O show de rock e o egípcio
Estávamos no nosso caminho de todo dia, de volta pra casa. Para variar passamos em frente ao sambódromo. Trânsito caótico, parado. Vejo um monte de jovens de preto se dirigindo feito formiguinhas para a mesma direção que nós seguíamos. Um camelô vendia camisetas na rua e forcei os olhos para enxergar as letras brilhantes estampadas nas roupas: Kiss.
- Ixxx, tem show do Kiss hoje no sambódromo! – falei pro Musta.
- Ai que trânsito, mas tem jogo do Corinthians também? – perguntou, porque ele tem trauma de jogo do “timão” e dos respectivos torcedores que a gente sempre encontra no Pacaembu, que faz parte da nossa rota diária.
- Não, aqui tá longe ainda do Pacaembu. A questão é que tem show hoje aqui e vai estar este trânsito infernal pois vamos passar bem na frente!
- Ah… mas nossa, show do que? – Mostafa aprendeu a falar “nossa”. Acho que ele não imagina que é uma expressão católica, mas aprendeu.
- De rock’n roll habiby! – falei animada na forma abrasileirada, lembrando dos velhos tempos em que eu também ia em eventos do Red Hot, Rush, Silverchair, Joe Satriani (que eu inclusive conheci pessoalmente sem nem conhecer uma música dele sequer hehehe) e afins.
- Marina, fala direito. Você falou “hockey”, isso é jogo, não é música. – criticando a forma brasileira de falar o R errado no inglês.
- Tá bom, tá bom. – concordei buzinando e tentando passar um carro vermelho na frente cheio de roqueiros pulando e fazendo aquele sinal de rock para fora do carro.
Mostafa observava as pessoas.
- Olha ali, olha ali!! Tem vários gays aqui! – falou assustado.
- Onde menino?
- Ali, e outro do outro lado também! Tudo homem de cabelo comprido!
- Hahahaha tá doido, não é porque eles tem cabelos compridos que são gays, são roqueiros, nunca viu os cantores como são?
- Eu não, mas é muito estranho, acho que são sim. – ficou com cara de dúvida.
Mais trânsito, mais carros, e vamos chegando perto de uma multidão que aguardava na entrada do sambódromo.
- Ahh, agora eu vi um gay sim! Tem ali um monte de cara pintada! – e aponta um menino com o rosto desenhado no estilo do Kiss.
- Hahahahaahah você me mata de rir Mostafa, é que a banda pinta o rosto mesmo! Eles fazem isso porque são fãs.
- Eu não acredito, homem que pinta o rosto para a gente é outra coisa. Tem mais um monte ali, olha!!!
- Ai ai, vou ter que escrever isso no meu blog amanhã. – estou fazendo isso agora.
- E fala também que vocês brasileiros imitam muito os americanos, essa banda mesmo deve ser imitação de uma banda de fora.
- Mostafa, essa banda é de FORA. E para de ficar falando mal do Brasil, que no Egito vocês nem recebem show decentes do exterior, vai.
- Também, quem vai querer ouvir esses homens de cara pintada? Ainda acho muito estranho.
- Mashy, mashy habiby.
Estamos quase saindo do trânsito.
- Mas me diz habiby, alguém da banda morreu? – Perguntou pra mim.
- Claro que não, porque você está falando isso Mostafa?
- Eles estão todos vestidos de preto!!!!
…. no comments….
Publicado em abril 8, 2009, em No Brasil e marcado como cultura árabe, cultura egipcia, egípcio no Brasil, Egito. Adicione o link aos favoritos. 16 Comentários.




Adoro suas historias!!!!!!
Beijossss
Olá Marina,
Adoro o seu blog, apesar de nunca ter comentado, mas leio todos os dias digo que estou viciada nos seus “relatos” (hehehehe). Quando li hoje foi impossível deixar de comentar, uma vez que gosto muito do Kiss e adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii a forma como o Sr. “Mustafa” falou kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…………
Bjosssss
Ps: Me add no msn, gostaria muito de conversar com vc! Please!
Olá Marina
Egipcio tem preconceito de gay mesmo, um dia comentei que tinha um amigo gay e o silêncio instalou-se…Amigo gay?? como é possível?
Argumentei que ele era uma pessoa normal mas ninguém conseguiu entender, como normal se é gay?
ah e que saudades quando você falou “mashy”, foi das primeiras palavras que aprendi…
Beijinhos
Cris (Portugal)
Ps: seja sempre muito feliz com seu habiby, mashy?
hahahaahhaahahahahah
Coitado do Mostafa, ainda vai se deparar com muitas dessas coisas
Você deve dar umas boas risadas com eles, essa do gay, da roupa preta foi demais rsrs
Beijinhos Marina ya gameela
Ah, meu Pai!! Vou ter um deslocamento de mandíbula de tanto rir, fora o condomínio de rugas q ganho de bônus. Tadinho do Mostafá, ele deve ter passado o maior susto pensando q era um arrastão de gays indo para algum velório. rsrsrs rsrsrs um abração
Velório de Gays, hehehehehehehehh
O Mostafa (olha a intimidade) é ótimo!!!!!!!!!
Adorei essa!!!!
Seu marido eh muito inocente…hhaha
Quando vir aos USA leva ele pra conhecer a Crhistofer street…ta cheio de GAY e a maioria dos logistas que vendem material erotico sao Egpicios e sao Gays
bju
hahahhaha. Imagina ele naquele show no hangar ou na Vila Madalena que fomos para ver o Dietcore. hahahaa. Eu não ia aguentar de rir e dele tentando me proteger.
abafa o caso mãe… eheheehehheh
HAHAHAHAHA!!!!!
Adoro esses posts que vc fala da diferença nas coisas que pra gente são super normais.
bjs
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Marina essa foi hílária … alguém da banda morreu? kkkkkk
mas até pra mim essa coisa do preto é sem sentido…
ahahhahahhahahha Muito engraçado Marina!!! Tenho um amigo que foi a esse show e hj ele estava me contanto que o figuro dos fãs estava bem chocante, segundo ele “tirado de filme trash dos anos 80″. Se meu amigo que esta acostumado com shows de rock ficou chocado posse imaginar a cara do Mostafa.
Bjinhos e obrigada por dividir conosco.
Legal!
Curto demais esses relatos do dia-a-dia de vocês e as descobertas do teu esposo em terras tuiniquins…as diferenças culturais são sempre muito curiosas e interessantes…ehehehehehe…
Beijos
Lidiane Vasconcelos
http://www.femeablog.wordpress.com
Muito engraçado
bjs
hahahahaha
essa foi otimaaaaaaaa!!!!
vou jah ligar pro habibi e contar essa pra ele….
beijocas!