O hijab e eu

abril 22, 2009


Depois de um longo e tenebroso inverno ausente (exagerada, foram só 8 dias sem escrever), estou de volta e quero falar um assunto que, dentro de mim, é algo muito polêmico: o hijab. Muitas pessoas me perguntam sobre ele e minha experiência. Sempre querem saber se uso véu no Brasil também.

O hijab não é só um lenço que as muçulmanas colocam na cabeça, mas sim toda uma forma de se vestir buscando a modéstia e cobrir o corpo dos olhares alheios. Quem pode te ver é apenas seu marido e sua família. *(Antes que me perguntem, pela milésima vez, burca é coisa do Afeganistão, eu estou falando da veste obrigatória das muçulmanas, que é o hijab, deixando apenas o rosto e mãos descobertos.)*

Bom, minha relação com o hijab é uma verdadeira novela. Quando me converti, em 2006, usava o hijab para ir à mesquita aqui no Brasil. Na primeira vez, não tive coragem de sair de casa com um lenço na cabeça, achei que todos iam olhar para mim e rir da minha cara. Eu achava lindo, mas não estava preparada para as reações alheias. Tinha acabado de me converter e a transição leva um tempo de preparação para cada uma. Algumas pessoas mudam tudo rapidamente, outras precisam de um tempo maior para associar diversos conceitos do Islã. Eu, por exemplo, logo que me converti parei de comer carne de porco, orava sempre e em qualquer lugar (fazia tudo errado, mas ainda não sabia o certo e insha Allah Deus aceitou aquelas orações) e parei de ter amizade próxima com homens. Já o hijab para mim parecia algo impossível, devido ao meu trabalho e família, ficar explicando o que eu estava usando, o porquê daquilo e blá blá pareciam ser difíceis demais.

Mas eu sonhava com os véus. Comprava um novo sempre que achava em alguma loja, esperando o momento que pudesse de vez cobrir meus cabelos, pois tinha lido muito sobre o tema e enxergava aquilo como além de um símbolo do Islã, o grau máximo de modéstia e dedicação de uma mulher a seu marido, pois ela se resguardaria somente para ele. Pois bem, fiquei sem o véu uns quatro meses até botar meus pés no Egito pela primeira vez. Quando entrei no carro, a primeira coisa que fiz foi vestir o hijab azul guardado na bolsa o trajeto todo. E fiquei com ele, por vários meses.

No Egito era tudo fácil, todos ficavam maravilhados com a brasileira de hijab, na rua ninguém me olhava, eu era uma entre tantas. Perdi dois empregos no Egito até porque me recusei tirá-lo, inclusive num hotel me negaram uma vaga pois eu só poderia trabalhar de saia e sem o hijab. Como estava no Egito, um país islâmico, tive fé de que algo melhor apareceria para mim permitindo o uso do véu. Acabei indo para uma escola onde a maioria das funcionárias vestia hijab.

Ao voltar para o Brasil, um dilema e milhares de pontos de interrogação, obviamente, pularam na minha cabeça. Como ser uma muçulmana de hijab no Brasil? Teria eu a força suficiente agora? Meu marido me apoiou e cheguei no Brasil coberta. No aeroporto não me olharam, mas meus familiares fizeram caretas escondidos, estranhando a veste peculiar.

No dia seguinte, fomos conhecer um egípcio que já morava aqui. Era aniversário dele e ele ficou totalmente sem graça de ver que eu usava hijab. Parecia que ficou com vergonha diante dos outros convidados, como se não quisesse mostrar uma verdade sobre seu país. Pior, ofereceu até caipirinha para nós, foi tudo meio traumático, óbvio.

Depois, fui um dia no shopping com minha mãe e me surpreendi porque nunca fui tão bem tratada em todas as lojas. As vendedoras me paparicavam, ofereciam novidades e bebidas, como se eu tivesse muitos “petrodólares” na minha bolsa. Não ligava para os olhares do outros, aliás, nem notei se alguém ficava me olhando ou não.

Mas passaram-se alguns dias, e saí do ninho familiar. Tive de pegar um ônibus para fazer algumas coisas em outro bairro, e uns maloqueiros sem noção ficaram fazendo gracinha sobre mim no ônibus. Mostafa já estava perdido, mas sabia que olhavam e riam de mim, e ele se sentiu impotente sem saber o que fazer, já que nem português na época ele falava. Eu também começava a pensar no meu trabalho, como iria numa entrevista de emprego com algo que me marcaria logo a primeira vista. Eu estava desarmada, enviando currículos para voltar o mercado de trabalho e com algo que, de cara, poderia me prejudicar em uma seleção, pois ainda existe muito preconceito na minha área em relação a certas coisas (expressar religião, por exemplo, é sinal de que a pessoa não é profissional, e o hijab aqui por si só já é um grito “sou muçulmana”).

Bom, só sei fui chamada para uma entrevista de emprego. Sentia-me fragilizada, o Brasil parecia tão estranho, a vida tão sem sentido, deixar o Egito foi ser um bebê arrancado dos braços quentes de sua mãe. Nós queríamos vir para o Brasil, mas só pensamos no lado positivo e esquecemos de coisas que nos davam idenditade, como a religião no Egito, e que no Brasil não fariam tanta parte do nosso cotidiano. Tirei o hijab para a primeira entrevista de emprego, sentia que precisava trabalhar o quanto antes e não queria perder oportunidades.

Meu cabelo estava bem longo, quase chegando a cintura. Na hora que tirei o véu e descobri que sairia na rua sem ele, depois de mais de 9 meses, foi como ser despida em praça pública. Dá uma vergonha, uma sensação de fraqueza e pecado. Prendi o cabelo num coque e passei antes em um salão de beleza. Cortei o cabelo tentando minimizar o meu erro. Mas foi tudo em vão. Ficar sem o hijab até hoje é dolorido, mas não sei como obtê-lo de volta, pois no ambiente que estou inserida, principalmente do lado profissional, é muito difícil esta luta. Vocês vão dizer que a lei brasileira permite, que posso entrar na justiça…. mas não é nada disso. A questão é eu ter que chegar numa coletiva de imprensa e, de cara, já ser marcada. Ter de fazer uma entrevista e, antes de fazer qualquer pergunta sobre economia, ser questionada sobre minha religião ou ver uma cara de espanto. Até que eu gosto de falar sobre mim, mas odeio ser ponto de referência, se é que me entendem. Tipo, não consigo me imaginar na rua e alguém dar uma informação de local desta forma “Olha, você vai naquela loja ali, do lado daquela mulher de ‘burca’ parada ali! Nossa, aliás, será que ela não está com calor não??”.

Conheço pessoas que usam hijab no Brasil e admiro estas mulheres demais. Pois é preciso ser muito forte e serena para esta batalha diária. Desejo do fundo do meu coração que os brasileiros parem de olhar tanto para vocês quando passam nas ruas, e entendam que não estão sendo obrigadas a isto, não estão morrendo de calor ou tristes por fazê-lo. Um dia quem sabe eu me junte a vocês, insha Allah novamente.

Mudei de emprego e fui verbalmente avisada que o acessório não seria permitido. Algumas pessoas dizem para eu usar véu então fora do trabalho, mas não acho que faça sentido uma hora mostrar o cabelo, outra não. Além do mais, o ser humano tende para as coisas fáceis, acostumei a passar desapercebida nas ruas (pois aqui o hijab chama mais atenção do que esconde a mulher). Continuo usando roupas sem decotes e mais compridas mas, mesmo assim, isso não chega nem perto da sensação de estar com o hijab. E pior do que estar sem ele, é ainda ser julgada por isso, como alguns muçulmanos fazem comigo, dizendo pelas costas que foi só voltar para o Brasil que deixei de usá-lo.

É triste: não sou aceita pela sociedade como quero, por mim mesma por conta de meus erros e nem por pessoas da mesma religião, que não deixam os julgamentos para Deus.

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26 Comments Add your own

  • 1. Carla  |  abril 22, 2009 at 4:28 pm

    Encontrei sua página há alguns meses e desde então tenho lido atentamente. Tenho uma profunda admiração pela cultura árabe, adoro ler tudo que diz respeito a essa cultura e também pelo Islã. Ah os homens egpicios, isso é uma história à parte e quem conhece um hummmmm … :) :)
    Gosto muito de tudo que escreve, até mesmo pq por ser uma jornalista tudo é muito bem escrito, suas opiniões, bom senso e postura são de uma elegância que dá gosto.
    Sobre o capítulo hijab, é difícil mesmo entender, como é que um lenço pode “ofender” tanto, “expor” tanto. Estamos numa sociedade que nosso direito de “ir e vir” é violado em muitos sentidos.
    Você sabe a pessoa que é, não tem de mostrar isso senão tem de matar um leão por dia. Se esse lenço lindo que as muculmanas usam possa no momento te prejudicar, deixa, use quando visitar países islâmicos. Não tromba, desvia, te poupa.
    Um grande abraço

    Responder
  • 2. Camila  |  abril 22, 2009 at 6:36 pm

    Este assunto é algo que me inquieta muito. Não que tenha a ver directamente comigo, pois como sabes não professo a religião islâmica. Mas tem a ver com a família, a cultura e a religião da pessoa que amo, logo é algo que me interessa.
    O teu dilema seria o mesmo que eu sentiria, pois se considero que num país islâmico é correcto o seu uso, já nos “nossos” países, e por agora, usar hijab tem o efeito contrário ao pretendido, ou seja, atrai os olhares, a curiosidade e os pensamentos das outras pessoas sobre a mulher. Chegará o dia em que as pessoas poderão utilizar os seus símbolos religiosos sem opressão e sem serem julgadas por isso? Não sei. Será o dia em que os preconceitos deixarem de existir. E isso alguma vez acontecerá?? Seja como for, todos se acham no direito de julgar…mas na verdade apenas terás que prestar contas a Um.
    Um beijo! Com ou sem hijab!!!

    Responder
  • 3. Carol  |  abril 22, 2009 at 8:13 pm

    OIii marina, parabens! acho vc mto determinada, e imagino que num deve ter sido facil
    meu amore acha o hijab extremista hehehe, ele cre que que somente uma dupatta (um veuzinho jogado nos ombros) ja eh o suficiente//
    tb mudei mto como ele, porem, sempre fui assim, so mudei algumas coisas, como nao comer carne de porco, usar roupas mais fechadas e cortar amizades com homens.
    bjss

    Responder
  • 4. Sissa  |  abril 22, 2009 at 8:21 pm

    Eitah!!!!!!!! Essa parte ai da amizade com homems para mim é novidade!!!!!! (agora entendo porque o habibi se chatea tanto, heheh)

    Marina, mais uma vez…. emocionada.. com seu depoimento. …..
    Sem palavras!!!!!! Mercado de trabalho é mesmo cruel… trabalhei oito anos numa seguradora em que, até o celular devia estar de acordo com “as regras” hehe. Mas você é valente, tanto pra enfrentar o preconceito, quando pra lidar com a sensação de erro de ter abandonado o hijab, mas tenha fé… Beijos no coração!!!!!!!!!!

    Responder
  • 5. Monique  |  abril 22, 2009 at 8:56 pm

    ‘Mudei de emprego e fui verbalmente avisada que o acessório não seria permitido. ‘ Mesma coisa que acontece nas escolas francesas , né?
    Obvio que não te entendo e para mim não faz sentido, pois acredito em outras coisas. Mas seria como me proibirem de ler a Bíblia nos intervalos no trabalho ou deixa-la aberta na minha mesa ou pôr um versiculo como papel de parede no meu computador, pior eu decidir fazer um jejum e dizerem ” voce não pode ficar aqui se deixar de comer po rmotivos religiosos.” Citar Froid é intelectual , professar sua fé é crime.
    Nossa que mundo empolgante! (se entendes a sutileza da minha ironia!)
    Comenta lá no meu blog Marina.

    Responder
  • 6. Elaine  |  abril 22, 2009 at 8:56 pm

    Olá!
    Marina, eu só uso saias e vestidos, jamais calça ou bermuda.
    Não é por questão religiosa não, mas todo mundo que me vê pela primeira vez acha que eu sou evangélica. Sou católica. E eu sei o que quer dizer ser ponto de referência. E quer saber de uma coisa? Acho o véu das muçulmanas lindo! Mas entendo o seu dilema. Ser marcada, ainda mais numa profissão pública como a sua é terrível. Sabe o que eu faria? Prenderia o cabelo. Sempre. E sempre que possível, usaria o véu. Até para não me sentir 100% pelada, pois deve ser assim que você se sente. Os cristãos também sõ marcados quando exibem algum sinal externo de sua fé, como crucifixos. Tem lei sendo votada na Europa contra o uso de símbolos religiosos. É a opressão declarada.
    Mas penso que Deus compreende seus motivos.
    Beijos.

    Responder
  • 7. Júlia  |  abril 22, 2009 at 9:11 pm

    Bem vinda de volta!!!! Tava com saudades!!
    Bem eu acredito que ser muçulmano aqui no Brasil seja muitoooo complicado. Principalmente para nós mulheres. A função do hijab é justamente o contrário do que acontece aqui. Assim como usar roupas fechadas demais na praia ou num calor infernal. Vai chamar muitooo mais a atenção e todo mundo vai olhar. Somos assim, a grande maioria, vai virar a cabeça para olhar todas as coisas que forem diferentes do que fomos acostumados a ver. Uma pessoa toda tatuada, outra cheia de piercing, com saia curta, com saia comprida, com cabelão abaixo da cintura, baixinha demais com alguém muito alto do lado, gorda demais, magra demais, feia demais, bonita demais … ixiiiiiiii cansei!!!!
    Mas é assim e não irá mudar. Tudo que sai do diferente chamará sempre mais a atenção. :-)

    bosaaaaaaa

    Responder
  • 8. Júlia  |  abril 22, 2009 at 9:18 pm

    Ahhhhhhh lá no Egito andar de alcinha, com ombro de fora e com as canelas aparecendo também é uma aberração, não é? E temos de adequar a vestimenta. Aqui é assim também. E em qualquer parte do mundo será assim, imagino eu.
    Infelizmente, dizem que vivemos em democracia. Que cada um faz o que bem entende. Mas não é assim. E conforme o lugar que vivemos temos de nos adequar. Não há como impor aos outros o que é nossa vontade.
    bjkas

    Responder
  • 9. mariachiquinha  |  abril 22, 2009 at 9:34 pm

    Esse tema é complicadíssimo para mim. Sou muçulmana e não tenho o hábito de usar hijab no meu dia a dia. É exatamente assim que eu me sinto… uma mistura de sentimentos.
    Tenho lindo shijabs, mas usá-los chama muito mais atenção do que as pessoas possam imaginar. E as piadinhas de homens tarados que a gente escuda por conta do véu? Chega ser constragedor, daí resolvi não usá-lo para trabalhar. Muitas irmãs muçulmanas são contra e me julgam por isso. Mas eu não nasci muçulmana, não vivo numa cidade em que tenha mais muçulmanos (se tem são discretíssimos), e os olhares, os comentários e as perguntas me incomodam demais.
    Não tenho a menor vergonha em ser muslimah.
    Talvez se eu tivesse algum tempo num país muçulmano, ou já ter me casado com um muslin, as pessoas entenderiam melhor e aceitariam com mais suavidade o simples uso do véu, que antes era obrigatório nas igrejas católicas, hoje já não mais.
    Quanto a minha vestimenta, sempre fui muito discreta e, nada de amizade masculina.

    Responder
  • 10. ana  |  abril 22, 2009 at 10:30 pm

    Ai Marina……vc foi tao fofa nesse post…..me deu vontade de andar com vc e brigar com todos que te olhassem de um jeito diferente.
    Deu pra sentir sua tristeza nesse post…..
    beijossss

    Responder
  • 11. Magda  |  abril 22, 2009 at 10:36 pm

    Oi Marina,
    sabe q eu sempre me perguntava se você usava o hijab aqui?
    Como a Ana, eu queria poder brigar com todo mundo que te olhasse torto na rua!
    Mas acredito sinceramente que Deus entenda seus motivos, inclusive que saiba, como você mesmo disse, que usar o véu aqui chama mais atenção que não usar.
    beijos

    Responder
  • 12. sheila  |  abril 23, 2009 at 12:39 am

    Salam, Marina!

    Minha amiga, aqui vai uma humilde opiniao de uma leiga no Islamismo: vc nunca vai deixar de ser muslim pq nao usa o hijab no Brasil! O que importa eh seu coracao e o quanto vc se dedica e ama a sua religiao! Se a funcao do hijab eh resguardar a mulher dos olhares, pq usa-lo num pais em q atrairah justamente estes olhares? Bjos!

    Responder
  • 13. sheila  |  abril 23, 2009 at 12:42 am

    Se puder fazer um post explicando esse lance de amizade com homens… e aqueles q jah eram seus amigos antes, como ficam? E como seria evitar amizade com homens? Por exemplo, se um colega do trabalho dah uma festa de aniversario, como vc faz?
    Eu tenho muitos amigos homens que adoro. Mas infelizmente jah deletei varios da minha vida, pq a uma certa altura passaram a ser incovenientes, querendo algo mais…..

    Responder
  • 14. Flávia  |  abril 23, 2009 at 8:09 am

    Marina, as vezes eu estou na rua, no metrô ou no shopping, e vejo uma mulher de hijab…e eu acho tão, tão lindo(não só pela aparência, mas por tudo q vc falou, eu sei o significado que o hijab tem na religião) e fico olhando!
    Daí logo me toco que estou sendo mal educada, pq eu sei que estou olhando pq acho lindo, fico admirada mesmo, dá vontade de ir lá elogiar, mas elas não sabe né…pode achar que eu estou chocada ou coisa assim…
    Enfim, ultimamente tenho me controlado pra não ficar “encarando” moças de hijab na rua, justamente pra que elas não se sintam mal…será que elas percebem a diferença entre um olhar de medo, acusador, e o meu olhar, de admiração?

    Responder
  • 15. egitoebrasil  |  abril 23, 2009 at 9:28 am

    Olá… todos os recados recebi de coração…
    Carla, fiquei honrada com os elogios!!! Comente mais aqui, vou adorar

    Camila, vc sempre sensata… beijos (sem hijab no momento eheheh)

    Carol, acho que ele acha extremista pq no Paquistão não é comum!! ehehe hijab tb tem um peso muito cultural, no Egito por exemplo extremista é só niqab ehehehe

    sissa e Sheila, vou fazer um post sobre isso: amizade com homens, aí acho que respondo melhor vcs.

    Monique, apesar de não usar o véu tenho uma foto de hijab na minha mesa, uma replica de makkah na mesa e meu fundo de tela é sempre algo da religião eheheeheh até hoje ninguém falou nada, também já seria demais

    Elaine, legal saber que vc tem um jeito próprio de se vestir. Eu tb acho que esta coisa de tirar simbolos religiosos em tudo quanto é lugar é muita opressão, como se uma pessoa só pudesse ser profissional e boa se não tivesse religião… sobre usar o véu de vez em qdo, pra mim não faz sentido, pq uma horas estaria mostrando o cabelo, outras não… o barato é não mostrar nunca ehehehe Sobre o cabelo, eu ando sepre de coque mesmo… algumas raras vezes tá solto.

    Julia, temos que nos adequar, mas o ideal seria que todos se respeitassem seja como fosse, né? Mesmo que seja andar de alcinha no Egito ou de niqab no Brasil eheheeh

    Mariachiquinha, sei como é difícil, aqui em SP até tem algumas muçulmanas, mas são poucas ainda… quem sabe chega o dia que possamos usar véu em paz.

    Ana, eu fofa? eheheeh obrigada, vc que é

    Magda, obrigada também por me defender eheheh

    Flavia, sabe que mesmo olhar achando bonito uma hora cansa pra muçulmana.. é sempre assim, alguns riem, já nos shopping é comum alguém chegar e falar “nossa, eu acho tãooo linduuuuuuu isso que vcs usam!!!!” mas eu achava meio bizarro quando as pessoas faziam isso, minhas amigas que usam hijab tb, pq é como se tivessem dó de vc, sei lá ehehehe Tipo, eu não chego para uma mulher bonita e falo do nada “wow, vc é tãooooo lindaaaaaa, parabéns”… mas olhar não mata ninguém, quem usa o véu aqui sabe disso e esta disposta a encarar os olhares ehehehe

    Responder
  • 16. Halima Bint El Zaitun  |  abril 25, 2009 at 5:28 pm

    amei Mah!

    Assalam waleykum

    Responder
  • 17. Andreza  |  julho 10, 2009 at 11:56 pm

    Apesar de não ser muçulmana (sou espírita) achei super interessante tudo isso. Parabéns por tudo! Deus abençoe a todos!

    Responder
  • 18. Fatima  |  julho 23, 2009 at 7:49 pm

    Eu me converti em 2008 e tambem me sinto assim quando estava no paquistao usei lenco todos os dia mas em portugal nao e possivel e um gozo uma admiracao.
    Agora estou na noruega e ninguem se preocupa com isso aqui posso usar lenco a vontade.
    EU fico muito triste de nao poder usar lenco no meu proprio pais ja fui despedida por isso!!!!!! enfim

    Responder
  • 19. Adelaide Monteiro  |  outubro 22, 2009 at 7:48 am

    olá
    eu gostei muito do que li
    eu tambem sou muçulmana mas por escolha.
    Nasci na russia mas cresci a vida toda em Cabo Verde ( 10 ilhas no oceano atlantico a frente do Senegal). tenho 22 anos e me converti no dia 01 de janeiro de 2008.
    Ao me converter pouco a pouco fui usando hijab mas tive um grande problema com a minha mãe e o meu pai.
    O meu pai achava que muçulmano é terrorista e vice versa.
    tive que tirar após 5 meses a usar hijab. Me sentia nua e desprotegida.
    Usar hijab é parecido com usar oculos de sol, é como ter uma parede entre ti e outras pessoas, sentes te livre!
    No começo eu fiquei perdida.
    Com o tempo falei com os meus pais e mostrei fotos de muçulmanas e eles mudaram de ideias.
    Engraçado que aqui em cabo verde as pessoas são muito ignorantes mas até que ao andar na rua de hijab as pessoas olhavam com curiosidade mas não criticavam pq têm noção do que significa usar hijab. Me respeitavam.
    Claro que como em todo o mundo aqui tambem tem uma noção errada do islão por causa da propaganda americana etc.

    Engraçado que ninguem critica as mulheres que andam com roupinhas curtas e provocantes, as mulheres que aparecem em revistas nuas, a mostrar o mundo e Deus sabe mais o quê.
    Ninguem fala nas mulheres que andam semi nuas mas as mulheres que querem andar decentemente vestidas todo mundo critica.
    Basta olhar na net (google) a historia da humanidade para ver que até a 2 seculos passados as mulheres na europa usavam véus e andavam tapadinhas.
    Em qualquer parte do mundo ainda encontras povos com trages tipicos que cobrem a mulher da cabeça aos pés. desde america do sul a oceânia.
    em todas as religiões do mundo as mulheres usam véus.
    desde freiras, viúvas, noivas, no dia a dia etc etc etc.
    Uma vez li em algum lugar alguem dizer ” a mulher muçulmana usa o vé em homenagem a virgem maria, a devota a Deus”

    Para julgar algo temos que conhecer do que se trata. Mas as pessoas têm o pessimo habito de falar e criticar coisas de que não fazem a minima ideia da origem, do por quê, da sua historia etc.

    Para quem não sabe a religião hindu e o islão estão a ganhar terreno perante o cristianismo. Em todo o mundo apesar da propaganda anti muçulmana as pessoas estão a se converter.

    Eu namoro com um português que me aceita como sou e até é a favor de eu usar hijab. Estou a pensar no assunto e espero que apartir de janeiro possa usar sem problemas. Mas muita coisa vai mudar na minha vida por isso tenho que pensar bem.

    Espero que estejes bem. um abraço
    inshallá continues firme na fé.

    Abrem o google e pesquisem em imagens a palavra hijab.
    Este site é giro
    hegab-rehab.blogspot.com/2008/10/hijab-isnt-b…

    Responder
    • 20. Adelaide Monteiro  |  outubro 22, 2009 at 8:41 am

      outra coisinha

      roupas que as muçulmanas usam não é para desviar os olhares mas é para os homens não verem a pele da mulher, o pescoço, ombros, decotes, pernas, curvas e tudo o que provoca desejo e desrespeito.
      Agora se as pessoas ficam a olhar pq são ignorantes e têm preconceito isso já é o problema delas.
      É claro que incomoda as pessoas estarem a olhar para ti como se fosses uma peça de museu ou a angelina jolie.

      O principal está feito que é as pessoas não verem o teu corpo e o que está por baixo das roupas.

      As muçulmanas vestidas de véus sempre vão chamar a atenção mas por mais que olharem ninguem vê o que está por baixo. E na verdade é como se tivesse uma barreira entre ti e os outros.

      Pq é que deixam passar os goticos, os dreeds e rastas, as pessoas que vestem roupas incomuns, e têm pentiados extravagantes, ou usam tatuagens e piercings, pessoas que só andam de preto ou de outra cor.
      Há modas esquisitíssimas e as pessoas podem comentar e criticar mas não perseguem.
      Mas as muçulmanas são perseguidas.
      Até uma hindu pode passar pelas pessoas e não ser criticada apesar de ser alvo de olhares curiosos.

      Com o passar das décadas as pessoas ficaram acostumadas de ver homens e mulheres usarem cada vez menos roupas e ao verem algo fora do “normal” fazem logo uma confusão, inventam leis, fazem guerras, vão pra TV, etc etc etc.

      Responder
  • 21. Adelaide Monteiro  |  outubro 22, 2009 at 9:39 am

    em português

    muslimgirl.net/…/how-do-you-wear-your-hijab/

    Responder
    • 22. Adelaide Monteiro  |  outubro 22, 2009 at 12:18 pm

      http://islamicchat.org/hijab.html

      Responder
      • 23. Adelaide Monteiro  |  outubro 22, 2009 at 2:33 pm

        se este site não abrir assim então podem procurar no google O “Hijab” ou Véu Islâmico
        na lista dos sites encontrados este site está no 3º lugar de cima para baixo. Eu li e fiquei maravilhada com a informação.

  • 24. Simone Frihat  |  novembro 2, 2009 at 11:55 pm

    Assalamu Aleikon

    Olá irmã Marina! Adorei seu blog e adorei a forma clara e sensível de como você escreve e se expressa.
    Sou muçulmana também, me reverti ao Islam faz 5 meses Al Hamdu’ lillah) e te garanto que sei o que vc está sentindo…
    Sou casada com um jordaniano e estive na Jordânia em junho, foi qdo abracei o Islam e fiquei completamente apaixonada por toda doutrina islâmica.
    Estou fazendo as 5 orações diárias, estou seguindo à risca tudo que vou aprendendo sobre a religião, porém, ainda não estou usando o hijab quando saio.
    Moro em uma cidade no interior de SP, cidade pequena, e estou muito apreensiva com o que vai acontecer qdo eu começar a usar. Já me decidi a usar, é algo que eu quero muito, pra me preservar de olhares alheios, para me guardar apenas para o meu marido, mas principalmente para fazer algo que Allah determinou. Allah determina eu obedeço, Allah proíbe eu não faço.
    Sei que vou encontrar muitas dificuldades, sei que as pessoas falarão ao meu respeito, sei que rirão, sei que haverá preconceito, mas quanto maior a dificuldade, maior a recompensa.
    Espero que em breve você encontre uma forma de usar o hijab e que todos esses obstáculos que você enfrenta fiquem pra trás! INSHALLAH!

    Um grande abraço!

    Responder
    • 25. egitoebrasil  |  novembro 3, 2009 at 5:28 am

      Salam irm,

      obrigada pela mensagem e que Deus ajude a todas ns a trilhar o caminho para o bem!

      Beijos e fique com Deus Marina

      Responder
  • 26. Giselle  |  novembro 16, 2009 at 9:17 am

    Acho que vc deveria continuar usando, já que sofre tanto sem ele. Seria difícil, mas talvez já tivesse se acostumado.

    Responder

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