Blackout e o fim do mundo
novembro 11, 2009
Tínhamos acabado de chegar da locadora com vários filmes para assistir. Confortáveis no sofá, gatinhos no colo e um copo de Coca geladinha na mão. Nem chegamos a terminar de ver os trailers, a luz piscou algumas vezes e Musta correu pra tirar tudo da tomada.
Sorte que mês passado já tinha acabado a luz uma vez e eu tinha um estoque novinho de velas no armário. Acendemos umas quatro. Os gatos burros ficaram insistindo em querer cheirar a chama. Tento tirar, mas não dá, é uma distração e a Nina enfia o nariz no fogo. Só ouço um “shishshshs”, os bigodes dela se enrolam como num passe de mágica, tudo queimado.
Olhando pela janela vejo que o apagão era grande. Já imaginei um blackout mesmo, pois quando é regional geralmente se apagam apenas algumas áreas da cidade. Peguei o celular para ligar para minha mãe que mora do outro lado da cidade. Celular sem sinal. “Ai, será que é tão falado fim do mundo?”. Comecei já a divagar. O que eu teria de fazer se a luz nunca mais voltasse e a gente não tivesse mais telefone? Nossa, eu ia ter de ir a pé vários quilômetros até a Zona Norte para ver minha mãe. Ué, mas falei de falta de luz, não de gasolina… Ah, mas aí como o posto de gasolina ia funcionar? Será que funciona sem luz? Ix, e como vou tirar o dinheiro do banco? Será que banco dá dinheiro se não tem sistema de computador?
Falei pro Mostafa que sem luz no mundo a gente estava ferrado, porque nossas profissões não iam ser de muita valia. Não íamos precisar tanto de inglês porque ninguém ia ficar viajando ou falando pela internet com gente de fora. Eu, como jornalista, ia ter que procurar algum lugar com máquina de escrever para trabalhar. Mas será que iam ter máquinas de escrever suficientes no mundo para essa nova realidade?
Fiquei pensando. E agora, como vou saber se o que está acontecendo é o fim do mundo? Não tem TV, não tenho radinho de pilha e minha internet está fora do ar. Lembrei do MP3 de camelô que eu tenho. Aquilo tinha rádio, lembro. Achei o negócio, roubei uma pilha do controle remoto e coloquei o fone. Algumas rádios no ar falam que falta luz em quatro estados.
Em Brasília tem luz. Ah, no resto do mundo também tem luz. Então tá, acabaram-se então minhas teorias sobre o que fazer num mundo sem luz, tudo isso é incopetência mesmo do nosso governo. O ministro falou na rádio que o apagão pode ter sido ocasionado por “situações meteorológicas”. Ráááá, conta outra tio, um país desse, entre as 10 maiores economias do mundo, fica sem luz por causa de chuva? Só te perdoava se fosse um furacão.
E foi lá em Itaipu. Ih, não é lá que já falaram que o Bin Laden se escondeu? Do jeito que a coisa anda, daqui a pouco já vai ser culpa de muçulmano o apagão também. Terrorismo, protesto contra a presença de Madonna no Brasil, que além de ser meio judia vive de roupas curtas por aí. Jesus, acende a luz!
Enquanto eu divagava, Mostafa fazia um chazinho de maçã. Ele estava bravo que eu fiquei ouvindo a rádio e larguei ele sozinho. “Desliga isso, Marina!!!”. Tá bom, pronto. “Mas e aí, o que a gente faz agora?”, perguntei, perdida. “Ué, vamos conversar!!”, respondeu, como se eu tivesse esquecido de algo óbvio.
E aí esqueci a falta da luz, o fim do mundo, a Madonna e o Talebã. Ficamos batendo papo até altas horas, conversando sobre coisas nada a ver e o tempo passou. Quando nos tocamos, já era super tarde e eu precisava dormir. Afinal, nesse ponto já estava agindo como uma cidadã cética normal, com a certeza de que a luz voltaria antes do amanhecer e eu não ia ter desculpa nenhuma para faltar no trabalho.
Dito e feito. Às duas e pouco da manhã, as luzes se acendem, a TV liga sozinha e Tito solta miados de susto. Levanto, apago tudo e volto para meu confortável travesseiro.
Entry Filed under: No Brasil. Tags: blackout, filosofia de botequim, teoria da conspiração.
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1.
Rafaele | novembro 11, 2009 at 7:55 am
As- Salam Aleikummmm…
Oiii Marina… tudo bem com vc ??? Pesquisando um pouco achei sei site.. e digo.. Parabéns pela coragem e por ter seguido seu coração.. pois quando temos bons sentimentos dentro dele.. é Deus agindo….
Fiquei muito feliz pela sua história ter dado certo…
Vc pode add meu e-mail, gostaria muitoooooooooo de conversar com vc… se vc estiver disponívelll..
Beijos !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
2.
egitoebrasil | novembro 11, 2009 at 8:04 am
Salam Rafaele!! Obrigada pelo elogio e comentario!! Estou mandando esta resposta com copia pro seu e-mail e meu e-mail direto vai aparecer pra vc… qdo quiser eh so escrever! beijos
3.
Ana Filomenq | novembro 11, 2009 at 8:16 am
Sabe que também achei que era o fim do mundo? hahahha
Luiz e eu tínhamos acabado de sair do elevador do predio em que fazemos aula sobre a Pastoral Familiar e mal chegamos no carro as luzes foram se apagando. Pensei: Nossa! O pessoal está com pressa hoje que já apagou tudo, nem esperou a gente sair… MAs andando na rua vimos que a luz tinha mesmo acabado. Dali, da Parada Inglesa onde estávamos,fomos buscar Eugenia na FGV, que fica na Nove de Julio. Andando na Av. Dumont Villares, tudo escuro…e nada de luz..Poucos prédios com geradores funcionavam. Que medo! Quando chegamos na Praça Campo de Bagatelle que a gente tem uma visão do centro da cidade..tudo escuro…Ai comecei a tentar falar com meus filhos e nada do celular funcionar…que agonia!
Perto do Metro Armenia, o maior transito. Pergunto para o motoqueiro parado do meu lado se o celular dele também não funcionava. E ele disse que não, e que desde a Rodovia Trabalhadores estava sem luz.
Quando chegamos para pegar Eugenia ela estava num banco junto com o guarda, porque estava morrendo de medo.
Surpreendentemente o transito estava ótimo para voltar para casa no Alto do Mandaqui e para minha alegria Luiz Augusto estava em casa.
Jantamos à luz de velas.
Ah! Mas jornalista de radio é engraçado né? Na volta com A Eugenia ligamos o radio do celular dela..Radio CBN. Como não sabiam de nada. Ficava um falando para o outro: Mas ai tem luz? Onde está? Na Vila Romana. E fica onde? Zona Oeste? Sim e blablabla.
Enfim, me senti personagem daqueles filmes americanos apocalipticos. Vamos todos assistir 2012. Esta perto heim!!!
4.
Juliana Zamboni | novembro 11, 2009 at 8:26 am
Ei…
Sou sua seguidora mesmo… hahahaha Coloca no Twitter e venho ler rapidinho…. As vezes penso que estou te incomodando.. Mas se posta, acho que a sua intençao é ter um retorno de quem ler…
Bem, lendo seu post matinal, me deparei com várias coisas aqui na minha cabeça. Atualmente estou morando em Baldim, uma peq cidade de apenas 3 mil habitantes que faz parte da região metropolitana de BH. Sempre morei na capital, mas por motivos de trabalho, estou a 4 meses nessa cidade. São apenas 90 km de BH, mas na realidade são mais de 50 anos de diferença. Mas eu gosto. E muito! E uma das coisas que me ocorre aqui, é exatamente a situação de quase blackouts diários. No começo, me apavorava. Como iria ficar sem ver minha(s) novela(s)? hahahaha Mas sobrevivi. Tenho uma filha de 5 anos. Que até 2 meses atras vivia em BH tb. Apesar de termos uma casa com um grnade quintal lá, seu mundo se resumia basicamente na frente da TV. Ela tb se incomodava com a falta de luz quase diária. Mas hoje, nos divertimos até com a situação. É realmente o “nosso momento”. De ficarmos juntas, andando de bicicleta na rua escura, já ate tomamos banho de chuva na rua e no escuro, ou brincamos com joguinhos a luz de velas até que ela adormeça (nao tarde, porque na “roça” se dorme cedo. Depois pego meus livros, habito que readiquiri devido a essas situações e os leio tambem a luz de vela. Romantico!!! hahahaha
Bom, o que quero dizer com isso tudo, que pelo menos aqui em Baldim, blackouts não significam o fim do mundo. Para mim, foi ao contrario, o começo de várias coisas que estavam adormecidas ou que eu nunca tinha vivido…..
Tenha um lindo dia!!!
Beijinhos
5.
egitoebrasil | novembro 11, 2009 at 8:30 am
Oi Juliana, achei muito bonito seu comentario, e acho que vivi a mesma sensacao (desculpa falta de acentos no teclado). Quem me conhece sabe que tenho essas divagacoes loucas sempre e quis dividir isso com vcs, eh um pouco de mim… mas o mais importante da noite foi esse despertar, ficar conversando ate dar sono, coisa q a gente esquece de fazer as vezes!!!
obrigada pela visita e comentario! eu adorooo, claro!
beijos
6.
Lara D | novembro 11, 2009 at 1:55 pm
Fim do mundo foi pesado né Marina?
Ai Deus, obrigado por morar no meu Cearázim nessa hora…
7.
egitoebrasil | novembro 11, 2009 at 2:15 pm
ahaaah Mas esse post todo foi uma piada
8.
Julia | novembro 11, 2009 at 2:33 pm
Bah…. no sul há 10 anos mais ou menos, deu esse tal apagão! Gente o medo do escuro é total! Não se consegue fazer nada sem luz, nem um banho a gente consegue tomar!!!!
Mas é bom de reviver coisas que não fazemos no dia a dia. Coisas que passam batido e a gente nem faz idéia de quanto gostoso é!!!!
bjkas
9.
Angel | novembro 11, 2009 at 3:14 pm
Terror básico que passei??
Faltar energia comigo bem faceira e SO-ZI-NHA, em um elevador da vida.
Meu Deus, que breeeeeeeeeeeeeu imenso!! Abri os braços por reflexos achando que ia cair ou…sei lá!! Talvez tentando me localizar. Em 2 minutos(um eternidade) gritaram perguntando:
-Tem alguém aaaaí??
-Teeeem.
-Quantas pessoas?
-UUUUMA.
-Calma, que já vamos te tirar daí!
E nada da energia voltar, oras!!
-Ok!! -falei, aliás miei baixínho.
Uma voz acima de mim, falou:
-Senhora fala comigo!?Tem calma! Já vamos abrir a porta.
Euzinha:
-Certo, to calma! Mas dá pra ser mais rápido?? Por que senão eu vou começar a GRITAAAAAAAARRRRRRRRRRRR!!! ME TIRA DAAAAAAAAAAAAAAAAAQQQUI!!
Meio minuto (outra eternidade!!) depois apareceu um luz a minha frente e 1,50m acima do solo.
Um homem abriu e prendeu as portas c/ uma barra de ferro, Estendeu as mãos e puxou-me. Gelada, tremendo e pálida, escapei daquele buraco negro.
NÃO DESEJO PRA NINGUÉM UM DESESPERO DAQUELE…
Ah! A energia?? A lindinha, brilhou 10 minutos depois desse espetáculo que protagonizei.
10.
sheila | novembro 11, 2009 at 3:18 pm
Engraçado, eu AMOOOOOOO qdo falta luz. A cidade fica em total escuridão e silêncio, é uma maravilha pra eu fazer minhas meditações diárias!
INFELIZMENTE, não faltou luz aqui em Salvador. Nesta m****** de cidade, bem q poderia faltar luz toda noite. Aqui é muito barulho e muita gandaia, um pouco de silêncio e introspecção faria muito bem
PS: tadinha da Nina!
11.
sheila | novembro 11, 2009 at 3:20 pm
Eu já fiquei presa num elevador sozinha, por tipo 30 minutos, por falta de luz. Sentei e meditei, aproveitei a rara oportunidade de estar completamente só e em silêncio. Não sei pq as pessoas ficam desesperadas por tão pouco,ninguém morre se ficar algumas horinhas preso num elevador…
12.
Angel | novembro 11, 2009 at 5:12 pm
Colega, voce é terráquea?
Resposta afirmativa?
então muito obrigada, por sua compreensão. E parabéns por voce ser tão elevada espiritualmente.
13.
sheila | novembro 20, 2009 at 4:38 pm
Por que o deboche?
Eu hein, vai ler O Segredo e não enche!
14.
Angel | novembro 20, 2009 at 10:33 pm
kkkkk kkkkk kkkkkk
15.
Angel | novembro 20, 2009 at 10:35 pm
GRANDE RECOMENDAÇÃO!!!
KKKK KKKKKKK
16.
Samira | novembro 12, 2009 at 9:17 am
Salam Marina!!! tudo bem com vc? Sua familia??
Adorei teu texto, divertido, bem humorado…….
17.
Marta | novembro 12, 2009 at 10:35 pm
Oi, gostaria de saber se há necessidade de fazer um cadastro para ler os artigos com senha.
18.
egitoebrasil | novembro 13, 2009 at 5:15 am
Oi Marta, na verdade os artigos com senha foram escritos qdo nao tinha muita gente visitando o blog e trazem coisas muito pessoais, alem de imagens. Espero q entenda! bjs
19.
Aisha | novembro 14, 2009 at 12:59 am
hahaha ai marina… agora vc viajou longe
pense bem… se voltar a makina de escrever pelo menos vamos imprimir enqto escrevemos 
vi hj o filme 2012 hahaha catastrófico e só vc mesma pra pensar em tanta loucura
salam
20.
Angel | novembro 14, 2009 at 11:18 am
Nem me fala em máquina de escrever!! Pode ser ultrapassada, mas me trás muitas lembranças. Deixei de pedir brinquedos aos 9 anos. O negócio era relógios de pulsos, máq. fotográfica, binóculo, microscópio, livros sobre a pré história.kkkk kkkk O papi ficava td orgulhoso!!
Ganhei a máq. de escrever c/ 12 anos…faz dois anos q me passei adiante. Que saudades!!
Bom D+ era qdo o dedo entrava entre as teclas acidentalmente!! kkk kkk Por reflexo puxava bem depressa e vinha máquina com tudo!! Creio q tds q usaram uma já passaram por isso!!
Me lembrei agora da Remington(SSAURO) do vovô!!!
Ai, bons tempos que se foram…
21.
Magda | novembro 15, 2009 at 3:03 pm
huahuahuahua….
vc é igual a mim eu viaaaaaaaaaaaajo por uma coisa simples…maravilhoso mundo de Bob total…
E a gente esquece mesmo de coisas simples como conversar com o maridão…
Eu dormi…assim, simples e fácil…tomei um banho gelado e doooooooormi…kkkk
bjs
22.
Camila | novembro 15, 2009 at 6:20 pm
Marina, essa imaginação não precisa de electricidade!!! Ela voa, voa mesmo na escuridão!!!!
LOLOLOL
23.
Luciana | novembro 17, 2009 at 8:02 pm
Aqui em Recife também faltou energia nesse dia do blackou… mas só foi por 30 min… achei engraçado q na RecordNews colocaram um mapa do Brasil com os estados afetados e no NE só PE q faltou… mas no tal mapa colocaram as letras PB, que é Paraíba… erraram…
Bom, aqui graças a Deus não faltar energia com frequência, as vezes nenhum dia no ano…
Quando é assim, pouco tempo eu GOSTO MUITO… principalemente se for à noite, corro pra varanda e vejo a lua e as estrelas… nessa noite então o céu estava lindo… e a lua iluminava, tanto q as crianças do prédio continuaram brincando no parquinho lá embaixo… e o que eu acho mais bonito : Quando a energia chega, tem coro de vozes gritando êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Fico me lembrando qdo eu era criança eu também fazia parte desse coro… rsrrsrs.
abs
24.
Luciana | novembro 17, 2009 at 8:02 pm
Blackout… faltou o “t”