Casamento com egípcio


Ai, eu sei, post mega batido e já falei tanto disso, que eu sempre acho que o assunto está esgotado. Mas não, o tema continua sendo recorde de comentários e perguntas em meu blog. Todo santo dia eu recebo pelo menos duas mensagens sobre o tema, geralmente com o mesmo tipo de pergunta. Às vezes eu acho que tem alguém me sacaneando, enviando com diferentes emails a mesma mensagem, tamanha a similaridade.

E não quero parecer grossa nem nada – apesar de já ter essa fama faz tempo – mas sim realista com quem está chegando nesse tipo de relacionamento de paraquedas. Eu sei que é assustador e ao mesmo tempo emocionante no começo, mas não podemos deixar a razão de lado.

Mas primeiro, vamos ao básico mais uma vez:

- Eu não sou agente de imigração, nem do Egito nem do Brasil. Se você quer visto para seu amado, seja de qualquer país que ele for, ele precisa ir à embaixada do Brasil do país dele. A do Egito fica no Cairo. E não adianta – vou falar pela MILÉSIMA vez – você mandar carta convite, ligar para o embaixador e fazer um escarcéu. Se seu egípcio / indiano / paqui /etc não tem um centavo no bolso, não tem emprego que justifique uma viagem internacional que custa centenas de dólares, não tem nem conta em banco, não adianta você mandar convite nem nada, não é isso que dá visto para ninguém. Para ser mais didática, quando você vai para os EUA pedir um visto, adianta algum americano mandar alguma cartinha? Não… então, é a mesma coisa. A embaixada brasileira às vezes fala dessa condição e eu entendo que até algumas pessoas fiquem confusas e desesperadas atrás da carta convite, mas ela é só mais um documento que PODE ser anexado, não é o que vai dar o visto. O que vai dar o visto é a capacidade financeira provada desta pessoa e o perfil dele que não vai querer imigrar, principalmente por meio de casamento. A embaixada tá calejada de casos como esse gente, vamos ser um pouco mais realistas e entender quando o seu amor estrangeiro pode estar sendo sério ou apenas querendo sair do país dele.

- Eu também não sou advogada nem no Brasil nem no Egito. Tudo que você precisa de documentação para casar, tem que procurar nas fontes oficiais. NINGUÉM na internet vai ter todas as respostas para você, porque este tipo de burocracia muda toda hora, seja lá ou aqui, e principalmente seu “habibi” precisa arregaçar as manguinhas dele e ir atrás nas entidades públicas do país dele saber o que precisa para casar com uma estrangeira. Não é você que tem que ficar quebrando a cabeça para entender a lei egípcia, é só ele falar pra você o que precisar trazer, afinal se você vai casar lá, o país é o dele. Agora se vocês vão casar no Brasil, aí você vai no cartório da sua cidade e pega a lista que o cartório pede. Isso pode ser bem variável, por isso não adianta me perguntar, eu casei já faz 6 anos, já mudou muita coisa. A única coisa que eu sempre aconselho é: verifique, cheque e recheque mil vezes, mas sempre nos órgãos oficiais, não na internet. Dá trabalho gente, vocês acham que arrumar um amor gringo é fácil???? Não é não, não foram só meses que levei para acertar a situação do meu marido no Brasil que levei não, foram 2 anos e não se iluda que vai ser fácil ou alguém vai ter todas as respostas prontas para você.

- Família minha gente. Se ele diz que já é casado e você vai ser segunda esposa, saia correndo. Se ele não te apresenta os pais, saia correndo. Nem vou falar muito desse tópico, ele é tão óbvio.

- Como arrumar emprego para meu marido no Brasil? Eita, essa aí é difícil. Eu sei que eles ficam doidinhos para vir para cá, já que no Egito, por exemplo, não tem trabalho decente para quase ninguém. É bem normal um cara de quase 30 anos até nem ter tido nenhum trabalho na vida, se ele for de classe média, fica vivendo na barra dos pais por muitos anos. Ou seja, a probabilidade do seu amor ter uma faculdade que valha alguma coisa aqui no Brasil é quase nula. A chance dele ter uma experiência relevante para o mercado de trabalho brasileiro também é muito pequena. Muitos deles dizem que falam inglês, mas trocam P por B, só para começar e na escrita em inglês são sofríveis, então não se iluda pelo fato dele dizer que é um poliglota, geralmente ele não é. E vai demorar para ele falar português bem, o que é essencial no Brasil, mesmo para trabalhar numa multinacional. Se você realmente quer saber como é difícil essa jornada de adaptação de um estrangeiro ao mercado de trabalho, eu sugiro ler o EXCELENTE blog Manual Quase que Prático, começando pelo post que ela em números retrata basicamente a dura caminhada para que o marido dela, um indiano, conseguisse um emprego na área dele (e olha que ele realmente tinha um ótimo perfil, faculdade boa, experiência, inglês fluente, coisa que como já disse antes, geralmente os egípcios não tem). Começce por esse post aqui http://manualquasepratico.wordpress.com/2013/04/12/finalmente-conseguimos/  para você ter ideia do que é este caminho. Vou só copiar uns númerizinhos que ela postou:

O resultado chegou exatamente 1 ANO e 10 MESES depois da chegada de meu marido ao Brasil. Começamos a nos organizar para a procura por trabalho três meses depois de sua chegada, mas a procura começou a andar e funcionar bem mesmo há mais ou menos um ano atrás.

Só para vocês terem uma breve ideia de todo o processo, extraí todas as informações abaixo analisando meu caderninho de anotações:

- CADASTRO DE CURRÍCULO EM MAIS DE 50 SITES DE EMPRESAS DE RECURSOS HUMANOS;

____________________

- TOTAL DE CURRÍCULOS ENVIADOS – 2.120 CURRÍCULOS (sem contabilizar os currículos que meu marido enviou sem me avisar ou anotar no caderninho)

Então, mais uma vez lembro que ilusão nesse tipo de relacionamento é a pior besteira que você faz com sua vida. Não vai ser fácil, ele não vai chegar e aprender português em duas semanas e emprego, se ele tiver um decente depois de um ano, no mínimo, já se considere muito sortuda. Eu não vou falar muito do meu marido, porque ele odeia que exponha sua vida no blog, mas só para dar um breve panorama, nosso esforço também foi muito grande, assim como o da amiga desse blog citado acima, hoje meu marido faz faculdade no Brasil e compete em vagas por igual com brasileiros, com entrevistas, processos normais, etc, mas para chegar nesse nível, foram-se alguns dois anos pra mais de esforço.

Ele não ficou no skype falando com a família 10 horas por dia, nem vendo canal de TV árabe na internet para chegar nesse ponto. Também não ficou caçando comunidade árabe, mesquita, etc, para achar emprego ou fazer contatos. Isso tudo é distração e não vai fazer com que ele tenha um emprego decente aqui, apenas subempregos.  A pessoa tem que vir para cá disposta a se integrar e se adaptar, se é para ficar vivendo do passado, prepare-se que a adaptação dele vai ser muito lenta. Uma pessoa que sai do país dele tem que estar disposta a vivenciar o Brasil, ter amigos aqui, comer as comidas daqui, se misturar com sua família. Senão ele só vai ficar num gueto, igual imigrantes fazem na Europa ou EUA, e você vai ser arrastada para esse gueto junto e nunca vão ser plenamente integrados e felizes aqui. Fica a dica.

Agora outras dicas não tão básicas e muito pessoais:

- tente não engravidar no primeiro ano de casamento. Dê tempo ao tempo, a integração é um processo muito sofrido mesmo, não é um bebê que vai ajudar nesse processo, estando vocês morando no Brasil ou no Egito. Claro que pode acontecer e ser a vontade do casal, mas só estou dando uma dica porque em relacionamentos desse tipo você acaba conhecendo a pessoa melhor depois de casar, não tem namoro normal, então é bom ter esse tempo para ver se é isso mesmo que você quer.

- não seja mega protetora. O imigrante sempre vai sofrer no começo, mas se você só passar a mão na cabeça e ceder a vontade da pessoa a todo momento, a chance dele não se adaptar começa a aumentar muito. Ele tem que estar exposto, ao bom e de ruim que há aqui, e aprender que o que ele viveu no Egito nem sempre é o certo ou o melhor.

- Faça seu marido mergulhar no nosso país e cultura. Ouvir músicas daqui, até ver novelas, leve-o para atividades sociais, saia com ele de casa, shopping, parque, qualquer coisa para que ele não se torne um ermitão que só fica lendo árabe o dia todo. Ele tem que deixar a vida dele de antes para trás em algum momento e mergulhar no Brasil de cabeça. Pode demorar para isso acontecer, mas ele só vai se adaptar se fizer isso. Estar português no mínimo umas cinco horas por dia no começo, de segunda a sexta, é o mínimo que ele vai ter que fazer enquanto não tiver trabalho, e não é ficar falando em árabe que vai contribuir para isso.

- Claro que dá saudades do país da gente, das comidas. Tudo isso a gente aplaca de vez em quando ouvindo uma música, fazendo uma comida típica. Até eu sentia saudades do Egito, incrivelmente, no começo. Pois tudo o que vivi lá foi muito intenso e uma aventura muito grande. Acho que é gostoso ter essa nostalgia, mas se seu foco de repente for que no Egito é tudo melhor ou sua vida lá seria bem melhor, então é melhor vocês arrumarem as malas e acharem um jeito de viver por lá. Eu conheço muitas brasileiras que estão super bem adaptadas ao Egito e gostam mesmo da vida lá, mas os maridos delas tem ótimos empregos e elas conseguem manter um padrão de vida igual ao que teriam no Brasil. Então é melhor não fantasiar muito sobre a vida no Egito se seu marido já não está muito bem estabelecido por lá. Para ser bem prática, se a renda de vocês no Egito passar de 5 mil libras egípcias (sendo que ele já tenha um apartamento pronto) pode ser que você mantenha um padrão legal de vida lá. Agora abaixo disso, não vamos nos iludir e força na peruca para se adaptar ao Brasil, que aqui ele com certeza terá muito mais oportunidade de vida do que lá.

 

Mais uma vez, eu digo: fácil não é, mas se vocês realmente se amam, vão superar todos os obstáculos e serem muito felizes. Não se iluda com palavras de amor bobo, com promessa de casamento, com “bahebak”, com “habibi”. Tudo isso é besteira e TODOS falam isso, é algo cultural deles, não tem nada de diferente de um homem brasileiro. Então vamos abrir o olho e gastar energias com quem realmente possa ser sério e que tenha garra suficiente para passar por tudo isso aí que descrevi acima.

Beijos a todas e boa sorte!

 

 

 

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Publicado em maio 2, 2013, em No Egito e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 14 Comentários.

  1. Tudo isso é uma grande verdade, se alguém pensa que vir ao brasil é fácil não é não. Meu noivo é egípcio faz 3 anos que ele esta tentando vim para cá, já tentou varias coisas vim como turista ele trabalha na unilever de lá pediu transferência para a empresa daqui mas não conseguiu por não falar o português muito bem.Por isso pessoal não pense que a coisa é simples por que não é mesmo.

  2. Como sempre, acho muito útil e inteligente suas postagens!

  3. Sim , você se superou,….valeu repetir as mesmas idéias de outro jeito….Parabéns!

  4. marina vc popou ou melhor BOUBOU 32 anos para min do mesmo asssunto, tudo se emcaixa com os milhares de e-mail que recebo tambem, e nao tem jeito o amor e cego surdo mudo sei la!!!Vou imprimir esse comentario e colocar na porta da embaixada no cairo na agencias de Turismo nas Piramides, e nos postes da Ruas no facebook, blog, twieter e se la que raio de comunicacao… so assim quem sabe teremos um pouco de paz com essa menina… parabens

  5. Parabéns, Marina!!!! Acho que quem não entendeu agora, ou é analfabeta funcional ou idiota. Desculpa a franqueza também. Mas, você escreveu tantas vezes a respeito, e a mulherada continua a insistir, batendo na mesma tecla sempre. Quem sabe agora, coloquem o pé no chão. Credo, que chatice. Perderam o senso de noção? Neste tipo de relacionamento, tem que ficar sempre com um pé atrás, com o desconfiômetro ligado! Ou então procurem um terapeuta, porque a carência está extrapolada, causando prejuízos. Pronto! Tambēm desabafei! Isto serve para as iludidas, que estão apaixonadas por homens de qualquer nacionalidade.

    Um bom fim de semana!
    Bjs

  6. Susy da Silva

    Oi, Marina! Perfeita colocação como sempre. Também, como você, sou casada com egípcio, mas minha história não tem nada a ver com o que é relatado aqui.

    Enfim, só para atualizar: atualmente, há mais de 300.000 sírios refugiados no país.
    Apenas no início de abril, 12.000 egípcios casaram-se com mulheres sírias que imigraram por conta da guerra.
    Homens egípcios pagam em torno de 500 Pounds Egípcios para casarem-se com mulheres sírias.
    Até houve manifestação de mulheres egípcias contra estes casamentos, pois elas consideram que desta forma não conseguirão se casar.

    Esta é também a oportunidade que homens egípcios queriam para quando em algum momento as coisas se acalmarem na Síria, eles possam imigrar para aquele país ou para qualquer outro.
    Segue um link com artigo, falando sobre este tipo de casamento. http://futurechallenges.org/local/egypt-a-heaven-or-hell-for-syrian-refugees/

    É bom as meninas ficarem atentas. Na atual circunstância, todos desejam arranjar um meio de sair do país. E casando-se com uma estrangeira é a melhor estratégia, literalmente.
    Apenas um detalhe: eu moro no Egito e meu marido nunca teve a intenção de imigrar.

    Parabéns pelo seu trabalho de esclarecimento e utilidade pública! Só cai na conversa mole desses caras quem quiser!
    Abraços,
    Susy.

  7. espero que abra a mente de algumas esmeoladas por ai por querer viver de ilusoes amo o egyto eu daqui e os habibis de la

  8. maria figueiredo

    muito obrigada eu li tudo mas em relaa a esse amor ele me deixou a desejar estou saindo aos pouco dessa malucagens todas obrigada ajudou muito

    Date: Thu, 2 May 2013 13:15:09 +0000 To: maria.aparecida.figueiredo@hotmail.com

  9. Essa mulherada é mesmo muito burra. Acham que vão encontrar um Lawrence das Arabias e apenas se dedicarão a dançar a dança do ventre pra eles e andar pela casa gritando “inxalá”. CAIAM NA REAL.

  10. muito bom o post..me ajudou muito :)

  11. Sim, é muito difícil a adaptação deles a nossa cultura e as nossas famílias,fora o problema da alimentação.Sim, como esposas com instintos maternais acabamos por protegê-los como fossem crianças tentando dar os primeiros passos, o que acaba por ferir a masculinidade deles, o que começa a gerar conflitos.Sim, é tb difícil para nós brasileiras por mais que amemos o Islam viver nos dois mundos, então começam as brigas do “por que vc não usa o hijab?por que não para de dirigir para rezar? e por aí se vai… Sim, ficarem somente vendo a TV árabe pela internet não ajuda em nada a aprender o português, eles acabam deprimidos,pois aprender uma lingua requer tempo,dedicação e persistência… e dependendo do marido vc terá uma guerra em casa. Sim, é um problema se ele for o filho mais velho, a família fica ligando até por uma unha encravada,um liga para falar mal do outro e ele fica aqui em outro país tentando resolver os problemas familiares dele lá. Então ele não sabe se vive plenamente aqui ou lá. Estará sempre dividido, se está lá fica pensando em estar aqui e se está aqui fica pensando em estar lá. Ah, sem contar que adoro cachorros e ele fica nervoso por dividir a casa com os 2 pequenos,pq não podem tocar nele e a coisa é tão louca que ao mesmo tempo ele tudo o que come dá para os cachorros q estão insuportáveis agora…. Sim, é barra,não é nada fácil,mas só o tempo para as coisas entrarem no eixo, e muita ,mas muita, amizade e companheirismo entre nós para superar todos os obstáculos.E uma superdose de paciência para conviver com todos que diram para vc que casou no mínimo com um terrorista hahahahahaha

  12. oi.. tudo bom? desculpa por encomodar você com meus problemas, mais por favor, eu preciso de ajuda, preciso falar com alguém que tem um conhecimento maior que o meu. vou resumir minhas historia, sou casada com um egipcio… tenho muito problemas com ele, e eu preciso ftirar umas duvidas com você, poderiamos conversar no email?

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