A mulher no mundo islâmico hoje


Já aviso que este post trata de minhas opiniões pessoais e não necessariamente o que hadiths (ensinamentos islâmicos) dizem.

***

Tenho visto ultimamente uma enxurrada de crimes de racismo contra a mulher muçulmana no Brasil. Sim, porque chamar a pessoa de ignorante somente devido à sua religião ou grupo que pertence, para mim é racismo e intolerância religiosa. Mas parece que quando se trata de muçulmanos, todo mundo tem carta branca para rasgar o verbo e fazer comentários dos mais xenófobos ou de baixo nível possível.

Primeiro foi no programa da Hebe, que  recebeu em seu programa duas muçulmanas super educadas, e no momento que elas não estavam na sala, trataram de até mesmo caçoar dos nomes diferentes delas, dizer que são intolerantes (porque não quiseram comer porco, óbvio) e ficar em um bar cheio de gente enchendo a cara. Enquanto isso, a menina carioca falava mal das muçulmanas, não se interesseou nem 1% pela cultura delas ou de entender os porquês, e ficou sendo chamada de “exemplo”.  Foram tantas reclamações que a Hebe irá receber um sheik no programa dela amanhã, se não me engano, somente para se retratar.

Depois, no jornal Folha de S. Paulo, saiu um artigo de uma tal senhora dizendo horrores das coitadinhas mulheres de burka, que sofrem, que são presas, mal amadas, etc. Lendo aquilo você imagina que toda mulher muçulmana vive numa prisão ou em cena de filme americano mostrando o Talebã. A pior revista brasileira que existe, a Veja, fez uma reportagem sobre terroristas brasileiros esta semana, não li nem vou ler. Pode ter até verdade naquilo, mas conhecendo a publicação como eu sei, no mínimo colocaram todos os muçulmanos no mesmo pacote.

Mas, quem tem um pouco de leitura e a mente um pouquinho aberta que seja, sabe que na vida nada é tão branco e preto. E os humanos, por mais impossível que se possa soar, tem muito mais semelhanças do que diferenças, não importa a religião, raça ou origem. Todos nós amamos, todos nós temos sonhos, desejos. Queremos construir família, queremos um trabalho digno, uma casa confortável, comida saborosa, etc. No dia a dia, as pessoas acabam por fazer as mesmas coisas, assistem televisão, encontram amigos, navegam na internet, tomam Coca-Cola e comem um McDonalds, seja aqui no Brasil, na China, no Egito ou em outro lugar. No mundo globalizado, apesar de diferenças culturais ainda existirem, na prática estamos cada vez mais parecidos, e se basear em esteriótipos para falar de um grupo é praticamente xingar a raça humana como um todo, pois compartilhamos as mesmas coisas.

Pois bem, falei de tudo isso, para entrar num tema um pouco mais delicado, e no qual aí sim posso ser polêmica entre os irmãos muçulmanos. Eu acredito que a mídia fala tanto da mulher muçulmana não é à toa. Nos países islâmicos, infelizmente, a maioria das mulheres ainda é bem subserviente a seus maridos e famílias. São como tesouros trancados, que se casam à medida que a oferta for boa o suficiente. Sim, elas são valorizadas, ganham ouro, grande festa, mas no dia a dia, muitas não passam apenas de bonecos bonitos, que só sabem falar de filhos, afazeres de casa e compras. Se são felizes? Muitas são,  sim, jamais negaria isso, mas ao mesmo tempo, quem sai um pouquinho dessa regra, corre o risco de ser taxada pela sociedade de ruim, de uma mulher que não seria confiável o suficiente para casamento.

Estou tentando não cair nos esteriótipos que critiquei logo acima, mas vivendo no Egito nove meses e tendo família lá, falo do que é o mais comum, pois no país ainda existe um certo padrão de comportamento mais rígido do que em lugares como o Brasil, onde cada um faz o que quer.

Meninas no Egito, por exemplo, que querem sair de suas cidades natais para estudarem no Cairo, provavelmente ficarão com ‘ficha suja’ para sempre. Isso se a família permitir que elas vivam sozinhas em uma cidade grande, o que é bem raro. Claro que para os rapazes que desejam um estudo melhor fora, isso não é problema.

Eu, sinceramente, não vejo problema nenhum em uma mulher querer se dedicar ao lar, conheço muitas brasileiras que fazem isso muito bem, minha mãe mesmo ficou em casa quase 20 anos, até eu e meus irmãos estarem adultos. Mas isso não a impediu de ler livros, conhecer o mundo, fazer cursos ou ter outros assuntos além de fraldas. No Egito não, você pode ter se formado com nota A em uma boa faculdade, mas sua prioridade perante a sociedade, no geral, é sempre parir o mais rápido possível. E se for possível depois trabalhar, que trabalhe, mas se isso for ocupar muito do seu tempo, não terá aprovação de ninguém e não será reconhecida por isso na sua roda de amigas.

Quero lembrar que estou falando aqui do que a sociedade egípcia, no geral, valoriza, não do que é certo islamicamente apenas. Porém, estas sociedades tem repetido costumes que tem marcado a mulher muçulmana como apenas uma jóia bonita em casa, mas não participante ativa da sociedade e da política.

Hoje, se você é uma mulher muçulmana e quer ser parte ativa da transformação do seu país, sofre muito. No Egito existem diversos exemplos notáveis de mulheres que quebraram tabus, que mesmo sendo muito religiosas tem seus trabalhos de defesa da mulher, que se expôem mesmo em uma sociedade que cada vez mais tem se fechado e obrigado as mulheres a se cobrir sem vontade própria. Sim, sem vontade própria, pois experimente você andar com roupas ocidentais no Cairo, que verá o assédio e entender do que estou falando. Num país verdadeiramente islâmico, as mulheres deveriam ter o direito de andar como quisessem, sem serem abordadas por estarem vestida de uma ou outra maneira (até porque mesmo vestida você é assediada em muitos locais).

Algumas dizem que não trabalham porque os maridos não querem, ou que não andam sozinhas porque são muito bem cuidadas. Mas isso não é só mais uma desculpa para deixar sua mulher presa em casa? Quem ama confia, você não precisa dar planilha de onde caminha, até mesmo se vai ao supermercado, só porque um homem quer. Claro que, no Islam, a mulher deve obediência ao marido (assim como ele deve amor a ela), por isso ela diz por onde anda, assim como o seu marido também não sai de casa antes de dizer para sua esposa o que vai fazer. Mas isso não é o que todo casal normal que se ama faz?

Mas tem gente que usa de desculpas religiosas simplesmente para perseguir suas próprias mulheres, trancá-las em casa. E não estou dizendo que isso só acontece entre os muçulmanos, porém já vi muitos homens muçulmanos usarem do Alcorão para tirar a liberdade de suas esposas, o que é uma pena, pois estas atitudes erradas mancham nossa reputação.

Na minha opinião, as mulheres do Egito são em parte mais bem cuidadas que as brasileiras, pois os costumes e a moral impede que se machuquem em relacionamentos fúteis, que exista gravidez na adolescência, que se entreguem para a pessoa errada. Ao mesmo tempo, acho que a sociedade poderia ser mais branda com aquelas mulheres que não enxergam no casamento a sua única motivação de vida.

Quando eu morei no Egito, lembro que recebi uma proposta para trabalhar em Port Said, porque nenhuma egípcia aceitava a vaga. Não fui porque estava casada só há alguns meses e eu queria é ficar com o habibi – inclusive outra brasileira aceitou a vaga -, mas  para egípcias seria quase impossível esta missão. Era um bom salário, a escola estava cheia de meninas solteiras, recém formadas na faculdade, para as quais  uma proposta dessa seria bem interessante para suas carreiras. E porque não aceitaram a proposta? Pois para suas famílias isso seria praticamente como a prostituição, imagina sua filha trabalhar fora? Sem os olhares da família as controlando, que garantia um futuro noivo teria de sua castidade?

Eu tenho parentes na Arábia Saudita, por isso também sei como é o dia a dia comum daquele país, que deveria ser a nossa referência na religião. Mas a realidade para as mulheres que vivem lá é bem dura. Claro que muitas encontram ocupações, como cuidar da casa e do marido, mas vivem apenas em uma gaiola bonita. Não podem sair sozinhas, não se pode dirigir. Os homens explicam os motivos: “se você for molestada, será presa junto, então porque vai sair sozinha e sem segurança?” Ou seja, a culpa, invariavelmente, recai sobre a mulher, que por medo não tem outra opção a não ser se dizer “muito feliz com a vida no lar”.

Além disso, a maior parte das muçulmanas árabes acredita que a mulher tem de engravidar assim que coloca uma aliança de casamento. No Egito, nas milhares de vezes que me perguntaram se eu já estava grávida, se chocavam com minha resposta curta e seca: “eu tomo pílula”. Para elas fazer isso quando se é recém-casada tem o mesmo efeito que rasgar o sutiã em praça pública. Me chamaram de pecadora até. E eu ri e continuo sem filhos até hoje, quatro  anos depois, para desespero dos familiares.

Para mim, uma gravidez tão precoce, quando você ainda não conhece realmente seu marido, já que os muçulmanos não namoram, impede que o casal realmente se conheça, entenda as diferenças e passe a se respeitar mais. A mulher que engravida tão rápido, em pouco tempo tem nas suas mãos uma responsabilidade imensa, pouco compartilhada pelos homens, já que as egípcias nessas horas se juntam e é a vó, tias, amigas que se ficam em volta do bebê, tanto que o pai mal tem espaço para olhar a criança. Para mim, essa rotina parece sufocante.

Dizem que isso é porque a família é muito importante para os muçulmanos, mas na verdade é porque as mulheres mais velhas acabam não tendo mais nada o que fazer, a não ser continuar nesse ciclo de vida imposto a elas, de casa, filhos e marido.

E me atrevo a falar de um assunto que nunca comento. O que acontece com as meninas circuncidadas? Eu nunca conheci nenhuma que passou por isso, mas se existe lei no Egito contra o ato, é porque praticam, certo? Por que as comunidades islâmicas não fazem campanhas abertas contra esta prática? Temos às vezes que botar o dedo na ferida e deixar o machismo de lado para nos fortalecermos ante as críticas corretas que o mundo ocidental também faz. Nem sempre temos a razão e temos que rechaçar energicamente os que fazem uma leitura errada da religião.

Eu, como muçulmana, não me prendo a certas regras sociais. Tenho minha vida, meu direito de ser mulher livre e pensante, sem deixar os cuidados com minha casa e meu marido, porém sem esquecer de quem eu sou. E se preciso viajar sozinha? Eu vou, pois o mundo hoje é outro, tenho minhas prioridades e um marido que me enxerga como ser humano, não só como “esposa”. Claro que nas mesquitas você jamais vai aprender isso, porque tudo que liberta um pouco a mulher é visto como “inovação”,  e muitas mulheres acabam por temer julgamentos e se tornam prisioneiras de uma vida sem muita escolha.

Para este tipo de corte de liberdade, existem milhares de hadiths que muitos sabem de cor e salteado. Mas acredito que os ensinamentos islâmicos deveriam ir muito além do que você tem de fazer como esposa, mas também ensinar as muçulmanas sobre trabalho, sobre ter sua vida própria e sua mente sã. Nada disso exclui a fé ou o respeito às leis de Deus, mas não se fala nisso em aulas para mulheres, por quê?

Se existem egípcias ou muçulmanas livres? Claro que existem, como eu sou, mas pode apostar que somos colocadas sempre no rol das “pecadoras” ou “desviadas”.

Espero que dos dois lados, num futuro próximo, exista mais tolerância. Seja dos ocidentais que não conhecem o Islã e às vezes julgam sem conhecer a realidade das pessoas, como dos muçulmanos com as mulheres  que têm uma vida mais independente e que não deveriam ser traçadas como fora do padrão. Afinal, nossa religião dá esse direito a gente, mas na hora da prática, pouca gente quer aceitar isso.

Eu não costumo fazer posts incisivos que possam prejudicar a imagem dos muçulmanos, mas sinto que no meio de tanta falação sobre o islam e nós mulherem muçulmanas, precisava colocar alguns pingos nos ‘is’. Não é só porque tenho uma religião que defendo cegamente a atitude de todos, é preciso muito mais esclarecimento para a mulher muçulmana do papel que ela pode exercer. E esse é um debate que não se encerra por aqui. E eu prefiro ouvir críticas do que simplesmente tapar o sol com a peneira.

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Publicado em abril 4, 2011, em No Brasil e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 38 Comentários.

  1. Como tudo que vc escreve,sensacional,sempre que me *desvio*de minha conduta esposa certinho para meu marido,penso em perguntar minhas duvidas a voce sabia,voce eh a muculmana mais sensata que conheco,fico sempre feliz aqui.(vou indicar esse post em meu blog,posso?)

  2. Julianna Louise

    Marina,
    Vc pensa exatamente como eu.
    Infelizmente é essa a realidade de muitas mulheres mu§ulmanas.
    Eu fui casada com um iraquiano por muito tempo e vi exatamente a mesma coisa q vc descreveu no seu post sobre as egípcias e sauditas.
    Gosto muito mesmo do seu blog.
    Bjos
    JUJU

  3. Meu primeiro contato com o Isla foi recentemente na Turquia e no Egito; confesso que estar numa cultura tão diferente da minha me chocou, mas desde então, curiosa como sou, tenho aprendido muito sobre o assunto.
    Amei seu post.

  4. Assalamu Waleykum Marina

    Sabe que sinceramente eu concordo com vc em gênero, número e grau =)
    Sou muçulmana, mas enxergo as coisas de um outro ponto de vista, menos radical, menos recluso e mais aberto as oportunidades que a vida oferece. Eu acredito que Allah nao vai me condenar se nao uso o hijab no trabalho, se pinto as unhas de vez em qdo, se uso maquiagem e me sinto bonita e feliz pq Ele olha para meu coraçao, para o que trago dentro de mim e segundo minhas atitudes e sentimentos é que serei julgada. Mas as pessoas sao cruéis e gostam de julgar e fofocar sobre a vida alheia, mas acabam esquecendo de cuidar das próprias vidas.

    Amo teu blog pois eres sensata, sincera e nem por isso deixas de ser menos muçulmana e menos amada e cuidada por Allah.

    bjiimm
    Allah Hafiz

  5. Assino embaixo e apóio. Concordo em Gênero, número e grau.

    Assim como eu acho péssimo chamar de pedaço de carne quem usa roupa curta, tão pior quanto é acusar de frígida e mal-amada, aquela que opta por usar véu e roupas que a cobrem por inteiro.

    Uma apontar o defeito da religião ou estilo de vida da outra, acho muita estupidez. É uma forma de tirar o foco dos defeitos, às vezes, isso é um tiro no pé.

    Não vejo mal em procurar conhecer a religião e a cultura do outro: amplia horizontes, reduz a intolerância…

    Já esse “pograma” da “(Des)Gracinha”, show de horrores total! Achei que o “apelido de cachorro” ia salvar o debate, pois em alguns míseros momentos, ele procurou compreender a Zeba… Mas aí entrou na vibe toupeira e deu nisso, nesse desprazer. Principalmente, quando a “Miguxinha”

    A escolhida para mostrar o choque cultural, sem comentários. Ela falando asneiras com aquele sotaque forçado, me deu vontade de entrar na TV e encher a cara dela de bolacha! Odeio violência, mas admito que gente da espécie dela, provoca em mim, sentidos assassinos, que me inspira a dizer coisas que fariam a Dercy ficar vermelha!
    Aquela garota representa muito mal os cariocas. Garanto que muitos deles ficaram envergonhados!

    Se sabiam que a menina não come porco e não bebe álcool, por que levar na merda de um bar? E se ofender porque queria beber com as amigas? Ela não era anfitriã, custava ceder um pouco mais? Que anfitriã é essa que não se importa com a visita?

    E fora que mostraram um Brasil bem clichê.

    As paquistanesas foram queimadas na Edição final, mas a real é outra… Se mostrasse mesmo, ia desafavorecer a brasileira e ainda seria um tiro no pé da imagem do Brasil!

    Ainda bem que a Gori mostrou coisas legais que elas ADORARAM, até a roda de samba, elas curtiram!

  6. Eu sei que voce nao esta generaliazando,ate porque porque nao vejo com mesmo olhos que voce tudo que descreveu. Morei no Egito e nao vejo essas coisas que voce percebeu, de a mulher nao querer trabalhar, etc.. Minha cunhada acabou de terminar doutorado em Uk, e prestes a conseguir o emprego, e ela tambem sempre trabalhou e estudou, e nao e so ela nao..muitas as vezes que nao trabalha e simplismente porque nao precisa, mas nao porque a sociedade tem preconceito ou os pais nao aceitam, Mas claro que existem casos sim que muitas nao trabalham porque acham que possa prejudica-la. E tambem nao acho nada de mais uma mulher- mae falar sobre filhos , porque e o que elas tem para falar , o que gostam de falar, acho que so sendo mae mesmo para saber. Mas Concordo quando voce diz que a mulher deve sim ler, estudar , mesmo sendo do lar.
    La elas tem essa visao , mas no BRASIL como e? A grande maioria acha errado mulher nao trabalhar e so querer saber de cuidar da casa e do filho, que hoje as coisas mudaram etc.. cada cultura pensa de uma forma, mas nao acho que isso tenha haver com a Islam, ate porque nos permite estudar e trabalhar, mas logico que a prioridade e cuidar da familia e do lar, para isso Deus deu ao homem a responsabilidade de sustar a familia. Aqui na Arabia saudita as coisas sao dificies mesmo, nao pode isso ou aquilo, mas todos nos sabemos que eles nao seguem o islam como deveria.Senao aqui as mulheres poderiam dirigir e votar. Mas eu procuro sempre sair com meu marido porque sou medrosa mesmo e nao gosto de sair sozinha..

    • Salam Juliana, infelizmente esta história da mulher não precisar trabalhar no Egito, só se ela for de classe muito alta, o que é a grande minoria. O país sofre uma crise econômica tremenda, e muitas precisam trabalhar para judar no sustento de casa, mas alguns maridos preferem que a família só coma aesh e queijo turco, sem carne, ao invés de se expor desta forma, pois os homens egípcios são orgulhosos neste ponto.
      Eu adoro falar de crianças e bebês, até porque tenho fascínio sobre este assunto, mas quando falo com as egípcias, a conversa só gira em torno disso ou quando eu pretendo engravidar, acho que é duvidar um pouco da capacidade das mulheres de serem felizes com outras coisas também e terem direitos de escolha. No Brasil existe hoje essa mentalidade da mulher fazer tudo mesmo, to pensando em fazer um post sobre isso, e acho que nenhum lado é o correto, pois eu não acredito na tal da palavra liberdade, as sociedades sempre tentam impor um modelo que acham ideal, no caso eu comentei do que os árabes no geral acham ideal, o que não pode ser para todas as mulheres.
      Minha cunhada que mora na Arábia não sai sozinha, e ela me disse várias vezes que é proibido, e eu sei que não é, mas é isso que enfiam na cabeça delas para não terem vontade de sair de casa…

      beijos!

    • Não assisti ao programa da Hebe, só vi um pedaço no blog da Halima e achei um absurdo! Onde se pode ver o programa todo? A moça foi fazer o quê no Paquistão e que trouxe as duas paquistanesas. Foi tudo produção do progama??? Desculpem-me a ignorancia do ocorrido, mas detesto o programa da Hebe e não assisto há séculos (literalmente..rsrs)

      O sheik já foi ao programa para retratação???

  7. Você mostrou bem a dicotomia que vivemos. Como a gente se duela para ser isto ou aquilo.Assumir suas escolhas e aceitar a escolha alheia. Em qualquer lugar isto é igual. Você sabe que sou bem católica e que com o trabalho da Pastoral Familiar temos estudado bastante. Também sofremos preconceito por lutar pela vida, em qualquer circunstância. As pessoas mais intelectualizadas até nos xingam e dizem que somos retrogados.
    Mas tudo isto a gente analisa de uma só forma. A lei sempre foi muito importante para qualquer religião, mas precisamos lembrar que é o amor que sempre conta.É a capacidade de olhar para os outros com amor e compaixão. Com respeito e dignidade que todos merecem. Só uma coisa me entristece: Achar que temos que ser livres, mas não resoeitamos a liberdade dos outros de assumir uma postura firme de fé.
    Só mais uma observação: Estou querendo voltar a ser dona de casa!!! Era muito bom quando esperava vocês da escola com um almoço simples e a parede cheia de gravuras dos horrores da fome na Africa. Isto tudo para agradecermos as oportunidades que temos.
    E por fim, tenho muito orgulho de ser sua mãe. Você é uma mulher de fibra, com coragem de ser você mesma e seguir valores humanos com toda grandeza.

  8. Primeira vez que comento…estou encantada com o seu post. ele foi bastante esclarecedor para mim, gostaria de conversar mais com vc. se vc tiver um contato de msn ou skype e puder – e quiser – me passar, agradeço.

    mas a questão do post é que, eu comecei a estudar o Islam a pouco tempo, mas já me convenci de que vou sim me converter. Porém, nunca encontrava uma referência de pensamento, pois não poderia me comportar como uma muçulmana em um país islâmico, afinal não moro em um, e por outro lado, o acompanhamento que faço de blogs e afins, as vezes acho a postura das muçulmanas brasileiras convertidas muito “radical” em vários aspectos, não sei explicar muito bem. São pensamentos que se misturam para mim. Por exemplo: eu sou casada e tenho um filho de 3 anos. meu marido não pretende se converter, e minha dúvida é: ué, mas será que para EU seguir as leis de Deus, eu vou ter que depender da conversão DELE? ou me divorciar? ou afastar o meu filho do pai? não consigo enxergar uma congruência, já que no Islam a família é importantíssima, e mesmo não vivendo um casamento ideal, eu prezo a família que eu construí. mesmo não convertida ainda, eu já tenho evitado mostrar o corpo, as vezes eu saio de véu, parei de comer porco, não bebo mais. enfim. será que as minhas atitudes perante Allah não terão valor, só pq meu marido não é muçulmano, mesmo eu fazendo tudo que uma muçulmana casada com muçulmano faz? uma moça muçulmana do sul com quem converso, me disse que na mesquita dela há o caso de uma moça casada com não muçulmano. o sheik disse a ela que ela vive em pecado. mas se ela se submete a Allah do jeito certo, terá menos valor? tenho tantas dúvidas e diante do seu post de hoje, penso que você poderia me esclarecer muitas coisas…

    desculpe o longo coment, mas é que estou louca para me converter de fato (meu coração já é muçulmano), mas ainda tenho muitas dúvidas sobre estas questões…

    maa salam!

    • Como sou mãe da Marina, vou me intrometer Mayara. As vezes a gente sente muita necessidade de uma busca, de algo a mais na nossa vida, e esta coisa, este anseio está sempre muito perto e dentro da gente. Deus é um só e em sua infinita bondade nos fez a sua Imagem e Semelhança e nos deu um lindo projeto de amor para frutificar e ser luz no mundo. Este projeto é a família. Cuide de sua família o melhor que puder. Respeito demais o Islam e acredito que o valor da família é também sagrado. Deus nos colocou no mundo para ser sal, dar sabor, conservar. Hoje no mundo temos algumas religiões que são diferentes no seu jeito de externar como o Cristianismo, o Islamismo ou judaismo que é a mais antiga, mas todas tem um mesmo Deus que nos ama e nos quer felizes. E você será feliz fazendo sua família feliz. Hoje a sua Missão é cuidar de um lindo filhinho de 3 anos e de um pai que escolheu para ser o pai de seu filho. Pense nisto e não carregue mais peso além de sua conta. Ore para Deus te iluminar.

    • Salam Mayara,

      como minha mãe falou, eu acho que sua prioridade agora é cuidar do seu filho, e no Islam existem alguns fatores que te impediriam ser casada com alguém de outra religião, mas é uma discussão mais complexa e não cabe aqui. Eu sou aberta, mas não posso dizer que o que é incorreto na religião você faz e depois paga a conta, não funciona assim… eu por exemplo defendo o uso do hijab, da oração, de todos os valores que são obrigatórios, jamais vou dizer que isso é relativo, pois são coisas muito claras na religião.
      Então acho que você pode respeitar os valores do Islam e passar isso para seus filhos em problema, com certeza ele vai aprender muita coisa boa e quem sabe um dia ele não se torna um muçulmano? Mas você já sendo casada, não tem muito como, eu te aconselharia você a conversar com um sheik para explicar melhor os porquês, mas eu acho que tem como você conviver com as coisas que admira e refletir melhor no que é bom para sua família hoje, afinal você já a construiu e Deus sabe do seu amor pela religião com certeza.
      beijos salam

  9. Muito bom seu post! Amei. :)
    Beijos

  10. OLA.
    Você poderia me responder uma coisa.
    Tudo isso que você citou acima,que acontece com muitas muçulmanas é culpa do islam?

    Digo as sauditas não poderem dirigir,as mulheres terem que ficar em casa,e tudo,é o islam o culpado ou os homens usam isso como desculpa?
    Por favor gostaria muito que você me respondesse.

    Beijos e adoro seu blog!

    • oi Marta, td bem?

      O que eu quis dizer no post é que tem muito machismo mascarado de religiosidade no mundo islâmico, q muitas coisas são mais culturais do que ensinamentos religiosos. A mulher não pode ser proibida de dirigir, por exemplo, nem são obrigadas a ficarem em casa… mas mta gente manipula um ensinamento religioso para poder prender suas mulheres. Só que o Islam não prega isso, ele prega o respeito e amor às mulheres, dando a elas liberdades que nenhuma outra religião tinha dado, como direito ao voto, herança, de ser protegida, e mto mais…
      beijos

      • Oi obrigada por responder.
        Eu meio que achava isso.Isso é um problema,pessoa usando o nome do Islam,uma religião tão bonita pra fazer isso,”esconder” as mulheres.
        Agora entendo que o culpado disso não é o Islam, e sim pessoa,homens,que usam o Islam pra fazer isso.

      • Eu até acrescentaria, Marta e Marina, se me permitem,que estas são regras impostas pelos homens, se utilizando do Corão, porém não estão escritas nele. Como o assunto aqui é os machões usarem da religião para terem a vida das mulheres mulçumanas sob suas rédeas também, a gente pode ver isto em outras religiões também. Há regras que nós católicos impomos sob argumentos religiosos que não constam na Bíblia. Tuda interpretação fica sob ótica masculina. Ademais, Marina, você está de parabéns pelo texto, que também serve para as muitas brasileiras que postam para você aqui, a respeito de seus relacionamentos virtuais e suas dúvidas em relação a eles.

        Só faço uma observação aqui com relação às conversas destas mulçumanas que só falam de casa, filhos e maridos e depois de suas atitudes quando se tornam avós. Por elas terem a vida restringida, suas visões de mundo se tornam limitadas, daí a conversa acaba só gerando em torno da vida que levam. Eu mesmo me canso ao ouvi-las. Eu sempre disse ao pai da minha filha, que eu não sou pessoa de horizontes restritos e que ele não me tornaria uma pessoa assim. Cresci e fui educada para ampliar meus horizontes, meus conhecimentos e aprender a ser independente, entre outras coisas, através do trabalho. E nossa filha recebe esta educação, quer ele queira ou não. Afinal, não ajuda em nada, portanto, não tem direito a dar palpite, mesmo reconhecendo que sou boa mãe. Bom, acho que é isto.

        Uma boa semana a todas!

  11. Oi Marina…eu tenho começado a ler alguns de seus posts recentemente..e tem me esclarecido muitas duvidas, eu adorei os assuntos abordados. Eu conheci um egípcio, e estamos em um relacionamento serio..ainda tenho muitas dúvidas sobre o islã e sobre os costumes no Egito. Comecei a ler o Alcorão para saber mais. Estou gostando da cultura, acho tudo muito bonito..Mas tenho dúvidas sobre emprego e outras coisas…Eu gostaria de conversar com você, mas não aqui..:D
    você pode me adc no seu email ou eu te adicionar, para conversarmos melhor…se puder é claro
    Obrigada

  12. Paulo Roberto C. Araújo

    Uma boa parte dos valores do islamismo são valores universais. O problema é esta nossa tendência de sempre ir para os extremos…, vc dá um exemplo de equilíbrio no que escreve. Parabéns! Que Deus siga te iluminando.

  13. Marina,

    acho q tô vivendo em outro mundo…

    Aqui, no Kuwait, não é assim e tem até campanhas para estimular as muculmanas a usarem hijab…

    Aqui, mesmo usando as abayas, hijabs e niqabs, elas são super-livres, independentes, estudam, trabalham (mesmo sem precisar) e têm uma vida totalmente “normal”.

    Em nenhum momento, identifiquei sua fala para o q eu vivo e vejo por aqui.

    E sobre a “circuncisão” feminina, ela só é praticada em países africanos, no Oriente Médio, é zero ou perto de zero isso.

    bjsssss

  14. Vanessa Cristiane

    Ola!!!
    Li praticamente todos os post’s..
    E me interessei por algumas coisas.
    Teria a possibilidade de voce me falar mais sobre sua Cultura?? Eu acho uma cultura mto rica..tenho buscado algumas coisas na net..
    Mas vc me trouxe um lado diferente que gostaria de conhecer mais se possivel.
    Muito Obrigado.

  15. Vanessa Cristiane

    Se voce achar mais interessante pode escrever pro meu email mesmo.

  16. MOHAMMED HAZIZ

    Assalamu waleikum irmãos!!!

    Resposta dada!!!!

    visitem meu canal…amo vcs todos sem excessão!!!

    Allah Akbar!!!

    Mohammed Haziz

  17. É. Voce que conhece de perto deve saber muito bem duque falas. Eu sei que seu raciocinio é ,realmente, certo. Liberdade sem ofensa é o ensencial ao ser humano.

    E estias neste foco. Parabens e paz. Assiste na hebe esse programae gostei muito. Até que foi um programa cultural. Acho que o melhor. nao sei se é porque sou fanatico do islam, sei que foi bom.

    Amar de verdade é ser partes iguais e/ou a gosto das partes. Seja o que for. Tudo vale dentro dos respeitos do proximo. obrigado e muita paz ao muno

  18. Amei sua publicação …
    Sou ocidental, sem família muçulmana, vivo em uma das cidades em que as mulheres são teoricamente livres (Rio de Janeiro) … mas também vivem em uma gaiola … também uma “gaiola bonita” só que esta gaiola não é física … é emocional … são tratadas como objetos de degustação …. desculpe a expressão … mas vence quem tem a melhor bunda … e é só isso …. os homens não tem princípios admiráveis como os muçulmanos … acho que fala-se muito das mulheres, porém homens muçulmanos também vivem uma pressão violenta …. eles precisam ter uma boa ocupação, ganhar dinheiro para manter suas casas, e cuidar bem de sua família … pra alguns isso é doloroso … imagina quem não tem facilidade nas áreas exatas e precisa segui-la por que sua família tem negócios nessa área …? Muitos homens imagino que também quisessem seguir a música … mas são pressionados a estabelecer uma família …
    Mulheres e homens sempre tiveram direito a voz … e terão, mesmo nas sociedades mais severas … a mulher é inteligente para saber que pode mudar as coisas dentro de sua casa desde que tenha “jogo de cintura” para isso. Uma mulher que ama sua família … quer cuidar bem dela, quer que seus filhos sejam bem encaminhados … não quer atacá-la ou viver em constante briga. E o que sobra para a as brasileiras nesse instante? São iludidas e magoadas, algumas perdem o gosto pela vida …. quando engravidam serão mães solteiras e seus filhos sofrerão com isso … trabalham de 7h da manhã as 21h da noite … seus filhos ficam com empregadas que não compartilham de seus princípios e educação … envelhecem cansadas, amarguradas, mal amadas e sozinhas … tiveram liberdade política para lutar pelos seus direitos … mas não o fizeram porque se fizessem poderiam ser demitidas e o sustento de seus filhos é mais importante do que a militância política.
    Acredito que o mundo islâmico está certo … e sempre esteve … mulheres e homens precisam de obrigações … a mulher tem que cuidar de seus filhos, encaminhá-los para que sejam pessoas boas, com princípios, o seu lar tem que ser bonito, bem arrumado e harmônico … os maridos também precisam de seu apoio e atenção … Os homens precisam ir para rua e conseguir o sustento de sua casa, o sustento de seus filhos, não podem esquecer o romantismo …. e de vez em quando presentear sua esposa com jóias e jantares não faz mal a ninguém …. o homem deve respeito a mulher … a mulher deve amor ao homem … ambos são obedientes … cada qual é obediente a sua própria obrigação … porque assim a sociedade caminha em harmonia
    O islã não é criticado por questões religiosas ou sociais … isso foi um pano de fundo que os EUA colocou para que houvesse ofensas ao mundo islâmico … pois eles são pessoas que defendem o seu país com unhas e dentes … e americano nenhum entrará a menos que mate toda a população … e o petróleo … o tão sonhado petróleo …. continuará na mão daqueles que são donos dele … não nas mãos dos americanos …

  19. Salam Marina !

    Tudo bem ? Parabéns !! Esse é meu primeiro comentário…na verdade, eu descobri o teu blog por um acaso, fico feliz em conhecer uma mulher com mente aberta e falar de maneira sincera sobre o “mundo árabe”, infelizmente, aqui no ocidente as pessoas de uma maneira geral ainda tem aquela mentalidade de séculos atrás: “ tudo que for mulçumano é coisa ruim”.
    Eu não sou mulçumano, mas tenho amigas no Egito, em particular, uma jovem solteira, dedicada e estudiosa. Eu admiro muito a força de vontade dela para vencer e superar desafios, ela deseja vir ao Brasil para trabalhar e possivelmente casar com alguém daqui. Conversamos pouco sobre relacionamento, mas percebo diferenças culturais bem nítidas, então comecei a investigar na internet sobre as mulheres egípcias e descobri o teu blog, fiquei surpreso com a sua sinceridade e espero que você possa me orientar sobre as egípcias, no caso, em se tratando de relacionamento, como devo proceder para não ser compreendido de forma equivocada, em suma, fale-me, por gentileza, o que eu posso esperar de uma egípcia e ela de mim ??
    Agradeço a generosa acolhida…
    Shukran jazeelan !!
    Luís Jr.

  20. Oi querida! Você é muçulmana tb? Entendi direito: casou com um homem do Egito? Gostaria de conversar contigo, se for possível e não encomodar. Me add no msn: gracielamanica@hotmail.com, pois me surgiu uma situação e acho que conversar contigo poderia me ajudar…
    Abraço.
    Graciela.

  21. Mulheres devem ser tratadas com severidade,nao podem ter mesmos direitos que os homens e pronto.Senao,Deus faria so homens,se fez mulheres e pq sao diferentes e tb inferiores,destinadas a casa e sexo aos homesns,sempre foi assim e deu certo na historia,Pq mudar?

  22. *** GOSTEI MUITO DO COMENTÁRIO E AJUDOU A CLAREAR MINHAS IDÉIAS SOBRE OS MULSUMANOS E CASAMENTOS, PARABÉNS !!! UMA MULHER DE FIBRA E CORAGEM. DEUS A ABENÇÕE !!! ***

  23. vim aki fazer uma pesquisa sobre a reiaçao das mulheres no mundo islamico e percebi a desigualdade entre homens e mulheres impressionanteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

  24. Nalva Cavalcante

    Hoje é a primeira vez que vejo o seu blog e confesso que estou maravilhada com as informações que tras e com a forma que trata do assunto. Parabéns!

  25. Estou mantendo um relacionamento via skype há dois meses com um marroquino muito praticante do Islã, e quer que eu me converta ao Islã se dermos certo para casamento, esta com intenção de vir ao Brazil para nos conhecermos pessoalmente em fevereiro/2014, agora lendo toda matéria, fico com medo e preocupada com golpes, a pesar de não ter me pedido nada, apenas a carta residência, tudo que tenho é copia do passaporte dele, endereço, e telefones, como saber se´é golpe ou não??,

  1. Pingback: A mulher no mundo islâmico hoje | Simulado Interdisciplinar

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