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Lidando com maridos

Na minha faixa estária, perto dos trinta, praticamente todas as minhas amigas, primas, conhecidas, etc, estão naquele ponto da vida, casando, namorando mas querendo casar ou solteiras à procura de alguém legal para formar uma família, afinal não estamos mais para brincadeira. Como acabei casando relativamente cedo, aos 23 anos, muitas se perguntam como consigo ter um relacionamento tão tranquilo e harmonioso com meu marido, ainda mais ele sendo de uma cultura tão diferente. Então preparei algumas dicas básicas, claro que relacionamentos são feitos por mil nuances e cada um é único. Mas preparei meu pequeno guia, que pode ajudar alguém eheheh

Dica 1:

Claro que temos conflitos, nossos problemas, mas eu sou daquele tipo de pessoa que lava roupa suja só em casa, se estou com alguém, procuro não ficar falando os defeitos dele em público, só em situações muito específicas. De modo geral, acredito que temos de valorizar muito a pessoa com quem estamos, se a gente não dá valor a ela e faz propaganda positiva, só reclama, fala mal, como vamos depois respeitá-lo dentro de casa? Então a primeira coisa é: nunca detone a pessoa que você ama para desconhecidos ou quem você não tem muita intimidade. Vai parecer que quem tem problema é você, não seu parceiro.

Dica 2:

Homens, por força da criação machista que temos no Brasil e em praticamente no mundo todo, como o Egito também, são criados se achando os reizinhos da casa. Quando se deparam com mulheres modernas como nós, com emprego bom, carreira pra seguir, estudos, ambição, eles ficam meio perdidos. Primeiro porque deixam de ser paparicados o tempo todo, tem que levantar a bunda da cadeira para pegar um café, de vez em quando lavar um copo, ajudar a lavar roupa, essas coisas normais de casa, que geralmente a mãe deles sempre fez pra eles sem reclamar. Claro que tem exceções, mas maridos geralmente precisam ser condicionados a te ajudar, de vontade própria poucos ajudam. Mas não adianta berrar, xingar, jogar macarrão na cabeça dele. Ele vai se achar o mais coitado do mundo, então o certo é criar regras e insistir, mas de jeito carinhoso, caso ele seja um preguiçoso de marca maior – caso do meu marido, por exemplo.

Dica 3:

Ligado à dica número dois, homens estão acostumados a serem alimentados pelas mamães, tias, avós. Eles podem até saber cozinhar de final de semana quele super prato especial e a família toda vai dizer que é o mestre cuca da casa. Mas durante a semana, homem odeia cozinhar todo dia janta, ele sempre vai esquentar uns nuggets e reclamar que comeu mal. Você, como mulher que trabalha, moderna, claro que não vai pro fogão todo santo dia. Então, o jeito é educá-lo a aprender a gostar de lanche de noite (coisa que meu marido egípcio abomina) e utilizar seu poder prático de saber cozinhar coisas rápidas e práticas de vez em quando. Quando vocês estiverem numa fase meio de crise, meio de cara fechada, experimenta fazer uma jantinha honesta pra ele. Homem se vende pela barriga, vai por mim.

Dica 4:

Hoje em dia, homens e mulheres muitas vezes trabalham. Você pode ganhar ou menos que ele, mas as contas de vocês devem ser vistos como algo do casal, não de um ou outro. Quem ganha mais, não pode dizer isso na cara do outro e falar que paga mais, por isso merece algum tipo de benefício na relação. Misturar a questão financeira no meio de brigas, é a pior bomba que você pode jogar numa relação.  Na hora de comprar coisas, das mais necessárias às mais fúteis, vale a pena pensar no que vocês têm em conjunto, e não em qual é sua parte. Você tem que pensar, se comprar tal coisa, ele pode esperar no mês que vem para comprar aquela outra coisa que ele quer também? Se os dois saírem pensando sozinhos nas suas contas, pode ser que na hora de necessidade, um precise da ajuda do outro para quitar alguma coisa e aí já viu, cada um pensando em si, pode ser que falte dinheiro ou que algum gasto inútil tenha sido feito pois o casal não fazia ideia da situação econômica real dos dois.

Dica 5:

Não brigue por brigar. Dê caminhos para seu parceiro. Se você quer criticar ou ajudá-lo em algo, use sua experiência para criar passos que ele possa seguir. Muitas vezes é difícil mudar a cabeça de uma pessoa, mas se você der algo prático que ele possa seguir, talvez comece a concordar com você. E tem horas, que simplesmente é melhor deixar quieto. Ninguém muda ninguém. Se seu marido marido fuma, outro exemplo pessoal meu, não adianta você fazer escândalo e dizer que ele tem de parar de fumar para você, que faz mal, sei lá o quê. Hábitos – e modos de pensar – estão super enraizados naquela pessoa, você tem que se casar consciente deles e entender que o outro só vai mudar se ELE quiser. Por mais gritos, cobranças que você faça, cabe a ele tomar esta decisão. O máximo que você pode fazer é dar esses caminhos de forma clara e prática, pode ser que uma hora ele resolva tentar alguma coisa do que você disse. Mas pressionar ou pedir para alguém mudar, isso não dá certo.

Dica 6:

Coloque o amor de vocês acima de tudo. Essa não precisa de mais explicações.

Eleições no Egito

É hoje… veremos com qual tipo de medo os egípcios encaram a democracia:

Com medo do novo, votando nos velhos apoiadores do regime?

Com medo de Deus, votando nos partidos radicais islâmicos?

Nessa briga toda, os liberais ficaram um pouco para trás e acredito que têm poucas chances de vencerem algo. Sei que o aprendizado é longo – nós já temos eleições há quantos anos e ainda continuamos escolhendo errado? Agora é a vez dos egípcios mostrarem que a revolução pode sim levar a caminhos melhores para o seu povo, nem que seja algo bem lento e gradual.

Quebra cabeça

Mãe e uma palavra muito pequeno para seu sentido, este que vai muito  além “daquela que dá a vida”.  São apenas três letras para descrever uma das relações mais primitivas que nós, como ser humanos, temos. O amor de mãe, na forma humana, ganha mil facetas, eu sei, porém toda mãe começa igual, seja ela mulher, gata, peixe, pata ou lagarta. A “mãe” nasce quando sua cria vem ao mundo, e quando se torna o dever dela cuidar para que a continuação da espécie seja garantida. A mãe, na ciência, nada mais é que um escudo, com um único dever muito claro, ensinar a gente a comer, a andar sozinho e crescer, até que seja a nossa vez de continuar este ciclo.

Porém, quando se trata de gente como nós, a mãe ganha uma proporção que extrapola o instinto selvagem. Tanto que nós, como bebês e crianças, não sobrevivemos sozinhos. Enquanto um gatinho leva dois dias para estar andando, um bebê vai um ano. Enquanto um cãozinho em questão de seis meses nem se lembra mais de quem o pariu e pode até procriar, nós precisamos de uns bons 20 anos para nos tornarmos adultos de verdade, capazes de vivermos por conta. Pode nem ser a mãe que cuida de você, mas é um parente, uma instituição ou até o governo que é seu tutor, se você é menor de idade.

E nossa mãe não só nos ensinar a comer, nos vestir e caminhar sem apoios. A nossa mãe (que pode não ser de sangue, mas aquele que cuida de você, mesmo que seja um ‘pãe’, pai que tem de ser mãe, ou vó, tia, vizinha, etc) é fundamental para nossa formação de caráter. É na voz daquela mulher (agora já personificando este texto em minha mãe) que te dá bronca, que te guia, que te fala o que é certo, justamente para quando você estiver em seu momento de rebeldia, fazer tudo o contrário.

E eu tive sorte de ter muitas e muitas mães perto de mim a vida toda. Minha mãe, que com sua alegria e fé, sempre me deu o exemplo maior de amor sem barreiras. Minha mãe sempre colocou a palavra família à frente de tudo, até de suas opiniões ou impressões. Foi minha mãe que, quando quis partir, disse para mim que o livre arbítrio era a maior prova do amor de Deus para conosco, e por isso ela me dava essa mesma liberdade para caminhar. E justamente hoje li no Facebook de uma amiga a frase: “a boa mãe é aquela que se torna desnecessária com o tempo”, e foi isso que minha mãe sempre tentou fazer, nos tornar filhos independentes e com vida própria, sem precisar de carência ou controle, pois ela sabe que quem ama, sempre estará perto.

E também temos as avós, as bisavós, que transferem parte de seu amor para os que vem depois, com a alegria de ver a família crescendo. E cada uma, com seu jeito, foi moldando meu caráter, meus gostos, o que eu gostaria de ser. Sempre tive exemplos tão maravilhosos ao meu lado, que às vezes me bate uma culpa quando faço errado ou tão diferente do que me ensinaram.

E aí, na minha vida tenho um mosaico de mães tão colorido e vasto, que fica fácil ser feliz.

Já tive ‘mãe’ que é altiva, séria, me ensinou que em certos tempos, não poderei rir, mas que racionalizar iria me salvar de muitos problemas.

Mãe que é atlética, jovial, que olha para frente a todo momento e não dá espaço para a dor. Me fez pensar que cada minuto deve ser aproveitado sem medos.

Mãe que agarra, que beija, que quer saber cada detalhe do seu dia, do que comeu e com quem falou. Mostrando que o carinho e o calor humano também são importantes, que não posso ser fria diante da vida, ou tudo perde a graça.

Mãe que não vê, mãe que não tem voz para falar. Apontando que não são as coisas materiais ou palpáveis que devem me guiar nesta vida.

Mãe que faz piada, ri toda hora e até na hora de partir contagia qualquer um com bom humor e inocência. Explicou que a felicidade está na forma em que a gente encara a vida.

Mãe que está perto ou está longe, que envolve a gente de cuidado seja mostrando um caminho ou apenas orando… mães que me inspiraram a um dia também querer ser mãe, a ser mais uma peça desse quebra cabeça lindo que cada um monta em sua vida.

Decifrando pessoas pela internet. Funciona?

A história é a seguinte.

Se eu posto um dia algo feliz sobre minha vida, meu casamento no Egito, é porque sou deslumbrada, vejo a vida cor de rosa.

Se eu posto algo ruim contra os egípcios, falo de golpe, é porque sou generalista, gosto de criticar.

Se eu posto algo bem pessoal e desabafo, sou o ser mais grosso e sem educação da face da terra.

Se eu posto algo sobre uma viagem ou lugar bacana que conheci, é porque quero me mostrar e sou metida.

Resumindo, será que a Marina que vos escreve é:

a) Uma pessoa calma

b) Uma pessoa nervosa

c) Uma metida

d) Uma pessoa feliz

Vocês acham que realmente dá para definir o que é uma pessoa apenas baseado num post ou em alguns posts? Claro que não. Sei que é normal a gente formar uma opinião, ainda dependendo de nosso humor, expectativa e fase da vida, nossa reação ao que lemos pode variar muito. E esse post não é uma crítica a nada, nem a ninguém, apenas mesmo um convite a mim mesma para refletir sobre meus julgamentos e vocês os seus.

Conhecer alguém na internet é bacana, é legal, eu sou quem mais pode falar sobre isso, afinal conheci meu marido na internet sem ela não teria a melhor parte da minha vida. Mas, ao mesmo tempo, precisamos às vezes ultrapassar essa barreira para ter algo um pouco mais palpável, verossímel, sem esteriótipos. Por que, no final das contas, aqui nessa tela de computador eu sou só uma pequena faceta do que você imagina o que eu seja. Até por isso, tenho as mais diversas opiniões sobre minha pessoa divulgada por aí… tem gente que me acha um amor, paciente. Pode ter sido aquela pessoa que respondi um longo email ou fiquei horas no msn tentando explicar detalhes. Já outras acham que eu preciso de terapia, se escondem em perfis anônimos, mas não sabem que posso ver até de qual cidade de onde são, mesmo que isso seja em (modo indireta #on) Guaporé-RS (modo indireta #off) ou Beijing. E não, não sou perfeita, a quem não erra. Também já comentei anônimo e quebrei a cara, justamente por achar que podia julgar as pessoas pelo pouco que elas se manisfestam por palavras, sem nem conhecer a essência real da pessoa e no que realmente aquela pessoa pensa.

Se expressar é algo complicado, quantos mal entendidos já não tivemos na vida, por usarmos uma palavrinha errada numa discussão? Imagina aqui então, onde vocês não veem minha cara (nem sabem que estou sorrindo agora, não estou com a testa franzida ou tensa, como se isso aqui fosse um tese de doutorado).  Vocês não sabem se falaria isso aqui tudo em um tom de voz agudo, alegre e rápido, ou de forma professoral, calma e enérgica. Aliás, se fosse pra falar o que escrevo, eu seria muda, pois não sei me expressar bem falando.

Geralmente, se quero falar algo sério ou sentimental, primeiro que eu não falo, eu choro. Até pro meu marido às vezes digo, ai posso te mandar um email pra você entender o que quero dizer? Ele fica bravo, claro que não aceita ahaha Ou seja, a vida é para dar a cara a bater, a internet só ameniza um pouco a sua forma de se expressar. E mesmo que tudo isso que eu escreva aqui, não seja necessariamente a “Marina” em sua totalidade, quase sempre tudo o que leio por meio desta mesma internet, me afeta.

E é nesse ponto que gostaria de mudar, ser mais tranquila, relevar. A minha vida não está aqui. Pode parecer que, pelo fato de ficar online o tempo todo e comentar sobre mil coisas, estar sempre atenta a tudo, eu acho minha vida virtual a coisa mais importante. Mas tá super longe disso. Eu faço mil coisas, saio, trabalho, passeio, viajo, dou muita risada, choro um pouquinho, canto alto, buzino no trânsito, durmo agarrada nos meus gatos.

Inclusive, estou prestes a fazer uma viagem legal, mas fiquei pensando se deveria postar sobre isso no blog. Toda vez que posto sobre alguma viagem que faço – que nunca é pro Egito – sinto que ninguém dá muito bola ou que alguém pode achar que estou querendo só me mostrar. Por que, não consigo simplesmente postar o que tenho vontade? Sempre acho que o blog não é meu, é de vocês, que estão aqui só porque escrevo o que querem ouvir. E se deixar de fazer isso, sobrará alguém?

Mas antes que alguém se levante e corra para digitar que preciso de médico ou tratamento, lembro de uma das minhas frases anteriores desse post:  Minha vida não é internet. Antes de levar tudo isso muito a sério, sorria e seja feliz.

Ai, quanto dilema? Essa metalinguagem me cansou. Fui!

Sobre vistos para estrangeiro, carta convite, etc.

Sem dúvida nenhuma, uma das buscas mais feitas nesse blog e motivo para centenas – isso mesmo CENTENAS – de mensagens para mim  é como trazer meu namorado/marido/amigo egípcio/marroquino/paquistanês/indiano para o Brasil. Vou tentar fazer um post que finalmente supre algumas dessas respostas, espero eu, e que poderá ser completado por quem tiver mais dados nos comentários.

Vou fazer tudo passo a passo, alguns podem parecer óbvios, mas não duvidem que já recebi todo tipo de pergunta, então vou bem devagarinho:

1 – Ele precisa de um passaporte. Sim, parece óbvio, mas tem gente que nem isso sabe o que é direito. E muitos egípcios, que não tem costume de viajar para fora, nem pensam que para ter esse documento precisam estar a par com o serviço militar, tudo certinho.

2- Visto. Para entrar no Brasil, egípcios (paquistaneses e indianos também) precisam de vistos. Os marroquinos não precisam de visto (até a data de hoje, sempre chequem se as informações estão atualizadas nas fontes oficiais do governo, embaixadas, etc).

3- Visite o site da embaixada onde vc vai pedir o visto. Vou me basear a partir de agora pelo que sei dos egípcios. Dá uma olhada no que pedem para conceder o visto. Pense assim: o que você precisaria para tirar um visto para os EUA? É basicamente o mesmo pra ele, vai ter que provar que tem renda pra ser turista internacional, uma carta do trabalho, comprovante de saldo em conta, etc.

4 – Carta convite. É uma carta que você faz em cartório, custa uns R$200 dizendo que se responsabiliza por aquela pessoa, incluindo se ela precisar de hospital, você é que vai pagar a conta pro SUS. Então é algo pra ser muito bem pensado. A carta convite não garante visto, se o cara não apresentar comprovante de renda, trabalho, etc, você vai jogar seu dinheiro fora. E vão te ligar pra saber por que você está convidando a pessoa. Se disser que é pra casar e você nunca nem foi no Egito conhecê-lo, é muito provável que neguem o visto.

5- Ter as passagens de ida e volta, ou pelo menos as reservas.

6 – Preencher este formulário online: https://scedv.serpro.gov.br/frscedv/index.jsp

7- Ir na embaixada no novo endereço: 2005C Corniche El Nil
Nile City towers, North Tower, 18º andar
Ramlet Beaulac – Cairo – Egito

8 – Quando for atendido, ser gentil e sério, nada de ficar nervoso como se tivesse fazendo algo errado.

9 – Torcer pra dar certo!!

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E se você quer casar no Egito?

Eu casei já faz mais de 5 anos, então muita coisa mudou. Eu realmente não sei mais como é o processo, respondo isso para as pessoas, algumas se ofendem por não querer ajudar, mas gente, vocês estão falando de casamento no país deles, eu casei faz tempooooooooooo!! E fora que, é seu habibi que deve ir atrás e te falar tudo que você precisa, sempre checar direitinho lá porque toda hora as coisas mudam no Egito. Quando eu casei, levei papéis traduzidos pro árabe do Brasil, uma certidão de solteira e minha certidão de nascimento, super simples. Agora, é um trabalhão, até exame médico pedem. Eu aconselho a ler o post da Vanessa aqui (http://daytripperbr.blogspot.com.br/2012/04/casamento-no-egito-step-by-step.html ) mas como já disse, lembrando que tudo precisa ser bem checado por seu habiby, daqui uns meses o passo a passo dela também pode estar velho, então ao invés de mandar mil mensagens pra ela pedindo ajuda, façam os habibizinhos lá se mexerem ehehe

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Eu quero me casar no Brasil. Novamente, volto ao dilema, que já fiz esse processo há cinco anos. Quando voltei para o BRasil, transcrevi meu casamento no cartório da Sé, precisei do meu casamento assinado na embaixada do BRasil no Cairo, traduzido juramentado para o português e duas testemunhas.

Assinei ainda dois papéis lá afirmando que não queria mudar meu nome e que não queria declarar o regime de bens. No Egito o casamento não vem com regime de bens e eu teria que ter algo da embaixada do Egito para comprovar, como daria muito trabalho, ficou em branco mesmo.

Agora se vocês vão se casar aqui mesmo, melhor ligar no cartório da sua cidade e se informar sobre tudo, eu realmente não sei :(

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E para ele ficar aqui comigo?

O visto de turista é só de 3 meses, renováveis por mais 3. Para ele tirar CPF, carteira de trabalho, abrir conta em banco, tudo normal, ele precisa do RNE, ou seja, Registro Nacional de Estrangeiro. Isso você tira na polícia federal.

Você tem que ir pessoalmente – não adianta ligar – para pegar a lista de documentos exigidos. Isso varia de lugar pra lugar, por isso não adianta perguntar para alguém, você tem que ir lá ver. Geralmente pedem antecedentes criminais – a não ser que você seja amigo do governo e ganhe asilo mesmo sendo um criminoso internacional, como já vimos aqui – , o comprovante do casamento, endereço, etc. E fazem uma visita surpresa na sua casa, pra ver se são casados mesmo. Nosso processo levou míseros 2 anos – DOISSSSS – para terminar. Espero que tenham mais sorte que eu ahahah

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Acho que tratei basicamente de tudo, espero que ajude!!! Dúvidas, extras, dicas, é só comentar abaixo :-)

Meu herói

Vou republicar um post hoje de 16, out, 2009. Sei que é chato repetir, mas pode ser que muita gente não tenha visto esse post antes. E hoje quero publicá-lo em homenagem ao aniversário do meu pai querido.

***

Quando eu era pequena eu já andava mais rápido do que aquele homem bigodudo. Ele pegava na minha mão para caminhar, mas meus pequenos passos eram mais velozes. Eu via meninos brincando de bola com seus pais e nem pensava que aquilo podia ser legal. Afinal, quem estava comigo me pegava nos braços e me levantava acima de sua cabeça com uma força incrível. Eu às vezes achava que ele era o Superman disfarçado.

Ele dirigia carro e me levava para escola, dava bronca e umas palmadas quando precisava. Saía todo dia para trabalhar cedinho e assistia a Fórmula 1 de domingo. Mas sempre o achei o melhor do mundo, o mais inteligente de todos. Ele sabia resolver qualquer exercício meu de matemática em dois segundos, e não tinha paciência para explicar depois, pois tudo era muito óbvio e fácil para ele.

Uma vez ele foi trabalhar longe de casa. Foi na crise de 92, onde tudo na nossa cidade ficou desolado e a empresa que ele trabalhava faliu. Mesmo assim eu nunca o vi com medo. Mas eu nem sabia que aquele ainda era um Brasil diferente, onde as leis não funcionavam tão bem como hoje. Apesar de graduado e experiente, o fato dele ter uma perna diferente da normal não o ajudava a ter um novo emprego.

Eu só fiquei sabendo de tudo muito mais tarde, pois ele sempre seguiu em frente e eu, criança inocente, nunca notei tensão em seu olhar. Ele batalhou e logo já éramos nós todos nos mudando para cidade grande. Ele continuou na lida dele e passou de novo no vestibular da USP. Era engenheiro, virou advogado também.

Até mesmo quando ele caiu naquele passeio e ficou um ano de cadeira de rodas, eu nunca o vi estremecido. Ele nem podia ir mais para seu quarto, pois ninguém conseguia carregá-lo para cima. E quem disse que ele mudou? Continuou com os braços fortes e as mãos mais gigantes que conheço. Para mim, sempre foi um homem fora do comum e acima da média.

E ele nunca descansou, nunca parou. As únicas coisas diferentes nele para o resto das pessoas é que ele não pode correr ou pular, nem ficar de pé muito tempo. E toda vez que ele pega um avião, precisa mostrar as pernocas sustentadas por metais para o policial.

Ele já foi até para os Estados Unidos sozinho. Já desceu 18 andares de escada só no braço, porque a energia elétrica tinha acabado. Mesmo podendo, nunca gostou de furar fila. Nunca quis se sentir no direito de ser privilegiado, afinal, ele sempre teve força para agir como todo o resto das pessoas.

Já está casado por quase 30 anos, botou três filhos na faculdade e abriu uma empresa. E nem por isso parou. Com suas muletas, está agora caminhando nos corredores de algum prédio no centro da cidade, onde começou essa semana em um novo emprego, que batalhou muito para conseguir. Mesmo com a cota para pessoas como ele, conquistou a nova vaga na mesma lista das pessoas sem necessidades especiais. Quem o vê de fora, pode até achar que a vida dele é sofrida por ser deficiente físico. Quem o conhece de perto, vê que quem é fisicamente perfeito muitas vezes faz muito menos e reclama muito mais do que ele. Para mim, sempre um herói dourado e motivo de orgulho: meu pai.

*post para comemorar meu niver, agradecendo a quem me pôs no mundo! Já falei da minha mamãe aqui.

Filhos

Após cinco anos de casada, é normal que as perguntas sobre a futura prole comecem a aumentar cada vez mais. No Egito, o povo já deve até pensar que algum de nós tem problemas, porque para eles é quase inconcebível um casal ficar junto e não pensar automaticamente em aumentar a família, pois filhos são considerados o maior laço que os noivos podem ter. É algo sagrado, quase que essencial para completar a união. Só que apesar dessa vontade – e necessidade – tão grande que elas têm de engravidar, são poucas que analisam essa decisão de forma um pouco mais racional. É bem raro elas lerem algum blog sobre gravidez ou mergulhar em livros sobre os detalhes dos meses da gestação, ficaram feito doidas nas compras para o enchoval ou verem Discovery Home & Health freneticamente atrás de detalhes – até demais – do momento do parto.

Pela experiência que tive com grávidas egípcias, apesar do entusiasmo de engravidar logo de cara, quando isso acontece é visto como algo quase banal, cotidiano, que não exige delas todo essa corrida por informações desesperadas. Tudo que elas precisam é saber se a mãe vai ficar com elas nas primeiras semanas, para justamente ensinar como trocar a fralda ou dar banho. Elas não precisam ler porque sabem que vão ter um monte de parente em cima pra falar tudo depois.

Mas quando a gente fala de gravidez aqui no Brasil, ainda mais depois de tanto tempo casada, a coisa toma outra forma. Eu sempre pensei assim, nossa, eu não tenho tempo para ter filhos. Como vou me virar diante da minha rotina? E depois, quando eu voltar pro trabalho, quem vai ficar com a criança? E, mesmo assim, mergulho em tudo quanto é site sobre o tema, sei de detalhes mínimos, o que são até contrações de Braxton-Hicks, que devo me preparar com muito ácido fólico e quais os itens essenciais de uma mala de maternidade. Isso que ainda continuo nem pensando em ter filhos…

Não sei se é algo que me interessa muito pelo fato instintivo, mas sempre fico racionalizando esta decisão: por que será que devo ter filhos? Se for para ter alguém para cuidar de mim quando estiver velha, é muito egoísmo. Se for para dar continuidade à minha existência, acho bobo. Se for para brincar comigo, tenho meus gatos que já fazem isso. Se for para me eu ter algo pra cuidar, já tenho meu marido que dá trabalho demais (brincadeirinha Musta ehehe). O que é que nos leva a tomar essa decisão? Às vezes penso que quero, ou não quero, mas não sei definir o por que de nada disso.

Sempre que penso com a razão, vejo que na minha casa não há espaço para um bebê, que minhas contas vão apertar e meu tempo livre vai pro espaço. Quando penso com o coração, sinto uma quentura por dentro, uma vontade de apertar algo que nem sei o que é.  Um amor pelo que nem existe. Ainda…

Aborto de bebês anencéfalos

Hoje o STF está  julgando se será permitido – sem necessidade de ação judicial – que mães de bebês anencéfalos (sem cérebro) possam fazer aborto. Eu não posso me colocar na pele de ninguém, eu não estou na posição de julgar ninguém. Acredito que o governo deixará, nesse caso, nas mãos da mãe a decisão.

Ao mesmo tempo, não posso deixar de compartilhar a minha visão sobre esse tema. Repito: a MINHA visão. Para mim, bebês não são fetos. Feto, para mim, é um termo usado na medicina e por pessoas que tentam amenizar a questão da vida. Desculpa, mas se algo que, se for deixado quieto, vira uma criança que pode ser eu, ou você, para mim já é vida e não há nada que derrube esta tese.

Tá, e se seu bebê for considerado ‘incompatível com a vida’?  Para mim, este é outro termo criado para amenizar a consciência alheia. Seu bebê pode estar deformado, pode não ter nem cérebro. Mas é uma vida, ele está vivo! Ele poderá não falar, não andar… isso é justificativa para ser morto?  Só posso dizer, que qualquer comentário sem viver esta questão na pele, é muito leviano. Ao mesmo tempo que, permitir indiscriminadamente abortos, também é leviano. Afinal, alguém confia que todo parecer médico será realmente verdadeiro após a decisão do STF? Sim, não posso querer mandar ou desmandar na vida de alguém, mas se nosso estado condena o assassinato, infanticídio, porque o bebê que ainda está para nascer, pode ser descartado? Para mim isso não tem coerência alguma!

Mas, se todo esse bla bla bla te deixou cansado e com preguiça de pensar nisso, só peço que leia esta história (LEIA MESMO!!!!) abaixo e pensa se não vale a pena só refletir antes de descartar um ser humano ( O link é deste site http://anencefalia.com.br/ , às vezes ele dá problema mas é só ir dando refresh):

/Meu anjo Miguel!

Oi, meu nome é Karine tenho 21 anos, meu marido é o Thiago tem 24 anos, somos casados a dois anos e meio.
No dia 15 de janeiro deste ano descobri que estava grávida, nosso primeiro bebe, o Thiago estava inexplicavelmente feliz, e eu também estava contentíssima.
Começamos a reformar nosso apartamento estávamos empolgadissimos, minha sogra começou a comprar algumas roupinhas e fraudas mesmo sem saber se era menino ou menina… Era um bebe muuuitoo esperado!
No dia 16 de abril fiz uma ultra-sonografia, meu obstetra disse
“parabéns é um menino, mas eu não estou conseguindo medir a cabecinha, porque está muito encaixado, mas não se preocupe não é nada serio”. Então ele me pediu para fazer um morfológico, não me pediu urgência, nem disse que era importante.
Era um meninão… Mais que depressa compramos o carrinho, fomos ver os moveis, compramos, ganhamos roupinhas azuis, começamos ver as coisinhas…mas agora já sabíamos que cor comprar.
Fomos no dia 27 de abril fazer um morfológico, o Thiago e eu, então o medico nos olhou como quem não tem algo bom a dizer; o Thiago e eu já havíamos conversado que se algum dia tivéssemos um filho com “defeito’” ou alguma síndrome nós o amaríamos da mesma maneira; então quando percebemos que algo estava acontecendo eu e ele ficamos desesperados perguntei o que estava acontecendo, ele me disse que tinha um problema de má formação. A minha pergunta era: “ele vai viver?”, era isso que eu queria saber, pra mim não importava como ele viesse, eu queria saber se ele viveria esta era minha pergunta. Então ele nos disse, “não”, a anencefalia é incompatível com a vida, seu bebe tem 0% de chances de sobreviver. Ele não vai viver!
Eu entrei em desespero era como se tivessem me jogando num poço fundo, um poço sem fim, um poço que não ia ter fundo… E eu caía, caía, caía… Sem fundo! O medico saiu da sala, eu fiquei lá deitada ouvindo o Thiago chorar por alguns minutos, acho que foi uns três minutos, mas na hora parecia uma eternidade. Então eu me levantei, fui até o banheiro ao lado e falei com Deus: “Senhor, obrigada por tudo o que eu tenho, perdoe meus erros minhas falhas, e me de forças para passar tudo o que eu tenho que passar!”, essas foram minhas únicas palavras para Deus, eu não pedi um milagre, mas força, porque eu sabia que não seria fácil. O medico me disse que o melhor era que eu interrompesse a gestação, assim poderia tentar mais rápido ter filhos saudáveis, disse que não era nada com agente, e que os próximos seriam perfeitos. Ele ligou para meu obstetra, fui até lá no consultório dele, eu esperei 02 horas e meia para ser atendida, quando entrei na sala dele ele me falou assim: “é… não temos boas noticias não é? Seu bebe tem anencefalia, ele não vai viver, essas coisas acontecem, eu mesmo já perdi dois filhos, não assim com aborto, mas perdi o melhor a fazer é interromper a gestação, eu mesmo faço o aborto, você precisa procurar um advogado, pedir uma autorização judicial, e trazer para mim”… Foi falando e levantando, pois estava com muita pressa. Ele foi horrível, eu não sabia o que era não sabia ao certo o que estava acontecendo, e ate onde tinham me dito meu bebe não viveria.
Cheguei em casa, no mesmo dia desci no apartamento do vizinho de baixo, ele é advogado, expliquei o que estava acontecendo e pedi para que ele visse todo o procedimento para a interrupção da gravidez, pois assim os médicos disseram para fazer, e me parecia a solução mais obvia e fácil, quanto antes tirar
melhor. No outro dia de manha fui trabalhar, entrei na internet para pesquisar mais o caso, o que era, encontrei um site que falava sobre anencefalia, lá tinha a estória da Anouk, da Giaovana, e de outros bebes explicava realmente sobre anencefalia, o que era como ia acontecer, e que eu podia também prosseguir com a gestação, na estória da Giovana tinha o link de um site www.anencefalia.com.br eu cliquei entrei, e descobri outras mães também, li a historia da Mônica e do Marcelo.
Imprimi tudo levei para meu marido ver, então decidimos seguir em frente com a gravidez, e ama-lo no tempinho que ele ia passar na minha barriga, e naquela noite escolhemos o nome para nosso anjo MIGUEL (quem como Deus?), Quem como Deus? Existe significado tão poderoso? Deus incomparável! Alem de ser um anjo mensageiro, um anjo que veio trazer mensagens lindas para todos nós.
Procurei outro medico para prosseguir minha gestação, não queria que o Miguel nascesse nas mãos de um cavalo como aquele medico. Fui falar com um especialista, foi muito atencioso apesar de eu acreditar que ele não era muito a favor da minha decisão, ele me indiciou outro médico que também quis me induzir ao aborto, ele disse que meu bebe já estava condenado, e que eu poderia correr risco de vida (da pra acreditar?).
Procurei na minha lista de convenio comecei a ligar para encontra um medico que fosse comigo até o fim. Encontrei a Dra. Karen Morelli, um anjo que me acompanhou ate o parto, com muito carinho, ela cuidou de mim e do Miguel, foi ótima e gentil, muito carinhosa.
Nenhuma de nós mães, podemos dizer que foi fácil… Mas algumas de nós podemos dizer que foi lindo!
Foi lindo ter o meu Miguel comigo no tempo que ele ficou.
À noite antes de dormir eu cantava para ele, eu lia a bíblia em voz alta, o Thiago conversava com ele. De manha, eu me virava para o lado do Thiago, colocava minha barriga nas costas dele, e ele chutava o papai. Toda manhã.
Eu contava para todo mundo que o Miguel era especial, queria mostrar como o meu Deus era forte, come ele não tinha me abandonado. Eu sabia que tinha que falar, sabia que cada um através da minha estória aprenderia algo, eu queria ser um exemplo, não queria despertar pena nas pessoas, queria despertar vontade de lutar, de agradecer a vida, a vontade de viver. Então comecei o clamar a Deus, comecei a orar, a buscar a face do Senhor. Eu cri no deus do impossível, e sabia que ele poderia fazer, sei que ele pode. Eu tinha a certeza do milagre, continuei fazendo as coisas dele, eu pintei o quartinho, o Thiago queria fazer nuvenzinhas no teto montamos o bercinho.
Eu resolvi fazer um chá de bebe, minhas primas organizaram, foi lindo, chamei uma pastora, ela disse palavras lindas de fé. E naquele dia eu disse coisas lindas que estavam no meu coração. Disse que não importava o que aconteceria, eu iria crer, eu pedi muita fé pra Deus, fé para acreditar no milagre, não foi fácil acreditar, é muito difícil ter fé, ainda mais quando todos os ultasons mostram seu bebe com a metade da cabeça.
Não me importava com o futuro, queria viver o agora com meu filho, assim como Zaquel, eu queria subir o mais alto da montanha para chamar atenção de Deus. E sei que ele me ouviu, por algum propósito que eu não conheço, ele não pode curar o Miguel, mas eu ainda creio, sei que se clamarmos ele nos ouve, e se for possível ele atende. Eu sei que não é Deus que fez isso… Porque Deus não tem doença no céu, lá só existe perfeição, a doença é aqui da terra.
Eu vivi momentos lindos com ele na minha barriga, eu o amei muito, muito mesmo. Ele me fez sorrir, e quem me via, via o amor de Deus em mim.
Foi um amor lindo e indescritível, as pessoas se apaixonaram pelo Miguel. Isso me fazia sentir-me forte.
Ele nasceu no dia 01 de
setembro de 2009 ás 13h30min da tarde.
Quando ele nasceu, me trouxeram ele, já com a toquinha, ele era lindo grande rosado… Lindo demais. Perguntei se podia dar um beijo no pezinho dele, eu beijei e cheirei… Ai que cheiro bom!
Na sala de recuperação não via a hora de vê-lo, fui a ultima a chegar e a primeira a sair de lá, mal sentia meus pés e já dizia que estava boa… Enchi o saco das enfermeiras até voltar para o quarto, o Thiago veio me ver, disse que estava com o Miguel, “ele é lindo, é o neném mais lindo do mundo” ele assistiu o parto ficou muito emocionado. Até a enfermeira saiu do quarto, não de medo ou susto mais de emoção, ela saiu para chorar. Foi muito emocionante e lindo.
Quando o vi chorei muito, mas não sabia por quê. Pois eu estava muito feliz de vê-lo, e muito triste por saber que ele iria partir. Não sabia quanto tempo, horas talvez.
Conversei com ele. Pedi para deixarem tirar fotos, não deixaram, de madrugada fui vê-lo novamente, ele estava lá lindo, peguei ele no colo, chorava muito não conseguia me conter, era uma sensação inexplicável, sentia uma sensação de paz e orgulho de mim mesma, no outro dia de manha fui novamente vê-lo peguei no colo e mais uma vez implorei para que deixassem tirar foto dele. Assim algumas enfermeiras me ajudaram, fechamos a cortina e nos divertimos tirando foto do Miguelzinho, eu pegava, o Thiago pegava, cheirei tanto ele…tinha um cheirinho tão bom.
Ele sorria para nos, e fazia uns sons gostosos coma boca… De ahhhh… Era lindo cheiroso gostoso, e estava ali no meu colo, não numa lata de lixo ou num pote de experiência, a sensação de paz é maravilhosa. Cheirei muito ele. Beijei muito ele.
Eu fiz isso, eu não abortei isso… Eu me dei essa chance, eu me dei este privilegio, eu aproveitei o que a situação podia me dar de bom. Eu não tive somente perdas, eu ganhei momentos, que nem as fotos podem mostrar. Eu passei a mão sobre o corpinho dele, e senti a mãozinha dele fechar entre meus dedos. Eu vi uma alegria no rosto do Thiago, e esta alegria fui eu que permiti. O Thiago foi um pai incrível, companheiro, presente, ele pegava o Miguel, beijava, nos demos todo o amor do mundo, e isso me faz sentir alguém muito especial…
Eu ficava olhando para ele, e era uma mistura de sensação. Eu conversava com as mães que tinham ganhado bebe… Eu estava muito forte… Eu fui muito forte.
Dia 02 de setembro ás 19h30min ele partiu, foi para os braços de Deus. Não foi fácil, não é mesmo… Mas foi o amor mais lindo de ser vivido, inabalável.
Diz o senhor: “no mundo tereis aflição, mas eu sou contigo”. Não é lindo este versículo.
Nós passamos pelo vale da sombra da morte, mas não temi mal algum, porque o meu Deus me carregou no colo.
E os médicos estavam errados, porque ele viveu! Ele viveu 01 dia e 06 horas, era o tempo que ele precisava para viver… Agradeço você Mônica por este espaço cedido para contar sobre minha estória, mas mesmo com tantas palavras ditas, ainda faltariam muitos espaços para preencher, para contar toda a alegria que vivemos com nosso Miguel, são detalhes intermináveis, momentos indescritíveis… Uma mãe que aborta o seu bebe nunca terá isso.
Dia 03 de setembro foi o seu enterro, não pude avisar muitas pessoas, não tive tempo para isso, também não poderia fazer um velório longo… Foi apenas 01hora de velório… Mas tinham mais de cem pessoas lá. Percebi naquele momento quantas vidas o Miguel tinha tocado, quantas lições nos ensinado.
O Thiago carregou seu caixãozinho no colo até onde ele seria enterrado, e tenho certeza que ele sente muito orgulho disse, porque ele foi o pai do Miguel, o melhor pai que ele poderia ter que não o abandonou, mas sim o carregou até o fim, até o fim do fim.
Eu me entristeci muito por ter o visto partir, mas me alegrei muito com a sua passagem na minha vida, no velório dele enquanto eu estava sentada olhando pra ele, com aquela multidão de pessoas ao meu redor, eu senti num momento vontade de sorrir. Acho que isso se chama paz!!! Paz!…Sabe? Aquela sensação de ter feito a coisa certa?
O Miguel sorria pra mim, nunca vou me esquecer disso, jamais. Não é verdade que a nossa decisão é menos dolorosa. Acredito que a dor que sentimos é igual a de que interrompe a sua gestação.nós sofremos muito também, isso é inegável, mas, por outro lado, nós descobrimos que podemos ter a parte boa de tudo isso, podemos nos sentir mães incríveis, podemos nos sentir maravilhosamente leves por dentro.e como diz minha amiga Mônica a diferença é que nossa dor virou saudade!
E quem não tem saudade de algo bom?
Eu sei…eu sei…tenho que encerrar esta carta.rsrsrs
Mas as mães que quiserem falar sobre algo que não escrevi aqui, ou só quiserem conversar, podem entrar no meu orkut: karine mãe do Miguel
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=fpp&uid=4416626200351294547
Estou pronta para conversar com vocês. Assim como mães me acompanharam, em especial uma mãezinha maravilhosa… Karina… Obrigada Karina, mesmo com toda dor que eu sei que você sentiu com a perca da Mila, e mesmo sofrendo com a saudade me acompanhou até o fim.Pra mim você também é uma heroína.
E hoje, hoje eu experimentei o maior amor do mundo.
Hoje eu sou a mãe do Miguel!
Quando eu for para o céu ele vai estar lá para me receber.
Beijos.
Karine e Thiago

 

Oferecer mais do que se tem

É comum no mundo dos relacionamentos um problema claro de comunicação entre os que (pelo menos) dizem se amar: a falta de clareza no que se deseja, sonha e planeja como um casal. Pelos emails que recebo, minha experiência no falido grupo de facebook que eu tinha e amigos, parentes em geral, é bom comum que se criem expectativas maravilhosas no início de um relacionamento e assim como marketeiros fazem em propagandas, o partido acaba inflacionando seus dotes. Qual o problema disso? Sim, no começo o amor cega a gente, deixamos aquela grosseria de lado, não nos importamos com aquele hábito que achamos feio, ouvimos um ‘não’ mas entendemos um ‘sim’. Mas e quando o “outro” colabora exaustivamente na criação de um arquétipo perfeito de marido/namorado fiel e prestes a se jogar de um precipício por sua causa?

O que mais vejo, é homem sardinha se vendendo como caviar. E a mulher, muitas vezes, não tem ferramentas para discernir o que é falso ou real, pois envolvida num manto de sedução e amor – porque mulher ama sim, logo de cara, cai de cabeça, se espatifa em busca da realização –  não quer nem cogitar a possibilidade daquilo tudo ser uma farsa. E isso não estou falando especificamente sobre egípcios. Tem muito homem brasileiro, rico ou pobre, que faz juras de amor eterno em troca de uma satisfação momentânea, mas com o tempo não dá conta do recado, afinal ter uma mulher que  te ama de verdade também dá trabalho: ela quer atenção, ela quer dar e receber carinho, ela quer planos, ela quer te fazer feliz – mesmo quando seu único desejo masculino seja sair para tomar uma ‘breja’ com os amigos.

Para mim, o pior tipo de homem é esse: aquele que oferece o que não tem para dar. Então, por que raios eles simplesmente não calam a boca e mostram o quão medíocres são logo de cara? Para que ficar nesse jogo sujo, de expectativa e ilusão, se no fim nem explicar porque querem terminar eles conseguem. De tão vazios e desprovidos de inteligência moral, é bem comum que ele vá te enrolar um pouco, dar uma sumida, dizer que está ocupado, mas sempre lembrando que “te ama muito”, para tentar te vencer pelo cansaço. Você vai ligar uma, duas, três vezes. Nada. Vai esperar em frente ao computador feito uma idiota no horário marcado. Nada. Enquanto estiver batalhando pelo seu sucesso profissional porque quer dar ao de melhor pra sua família, esse paspalhão vai estar preocupado com alguma piada idiota que ele acabou de inventar. Gente assim, não tem nem obstinação própria, só sabem fazer se esperam algo em troca, por mais infantil que isso possa parecer. Pode ser até rico, mas não terá ambição suficiente para ser grande, será apenas sombra embaixo do dinheiro da família e você passará o resto da vida dependendo dos outros, nunca dele sozinho. Se for pobre, te puxa para baixo em dois tempos.

Pior que, apesar do post longo, não tem como eu dar nenhuma dica de como se prevenir desse tipinho. Eles mentem descaradamente, são ardilosos, colocam qualquer palavra em seus lábios apenas pelo prazer momentâneo. Vão te fazer ir até o fim do mundo atrás dele, para depois de 5 minutos alegarem que estão “pressionados”, “cansados”.

E como combater esse mal? Só com muito amor próprio, visão futura – pra saber que é melhor se livrar logo desse traste do que esperar que ele mude – fé em Deus e alegria. Sei que dói, rasga por dentro e você se sente uma idiota por ter acreditado em tudo aquilo. Mas pode ter certeza que existe alguém do sexo oposto pronto para o amor verdadeiro e um dia você vai encontrá-lo, ah vai. E nem vai mais se lembrar de tudo isso que te magoou.

Loucuras virtuais

Hoje é um post curtinho só pra dizer que esse mundo virtual é uma caixinha de surpresas, às vezes boas, às vezes ruins… e às vezes chocantes!!

Em primeiro lugar, tem gente que acha que, por eu me expor um pouco aqui no blog, pensam que me conhecem totalmente, minha personalidade no dia a dia ou como sou com meus amigos, famílias, etc. Gente, isso aqui é um blog onde me expresso e escrevo, mas não a única faceta da minha personalidade. Você não me conhece ou sabe quem eu sou só porque está me lendo aqui, até porque apesar de eu gostar de me basear em fatos reais, eu gosto muito de romantizar coisas que vejo (no sentido literário). Isso aqui é pra ser divertido e reflexivo para todos, eu faço porque amo escrever, amo estar aqui com vocês leitores, amo contar histórias e falar de quem eu gosto. Sem vocês, isso aqui não teria a menor graça, mas é uma pena que uma minoria ínfima de pessoas usa isso aqui para julgar como eu sou e não para se divertir apenas.

Agora outra surpresa que tive ontem, ao conhecer pessoalmente uma leitora do blog, é que ela me disse que existe outro Mostafa morando em São Paulo, que se apresenta dizendo que é “o Mostafa marido da Marina do blog”… Mas é um Mostafa que fica de papinho com mulheres na internet, não entendi direito se ele quer dar aulas de árabe, porém o físico dele é bem grande e gordo, o que fez essa pessoa saber que não se trata do meu marido de verdade. Parece que já é casado com alguém de primeiro nome similar ao meu, mas usa o slogan “Mostafa marido da Marina do blog” para ganhar confiança de incautas. Para tudooooooooooooooooooooo, né? Só pra deixar claro, meu marido só está em uma rede social onde inclusive está marcado como casado comigo, ou seja, não tem erro. Ele não usa msn nem fala com ninguém na internet que não conhece e sou eu que respondo todos os emails praticamente, até os perguntando sobre aula de árabe. Então, olho vivo, tem muito egípcio sem noção por aí…

Pra finalizar, eu quero deixar claro que o grupo “eu amo um egípcio” do facebook foi desativado porque, apesar de querer algo bom que ajudasse quem tem muitas dúvidas sobre esse mundo, principalmente casamento, eu acabei me expondo de forma exagerada e algumas pessoas usaram dessa minha boa vontade para falar meu nome em público de maneira pejorativa em outros lugares. É isso mesmo, você tenta ajudar e organizar algo bacana, acaba virando vilã, então como não posso perder tempo com algo que está me trazendo algo negativo, resolvi abandonar a ideia por enquanto. Agora, a única página oficial do blog é esta mesmo: http://www.facebook.com/pages/Egito-e-Brasil/183535181714574 podem curtir, faz favor? ehehe

Muita gente do meu círculo social mais íntimo, pergunta porque eu me exponho tanto, o que eu ganho com isso, tendo blog, respondendo emails, abrindo grupos, etc. É uma pergunta difícil de responder, sei que gosto muito de me expressar e falar, e nunca achei um terreno tão fértil para suprir essa minha necessidade do que o blog, e ele foi se espalhando para outras coisas. Encontro aqui um lugar onde posso falar sem parar sobre o que quero e gosto, sem ninguém me interrompendo ou mediando. O pensamento flui livre, e isso me faz bem. Mas tudo isso tem o preço, e no caso o ônus são algumas pessoas que se sentem no direito de me criticar ou julgar atrás de um perfil anônimo, ou às vezes até com seu nome real, mas por estar atrás de um computador, acham que tem o direito de ser grosseiras ou falar publicamente de mim. Graças a Deus, tem uma legião de pessoas que me apoiam e fazem isso aqui continuar sendo um grande prazer. Afinal, já foram quase meio milhão de visitas aqui, 6.057 comentários e mais de 500 artigos. Ou seja, isso aqui é um mundo a parte, amo demais e a participação de vocês. Não é algo que dá pra deixar de existir por causa de alguns poucos que insistem em enxergar tudo isso com uma lente de mau humor e mágoa.

 

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