Quando a família dele é contra
Em algumas culturas, o que os pais dizem e aconselham é praticamente uma lei. Tem de ser cumprida a ferro e fogo, e isso pode dificultar muito a vida de quem se envolve com um homem apegado a este costume. A Sheila e a Carol já falaram muito sobre este assunto e como às vezes a cultura deles fala mais alto do que qualquer coisa. E não é nada fácil ouvir de quem se ama que ele quer respeitar o que os pais aconselham, e não os planos que vocês traçaram juntos.
Na nossa concepção de casamento por aqui, o casal se gosta, se apaixona, e juntos planejam como querem que tudo aconteça, que coisas estão dispostos a fazer para viverem juntos, onde querem morar e como querem viver. No Egito, não é bem assim que a coisa acontece, assim como já vi exemplos de amigas com amores da Índia, Paquistão e Síria. Já fiz muitos posts sobre o casamento no Egito e as tradições envolvidas, é só ler aqui, aqui e aqui.
No Islã, os filhos devem respeito total aos pais, e devem sim considerar a opinião deles. Mas no Islã, ninguém também é obrigado a se casar com quem não quer, apesar de que esta segunda regra muitas vezes não é considerada em países árabes. Acho que uma é bem interligada a outra, se os pais querem aconselhar o filho com quem se casar, eles também deveriam levar em consideração os desejos do filho e conhecer sim a noiva, ver o jeito dela, seus desejos e valores, para depois julgar. A maioria, porém, quando sabe que o filho quer se casar com uma gringa, arma um escândalo sem ao menos conhecê-la. E não adianta ser convertida, ser mais religiosa que uma árabe vizinha deles, para os pais simplesmente é inaceitável e o medo corre feio água fervendo pelo corpo deles.
Do que eles mais tem medo?
- O filho se afastar da religião.
- O filho ir embora e não ter mais contato.
- Chance de divórcio muito alta, e os filhos ficarem com a estrangeira.
- Casando com uma árabe conhecida da família, eles poderão aumentar seu ciclo de amizades, companheirismo (e grudes), algo muito forte na cultura de alguns países.
- Medo do desconhecido e de não poder controlar a situação. Pois a noiva gringa, ainda mais se forem morar fora, não abaixa a cabeça.
Eu acho que casamento exige sim uma avaliação de ambas as partes. Tanto da brasileira que está encarando a mudança, como da família do noivo que precisa conhecer com quem o filho planeja ter uma vida. Meus pais, no meu caso, não foram muito receptivos a isso na época (apesar de hoje tratarem o Musta como filho
) então meu marido não pode conhecê-los muito bem. Já a mãe dele falava comigo todos os dias e conseguiu ficar bem tranquila depois disso, gostou do meu jeito e passou a torcer por nós. Eu sei que é difícil estabelecer um diálogo entre as partes, mas tente, e digam para seus pais – tantos as brasileiras quanto os gringos – que é preciso conhecer e analisar bem antes de julgar.
Julgar sem conhecer é um dos piores preconceitos, é generalizar de forma estúpida para se sentir mais seguro. Um povo não é melhor que outro, uma religião – apesar de cada um ter sua convicção de fé – não pode ser imposta como superior para quem não a conhece. E mesmo que a pessoa escolhida pelo filho seja muito diferente, todas as pessoas podem ter a oportunidade de se adaptar, todas deveriam ter a chance de conhecer novas culturas e tirar coisas boas delas também.
Infelizmente, para muitas famílias muçulmanas tradicionais, a coisa não funciona bem desta forma. Se os filhos não seguem os passos exatos que a sociedade acha bonito e correto, é como se fosse uma vergonha para eles. Casar sem a pesquisa dos pais, sem ir a casa da noiva e acertar o acordo, então, imagina! Por causa de coisas culturais que nem sempre são as mais corretas, já conheci gente que os pais deram as desculpas mais esfarrapadas do mundo para não aceitar o casamento, tanto com uma estrangeira quanto como uma própria mulher da sociedade deles pelo qual o filho estava apaixonado, mas os pais não aceitaram o casamento:
* Família do rapaz, explicando porque não aceitaram que ele se casasse com a namorada que teve durante 4 anos de faculdade, no Egito. ” Fui na casa da noiva e a mãe é que falava mais, fazia tudo, enquanto o marido ficava sentado quieto. Então naõ aceitamos, porque se você se casar com ela, é ela quem vai mandar em você”. – sim, 4 anos de relacionamento por água a baixo por causa de uma visita e uma conclusão precipitada.
* Família da noiva, explicando porque o pretendente não era bom para a filha. “Eles não quiserem dar os móveis da cozinha e do quarto, mas dariam o resto. Mas nós queremos que eles dêem a sala, então não combina. Vamos achar outro rapaz que queira dar a sala.”
Nas relaçãos com as gringas, então, as desculpas são piores ainda, pois a família muitas vezes mal a viu ou falou com ela. Pois a negação já vem logo que se comenta a relação. E isso é um grande problema se o rapaz não for firme e está disposto a ir contra. Causa muito sofrimento, principalmente do lado de cá, pois se eles preferem seguir a família e deixam isso claro, não é fácil para as passionais brasileiras aceitarem isso. Um relacionamento à distância suga a gente, tira noites de sono, não poder ver e discutir cara a cara as coisas dói bastante, ver que todos seguem com a vida enquanto você está entregue a uma tela de computador é deprimente. Eles estão longe, a insegurança é demais, pois de uma hora para outras são bem capazes de largar tudo com você e simplesmente aceitar a noiva que o pai quer lá mesmo. E você nem vai saber dos detalhes, não tem como.
É uma realidade dura, mas que muitas mulheres enfrentam com coragem e peito aberto, sempre em busca do amor. Algumas já venceram esta batalha, outras desistiram e algumas ainda estão na luta. Como em tudo no amor, não existe receita para dar certo, e somente uma conversa sincera e bem franca entre os dois, com metas estipuladas, pode melhorar a situação quando os pais não querem aceitar o casamento. E se ele não te oferece nenhuma contrapartida ou plano concreto, reflita bem se a relação ainda está fazendo bem para você.

Publicado em setembro 25, 2009, em De tudo um pouco... e marcado como casamento árabe, casamento islâmico, casamento no Egito, casar pela internet, Egito, mulher muçulmana, namorar na internet, viver no Egito. Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.




Marina voce tem toooda razao. No meu caso meu habibi esta disposta a enfrentar seja la o que for, alias o que nao é um bicho de sete cabeças porque todo casal que quer ser uma familia tera que frentar o que vier né =]. Ja conversei com a familia dele eles vieram em casa depois do pai dele ter visto nos juntos. A principio ele se mostrava inconvencivel, mas depois a coisa mudou. O fato que ele nao abriu mao é de que namorar (nas palavras dele ter uma vida de pecado) nao pode e o filho dele nao tem condiçoes para casar agora, ele precisa estudar, se estabilizar para depois pensar nisso, e que portanto eu teria que esperar. Quanto a religiao nos iriamos sofrer com as consequencias, porque muitas vezes o preconceito é inevitavel, principalmente quando se trata de arabes muculmanos (palavras dele). Resumindo a conversa ele quer que agente espera ate todo mundo estudar e conseguir um bom emprego. Ai eu me pergunto: Ele esta errado??? Nao esta, mas nao é possivel eu ficar esperando 5, 7, 8 anos ate que todo mundo esteja bem de vida tambem ne (eu nao disse isso a ele). Entao eu e o habibi decidimos que precisamos primeiramente arrumar um emprego para ele, e depois disso conversariamos novamente com o PAI dele porque a mae é um amor de pessoa e entende perfeitamente nosso lado. Enquanto isso nos vamos nos falando pela net, celular e nos vermos muuuuuiito de vez em quando sem que o pai dele saiba ( eu nao me sinto bem com isso mas nao tem outro jeito). Pelo que estou vendo jaja a situação vai mudar estamos esperando boas noticias por ai =]. O mais importante Marina é que tipo, eu nao guardo ressentimento algum do pai dele, sei que o homi ta preocupado, quer tudo do bom e do melhor pro filho mais novo, e isso vai ser bom até pra mim né. Preciso ter paciencia só isso, que agente se ama e vai ficar junto é fato consumado, agora o momento que isso vai acontecer que temos que ter paciencia de esperar, e juro nao é facil esperar kkkkk, mas que nem diz a tia dele (linda) o que é do homem o bicho nao come!!!! kkkk
bjuuuuu
fica com DEUS =]
ops errei o habibi é o filho mais velho do pai kkk
Eu bem sei….
cultura e fmailia pesa! e eh dificil agente colocar isso na cabeça das gurias
eu faço o meu melhor, e espero que meu relaciomento de certo, mas eh preciso ter mtaaaa paciencia e ceder mto!
Verdade que na maioria das vezes os pais tem razão. Não posso criticá-los, pois sei o quanto queremos proteger e ver o bem dos nossos filhotes. Por isso até compreendo bem esse lado, mas isso ñ nos torna infalíveis.
Caso na condição de candidata a esposa, ñ teria mais essa disposição p/ enfrentar toda uma família contra mim. Mas isso… é Angélica, que ñ encara bem certas coisas.
Também ñ posso discutir que empenho, boa vontade, amor e muiiiita persistência resulta em bons frutos. Existem vários exemplos por aí.
A decisão fica a cargo de cada pessoa. Vale à pena? Consigo esperar? Tenho que mudar? E se o fizer, o quanto? Ele(ou ela) ñ me abandonará?
Enfim, creio ñ ser fácil p/ ninguém; nem pais nem apaixonados.
Amor ñ entende barreiras culturais, sociais, geográficas, religiosas ou étnicas.
Então!? Boa sorte na batalha ou parabéns a quem já venceu.
Marina
Seus comentários prestam um serviço impagável para todas as pessoas.
parabéns
Obrigada pela citação