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Post do Musta – resposta

Escrito pelo Mostafa, em resposta a Ash:

 

No Islã, quando você quer aconselhar alguém e mostrar-lhe os seus pontos negativos, você tem que falar com ele diretamente. e se quiser mostrar os  pontos positivos dele , aí  você poderia falar com ele em público. Essa não é a minha opinião, é a opinião da nossa religião. você parece religiosa por isso estou te mostrando para você isto agora

 

Eu vejo você cometer muitos erros islâmicos, este foi o primeiro. Também vejo você atacando os outros dizendo que eles são falsos e este é um outro erro no islã, e isso não é minha opinião, para não dizer que um marido está defendendo a mulher dele.

 

Eu queria tanto te dizer todas essas coisas por e-mail para não mostrar aos outros, mas como vejo que você está usando um usuário falso e não há nenhuma outra maneira de conversar consigo diretamente.
Ashley, a amizade é uma escolha, e você viu que  Marina mudou muito e ela não é aquela que te ajudava antes como você disse, então agora é a sua escolha para abandonar esta amizade e esta página.
Precisar de um Psicólogo não é uma vergonha. isso não significa que nós somos loucos que eu preciso e que ela precisa e eu acho que você precisa também. ela precisa de um Psicólogo para aprender mais como lidar com pessoas diferentes e aprender sem perder, e eu preciso ser mais paciente e ser mais calmo, e você precisa aprender a dizer sua opinião usando a sua verdadeira personalidade e não se esconder atrás de uma personalidade falsa e também para cuidar mais da sua própria vida e pôr um limite a si mesmo e sabe muito bem que cada um tem sua própria vida e respeite isso.
Irmã Ashley, por que ficamos brigando sempre? Eu sinto que há uma outra razão por trás dessa atitude, sinto que há uma raiva por trás disso. Eu aprendi outras  coisas no islã, eu aprendi como  gostar os outros, e como deixar os outros gostam de mim, como  aconselhar os outros, para levar os outros para um caminho melhor sem machucá-los.

 

não se esqueça que você e eu somos representantes do Islã, quando alguém vê-lo falando desse jeito, ele vai dizer a sua própria mente ”este é o Islã” , mostra para as  pessoas o verdadeiro islã e os muçulmanos reais. seja você mesmo, mostra as coisas boas que estão dentro do seu coração,deixar uma marca boa para as pessoas e não apenas deixar uma marca que pode mostrar um lado ruim para os outros.

 

Eu não estou escrevendo isso para fazer você triste ou para fazer você parar de postar, eu estou escrevendo isso para tentar o máximo que eu puder para ajudá-lo.para lhe dizer que a vida é boa. só precisamos aprender a gostar.

 

para ter uma opinião diferente não é um crime, mas para destruir a opinião diferente é um grande crime.

Sábado vou começar uma coisa nova em nosso blog e vou repeti-lo todos os sábados. Vou postar algo sobre o Egito e o que está acontecendo  lá nesta semana e eu não vou postar minha opinião até a próxima semana para ver todas as suas opiniões e você estarei sempre bem-vinda para contar a sua opinião.

Vai ser um grande prazer te conhecer  (Ashley) ou ……..Irmã……………….

Deus te proteja, te ajuda. Ilumina o seu caminho, seu coração e sua mente.

Sem vergonha – matemática

Uma das coisas que me propus a fazer este ano é me dedicar a coisas que realmente me acrescentam, tentar me organizar um pouco mais e estudar. Desde que me formei, em 2005, não tinha mais estudado nada. E não digo fazer um curso ou algo específico, mas ir atrás de conhecimento sozinha, de algo que seria útil para mim.

E agora explico o título do post: eu sou uma sem vergonha, porque se tivesse um pouco de noção nessa minha cara, não contaria para vocês meus problemas com a área que resolvi estudar, a matemática.

Eu sempre fui daquelas alunas que decorei como fazer os tais exercícios de matemática. Nunca entendi porcaria nenhuma da lógica das coisas, tem alguma parte do meu cérebro que dormia quando o assunto era esse. Mas, por ironias da vida, eu trabalho justamente numa área em que conhecimento matemático é importante e chegou um momento em que decidi enfrentar essa minha dificuldade, ao invés de levar isso com a barriga.

Pois bem, peguei um livro na casa da minha mãe sobre o básico de raciocínio lógico. Comecei a ler sobre a teoria de conjuntos, aquela coisa isso pertence a não sei o que, intersecção, subconjuntos, etc. Confesso que aquilo parecia grego, li, reli, achei que entendi e fui fazer os exercícios. Errei metade. Pior, olhando as perguntas, imagino que aquilo seja coisa de quinta série, mesmo assim, algumas contas eu tinha que fazer na mão, o cérebro fervia, e eu errava.

Pedi ajuda, sorte que tenho engenheiros na família (no caso o meu cunhado) com paciência o suficiente. Começou a me ensinar do zero, me ensinou aquela coisa de reta. Fiquei uns 10 minutos querendo entender porque -2x-2 é 4, por que raios vira positivo? Antes eu só decorava essas coisas, agora queria que isso fizesse sentido, finalmente. Descobri que até mesmo a taboada eu precisava estudar, simplesmente não lembrava das contas (viu como é vergonhoso ahaha), por pura preguiça mental, comodismo, fui deixando a matemática ser algo difícil ou impossível.

Mas insisti, refiz os exercícios, busquei vídeos na internet. Equação de primeiro grau, segundo, o que são mesmo os números primos? De repente, senti forças ao lutar contra essa dificuldade, essa barreira, e fui saindo dela. Agora, além de escrever, quero saber calcular.

E você, o que gostaria de aprender de verdade?

Estou longe

Não só fisicamente, mas minha mente está longe. Às vezes paro para pensar o que poderia escrever aqui, já que este blog atrai leitores justamente para falar de Egito, algo do qual me considero tão distante no momento. Poderia falar das ruas que vi, das comidas, das pessoas alegres, do meu trabalho e minha vida lá. Mas isso foi há tanto tempo, mais de quatro anos parece uma eternidade, ainda mais quando nossa vida segue num ritmo frenético.

A única coisa que sei é que o Egito que eu conheci não existe mais. Talvez um dia volte a chegar perto do que minha memória amarelada mostra. Mas acho difícil os egípcios voltarem ao tempo da inocência, da ingenuidade gratuita, da espera infinita. Os egípcios, com a revolução, experimentaram a dor da mudança, a dor das perdas, e hoje sabem (em parte) que a televisão não fala só verdades.

Porém, os mentirosos ganham novas caras e a opressão continua, mas com um contorno mais sombrio, envolvido em religião, já que de material, não há mais esperança para nada. Quanto menos se tem, mais o povo se volta para o alto, o invisível, em busca de um alento que não virá. Não sou contra a religião, tenho a minha fé, porém já sabemos que tipo de erros ocorrem quando homens em busca de poder se utilizam disso para crescer. Quando a suposta temência a Allah se prova com votos, e não oração (silenciosa em casa, sem avisos no Facebook ou marcas na testa), ergo as sobrancelhas.

Enquanto isso, sigo minha vida totalmente apática, aparte. Não tenho planos de voltar, nem sei se um dia voltarei. A saudade que antes doía gostosa, agora parece parte de um livro de história bonito. Apenas isso, o que vivi foi algo totalmente cor de rosa, iluminado, não tem nada a ver com a realidade crua e dura daquele país de agora. Me desencantei, estou muito ocupada no momento para pensar no que foi e deixe de fazer. A vida corre a um milhão e não tenho tempo mais para ficar voltando atrás.

Mesmo assim, por incrível que pareça, todo mundo que me conhece virtualmente só quer falar desse assunto, fazer mil perguntas sobre isso e aquilo. Eu não tenho as respostas. O Egito que conheci, está enterrado. Não sei pra quê ainda me meto nisso, ainda respondo, ainda me esforço pra dar caminhos, que eu sei que nem existem mais. Não consigo me desvencilhar, mesmo sendo algo totalmente sem graça para mim agora. Desculpe, viva sua vida, sua história. Essa é sua vez, mas não espere meus aplausos, minhas estatísticas pessoais mostram que só 1% dá certo, mas não sou eu que vou te dizer isso.  Não perca seu tempo se espalhando em alguém da velha guarda como eu, meus conceitos estão ultrapassados. E boa sorte.

ps. vou começar a postar coisas que me interessam mais a partir de agora.

Cíntia…

Lembro-me bem apenas de seu rosto redondinho. Os olhos ficavam pequenos quando sorria largo, ela era feliz naquela época. A gente brincava, mas eu sabia que éramos diferentes. Ela morava na rua de baixo, como chamávamos, onde só os mais pobres viviam. E ela não tinha as mesmas roupas que a gente. Parecia sempre um pouco sujinha, encardida.

Engraçado que me lembro dela muito pequena, bem menor do que eu, porém ao reencontrá-la na semana passada, após mais de 10 anos, descobri que só é três anos mais nova. E estava igualzinha. A mesma voz, os mesmos olhos castanhos tímidos que ficavam menores a medida que ela sorria. Estava bem gorda, redonda, com uma saia jeans e uma blusa branca com renda preta nos ombros, cheia de rasgos.

- Marina, você lembra quem me deu meus primeiros patins? – perguntou quando passei pela cozinha.

- Não, quem foi? – Respondi.

- Foi você! Era daqueles de quatro rodinhas, branco, com cadarço!  - Falou, enquanto terminava de lavar as louças.

Eu fiquei sem graça de não ter lembrado. Mas ela continuou.

- Eu esperava o ano todo pelas férias, pois sabia que vocês viriam. – Continuou.

-  E você lembra que a gente brincava de escolinha? – Respondeu, enquanto começou a passar o pano no chão.

- Humm, é mesmo! – Retruquei, mentindo. Não lembrava, e dentro de mim já estava totalmente constrangida. Ela estava visivelmente muito feliz de me ver, de conversar comigo. Mas para mim, reviver aquelas lembranças me doeu. Senti culpa. Culpa de ter estar presa às lembranças da minha infância feliz e normal, de não ter percebido que ela precisaria de muito mais do que minhas migalhas para ter um destino diferente ou parecido com o meu.

- E vocês faziam lição de casa pra mim, lembra? Num caderninho, vocês me davam lição de casa e ai de mim se não fizesse! Mas nossa, eu não entendia nada daquelas lições, eu nem sabia ler direito! – Falava sorrindo, tão contente, me cortando por dentro ainda mais.

- Foi a época mais feliz da minha vida! E eu andava de bicicletinha com seu irmão, como era bom! – Terminou, enquanto já corria para fazer outra tarefa da limpeza da casa da minha avó.

- E como você está agora, Cíntia?

- Tudo bem. Tive filho muito cedo, então a vida é essa. Com quinze anos tive o primeiro, agora já tenho três.

- Nossa, você tem três e eu nenhum! Estou com 28 anos.

- Ah, mas está na hora de ter, então! – Respondeu, com os olhinhos esmagados pelo sorriso.

Aos quinze anos, eu pensava em andar de skate, em mudar para uma escola de alto padrão, em ir para os Estados Unidos nas férias, em comer churrasco no final de semana, em escolher uma profissão. Para mim, tudo o que tinha vivido, era senão um começo ínfimo do que seria minha vida, sem tanta importância. Não me lembro muito das brincadeiras, do que fazíamos, a vida para mim passou sempre suave, com suas dores e desafios normais, porém sem agravantes como a pobreza, a fome, a falta de oportunidades. Tudo que eu tive, Cíntia não passou nem perto. Aos quinze anos, enquanto eu brincava de ser “rebelde”, ela carregava um filho no ventre. O que eu poderia ter feito para mudar seu destino? Será que, mesmo tão jovem, eu não deveria ter feito alguma coisa? Por quê fui tão cega?

Aquela conversa me pesou, deitei no sofá da sala, enquanto ela terminava algum serviço. Meus olhos se fecharam e dormi profundamente. Quando acordei, ela já tinha ido embora. Não tive tempo de dizer tchau, de pedir desculpas por não me lembrar de quase nada dos momentos que passamos juntas, mesmo tendo sido algo tão importante para ela.

De noite, no silêncio daquela casa antiga, embalada pela chuva incessante do verão nas montanhas, fiquei pensando nela. Imaginando seus três filhos, sua casa lá ainda na rua de baixo. Vida sem muita perspectiva. Não deu para desviar o pensamento, para esquecer.

 

O Natal

Acho que já postei isso em outros Natais, mas não custa repetir. Isso é o que está escrito no Alcorão sobre o nascimento de Jesus:

E quando os anjos disseram: “Ó Maria, por certo que Deus te anuncia o Seu Verbo, cujo nome será o Messias, Jesus, filho de Maria, nobre neste mundo e no outro, e que se contará entre os diletos de Deus. Falará aos homens, ainda no berço, bem como na maturidade, e se contará entre os virtuosos.” Perguntou: “Ó Senhor meu, como poderei ter um filho, se mortal algum jamais me tocou?” Disse-lhe o anjo: ”Assim será. Deus cria o que deseja, posto que quando decreta algo, diz: Seja! e é.
Ele lhe ensinará o Livro, a sabedoria, a Tora e o Evangelho. E ele será um Mensageiro para os israelitas, (e lhes dirá): “Apresento-vos um sinal de vosso Senhor: plasmarei de barro a figura de um pássaro, à qual darei vida, e a figura será um pássaro, com beneplácito de Deus, curarei o cego de nascença e o leproso; ressuscitarei os mortos, com a anuência de Deus, e vos revelarei o que consumis o que entesourais em vossas casas. Nisso há um sinal para vós, se sois fiéis. (Eu vim) para confirmar-vos a Tora, que vos chegou antes de mim, e para liberar-vos algo que vos está vedado. Eu vim com um sinal do vosso Senhor. Temei a Deus, pois, e obedecei-me. Sabei que Deus é meu Senhor e vosso. Adorai-O, pois. Essa é a senda reta.” (Alcorão 3:45-52)

Não somos, afinal, muito parecidos? A maior diferença é que muçulmanos não enxergam Jesus como filho de Deus, mas sim um profeta. E se notarem na parte que se fala da concepção, o milagre de seu nascimento é que Deus ordena o que quiser, até o nascimento de uma criança sem pai, mas para os muçulmanos isso não significa divindade.

Na minha família, Natal sempre foi símbolo de união familiar e alegria – além de boa comida ahaha (#gordinhafeelings).  Esse tipo de celebração existe em todas as religiões. No Islã, só existem dois feriados, os Eids, que celebram o fim do ramadã e o sacrifício de Abraão.

Existe uma pergunta que sempre passa pela cabeça dos muçulmanos que vivem no Brasil e vêm de famílias cristãs nessa época. É permitido celebrar o Natal com minha família?

Eu não posso dar uma resposta, mas sim as diversas correntes do islamismo. Algumas – que ultimamente estão mais fortes no  Brasil – são um pouco radicais neste ponto e dizem que é haram – pecado – você celebrar ou até mesmo responder a uma felicitação de “Feliz Natal”. Por conta disso, infelizmente, pipocaram na internet esses dias algumas grosserias, como imagens com árvores de Natal cobertas com um X vermelho bem grande com os dizerem: sou muçulmano, não celebro Natal e não me deseje Natal. Para mim, isso é um ato bem anti-islâmico, afinal nosso próprio profeta acolheu minorias religiosas e nunca obrigou a conversão de ninguém. O exemplo dele sempre foi de bondade e amor, eu não acho que insultar ou agredir a religião do outro seja necessário. Aliás, nem acho que o assunto Natal devesse despertar tanto rancor dos muçulmanos convertidos.

É muito simples se entender o limite do que devemos falar em público. Você gostaria, como muçulmano, de na época do seu Eid, ver seus amigos ou conhecidos cristãos, postando mensagens com um X num cordeiro, escrevendo: “Sou cristão, não celebro EID”? Você não se sentiria um pouco ofendido ou chateado? E me surpreendeu muito o tanto de gente que conheço que postou isso nos seus murais…

Então, acho que em tudo na vida, inclusive na religião, o que vale é o equilíbrio e a sensibilidade, pois estamos num mundo muito misturado hoje, nosso vizinhos aqui no Brasil não são muçulmanos, e se queremos ser respeitados e até mesmo divulgar nossa religião, isso exige cordialidade e respeito. Pois quem respeita, é respeitado. Claro que devemos impor limites às vezes, mas dá pra ser sim muçulmano num país cristão, e celebrarmos todos juntos, inclusive nosso feriados muçulmanos depois.

Eu apoio esta minha visão em Al Azhar, a central islâmica do Egito e onde fiz minha shahada – Alhamdo Lellah. Não são eles que bancam o ensino religioso no Braisl, então infelizmente temos visto muito mais opiniões fechadas vindo da Arábia Saudita, do que isso que deixo abaixo. É um livro que Al Azhar compilou para ajudar muçulmanos que vivem na Europa, mas se encaixa muito bem a nós aqui no Brasil também. O link está no final.

A question was asked about whether or not Muslims should
congratulate non- Muslims during the latter’s festivals (a‘ayad).
Fatwa in brief: It is illegal to congratulate non-Muslims during their religious
festivals. In so doing one shares in sin, and [their] corruption.
The Permanent Committee, 313/3

See Shaykh Sa‘id ‘Abd al-‘Azim, www.alsalafway.com
Response:
There is no harm in congratulating non-Muslims with whom you have a family
relationship, or that are neighbours of yours. Regarding their festivals,
however, do not participate in the rituals (tuqus) of Christians, or those in a
similar religious category [i.e. non-Muslims].
Commentary:
In two verses from the Holy Qur’an the nature of relationships between
Muslims and others are laid down (Q. 60:8-9). These verses apply directly to
the polytheists and idol-worshippers (mushrikin wa’l-wathaniyyin)
“Allah forbids you not, with regard to those who fight you not for (your) Faith
nor drive you out of your homes, from dealing kindly and justly with them: for
Allah loveth those who are just”.

“Allah only forbids you with regard to those who fight you for (your) Faith,
and drive you out of your homes, and support (others) in driving you out, from
turning to them (for friendship and protection). It is such as turn to them (in
these circumstances), that do wrong”.
These two verses distinguish between, on the one hand, the peaceful
(musalamin) and, on the other hand, the warriors (muharibin). Regarding the
peaceful [non-Muslims], the law recommends behaving justly with them, this,
in turn leads to charitable and kind dealings. On the other hand, the second
verse forbids loyalty to the warriors. This is because they have taken Muslims
as enemies, have fought with them and have driven them out of their homes.
The two Shaykhs [i.e. Bukhari and Muslim] report a hadith in which Asma’
(r.a.) the daughter of Abu Bakr, came to the Prophet (upon him be peace) and
said: “O Messenger of God, my mother has come to me, and she is a polytheist
(mushrika), and she wants to remain in contact with me, should I stay in touch
with her?” The Prophet (upon him be peace) replied, yes, stay in touch with
your mother. This hadith is agreed upon.
[We note that] This is the Prophet’s attitude towards a polytheist (mushrika);
however, Islam’s approach to the People of the Book [i.e. to Jews and
Christians] is known to be more lenient. Indeed, the Qur’an permits Muslims to
be the dinner companions of Jews and Christians, and [even] to marry them.
Obviously, in the latter case, an affectionate relationship is required. Further
[as mentioned already], motherhood privileges a woman in her role over her
children. The children [of a non-Muslim mother] will congratulate her on her
festival days, and behave well towards her. The generous Prophet (upon him be
peace) advises us “to treat people kindly” [lit: “with strong ethics”). He said
“treat people”, and not just Muslims with kindness.
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Hence, if someone congratulates a Muslim during one of their feast, we are to
respond to his greeting with a better, or at least an equal greeting. For God
Almighty says:

“When ye are greeted with a greeting, [you should] return [this] with a better,
or at least an equal greeting”. (Q. 4:86.)
Another motive to respond to the non-Muslim’s greeting is that, if Muslims

want to call them [the non-Muslims] to Islam – which is an obligation upon all
Muslims – one’s relationship with them should obviously be cordial. While in
Mecca, the Prophet (upon him be peace) was well-mannered, and polite to the
polytheists of the Quraysh. He behaved like this despite the fact that they
wished to hurt him, and were plotting against him and his Companions. Indeed,
he was so polite and decent with them that they trusted him with their valuables
(wada‘i’). So, there should be nothing to prevent a Muslim from congratulating
them verbally, or through letters that do not involve religious words or
symbols. [This should not be difficult as] The greetings used to congratulate on
such occasions do not normally pertain to religion; instead, they involve wellknown complimentary messages. Likewise, there is also nothing to prevent a Muslim from accepting a present from non-Muslims, and [even] rewarding
them for it. The Prophet (upon him be peace) accepted presents from nonMuslims. Hence, he accepted a gift from (among others) al-Muqawqas, the
greatest of the Copts in Egypt. Likewise, we may accept presents on the
condition that they are not forbidden by God, such as alcohol and pork.
Regarding days set aside for national and social festivals, such as Independence
Day, Children’s Day, Mother’s Day, and so on, a Muslim is free to
congratulate non-Muslims at these times. If he is a citizen in this country, he is
even free to participate in them, as long as he avoids the illegal acts that may
occur during these occasions.
Dr. Yassir ‘Abd al-‘Azim

Quem quiser o link deste livro: http://www.euro-islam.info/wp-content/uploads/pdfs/the_response.pdf

Eu não sabia

Eu pensava que amar outra seria como trair o meu primeiro amor. Eu estava acostumado a colocar barreiras entre nós e evitar estes sentimetnos naturais que eu estava tendo por ela, eu tentava enxergar apenas os pontos negativos e evitava aproveitar suas ótimas qualidades. Eu nunca pude resistir à sua comida maravilhosa, eu não entendia seus filhos e suas piadas, seu humor, não estava entendendo o que era esta emoção por ela que nascia dentro de mim.

Nas vezes em que estive longe dela, eu percebi que realmente sentia sua falta. Como sempre, eu queria me prevenir deste sentimento e não queria entender o porquê dele.  Nela eu tive meus melhores dias, eu conheci as pessoas mais puras e eu pude sentir a verdadeira liberdade. Nela eu realmente cresci, eu aprendi o que é a vida e como verdadeiramente aproveitar todos os momentos da minha existência.

Nela eu encontrei milhões e milhões dividindo este mesmo sentimento comigo, que eu não sou o único diferente. Nela, não tem problema você ser diferente.  Nela sou sempre bem vindo, não sou só mais um árabe que sofre racismo. Para eles eu até pode ser o  homem bomba, mas é somente uma brincadeira, não falam sério. No seu aeroporto eu fui tão bem tratado como suas crianças, nos seus hospitais cuidaram de mim como se eu fosse um deles. Nela eu fui bem recebido sempre, nela eu vivi, vivo, viverei e irei morrer.

Obrigada, Brasil, por tudo, obrigado por me fazer sentir em casa, pra ser sincero, eu não estou me “sentindo” em casa, eu sei que “estou” em casa. E não poderei nunca dizer que você é minha segunda casa, você é a minha única casa.

*Post escrito hoje pelo meu marido, egípcio, 26, 4 anos de Brasil.

Uma mente simplista

Confesso que devo ser uma pessoa de mente muito simples, sem grandes conexões ou opiniões. Pra mim, tudo no mundo é mais fácil do que ele é apresentado nas notícias, nos blogs, nas discussões de facebook. Para mim, se a pessoa quer ser punk, gospel ou munaqaba, tanto faz. Ela está feliz? Está suprindo suas necessidades sendo assim? Então, parabéns, que ótimo, seja feliz, eu não tenho nada a ver com suas escolhas.

A minha visão de mundo é muito natural, cada um tem seus gostos e suas crenças, e não sou eu que vou mudar a opinião de ninguém. Aliás, o mundo é tão divertido quando conhecemos pessoas diferentes, que pensam outras coisas, que nos fazem pensar ou refletir, às vezes até mudar.

Viver sem preconceitos ou ideias formadas não é fácil. Claro que às vezes me pego fazendo algum julgamento, tentando entender ou comparar alguém que é diferente de mim com o que penso. Geralmente chego no vazio, pois impor o que se pensa para o outro nada mais é do que correr em círculos sem fim. Agora, o que mais me surpreende, é quando as pessoas tentam impor o que acham certo em relação à fé para os outros. Uma coisa é eu achar que tal pessoa deveria usar roupa rosa, ao invés de branca, porque fica bem nela. Outra coisa é eu dizer que ela tem que seguir a MINHA regilião – onde também se inclui modo de vida – só porque acho que é melhor.

E esse debate, é necessário em todos os lados. Hoje, me deparei com uma pessoa escrevendo isso no facebook (sobre aquela blogueira egípcia que tirou uma foto nua, pra quem vale esse post também):

” Fala pra ela vir pro Brasil, aqui muie pelada da revista e não pedrada! Esses muçulmanos são loucos, mata a mulheres se colocar o olho pra fora da burca, e anda de mão dada com macho na rua! Aff! Maricones loucos!”

O que dizer para alguém que tem coragem de ser ignorante em público? Que tem coragem de ser racista, julgar um povo inteiro os “muçulmanos”? Imagine se você trocasse a palavra muçulmano por “preto”, daria até cadeia né? Aliás, eu acho que isso é também racismo, não sei como a lei interpreta isso, mas acho vergonhoso alguém em pleno século 21, que mora no país “da liberdade”, ter coragem de se expressar assim em público.

O que nos leva a achar que sabemos exatamente como um povo vive? E a pensarmos que em tudo somos superiores? Por que uma questão de crença e fé, precisa ser ofendida? E como disse, isso é uma conversa em diversas correntes. Por que, no Egito, precisavam criar polêmica se a menina tirou roupa? Por que, no Egito, namorados não podem se abraçar nas ruas? Por que, no Egito, as mulheres não podem se vestir como queiram? Sei lá, para mim é uma questão tão simples, cada um faz o que quer. Se na minha crença, eu acho que me cobrir é o correto, ótimo, agora sair desse pressuposto para já sair de casa e agredir alguém porque não segue o que eu quero, é o cúmulo do egocentrismo, certo?

Então, porque vivemos em países, sociedades (seja no Brasil, no Egito) que estimulam esse egocentrismo, em que existe só um modelo correto? No fim, todos os países e sociedades são imperfeitos, e esse post todo é uma grande perca de tempo, pois quem deveria ler, se um dia refletir sobre isso aqui, vai continuar achando sua ignorância algo superior que este meu simplismo romântico.

Amando no silêncio

Ele provavelmente não vai gostar deste post. Reclama de abraço, de beijo, não responde se perguntamos sobre alguma possível namorada. Fecha a cara ao menor sinal de contato físico, não sabe sorrir em nenhuma fotografia, precisa sempre erguer as sobrancelhas grossas ou fazer alguma careta, como se fosse proibido ser bonito.

É a minha cara, minha versão masculina. E somos parecidos não só por fora, mas crescemos aprendendo as mesmas coisas, ouvindo as mesmas músicas, andando sobre o mesmo skate. Já fui sua heroína e também seu maior exemplo de desgosto. Nunca falou que gosta de mim, mas sei que sempre se lembra de vários momentos comigo.

Ele não está acostumado a receber elogios. Cresceu achando que suas vitórias não são importantes e por isso, às vezes, acha que não precisa se esforçar ao máximo, pois ninguém vai notar. Não é de vibrar, nem de sonhar, tem os pés firmes no chão, feitos blocos de concreto. Não posso dizer que isso é só uma capa, uma máscara, pois ele é transparente, claro e direto sempre.

Já passou despercebido, mas também foi muito aplaudido e virou um astro – pelo menos para mim. Já cantei com ele, viajamos soltos pelo mundo, já fui sua responsável, e também a que o ensina a fazer justamente o que não deve. Não sei quase nada da sua vida particular, apesar de termos vivido mais de duas décadas lado a lado.

Do meu quarto, ouvia sua respiração. Ouvia sua música, as ligações que recebia. Nunca nos cobramos nada, mas já trocamos agressividades e palavras vãs, como é típico de pessoas na nossa situação. Já vimos juntos campos de girassóis, cumes de montanhas nevadas, cachoeiras perdidas. Já passamos uma noite procurando onde dormir, desatolamos um carro, fumamos um cigarro.

Já fomos melhores amigos, e às vezes indiferentes conhecidos. Pouco sei do que faz na verdade, se já amou alguma menina, o que realmente quer da vida. Mas tenho orgulho de tudo que vivemos, da pessoa que é. Admiro suas conquistas, sua felicidade quieta e comedida. Porém penso que isso seja só um de seus lados, que eu não conheça muito mais, como um iceberg, só vi uma pequena parte do que tem a mostrar. E é isso que fazem as pessoas fantásticas, não precisam forçar ou pular na sua frente. Com muito pouco, já se gosta, se quer estar perto, mesmo que seja em silêncio.

Nunca disse te amo para ele, nem nunca vou ouvir isso da boca dele. Mas quem disse que é preciso usar palavras?

Não foi acidente – assunto sério

Gente,

vou tomar um pouquinho do tempo de vocês pedindo uma coisa séria. Vamos assinar esta petição, que está sendo coordenada pelo irmão e filho de duas mulheres – mãe e filha – que foram atropeladas e mortas aqui em São Paulo ao sair de um shopping, por um motorista bêbado. Como a lei seca não é aplicada com dignidade para as vítimas no nosso estado, ele está tentando de alguma forma pleitear uma mudança nas nossas leis.

Sinceramente, não dá para aguentar mais tanta impunidade no nosso país, as pessoas fazem o que querem, matam, roubam e nada acontece. É um escândalo atrás do outro na política, corrupção, a sociedade está apodrecendo por falta de justiça e temos que de alguma forma agir. Brasileiro só faz passeata quando é parada gay (estou riscando antes que receba outro comentário me chamando de homofóbica sendo que me referi à festa em si, que não tem nada a ver com luta de direitos de IGUALDADE e desviando a importância deste post), existem shows religiosos que atraem milhões, porque será que nas coisas que interessam, a gente é tão passivo?????

Bom, eu só peço alguns minutinhos para tentar mudar algo. É só entrar nesse site aqui: http://www.naofoiacidente.com.br/ (para pegar informações do seu título eleitoral, é só ir aqui: http://www.tse.gov.br/eleitor/titulo-e-local-de-votacao)

Para ler mais sobre o caso:  http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/10/familia-de-atropeladas-na-zona-oeste-de-sp-faz-ato-por-mudanca-de-lei.html

Foto da campanha, que por coincidência, mostra as duas no nosso lindo Egito. Fico feliz que elas puderam ter esta experiência antes de serem brutalmente assassinadas.

Maravilhas

Quando eu fui para o Egito, segui direto para Alexandria, ou seja, não vi pirâmides ou aquilo que as pessoas entendem por “Egito”. Estava no Mediterrâneo, numa cidade onde cafés com clima europeu são o maior atrativo para o dia a dia, não cruzava com atrativos turísticos todos os dias. Depois de uns dias, acabou aquela coisa de surpresa pelo que é o Egito, e de tanto eles falarem que as pirâmides era algo “normal”,  acabei achando que era normal, da altura de um prédio sei lá.

Só sei que depois de uns 20 dias de Egito, quando finalmente fui pro Cairo, finalmente marcados de ir nas pirâmides (aliás, dias inesquecíveis com Melly – outra brasileira – ehehehe). Estávamos naquele trânsito caótico, muita gente atravessando a rua, prédios, etc, que nem estava mais me preparando para o grande momento. Eis que, num relance, de repente vejo a forma triangular despontando atrás de uma construção. Que?? Ãhn??  Me subiu um arrepio pelos braços, os olhos molharam, era algo muito mais gigantesco do que eu podia imaginar, descomunal, fora da realidade humanda. Não, não tinha um tamanho de um prédio que eu conhecia, era muito maior, mais largo, incrível.

E eis, que anos depois desse arrepio, estou numa viagem de trabalho em Foz do Iguaçu, no Brasil, e só no último dia dou uma escapada para conhecer as tais cataratas do iguaçu. Eu, como boa brasileira, já vi dezenas de cachoeiras na vida, nadei em muitas, caí em outras (sim, eu já caí sem querer num rio e quase que vou abaixo num precipício ahaha), ou seja, ver água caindo é o que não falta na minha vida. Confesso que por ignorância, nunca tinha lido muito sobre essas cataratas, e acho que foi bom. Cheguei no parque de ônibus, despretensiosa. Admirei a organização do lugar, vi muitos estrangeiros, mais do que já tinha visto em outro lugar do Brasil. Ok, deve ser realmente atraente o lugar. Peguei o ônibus do parque para as trilhas, mais uns 10 quilômetros no meio da mata, refrescante.

Desci no último ponto, que daria para o mirante das cataratas. Esperei uns minutos para o grupo de pessoas sair na frente e poder entrar no caminho sozinha, eu gosto desses momentos de paz. Desci uns 100, 150 metros, não sei ao certo, e já ouvia um barulho muito forte de água. Pelo caminho que serpenteava numa descida, cheguei até à primeira visão. Não deu outra, foi só bater o olho, e a surpresa, a maravilha, ali. E foi aquela mesma sensação de arrepio, que só tinha visto com as pirâmides. Coisas tão diferentes, mas que despertam a mesma sensação, por serem impossíveis de serem reproduzidas. E Iguaçu com certeza foi a natureza mais fantástica e linda que vi na minha vida, não estou exagerando. Vá um dia, me sinto envergonhada como brasileira de não saber disso antes.

As fotos não dão a dimensão do lugar, mas fica o registro (e sim, você se molha toda ao andar por lá ehehe). Entre aqui e participe da votação para eleger as cataratas como uma das 7 maravilhas da natureza: http://www.votecataratas.com/

 

 

 

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