Arquivo da categoria: No Egito

Eleições no Egito

É hoje… veremos com qual tipo de medo os egípcios encaram a democracia:

Com medo do novo, votando nos velhos apoiadores do regime?

Com medo de Deus, votando nos partidos radicais islâmicos?

Nessa briga toda, os liberais ficaram um pouco para trás e acredito que têm poucas chances de vencerem algo. Sei que o aprendizado é longo – nós já temos eleições há quantos anos e ainda continuamos escolhendo errado? Agora é a vez dos egípcios mostrarem que a revolução pode sim levar a caminhos melhores para o seu povo, nem que seja algo bem lento e gradual.

Sobre vistos para estrangeiro, carta convite, etc.

Sem dúvida nenhuma, uma das buscas mais feitas nesse blog e motivo para centenas – isso mesmo CENTENAS – de mensagens para mim  é como trazer meu namorado/marido/amigo egípcio/marroquino/paquistanês/indiano para o Brasil. Vou tentar fazer um post que finalmente supre algumas dessas respostas, espero eu, e que poderá ser completado por quem tiver mais dados nos comentários.

Vou fazer tudo passo a passo, alguns podem parecer óbvios, mas não duvidem que já recebi todo tipo de pergunta, então vou bem devagarinho:

1 – Ele precisa de um passaporte. Sim, parece óbvio, mas tem gente que nem isso sabe o que é direito. E muitos egípcios, que não tem costume de viajar para fora, nem pensam que para ter esse documento precisam estar a par com o serviço militar, tudo certinho.

2- Visto. Para entrar no Brasil, egípcios (paquistaneses e indianos também) precisam de vistos. Os marroquinos não precisam de visto (até a data de hoje, sempre chequem se as informações estão atualizadas nas fontes oficiais do governo, embaixadas, etc).

3- Visite o site da embaixada onde vc vai pedir o visto. Vou me basear a partir de agora pelo que sei dos egípcios. Dá uma olhada no que pedem para conceder o visto. Pense assim: o que você precisaria para tirar um visto para os EUA? É basicamente o mesmo pra ele, vai ter que provar que tem renda pra ser turista internacional, uma carta do trabalho, comprovante de saldo em conta, etc.

4 – Carta convite. É uma carta que você faz em cartório, custa uns R$200 dizendo que se responsabiliza por aquela pessoa, incluindo se ela precisar de hospital, você é que vai pagar a conta pro SUS. Então é algo pra ser muito bem pensado. A carta convite não garante visto, se o cara não apresentar comprovante de renda, trabalho, etc, você vai jogar seu dinheiro fora. E vão te ligar pra saber por que você está convidando a pessoa. Se disser que é pra casar e você nunca nem foi no Egito conhecê-lo, é muito provável que neguem o visto.

5- Ter as passagens de ida e volta, ou pelo menos as reservas.

6 – Preencher este formulário online: https://scedv.serpro.gov.br/frscedv/index.jsp

7- Ir na embaixada no novo endereço: 2005C Corniche El Nil
Nile City towers, North Tower, 18º andar
Ramlet Beaulac – Cairo – Egito

8 – Quando for atendido, ser gentil e sério, nada de ficar nervoso como se tivesse fazendo algo errado.

9 – Torcer pra dar certo!!

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E se você quer casar no Egito?

Eu casei já faz mais de 5 anos, então muita coisa mudou. Eu realmente não sei mais como é o processo, respondo isso para as pessoas, algumas se ofendem por não querer ajudar, mas gente, vocês estão falando de casamento no país deles, eu casei faz tempooooooooooo!! E fora que, é seu habibi que deve ir atrás e te falar tudo que você precisa, sempre checar direitinho lá porque toda hora as coisas mudam no Egito. Quando eu casei, levei papéis traduzidos pro árabe do Brasil, uma certidão de solteira e minha certidão de nascimento, super simples. Agora, é um trabalhão, até exame médico pedem. Eu aconselho a ler o post da Vanessa aqui (http://daytripperbr.blogspot.com.br/2012/04/casamento-no-egito-step-by-step.html ) mas como já disse, lembrando que tudo precisa ser bem checado por seu habiby, daqui uns meses o passo a passo dela também pode estar velho, então ao invés de mandar mil mensagens pra ela pedindo ajuda, façam os habibizinhos lá se mexerem ehehe

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Eu quero me casar no Brasil. Novamente, volto ao dilema, que já fiz esse processo há cinco anos. Quando voltei para o BRasil, transcrevi meu casamento no cartório da Sé, precisei do meu casamento assinado na embaixada do BRasil no Cairo, traduzido juramentado para o português e duas testemunhas.

Assinei ainda dois papéis lá afirmando que não queria mudar meu nome e que não queria declarar o regime de bens. No Egito o casamento não vem com regime de bens e eu teria que ter algo da embaixada do Egito para comprovar, como daria muito trabalho, ficou em branco mesmo.

Agora se vocês vão se casar aqui mesmo, melhor ligar no cartório da sua cidade e se informar sobre tudo, eu realmente não sei :(

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E para ele ficar aqui comigo?

O visto de turista é só de 3 meses, renováveis por mais 3. Para ele tirar CPF, carteira de trabalho, abrir conta em banco, tudo normal, ele precisa do RNE, ou seja, Registro Nacional de Estrangeiro. Isso você tira na polícia federal.

Você tem que ir pessoalmente – não adianta ligar – para pegar a lista de documentos exigidos. Isso varia de lugar pra lugar, por isso não adianta perguntar para alguém, você tem que ir lá ver. Geralmente pedem antecedentes criminais – a não ser que você seja amigo do governo e ganhe asilo mesmo sendo um criminoso internacional, como já vimos aqui – , o comprovante do casamento, endereço, etc. E fazem uma visita surpresa na sua casa, pra ver se são casados mesmo. Nosso processo levou míseros 2 anos – DOISSSSS – para terminar. Espero que tenham mais sorte que eu ahahah

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Acho que tratei basicamente de tudo, espero que ajude!!! Dúvidas, extras, dicas, é só comentar abaixo :-)

Aquela noite…

Era uma noite mais branda. Depois dos dias sufocantes do verão, sobrevivendo apenas com um ventilador, chegava o momento de ver aquelas estrelas, as antenas parabólicas e o neon da propaganda piscando no prédio vizinho pela última vez. Quando o sol nascesse, seria pra ir embora. E para sempre.

Na minha última noite no Egito, não teve konefa, nem pizza de salsicha. Não teve aqueles barulhos diferentes que sempre me chamavam a atenção. Nem o azhan – chamado para a oração – eu escutei. Já tinham se passado praticamente nove meses, tudo que antes era tão novo, exótico, tinha sido assimilado no meu cotidiano. Mas eu percebi isso tarde demais. Quando me vi, já estava pronta para partir, e o mais rápido possível.

Muitos me perguntam, mas por quê? Em 4 meses, larguei tudo o que tinha até então, uma formação, um bom trabalho, uma vida pessoal, família e amigos, em busca da mudança radical, do novo, de uma vida diferente. Como, em tão poucas semanas depois, decidi que, na verdade, eu tinha de voltar? E como arrumar a bagunça do coração, com tantas coisas novas, bonitas, alegres? Como arrumar as emoções, depois te ter aberto os horizontes para um mundo totalmente novo?

O que sei, é que fugir de problemas nunca os solucionam. Buscar alguém de longe, do outro lado do mundo, não apagará nada do que você fez antes ou quem você é. Você pode trocar suas roupas, sua religião e até mesmo seu nome. Mas a história da sua vida está escrita desde o dia que você nasceu, e mesmo as experiências mais radicais não deletam nada do que já foi feito, pensado ou sofrido. Uma mudança apenas física não cura dores do coração, nem acalma, nem liberta. Quem te dá a alforria é você mesma, e isso só sua cabeça pode fazer.

Assim fui, voltei, sofri de saudade e de desprezo. Com o tempo e amadurecimento, percebi que as coisas boas e duradouras são construídas de pequenas atitudes e muita força de vontade. Que o meu maior bem conquistado na minha vida, meu casamento, não é fantástico porque fui até o Egito e me encontrei com ele lá. Ele é fantástico pelo que fizemos depois desse encontro, de como lidamos com nossas diferenças e de que forma foi possível construir o amor dessa experiência tão diferente. Nossa maior conquista, não foi o passado nem como tudo aconteceu, mas nosso presente, que dia a dia, minuto a minuto, se mostra puramente lindo e real.

E de volta àquela última noite no Egito, lembro-me do calor já ameno, da sensação terrível de perda, de abandono de algo tão sonhado. Ao mesmo tempo, muita esperança, muita força e alegria. Estávamos nós três, eu, o marido, o primo. Ficamos lembrando de cada detalhe da aventura, da minha chegada, do koshari que recusei, dos cafés, do meu árabe errado, do frio no porto, do companheirismo, da amizade. A gente chorava que nem criança e não havia vergonha nenhuma neste ato. Era como se aquelas lágrimas fossem necessárias. E elas saiam às vezes no meio das gargalhadas, entre incontáveis histórias simples e banais relembradas, mas que para nós eram como jóias das mais preciosas.

E assim, as horas que se arrastavam foram passando, a noite indo embora. O neon se apagou e o sol despontou. Senti a brisa vinda do mar de sempre, ali na varanda junto a eles. Era um sopro de vida tão forte, generoso, que foi possível nos levantarmos e seguir em frente no que tinha de ser feito.

E assim deixamos de ser três, nos tornamos dois no Brasil e um no Egito. Nunca mais voltamos, nunca mais nos encontramos.

Religião e política (Por Mostafa)

Em 25 de janeiro, os egípcios saíram nas ruas para pedir a liberdade após quase 50 anos de ditaduras. Logo em seguinte apareceram os grupos religiosos que se tornaram partidos religiosos e hoje em dia são permitidos de praticar politica . Já dominaram o parlamento.

Agora eles estão indo para a presidência e eles querem que Egito torne-se totalmente um país islâmico.
O que você acha sobre integrar a religião com a política?

Gostaria das suas opiniões sobre esse assunto.

Mostafa

O Natal

Acho que já postei isso em outros Natais, mas não custa repetir. Isso é o que está escrito no Alcorão sobre o nascimento de Jesus:

E quando os anjos disseram: “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” Perguntou: “Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou?” Disse-lhe o anjo: ”Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é.
Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): “Apresento-vos um sinal de vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis. (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (Alcorão 3:45-52)

Não somos, afinal, muito parecidos? A maior diferença é que muçulmanos não enxergam Jesus como filho de Deus, mas sim um profeta. E se notarem na parte que se fala da concepção, o milagre de seu nascimento é que Deus ordena o que quiser, até o nascimento de uma criança sem pai, mas para os muçulmanos isso não significa divindade.

Na minha família, Natal sempre foi símbolo de união familiar e alegria – além de boa comida ahaha (#gordinhafeelings).  Esse tipo de celebração existe em todas as religiões. No Islã, só existem dois feriados, os Eids, que celebram o fim do ramadã e o sacrifício de Abraão.

Existe uma pergunta que sempre passa pela cabeça dos muçulmanos que vivem no Brasil e vêm de famílias cristãs nessa época. É permitido celebrar o Natal com minha família?

Eu não posso dar uma resposta, mas sim as diversas correntes do islamismo. Algumas – que ultimamente estão mais fortes no  Brasil – são um pouco radicais neste ponto e dizem que é haram – pecado – você celebrar ou até mesmo responder a uma felicitação de “Feliz Natal”. Por conta disso, infelizmente, pipocaram na internet esses dias algumas grosserias, como imagens com árvores de Natal cobertas com um X vermelho bem grande com os dizerem: sou muçulmano, não celebro Natal e não me deseje Natal. Para mim, isso é um ato bem anti-islâmico, afinal nosso próprio profeta acolheu minorias religiosas e nunca obrigou a conversão de ninguém. O exemplo dele sempre foi de bondade e amor, eu não acho que insultar ou agredir a religião do outro seja necessário. Aliás, nem acho que o assunto Natal devesse despertar tanto rancor dos muçulmanos convertidos.

É muito simples se entender o limite do que devemos falar em público. Você gostaria, como muçulmano, de na época do seu Eid, ver seus amigos ou conhecidos cristãos, postando mensagens com um X num cordeiro, escrevendo: “Sou cristão, não celebro EID”? Você não se sentiria um pouco ofendido ou chateado? E me surpreendeu muito o tanto de gente que conheço que postou isso nos seus murais…

Então, acho que em tudo na vida, inclusive na religião, o que vale é o equilíbrio e a sensibilidade, pois estamos num mundo muito misturado hoje, nosso vizinhos aqui no Brasil não são muçulmanos, e se queremos ser respeitados e até mesmo divulgar nossa religião, isso exige cordialidade e respeito. Pois quem respeita, é respeitado. Claro que devemos impor limites às vezes, mas dá pra ser sim muçulmano num país cristão, e celebrarmos todos juntos, inclusive nosso feriados muçulmanos depois.

Eu apoio esta minha visão em Al Azhar, a central islâmica do Egito e onde fiz minha shahada – Alhamdo Lellah. Não são eles que bancam o ensino religioso no Braisl, então infelizmente temos visto muito mais opiniões fechadas vindo da Arábia Saudita, do que isso que deixo abaixo. É um livro que Al Azhar compilou para ajudar muçulmanos que vivem na Europa, mas se encaixa muito bem a nós aqui no Brasil também. O link está no final.

A question was asked about whether or not Muslims should
congratulate non- Muslims during the latter’s festivals (a‘ayad).
Fatwa in brief: It is illegal to congratulate non-Muslims during their religious
festivals. In so doing one shares in sin, and [their] corruption.
The Permanent Committee, 313/3

See Shaykh Sa‘id ‘Abd al-‘Azim, www.alsalafway.com
Response:
There is no harm in congratulating non-Muslims with whom you have a family
relationship, or that are neighbours of yours. Regarding their festivals,
however, do not participate in the rituals (tuqus) of Christians, or those in a
similar religious category [i.e. non-Muslims].
Commentary:
In two verses from the Holy Qur’an the nature of relationships between
Muslims and others are laid down (Q. 60:8-9). These verses apply directly to
the polytheists and idol-worshippers (mushrikin wa’l-wathaniyyin)
“Allah forbids you not, with regard to those who fight you not for (your) Faith
nor drive you out of your homes, from dealing kindly and justly with them: for
Allah loveth those who are just”.

“Allah only forbids you with regard to those who fight you for (your) Faith,
and drive you out of your homes, and support (others) in driving you out, from
turning to them (for friendship and protection). It is such as turn to them (in
these circumstances), that do wrong”.
These two verses distinguish between, on the one hand, the peaceful
(musalamin) and, on the other hand, the warriors (muharibin). Regarding the
peaceful [non-Muslims], the law recommends behaving justly with them, this,
in turn leads to charitable and kind dealings. On the other hand, the second
verse forbids loyalty to the warriors. This is because they have taken Muslims
as enemies, have fought with them and have driven them out of their homes.
The two Shaykhs [i.e. Bukhari and Muslim] report a hadith in which Asma’
(r.a.) the daughter of Abu Bakr, came to the Prophet (upon him be peace) and
said: “O Messenger of God, my mother has come to me, and she is a polytheist
(mushrika), and she wants to remain in contact with me, should I stay in touch
with her?” The Prophet (upon him be peace) replied, yes, stay in touch with
your mother. This hadith is agreed upon.
[We note that] This is the Prophet’s attitude towards a polytheist (mushrika);
however, Islam’s approach to the People of the Book [i.e. to Jews and
Christians] is known to be more lenient. Indeed, the Qur’an permits Muslims to
be the dinner companions of Jews and Christians, and [even] to marry them.
Obviously, in the latter case, an affectionate relationship is required. Further
[as mentioned already], motherhood privileges a woman in her role over her
children. The children [of a non-Muslim mother] will congratulate her on her
festival days, and behave well towards her. The generous Prophet (upon him be
peace) advises us “to treat people kindly” [lit: “with strong ethics”). He said
“treat people”, and not just Muslims with kindness.
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Hence, if someone congratulates a Muslim during one of their feast, we are to
respond to his greeting with a better, or at least an equal greeting. For God
Almighty says:

“When ye are greeted with a greeting, [you should] return [this] with a better,
or at least an equal greeting”. (Q. 4:86.)
Another motive to respond to the non-Muslim’s greeting is that, if Muslims

want to call them [the non-Muslims] to Islam – which is an obligation upon all
Muslims – one’s relationship with them should obviously be cordial. While in
Mecca, the Prophet (upon him be peace) was well-mannered, and polite to the
polytheists of the Quraysh. He behaved like this despite the fact that they
wished to hurt him, and were plotting against him and his Companions. Indeed,
he was so polite and decent with them that they trusted him with their valuables
(wada‘i’). So, there should be nothing to prevent a Muslim from congratulating
them verbally, or through letters that do not involve religious words or
symbols. [This should not be difficult as] The greetings used to congratulate on
such occasions do not normally pertain to religion; instead, they involve wellknown complimentary messages. Likewise, there is also nothing to prevent a Muslim from accepting a present from non-Muslims, and [even] rewarding
them for it. The Prophet (upon him be peace) accepted presents from nonMuslims. Hence, he accepted a gift from (among others) al-Muqawqas, the
greatest of the Copts in Egypt. Likewise, we may accept presents on the
condition that they are not forbidden by God, such as alcohol and pork.
Regarding days set aside for national and social festivals, such as Independence
Day, Children’s Day, Mother’s Day, and so on, a Muslim is free to
congratulate non-Muslims at these times. If he is a citizen in this country, he is
even free to participate in them, as long as he avoids the illegal acts that may
occur during these occasions.
Dr. Yassir ‘Abd al-‘Azim

Quem quiser o link deste livro: http://www.euro-islam.info/wp-content/uploads/pdfs/the_response.pdf

Uma mente simplista

Confesso que devo ser uma pessoa de mente muito simples, sem grandes conexões ou opiniões. Pra mim, tudo no mundo é mais fácil do que ele é apresentado nas notícias, nos blogs, nas discussões de facebook. Para mim, se a pessoa quer ser punk, gospel ou munaqaba, tanto faz. Ela está feliz? Está suprindo suas necessidades sendo assim? Então, parabéns, que ótimo, seja feliz, eu não tenho nada a ver com suas escolhas.

A minha visão de mundo é muito natural, cada um tem seus gostos e suas crenças, e não sou eu que vou mudar a opinião de ninguém. Aliás, o mundo é tão divertido quando conhecemos pessoas diferentes, que pensam outras coisas, que nos fazem pensar ou refletir, às vezes até mudar.

Viver sem preconceitos ou ideias formadas não é fácil. Claro que às vezes me pego fazendo algum julgamento, tentando entender ou comparar alguém que é diferente de mim com o que penso. Geralmente chego no vazio, pois impor o que se pensa para o outro nada mais é do que correr em círculos sem fim. Agora, o que mais me surpreende, é quando as pessoas tentam impor o que acham certo em relação à fé para os outros. Uma coisa é eu achar que tal pessoa deveria usar roupa rosa, ao invés de branca, porque fica bem nela. Outra coisa é eu dizer que ela tem que seguir a MINHA regilião – onde também se inclui modo de vida – só porque acho que é melhor.

E esse debate, é necessário em todos os lados. Hoje, me deparei com uma pessoa escrevendo isso no facebook (sobre aquela blogueira egípcia que tirou uma foto nua, pra quem vale esse post também):

” Fala pra ela vir pro Brasil, aqui muie pelada da revista e não pedrada! Esses muçulmanos são loucos, mata a mulheres se colocar o olho pra fora da burca, e anda de mão dada com macho na rua! Aff! Maricones loucos!”

O que dizer para alguém que tem coragem de ser ignorante em público? Que tem coragem de ser racista, julgar um povo inteiro os “muçulmanos”? Imagine se você trocasse a palavra muçulmano por “preto”, daria até cadeia né? Aliás, eu acho que isso é também racismo, não sei como a lei interpreta isso, mas acho vergonhoso alguém em pleno século 21, que mora no país “da liberdade”, ter coragem de se expressar assim em público.

O que nos leva a achar que sabemos exatamente como um povo vive? E a pensarmos que em tudo somos superiores? Por que uma questão de crença e fé, precisa ser ofendida? E como disse, isso é uma conversa em diversas correntes. Por que, no Egito, precisavam criar polêmica se a menina tirou roupa? Por que, no Egito, namorados não podem se abraçar nas ruas? Por que, no Egito, as mulheres não podem se vestir como queiram? Sei lá, para mim é uma questão tão simples, cada um faz o que quer. Se na minha crença, eu acho que me cobrir é o correto, ótimo, agora sair desse pressuposto para já sair de casa e agredir alguém porque não segue o que eu quero, é o cúmulo do egocentrismo, certo?

Então, porque vivemos em países, sociedades (seja no Brasil, no Egito) que estimulam esse egocentrismo, em que existe só um modelo correto? No fim, todos os países e sociedades são imperfeitos, e esse post todo é uma grande perca de tempo, pois quem deveria ler, se um dia refletir sobre isso aqui, vai continuar achando sua ignorância algo superior que este meu simplismo romântico.

Revoluções são sempre perenes…

Mudanças, sejam elas quais forem, são sempre doloridas, sofridas. Nós, humanos, estamos acostumados com nossa rotina, com as coisas que conhecemos, que mesmo não sendo perfeitas, estão ali fáceis, na mão. Toda mudança exige que nos movamos, que saiamos da zona de conforto. É sempre dolorido mudar, às vezes nos adaptamos rápido à ela, às vezes demora muito tempo para deixarmos de nos incomodar pelo que está diferente agora.
Se tudo isso já é válido para coisas simples, como mudar um hábito, imagina quando a mudança se dá no sentido mais amplo da palavra, na revolução. E não, não é só uma revolução interna ou luta psicológica. É algo real, nas ruas, que impacta a sua vida como um todo. É a comida que fica mais cara, o transporte que fica ainda mais precário, os serviços públicos que perdem referência.
Revolucionar um país é abrir mão das coisas básicas, da estabilidade, talvez perder seu emprego. Quem de nós, aqui no Brasil, não pensaria duas vezes antes de ir a um protesto contra a corrupção, derrubar o governo (que sim, merece uma ampla reforma), perdendo um dia de trabalho? É difícil, querer a gente quer a mudança, mas fazer revolução é colocar seu país na berlinda, saber que nada mais será o mesmo, e não ter certeza de que o que virá depois, será realmente melhor, pois a política é feita de jogos que poucos de nós realmente conhecemos. Será que nós, no Brasil, colocaríamos a estabilidade de nossos empregos, o que já conhecemos, mesmo com tanta violência e problemas, no fogo por uma revolução?
Pois é por isso, justamente, que admiro a força dos egípcios. Eles viveram 30 anos em uma ditadura. Foram educados sem pensamento analítico, por isso muitas pessoas não conseguem ver a malícia do mundo, sempre aprenderam que o que a mídia oficial, a televisão, mostra, é a verdade. Não aprenderam a dizer não, não é justo, não está certo. O governo, se aproveitava dessa massificação, e dava pílulas de mentira, em forma de subsídios para o pão, óleo e outras coisas tão simples. Ninguém pensava que isso era esmola, era muito pouco. Pois, como disse, mudar é dolorido.
E os egípcios estão vivendo essa revolução. A carne está com preços abusivos, os turistas sumiram, quem não perdeu emprego, está perto de não ter mais o que fazer, pois a economia quebrou. Eles estão pagando uma conta muito cara. Só quem vive na insegurança, na instabilidade, sabe o quanto isso dói.
E o que tem acontecido na Tahrir é mais uma mostra da força que eles têm. A saída de Mubarak, como sempre acreditei, não era o principal, pois ele só estava no poder por causa dos militares. Esses sim, trataram que pegar o poder, na hora que quiseram, e obviamente iria criar sempre mais problemas para continuarem no governo. Adiar eleições, criar tensão religiosa, é isso que eles querem para manter um Egito desunido e sem forças.
Mas os egípcios não se deixaram levar, e estão nas ruas, lutando e morrendo, em revolução, na dor. Em troca de que, eles ainda não sabem, mas estão no meio de um caminho sem volta. Que Deus conforte as famílias egípcias, que possam manter seu sorriso e calor, mesmo em tempos tão cruéis.
Vejam isto abaixo. A realidade é fria:

Questão de higiene

Uma das coisas que mais dá discussão entre brasileiros que conhecem o Egito e os egípcios é a tal da higiene. Não vou entrar nos meandros das questões de higiene pessoal, mas do que a gente vê num caso específico, como restaurantes.

Algumas coisas que eu vi no Egito até viraram “piada interna” para nós. Em Alexandria, perto da fortaleza de Qat Bait, tinha uma sorveteria super famosinha, com sorvetes super deliciosos que eu apelidei carinhosamente de “finger ice cream”. Escolhi um de Macadâmia, sabor não muito comum no Brasil, e o moço que servia, pegou o dinheiro, com a mesma mão, sem luvas nem nada, pegou a casquinha e serviu o sorvete de massa, moldando com o próprio dedão dele a forma da bola… ahahaah é, entendeu o porque do finger ice cream, né? Nojinho, mas eu já tava numa fase mais tranquila e comi mesmo assim ahahah E era realmente maravilhoso o tal sorvete.

Bom, fora isso, tinha o pão que as pessoas compravam nas padarias (que pareciam umas prisões com grades ahaha). Como as pessoas compravam direto saído do forno, não dava nem para carregar no braço. Então o que faziam? Simplesmente espamarravam pelo chão, pelos capôs dos carros, bancos de bicicletas. Sim, sem proteção nenhuma. Para essa comida, eu criei o apelo de “pão de areia”, porque eu jurava que quando comia sentia que tava mastigando um pouco de areia ahaha

Bom, teriam outros exemplos para compartilhar, mas na maior parte das vezes eu sinceramente não vi nada de absurdo no Egito em relação a higiene, mesmo dentro das casas, comi muita coisa boa e bem preparada. Tem lugares bons e super limpos, e lugares baratíssimos onde a higiene não é prioridade, assim como no Brasil.

Pois então, de volta ao Brasil, que a gente acha super exemplo de limpeza, eu enchia tanto a orelha do Musta que ele pensou que ia ver coisas de outro mundo aqui. Aí que com o tempo, a gente começou a ver exemplos de porquice iguais do Egito, e claro, não é maioria, mas tá no mesmo nível.

Fomos num restaurante italiano super conceituado na rua Pamplona, pedimos um antepasto de beringela super delicioso. Quando estou na terceira, quarta colherada, vejo algo se mexendo. Estava cheio de bichos, minhoquinhas, sei lá o que era, lá dentro mexendo. E antepasto é coisa assada gente, não era bichinho vindo da terra porque o produto tava fresco :-S

Depois, estávamos em Santos uma vez, e procuramos uma padaria para tomar café da manhã. Na porta, eles estavam vendendo aqueles frangos, feito nas máquinas. Quando estava saindo com meu carro (porque não vi isso antes), como eu estava estacionada num ponto que dava pra ver atrás do balcão do frango, vi o moço que preparava os assados simplesmente pegar um espeto pronto e colocar no chão! SIM, NO CHÃO!!! E depois de alguns segundos, pegou o mesmo espeto que tinha uns 5 frangos, e botou na mesa para começar a cortar para vender.

- Viu Marina, você fica falando mal do Egito, mas o Brasil é a mesma coisa!!!

- Ah, não sei não Musta, lá a coisa era bem descarada, aqueles pães no chão.

- Ué, mas aqui a gente acabou de ver o frango no chão.

- Tá, mas tem o finger o ice cream…

- A única diferença é que a gente faz na frente dos clientes, no Brasil eles fazem escondido. Os egípcios são mais sinceros e verdadeiros, ué!

- ahahahaha tá certo, Musta, essa vai pro blog.

ps. Em nove meses, eu tive uma infecção alimentar no Egito. No Brasil, já faz 4 anos que estou de volta, e já tive umas três. No final das contas, acho que estamos mesmo quites.

Mulheres por camelos

Se você quer se casar no Egito, esteja preparada para uma dura negociação. A moeda utilizada são os camelos, animais doces e resistentes ao árduo clima do deserto. Eles são utilizados desde o tempo dos faraós como transporte e animais de carga, e um animal do tipo pode valer até 5 mil dólares, dependendo do porte, raça e cuidados.

Por seu valor histórico e comercial até hoje, é a moeda mais comum para se definirem casamentos no Egito e outros países do deserto. Como estrangeira, você deve saber como se portar e negociar, para não sair perdendo. Este site faz uma pesquisa rápida sobre seu perfil e indica a quantidade de camelos que você vale, por favor não deixe de checar antes de ir ao Egito, é uma informação muito valiosa: http://camels.evilsun.org/index.php

Este aqui é um dos que ganhei na minha negociação:

Meu camelo se chama Balooza (pudim em árabe)

ps. Como muita gente não entendeu a ironia, melhor deixar bem claro: este post é uma piada!!! óbvio que isso não acontece no Egito…

Erros de quem ama demais

Achei esta reportagem no uol bem interessante e que tem a ver com muitas mensagens que recebo por email e no blog. Está neste link:  http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultimas-noticias/2011/08/20/veja-erros-de-norma-que-sao-comuns-entre-mulheres-que-amam-demais.htm

Baseado na polêmica da última (péssima) novela, em que a gente viu uma mulher cair no mesmo conto duas vezes, esta reportagem traça alguns fatos que diversas vezes vi pessoas cometendo quando se trata de casamentos com pessoas de outro país e das quais você tem poucas informações. Tem até um teste interessante no texto ehehe

Acho que um dos pontos mais verdeiros que dizem é: não acredite em qualquer desculpa esfarrapada. Fica a dica…

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