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Turbulência em vôo de cruzeiro


No dia 3 de janeiro, eu e Mostafa completamos oito anos de casamento. Oito anos que parecem vinte, por conta de intensidade de tudo que vivemos durante esse tempo.

Eu gosto de encarar a vida como fases: teve a da descoberta, da aventura do casamento, depois do aprendizado, da luta para nos estabelecermos e acharmos nosso canto no mundo. Aí ficamos só nós dois, nos curtindo, até que decidimos ter um filho. E estamos nessa fase agora, que eu chamaria de turbulência em vôo de cruzeiro.

Às vezes eu até me esqueço que minha história chama um pouco a atenção dos outros e ainda fico surpresa quando comento que meu marido é egípcio, nos conhecemos pela internet, e as pessoas ficam totalmente chocadas. Para mim, isso foi há séculos atrás, e apesar de sempre ouvir as mesmas perguntas, dar as mesmas respostas, estamos em algo tão distante daquele começo aventuresco e exótico, que às vezes me sinto contando a história de um filme, e não falando  sobre a minha própria vida.

É, a vida segue. Sim, tivemos momentos épicos, como aquele dia em que pousei no Cairo, vi Mostafa pela primeira vez. Ou aquela última noite em Alexandria, em que passamos horas olhando as estrelas perdidas entre as parabólicas nos tetos dos prédios, no calor insuportável misturado à maresia do mar, com medo da nossa mudança para o Brasil.

E aqui, do outro lado do mundo, também tivemos o que posso chamar de epifanias. Quando, na mais pura pindaíba, ganhamos uma viagem para Cancun e pela primeira vez nos sentimos no topo do mundo. A gente olhava aquele mar azul turquesa, o frigobar lotado, os garçons que nos serviam o que nossa imaginação pedisse. E minha mãe, que nos acompanhou, falava: “Marina, tem certeza que não vamos pagar nada? Vamos ter que passar o resto da vida lavando prato nesse hotel!”

Ou quando finalmente nos mudamos para um apartamento maior, pintamos a parede naquela tarde, e começamos a ver que tudo tinha dado certo. Eu já estava grávida, a vida corria leve.

Aí minha filha nasceu e passei para a entrega total, de prazer e loucura ao mesmo tempo. Hoje, um pouco mais distante, vejo o quanto a maternidade foi difícil para mim e ainda afeta a forma como eu tenho lidado com minha vida e as outras pessoas, até mesmo meu marido.

Eu não sei explicar o porquê e coloco a culpa no tal do baby blues – ou melaconcolia pós-parto, mas o fato é que chorei por quarenta dias seguidos após 5 de junho de 2013. Por minha filha ter sido prematura, por não ter nascido como eu queria, mesmo tendo ficado 22 horas presa numa sala pré-parto, em como ela não queria mamar ou se alimentar, em como eu sentia dor. Eu passei praticamente todos esses dias de pijama, em casa, me sentindo totalmente perdida.

Eu vi que, apesar de toda minha independência, coragem – como gostam de dizer que eu tenho -, espírito de aventura e altivez, aprendi que eu não sabia lidar com um ser que era dependente de mim o tempo todo. E isso, por consequência, me fez sentir como um pássaro de asas amarradas. Sabia que podia voar, mas não era possível.

Mas passou. E consegui curtir demais. Mesmo quando dias depois minha filha ficou internada, eu não desabei. Enquanto Mostafa ainda não sei como não morreu de ataque do coração a cada vez que ela engasga, eu mesmo nos dias mais difíceis de UTI, fiquei ao lado dela, segurando sua mãozinha em cada procedimento, checando a oxigenação a cada minuto. E tudo aquilo passou, ela sarou, se desenvolveu e se tornou um bebê maravilhoso.

Minha sogra veio e ficou seis ótimos meses, voltei ao trabalho e parecia que minha vida estava como antes, pois tinha alguém em casa que podia segurar as pontas se eu quisesse ficar até tarde escrevendo um texto, ou até mesmo viajar a trabalho.

Mas ela se foi e logo em seguida fiquei oito dias fora, em pleno dia das mães. Meu marido ficou sozinho e não foi fácil para nós essa primeira vez de longa distância com um bebê junto.

E ela ia crescendo, o trabalho também aumentava. No começo eu pensava que a cada nova habilidade que minha filha adquirisse, as coisas ficariam mais fáceis. Lego engano, a cada nova coisa que ela aprende, mais perigos tenho que esconder dela, mais cuidados na casa, na rua. Ela é um bebê totalmente dócil, carinhoso, de dar gargalhadas que enchem o coração. Mas é também daquele tipo de bebê que bota a casa abaixo. Se estou sentada e feliz por ter dez minutos de silêncio, pode ter certeza que é porque Lamis está em algum canto da casa destruindo algo.

Aos nove meses, ela passou de um bebê que milagrosamente dormia 10 horas seguidas para um que acorda de hora em hora. Até hoje, com mais de um ano e meio, eu passo praticamente todas as noites acordando diversas vezes, o que me desestabiliza muito. Lembro que tive de ir a um evento em novembro do ano passado e a primeira coisa que pensei foi: “Graças a Deus, vou dormir sete noites sozinha!”

Todo tempo livre que tenho, é para ela. Deixei de olhar até para mim mesma. Tinha emagrecido 20 quilos na licença maternidade (sem contar o que ganhei na gestação, pois esses perdi logo depois que ela nasceu), mas em 2014 engordei tudo de novo. Fiquei muito nervosa, passei a ser grosseira com meu marido em diversas situações desnecessárias.

E a gente faz tudo por ela, quer tudo para ela. Ser pais nos mudou demais como casal e como seres humanos. Há uma entrega total e totalmente irracional nisso tudo, um amor incontrolável e tão delicioso, que ficamos um pouco viciados em apenas dar e esquecemos um pouco de nós e toda aquela história mágica que vivemos lá trás.

Mas sei que isso também é uma fase. E sinto que agora já consigo voltar a pensar em mim também, a corrigir certos trajetos que não acho que estão tão legais.

E, quando cheguei nesse ponto do post, meu marido passa por mim e fala:

– O que você tanto escreve? Está trabalhando nas férias?

– Não, Mostafa, estou fazendo um post.

– Sobre o quê?

– Sei lá, não consigo explicar, mas sei que você não vai ler mesmo.

– É que você escreve muito e eu nunca consigo entender aonde você quer chegar.

Fiquei puta, ele veio me abraçar. Oito anos de casamento minha gente, ainda que tão diferentes, mais próximos do que nunca. E, incrivelmente, minha bebê está dormindo há três horas seguidas e eu consegui terminar esse post. Em 2015, parece que vou conseguir fazer mais coisas para mim, inclusive gastar palavras em textos como este.

Só espero que tenha gente mais paciente que o Mostafa e que consiga ler até o final.

Aprendiz de Natal


Teve um ano em que eu queria um Natal cheio de neve e bengalinhas doces, aquelas com listras brancas e vermelhas que víamos nos filmes que passavam na TV nesta época. Meus pais, no começo de dezembro, tinham viajado pela primeira vez para fora do país e, em uma das ligações esperadas com ansiedade – não, nada de whats app ou celular – minha mãe falou:

– Filha, está nevando aqui! – Desliguei o telefone com um aperto tão grande no peito que chorei de vontade de estar lá.

Mas eu sabia que, naquele dia 24 de dezembro, talvez de 1994, eu estaria em Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo. E assim foi, na véspera de Natal, brincava na rua com meus primos de “bets” e minha sandália de borracha chegou a derreter pelo calor do asfalto. Era alto verão, lembro que meu bisavô ainda queria bailar com a gente, enquanto inventávamos atividades para passar o tempo e as mães se matavam de trabalhar na cozinha.

E naquele Natal, teve neve. Teve bengalinhas doces. Ao chegar no Brasil, lembro de abraçar minha mãe com aquele casacão pesado e em cada bolso encontrar bengalinhas e mais bengalinhas doces. E na mala, um pacote de neve branca, em flocos finos e quase real, que abrimos naquela tarde escaldante. E foi na rua, ao entardercer, que a neve caiu em uma rua de Ribeirão.

Voltando ainda mais no tempo, ainda morávamos em São José dos Campos e alguém mandou eu esperar Papai Noel olhando para o céu, pois poderia ver o trenó passar. Fiquei lá de pescoço para o alto e juro que vi alguma coisa piscar. Sempre acreditei que o poder do desejo torna sonhos reais.

E não deu outra. Já bem tarde escutamos um sino na porta e, com um misto de terror e euforia – sim, pois um homem barbudo chegar direto do Pólo Norte na sua casa também dá uma pontinha de medo – recebemos um Papai Noel meio esquisito, de óculos escuros. Eu, a mais velha dos primos, bati o olho e logo percebi: “É a vovó vestida de Papai Noel!!!” Não lembro se falei em voz alta ou só para algum adulto, mas lembro que me senti meio bobalhona por ter acreditado em tudo aquilo e por tanto tempo. E mesmo assim me diverti horrores, ganhei presentes e comecei a entender o que realmente fazia sentido nesta data.

E o tempo passou, fomos crescendo e a festa também mudando, de jeito, de cara, de casa. Mas sempre estávamos juntos, às vezes com uma parte da família, às vezes com outra. Teve a época em que só a gente ganhava presente, teve vez que fizemos amigo secreto com presentes da festa do Congo de Capetinga. E chegou a época em que cresci e passei a sentir um prazer enorme de também poder presentear. E não pelo presente em si, pois muitas vezes não posso gastar muito, mas pelo fato de poder mostrar àquela pessoa, com um simples gesto, que ela é importante para mim sim.

E o Natal faz parte da minha tradição, da minha história. Posso até ter mudado minhas crenças com o passar dos anos, mas o simbolismo é cada vez mais forte e real. Precisamos estar juntos, precisamos, como família, nos amar e cuidar com carinho de nossos relacionamentos não só de pai e mãe, mas também de irmãos, de primos, de sobrinhos e tios.

E por isso lembro daquele Natal já grávida, em 2012, mais uma vez em Ribeirão. Os meninos correram para achar um choppeira disponível em pleno feriado e passaram o dia na piscina. De noite, muita música e conversa jogada fora no calor.

Mas estava tudo ao mesmo tempo maravilhoso e estranho. Era como se houvesse uma sombra, que apesar de sufocante, nos abraçasse gentilmente. Havia o peso da dor, que estava ali em uma família que tentava imaginar como se reestruturaria depois da tragédia que havíamos passado há pouco menos de três meses, transformada em olhares às vezes desviados, em um assunto cuidadosamente tocado.

Na hora da ceia paramos ao redor da mesa e não havia nada em nossas mentes além da saudade. E foi quando meu tio falou e falou. Fez um discurso de vários minutos sobre o amor, sobre a saudade. E como era bonito termos aquele sentimento, pois provava que tudo tinha valido a pena. Estarmos mais uma vez juntos naquela noite mostrava que apesar de todas as diferenças, brigas e até desafetos que criamos, o amor de família sempre foi nossa base e o que, no fim, nos sustentava.

Dois anos depois, a dor é a mesma e nem vai mudar. Mas a forma com que lidamos com ela já se transformou. E temos as crianças, o futuro, as novas memórias que precisamos criar para elas. A renovação da qual tanto falamos em toda virada de ano desta vez é vista por nós a olhos nus. Um clichê de Natal mais do que bem apropriado, mas também muito bem-vindo.

Porque sumi


Imagino que tenha muita gente pensando que cansei de escrever ou acabou o assunto. Não, o assunto nunca acaba, escrever é minha profissão (mesmo fora do blog) e eu sempre tenho o que falar. Mas a verdade é que naufraguei na rotina, especialmente na parte maternidade, com um bebê que corre para todo lado agora. Se antes o bebê dava trabalho pois ficava parado e em tudo dependia de mim, agora a verdade é que tenho que ficar de olho atento. Pois se há silêncio na casa, com certeza é porque minha filha está destruindo algo.

A cozinha é o paraíso dela. Não importam as travas de gaveta e armários, ela sempre acha uma brecha. Já virou pacote de maizena e chocolate em pó no chão, entornou garrafa de óleo na roupa e no tapete. Se vacilo, está comendo a ração do gato ou virando o pote de água deles na própria cabeça.

É uma sapeca, mas me divirto. Só que dá trabalho, claro, e juntando ainda o fato de que trabalho, acaba que o tempo livre (mínimo) que tenho, acabo ficando prostrada sem fazer nada. Quando tenho aqueles dez minutos meus, o que eu mais quero é: fazer nada!

Minha rotina ainda está entrando em ajuste, depois que minha sogra egípcia foi embora – ela ficou em casa seis meses para me ajudar com minha filha, assim que voltei da licença maternidade – minha mãe cuidou dela por alguns meses. Como moramos longe e o trânsito de São Paulo não ajuda, a logística era complicada.

Mas agora Lamis foi para a escolinha. E em três dias já estava no antibiótico. E olha, vou te falar, coisa forte é esses vírus de creche. Tomou dez dias de remédio, ficou um sem e já tinha catarro saindo pelos olhos. Eu até tinha tirado férias para fazer adaptação dela, mas o caos se postergou. É inalação, remédio na hora certa, bebê que não dorme direito e chora a noite toda. E claro, o vírus passou para mim.

A filha voltou para mais uma rodada de antibióticos – agora são mais 14 dias – e eu acabei tendo de ir ao hospital ontem, após enrolar quatro dias com muita dor de garganta. A pediatra dela chegou a aventar que talvez ela não deveria ir para a escola ainda. Que deveria ficar pelo menos esta semana em casa.

Dei uma mini surtada e pensei. Deveria voltar para escola na segunda, mas hoje mesmo já a levei. Poxa, vai ter que sobreviver, não é possível! De todos os realatos que recebi, falaram que é extremamente comum a criança ter várias doenças nesse começo, mas que vai melhorando. Vamos torcer, porque eu acredito que ficar na escola é o melhor para ela nesta fase.

Bom, tem dias que me sinto a mãe louca ainda. Com a roupa toda amassada, cabelo para cima, carregando meu rebento catarrento feito uma doida. Isso quando não chego no trabalho e me toco que minha blusa está babada ou minha calça com várias manchas de comida. Também tenho viajado um pouco, e vou tentar falar mais sobre isso em outro post.

Mas mesmo sendo cansativo, eu me divirto com tudo isso e tento aproveitar ao máximo cada minuto de brincadeira que temos. Eu não sou controladora, deixo destruir tudo mesmo e fazer bagunça. Não quero minha filha sempre limpa, deixo ela ficar descalça, deixo ela gritar. Como não me considero uma pessoa muito madura mesmo, aproveito a desculpa para poder brincar e me descabelar junto com ela, afinal  todo mundo não diz que sente saudade da infância? Eu não, pois a estou vivendo de novo.

Vou tentar postar mais. Tentar, prometer é difícil ainda. :-)

Queria um mundo em que meu grande problema fosse o brigadeiro


Ontem foi um dia triste no noticiário. Acordei de manhã com a imagem forte de garotos palestinos que brincavam e foram bombardeados. Os corpos depois lado a lado, enrolados com bandeira verde. Fui almoçar e escuto que um avião caiu. De novo, Malaysia Airlines. Mas não caiu sozinho, foi abatido, um míssel, em vôo de cruzeiro.

Na noite anterior, eu havia postado na página do grupo uma foto do meu jantar e recebi uma crítica velada sobre o que se passava na Palestina enquannto eu comia no aconchego do meu lar. Ontem de manhã, antes de ter ciência de qualquer notícia ruim, eu brinquei com a tal história do chefe Jamie Oliver ter odiado nossos brigadeiros. Mais uma vez, fui chamada de superficial, de não estar preocupada com os problemas do mundo.

Sim, eu estou preocupada, ainda mais tendo uma filha de um ano, eu sinceramente penso no velho clichê: “Mas não estamos no séculos XXI? As coisas não deveriam ter mudado?”

Eu chego a pensar que apesar de termos estudado tanto sobre história, as guerras, as conquistas que não levaram a nada, na verdade os seres humanos ficam apenas andando em círculos, caindo nos mesmos erros, era após era. Eu achava que o extremismo religioso era uma coisa lá da inquisição, mas continuo vendo os mesmos conceitos até hoje, de forma mais violenta no Oriente Médio talvez, mas também ainda muito verbalizada aqui no tal do Ocidente por gente intolerante com as diferenças. Um mundo de preconceito, de ódio, de guerras. Ainda não superamos isso.

E eu? Por que falei de brigadeiros enquanto tudo isso acontece? Porque preciso sobreviver. Quero um mundo com mais debates sobre o gosto bom ou ruim do brigadeiro, em que nossa grande batalha seja num jogo da Copa do Mundo, em que no final todos se abraçam e trocam camisas. Sim, posso ser superficial e leviana, mas é assim que consigo ainda sendo feliz, ainda tendo esperança.

O mundo não pode ser feito apenas de negativismo e depressão, temos que dar espaço para as pequenas alegrias para continuarmos tendo esperança. Afinal, se tudo está perdido, não valeria continuarmos por aqui neste mundo. Mas eu ainda vejo muita beleza, muito encantamento, muita gente boa que cruza meu caminho e me mantém na fé de que minha filha conhecerá um mundo melhor do que eu conheci.

Eu fiz a opção do otimismo, porém isso não me faz esquecer de todo o mal que existe. Tento, mesmo que sem poder algum, provar que ainda podemos ser felizes.

Lamis e um brigadeiro na mão

Lamis e um brigadeiro na mão

 

Porque essa foi a melhor copa da minha vida… Apesar da goleada :(


Sim, levamos uma goleada. Mas eu não estou ligando, afinal eu curti todos os momentos. Eu nunca fui do time do contra que achava que tínhamos que comparar estádio com hospital, que não seríamos competentes o suficiente para fazer bem feito um evento desse porte. É, eu também não faço parte do time da hipocrisia rasa que falou que enquanto alguns choram por Neymar, muitos sofrem no SUS, ou que a reeleição de Dilma dependia do resultado.

Eu fui do time que vestiu de verde e amarelo porque gosto de festa, de alegria, de descontração e um evento desse só acontece a cada quatro anos. E desta vez, mais especial do que nunca, a festa foi no meu quintal. Foi muito lindo ver os milhares de turistas vindo para cá e não só torcendo por seus times, mas se encantando de verdade pelo Brasil. Pelas nossas belezas também, mas principalmente pela nossa hospitalidade e cordialidade.

Eu sempre lembro do meu marido – que ainda está vestido neste momento com sua camisa nova da seleção – dizendo que o Brasil é o único lugar no mundo em que pegam o passaporte dele em árabe, todo esquisitão, e ao invés de o mandarem com cara feia para uma salinha de averiguação, lhe recebem com um sorriso.

E é essa a beleza dessa Copa, e por isso para mim a mais feliz. São incontáveis histórias que li e ouvi de pessoas que tiveram a oportunidade de ir aos jogos e viajar para outras cidades e acompanhar um pouco mais de perto.

Sim, houve corrupção, os ingressos eram caros e não sabemos exatamente o legado que ficou. Se há uma ressalva muito grande a tudo que podemos ver de positivo na Copa , foram as pessoas que morreram em obras, o que nunca pode ser esquecido.

Mas no meu foro íntimo, no meu pequeno mundo, eu aproveitei a alegria de vestir minha filha com as cores da bandeira, a tentar ensiná-la a gritar gol e Brasil. Adorei aproveitar os horários do almoço para ver algum pedacinho de jogo, de ver os carros com bandeiras e encontrar com croatas no restaurante por quilo.

E, no fim, eu enxergo o esporte como ele é. Esporte é definido numa partida, onde há sempre um ganhador ou perdedor. Esporte é lindo pois nos ensina disciplina, trabalho em equipe e determinação. Mas ele não é comparável à nossa vida de verdade, em que não somente contamos gols ou vitórias e quase sempre ficar no empate é melhor.

Eu sou uma eterna otimista e com essa Copa não poderia ser diferente. Fiz meu álbum que vou guardar com carinho, para mostrar para minha filha no futuro como foi a primeira Copa dela.

E goleada, humilhação, tristeza? Guardo isso para coisas da vida real, futebol é futebol, é entretenimento, gosto dele enquanto estou ganhando. Quando perco, desligo a televisão e vou procurar outra diversão.

Um ano de maternidade


Esperamos bastante para tomar essa decisão. Na verdade, não encararia como uma decisão, mas um fato. Um dia comecei a pensar em ser mãe. O que era um devaneio, virou meu foco. Comecei a ler, pesquisar, ir atrás de relatos. Eu não tinha contato com crianças pois na minha geração eu sou a mais velha da família. Pois bem, decidi que queria ser mãe antes dos trinta e falei com o marido, que topou na hora.

Fiz tudo como manda o regulamento, fui no médico, exames, tudo ok, segundo todas as fontes, pode demorar para acontecer.

Passado pouco mais de um mês após virar uma “tentante oficial”, meu tio morreu, no dia 12 de outubro de 2012. Já falei disso aqui no blog antes, mas se não ficou claro, eu digo em poucas palavras:  foram os piores dias da minha vida.

Eu cheguei a pensar que se tivesse engravidado, com certeza já tinha perdido pelo estressse emocional e físico que vivi. E eu não aceito até hoje e também já não quero aceitar mais nem esquecer, faz parte de mim esse fato e ele me levou a muitas mudanças profundas.

Cerca de dez dias depois, eu já tinha o teste de farmácia com duas listrinhas, praticamente invisíveis porque eu sou ansiosa, mas elas estavam lá. O exame de sangue comprovou. E eu achei que foi Deus quem fez isso, tirou meu tio e colocou minha filha no mundo provavelmente no mesmo dia.

Eu curti muito a gravidez. Mas assim, nível adolescente histérica, participando de mil fóruns, lendo mil livros, falando disso o tempo todo e sem parar, tirando mil fotos da barriga. Só não engordei horrores porque fiquei mais de 20 semanas enjoada. No final das contas foram 11 quilos, o que para mim foi excelente.

Foi tudo mágico, a preparação, a espera, a imaginação. Eu chorava sozinha no banho, no quarto dela, com vontade de vê-la, ao mesmo tendo consciência de que estava vivendo uma felicidade abundante, eu já tinha saudade daquela sensação mesmo ainda vivendo-a.

Passei nervoso para achar um médico que aceitasse fazer um parto normal, li de tudo sobre alimentação, amamentação, exercícios. Virei a xiita do parto humanizado, mas achei uma máfia quando fui fazer orçamentos e descobri que só pagando mais de R$ 1o mil se consegue ter o que tanto se propaga como melhor para a mídia. Na época me senti imobilizada, por querer tanto algo, mas ao mesmo tempo não pagaria nunca por isso, tendo plano de saúde e tudo o mais. Hoje, particularmente, acho esse papo todo de parto humanizado muito relativo, afinal tem muita gente ganhando rios de dinheiro em cima disso no Brasil. Mas isso é outra discussão e meu blog não é sobre isso.

Pois bem, ralei e encontrei um médico-herói que não cobrava nada a mais para fazer o parto. E falou que faria o que eu pedisse. Mas nessa fase, eu já estava hipertensa.

E aí eu fui para Londres sozinha já muito enorme. Andei horrores num frio de lascar, até vi neve pela primeira vez na vida em pleno final de março. Voltei, fiz uma rápida escala em casa e fui para o hospital. Fiquei malzona mesmo, uma gripe, sei lá o que foi, tentamos de tudo até apelar para o antibiótico, o que na gravidez nunca é bom.

Nos dias anteriores, eu tinha ido até a 25 de março – rua de comércio popular aqui de São Paulo -, dei plantão no final de semana e ainda fui até Santos só para comer um peixe – desejo de grávida, obedeça.

Não sei por todas essas minhas estripulias, pela hipertensão ou pelo destino mesmo, minha bolsa rompeu bem antes da hora. A data prevista do meu parto era 3 de julho, mas no dia 4 de junho eu dei o fatídico grito dentro de casa:

– MOSTAFAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!! Minha bolsa rompeu, a nossa filha vai nascer hoje!

Vocês não tem ideia do que é um homem revirar os olhos. Pois o meu é craque nisso, e eu achei que ele realmente ia desmaiar dessa vez.

Só encurtar a longa história das minhas 22 horas de trabalho de parto, eu conto que nada, exatamente NADA do que eu li, planejei, estudei, deu certo. Uma bolsa rota com 35 semanas e não entrei em trabalho de parto. Aliás, depois de umas 10 horas sangrando horrores – é, não acha que romper a bolsa é só uma água limpinha que sai não, o negócio comigo é cena de filme trash mesmo – tentamos uma indução, com toda família esperando do lado de fora e entrando em pânico porque e ume recusava a entrar na faca.

Aí eu dancei, pulei, tomei banho, ri, comi, postei mil coisas no Facebook – claro, todo mundo pirando com a grávida no hospital escrevendo – mas realmente foi muito tempo sem o que fazer, sem meu corpo responder. Na madrugada a indução começou a fazer efeito e eu fui tendo contrações. Internei por volta de 9 horas da manhã, às 4 horas do dia seguinte, eu pedi arrego. Eu já estava no nível  “não consigo nem respierar entre uma contração e outra”, e a dilatação continuava ZERO.

Maldito ZERO, eu sempre li nas listas de pró parto normal que não existe mulher com ZERO dilatação. Beleza, se você tem coragem de ficar com bolsa rota a semana toda, com um bebê prematuro, eu não tenho. Pedi já nas minhas últimas forças: “Chama o médico, quero fazer cesária agoraaaaaa!” – para a alegria geral da nação. Meus pais, coitados, não tinham arredado o pé do hospital.

Aí o médico chegou, fizeram mil perguntas, mas eu já estava em outra dimensão, só queria terminar tudo aquilo e ter paz. Eu mal enxergava o que estava acontecendo, só lembro de me darem ordens, “senta assim, faz isso, dá o braço”, e eu obedecia. Veio a anestesia e eu praticamente dormi.

Sei que o Mostafa entrou todo paramentado mas eu só abria o canto de olho, sem forças para nada. Lamis nasceu, colocaram seu rostinho quente junto ao meu, mas sinceramente, não tinha forças nem para me emocionar. Eu me sentia muito mal, só disso eu tinha consciência. Só fui saber o que era ser mãe horas depois.

Lembro de chamarem o Mostafa: “Papai, agora você vem, pois var dar o primeiro banho nela”. E ele saiu correndo.

Fiquei na sala de recuperação um tempão, lembro que só pensava: não me levem para o quarto, quero dormir, não quero falar com ninguém, quero PAZZZZZZZZ!!! É, turbilhão de hormônios a mil, a gente fica bem louca.

Depois veio tudo o de bom, o que vocês já podem imaginar. Ter um bebê é sim, a coisa mais maravilhosa desse mundo.

Os primeiros meses foram muito difíceis para mim, eu tive um baby blues ferrado – o que podemos chamar de melancolia pós-parto – ferrada por ter feito uma cesária, e ainda por cima, minha filha não mamava. Li de tudo, contratei especialista, bomba elétrica, etc. Minha filha com um mês pesava menos do que quando nasceu.

Eu entrei num pânico sem fim, simplesmente chorei durante um mês copiosamente. Até que alguém teve a luz e finalmente me me cortou. Esta pessoa foi meu obstreta: “Você está preocupada em criar sua filha ou no leite que ela bebe?” Aí parti para a fórmula e fomos – quase – felizes para sempre.

Antes de fazer três meses, ela ainda estava com imunidade baixa por não ter mamado e ainda perdido peso. E o primeiro vírus que pegou, já derrubou.

Foram 5 dias de UTI pediátrica, 11 dias internada no total. Dias loucos, insanos, conheci um outro lado da maternidade. Eu fui forte, fiquei ao lado dela nos piores momentos, séria, sem escândalo. Dormia em uma poltrona, numa sala de vidro em que crianças passavam entubadas, talvez para nunca mais acordar. Um olho fechava e o outro de olho na saturação de oxigênio. Sonda para se alimentar. Ela foi muito bem cuidada, e apesar da bronquiolite grave – é esse o nome do negócio que ela teve – nunca mais chiou e provavelmente não ficou com sequelas. Temos que esperar esse inverno e ver o que acontece.

Só sei que com ela vivi outros tipos de aventuras, sensações e sentimentos que nunca imaginei. Apesar de todas as viagens, lugares, experiências que tive, como ter morado no Egito e me casado lá, nada se compara ao que temos hoje, ao sermos uma família de três.

A propósito, nossa filha se chama Lamis, que em árabe significa “suave ao toque”. E ela não parece nem comigo, nem com ele…

 

 

O que acontece depois de casar com meu egípcio?


O que acontece depois do seu casamento com um egípcio? Acontece a vida real. E entenda-se por vida real uma série de desafios que provavelmente ninguém imagina antes de se entregar ao amor e unir os guarda-roupas, seja com alguém que você conhece há muito tempo ou pouco, do seu país ou de fora.

Casamento é vivência diária, é embate de hábitos, de gostos, de jeitos de lidar com a vida. Dificilmente você vai encontrar alguém que foi criado exatamente como você e que pense igualzinho a você. É por isso que existe divórcio, pois todo mundo se casa achando que encontrou a cara metade, porém vivendo no dia a dia, ano após ano, aprendemos a ver o outro como um todo, com seus pontos positivos e negativos.

Passada a fase da empolgação, de descobertas, o casamento com um egípcio é igual a outro qualquer, são dois seres humanos contruindo uma família, que pode vingar ou não. Adicione a este relacionamento alguns desafios um pouco maiores, como a distância da terra natal de um dos dois, o aprendizado de uma nova língua no país que optaram por morar, a burocracia para legalizar o amado, a busca por um emprego em um mercado totalmente diferente e, acima de tudo, será que você ou seu cônjuge realmente vão se adaptar a morar no país do outro sem virar um chato? Ou vamos além: Será que realmente vocês se amam, ou foi só paixão?

Eu, por exemplo, fui o exemplo de grande chata no Egito. Para mim a adaptação foi impossível pois me impus muitos bloqueios desde que cheguei lá e saí da minha zona de conforto. Imaturidade aos 23 anos, inconsequência, sei lá o que foi, só sei que foi uma sorte meu marido estar muito apaixonado, pois eu fui terrível quando estava lá.

A mesma coisa acontece com muitos egípcios que chegam aqui. É normal se tornarem uns chatos no começo, ficam falando como se o Egito fosse maravilhoso – mesmo tendo optado por morar aqui, ok -, que tudo lá é melhor, só querem comer as comidas de lá, querem seguir todas as tradições do Egito e muitos até criticam as roupas das brasileiras ou o fato de que aqui pode se fazero que quiser, incluindo beber e ter liberdade sexual.

A gente tolera um chato – ou é tolerada – por um tempo. Mas quanto tempo dá para aguentar até que a adaptação chegue? E se não chegar?

Isso tende a passar com o tempo ou pelo menos amenizar. A maioria dos egípcios que conheço é bem rígida no começo, quando eu lembro dos “mimimis” do meu marido quando chegamos, ele fica totalmente sem graça. Mas é normal tudo isso, afinal mudar não é fácil, se adaptar muito menos ainda. Sorte do casal em que um dos dois consegue atingir esse grau maior de flexibilidade e os dois conseguem ser felizes no país em que escolheram sem uma saudade catastrófica.

Essa fase toda de adaptação não é algo tão rápido, são anos de mudanças graduais. Até que chega aquele momento de estabilidade, após um cinco anos vocês com certeza já têm um projeto de vida mais ou menos programado, se conhecem o suficiente para saber o que tira do sério ou agrada ao outro. E assim os anos vão se passando, o fogo inicial muda, afinal não há mais tanta novidade, e sim o cotidiano.

Aí acredito que finalmente entramos numa fase de “casal comum”, em que tirar sarro do sotaque não tem mais graça, que apesar das pessoas que acabaram de te conhecer continuarem com as mesmas perguntas de anos atrás “Nossa, como é ter um marido árabe? Mas ele é tranquilo? Seu marido é muçulmano? Nossaaaa que coragem!”, a gente já não tem nem paciência, nem história nova para contar.

As minhas respostas agora são mais blasé, “sim sou casada com um egípcio, mas ele é super adaptado e somos um casal normal”. É, perdeu a graça para os outros, eu sei, mas essa é a realidade: nos tornamos um casal comum, em que o fato de termos nascido tão longe um do outro não afeta mais nossas decisões nem impõe peso à nossa relação.

Como optamos por ter filhos somente depois de toda essa longa etapa, também não surgiram desafios adicionais a qualquer casal que vira pai, temos praticamente o mesmo medo e dúvidas, sem envolver muitas questões culturais de qualquer um, até porque elas já estão meio que ultrapassadas para nós, sabemos o que afeta o outro.

Tanto que agora, até digo com naturalidade:

– Se prepara que sua filha tá crescendo no Brasil. Daqui uns 15 anos ela tá chegando para te apresentar um namorado.

Cara de choque e revolta.

É, talvez algumas coisas não tenham mudado tanto assim…

Egito e Brasil: fase 2


Sei que muita gente hoje chega aqui pelo celular e não vai notar as pequenas mudanças que fiz no layout e no título do blog. Mais do que algo estético, é um jeito que encontrei de manter esse espaço vivo, já que os desafios de se casar com um estrangeiro ou a adaptação de ambos a uma cultura nova não faz mais parte da nossa vida. Depois de mais de sete anos casados, estabelecidos no Brasil e sem nunca ter pisado no Egito de novo – e ainda sem planos para isso de ambas as partes – sinto necessidade de ser um pouco mais generalista.

Corro risco de perder seguidores fãs do Egito e mundo árabe, principalmente da minha página, mas blog é isso: ou se renova ou morre, como a maioria dos que vi ao longo dessa minha vida na internet. E chegou a minha hora.

Não tenho um tópico específico e isso é um problema.  Conhecedora da comunicação, entendo que a debandada de leitores pode ser geral por falta de foco, mas afinal, talvez alguns permaneçam. Ou até mesmo você que acabou de chegar e está apaixonada por um habiby, entenda que existe sim vida após “meu romance das arábias” e que ela não é mágica ou muito diferente de outros relacionamentos normais por aí, passada a fase de descobertas e encantamentos.

Então é isso, quem quiser ficar, seja muito bem-vindo!

 

PS. os posts da nova fase estarão sempre na categoria Fase 2. Os posts antigos continuam integralmente no blog para pesquisa e consultas.

Pais que falam idiomas diferentes


Sim, faz muito tempo que não passo aqui. Mais do que atarefada, o que mais pesa para mim é o fato de que sempre encaro o nome deste blog como um peso, Egito & Brasil. Com nossa vida tão estabelecida aqui e meu marido mais do que adaptado, não sobra muito o que tratar sobre os dois países em comum.

Mas eis que agora pais, surgiram algumas questões interessantes. A que mais me chama atenção é uma pergunta que sempre fazem para meu marido:

– Ah, você está só falando em árabe com sua filha, né?

– Sua filha P-R-E-C-I-S-A falar árabe, só fale nesta língua, ok senhor Musta?

Bem, na teoria isso é bem lógico. O pai só fala a língua nativa e o filho automaticamente aprende. Hummm, não é bem assim no caso de pais que falam línguas diferentes.

Quando pais estrangeiros moram fora de seu país, colocar esta ideia em prática é fácil, basta em casa manter os velhos hábitos e falar a língua, as crianças mesmo estudando em escolas com outro idioma vão aprender os dois idiomas.

No caso de pais que não são do mesmo país, essa tarefa é muito mais árdua. Primeiro porque existe o hábito, o casal normalmente tem um língua que guia suas conversas. A nossa já foi o inglês, mas há muitos anos estamos no Brasil e meu marido só fala português. Ou seja, no nosso dia a dia, conversas, compras, rodas de amigos e até brigas, falamos em português.

Neste contexto, fica muito difícil, ou praticamente impossível, para o cônjuge mudar este hábito e falar dentro de casa outro idioma. Até porque eu não falo árabe, ou seja, ele teria que ficar mudando de chave português-árabe, toda vez que falsse comigo ou nossa filha. Já tá na cara que isso não vai dar certo, né?

Minha sogra ficou em casa seis meses, por isso minha filha escutou muito a língua dos 5 aos 11 meses, inclusive atendendo alguns comandos básicos como “hety bosa” – me dá um beijo. Porém o pai dela nunca falou em árabe com ela.

Sei que o mundo é competitivo e falar línguas vai ser um diferencial e tanto para a vida dela. Porém vamos com calma, em primeiro lugar não queremos apressar as coisas e pressionar nosso filho a ser um gênio poliglota desde agora. O momento é de brincar, aprender o dadá, tatá, essas coisas.

Apesar da mescla de línguas não ter sido tão intensa, minha filha já tem um ano e ainda não fala nenhuma palavra, ao contrário das crianças que vejo e são criadas 100% no português. Ou seja, a cabecinha dela ficou um pouco confusa e agora que estamos no “modo” português, não queremos inverter essa chave tão cedo de novo.

Acredito que quando ela for alfabetizada, poderá ser um ótimo momento de reintroduzir o árabe na vida dela, já com o alfabeto e mais compreensão. Não estamos com pressa, afinal ela é só um bebê.

Coincidências?


Uma das coisas que sempre pensei que gostaria de fazer era manter alguns rituais ou tradições na minha casa quando tivesse uma criança. A ideia disso é criar memórias familiares e, sempre que possível, unir as pessoas.

Aí que está chegando a Páscoa e meu marido fala que neste ano poderíamos pintar ovos com karikadeh (chá de hibisco) para a Lamis pois ele sempre fazia isso quando era criança.

Como assim, pintar ovos? Vocês celebram a Páscoa?

“Não”, ele respondeu, “mas temos o feriado faraônico mais importante que é o Sham el-Nessen e a gente pinta ovos”.

Eu bem que tinha notado que este feriado sempre caía na Páscoa, mas daí eles também pintarem ovos me pareceu bem curioso, afinal esta é uma tradição cristã, inclusive traduzida em gordices como os ovos de chocolate.

Dei uma pesquisada rápida e entendi que o Sham el-Nessen é um feriado que marca a entrada da Primavera, por isso ficou atrelado à Páscoa. Neste dia, mais do que ovos coloridos, os egípcios comem fisikh, que é um peixe defumado (podre ehehehe) com cebolas e pimentão. No Brasil não tem, mas uma vez fizemos algo parecido com arenque, veja neste post.

Mas vamos pensar… na Páscoa se come peixe (bacalhau da sexta-feira santa) e só se fala em ovo chocolate. Os egípcios comem fisikh e pintam ovos de galinha. Coincidência?

Depois posto as fotos dos nossos ovos, porque peixe seco não vai ter não!

 

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