Em Delfinópolis, nos Olhos D’água, onde o carro entala e o barro é infinito
janeiro 17, 2010
Lá no interiorrrrr (isso, puxa o r bem forte mesmo) de Minas Gerais, mora minha avó fofa e meu avô com cara de egípcio. Apesar de ser longe e a vida corrida, tentamos sempre dar um pulinho lá umas duas vezes por ano, para curtir a companhia deles, a calmaria da vida de uma cidade com 10 mil habitantes e abrir a janela só pra ver aquele verde inundando a paisagem.
Este ano, além dos meus pais e irmãos, o noivo da minha irmã também foi. Ele, como eu e meu irmão, não gosta de coisa muito parada, e está sempre buscando alguma aventura pra fazer. Desde que chegamos, começamos a combinar um passeio a outra cidade da região, famosa pelas cachoeiras. Minha irmã logo avisou que não ia, não queria entrar no barro, queria resolver as coisas do casamento dela e não sei mais o quê. Mostafa, sossegado como é, também não gostou muito da idéia, fez um pouco de cara feia, falou que não ia ser legal, mas como ele tem uma esposa persuasiva (leia-se: muito pentelha e insistente) acabou cedento.
Então, no sábado, dia 26 de dezembro, acordamos prontos para a aventura e apesar de ter chovido muitoooooo nos dias anteriores, estávamos crentes que o dia seria claro e sem água na nossa cabeça.
É, não choveu. Mas aconteceu um monte de coisa pior. Senta que lá vem história…
De onde estávamos até Delfinópolis (MG), são cerca de 60 km. Esta cidade fica ao pé da serra da Canastra, depois da represa de Furnas. Por isso tem muita cachoeira por lá. Pra chegar, o visual é fantástico, fora que não tem radar nem pedágio na estrada, e o governo mineiro foi gentil comigo e tinha asfaltado “tudin” (= tudinho, no sotaque da região). Para chegar lá, ainda tem a parte divertida, que é pegar a balsa, porque dinheiro pra fazer ponte eles ainda não arrumaram.
Até aí, tudo tranquilo, bonito. O céu com nuvens, mas azul. Após atravessar a represa, chegamos em Delfinópolis. Atrás dela a serra e as cachoeiras nos esperavam.
O problema começou quando pegamos a estrada de terra que, teoricamente, em apenas 6 km nos levaria até o parque das cachoeiras. Andamos uns 10 minutos no barro, que estava mole e escorregadio, e nem sinal de placas ou sinalização para o tal “Olhos d’água”, onde estavam as quedas.
Nada de placa, mas como estava bem devagar por causa do barro, deu para ver bem aquela menina de vestido florido acenando para pedir carona. Eu logo fiz sinal com a mão dizendo que não dava, pois estávamos em quatro no carro e a poucos metros já deveríamos chegar a tal cachoeira. Mas eles – meu irmão, meu cunhado e Mostafa – se compadeceram por ela estar ali sozinha no meio do nada, e começaram a falar.
- Aii tadinha dela Marina, dá carona, ela tá sozinha no meio do nada….
Tá bom, fiquei com dó também e parei. A menina veio correndo e entrou no carro sem mal olhar pra mim. Fui seguindo em frente e depois de uns cinco minutos de silêncio perguntei pra onde exatamente ela queria ir, e ela respondeu “Pro Olhos d’água”.
- Tá bom, isso é perto do Claro, onde tem as cachoeiras? – indaguei.
- Ihh o Claro já passou faz tempo, ficou pra trás.
- Ah, mas a gente vai pra lá então, porque vamos na cachoeiras mesmo. – falei já sem graça pq ela ia ter q sair do carro. Mas ela nem se comoveu, ficou lá sentadinha sem olhar para mim, como se nada estivesse acontecendo. Como notei que ela era folgadinha e não ia se tocar, parei o carro e falei que a gente ia mesmo pro Claro.
- Ah, mas já está muito longe, vcs vão ter que voltar tudo, agora tá perto de Olhos d’água, e lá tem um “tantão” de cachoeira bonita. – falou.
Olhei para os meninos, agora calados e sem coragem de mandar ela sair… Então ficamos todos meio sem graça, porque vi que ela já tava decidida a ficar no carro mesmo e segui em frente… mas a estrada foi ficando cada vez pior. Meu carro patinava, algumas vezes eu nao tinha controle mesmo da direção, de tanto barro acumulado. Estava todo mundo tenso, pois estava perigoso mesmo e a tal da cidade não chegava nunca. Perguntei quantos quilômetros é de Delfinópolis pra Olhos d’água, e ela me responde na maior cara de pau:
- São 22 km!
Putz, lógico que na hora fiquei brava, afinal já estávamos 20 minutos com ela dentro do carro, numa estrada horrível e correndo risco de bater a qualquer momento ou pior, atolar o carro!!! Ou seja, ela mentiu desde o começo, pois provavelmente estávamos perto do Claro qdo a pegamos, ou até passamos por ele e ela se fez de perdida…. Mas já que estávamos ali na aventura, vamos aproveitar….
Finalmente chegamos na tal cidade dela, ela só mandou eu parar num posto e desceu correndo, sem olhar e só falou “brigado” baixinho, sem nenhum tipo de comoção. Claro, ficou com medo da gente brigar com ela!! ehehh
A cidade era toda de terra batida, com duas ruas apenas, e paramos no bar para perguntar onde tinha cachoeira por ali. É só seguir a rua de baixo… E seguimos, 15 km depois de muito barro, finalmente chegamos a tal fazenda com cachoeiras….
A mulher avisa que, depois de tudo isso, temos que pagar 10 reais por cabeça pra entrar e que ainda tem mais 2,5 km de terra até o bendito local. Vou resumir o resto da empreitada. A estrada final era de pedra pura, meu carro finalmente se revoltou com toda maldade que estava fazendo contra ele e atolouuuuuu feio…. Pra tirar ele do buraco, os homens da casa foram empurrar, nisso o noivo da minha irmã escorregou e deu sem querer uma cotovelada no Mostafa, cortanto o supercilho e ainda quebrando os óculos dele. Aí pra melhorar, o carro sai fazendo barulho de aço retorcido e sendo quebrado… (desesperooooo, Mostafa com uma cara muitooo brava de “eu te falei que não queria vir”, celular sem sinal e nuvens pretas de chuva se aproximando)
Parei o carro de qualquer jeito, eles foram subir pra tirar o pneu que fazia barulho e estava lotado de pedras dentro. Mas antes que algo pudesse ser feito, o carro começa a cair, pois o chão estava cedendo e o macaco afundando no barro de novo, ou seja, aventura completa! Eu grito pra todo mundo segurar o carro, o que conseguimos fazer não sei como enquanto meu irmão enfiou o pneu correndo, descemos e parafusamos o pneu, sem saber o que fazer.
- Quer saber, que se dane, vamos pra cachoeiraaaaaaaaaaaaa!!!!!
E foi o que fizemos:
Não sei como, as nuvens pretas só rodearam e quando liguei o carro na volta ele não fazia mais barulho, e conseguimos chegar até um posto de gasolina, onde os meninos terminaram a façanha de doideras do dia, oferecendo para lavar o carro. O pequeno detalhe foi que eles usaram escovas pra lavar o carro, e não uma coisa suave e apropriada, o que deixou meu carro com aspecto de panela de alumínio lavada com bombril
. Vamos rir pra não chorar, porque já poli o carro e a pintura está quase 100% de novo.
E no final das contas, tem coisa melhor que umas férias trapalhadas como essa?? Se tivesse dado tudo certo, eu nem ia parar esse tempo todo pra contar essa história!!
E para ver que Deus está tão presente na nossa natureza, termino com a última foto daquele dia, o entardecer de um dia de verão.
Entry Filed under: No Brasil. Etiquetas: amizade, Deus, divagações, férias.
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1.
Cristiane | janeiro 18, 2010 at 2:02 am
Puxa me deu saudades dessa regiao, que tambem conheco um pouco, e linda, quase sinto o cheiro de mato com chuva…rs…atolar carro e fogo mesmo, ja passei por uma experiencia dessa, so que na areia, e so estavamos em mulheres…ai que dificil…rs…amei as fotos!
2.
Angel | janeiro 18, 2010 at 8:56 am
“PERAÍ” , Q ESTOU ME ACABANDO RIR.
AINDA ” TÔ ” NA MENINA FOLGADA…KKKKKKKKKK
Ô AVENTURA!! MAS, O MELHOR A FAZER FOI REFRESCAR O JUÍZO NA CACHOEIRA. (DESDE Q Ñ ROLASSE UMA ENCHENTE!!…KKKKKKKK)
DESCULPE, MAS Ñ DÁ P/ DEIXAR DE RIR.
BJSSSSSSSS
3.
fabricadonoegito | janeiro 18, 2010 at 10:16 am
Isto mesmo Marina
Melhor ir se aventurar, e ter historias pra contar, que ficar presa dentro de casa
Adoro tbem fazer essas aventuras, e eh isto que a gente leva da vida.
Aposto que vc ira demorar um tempo pra esquecer deste dia, nao eh mesmo?
Se eu estiver por ai, pode pensar numas aventuras que to dentro, rs………….
bjssssssss
4.
Thaís | janeiro 18, 2010 at 4:07 pm
Férias em minas é sinal de aventuras….. não é pq eu sou mineira n… mas aqui tem inumeras paisagens… e lugares lindos pra conhecer, basta chover um pouco para virar a aventura…
Bjussssssssssssssss
5.
Juliana Zamboni | janeiro 19, 2010 at 6:19 am
Óh Minas Gerais! Óhhh Minas Gerais!!! Quem tem conhece não esquece jamais… Óh Minas Gerais!!!
Conhece o nosso hino??? hehehe Não esquecerão jamais mesmo!!!! rsrsrsrs
Adorei a historinha… Morri de rir aqui!!!
Se tivessem ficado dentro de casa, não teria essa história cômica para contar. Que para mim foi mega válida… hehehehe
Beijinhos
6.
Camila | janeiro 20, 2010 at 7:25 pm
Bemmmmmmmmmmmmmmmmmm
Isso é mesmo um dia na corda bamba, entre os eventos de sorte e os de azar!
Mas viver é mesmo assim…muito bom!!!!!!!!!!!!!!!!!
Beijinhos
7.
Mariana | janeiro 27, 2010 at 8:46 am
Wowww, issoo sim podemoss dizer, q aventuraaa, mais oq temos que pensar e guardar são essas lembranças. Uma mistura de coisas boas e ruins, mais guardadas eternamente em sua memoria. Entaoo viver e aproveitar cada segundo é a melhor coisa. Carpe Diem =D