Slumdog Millionaire
Tá bom, vou fugir totalmente do tema do blog, mas acho que vale a pena. Ontem acabei indo com minha irmã assistir Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário?) e é justo aquele tipo de filme que me deixa boba e não paro de falar dele até cansar.
Sempre tive uma paixão por destinos exóticos e pelo chamado “terceiro mundo”. Como poderia explicar? Não é que eu goste de ver gente sofrendo, mas sou uma pessoa que admira as pessoas que passam por dificuldades para sobreviver e, mesmo assim, são felizes. Também sou meio antropóloga certas horas, adoro ver como cada sociedade reage a seus problemas, como a criminalidade é construída, quais são os laços que mantêm a ordem em cada lugar.
Eu já fui a alguns lugares considerados “primeiro mundo”. É legal e tal, a gente se sente bem cuidado, com respeito, organização, produtos e serviços de qualidade. Mas acabo sempre sentindo uma frieza no ar quando a abundância de recursos é exagerada, como se a vida tivesse só que passar e nenhum desafio fosse proposto.
Engraçado, até mesmo nos Estados Unidos, o lugar mais bacana que conheci foi justamente onde a riqueza não é tão latente: foi num show de Blues em Chicago, onde uma banda de negros cantava suas lutas do passado com acordes graves e melancólicos, mas a cada aplauso da pequena platéia sorriam doidamente. Ao final, nos acolheram com abraços e palavras doces. Até nos chamaram para ir no palco testar os instrumentos, tirar fotos. Não é o tipo de coisa que se encontra nas lojas de Manhattan, ou até mesmo nos maravilhosos museus de Chicago. É coisa que se encontra nos becos, onde a vida nem sempre é tão fácil.
No Chile, apesar de ser um país em desenvolvimento, as ruas limpas de Santiago eram marcadas por pessoas educadas, onde carros paravam para a gente atravessar mesmo quando o sinal de pedestres estava fechado. Os restaurantes eram caros e a comida sem sabor. Mas em Pucon, onde nosso dinheiro já estava acabando, um senhor que cuidava de sua pousada viu os três jovens viajando sozinhos (eu, na época com 19 anos, minha irmã de 18 e meu irmão de 15) e ficou tão preocupado que nos deixou ficar em um bom chalé pelo preço que quiséssemos pagar. Fora isso, cuidou de nós como se fosse um pai, indicando os lugares mais seguros, emprestando bicicletas de graça e pagando até taxi para que tivéssemos mais conforto. Tudo sem esperar nada em troca.
É na simplicidade e generosidade dos outros que vivi os momentos mais belos de minha vida. Por isso sofri quando andei por Amsterdan naquele 1 de janeiro de 2007. As ruas geladas e sem vida, pessoas sérias e educadas, porém sem acolhimento. Lembro que fiquei umas 6 horas sem pronunciar uma palavra, ninguém dava abertura, nem mesmo nas lojas, e voltando naquele vagão vazio do trem, tive que falar sozinha comigo mesmo, em voz alta, para lembrar que eu ainda tinha voz. Foi ali que fiquei com medo de toda minha aventura, com medo de não me sentir em casa quando chegasse no Egito, de ficar deslocada como estava ali.
Mas não foi. Assim que o avião abriu as portas, bateu aquele vento frio de inverno no Cairo e logo ouvi gritos em árabe e gente correndo. Nada era muito organizado, ao pegar minhas malas, vários rapazes já vieram com toda aquela lábia de “terceiro mundo” querendo oferecer serviços, isso e aquilo, tudo por um trocado. Já estava rindo muito logo na chegada, me comunicando e achando bom só de ver as placas de identificação com as minhoquinhas. Sobre a hospitalidade egípcia, nem preciso dizer nada, pois eles são maravilhosos e quem já ficou com uma família de lá sabe do que estou falando. Mesmo quando a refeição é simples, ou a casa sem muito luxo, não tem como se sentir triste.
Bom, só sei que viajei, porque o post era para falar de Slumdog. Mas a verdade é que o filme fica martelando na minha cabeça, me lembrando de que os desafios são a parte mais gostosa da vida e como as histórias de gente pobre como essa, são as que mais me tocam e fazem pensar na vida. Também me fez refletir o fato de que várias coisas estão “escritas” na minha vida, como nada é por acaso e como Deus me permitiu ver coisas maravilhosas, principalmente nestes lugares mais simples.
Esta foi a marca que o filme deixou em mim, de lembrança e esperança, mostrando que o amor entre as pessoas sempre deve prevalecer sobre todas as coisas.
ps. A trilha sonora do filme é fantástica, quem quiser ouvir a melhor música (que ganhou o Oscar, é só dar um play aqui embaixo).
Publicado em fevereiro 26, 2009, em De tudo um pouco... e marcado como cultura, filmes. Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.



è na simplicidade que os brasileiros são mais felizes mesmo…
=D
Salam Marina
VI este filme adoreiiiiiii, principalmente a trilha e a dança
bjus