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O Natal

Acho que já postei isso em outros Natais, mas não custa repetir. Isso é o que está escrito no Alcorão sobre o nascimento de Jesus:

E quando os anjos disseram: “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” Perguntou: “Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou?” Disse-lhe o anjo: ”Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é.
Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): “Apresento-vos um sinal de vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis. (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (Alcorão 3:45-52)

Não somos, afinal, muito parecidos? A maior diferença é que muçulmanos não enxergam Jesus como filho de Deus, mas sim um profeta. E se notarem na parte que se fala da concepção, o milagre de seu nascimento é que Deus ordena o que quiser, até o nascimento de uma criança sem pai, mas para os muçulmanos isso não significa divindade.

Na minha família, Natal sempre foi símbolo de união familiar e alegria – além de boa comida ahaha (#gordinhafeelings).  Esse tipo de celebração existe em todas as religiões. No Islã, só existem dois feriados, os Eids, que celebram o fim do ramadã e o sacrifício de Abraão.

Existe uma pergunta que sempre passa pela cabeça dos muçulmanos que vivem no Brasil e vêm de famílias cristãs nessa época. É permitido celebrar o Natal com minha família?

Eu não posso dar uma resposta, mas sim as diversas correntes do islamismo. Algumas – que ultimamente estão mais fortes no  Brasil – são um pouco radicais neste ponto e dizem que é haram – pecado – você celebrar ou até mesmo responder a uma felicitação de “Feliz Natal”. Por conta disso, infelizmente, pipocaram na internet esses dias algumas grosserias, como imagens com árvores de Natal cobertas com um X vermelho bem grande com os dizerem: sou muçulmano, não celebro Natal e não me deseje Natal. Para mim, isso é um ato bem anti-islâmico, afinal nosso próprio profeta acolheu minorias religiosas e nunca obrigou a conversão de ninguém. O exemplo dele sempre foi de bondade e amor, eu não acho que insultar ou agredir a religião do outro seja necessário. Aliás, nem acho que o assunto Natal devesse despertar tanto rancor dos muçulmanos convertidos.

É muito simples se entender o limite do que devemos falar em público. Você gostaria, como muçulmano, de na época do seu Eid, ver seus amigos ou conhecidos cristãos, postando mensagens com um X num cordeiro, escrevendo: “Sou cristão, não celebro EID”? Você não se sentiria um pouco ofendido ou chateado? E me surpreendeu muito o tanto de gente que conheço que postou isso nos seus murais…

Então, acho que em tudo na vida, inclusive na religião, o que vale é o equilíbrio e a sensibilidade, pois estamos num mundo muito misturado hoje, nosso vizinhos aqui no Brasil não são muçulmanos, e se queremos ser respeitados e até mesmo divulgar nossa religião, isso exige cordialidade e respeito. Pois quem respeita, é respeitado. Claro que devemos impor limites às vezes, mas dá pra ser sim muçulmano num país cristão, e celebrarmos todos juntos, inclusive nosso feriados muçulmanos depois.

Eu apoio esta minha visão em Al Azhar, a central islâmica do Egito e onde fiz minha shahada – Alhamdo Lellah. Não são eles que bancam o ensino religioso no Braisl, então infelizmente temos visto muito mais opiniões fechadas vindo da Arábia Saudita, do que isso que deixo abaixo. É um livro que Al Azhar compilou para ajudar muçulmanos que vivem na Europa, mas se encaixa muito bem a nós aqui no Brasil também. O link está no final.

A question was asked about whether or not Muslims should
congratulate non- Muslims during the latter’s festivals (a‘ayad).
Fatwa in brief: It is illegal to congratulate non-Muslims during their religious
festivals. In so doing one shares in sin, and [their] corruption.
The Permanent Committee, 313/3

See Shaykh Sa‘id ‘Abd al-‘Azim, www.alsalafway.com
Response:
There is no harm in congratulating non-Muslims with whom you have a family
relationship, or that are neighbours of yours. Regarding their festivals,
however, do not participate in the rituals (tuqus) of Christians, or those in a
similar religious category [i.e. non-Muslims].
Commentary:
In two verses from the Holy Qur’an the nature of relationships between
Muslims and others are laid down (Q. 60:8-9). These verses apply directly to
the polytheists and idol-worshippers (mushrikin wa’l-wathaniyyin)
“Allah forbids you not, with regard to those who fight you not for (your) Faith
nor drive you out of your homes, from dealing kindly and justly with them: for
Allah loveth those who are just”.

“Allah only forbids you with regard to those who fight you for (your) Faith,
and drive you out of your homes, and support (others) in driving you out, from
turning to them (for friendship and protection). It is such as turn to them (in
these circumstances), that do wrong”.
These two verses distinguish between, on the one hand, the peaceful
(musalamin) and, on the other hand, the warriors (muharibin). Regarding the
peaceful [non-Muslims], the law recommends behaving justly with them, this,
in turn leads to charitable and kind dealings. On the other hand, the second
verse forbids loyalty to the warriors. This is because they have taken Muslims
as enemies, have fought with them and have driven them out of their homes.
The two Shaykhs [i.e. Bukhari and Muslim] report a hadith in which Asma’
(r.a.) the daughter of Abu Bakr, came to the Prophet (upon him be peace) and
said: “O Messenger of God, my mother has come to me, and she is a polytheist
(mushrika), and she wants to remain in contact with me, should I stay in touch
with her?” The Prophet (upon him be peace) replied, yes, stay in touch with
your mother. This hadith is agreed upon.
[We note that] This is the Prophet’s attitude towards a polytheist (mushrika);
however, Islam’s approach to the People of the Book [i.e. to Jews and
Christians] is known to be more lenient. Indeed, the Qur’an permits Muslims to
be the dinner companions of Jews and Christians, and [even] to marry them.
Obviously, in the latter case, an affectionate relationship is required. Further
[as mentioned already], motherhood privileges a woman in her role over her
children. The children [of a non-Muslim mother] will congratulate her on her
festival days, and behave well towards her. The generous Prophet (upon him be
peace) advises us “to treat people kindly” [lit: “with strong ethics”). He said
“treat people”, and not just Muslims with kindness.
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Hence, if someone congratulates a Muslim during one of their feast, we are to
respond to his greeting with a better, or at least an equal greeting. For God
Almighty says:

“When ye are greeted with a greeting, [you should] return [this] with a better,
or at least an equal greeting”. (Q. 4:86.)
Another motive to respond to the non-Muslim’s greeting is that, if Muslims

want to call them [the non-Muslims] to Islam – which is an obligation upon all
Muslims – one’s relationship with them should obviously be cordial. While in
Mecca, the Prophet (upon him be peace) was well-mannered, and polite to the
polytheists of the Quraysh. He behaved like this despite the fact that they
wished to hurt him, and were plotting against him and his Companions. Indeed,
he was so polite and decent with them that they trusted him with their valuables
(wada‘i’). So, there should be nothing to prevent a Muslim from congratulating
them verbally, or through letters that do not involve religious words or
symbols. [This should not be difficult as] The greetings used to congratulate on
such occasions do not normally pertain to religion; instead, they involve wellknown complimentary messages. Likewise, there is also nothing to prevent a Muslim from accepting a present from non-Muslims, and [even] rewarding
them for it. The Prophet (upon him be peace) accepted presents from nonMuslims. Hence, he accepted a gift from (among others) al-Muqawqas, the
greatest of the Copts in Egypt. Likewise, we may accept presents on the
condition that they are not forbidden by God, such as alcohol and pork.
Regarding days set aside for national and social festivals, such as Independence
Day, Children’s Day, Mother’s Day, and so on, a Muslim is free to
congratulate non-Muslims at these times. If he is a citizen in this country, he is
even free to participate in them, as long as he avoids the illegal acts that may
occur during these occasions.
Dr. Yassir ‘Abd al-‘Azim

Quem quiser o link deste livro: http://www.euro-islam.info/wp-content/uploads/pdfs/the_response.pdf

Eu não sabia

Eu pensava que amar outra seria como trair o meu primeiro amor. Eu estava acostumado a colocar barreiras entre nós e evitar estes sentimetnos naturais que eu estava tendo por ela, eu tentava enxergar apenas os pontos negativos e evitava aproveitar suas ótimas qualidades. Eu nunca pude resistir à sua comida maravilhosa, eu não entendia seus filhos e suas piadas, seu humor, não estava entendendo o que era esta emoção por ela que nascia dentro de mim.

Nas vezes em que estive longe dela, eu percebi que realmente sentia sua falta. Como sempre, eu queria me prevenir deste sentimento e não queria entender o porquê dele.  Nela eu tive meus melhores dias, eu conheci as pessoas mais puras e eu pude sentir a verdadeira liberdade. Nela eu realmente cresci, eu aprendi o que é a vida e como verdadeiramente aproveitar todos os momentos da minha existência.

Nela eu encontrei milhões e milhões dividindo este mesmo sentimento comigo, que eu não sou o único diferente. Nela, não tem problema você ser diferente.  Nela sou sempre bem vindo, não sou só mais um árabe que sofre racismo. Para eles eu até pode ser o  homem bomba, mas é somente uma brincadeira, não falam sério. No seu aeroporto eu fui tão bem tratado como suas crianças, nos seus hospitais cuidaram de mim como se eu fosse um deles. Nela eu fui bem recebido sempre, nela eu vivi, vivo, viverei e irei morrer.

Obrigada, Brasil, por tudo, obrigado por me fazer sentir em casa, pra ser sincero, eu não estou me “sentindo” em casa, eu sei que “estou” em casa. E não poderei nunca dizer que você é minha segunda casa, você é a minha única casa.

*Post escrito hoje pelo meu marido, egípcio, 26, 4 anos de Brasil.

Uma mente simplista

Confesso que devo ser uma pessoa de mente muito simples, sem grandes conexões ou opiniões. Pra mim, tudo no mundo é mais fácil do que ele é apresentado nas notícias, nos blogs, nas discussões de facebook. Para mim, se a pessoa quer ser punk, gospel ou munaqaba, tanto faz. Ela está feliz? Está suprindo suas necessidades sendo assim? Então, parabéns, que ótimo, seja feliz, eu não tenho nada a ver com suas escolhas.

A minha visão de mundo é muito natural, cada um tem seus gostos e suas crenças, e não sou eu que vou mudar a opinião de ninguém. Aliás, o mundo é tão divertido quando conhecemos pessoas diferentes, que pensam outras coisas, que nos fazem pensar ou refletir, às vezes até mudar.

Viver sem preconceitos ou ideias formadas não é fácil. Claro que às vezes me pego fazendo algum julgamento, tentando entender ou comparar alguém que é diferente de mim com o que penso. Geralmente chego no vazio, pois impor o que se pensa para o outro nada mais é do que correr em círculos sem fim. Agora, o que mais me surpreende, é quando as pessoas tentam impor o que acham certo em relação à fé para os outros. Uma coisa é eu achar que tal pessoa deveria usar roupa rosa, ao invés de branca, porque fica bem nela. Outra coisa é eu dizer que ela tem que seguir a MINHA regilião – onde também se inclui modo de vida – só porque acho que é melhor.

E esse debate, é necessário em todos os lados. Hoje, me deparei com uma pessoa escrevendo isso no facebook (sobre aquela blogueira egípcia que tirou uma foto nua, pra quem vale esse post também):

” Fala pra ela vir pro Brasil, aqui muie pelada da revista e não pedrada! Esses muçulmanos são loucos, mata a mulheres se colocar o olho pra fora da burca, e anda de mão dada com macho na rua! Aff! Maricones loucos!”

O que dizer para alguém que tem coragem de ser ignorante em público? Que tem coragem de ser racista, julgar um povo inteiro os “muçulmanos”? Imagine se você trocasse a palavra muçulmano por “preto”, daria até cadeia né? Aliás, eu acho que isso é também racismo, não sei como a lei interpreta isso, mas acho vergonhoso alguém em pleno século 21, que mora no país “da liberdade”, ter coragem de se expressar assim em público.

O que nos leva a achar que sabemos exatamente como um povo vive? E a pensarmos que em tudo somos superiores? Por que uma questão de crença e fé, precisa ser ofendida? E como disse, isso é uma conversa em diversas correntes. Por que, no Egito, precisavam criar polêmica se a menina tirou roupa? Por que, no Egito, namorados não podem se abraçar nas ruas? Por que, no Egito, as mulheres não podem se vestir como queiram? Sei lá, para mim é uma questão tão simples, cada um faz o que quer. Se na minha crença, eu acho que me cobrir é o correto, ótimo, agora sair desse pressuposto para já sair de casa e agredir alguém porque não segue o que eu quero, é o cúmulo do egocentrismo, certo?

Então, porque vivemos em países, sociedades (seja no Brasil, no Egito) que estimulam esse egocentrismo, em que existe só um modelo correto? No fim, todos os países e sociedades são imperfeitos, e esse post todo é uma grande perca de tempo, pois quem deveria ler, se um dia refletir sobre isso aqui, vai continuar achando sua ignorância algo superior que este meu simplismo romântico.

Amando no silêncio

Ele provavelmente não vai gostar deste post. Reclama de abraço, de beijo, não responde se perguntamos sobre alguma possível namorada. Fecha a cara ao menor sinal de contato físico, não sabe sorrir em nenhuma fotografia, precisa sempre erguer as sobrancelhas grossas ou fazer alguma careta, como se fosse proibido ser bonito.

É a minha cara, minha versão masculina. E somos parecidos não só por fora, mas crescemos aprendendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas músicas, andando sobre o mesmo skate. Já fui sua heroína e também seu maior exemplo de desgosto. Nunca falou que gosta de mim, mas sei que sempre se lembra de vários momentos comigo.

Ele não está acostumado a receber elogios. Cresceu achando que suas vitórias não são importantes e por isso, às vezes, acha que não precisa se esforçar ao máximo, pois ninguém vai notar. Não é de vibrar, nem de sonhar, tem os pés firmes no chão, feitos blocos de concreto. Não posso dizer que isso é só uma capa, uma máscara, pois ele é transparente, claro e direto sempre.

Já passou despercebido, mas também foi muito aplaudido e virou um astro – pelo menos para mim. Já cantei com ele, viajamos soltos pelo mundo, já fui sua responsável, e também a que o ensina a fazer justamente o que não deve. Não sei quase nada da sua vida particular, apesar de termos vivido mais de duas décadas lado a lado.

Do meu quarto, ouvia sua respiração. Ouvia sua música, as ligações que recebia. Nunca nos cobramos nada, mas já trocamos agressividades e palavras vãs, como é típico de pessoas na nossa situação. Já vimos juntos campos de girassóis, cumes de montanhas nevadas, cachoeiras perdidas. Já passamos uma noite procurando onde dormir, desatolamos um carro, fumamos um cigarro.

Já fomos melhores amigos, e às vezes indiferentes conhecidos. Pouco sei do que faz na verdade, se já amou alguma menina, o que realmente quer da vida. Mas tenho orgulho de tudo que vivemos, da pessoa que é. Admiro suas conquistas, sua felicidade quieta e comedida. Porém penso que isso seja só um de seus lados, que eu não conheça muito mais, como um iceberg, só vi uma pequena parte do que tem a mostrar. E é isso que fazem as pessoas fantásticas, não precisam forçar ou pular na sua frente. Com muito pouco, já se gosta, se quer estar perto, mesmo que seja em silêncio.

Nunca disse te amo para ele, nem nunca vou ouvir isso da boca dele. Mas quem disse que é preciso usar palavras?

Não foi acidente – assunto sério

Gente,

vou tomar um pouquinho do tempo de vocês pedindo uma coisa séria. Vamos assinar esta petição, que está sendo coordenada pelo irmão e filho de duas mulheres – mãe e filha – que foram atropeladas e mortas aqui em São Paulo ao sair de um shopping, por um motorista bêbado. Como a lei seca não é aplicada com dignidade para as vítimas no nosso estado, ele está tentando de alguma forma pleitear uma mudança nas nossas leis.

Sinceramente, não dá para aguentar mais tanta impunidade no nosso país, as pessoas fazem o que querem, matam, roubam e nada acontece. É um escândalo atrás do outro na política, corrupção, a sociedade está apodrecendo por falta de justiça e temos que de alguma forma agir. Brasileiro só faz passeata quando é parada gay (estou riscando antes que receba outro comentário me chamando de homofóbica sendo que me referi à festa em si, que não tem nada a ver com luta de direitos de IGUALDADE e desviando a importância deste post), existem shows religiosos que atraem milhões, porque será que nas coisas que interessam, a gente é tão passivo?????

Bom, eu só peço alguns minutinhos para tentar mudar algo. É só entrar nesse site aqui: http://www.naofoiacidente.com.br/ (para pegar informações do seu título eleitoral, é só ir aqui: http://www.tse.gov.br/eleitor/titulo-e-local-de-votacao)

Para ler mais sobre o caso:  http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/10/familia-de-atropeladas-na-zona-oeste-de-sp-faz-ato-por-mudanca-de-lei.html

Foto da campanha, que por coincidência, mostra as duas no nosso lindo Egito. Fico feliz que elas puderam ter esta experiência antes de serem brutalmente assassinadas.

Maravilhas

Quando eu fui para o Egito, segui direto para Alexandria, ou seja, não vi pirâmides ou aquilo que as pessoas entendem por “Egito”. Estava no Mediterrâneo, numa cidade onde cafés com clima europeu são o maior atrativo para o dia a dia, não cruzava com atrativos turísticos todos os dias. Depois de uns dias, acabou aquela coisa de surpresa pelo que é o Egito, e de tanto eles falarem que as pirâmides era algo “normal”,  acabei achando que era normal, da altura de um prédio sei lá.

Só sei que depois de uns 20 dias de Egito, quando finalmente fui pro Cairo, finalmente marcados de ir nas pirâmides (aliás, dias inesquecíveis com Melly – outra brasileira – ehehehe). Estávamos naquele trânsito caótico, muita gente atravessando a rua, prédios, etc, que nem estava mais me preparando para o grande momento. Eis que, num relance, de repente vejo a forma triangular despontando atrás de uma construção. Que?? Ãhn??  Me subiu um arrepio pelos braços, os olhos molharam, era algo muito mais gigantesco do que eu podia imaginar, descomunal, fora da realidade humanda. Não, não tinha um tamanho de um prédio que eu conhecia, era muito maior, mais largo, incrível.

E eis, que anos depois desse arrepio, estou numa viagem de trabalho em Foz do Iguaçu, no Brasil, e só no último dia dou uma escapada para conhecer as tais cataratas do iguaçu. Eu, como boa brasileira, já vi dezenas de cachoeiras na vida, nadei em muitas, caí em outras (sim, eu já caí sem querer num rio e quase que vou abaixo num precipício ahaha), ou seja, ver água caindo é o que não falta na minha vida. Confesso que por ignorância, nunca tinha lido muito sobre essas cataratas, e acho que foi bom. Cheguei no parque de ônibus, despretensiosa. Admirei a organização do lugar, vi muitos estrangeiros, mais do que já tinha visto em outro lugar do Brasil. Ok, deve ser realmente atraente o lugar. Peguei o ônibus do parque para as trilhas, mais uns 10 quilômetros no meio da mata, refrescante.

Desci no último ponto, que daria para o mirante das cataratas. Esperei uns minutos para o grupo de pessoas sair na frente e poder entrar no caminho sozinha, eu gosto desses momentos de paz. Desci uns 100, 150 metros, não sei ao certo, e já ouvia um barulho muito forte de água. Pelo caminho que serpenteava numa descida, cheguei até à primeira visão. Não deu outra, foi só bater o olho, e a surpresa, a maravilha, ali. E foi aquela mesma sensação de arrepio, que só tinha visto com as pirâmides. Coisas tão diferentes, mas que despertam a mesma sensação, por serem impossíveis de serem reproduzidas. E Iguaçu com certeza foi a natureza mais fantástica e linda que vi na minha vida, não estou exagerando. Vá um dia, me sinto envergonhada como brasileira de não saber disso antes.

As fotos não dão a dimensão do lugar, mas fica o registro (e sim, você se molha toda ao andar por lá ehehe). Entre aqui e participe da votação para eleger as cataratas como uma das 7 maravilhas da natureza: http://www.votecataratas.com/

 

 

 

Questão de higiene

Uma das coisas que mais dá discussão entre brasileiros que conhecem o Egito e os egípcios é a tal da higiene. Não vou entrar nos meandros das questões de higiene pessoal, mas do que a gente vê num caso específico, como restaurantes.

Algumas coisas que eu vi no Egito até viraram “piada interna” para nós. Em Alexandria, perto da fortaleza de Qat Bait, tinha uma sorveteria super famosinha, com sorvetes super deliciosos que eu apelidei carinhosamente de “finger ice cream”. Escolhi um de Macadâmia, sabor não muito comum no Brasil, e o moço que servia, pegou o dinheiro, com a mesma mão, sem luvas nem nada, pegou a casquinha e serviu o sorvete de massa, moldando com o próprio dedão dele a forma da bola… ahahaah é, entendeu o porque do finger ice cream, né? Nojinho, mas eu já tava numa fase mais tranquila e comi mesmo assim ahahah E era realmente maravilhoso o tal sorvete.

Bom, fora isso, tinha o pão que as pessoas compravam nas padarias (que pareciam umas prisões com grades ahaha). Como as pessoas compravam direto saído do forno, não dava nem para carregar no braço. Então o que faziam? Simplesmente espamarravam pelo chão, pelos capôs dos carros, bancos de bicicletas. Sim, sem proteção nenhuma. Para essa comida, eu criei o apelo de “pão de areia”, porque eu jurava que quando comia sentia que tava mastigando um pouco de areia ahaha

Bom, teriam outros exemplos para compartilhar, mas na maior parte das vezes eu sinceramente não vi nada de absurdo no Egito em relação a higiene, mesmo dentro das casas, comi muita coisa boa e bem preparada. Tem lugares bons e super limpos, e lugares baratíssimos onde a higiene não é prioridade, assim como no Brasil.

Pois então, de volta ao Brasil, que a gente acha super exemplo de limpeza, eu enchia tanto a orelha do Musta que ele pensou que ia ver coisas de outro mundo aqui. Aí que com o tempo, a gente começou a ver exemplos de porquice iguais do Egito, e claro, não é maioria, mas tá no mesmo nível.

Fomos num restaurante italiano super conceituado na rua Pamplona, pedimos um antepasto de beringela super delicioso. Quando estou na terceira, quarta colherada, vejo algo se mexendo. Estava cheio de bichos, minhoquinhas, sei lá o que era, lá dentro mexendo. E antepasto é coisa assada gente, não era bichinho vindo da terra porque o produto tava fresco :-S

Depois, estávamos em Santos uma vez, e procuramos uma padaria para tomar café da manhã. Na porta, eles estavam vendendo aqueles frangos, feito nas máquinas. Quando estava saindo com meu carro (porque não vi isso antes), como eu estava estacionada num ponto que dava pra ver atrás do balcão do frango, vi o moço que preparava os assados simplesmente pegar um espeto pronto e colocar no chão! SIM, NO CHÃO!!! E depois de alguns segundos, pegou o mesmo espeto que tinha uns 5 frangos, e botou na mesa para começar a cortar para vender.

- Viu Marina, você fica falando mal do Egito, mas o Brasil é a mesma coisa!!!

- Ah, não sei não Musta, lá a coisa era bem descarada, aqueles pães no chão.

- Ué, mas aqui a gente acabou de ver o frango no chão.

- Tá, mas tem o finger o ice cream…

- A única diferença é que a gente faz na frente dos clientes, no Brasil eles fazem escondido. Os egípcios são mais sinceros e verdadeiros, ué!

- ahahahaha tá certo, Musta, essa vai pro blog.

ps. Em nove meses, eu tive uma infecção alimentar no Egito. No Brasil, já faz 4 anos que estou de volta, e já tive umas três. No final das contas, acho que estamos mesmo quites.

A arte de se transformar

Meu casamento começou de uma forma diferente, em que os desafios do início devem ser bem diferentes de um casal que se casa de uma maneira mais típica, como entre amigos ou na mesma cidade.  Acredito que cada um tem sua história e momentos diferentes de aprendizado na vida, e é isso que faz esta diversidade do mundo.

Quando eu me casei, não me preocupei como vejo as noivas que conheço, com o vestido que iria usar, com a loja na qual escolheria o bem casado ou onde fazer minha lista de presentes.  Na época, eu estava preocupada em tirar o passaporte, selecionar o que caberia em duas malas e… não me lembro de muita coisa. Eu só sei que o casamento em si, não foi um grande evento para o qual me preparei. O que me tirou noites de sono e me fazia desabar em nervosismo, era o caminho.

Sim, não é fácil pedir demissão de um emprego bacana, ver sua casa pela última vez, explicar o que eu estava sentindo para meus pais. E também concordo que, se não fosse eu, também diria que a pessoa era louca e precisava é de psicólogo. Porém, só quem me conhecia profundamente, como minha mãe, sabia que grade nenhuma neste mundo iria me segurar. E assim fui, rumo ao que eu achava que conhecia muito bem, como uma jovem desvairada em busca de aventura, porém guiada por um sentimento muito puro de amor.

É, um amor sem toques, à moda antiga. Baseado em palavras, em cartas de amor, em juras perdidas no meio da noite. Não trocamos nada de material até aquele dia, a não ser telefonemas, emails, chamadas pelo computador. E porque não poderia dar certo? Casamento não é passagem para a felicidade, e não importa as circunstâncias em que se conheceram e viveram, não existe garantia que vá dar certo. E fui atrás do que queria.

Na época, hoje vejo bem, eu ainda era impulsiva demais. Se eu tivesse os meus 27 anos de hoje (quase 28), capaz que eu não teria ido daquela maneira. Teria ido nas férias, com cartão de crédito pronto para gastar, hotel agendado e toda uma cerimônia que tiraria toda a graça do evento, seria apenas mais uma viagem de férias, dentre tantas outras que fiz, com o adicional de arrumar um namorado. Não sei se teria casado, se tudo isso tivesse acontecido aos meus 27 anos e a experiência de vida me tivesse dado novas amarras.

Amadureci no Egito o que não tinha crescido a minha vida toda.  E isso nos faz repensar todas as nossas ações. Não me arrependo nada do que fiz, porém o fiz no momento certo da vida, em que arriscar era divertido e saudável. Agora, mais racional e prática, poderia ter outras reações ou já estar desiludida demais com a vida (o que não aconteceu comigo até por conta de toda a coragem que eu sempre tive de fazer coisas diferentes).

No Egito, eu era quieta, manhosa, mas amável e discreta. Quis aprender a me comportar como a esposa estrangeira ideal, aquela que se veste como eles, não faz escândalo e está sempre pronta pra falar algo engraçado em árabe, para o delírio do meu público. Enquanto isso, Musta era super romântico e jovial, nervoso com as coisas e pessoas erradas, não media palavras. E a gente foi se ajudando. Casar jovem com alguém tão diferente é gostoso, pois nossas conversas nunca tinham monotomia, e ambos estavam abertos para aprender e se tornar melhor um para o outro.

E viemos para cá, eu na época já estava mais solta, nas últimas semanas do Egito perdi a pose de perfeição, queria falar, debater, comentar, rir e criar. Musta tinha planos, como sempre, mil ideias mirabolantes, porém sem muito foco do que fazer com elas.

No Brasil, passamos a ter nossa própria vida, sem depender de nada nem de ninguém. Continuamos nosso debate, ele me forçando a mudar em muitas coisas, e eu a ele.

-Musta, não pode ser tão inflexível, a pessoa estava só brincando! – eu dizia.

- Marina, você se expõe demais, fala tudo sobre sua vida, dando às pessoas direito de te julgar. Selecione o que você fala. – ele me alertava.

E assim fomos, juntos nos moldando, fazendo nossa vida, do nosso jeito. Sempre existem altos e baixos, momentos em que um cai e o outro estende a mão, momento em que os dois parecem que vão se afogar, mas alguém consegue agarrar a bóia. E, melhor que isso, existe o tempo de harmonia perfeita, aquele momento no casamento em que os olhos passam a conversar, sem que palavras precisem ser ditas, que os apelidos carinhosos se estabelecem e acabam virando seu novo nome particular. Dias em que sua única vontade é fazer o outro feliz, comprar um presente surpresa, preparar uma janta gostosa.

O aprendizado nunca acaba, os desafios continuam surgindo. O equilíbrio entre o casal é que vai te guiar para a felicidade, que não é algo previsível ou único. A felicidade são gotas brilhantes que pingam durante as horas do dia, uma estrela presente durante o abraço da noite e que se mantém acesa sempre, não importa quão difícil esteja sendo. E estas transformações do que somos, do que pensamos, fazem parte deste crescimento como casal, que desperta junto para a vida.

E assim continuo crendo no amor, que hoje não se importa se sou egípcia ou brasileira, já passamos desta fase, o que nos envolve são coisas muito mais profundas do que uma diferença cultural ou de raça. Estamos de mãos dadas para o que der e vier, e isso é o que importa.

Islamismo cresce no Brasil

Por causa do 11 de setembro (claro!) a Globo News fez uma reportagem sobre o crescimento do islamismo no Brasil. Não consigo postar ele direto aqui, mas o link é esse AQUI.

Não estou aqui pra fazer proselitismo religioso nem nada, mas acho uma reflexão interessante para quem se pergunta: o que leva uma pessoa a se converter a uma religião que parece extremista, repressora??? Claro que o Islã real é muito diferente da imagem pintada dele pelo mundo, e é muito fácil gostar de suas crenças, assim como outras pessoas podem se converter para igrejas evangélicas, wicca, catolicismo, etc… basta você encontrar em algum código religioso aquilo que enxerga para sua vida, fé é algo inexplicável, só quem tem sabe.

Nas redes sociais…

Eu sou fã de redes sociais, participo de quase tudo (mas meu Orkut já foi assassinado faz muito tempo ehehe) e o blog nada mais é do que uma das formas que tenho de me expressar, colocar ideias para fora e bater papo. Mas, como vocês podem notar, não tenho aparecido por aqui com tanta frequência, o blog exige mais cérebro para pensar o que postar, vários minutos de dedicação para uma coisa só e escrever um texto mais longo, o que não anda dando muito tempo. Aliás, tempo até tenho, mas gosto de fazer coisas mais rápidas e por isso acabo às vezes dando as cara mais em outros tipos de redes.

Assim, se você quiser fazer parte das minhas redes e eu das ruas, dá pra me encontrar:

no Twitter – @marinafaleiros > Ok, eu sei que muita gente até hoje não entende muito o que é esse site e para que serve. Para mim nada mais é do que um grande agregador de links e coisas interessantes, por isso se seu twitter é um mini dário que você só usa para dizer que “foi tomar banho”, eu provavelmente vou te seguir por pouco tempo. O meu, basicamente faço reclamções  e posto links, não sou de ficar o tempo todo ali não, mas olho todos os dias para ver o que andam postando de notícias interessantes.

No Facebook – não tenho uma conta específica para o blog e como meu Facebook é para coisas da vida real, como colegas de trabalho, família, etc, procuro não misturar muito. Porém, criei uma página para o blog lá, porque no final das contas é inevitável ter vários conhecidos que também leem o blog ou gente que conheci justamente por se relacionarem com egípcios, etc. Já mandei um email com convite para os assinantes do blog, mas não sei se todo mundo entendeu. O negócio é só ir na página e curtir, assim você pode participar dos debates lá dentro, postar fotos, comentários, como funcionavam as antigas comunidades do orkut, lembram? No Facebook não senti uma interação igual existia no Orkut, nem sei se isso vai voltar a acontecer, mas estou tentando. Se você gosta de trocar informações discutir, aparece por lá, o link é: http://www.facebook.com/pages/Egito-e-Brasil/183535181714574

 

Fora isso, tenho Foursquare, Linkedin, Google+ (que acho que não vai pegar), etc… Fora msn, skype, uns 5 emails ahhaha Cada coisa com seu propósito, não sei o que vai ser de mim daqui a pouco, já que a cada dia surge algo novo!

Bom, mas para quem conheceu o marido pela internet, foi pro Egito e casou, eu só posso dizer que essa coisa de mundo virtual tem um saldo muito positivo na minha vida!

Até meu gato Tito eu arrumei pela internet, no Mercado Livre ahahaha

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