Inversão de valores
outubro 23, 2009
Hoje a minha amiga Teresa, que mora no Egito, publicou um post muito lindo sobre uma história no Egito. Entre aqui para ler.
Eu sei que o Egito é um país difícil para se viver, existem mil problemas e o maior deles é o fato de estarem numa ditadura. Sinto que a maioria das pessoas lá simplesmente parou de perceber o que é seu de direito e quais são seus deveres. Por isso, as ruas tem lixo, os prédios não são pintados (eles acham que é um dever do governo isso, limpar ou pintar) ou quando têm um problema sério como alto preços de comida e escolas caindo ao pedaços, acham que é um dever deles aceitar isso e pronto. Sempre senti essa inversão de conceitos por lá, é uma sociedade bem diferente, só vivendo vários meses para vc entender bem como funciona o raciocínio.
Mas estou falando tudo isso porque ontem vi uma notícia na televisão que me chocou. Um homem no rio foi morto a tiros por causa de um tênis e um blusão. E pior, a polícia parou perto deles, depois abordou os bandidos, e não fez nada. Aí que volto para a história da Teresa, que mostra como uma verdureira deixa suas coisas na rua dia e noite, mesmo sem ela olhar, e ninguém encosta a mão para roubar nada, mesmo com muita gente passando fome lá. Aqui se um caminhão bate, vocês sabem a fila de saqueadores que aparece logo atrás. Eu já vi com meus próprios olhos um caminhão se acidentar na marginal Tietê e carros e mais carros (de gente normal, não é nem “bandidão”) parando para roubar as caixas de cerveja que se espalharam pelo local, todos rindo e achando que deram sorte de ver aquilo, ao invés de ajudarem o pobre caminhoneiro, que ficou sentando na guia com a cabeça baixa esperando o guincho.
É complicado ver duas realidades tão diferentes, entender o que acontece em nosso mundo e não ter idéia de como mudá-los. Nesse ponto, virei como os egípcios em relação à corrupção. Por não conhecer um Brasil livre da violência, aprendi a achar que é meu dever andar de vidros fechados, que é meu dever não reagir e entregar tudo rápido se for assaltada. Também inverti meus valores.
Fico aqui sonhando, no dia que o Egito vai uma sociedade democrática em que alguns reais direitos sejam conquistados. E com um Brasil onde eu possa encontrar uma barraca de verduras na rua, sem ninguém vigiando.
Entry Filed under: No Brasil,No Egito. Etiquetas: brasileiro no Egito, casamento no Egito, violência no Brasil, viver no Egito.
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1.
Angel | outubro 23, 2009 at 8:52 am
O incrível é ser diferente disso tudo e ainda ser olhado como uma anomalia social.
Se não usurpo o lugar de alguem,
se não roubo qdo aparece uma oportunidade fácil,
se não coloco som nas maiores alturas,
se não ando semi-nua,
se não fico com um sujeito por semana,
se não jogo lixo na rua e muitas outras coisas.
Ganho gentilmente os nomes de:
-Você é muito é otária!
- ” ” ” ” abestada!
- ” ” ” ” trouxa!
Por fim, o ostracismo que acabamos por nos impôr. Afinal esse é o preço que pagamos por sermos “diferentes”, ou como disse uma certa persona “anti-social”(hãã??).
-Peraí, mas eu sou altamente comunicativa!! – respondi.
-Mas, não se identifica com a sociedade.- retrucou a pessoa.
Seeendo assim… fico mais confortável na minha concha.
2.
Beta | outubro 23, 2009 at 10:35 am
Realmente, a questão da violência aqui no Rio está absurda!
Precisamos encontrar um jeito de fazer a paz acontecer urgente!
bjkas
3.
Nina | outubro 23, 2009 at 10:51 am
Oi Marina, obrigada tbm por me responder. É assim que a gente vai se entendendo nao é?
Eu me assustei com o Egito, porque tinha outra imagem dele. Foi uma terrível surpesa ver que era ilusão de uma menina sonhadora, como ainda sou. Foram somente férias. Mas fiquei tão horrizada com o que vi… mas é claro que vc tem razão. É mt pobreza que leva o povo a cometer atitudes absurdas nas ruas, principalmente naquelas cheias de turistas!
Aqui vc falou algo mt serio, eu ouvi um turista falar lá em Cairo, que alguém havia metido a mão na sua bolsa e tirado dinheiro, eu nao acreditei, sabe?? Esse tempo que passei lá, nao vi ninguem roubando ninguém. O que eles fazerm é o que vc mencionou lá comigo, é atacar turista mesmo, atrás de vender sua bugingangas. Insistem tanto que nos fazem desisitir,oohh como é horrível comprar no Egito! Tanta coisa linda exposta, mas tudo tao complicado pra comprar, Perde-se tanto tempo na palhacada da barganha, que a gente vai embora sem comprar nada. Nem eles ganham nada tampouco a gente.
Um outra coisa, eu acho uma palhacada as mulheres que vao pra lá usando shortinhos, que ficam de roupas mt curtas, e decotoes. Acho falta de respeito com a cultura do povo, Quando vc está na regiao do mar vermelho, na praia, é uma coisa, lá so tem turista mesmo! mas enfim… cada qual no seu cada qual…
Sobre o seu post de agora, olha, é MUITO dificil viver hj no Brasil. Concordo com a Angel aqui em cima que fala que se vc nao apronta a safadeza que outros aprontam, vc é que e’a errada, Acho que a gente só vai poder dizer que somos uma verdadeira nacao, qd entendermos de uma vez por todas que o problema está em nós mesmos, na nossa pobre e mesquinha mentalidade.
Abraco!
4.
Juliana | outubro 23, 2009 at 11:01 am
Marinaaaa fla cumigo prisssss. Como eu aprendo arabe pela net ????? Fala cumigo buaaaaaa =[
bjuuu
fica com DEUS =]
5.
Muriel | outubro 23, 2009 at 12:52 pm
Oieee
Gostei da história da Teresa.
Concordo com o comentário da Angel.
Esse assunto é bem interessante, nos faz pensar em um monte de coisas que no dia a dia não temos tempo ou não nos interessamos em pensar, refletir.
Parabéns seu blog é muito legal. Obg por sua visita no meu blog
6.
Flaavs | outubro 24, 2009 at 1:14 am
Concordo com a Angel, se não entramos dna dança somos chamados de idiotas.
Só pra ilustrar. Eu estive no Egito em Julho agora e fui em uma joalheria do Khan el Khalili, era uma lojinha pequena, com ar condicionado. Pois bem, entrei lá pra comprar um anel de prata, que não custou mais que 100LE. Porém haviam peças de valores exorbitantes… Como o anel estava grande no meu dedo, o joalheiro foi em outra loja ajustar e me deixou na loja por mais ou menos 40 minutos SOZINHA. Gente, se fosse um ladrão ali teria feito a festa…
Pra gente ver como o Egito é seguro… Claro que há casos isolados… Mas fiquei bem surpresa com a atitude do joalheiro.
7.
Marina | outubro 27, 2009 at 6:26 pm
É simplesmente aceitamos… Vemos crianças na rua pedindo esmola, e só desviamos! Tenho inveja de outros países da América latina que tem passeata quase todo dia na rua para exigir seus direitos! O povo brasileiro é muito acomodado!
8.
fabricadonoegito | outubro 30, 2009 at 8:28 am
Ola Marina
Primeiro quero falar para vc voltar logo, pois sinto falta e nem to mais abrindo o skype, fica chato sem vc.
Eu nao sei o segredo, a formula para o Brasil ser um pais onde vc podera sair de casa sossegada, como gostaria de saber.
E que tenho muito medo de voltar , eu tenho sim
Deixar de passear as 2 da manha, 4 , junto com criancas, mulheres, tao seguro aqui, sera muito dificil.
Fico pensando, sera que ter o predio limpo, pagar condominio, eh melhor que ter um predio com escadas quebradas, sujo, mas ter seguranca e nao precisar de porteiro, ou de cachorros, ou de cercas eletricas, ou tecnologia para se proteger?
Acho que prefiro ficar na sujeira…
bjsssssssss, volte logoooooooooooooooo
9.
Angel | outubro 30, 2009 at 8:54 am
Tereza, como tudo na vida. O lado bom e o lado ruim, a vantagem ou a desvantagem.
Em certa época fiz uma escolha do q seria melhor p/ meus filhos em termos de segurança, liberdade e saúde. Embora soubesse, q em outros aspectos esta decisão tinha suas brechas.
Fico feliz com sua realização, isso é que importa agora.
abraços
10.
Paola Albertim | novembro 26, 2009 at 7:51 pm
ESSE TEU EGIPSIO TA MAIS PRA BAIANO DA FAVELA
11.
Angel | novembro 27, 2009 at 7:43 am
Fina flor, por acaso é só baiano que habita favela??
Creio que um erro ortográfico desaparece ante seu preconceito. Quem vc acha que ficou pior na fita??
12.
egitoebrasil | novembro 27, 2009 at 7:54 am
pior que eu não entendi o que ela quis dizer com isso!! ahahah
13.
Angel | novembro 27, 2009 at 8:06 am
MELHOR Ñ TER ENTENDIDO MESMO!!
CORRIAS O RISCO DE COLOCAR UM NEURÔNIO TEU EM COMA VEGETATIVO.
KKK KKK
14.
Angel | outubro 24, 2009 at 9:54 am
Infelizmente Julia, mais policiamento apenas trata da consequência não a causa. A maioria das pessoas enxerga a violência quando ela chega bem perto, quando é divulgada constantemente ou são atingidas diretamente por ela.
Tornou-se uma questão além do social, pois dantes já era uma questão de moral. Quem possui este quesito ñ se corrompe facilmente, seja por fome ou miséria, quanto mais por uma par de tênis e uma jaqueta. Começa deste achar graça c/ uma obscenidade da criancinha -que coitada,não tem culpa, aprendeu com alguém-, a seguir ela vai por pedir coisas emprestadas e ñ devolve -a cobiça e a inveja já se instalando-, recebe orientação de “não levar desaforo p/ casa”-senão apanha mais em casa- chega o tempo que seus desejos de consumo já ultrapassam moradia, alimentação, saúde e vestuário. Pronto, já instalado o condicionamento capitalista com suas idéias de liberdade(what?), movimentando nada mais do consumismo desenfreado! Surge esses elementos que p/ eles tudo justifica seus atos, seja para obter algo ou alguém… e quem estiver na frente é mero esterco.