pedimos um antepasto de beringela super delicioso. Quando estou na terceira, quarta colherada, vejo algo se mexendo. Estava cheio de bichos, minhoquinhas, sei lá o que era, lá dentro mexendo. E antepasto é coisa assada gente, não era bichinho vindo da terra porque o produto tava fresco :-S
Depois, estávamos em Santos uma vez, e procuramos uma padaria para tomar café da manhã. Na porta, eles estavam vendendo aqueles frangos, feito nas máquinas. Quando estava saindo com meu carro (porque não vi isso antes), como eu estava estacionada num ponto que dava pra ver atrás do balcão do frango, vi o moço que preparava os assados simplesmente pegar um espeto pronto e colocar no chão! SIM, NO CHÃO!!! E depois de alguns segundos, pegou o mesmo espeto que tinha uns 5 frangos, e botou na mesa para começar a cortar para vender.
- Viu Marina, você fica falando mal do Egito, mas o Brasil é a mesma coisa!!!
- Ah, não sei não Musta, lá a coisa era bem descarada, aqueles pães no chão.
- Ué, mas aqui a gente acabou de ver o frango no chão.
- Tá, mas tem o finger o ice cream…
- A única diferença é que a gente faz na frente dos clientes, no Brasil eles fazem escondido. Os egípcios são mais sinceros e verdadeiros, ué!
- ahahahaha tá certo, Musta, essa vai pro blog.
ps. Em nove meses, eu tive uma infecção alimentar no Egito. No Brasil, já faz 4 anos que estou de volta, e já tive umas três. No final das contas, acho que estamos mesmo quites.
A arte de se transformar
Meu casamento começou de uma forma diferente, em que os desafios do início devem ser bem diferentes de um casal que se casa de uma maneira mais típica, como entre amigos ou na mesma cidade. Acredito que cada um tem sua história e momentos diferentes de aprendizado na vida, e é isso que faz esta diversidade do mundo.
Quando eu me casei, não me preocupei como vejo as noivas que conheço, com o vestido que iria usar, com a loja na qual escolheria o bem casado ou onde fazer minha lista de presentes. Na época, eu estava preocupada em tirar o passaporte, selecionar o que caberia em duas malas e… não me lembro de muita coisa. Eu só sei que o casamento em si, não foi um grande evento para o qual me preparei. O que me tirou noites de sono e me fazia desabar em nervosismo, era o caminho.
Sim, não é fácil pedir demissão de um emprego bacana, ver sua casa pela última vez, explicar o que eu estava sentindo para meus pais. E também concordo que, se não fosse eu, também diria que a pessoa era louca e precisava é de psicólogo. Porém, só quem me conhecia profundamente, como minha mãe, sabia que grade nenhuma neste mundo iria me segurar. E assim fui, rumo ao que eu achava que conhecia muito bem, como uma jovem desvairada em busca de aventura, porém guiada por um sentimento muito puro de amor.
É, um amor sem toques, à moda antiga. Baseado em palavras, em cartas de amor, em juras perdidas no meio da noite. Não trocamos nada de material até aquele dia, a não ser telefonemas, emails, chamadas pelo computador. E porque não poderia dar certo? Casamento não é passagem para a felicidade, e não importa as circunstâncias em que se conheceram e viveram, não existe garantia que vá dar certo. E fui atrás do que queria.
Na época, hoje vejo bem, eu ainda era impulsiva demais. Se eu tivesse os meus 27 anos de hoje (quase 28), capaz que eu não teria ido daquela maneira. Teria ido nas férias, com cartão de crédito pronto para gastar, hotel agendado e toda uma cerimônia que tiraria toda a graça do evento, seria apenas mais uma viagem de férias, dentre tantas outras que fiz, com o adicional de arrumar um namorado. Não sei se teria casado, se tudo isso tivesse acontecido aos meus 27 anos e a experiência de vida me tivesse dado novas amarras.
Amadureci no Egito o que não tinha crescido a minha vida toda. E isso nos faz repensar todas as nossas ações. Não me arrependo nada do que fiz, porém o fiz no momento certo da vida, em que arriscar era divertido e saudável. Agora, mais racional e prática, poderia ter outras reações ou já estar desiludida demais com a vida (o que não aconteceu comigo até por conta de toda a coragem que eu sempre tive de fazer coisas diferentes).
No Egito, eu era quieta, manhosa, mas amável e discreta. Quis aprender a me comportar como a esposa estrangeira ideal, aquela que se veste como eles, não faz escândalo e está sempre pronta pra falar algo engraçado em árabe, para o delírio do meu público. Enquanto isso, Musta era super romântico e jovial, nervoso com as coisas e pessoas erradas, não media palavras. E a gente foi se ajudando. Casar jovem com alguém tão diferente é gostoso, pois nossas conversas nunca tinham monotomia, e ambos estavam abertos para aprender e se tornar melhor um para o outro.
E viemos para cá, eu na época já estava mais solta, nas últimas semanas do Egito perdi a pose de perfeição, queria falar, debater, comentar, rir e criar. Musta tinha planos, como sempre, mil ideias mirabolantes, porém sem muito foco do que fazer com elas.
No Brasil, passamos a ter nossa própria vida, sem depender de nada nem de ninguém. Continuamos nosso debate, ele me forçando a mudar em muitas coisas, e eu a ele.
-Musta, não pode ser tão inflexível, a pessoa estava só brincando! – eu dizia.
- Marina, você se expõe demais, fala tudo sobre sua vida, dando às pessoas direito de te julgar. Selecione o que você fala. – ele me alertava.
E assim fomos, juntos nos moldando, fazendo nossa vida, do nosso jeito. Sempre existem altos e baixos, momentos em que um cai e o outro estende a mão, momento em que os dois parecem que vão se afogar, mas alguém consegue agarrar a bóia. E, melhor que isso, existe o tempo de harmonia perfeita, aquele momento no casamento em que os olhos passam a conversar, sem que palavras precisem ser ditas, que os apelidos carinhosos se estabelecem e acabam virando seu novo nome particular. Dias em que sua única vontade é fazer o outro feliz, comprar um presente surpresa, preparar uma janta gostosa.
O aprendizado nunca acaba, os desafios continuam surgindo. O equilíbrio entre o casal é que vai te guiar para a felicidade, que não é algo previsível ou único. A felicidade são gotas brilhantes que pingam durante as horas do dia, uma estrela presente durante o abraço da noite e que se mantém acesa sempre, não importa quão difícil esteja sendo. E estas transformações do que somos, do que pensamos, fazem parte deste crescimento como casal, que desperta junto para a vida.
E assim continuo crendo no amor, que hoje não se importa se sou egípcia ou brasileira, já passamos desta fase, o que nos envolve são coisas muito mais profundas do que uma diferença cultural ou de raça. Estamos de mãos dadas para o que der e vier, e isso é o que importa.
Islamismo cresce no Brasil
Por causa do 11 de setembro (claro!) a Globo News fez uma reportagem sobre o crescimento do islamismo no Brasil. Não consigo postar ele direto aqui, mas o link é esse AQUI.
Não estou aqui pra fazer proselitismo religioso nem nada, mas acho uma reflexão interessante para quem se pergunta: o que leva uma pessoa a se converter a uma religião que parece extremista, repressora??? Claro que o Islã real é muito diferente da imagem pintada dele pelo mundo, e é muito fácil gostar de suas crenças, assim como outras pessoas podem se converter para igrejas evangélicas, wicca, catolicismo, etc… basta você encontrar em algum código religioso aquilo que enxerga para sua vida, fé é algo inexplicável, só quem tem sabe.
Nas redes sociais…
Eu sou fã de redes sociais, participo de quase tudo (mas meu Orkut já foi assassinado faz muito tempo ehehe) e o blog nada mais é do que uma das formas que tenho de me expressar, colocar ideias para fora e bater papo. Mas, como vocês podem notar, não tenho aparecido por aqui com tanta frequência, o blog exige mais cérebro para pensar o que postar, vários minutos de dedicação para uma coisa só e escrever um texto mais longo, o que não anda dando muito tempo. Aliás, tempo até tenho, mas gosto de fazer coisas mais rápidas e por isso acabo às vezes dando as cara mais em outros tipos de redes.
Assim, se você quiser fazer parte das minhas redes e eu das ruas, dá pra me encontrar:
no Twitter – @marinafaleiros > Ok, eu sei que muita gente até hoje não entende muito o que é esse site e para que serve. Para mim nada mais é do que um grande agregador de links e coisas interessantes, por isso se seu twitter é um mini dário que você só usa para dizer que “foi tomar banho”, eu provavelmente vou te seguir por pouco tempo. O meu, basicamente faço reclamções e posto links, não sou de ficar o tempo todo ali não, mas olho todos os dias para ver o que andam postando de notícias interessantes.
No Facebook – não tenho uma conta específica para o blog e como meu Facebook é para coisas da vida real, como colegas de trabalho, família, etc, procuro não misturar muito. Porém, criei uma página para o blog lá, porque no final das contas é inevitável ter vários conhecidos que também leem o blog ou gente que conheci justamente por se relacionarem com egípcios, etc. Já mandei um email com convite para os assinantes do blog, mas não sei se todo mundo entendeu. O negócio é só ir na página e curtir, assim você pode participar dos debates lá dentro, postar fotos, comentários, como funcionavam as antigas comunidades do orkut, lembram? No Facebook não senti uma interação igual existia no Orkut, nem sei se isso vai voltar a acontecer, mas estou tentando. Se você gosta de trocar informações discutir, aparece por lá, o link é: http://www.facebook.com/pages/Egito-e-Brasil/183535181714574
Fora isso, tenho Foursquare, Linkedin, Google+ (que acho que não vai pegar), etc… Fora msn, skype, uns 5 emails ahhaha Cada coisa com seu propósito, não sei o que vai ser de mim daqui a pouco, já que a cada dia surge algo novo!
Bom, mas para quem conheceu o marido pela internet, foi pro Egito e casou, eu só posso dizer que essa coisa de mundo virtual tem um saldo muito positivo na minha vida!
Não posso mais ir ao supermercado?
Um dos meus prazeres preferidos é ir ao supermercado. É, pode parecer estranho, mas eu adoro ir ao mercado, ficar olhando as gôndolas, vendo produtos novos, receitas na lata de creme de leite e ir pensando no que quero cozinhar, levar para o marido (ele adora umas besteirinhas), passo na seção de queijos, leio tudo quanto é rótulo, e por aí vai…
Eu geralmente vou no supermercado de 3 a 5 vezes por semana, é isso mesmo, não gosto de fazer compronas mensais, eu vou porque gosto e faço compras menores, como consumo coisas mais frescas, fica mais fácil também para mim. Até por causa disso tudo que descrevi até aqui (calma, esse post não é uma enrolação) eu gosto de ir a mercados mais especiais, que não tem muvuca e corredores apertados, preciso de espaço, pois para mim isso é lazer. Eu sei que pago um pouco mais caro por isso, porém pelo bem-estar vale a pena. Em São Paulo, só faço compras no Pão de Açúcar e no Zaffari (sou tão fiel a este último que até ganhei uma promoção deles no final do ano passado ahahah).
Eis que agora há pouco, estou sem fazer nada esperando o maridão terminar de dar uma aula, em Santana, e resolvo caminhar pelo bairro, e encontrei um Pão de Açúcar na R. Voluntários da Pátria. Toda feliz, já pensando em procurar algo para o almoço, entro, fico andando uns 10 minutos me decidindo. Paro no corredor com chocolates e balas, só observando (dieta não me deixa pegar nada desta seção) e tendo meu mini-prazer ‘supermercadístico’ do dia… Quando um cara vestido de ladrão (sim, eles se fantasiam sempre iguais, bermuda suja, chinelo e uma camisetona ou blusão bem largos) passa cambaleando e quase encosta em mim. Visivelmente alterado, ele abre a mãozona de filha da puta dele (sim, hoje eu posso falar palavrão) agarra o que pode e enfia embaixo da blusa. Uma senhora tinha acabado de entrar no corredor, e ri, não acreditando na cena. Ele nem se importa com nossa presença e segue roubando.
Eu fico ali que nem uma idiota, pensando que nem jogar a porcaria do meu carrinho nele eu posso, porque para um infeliz desse me dar um tiro não precisa muito. Só segurei a bolsa, estarrecida, enquanto ele passou por mim andando rápido. Fui atrás, logo vi uma funcionária e falei, tem um cara ali roubando e está saindo pela porta da frente.
Ela saiu na hora, mas nem correu, andando rápido, como que acostumada com aquilo. Porém minha sensação de desconforto e tristeza já estava ali… o pior não é o roubo, o pior é a naturalidade com que isso acontece, a impotência. Foi pra me provar que a realidade que eu vivo é muito fantasiada, que nosso país de verdade está detonado… e eu não sei o que fazer, como reagir.
Bem deprê, fui ao caixa, avisei de novo que tinha ladrão entrando no mercado, e ninguém fez nada, só lamentou.
Saí do mercado, já pensando o quanto eu era iludida, que isso aqui não tem mais jeito. Dou uns 10 passos, e um senhor me chama:
- Moça, bom dia, você pode responder uma pesquisa para mim? – Seus olhos estavam alegres, satisfeitos. Era um senhor de idade, mas senti nele a felicidade de quem está fazendo algo de útil nesta vida.
- Se for rápido eu posso. – Respondi.
- Ah, infelizmente é uma pesquisa de 40 min de uma marca de chicletes, mas muito obrigada por sua gentileza de me responder, Deus te abençõe e bom dia! – falou rindo de ponta a ponta.
Saí andando e senti meus olhos molhados, como sempre fico nestas situações… Mas com uma ponta de esperança renovada nas pessoas do Brasil.
Amanhã é dia de…
…tomar café da manhããããã!!!
uhuuuu chegou o Eid e chega de jejum, depois de um mês a vida vai voltando ao normal ehehe
Desejo a todos um Eid maravilhoso, com muitas bençãos!!! Para quem fez o jejum, que fique uma lição de auto-controle e sabedoria, de que se colocar no lugar dos outros que tem menos faz a gente mudar e refletir muito!!!
Mulheres por camelos
Se você quer se casar no Egito, esteja preparada para uma dura negociação. A moeda utilizada são os camelos, animais doces e resistentes ao árduo clima do deserto. Eles são utilizados desde o tempo dos faraós como transporte e animais de carga, e um animal do tipo pode valer até 5 mil dólares, dependendo do porte, raça e cuidados.
Por seu valor histórico e comercial até hoje, é a moeda mais comum para se definirem casamentos no Egito e outros países do deserto. Como estrangeira, você deve saber como se portar e negociar, para não sair perdendo. Este site faz uma pesquisa rápida sobre seu perfil e indica a quantidade de camelos que você vale, por favor não deixe de checar antes de ir ao Egito, é uma informação muito valiosa: http://camels.evilsun.org/index.php
Este aqui é um dos que ganhei na minha negociação:
Meu camelo se chama Balooza (pudim em árabe)
ps. Como muita gente não entendeu a ironia, melhor deixar bem claro: este post é uma piada!!! óbvio que isso não acontece no Egito…
Erros de quem ama demais
Achei esta reportagem no uol bem interessante e que tem a ver com muitas mensagens que recebo por email e no blog. Está neste link: http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultimas-noticias/2011/08/20/veja-erros-de-norma-que-sao-comuns-entre-mulheres-que-amam-demais.htm
Baseado na polêmica da última (péssima) novela, em que a gente viu uma mulher cair no mesmo conto duas vezes, esta reportagem traça alguns fatos que diversas vezes vi pessoas cometendo quando se trata de casamentos com pessoas de outro país e das quais você tem poucas informações. Tem até um teste interessante no texto ehehe
Acho que um dos pontos mais verdeiros que dizem é: não acredite em qualquer desculpa esfarrapada. Fica a dica…
Radicalismo não faz bem
Vou começar o post com uma historinha engraçada que vivi hoje. Estava num evento sobre um tema polêmico do nosso país hoje em dia, a reforma do Código Florestal Brasileiro, com políticos responsáveis pela aprovação do projeto no congresso e no senado. Pois bem, havia uma programação de palestras e espaço par debates ao fim.
Estava eu sentadinha ali na terceira fileira, bem no meio, para ter visão de tudo. E duas moças sentaram-se uma de cada lado meu. Elas destoavam um pouco do perfil do público em geral, estavam de jeans meio rasgado, sapatilhas e meias coloridas, bolsas que pareciam ser feitas de material reciclado. Pensei: é a turma do “meio ambiente”. Sem problemas.
Palestra 1, polêmica, forte, ok. Percebi que as duas não aplaudiram ao final. Palestra 2, palestrante mais moderado, conciliador. Também não aplaudiram. Palestra 3, bomba atômica, era a vez da senadora Kátia Abreu fazer sua exposição, e em menos de dez minutos ela falou algo do tipo: “sou contra a criação de reservas legais, porque….” Não deu tempo dela explicar seu ponto de vista.
A menina à minha direita levantou, e aos berros começou a gritar: “Como vocês conseguem dormir de noite, sabendo que vão acabar com as florestas, como vocês aprovam o uso de agrotóxicos…” bla bla bla, começou uma gritaria de todos os lados, ela simplesmente não parou de gritar, como se gritar no meio de uma palestra fosse mudar a visão de quem estava ali. O presidente da mesa pediu para ela se sentar, pois ainda não estavam aberto os debates, mas ela não quis saber, e gritava muito, ao ponto de eu franzir a testa e abaixar a cara de “vergonha alheia” (sabem essa sensação?). Pois bem, ela simplesmente quis invadir a apresentação, que eu sinceramente queria ouvir, pois me interessa saber o que o senado está pensando, não esta ambientalista (mesmo com seus motivos), e o protesto dela ali não fazia muito sentido. Ficou pior ainda quando seguranças foram chamados para retirá-la do ambiente. Foi desagradável. E eu ali bem no front…
Pois bem, não passou nem cinco minutos da retomada da palestra, um homem atrás de mim fez a mesmíssima coisa. Começou a protestar, gritando, falando um monte de coisa sem sentido naquele momento. Seguranças de novo, baderna – esse gritou até mesmo de fora da sala.
Pois bem, terminada a palestra – finalmente! – foi aberto o debate. E mais ambientalistas apareceram, com seus argumentos e questionamentos. Ninguém foi retirado da sala, e eles puderam expor seu ponto de vista e serem ouvidos. Quem saiu ganhando? Os que gritaram, ou os que questionaram depois com respeito e no momento adequado?
Bom, eu sou uma pessoa moderada, já fui radical em algumas coisas, mas aprendi muito com a vida que não adianta você achar que está 100% certa e que os outros tem de concordar comigo nem que eu precise gritar. Eu sou contra qualquer tipo de radicalismo, seja na religião, no patriotismo, na política, no futebol ou em qualquer coisa. Quando você está cego por alguma razão, acaba por deixa de escutar o outro lado, e aceitar que alguém pode ser diferente de você.
E não, isso não significa que eu não tenha minha opinião ou não possa debatê-la, tem horas que o sangue ferve e você quer falar o que pensa de qualquer maneira, mas não significa que se o outro quiser falar comigo e se explicar melhor, eu vou deixar de ouvir.
Para mim, porém, o radicalismo se mostra de várias formas. Pode não ser no meio de um evento como vi hoje, mas numa manifestação contínua sobre algo que se conhece pouco, sem ouvir o outro lado, sempre munido de muito ódio e revolta. Sinceramente, eu fiquei com medo daquelas ambientalistas do meu lado, me senti vulnerável ao ódio delas, não que eu em parte não pudesse concordar com seus argumentos, mas sua violência com as palavras me agrediram. E não precisa ser ao vivo para se sentir isso. Como já disse no meu último post, tenho visto muitas coisas agressivas pela internet contra egípcios, muçulmanos, que exalam esse mesmo tipo de sentimento. Me sinto triste, impotente, parece que contra esse ódio visceral, não há argumentos que bastem, e me sinto meio perdida nesse mundo… será que há espaço para moderação, aceitação da opinião dos outros, da religião do outro, sem ataques ou acessos de raiva? Não estou dizendo que sou perfeita, já tive meus radicalismos, alguns muito bem expostos neste blog, mas refleti e tento melhorar um pouco, hoje aprendi que sou cheia de defeitos demais para tentar impor o que penso para os outros e me machuco quando vejo outros fazendo isso.
*
Musta sempre fala que eu tenho que aprender a usar o botão “delete” na minha vida, tirando tudo que me faz mal da minha cabeça, sem perder tempo com quem só traz coisa ruim para minha vida. Mas quem disse que consigo? Se eu fosse tão desprendida assim, esse blog não existiria.









